terça-feira, 28 de junho de 2011

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Karla propõe emenda que insere a juventude na Lei Orgânica do Município

A vereadora Karla Trindade (PCdoB) deu um passo histórico nesta quarta-feira, 22/6, na luta pelos direitos dos jovens da capital sergipana. A parlamentar apresentou na Câmara Municipal de Aracaju (CMA) proposta de emenda para a inclusão do termo ‘juventude’ na Lei Orgânica do Município, com o objetivo de assegurar a elaboração do Plano Municipal de Políticas Públicas de Juventude.

“Esta proposta se baseia em garantir que o município de Aracaju, através de sua Carta Política, assegure, em concordância com o artigo 227 da Constituição Brasileira, as políticas públicas de juventude como um dever, tornando-as uma responsabilidade estatal e não mais governamental somente”, explicou a vereadora.

Karla falou sobre a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Juventude, em julho de 2010 pelo Congresso Nacional, que inseriu o termo ‘juventude’ na Constituição Federal. Segundo ela, a aprovação da PEC foi o resultado de um amplo debate sobre a juventude que passou a ter um espaço maior a partir do governo Lula. A Emenda Constitucional nº 65 inseriu o jovem no capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais da Constituição, assegurando ao segmento direitos que já foram garantidos constitucionalmente às crianças, adolescentes, idosos, indígenas e mulheres

Nova visão política

Segundo a vereadora Karla, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu passos significativos em prol desse segmento da população. Durante o governo Lula, foi realizada a 1ª Conferência Nacional de Juventude em 2008, além de instituídos o Conselho Nacional de Juventude e a Secretaria Nacional de Juventude. “A implementação de programas específicos foi outra marca do governo Lula: ProUni, Pró-Jovem, pontos de cultura, expansão de universidades e escolas técnicas federais são alguns exemplos de conquistas para os jovens brasileiros”, complementou.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são mais de 50 milhões de jovens em todo o país. Em Aracaju, são mais de 145 mil jovens com idade entre 14 e 29 anos, representando 25,53% da população da capital sergipana. Em seu discurso, Karla destacou que, nos últimos dez anos, foram dados passos importantes para a elaboração de políticas para essa parcela significativa da população aracajuana. Ela citou a realização da 1ª Conferência Municipal de Juventude e a implementação de programas federais no município voltados ao público jovem, com destaque para o Pró-Jovem que já atendeu mais de 6 mil jovens na em Aracaju.

A parlamentar também destacou a implementação de políticas públicas transversais que atendem à juventude na área da saúde pública, do trabalho, da assistência social, da cultura, do esporte e do lazer. “Neste ano, através de lei aprovada nesta Casa, de iniciativa do Executivo Municipal, o prefeito Edvaldo Nogueira dá um passo significativo para consolidar as políticas públicas de juventude do município ao reinstituir a Coordenadoria Municipal de Juventude, atendendo aos anseios daqueles que defendem a elaboração participativa destas políticas ”, ressaltou.

Números da Juventude

Conforme estudos do Ministério da Justiça sobre a causa da morte de jovens no Brasil, 39,7% são por homicídio e 19,3% por acidentes de trânsito. Segundo estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) realizado em 2009, um jovem sofre 2,8 vezes mais com o desemprego do que um adulto. “A disseminação e a dependência das drogas é outra realidade que tem atingido frontalmente o desenvolvimento da juventude brasileira. A violência e o abuso sexual são temas recorrentes na imprensa e quase sempre vemos jovens como vítimas nestes tipos de delito”, afirmou a vereadora Karla pontuando que realidade da juventude ainda é de superação das dificuldades.

Para a vereadora que levanta a bandeira da juventude em Aracaju, os jovens sofrem dificuldades inerentes a todos os cidadãos brasileiros e, por estarem em processo de formação profissional, psicológica e social, encontram barreiras ainda maiores para inclusão social e para o exercício da cidadania. Nesse sentido, ela destaca a importância de propostas que contemplem a juventude como alvo de políticas públicas específicas.

“Trago essa proposta de emenda a esta Casa para que Aracaju possa corresponder à nova perspectiva das políticas públicas de juventude no Brasil que, a partir da Emenda Constitucional 65, ganharam um novo olhar pelo Estado brasileiro. E a nossa cidade, como ‘capital da qualidade de vida’, que tem uma juventude pujante e participativa, não pode ficar de fora deste novo tempo. Vamos atender aos desejos e às demandas da juventude aracajuana, reconhecendo o jovem como protagonista de nossa sociedade”, pontuou a vereadora que encerrou seu discurso com o trecho da música ‘E vamos à luta’ do cantor e compositor Gonzaguinha: “Eu vou no bloco dessa mocidade que não tá na saudade e constrói a manhã desejada”.

Regina Gressler Groenendal

Jaques Wagner cobra elucidação sobre assassinato de comunistas - Notícias da Bahia - Portal Vermelho

Jaques Wagner cobra elucidação sobre assassinato de comunistas - Notícias da Bahia - Portal Vermelho

Jaques Wagner cobra elucidação sobre assassinato de comunistas

Dirigentes do PCdoB e familiares do diretor do Sindicato dos Rodoviários, Paulo Colombiano, e de Catarina Galindo, secretária do PCdoB, se reuniram com o governador da Bahia, Jaques Wagner, e o secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, na tarde desta segunda-feira (27) para cobrar informações sobre o andamento das investigações sobre o assassinato do casal, ocorrido no dia 29 de junho de 2010, em Salvador. Na quarta-feira, às 10h, um protesto na Praça da Piedade, vai marcar a data.

Wagner reafirma compromisso de elucidar assassinato de comunistas

Na reunião, os familiares e a direção do PCdoB cobraram mais uma vez maior agilidade nas investigações do duplo assassinato, para que os responsáveis possam ser identificados e punidos exemplarmente. Lembraram ainda, que na próxima quarta-feira se completará um ano do crime e que um ano é tempo demais para que não se tenha nenhum indicativo sobre os mentores dos assassinatos.

Tanto o governador, quanto o secretário de Segurança Pública reafirmaram a disposição do governo de elucidar o crime e prender os responsáveis. Wagner disse ainda que o governo vem utilizando toda a estrutura da inteligência da Polícia para chegar aos culpados e puni-los. A orientação dele é de que se façam todos os esforços para que a investigação chegue à elucidação do crime, reconhecendo que existe um perfil profissional na execução do mesmo, por isso, a dificuldade na elucidação.

Esforços do governo

"Os familiares e a direção do PCdoB reafirmam a confiança na postura do governo e em seu desejo de encontrar os culpados pelas mortes de Catarina e Colombiano", afirmou Geraldo Galindo, presidente do PCdoB em Salvador e irmão de Catarina.

O presidente do PCdoB na Bahia, deputado federal Daniel Almeida, também se disse satisfeito com o resultado da reunião. “Nós saímos com a convicção de que o governo está fazendo o esforço para a elucidação do crime e mantivemos a nossa cobrança de que faça mais do que tem sido feito, que façam todos os esforços e não se economize nenhuma ação neste sentido e o governador reafirmou que esta tem sido a orientação dele em relação ao caso. Para os familiares, a sociedade e o PCdoB mais importante que especular, é criar as condições para a elucidação do crime e isto está sendo feito”, avaliou.

Também participaram da reunião com o governador, Éder Galindo, filho de Catarina; Luiz Paulo Colombiano, filho de Colombiano; Hélio Ferreira, diretor do Sindicato dos Rodoviários; Adilson Araújo, presidente da CTB Bahia, e o deputado estadual Álvaro Gomes (PCdoB-BA), além do secretário estadual de Relações Institucionais, César Lisboa.

Protesto na quarta

Desde as mortes, familiares, diretores do Sindicato dos Rodoviários e companheiros de
Colombiano e Catarina no PCdoB fizeram diversas manifestações cobrando das autoridades competentes a elucidação dos assassinatos. Até o momento, a única informação fornecida pela Polícia foi de que os dois foram mortos em um crime de mando, mas hoje um depois do ocorrido, não foram esclarecidos ainda as motivações, mandantes e executores do duplo assassinato.

Para cobrar maior agilidade nas apurações, o PCdoB está organizando uma grande manifestação na praça da Piedade, a partir das 10h desta quarta-feira, 29 de junho, data que marca o primeiro ano do assassinato de casal de comunistas. Antes, familiares e amigos participam de uma missa na Igreja de São Pedro, também na Piedade, às 9h30.

De Salvador,
Eliane Costa


A CUT retorna às suas origens?

A CUT retorna às suas origens?
Lejeune Mirhan


Desde o último dia 13 de junho, o portal da Central Única dos Trabalhadores ostenta um artigo – polêmico é bem verdade – assinado pelo seu presidente Arthur Henrique, eletricitário de origem e também meu colega sociólogo, cujo título possui uma afirmação de que essa central é “diferente de todas as outras centrais” (podem ler o artigo no endereço http://www.cut.org.br/destaques/20827/a-cut-e-diferente-das-outras-centrais). Gostaria de debater algumas questões referentes a dois temas que nos são extremamente caros, pelo menos a um sindicalista como eu, do campo da CTB.

Polêmicas centrais: financiamento Compulsório e Unicidade Sindical

Sou um entre milhares de sindicalistas que, no decorrer dos últimos trinta anos – desde a realização da 1ª Conclat em 1981 – mantém diferenças e mesmo divergências profundas com os companheiros que hoje atuam e militam no campo da Central “Única” dos Trabalhadores. Tais diferenças relacionam-se com os postulados basilares dessa Central, pelo seu, digamos assim, “DNA” sindical, que repousa sob duas premissas básicas: sempre foram contra quaisquer receitas compulsórias para financiar as entidades sindicais no país e contrário a que exista apenas um sindicato por categoria profissional em uma mesma categoria (respeitado a base de um município).

