terça-feira, 8 de janeiro de 2013

G1 - Placas de outdoors em Salvador lembram morte de casal sindicalista - notícias em Bahia

G1 - Placas de outdoors em Salvador lembram morte de casal sindicalista - notícias em Bahia

A família e amigos do Paulo Colombiano e Catarina Galindo, casal de sindicalista morto no ano de 2010, fazem protesto silencioso para pedir a prisão dos cinco suspeitos do crime. Várias placas de outdoors que lembram o caso foram espalhados pelas ruas de Salvador.

Em cada um deles, foi colocada a foto do casal, acompanhada da frase: "3° Natal sem eles: Não esperaremos o próximo para que os assassinos passem na prisão". "Nós não aceitamos que esses mandantes e executores estejam livres, enquanto nós, da família Galindo e Colombiano, passamos mais um natal e ano novo na angústia de vê-los livres", disse Geraldo Galindo, irmão da esposa de Paulo, que era tesoureiro do sindicato dos rodoviários. Eles foram assassinados a tiros em Brotas.

Dos cinco principais suspeitos, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) aponta que dois são donos da empresa Mastermed, que presta serviço de plano de saúde à entidade, são apontados como autores intelectuais do crime; um é empregado dos empresários e teria tido a função de executar as vítimas e os outros dois são tidos como partícipes, com função de vigiar a rotina do sindicalista e de sua esposa.

Segundo a polícia, as mortes foram motivadas por uma investigação interna feita por Colombiano nas contas do sindicato relativas ao pagamento dos gastos com plano de saúde à Mastermed. A polícia informou que, desde 2005, a empresa recebeu R$ 106 milhões do sindicato. Colombiano, que era tesoureiro da entidade, desconfiou do pagamento de cerca de R$ 35 milhões da verba só com taxas administrativas. Ele teria descoberto aimda dívidas junto com o INSS, FGTS e Receita Federal e diminuído despesas geradas pela diretoria do sindicato.
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A prisão preventiva dos suspeitos foi pedida pelo MP-BA no mês de outubro de 2012, e atualmente estão em liberdade, segundo o Tribunal de Justiça da Bahia. Na segunda-feira (7), eles receberam uma intimação e terão prazo de dez dias para apresentação de provas. Após essa processo, será iniciado a fase das audiências.

O promotor de Justiça Davi Gallo avalia que a liberdade dos suspeitos torna o processo demorado. "Processo, neste país, só anda se os acusados estiverem preso. Nós pedimos a prisão dos cinco acusados, para que justamente o processo andasse. Por se tratar de pessoas com certo poder, não diria nem apenas poder aquisitivo, apagar provas", disse. O advogado dos suspeitos não está na cidade e retorna no dia 14 de janeiro.

Colombiano era o responsável financeiro do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, que possui mais de 14 mil associados, 80 diretores e 52 funcionários. A folha de arrecadação é estimada em R$ 5 milhões por ano, verba atingida apenas com as mensalidades dos sócios. Após os assassinatos, foram contratados seguranças e instaladas câmeras para filmagem na sede da entidade.
Casal de sindicalista assassinado
(Foto: Reprodução/TV Bahia)

Investigação
Em novembro de 2011, sindicalistas questionaram a linha de investigação adotada pela polícia. Para Gervásio Firmo, chefe jurídico da entidade, o objeto principal da investigação estava desvirtuado. “Estava muito centrado nas finanças do sindicato. A polícia parecia convencida, em um primeiro momento, de que aquele fruto tinha sido originado de uma disputa interna daqui, coisa que nós tínhamos certeza que não era verdadeiro”, relata.

Quatro meses após o crime, uma grave acusação veio da Força Sindical, um dos braços políticos dos rodoviários. O candidato derrotado nas eleições do sindicato, Mário Cléber de Menezes Costa, afirma que a vítima era alvo de ameaças. “Paulo sempre teve ameaçada sua vida pelos dirigentes sindicais”.

O deputado estadual Jota Carlos (PT-BA) foi presidente do Sindicato dos Rodoviários por 16 anos e é secretário-geral licenciado. Para ele, as últimas eleições foram marcadas por descontentamento. “Muita gente não gostou que nosso agrupamento ganhou as eleições. Espero que a polícia descubra e caminhe nesse viés”, opina.

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