Dito de outra forma, a CUT, que tinha apenas cinco anos quando da promulgação da Constituição Federal de 1988 – cujos deputados que davam sustentação para a Central à época recusaram-se a assinar a mesma constituição – nunca aceitou e combate até hoje o artigo 8º dessa mesma Constituição que defende a unicidade sindical e as receitas compulsórias.

Diferente dessa opinião, sempre me coloquei no campo dos que defenderam, lutaram e propugnam até os dias atuais pela defesa intransigente desse artigo, como a CSC desde que atuamos nessa Central por 15 anos. Não só porque nesse artigo está a defesa do financiamento compulsório para nossa estrutura sindical, como mantém a unicidade sindical, mantém o sistema confederativo, mas fundamentalmente porque também mantém a autonomia e a independência das entidades sindicais do estado e dos governos.

As divergências com essa central sindical são antigas, mas também são de diversas outras naturezas. No entanto, não quero me deter sobre outros pontos. Tenho alguns artigos em que menciono pelo menos 12 grandes temas e pontos completamente divergentes com a CUT. Abordarei neste artigo aqui apenas e tão somente os dois pontos que o colega Arthur Henrique coloca como fundamentais para se apresentar como “diferente” de todas as outras centrais sindicais existentes.

Tudo se resume a uma questão de gosto. Pessoalmente, nunca daria um título dessa natureza, que a CUT é “diferente”, como quem diz, melhor que as outras. Mostra arrogância e prepotência. Um imenso desdém com as cinco outras centrais existentes no país e legalizadas como a CUT e que, somadas, representam dois terços do conjunto do sindicalismo brasileiro. Mas, foi a opção que Arthur fez.

Vamos aos pontos polêmicos.

As receitas sindicais compulsórias

Temos muitos estudos sobre receitas e financiamentos sindicais no país. A que indico é do meu amigo e sindicalista Jeferson Barbosa da Silva, intitulado O Custeio dos Sindicatos (Editora Ensaio; Cepros, SP, 2002). E é a partir de dados que o próprio companheiro levantou em extensa pesquisa realizada na Internet em diversas fontes que conseguimos apurar o valor total arrecadado pela contribuição sindical (CLT e artigo 8º da CF) em 2010. Os dados mais confiáveis são os do SIAFI. Apuramos que 20% da parte que vai para o Ministério do Trabalho e Emprego perfazem, por baixo R$ 248.486.570,36 e que projetados para o universo total significaria um valor, arredondado de R$ 1.242.430.000,00. Um valor nada desprezível de contribuição sindical.

Para os sindicatos de base, como se sabe, apenas 60% lhes é destinado pela nossa legislação. Isso significaria algo como R$ 745.458.000,00. Temos no Brasil, estimados 16 mil sindicatos, dos quais cerca de nove mil deles fizeram seu recadastramento no Arquivo Nacional de Entidades Sindicais do MTE. Para as federações existentes são destinados 15% do montante total, que daria R$ 186.364.000,00 e para as confederações nacionais possuidoras de código sindical iriam os restantes 5%, que daria R$ 62.121.000,00.

Foi o presidente Lula quem legalizou as centrais sindicais, uma antiga aspiração praticamente unânime do movimento sindical brasileiro (MSB). Isso ocorreu no dia 31 de março de 2008, através da Lei nº 11.648. O governo, de forma voluntária e desprendida, atendendo às reivindicações das próprias centrais sindicais existentes, destinou metade dos 20% que sempre foi para o Ministério do Trabalho, para o custeio das centrais sindicais. Estabeleceu para isso uma proporção direta do número de sindicatos que lhes são filiados combinados com o número de trabalhadores sindicalizados representados. Uma fórmula interessante e acordada entre todas as seis centrais sindicais existentes. Dessa forma, no limite, o “bolo” a ser repartido com as centrais seria de até R$ 124.243.000,00.

Dados de 16 de junho de 2011 já nos indicam a existência de 9.603 sindicatos devidamente registrados no Arquivo Nacional do Ministério do Trabalho. Desses, 6.564 são filiados a alguma central ou 68,35% do total. Temos, portanto, ainda 32% de entidades sindicais legalizadas que não se filiaram a nenhuma central sindical. Pelo critério de número de sindicatos filiados, a CUT é a 1ª com 2.064 sindicatos (31,44% ou menos que um terço do total), seguida em 2º lugar pela Força com 1.650 entidades (25,13%, um quarto do total), em terceiro vem a UGT, com 940 entidades (14,32%), depois em 4º a Nova Central com 878 entidades (13,37%), em 5º a CTB com 510 entidades (7,76%) e em 6º lugar, entre as centrais sindicais legalizadas vem a CGTB com 392 sindicatos (ou 5,97%). As restantes 130 entidades filiadas a alguma central (1,98% do total), são pulverizadas entre outras seis centrais que nunca conseguiram seu registro definitivo de acordo com a lei por não possuírem nenhuma expressão política nem sindical.

Pelo outro critério que serve para legalizar as centrais de acordo com a legislação de 2008, os percentuais do total de trabalhadores associados aos sindicatos, a ordem se altera com uma disputa embolada pelo terceiro lugar. Ainda assim, as duas primeiras, CUT e Força seguem disputando o 1º e 2º lugar. Portaria do ministro do Trabalho de maio de 2011 indica os seguintes resultados: a CUT em 1º lugar com 38,32% dos sindicalizados; a Força com 14,12%, seguido da UGT com 7,89%, CTB em 4º lugar com 7,77%, seguido em 5º pela Nova Central com 7,04% e em 6º a CGTB com 7,02% do total de sindicalizados no país. Isso perfaz 82,16% de todos os trabalhadores sindicalizados existentes no país, estão representados por essas seis centrais sindicais que se legalizaram. Portanto, os restantes – em torno de 18% – espalham-se por 3.039 sindicatos que optaram ainda em permanecerem independentes, sem filiação à central sindical alguma.

No entanto, politicamente, observamos que há uma clara disputa pela hegemonia no MSB estabelecida entre a CUT e a FS. A CTB, é reconhecida, no aspecto político, como a terceira força e que tem projetos de crescer, ampliar sua influência e disputar a hegemonia do sindicalismo brasileiro.

A questão do custeio das entidades sindicais é uma batalha antiga no Brasil. Em todos os países do mundo existe alguma forma de custeio compulsório dos sindicatos e das suas centrais sindicais. Não é nosso objeto de estudo esse custeio em outras centrais de outros países. Deteremo-nos na situação do chamado imposto sindical, cujo nome oficial é contribuição sindical. Ela existe desde a edição da CLT, em 1º de maio de 1943 (artigos 578 e 579 da CLT). Dizem os tributaristas que “imposto bom é imposto velho”. Ou seja, criar um novo imposto de financiamento é muito mais difícil de emplacar, de pegar na sociedade, do que consolidar um imposto existente há mais de 60 anos. Esse imposto corresponde a um único dia de trabalho descontados no mês de março (para os profissionais liberais ele é pago diretamente ao seu sindicato por guias sindicais e é feito no último dia útil de fevereiro).

De fato, ninguém gosta de pagar impostos. O próprio nome, “imposto”, já deixa claro que as pessoas não têm opção. Aliás, quem paga imposto mesmo no Brasil são os trabalhadores. Esses, ao contrário dos patrões, não podem dar-se ao luxo de serem sonegadores. Os impostos que pagamos, em especial o Imposto de Renda, são recolhidos na fonte, em nossos contracheques, e são debitados em nossas contas salariais, pois recebemos apenas valores líquidos em nossas contas-salários. Muitos empresários inclusive, descontam dos trabalhadores e sequer repassam esses recursos para o tesouro nacional.

Dizem os tributaristas que o país teria hoje 57 tipos de impostos de naturezas completamente diversas. É claro que nenhum cidadão paga todas essas 57 cobranças compulsórias. Alguns dizem que, no limite, pagamos até umas 27 modalidades. Ainda assim, um absurdo. No entanto, apenas um desses impostos, unzinho apenas, vai para sustentar a maior máquina sindical existente no mundo. E isso quem vem dizendo é ninguém menos que o próprio Lula, que apoia hoje a manutenção desse imposto ainda que tenha feito toda a sua carreira de sindicalista combatendo esse “famigerado imposto”, que “financiava pelegos”, como a CUT dizia na sua fundação em 1983. Eram os tais resquícios da era Vargas, que seria preciso desmontar (sic).

Pois bem, a Central cutista defende exatamente a extinção desse único imposto. Para a CUT, devem existir apenas os sindicatos chamados “mais combativos” (sic). Talvez os que possam inclusive receber verbas dos próprios patrões ou de entidades internacionais. Apenas um dado que precisa ser registrado. Um dos nossos colegas sociólogo muito famoso, o Prof. Leôncio Martins Rodrigues da Unicamp, sempre faz pesquisa de perfil dos delegados dos congressos cutistas. E, invariavelmente, inclui nos questionários a pergunta “você é a favor da extinção do imposto sindical?”. A CUT nem sempre divulga esses resultados, mas sabemos que em vários congressos, o percentual de respostas dos delegados cutistas é elevadíssimo contra a extinção. Afirmam que não conseguiriam sobreviver somente com as mensalidades sindicais ou a chamada taxa assistencial ou contribuição confederativa. Dados do IBGE de 2001, na única pesquisa feita sobre o sindicalismo brasileiro, também atesta que fechariam mais de 60% dos sindicatos no país por falta de receitas se acabasse a contribuição sindical.

De meu ponto de vista, não é o momento de fecharmos nada neste país, em especial entidades sindicais que defendem os trabalhadores. Temos sim é que democratizar essas entidades e garantir acesso livre e direito às oposições sindicais de disputar e vencer eleições limpas e democráticas. A CUT chegou a propor, por ocasião da famigerada reforma sindical de 2003, no Fórum Nacional do Trabalho, uma coisa esdrúxula que condicionava as receitas sindicais – que ela defendia compulsórias também – mas que só receberiam essas receitas os sindicatos considerados “combativos”.

Pagamos compulsoriamente IPTU para prefeitos que não são combativos. Pagamos ICMS e IPVA para governadores que são muitas vezes menos combativos ainda. Pagamos IPI, IRPF e ITR para o governo federal. Imaginem se essa proposta de receitas vinculadas com “combatividade” (sic) valessem para prefeituras, estados e para o governo federal? Fechariam todos no dia seguinte! Imaginemos que um prefeito eleito democraticamente pelos eleitores de sua cidade só pudesse usar os recursos do IPTU se fizesse uma gestão “combativa”? Quem julga quem é ou não combativo? Quem lhes cassaria as verbas e os recursos? Um verdadeiro absurdo essa proposta, felizmente enterrada na Câmara dos Deputados pelo MSB em 2004.

Por fim, outro dado que os tributaristas nos fornecem. Dizem eles que os cidadãos comuns, classe média em especial, trabalham 144 dias dos 365 só para pagar seus impostos. Não acho que isso seja tão preciso assim, mas vamos que seja mesmo verdade. Apenas um desses 144 longos dias, que ocorre em março, o nosso salário tem descontado um trinta avos (1/30) do salário bruto geral, que destina 60% para nosso sindicato majoritário e vai para sustentar a estrutura sindical que temos. Pois não é que exatamente esse único dia de contribuição para nossas entidades que a CUT quer nos tirar? Não posso estar de acordo com isso. Apenas os patrões defendem isso. Aliás, na reforma sindical de 2003/2004 os patrões propuseram a compulsoriedade do imposto para eles e “liberdade” de contribuição para os trabalhadores.

O presidente Lula legalizou as centrais sindicais há três anos, atendendo a antiga aspiração unânime do sindicalismo brasileiro. Não temos os números atualizados deste ano ainda, que não foram divulgados. Mas, em 2010, a CUT, pelo seu tamanho e representatividade recebeu 31,9 milhões dos 102 milhões distribuídos (31%). A Força recebeu 28,9 milhões, a UGT 17,3 milhões. As outras três centrais receberam em torno de 23,9 milhões. Outro dia Lula se reuniu com as centrais sindicais legalizadas e se irritou quando a CUT disse em alto e bom som: “olha, nós da CUT queremos o fim do imposto sindical! Não abrimos mão disso!” (sic). Os que assistiram a reunião nos dizem que Lula, irritado, teria dito: “Ora, é simples! Devolvam para o governo seus 30 milhões. Vocês não são obrigados a usar esses recursos!”. Verdade. Não são mesmo. O que não podem é defender uma concepção que prejudique mais de 80% do sindicalismo brasileiro.

A famigerada Convenção 87 da OIT

É bem verdade que algumas das convenções da Organização Internacional do Trabalho podem ser consideradas progressistas. Apenas algumas. A imensa maioria das coisas que emana desse órgão contraria os interesses dos trabalhadores. Até porque um terço de sua composição é formada pelos patrões. Outro terço é indicado pelos governos, na maioria conservadores, reacionários e capitalistas e o terceiro terço é indicado por centrais sindicais mundiais. São 15 os “representantes” dos trabalhadores. Desses, pelo menos 12 são indicadas por uma “central” sindical mundial chamada CIS – Confederação Internacional Sindical – resultado da fusão da antiga CIOSL – Confederação Internacional das Organizações Sindicais “Livres” (sic), de perfil social-democrata com a cristã CMT – Confederação Mundial do Trabalho. Essa CIS, “representa” 250 milhões de trabalhadores sindicalizados, das quais no Brasil as centrais CUT, FS e UGT são filiadas. Lembro que a outra existente é a Federação Sindical Mundial – FSM, integrada por centrais sindicais do campo revolucionário e socialista e que representaria em torno de cem milhões de sindicalizados.

A CIS sempre defendeu a ALCA, apoiou a ocupação do Iraque e do Afeganistão e apoia o bloqueio odioso que o império mantém contra a pequenina e combativa Cuba desde 1962. É uma central capitalista. Querem, quando muito, melhorar o sistema capitalista, em seu modelo de financeirização do capital. Não pretendem combatê-lo, muito menos destruí-lo.

A Convenção 87 foi aprovada pela OIT em 17 de junho de 1948, há 63 anos. Ela afirma que é perfeitamente legítimo e democrático a todos os trabalhadores o direito de se reunir em uma “assembleia” e fundar tantos quantos forem os sindicatos que queiram. Ora, isso fragmenta a representação das categorias profissionais. Os patrões fundariam os seus sindicatos de “trabalhadores”. Muitas empresas possuem times de futebol, de vôlei, financiam atletas, mantém clubes de campo, prestam assistência social. Porque não teriam seus “sindicatos”? Como resistir a isso, ainda mais com uma estrutura sindical antidemocrática como a nossa que conhecemos bem?.

Alguns poderiam dizer que a consciência dos trabalhadores não se enganaria e eles só se filiariam aos sindicatos mais “combativos”. Será mesmo? Aqui apresento mais um dado. O IBGE e o Ministério do Trabalho dizem que atualmente 18% dos trabalhadores do país, em média, são sócios de suas entidades sindicais representativas. Quando o presidente Lula tomou posse em 2003 esse percentual era de apenas 14%. Dito de outra forma, podemos dizer que apenas um em cada cinco trabalhadores com carteira assinada é associado ao seu respectivo sindicato.

Nunca fizemos uma pesquisa para saber os reais motivos pelos quais os trabalhadores se associam aos seus sindicatos – e isso daria uma bela pesquisa. Como sociólogo, minha hipótese, é que, pelo menos para uma parte desses trabalhadores acha importante ser sócio para ter uma entidade que lute pelos seus direitos, pelas suas reivindicações, que melhore sua vida. No entanto, devem existir outros motivos. Colônias de férias, assistências diversas, festas, descontos em lojas, planos de saúde e tantas outras coisas e serviços mais. Mas, vamos dar de bandeja que todos que se associem a um sindicato achem que a sua vida fica melhor sendo sócio de suas entidades representativas na luta contra os patrões. Anda assim, 80% de todos os outros trabalhadores com registro em carteira acham que suas vidas são melhores sem o sindicato! Esses são os tempos que vivemos.

Pois é exatamente nesse contexto que a CUT, pelo que se depreende do artigo de seu presidente, quer uma volta às “suas origens”, ou seja, vai voltar à carga pare defender o pluralismo sindical. Vai propor a pulverização ainda maior do sindicalismo brasileiro. Vai propor que uns poucos, ditos combativos, sobrevivam e que fechem a imensa maioria. Ouvimos dizer que até campanha em rádios, jornais e TVs eles farão. Pensamos diferente. Há outras prioridades a serem defendidas.

Como diz Chico Buarque, “eu que não creio peço a deus” que nunca tenhamos neste país o modelo japonês, país que adota a tão elogiada Convenção 87. Mesmo possuindo um quarto de nossa população, possui cinco vezes mais sindicatos! Hoje, seguramente, devem chegar próximo da marca dos cem mil sindicatos! Lá e em outros países que adotam esse fracassado modelo de pulverização sindical, temos sindicatos cristãos, sindicatos comunistas, sindicatos anarquistas, sindicatos capitalistas e tantos outros “istas” que não acabam mais. E os patrões agradecem. Não podemos aceitar essa divisão. O sindicato deve ser único e representar todos os trabalhadores, independentes de sua confissão religiosa, de suas ideologias partidárias. É bom sempre tomarmos cuidado com as “boas” propostas que os patrões e os impérios nos fazem. Eles têm seus interesses por trás desse canto da sereia.

Pessoalmente, lamento a decisão da CUT. Mas, lamento ainda mais a arrogância e prepotência dessa Central em se achar melhor que todas as outras, mais combativas e que só elas sabem melhor como ninguém, os reais interesses dos trabalhadores brasileiros.

Lamento que a CUT se afaste das ações unitárias do Fórum das Centrais. Num momento histórico ainda adverso para os trabalhadores. Num momento de extrema força do capitalismo financeiro, dos rentistas. Tirar receitas dos sindicatos e pulverizá-los neste momento histórico é cometer o mais grave erro de nossa recente história sindical. Tenho convicção de que tais propostas não triunfarão e a CUT acabará por isolar-se do conjunto das entidades sindicais se insistir nesse equívoco.

Lejeune Mirhan é Sociólogo, Professor, Escritor e Arabista. Foi vice-presidente da CNPL (2002-2005), presidente da Federação Nacional dos Sociólogos – Brasil (1996-2002) e presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo (2007-2010). Foi secretário-executivo do FST (2003-2005). Tem cinco livros publicados, colabora para diversos sites e portais e com a revista Sociologia da Editora Escala. E-mail:lejeunemgxc@uol.com.br

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Projeto propõe fim da CLT e flexibiliza direitos trabalhistas

O presidente da Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, Silvio Costa (PTB/PE), apresentou projeto de lei (PL 1.463/2011) que cria o Código de Trabalho. Com o pretexto de “modernizar” as relações de trabalho, o deputado propõe a flexibilização dos direitos trabalhistas no País. Na prática, o código desmonta o Direito do Trabalho, que no Brasil é norma de ordem pública de caráter irrenunciável.
De acordo com o código, os direitos mínimos previstos podem ser alterados por meio: 1) de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou 2) acordo individual, desde que o trabalhador tenha remuneração igual ou superior a dez vezes o limite do salário de contribuição da previdência social. Além disso, trata da terceirização, organização sindical e financiamento das entidades, direito de greve e processo de negociação.

Ao estabelecer a prevalência do negociado sobre o legislado, o projeto elimina a figura do hipossuficiente nas relações de trabalho, princípio segundo o qual o empregado é a parte mais fraca econômica, social e politicamente na relação com o empregador. Segundo o autor, flexibilizar direitos “vem ao encontro da tendência mundial de afastamento do intervencionismo e protecionismo exacerbado do Estado, dando força à composição entre as partes como forma reguladora das relações laborais”.
FST - A coordenação do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) convocou reunião das entidades filiadas, na próxima terça-feira (28), para organizar a luta contra o projeto, que representa um atentado às conquistas dos trabalhadores. O encontro será em Brasília, a partir das 10 horas, na sede da Nova Central (SAF/Sul Quadra 2 Bloco D térreo, sala 102, Edifício Via Esplanada).

Mais informações:
Telefone (61) 3226.4000 (com Jairo)
ou e-mail contabil@fstsindical.com.br

Dica de Coletivizando:
Clique aqui e leia no site da Câmara dos Deputados o texto integral do PL 1.463/2011




Agenda dos Trabalhadores: todos em Brasília no dia 06 de Julho

Centrais organizam mobilização para reivindicar a pauta trabalhista


Redução da Jornada de trabalho, fim do fator previdenciário, regulamentação das terceirizações e o fim das práticas antissindicais estão entre os principais itens da pauta de reivindicações das centrais sindicais dos trabalhadores e trabalhadoras que neste semestre promete ser marcado por grandes movimentos e mobilizações.

As centrais sindicais, CTB, CGTB, Força Sindical, NCST e UGT definiram uma pauta em conjunto com todo movimento sindical e todos os sindicatos ligados às centrais. Com intuito de discutir e organizar a programação das mobilizações para os próximos meses, dirigentes das centrais sindicais reunidos na sede da CTB detalharam ações para os próximos eventos da agenda da classe trabalhadora.

Como aconteceu em São Paulo, as centrais convocaram os dirigentes estaduais para promoverem nas próximas semanas encontros com lideranças estaduais das centrais junto às respectivas bancadas de deputados federais representativas de cada unidade federativa.

Na próxima sexta-feira, 01/07, na sede da CTB encontro com lideranças dos movimentos sociais, UNE, CONAM, MST, UJS, UBES, Grito dos Excluídos, UBM, Unegro, entre outros movimentos sociais, na pauta a participação de todos os movimentos na agenda das centrais sindicais.

Na capital federal as centrais e os trabalhadores se concentrarão no dia 6/07, a partir das 14h, em frente à Catedral de Brasília, e partirão rumo ao Congresso Nacional

Após os eventos a atenção das centrais se concentrará em São Paulo, para a realização, em 03/08, de grande passeata das centrais sindicais, com saída programada para as 10h em frente ao Estádio Municipal do Pacaembu, seguindo para a Avenida Paulista e descendo a Avenida Brigadeiro Luiz Antonio para Assembleia Legislativa no Ibirapuera.

A unidade das centrais sindicais somadas com a adesão de toda a militância, tanto a dos trabalhadores e trabalhadoras e também a dos movimentos sociais, pretende fazer ecoar em todo o país as reivindicações da classe trabalhadora.

Agenda dos Trabalhadores: todos em Brasília no dia 06 de Julho

As centrais sindicais CTB, CGTB, Força, NCST e UGT convocam toda a sua militância (estaduais, sindicatos e federações filiadas) para o grande ato que acontece em Brasília, no dia 06 de julho - Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Agenda dos Trabalhadores.

Além da redução da jornada de 44 para 40h sem redução de salários, a agenda inclui ainda a regulamentação da terceirização, o fim do fator previdenciário, a atualização dos índices de produtividade do campo, a reforma agrária, ratificação de convenções da OIT, entre outros.

Para o presidente da CTB, Wagner Gomes, é prioritário que as seções estaduais se organizem para participar dessa grande mobilização a favor das reivindicações da classe trabalhadora, que exige também a garantia de reajustes reais para os salários e eleva a crítica contra essa políticia equivocada de juros altos. "Não vamos aceitar esse argumento de que salário gera inflação", afirmou o presidente da CTB.

Os sindicalistas afirmam que as mobilizações serão uma resposta ao discurso da área econômica do governo. "A campanha salarial do segundo semestre será muito importante para mobilizar as categorias e acabar com essa equação retrógrada de que o ganho real vai prejudicar a sociedade. Isso é coisa de quem não tem percepção política e social".

A maior parte dos acordos fechados no segundo semestre de 2010 foram feitos com uma taxa de inflação acumulada entre 4,5% e 5%. Assim, um reajuste de 7% nos salários cobria a elevação nos preços e ainda embutia um ganho real de 2% nos salários. Este ano, a coisa mudou: os acordos terão de ser próximos a 9% para repetir os ganhos de 2010.

Bandeira prioritária das centrais, a luta pela redução da jornada sem redução de salários, vai mobilizar os sindicalistas que pretendem passar o restante do mês de junho e o início de julho em conversas com deputados e senadores para tentar incluir o projeto que reduz a jornada na pauta de votações do Congresso no segundo semestre.

No último dia 13/06, em uma coletiva de imprensa os presidentes das centrais lançaram um calendário de mobilizações que inclui o ato do dia 06 de julho, em Brasília e região centro-oeste. No dia 03 de agosto, fechando o caléndário, está prevista uma grande passeata na avenida Paulista, com cerca de 100 mil pessoas.

Acesse o caléndário e participe!

Clique e confira o caléndários de mobilizações

A primeira mobilização acontece no Congresso Nacional, no dia 6 de julho, quando se espera a presença de representantes das cinco centrais, além de mil dirigentes sindicais de todo o país.

As demais estão programadas para acontecer em todas as regiões do país: Norte, Nordeste e Sul. A atividade da região sudeste, se dará com uma grande uma passeata na Avenida Paulista, em São Paulo, quando espera-se a presença de mais de 100 mil trabalhadores.

Atenção para o calendário:

Dia 14 de julho - Região Norte

Dia 21 de julho - Região Nordeste

Dia 28 de julho - Região Sul

Dia 3 de agosto - Ato Nacional em São Paulo - Passeata na avenida Paulista


Fonte: Portal CTB

domingo, 26 de junho de 2011

Blog do Bemvindo: CENAS DE UMA DITADURA - 11 - PCB OU PCdoB?

Blog do Bemvindo: CENAS DE UMA DITADURA - 11 - PCB OU PCdoB?

Precisávamos de uma sala para reunir o pequeno grupo de agitadores e criar o Centro de Estudos Sociais... Foi quando o José Fernandes, um dos jovens, deu a idéia de procurarmos nas redações dos jornais de esquerda da época.

E  fomos nós em direção ao Edifício Santos Vahlis, no Centro. No saguão do prédio  decidimos a linha política:

-“Aqui  tem o “Novos Rumos” e tem a “A Classe Operária”. Em qual vamos pedir  a sala? Disse ele.

Perguntei:
-“Qual a diferença?”

- “Novos Rumos” é a favor da União Soviética e da coexistência pacífica. É do PCB. Já “A Classe Operária” é a favor da China e pela Revolução Socialista. É do PCdoB.”

A mim, tanto fazia.  PCB ou PCdoB naqueles tempos não me dizia nada. Mas eu, que sempre fui muito do radical, resolvi:
-“Vamos à “A Classe Operária!”

Quando chegamos lá em cima, na sala, havia três “velhos” sentados, conversando. Depois vim saber que eram: Maurício Grabois, Pedro Pomar e João Amazonas. O Comitê  Central do PC do B  estava em reunião e nem imaginávamos o que fosse aquilo.

Grabois e Pomar eram vistosos e brilhantes. Já o Amazonas era pequeno e sem brilho,  passava desapercebido na multidão.

Perguntaram o que desejávamos, explicamos e nos levaram para uma salinha contígua,  para a nossa reunião, enquanto eles ficaram numa conversa sussurrada na outra sala. Sussurros que naturalmente deveriam estar definindo a continuidade do Partido e a “Revolução Brasileira”.

E eu lá, café com leite puro , no que tangia aos meandros partidários.

Claro que na segunda reunião já estávamos cooptados pelo PCdoB.

E eu junto. Lá ia eu,  Pinóquio novamente, em meu caminho de tornar-me gente.

Assim criamos a base da Ilha do Governador, Rio,  que foi do PC do B até perdermos total contato com o Partido Comunista do Brasil - que  à época não chegava a 50 militantes no Rio de Janeiro – após o golpe militar.

Com a criação e militância da base afastei-me da UBES, o que me livrou do incêndio, e postergou minha detenção.

Próximo: O DIA DO GOLPE. CHOVIA NO RIO.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Secretaria da Juventude trabalhadora da CTB-PE promove encontro em Recife

Secretaria da Juventude trabalhadora da CTB-PE promove encontro em Recife

A Secretaria de Juventude Nacional da CTB promoveu na última quinta-feira, 16/06, um encontro com várias lideranças do coletivo de juventude e dirigentes da CTB para debaterem diversos temas e a elaboração de um calendário do segundo semestre deste ano.

Participaram da mesa organizadora Paulo Vinicius, Secretário de políticas para a Juventude Trabalhadora da CTB, Margarida Maria dos Santos, presidenta da CTB-PE, Suely Tesoureira da CTB-PE, Valeria Silva Secretária de Formação CTB-PE e William Menezes Secretária de Juventude Estadual CTB-PE, além de lideranças do Coletivo.

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Diversas categorias estavam representadas no evento: Educação (Público e Privado), Metalúrgicos, Rurais, Papeleiros, Metroviários, Conselheira de Juventude Estadual e Conselheiro de Juventude do município de Igarassu marcaram presença na reunião.

As principais liberações do encontro foram; 1) Participar do congresso da UNE para fortalecer a participação da CTB no evento, 2) Participar da conferência de Juventude e eleger delegados para a conferência nacional, 3) Participar da plenária nacional de Juventude da CTB em Dezembro e 4) Construir uma plenária Estadual de Juventude da CTB-PE.

Secretaria da Juventude Trabalhadora da CTB

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Manuela d’Ávila: É preciso atitude política com foco nos desafios - Portal Vermelho

Manuela d’Ávila: É preciso atitude política com foco nos desafios - Portal Vermelho


Manuela d’Ávila: É preciso atitude política com foco nos desafios

Entrevista Manuela

“Porto Alegre merece ter uma administração que pensa o futuro, mas melhora o presente de sua população”. É com o pensamento voltado para as necessidades de hoje e o olhar atento para o planejamento de novos desafios que a deputada federal, Manuela d’Ávila (PCdoB-RS) resume as principais bandeiras de sua pré-candidatura à Prefeitura de Porto Alegre em 20

12.

Por Mariana Viel

Em entrevista ao Vermelho, ela falou da responsabilidade de representar as ideias do PCdoB. Durante a última reunião do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil – realizada em São Paulo, nos dias 4 e 5 de junho – a pré-candidatura de Manuela d’Ávila, para a Prefeitura da capital do Rio Grande do Sul, foi definida como uma das prioridades do partido para as eleições do próximo ano.

“Nosso partido tem se destacado nas administrações em que está à frente por construir políticas públicas focadas na participação, no desenvolvimento e no diálogo, e esta será uma das marcas que iremos levar para a disputa em Porto Alegre” afirmou a parlamentar – que atualmente preside a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, na Câmara Federal.

A deputada federal mais votada da história do Rio Grande do Sul – com quase meio milhão de votos – falou ainda da possibilidade, de sua candidatura, reeditar a aliança que elegeu Tarso Genro governador do Rio Grande do Sul, em 2010. “Promoveremos – nós, PSB, PT, PRB –, a partir de agosto, um ciclo de debates cujos temas são as novas ideias para organizarmos a cidade que queremos”.

Aos 29 anos, Manuela – que iniciou sua trajetória política no movimento estudantil – ressaltou que as questões que envolvem a juventude serão sempre prioridades. “Um país soberano, uma nação e uma cidade se consolidam com desenvolvimento e, para isso, é preciso que nossos jovens tenham chances de estudar, trabalhar e crescer”.

Vermelho: Durante recente reunião do Comitê Central, realizada entre os dias 4 e 5 de junho, o PCdoB deliberou sua pré-candidatura à Prefeitura de Porto Alegre em 2012 como uma das prioridades do partido. Como você recebeu notícia?
Manuela d’Ávila: Com muita responsabilidade e comprometimento. Representar as ideias do PCdoB, a perspectiva que temos para os municípios é um desafio enorme. Vivemos um período intenso de transformações em nosso país e o PCdoB ocupa papel de destaque nesse cenário. Representar isso em uma possível candidatura é um orgulho e encaro com muito respeito pela história que construímos permanentemente. Nosso partido tem se destacado nas administrações em que está à frente por construir políticas públicas focadas na participação, no desenvolvimento e no diálogo, e esta será uma das marcas que iremos levar para a disputa em Porto Alegre.

Vermelho: Quais são os preparativos e as articulações necessárias para a concretização de sua candidatura em 2012?
Manuela: Esse é um momento de avaliação e conversas. Há uma possibilidade de reeditarmos a aliança que elegeu Tarso Genro governador do Rio Grande do Sul, em 2010. Além disso, promoveremos – nós, PSB, PT, PRB –, a partir de agosto, um ciclo de debates cujos temas são as novas ideias para organizarmos a cidade que queremos. No dia 4 de julho, data do lançamento da nossa Conferência, apresentaremos este projeto com datas e temas. Visitaremos, também, todos os bairros de Porto Alegre para ouvirmos a população (participação) e conheceremos experiências bem sucedidas nacionais e internacionais. Temos feito estudos e debates bastante importantes, pensando de que forma podemos, de fato, contribuir para uma cidade melhor, para resgatar o protagonismo que Porto Alegre sempre teve. Tudo isso para pensarmos a Porto Alegre que queremos.

Vermelho: A notícia sobre sua pré-candidatura já foi divulgada por veículos de imprensa estaduais e nacionais. Como foi a repercussão e como os seus eleitores receberam a notícia?
Manuela: Muitos perguntam sobre isso nas ruas, nas redes sociais. Há bastante manifestações de apoio e a maioria demonstra simpatia porque acredita e quer uma mudança de atitude e de visão de cidade. Mas tenho um mandato bastante desafiador e que segue em ritmo muito acelerado. O ano de 2011 começou com o desafio de presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias; há pouco ainda coordenava a bancada federal gaúcha. Esses são os motivos principais das conversas com a população. O nosso olhar está muito voltado para o presente.

Vermelho: Sob o seu ponto de vista, quais seriam as maiores diferenças entre a pré-candidatura de 2012 e a de 2008?
Manuela: São quatro anos de muito trabalho, em que pude conhecer experiências bem sucedidas de administração, em que fortalecemos a forma do PCdoB de governar - respeitando e incluindo a população, visando ao desenvolvimento, garantindo políticas públicas. As trocas e os diálogos desses quatro anos têm sido muito enriquecedores e a comprovação disso pode ser vista nas cidades administradas pelo PCdoB. Além disso, eu me dediquei, pessoalmente, ao estudo de soluções para os problemas que a cidade vive.

Vermelho: O PSB declarou no último dia 4 de junho apoio à sua candidatura. Com a união das forças de esquerda em Porto Alegre pode contribuir para a construção de um novo governo municipal?
Manuela: O PSB é aliado leal e nosso parceiro em diversas lutas em defesa do povo e do desenvolvimento do país. Na eleição do governador Tarso unimos a esquerda em torno de um objetivo comum e vencemos. Essa união foi decisiva porque trouxe de volta ao Rio Grande do Sul a unidade política, há anos inexistente. Reeditar essa unidade na eleição em 2012 tem a mesma importância, pois reforça que todos temos um mesmo objetivo, programa, ideal e conceito de cidade. Concretamente, o cenário político aponta que, em 2008, quando estivemos separados, perdemos a eleição em Porto Alegre; o mesmo aponta que, em 2010, quando juntos, vencemos as eleições para o governo estadual. Esse alinhamento político recolocou o Rio Grande no centro das principais ações do país. O mesmo precisa acontecer com Porto Alegre. A cidade precisa se situar no calendário do país e a unidade política potencializa isso.

Vermelho: Você foi apontada recentemente pela Revista Época como uma das 40 personalidades com menos de 40 anos mais influentes do Brasil. Em sua opinião, quais são as características políticas e pessoais que conferem a você essa influência nacional?
Manuela: Diálogo, atitude e transparência. A política ainda é vista em nosso país sob o prisma da corrupção, do vale tudo, do descrédito. Quanto tu te colocas de frente para as pessoas, mostra teu trabalho e o seu resultado, quando ouves, troca, recebe críticas e abre um canal permanente de comunicação, o resultado é esse. Acabo por envolver as pessoas na minha rotina e eles conseguem acompanhar meu dia todo (especialmente pelo twitter), conhecem minha opinião sobre os principais temas. Consolidamos uma relação transparente mesmo quando divergimos. Mas não basta diálogo e transparência. É preciso atitude. E atitude política com foco nos desafios, nos grandes projetos e não em pequenas disputas. Por isso acredito que a combinação desses três fatores é chave para esse apontamento da revista Época.

Vermelho: Quais os diferenciais e benefícios que uma administração comunista pode trazer para Porto Alegre?
Manuela: A inovação e a ousadia. Porto Alegre já esteve à frente de outras capitais por diversos fatores e a participação popular é uma delas. Perdemos esse protagonismo e é preciso recuperá-lo. Como? Valorizando o que temos de mais importante, ao mesmo tempo em que inovamos. E essa inovação se dá em diversas áreas, mas é preciso ousar. Porto Alegre merece ter uma administração que pensa o futuro, mas melhora o presente da sua população; que propõe grandes obras e soluções viárias, mas garante transporte de qualidade hoje e viabiliza ciclovias. Precisamos explorar o potencial esquecido de cidade sustentável, investir em ações de combate à lentidão da administração pública e desburocratizar rotinas. Revitalizar o centro histórico e bairros abandonados também é ação urgente, assim como o estímulo a setores dinâmicos de serviço, gerando emprego e desenvolvimento. Muitas dessas são propostas simples e inovadoras. Simples porque são possíveis, inovadoras porque ainda não fora feitas. Mas tem muito mais, certamente.

Vermelho: Quais serão as bandeiras da sua candidatura?
Manuela: Uma gestão que organiza a cidade para as pessoas poderem investir e viver melhor, com serviços qualificados (transporte e limpeza), com debate sério e diálogo permanente. Uma gestão com participação, porque considero importante ouvirmos a comunidade sobre as políticas públicas voltadas para a saúde e a educação. Uma gestão que potencializa as vocações de Porto Alegre como cidade da tecnologia e da cultura. Desde 2008 propomos novas soluções para os velhos problemas, Porém, não houve avanços para população e eles ainda vivenciam os mesmos problemas, alguns agravados por denúncias de desvios de verbas da saúde e dos programas voltados para a juventude (como o Projovem). Nós vamos construir uma gestão com eficiência e transparência, valorizando e potencializando as vocações de Porto Alegre.

Vermelho: A bandeira da juventude continua em evidência em seu mandato e será uma prioridade para Porto Alegre?
Manuela: Juventude é prioridade sempre. Um país soberano, uma nação e uma cidade se consolidam com desenvolvimento e, para isso, é preciso que nossos jovens tenham chances de estudar, trabalhar e crescer. Eles são parte fundamental do projeto de uma Porto Alegre melhor, mais avançada, com perspectivas de futuro e, especialmente, com um presente organizado, planejado. Para aproveitarmos o potencial imenso dos jovens - que são nosso presente -, temos de dar a eles o que fazer, opções. Precisamos, para isso, de uma cidade inovadora e moderna.

Manuela d’Ávila: É preciso atitude política com foco nos desafios - Portal Vermelho

Manuela d’Ávila: É preciso atitude política com foco nos desafios - Portal Vermelho


Manuela d’Ávila: É preciso atitude política com foco nos desafios

Entrevista Manuela

“Porto Alegre merece ter uma administração que pensa o futuro, mas melhora o presente de sua população”. É com o pensamento voltado para as necessidades de hoje e o olhar atento para o planejamento de novos desafios que a deputada federal, Manuela d’Ávila (PCdoB-RS) resume as principais bandeiras de sua pré-candidatura à Prefeitura de Porto Alegre em 20

12.

Por Mariana Viel

Em entrevista ao Vermelho, ela falou da responsabilidade de representar as ideias do PCdoB. Durante a última reunião do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil – realizada em São Paulo, nos dias 4 e 5 de junho – a pré-candidatura de Manuela d’Ávila, para a Prefeitura da capital do Rio Grande do Sul, foi definida como uma das prioridades do partido para as eleições do próximo ano.

“Nosso partido tem se destacado nas administrações em que está à frente por construir políticas públicas focadas na participação, no desenvolvimento e no diálogo, e esta será uma das marcas que iremos levar para a disputa em Porto Alegre” afirmou a parlamentar – que atualmente preside a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, na Câmara Federal.

A deputada federal mais votada da história do Rio Grande do Sul – com quase meio milhão de votos – falou ainda da possibilidade, de sua candidatura, reeditar a aliança que elegeu Tarso Genro governador do Rio Grande do Sul, em 2010. “Promoveremos – nós, PSB, PT, PRB –, a partir de agosto, um ciclo de debates cujos temas são as novas ideias para organizarmos a cidade que queremos”.

Aos 29 anos, Manuela – que iniciou sua trajetória política no movimento estudantil – ressaltou que as questões que envolvem a juventude serão sempre prioridades. “Um país soberano, uma nação e uma cidade se consolidam com desenvolvimento e, para isso, é preciso que nossos jovens tenham chances de estudar, trabalhar e crescer”.

Vermelho: Durante recente reunião do Comitê Central, realizada entre os dias 4 e 5 de junho, o PCdoB deliberou sua pré-candidatura à Prefeitura de Porto Alegre em 2012 como uma das prioridades do partido. Como você recebeu notícia?
Manuela d’Ávila: Com muita responsabilidade e comprometimento. Representar as ideias do PCdoB, a perspectiva que temos para os municípios é um desafio enorme. Vivemos um período intenso de transformações em nosso país e o PCdoB ocupa papel de destaque nesse cenário. Representar isso em uma possível candidatura é um orgulho e encaro com muito respeito pela história que construímos permanentemente. Nosso partido tem se destacado nas administrações em que está à frente por construir políticas públicas focadas na participação, no desenvolvimento e no diálogo, e esta será uma das marcas que iremos levar para a disputa em Porto Alegre.

Vermelho: Quais são os preparativos e as articulações necessárias para a concretização de sua candidatura em 2012?
Manuela: Esse é um momento de avaliação e conversas. Há uma possibilidade de reeditarmos a aliança que elegeu Tarso Genro governador do Rio Grande do Sul, em 2010. Além disso, promoveremos – nós, PSB, PT, PRB –, a partir de agosto, um ciclo de debates cujos temas são as novas ideias para organizarmos a cidade que queremos. No dia 4 de julho, data do lançamento da nossa Conferência, apresentaremos este projeto com datas e temas. Visitaremos, também, todos os bairros de Porto Alegre para ouvirmos a população (participação) e conheceremos experiências bem sucedidas nacionais e internacionais. Temos feito estudos e debates bastante importantes, pensando de que forma podemos, de fato, contribuir para uma cidade melhor, para resgatar o protagonismo que Porto Alegre sempre teve. Tudo isso para pensarmos a Porto Alegre que queremos.

Vermelho: A notícia sobre sua pré-candidatura já foi divulgada por veículos de imprensa estaduais e nacionais. Como foi a repercussão e como os seus eleitores receberam a notícia?
Manuela: Muitos perguntam sobre isso nas ruas, nas redes sociais. Há bastante manifestações de apoio e a maioria demonstra simpatia porque acredita e quer uma mudança de atitude e de visão de cidade. Mas tenho um mandato bastante desafiador e que segue em ritmo muito acelerado. O ano de 2011 começou com o desafio de presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias; há pouco ainda coordenava a bancada federal gaúcha. Esses são os motivos principais das conversas com a população. O nosso olhar está muito voltado para o presente.

Vermelho: Sob o seu ponto de vista, quais seriam as maiores diferenças entre a pré-candidatura de 2012 e a de 2008?
Manuela: São quatro anos de muito trabalho, em que pude conhecer experiências bem sucedidas de administração, em que fortalecemos a forma do PCdoB de governar - respeitando e incluindo a população, visando ao desenvolvimento, garantindo políticas públicas. As trocas e os diálogos desses quatro anos têm sido muito enriquecedores e a comprovação disso pode ser vista nas cidades administradas pelo PCdoB. Além disso, eu me dediquei, pessoalmente, ao estudo de soluções para os problemas que a cidade vive.

Vermelho: O PSB declarou no último dia 4 de junho apoio à sua candidatura. Com a união das forças de esquerda em Porto Alegre pode contribuir para a construção de um novo governo municipal?
Manuela: O PSB é aliado leal e nosso parceiro em diversas lutas em defesa do povo e do desenvolvimento do país. Na eleição do governador Tarso unimos a esquerda em torno de um objetivo comum e vencemos. Essa união foi decisiva porque trouxe de volta ao Rio Grande do Sul a unidade política, há anos inexistente. Reeditar essa unidade na eleição em 2012 tem a mesma importância, pois reforça que todos temos um mesmo objetivo, programa, ideal e conceito de cidade. Concretamente, o cenário político aponta que, em 2008, quando estivemos separados, perdemos a eleição em Porto Alegre; o mesmo aponta que, em 2010, quando juntos, vencemos as eleições para o governo estadual. Esse alinhamento político recolocou o Rio Grande no centro das principais ações do país. O mesmo precisa acontecer com Porto Alegre. A cidade precisa se situar no calendário do país e a unidade política potencializa isso.

Vermelho: Você foi apontada recentemente pela Revista Época como uma das 40 personalidades com menos de 40 anos mais influentes do Brasil. Em sua opinião, quais são as características políticas e pessoais que conferem a você essa influência nacional?
Manuela: Diálogo, atitude e transparência. A política ainda é vista em nosso país sob o prisma da corrupção, do vale tudo, do descrédito. Quanto tu te colocas de frente para as pessoas, mostra teu trabalho e o seu resultado, quando ouves, troca, recebe críticas e abre um canal permanente de comunicação, o resultado é esse. Acabo por envolver as pessoas na minha rotina e eles conseguem acompanhar meu dia todo (especialmente pelo twitter), conhecem minha opinião sobre os principais temas. Consolidamos uma relação transparente mesmo quando divergimos. Mas não basta diálogo e transparência. É preciso atitude. E atitude política com foco nos desafios, nos grandes projetos e não em pequenas disputas. Por isso acredito que a combinação desses três fatores é chave para esse apontamento da revista Época.

Vermelho: Quais os diferenciais e benefícios que uma administração comunista pode trazer para Porto Alegre?
Manuela: A inovação e a ousadia. Porto Alegre já esteve à frente de outras capitais por diversos fatores e a participação popular é uma delas. Perdemos esse protagonismo e é preciso recuperá-lo. Como? Valorizando o que temos de mais importante, ao mesmo tempo em que inovamos. E essa inovação se dá em diversas áreas, mas é preciso ousar. Porto Alegre merece ter uma administração que pensa o futuro, mas melhora o presente da sua população; que propõe grandes obras e soluções viárias, mas garante transporte de qualidade hoje e viabiliza ciclovias. Precisamos explorar o potencial esquecido de cidade sustentável, investir em ações de combate à lentidão da administração pública e desburocratizar rotinas. Revitalizar o centro histórico e bairros abandonados também é ação urgente, assim como o estímulo a setores dinâmicos de serviço, gerando emprego e desenvolvimento. Muitas dessas são propostas simples e inovadoras. Simples porque são possíveis, inovadoras porque ainda não fora feitas. Mas tem muito mais, certamente.

Vermelho: Quais serão as bandeiras da sua candidatura?
Manuela: Uma gestão que organiza a cidade para as pessoas poderem investir e viver melhor, com serviços qualificados (transporte e limpeza), com debate sério e diálogo permanente. Uma gestão com participação, porque considero importante ouvirmos a comunidade sobre as políticas públicas voltadas para a saúde e a educação. Uma gestão que potencializa as vocações de Porto Alegre como cidade da tecnologia e da cultura. Desde 2008 propomos novas soluções para os velhos problemas, Porém, não houve avanços para população e eles ainda vivenciam os mesmos problemas, alguns agravados por denúncias de desvios de verbas da saúde e dos programas voltados para a juventude (como o Projovem). Nós vamos construir uma gestão com eficiência e transparência, valorizando e potencializando as vocações de Porto Alegre.

Vermelho: A bandeira da juventude continua em evidência em seu mandato e será uma prioridade para Porto Alegre?
Manuela: Juventude é prioridade sempre. Um país soberano, uma nação e uma cidade se consolidam com desenvolvimento e, para isso, é preciso que nossos jovens tenham chances de estudar, trabalhar e crescer. Eles são parte fundamental do projeto de uma Porto Alegre melhor, mais avançada, com perspectivas de futuro e, especialmente, com um presente organizado, planejado. Para aproveitarmos o potencial imenso dos jovens - que são nosso presente -, temos de dar a eles o que fazer, opções. Precisamos, para isso, de uma cidade inovadora e moderna.

I Encontro da Juventude da CTB da Paraíba


A Executiva Nacional da CTB deliberou por uma série de iniciativas para o fortalecimento da estruturação da juventude trabalhadora nos Estados, o que tem motivado várias inicativas de organização dos coletivos de juventude da CTB por todo o país. O I Encontro da Juventude da CTB da Paraíba é uma parte dessas respostas à demanda pela maior organização e protagonismo da juventude. Abraçada pelo presidente estadual da CTB, José Gonçalves, a atividade teve ampla resposta da juventude sindicalista da Paraíba e foi coroada de êxito.

 Reunindo cerca de 80 jovens de todo o Estado no dia 18 de junho, na cidade de Patos, na Associação Comercial do município. Contou com a presença da diretora da UBES e Presidenta da AESPB, Marília França e de Marcelo Lima, Presidente da UJS da Paraíba, que saudaram a iniciativa e a mobilização dos municípios que acorreram ao evento e se colocaram à disposição para o trabalho conjunto com a CTB.

No centro das preocupações da juventude trabalhadora paraibana, a luta para fazer avançar politicamente o Estado, assim como as carências da juventude, especialmente políticas públicas para enfrentar o desemprego e a pobreza. A forte presença da juventude rural e mesmo indígena, trouxe a preocupação em assegurar condições mínimas à sucessão rural e ao desenvolvimento da pequena propriedade agrícola.

O evento foi amplamente noticiado pelas rádios da região e do Estado. O público, majoritariamente até 25 anos, teve como categorias fundamentais os trabalhadores rurais, os servidores públicos municipais de diferentes partes do Estado e professores, entre outros. A dinâmica de abertura contou com a voz e o violão da servidora municipal de Patos, a jovem Adriana. Após a abertura, em que José Gonçalves, presidente da CTB-PB abordou o fortalecimento da central no Estado e o papel da juventude, Paulo Vinícius, o Secretário Nacional de Juventude da CTB interveio, abordando o trabalho de fortalecimento dos coletivos estaduais no caminho da I Plenária Nacional da Juventude Trabalhadora da CTB, a se realizar na noite do dia 12 e durante todo o dia 13 de dezembro, em Brasília, ao final da II Conferência Nacional de Juventude.
Reunião de um dos grupos de discussão do I Encontro

Para o Secretário, o mais importante é dar vida aos coletivos, que precisam se reunir regularmente para contribuir com o fortalecimento da CTB no Estado. Essa convivência é essencial para refletir sobre a organização da juventude, planejar e conduzir nossa participação na II Conferência Nacional de Juventude, interferir com a contribuição dos trabalhadores para o debate das PPJ. Na opinião da juventude da CTB, o êxito das PPJ depende da efetivação de um Projeto Nacional de Desenvolvimento com Valorização do Trabalho. Dado o peso da juventude na População Economicamente Ativa, as PPJ podem ser peça-chave para desenhar o perfil do desenvolvimento brasileiro. Daí a necessidade de a classe trabalhadora intervir no debate.

Os grupos de discussão debateram três questões quanto à organização da juventude da CTB paraibana: 1) Como fazer um trabalho estadual da juventude da CTB? 2) Como fortalecer a relação entre urbano e rural através da juventude da CTB? 3) Como a juventude da CTB deve se lançar no relacionamento com as outras juventudes da Paraíba?
José Gonçalves, presidente da CTB da Paraíba, fala no encerramento do I Encontro da Juventude

Com base no debate, o Encontro deliberou por um calendário de atividades e pela divisão de algumas responsabilidades no interior de um coletivo com treze membros, representando todo o Estado, e com planejamento previsto já para o mês de agosto. Entre as responsabilidades, a organização, as finanças, a comunicação e a relação com a II Conferência de Juventude foram definidas como prioritárias para o êxito das resoluções do Encontro. 

Blog Fatos Sociais: Relatório da ABIN comprova financiamento estrangeiro de ONGs contra interesses do Brasil.

Fatos Sociais: Relatório da ABIN comprova financiamento estrangeiro de ONGs contra interesses do Brasil.

Relatório da ABIN comprova financiamento estrangeiro de ONGs contra interesses do Brasil.


Uma nota publicada no último domingo (19/06) no jornal O Globo pelo jornalista Ilimar Franco confirma a tese do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) de que ONGs estrangeiras têm sido financiadas por outros países para agir no Brasil contra o desenvolvimento econômico do país.

A nota mostra um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) que afirma o seguinte sobre as campanhas destas ONGs: "Tais campanhas têm disseminado, no Brasil e no exterior, posicionamento ideológico maniqueísta, norteado por suas sedes internacionais".

O relatório da ABIN é um verdadeiro cala boca para os ingênuos que acreditavam que tudo não passava de teoria conspiratória da cabeça dos comunistas. O relatório da ABIN comprova que durante o debate acerca do Código Florestal ONGs estrangeiras receberam dinheiro para atuar contra os interesses do Brasil. O tempo é o melhor remédio para trazer a verdade a tona.

Proposta de Inácio Arruda adia votação do fim das coligações - Portal Vermelho

Proposta de Inácio Arruda adia votação do fim das coligações - Portal Vermelho

Foi novamente adiada a votação da proposta do fim das coligações nas eleições proporcionais na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O adiamento ocorreu a pedido do relator da matéria, senador Valdir Raupp (PMDB-RO ), que quer mais tempo para avaliar o voto em separado apresentado pelo senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), subscrito por outros seis senadores, que mantém as coligações.

Agência Senado
Proposta de Inácio Arruda adia votação do fim das coligações

Inácio Arruda diz que fim das coligações fere princípios constitucionais.

Na votação desta quarta-feira (22), a comissão rejeitou o fim da reeleição para presidente, governadores e prefeitos e a ampliação dos respectivos mandatos para cinco anos. Os senadores da comissão aprovaram substitutivo do relator, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que mantém os quatro anos de mandato hoje em vigor e prevê ainda a coincidência dos pleitos municipais, estaduais, distrital e federal.

Em seu voto, Renan argumenta que a mesma duração de mandatos do Executivo e do Legislativo favorece a sintonia de agenda dos dois Poderes, "em proveito da governabilidade e da eficiência administrativa". E destacou ainda que a medida resultará em redução dos custos das campanhas e dos gastos da Justiça Eleitoral.

"O sistema atual, com eleições a cada dois anos, exige maior dispêndio de recursos humanos e financeiros, por parte da sociedade e do Estado", diz ele.

Para assegurar os direitos adquiridos pelos atuais mandatários, a medida seria adotada apenas em 2018. Dessa forma, os prefeitos e vereadores eleitos em 2016 teriam, excepcionalmente, mandatos mais curtos, de apenas dois anos – o que propiciaria a unificação dos pleitos a partir de 2018.

Quanto à mudança da data de posse de chefes do Executivo, foi aprovada a proposta de posse de governador no dia 10 de janeiro e de presidente da República no dia 15 do mesmo mês, enquanto os prefeitos tomarão posse no dia 5 de janeiro, e não no dia 10, conforme previsto no texto original encaminhado pela Comissão de Reforma Política para votação na CCJ.

A favor das coligações


A proposta do fim das coligações será votada somente na próxima quarta-feira (29). O senador Inácio Arruda quer manter as coligações nas eleições proporcionais. E recebeu apoio para sua proposta dos senadores do PSB, PSOL, PR, PRB, PSC e PMN. Eles alegam que a medida fere os princípios constitucionais de livre organização partidária.

“A adoção de medidas que proíbem as coligações eleitorais nas eleições proporcionais, como o que propõe a PEC nº40/2011 que está em discussão na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, fere o princípio da livre associação e do pluripartidarismo político, expressos na Constituição Federal de 1988 e pode criar deformações na representatividade popular no Parlamento.”

O senador do PCdoB explica que “o fim das coligações conflita com o pluralismo político, um dos cinco fundamentos da República Federativa do Brasil, expresso no Artigo 1º da Carta Magna de 5 de outubro de 1988”. E destaca que “este foi o principal fundamento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou inconstitucional a ‘cláusula de barreira’ que se destinava exatamente a impedir a participação das minorias político-partidárias no Parlamento”.

Plena liberdade


Ele diz ainda que a medida conflita também com a plena liberdade de associação, conforme está expresso no Inciso XVII, Artigo 5º da Constituição, lembrando que tal liberdade alcança as pessoas físicas e também as pessoas jurídicas. “As coligações partidárias são precisamente expressões do direito fundamental de livre associação para fins lícitos de concorrer às eleições e eleger representantes do povo”.

Inácio Arruda alega ainda que “foi para garantir a plena efetividade da liberdade de organização e de ação partidária, garantida pela Constituição, que este Congresso Nacional aprovou, em 2006, a Emenda Constitucional nº 52 que deixou expresso na Lei Maior que os partidos políticos têm assegurada autonomia para fazer – ou não – coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual e distrital, uma vez que tal liberdade encontrava-se ameaçada, por extemporânea decisão da Justiça Eleitoral que determinara a chamada ‘verticalização das coligações’”.

O senador destaca que a medida visa restringir a participação na vida político-eleitoral dos médios e pequenos partidos, privilegiando os três maiores partidos – PT, PMDB e PSDB. E cita como exemplo uma simulação feita pela Consultoria Legislativa sobre como seriam os resultados das últimas eleições para a Câmara dos Deputados sem as coligações.

Benefício para poucos

Em Roraima, somente um partido, o PMDB, teria alcançado o quociente eleitoral de 12,5%, logo todos os deputados federais eleitos no estado pertenceriam a apenas um único partido. Em mais cinco estados e no Distrito Federal, somente dois partidos teriam alcançado o quociente eleitoral. Em mais sete estados, só três ou quatro partidos teriam elegido deputados federais.

E mais, apenas três partidos teriam aumentadas as suas bancadas nacionais (PMDB, PT e PSDB). Todos os demais partidos teriam as suas bancadas diminuídas – não apenas os pequenos partidos, como se apregoa.

No voto em separado, o senador Inácio Arruda conclui dizendo que “por todas essas razões, não podemos aceitar a pura e simples proibição das coligações nas eleições proporcionais. Propomos, portanto, a rejeição da Proposta de Emenda à Constituição nº 40, de 2011”, acrescentando que “se há problemas, vamos alterar a legislação com o objetivo do seu aperfeiçoamento, mas o Congresso Nacional não pode aprovar o retrocesso, não pode ir de encontro à Lei Maior. Seria romper uma trajetória histórica, que só ocorreu no período da ditadura”.

De Brasília
Márcia Xavier

terça-feira, 21 de junho de 2011

Flávia Calé (UEE-RJ): “Quero ser militante para a vida inteira” - Portal Vermelho

Flávia Calé (UEE-RJ): “Quero ser militante para a vida inteira” - Portal Vermelho

A União Nacional dos Estudantes (UNE) está em fase de mobilização do seu congresso. Como parte da mobilização, em sua página eletrônica têm sido publicadas entrevistas com presidentes das Uniões Estaduais de Estudantes (UEE). Confira a entrevista com a presidente da UEE-RJ, Flávia Calé. Nesta entrevista, concedida ao Estudantenet, ela fala sobre a gestão da entidade que conduziu, sobre Umbanda, mulheres na política, importância das mídias sociais, entre outros assuntos.

Estudantenet

A estudante de história da UFRJ, Flávia Calé, 27 anos, trocou a diretoria da UNE pela presidência da UEE-RJ em 2009, quando foi eleita com 79% dos votos no 15º Congresso da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro. A carioca, que nas horas vagas gosta de cair no samba ou dançar forró, sempre se interessou pelo movimento estudantil .

Nos próximos dias 24 a 26 de junho acontecerá em Volta Redonda o 16º Congresso da UEE-RJ, quando uma nova diretoria será eleita para a UEE RJ. Flávia já lança alguns desafios para a gelara que vai assumir: “Queremos ter uma sede. Isso a nossa gestão não concretizou, mas a próxima vai fazer isso. Também precisamos de instrumentos que dêem suporte ao movimento, muitos deles são ferramentas jurídicas, como criar uma ouvidoria. Isso está na boca do povo, e acho que a próxima galera vai conseguir tocar”.

Flávia fecha sua gestão com uma conquista importante para o movimento estudantil: foi sancionada no último dia 5 de maio um projeto de lei que garante a meia passagem de ônibus para estudantes universitários bolsistas do Programa Universidade para Todos (ProUni) e cotistas beneficiados pelas políticas públicas afirmativas.” Esse era um sonho de muitas gestões, e também uma primeira obsessão minha”, comemora.

Na entrevista a seguir, a estudante botafoguense comenta como é ser mulher na política, explica qual é, para ela, a importância de desenvolver a espiritualidade, e qual é a relação disso com a política, fala sobre militância pelas mídias sociais, conta o que gosta de fazer nas horas vagas e qual é seu maior sonho.

Estudantenet: Quando começou a militar, na 8ª série, imaginava que chegaria à Presidente da UEE do Rio de Janeiro?

Flávia Calé:
Nunca! Eu entrei para a universidade, fazia movimento lá. Em 2006, a chapa que eu participei foi eleita para o DCE da UFRJ. Depois disso, eu fui eleita pra executiva da UNE. Aí, em 2009, fui eleita presidente da UEE aqui do rio.

Estudantenet: Como você vê a descriminalização da mulher na política? Existe?

Flávia: Existe demais. Eu atuo num ambiente de uma sociedade extremamente machista, de não enxergar a mulher no espaço público. As conquistas das mulheres no mercado de trabalho e na política são recentes.

Estudantenet: Já passou por alguma situação desse tipo?

Flávia: Eu acho que às vezes acontece de alguém falar mais alto comigo por eu ser mulher. Os casos mais sutis talvez sejam os mais graves. Encontramos dificuldades, mas elas não são insuperáveis. Cada vez mais temos avançado. Nas Universidades as maiorias são mulheres, e, em minha opinião, esse é um fator importante também para podermos pautar nossas bandeiras de luta. Por que não debater a implantação de creches nas universidades? Não falamos de políticas especificas para mulheres. Ter uma presidente mulher nos ajuda nesse sentido, mas acho que nós vamos conseguindo superar e mostrar nossa capacidade no dia a dia.

Estudantenet: Quais eram seus principais objetivos quando assumiu e como você avalia a sua gestão?

Flávia: Quando assumi, tinha duas metas: conquistar a meia passagem, que sempre foi um sonho de muitas gestões e minha primeira obsessão; e fazer com que a UEE fosse uma entidade protagonista na política aqui do rio de janeiro. Acho que foi uma gestão muito vitoriosa.

Estudantenet: Você acha que os jovens de hoje são desinteressados por política?

Flávia: Acho que a gente compete com uma ideologia que é muito forte: a ideologia do individualismo, reforçada o tempo inteiro pela mídia e pela nossa educação. Primeiro resolver o meu para depois resolver o dos outros. Mas um fato é que a juventude é sempre protagonista das grandes transformações. Os jovens sempre estão inconformados, por isso há mais espaço para nos organizarmos. As mudanças que acompanham o nosso país tiveram a nossa participação. Acho que a juventude está antenada, sim, e acho que nos temos o papel cada vez maior de organizar mais gente. Não é a toa que a UNE e a UEE estejam mais fortes.

Estudantenet: Qual a sua opinião sobre a militância nas redes sociais?

Flávia: Acho que nada substitui a fórmula que temos historicamente, que é ocupar as ruas, passar de sala em sala, enfim, dialogar. Nada substitui isso. Mas eu acho que as redes sociais são um fator importante e que elas agregam muito às nossas lutas porque ampliam a nossa capacidade de falar para mais gente. A imprensa hoje tem sido um grande bloqueador. Nós não temos brechas, ou poucas brechas para divulgar. Em geral a mídia tem um papel contra nós. Contra os movimentos sociais. Tentamos buscar brechas para ter uma contra argumentação. Temos uma rede de blogs e estamos nesse espaço. De alguma maneira, isso tem formado opinião na sociedade.

Estudantenet: Tem alguma pessoa que seja uma referência, uma inspiração para você?

Flávia: Tem muitas pessoas que no dia a dia vão ajudando a gente. Uma figura que me inspira muito é o João Amazonas, que foi Presidente do PCdoB, ele foi um cidadão que todas as lutas que o Brasil teve, da resistência à ditadura, foi um parlamentar na década de 40, que participou dos grandes processos de transformação do país. Ele conseguiu apontar rumos para o movimento socialista no Brasil e deixou um legado muito importante.

Estudantenet: O que você pensa sobre política e religião?

Flávia: Eu tenho uma ligação muito forte com a umbanda, que também é muito forte na cultura do Brasil. O que eu penso sobre isso é que nós enfrentamos muitos desafios no nosso cotidiano, assim como no dia a dia da política. Ter uma religião ajuda a nos fortalecer como pessoas. Mas eu acho que a questão espiritual não é importante na vida pública, mas individualmente é importante, nos fortalece muito. É como conseguimos fortalecer o nosso espírito.

Estudantenet: O que você gosta de fazer nas suas horas vagas?

Flávia: Tem duas coisas que eu gosto muito de fazer: tomar uma cerveja com meus amigos no fim do dia, isso é quase um ritual. E gosto também de assistir ao meu time, Botafogo, tomando cerveja. Eu bato cartão no samba, mas também sou apaixonada por forró. Ah, gosto muito de ir à praia!

Estudantenet: Qual é o seu maior sonho?

Flávia: Acho que sonho é o que nos move. Nós acordamos todo dia, levantamos, militamos, fazemos nossa luta política por que acreditamos que através da nossa atuação podemos transformar o mundo. Eu sou socialista, acredito que podemos construir um Brasil de mais igualdade, menos descriminação. Esse é meu maior sonho, um país melhor.

Estudantenet: E fora da política?

Flávia: Eu quero ser professora universitária, atuar na minha universidade, a UFRJ. Eu quero ser militante para a vida inteira, para mim não existe separação. Onde quer que eu esteja atuando, quero ser militante. Isso e uma opção cotidiana, pra vida toda. Eu quero poder despertar esse sentimento em outras pessoas. Como podemos buscar na história desvendar os desafios do presente.

Estudantenet: Quando acabar o seu mandato, o que vai fazer?

Flávia: Não faço a mínima idéia, mas acho que eu vou ter um mês descansado, pensando em nada, na praia, ouvindo forró. Depois vou estudar para o mestrado.

Fonte: Estudantenet