quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Cuba denuncia abusos dos EUA contra René González - Portal Vermelho

Cuba denuncia abusos dos EUA contra René González - Portal Vermelho

O governo de Cuba denunciou nesta quarta-feira (27), que desde setembro de 2012 os Estados Unidos não permitem que funcionários cubanos realizem visitas consulares para René González, um dos cinco antiterroristas presos nos EUA.


René González René González foi detido em 12 de setembro de 1998 junto a Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, Ramón Labañino e Fernando González por seguirem grupos violentos que de Miami
Através de um comunicado do Ministério de Relações Exteriores Cubano (Minrex), destacou que González é objeto “de uma nova arbitrariedade por parte do governo dos Estados Unidos, que endurece as condições de sua liberdade supervisionada”.

O órgão destacou que a missão diplomática de Havana em Washington apresentou, inutilmente, várias alternativas para continuar as visitas consulares regulares para René González, “que foram rechaçadas”.

Denunciou que o tratamento para o antiterrorista endureceu, fazendo com que sua liberdade supervisionada se assemelhe, cada vez mais, com uma prisão “com o motivo de continuar punindo depois de tantos anos de tratamento injusto e cruel”.

A chancelaria apontou que o fato constitui uma violação flagrante das obrigações do governo dos EUA sob a Convenção de Viena sobre as Relações Consulares de 1963, que ampara o direito de René González para comunicar-se livremente com diplomatas cubanos.

No texo, Cuba responsabiliza o governo estadunidense pela segurança e integridade física de René González. Acrescenta que não deixará de denunciar os abusos e não medirá esforços para conseguir seu regresso para a pátria.

O caso

González foi detido em 12 de setembro de 1998 junto a Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, Ramón Labañino e Fernando González por seguirem grupos violentos que de Miami provocaram centenas de atentados terroristas em detrimento de mais de 5 mil cidadãos cubanos.

René saiu da prisão em outubro de 2011 e desde então foi obrigado a permanecer nos Estados Unidos sob o regime de liberdade supervisionada por três anos.

A condenação dos 5 – como são conhecidos mundialmente – desencadeou números protestos em diversas partes do mundo onde, desde intelectuais, familiares, políticos e outros setores da sociedade civil exigem sua libertação.

Fonte: TeleSur
Tradução da Redação do Vermelho

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Do PCdoB a liberdade e a democracia são parceiras, sempre! Carlos Augusto Patinhas




O Partido Comunista do Brasil se orgulha de, em mais de 90 anos de história, sempre ter mantido como centro de sua atuação a luta pela democracia e pela liberdade de expressão. Condições essenciais a uma sociedade mais justa. Causas coerentes, exercitadas na prática, em uma trajetória de muitos desafios.

Ao longo de todo esse tempo, foram inúmeros os episódios de perseguição, arbitrariedade e violência contra militantes e apoiadores do PCdoB, que se manteve perseverante, mesmo enfrentando grandes batalhas pelo simples direito de existir como partido político legalizado. No Estado Novo e durante a ditadura militar, sofremos com cassações de parlamentares, tortura e assassinatos, crimes hoje em processo de apuração, em um Brasil que busca reescrever sua história.

Oferecemos nossa contribuição nos momentos mais difíceis de nossa nação e nossa gente. Por iniciativa dos comunistas, inserimos na Constituição de 1946 a emenda que garantiu a liberdade de crença e de culto religioso no Brasil. Na Constituição de 1988, conquistamos a liberdade de organização partidária e de atuação sindical. Buscamos a redemocratização do País e renovamos esse compromisso, dia a dia, em todas as instâncias. Na atuação nos movimentos sociais, parlamentos e governos, na participação, desde o primeiro momento, no novo ciclo de desenvolvimento iniciado por Lula e continuado pela presidente Dilma.

Temos, portanto, uma natural identificação com a liberdade de expressão e as prerrogativas que a democracia assegura a todos e a cada um. Em consonância com nossa história, repudiamos qualquer forma de autoritarismo e reiteramos nossa convicção no livre debate de ideias como base para uma sociedade transformadora e politicamente consciente.

Lamentamos que, mesmo após tanto tempo de luta, ainda venhamos a sofrer ataques dos que, longe do verdadeiro e necessário debate sobre a democratização dos meios de comunicação no Brasil, demonstram preconceito e tentam associar nosso partido a práticas destoantes do exercício democrático. Reafirmamos nosso apoio à autodeterminação dos povos, às lutas da juventude, à real liberdade de expressão. Estaremos sempre abertos ao debate, com respeito, dignidade, honestidade.

Carlos Augusto Diógenes Pinheiro
patinhas65@gmail.com
Presidente do PCdoB/Ceará e engenheiro civil

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

PCdoB do Distrito Federal quer chapa própria para a Câmara Legislativa

“Vamos ativar, filiar ativistas e candidatos para formar chapa própria e eleger comunistas para as câmaras Legislativa e Federal. O dia 5 de outubro é a data limite para filiações. Vamos mostrar o PCdoB para as pessoas progressistas e democratas da Capital Federal, para que se incorporem ao nosso projeto político e eleitoral”. Assim o presidente do Partido Comunista do Brasil no Distrito Federal, Augusto Madeira, abriu a primeira reunião de 2013 do Comitê Regional, dia 23 de fevereiro.


Direção comunista reafirma apoio a Agnelo
Foram adotados encaminhamentos importantes para a estruturação partidária, a preparação do 13º Congresso e da 17ª Conferência Regional do Partido e do Projeto Político para 2014 sob a insígnia "Avançar as conquistas sociais, desenvolver o DF e reduzir as desigualdades". O PCdoB-DF se arma para enfrentar grandes desafios, e para começar, lança o jantar de comemoração dos 91 anos do Partido, parte da campanha solidária para sanear problemas financeiros do CR. Aprova um denso calendário de atividades, com destaque a Marcha dos Movimentos Sociais, no dia 6 de março, precedida de plenária do partido. Em março, será comemorado com documento próprio o mês de luta emancipacionista das mulheres, e para fechar o mês, acontecerá a Marcha da Juventude. Um plano, a ser desenvolvido pelas secretarias, também foi aprovado.

Segundo Madeira, o debate na sociedade já gira em torno das eleições do ano que vem, quando serão disputados a Presidência da República, governos estaduais e do DF, e os legislativos federais e estaduais. Após apresentar a avaliação política internacional e nacional, o presidente comunista falou sobre a situação no Distrito Federal, onde PCdoB, PT e PMDB provavelmente manterão a coligação pela reeleição de Agnelo, enquanto o PDT e PB ainda dependem das decisões de suas direções nacionais. Alertou que “PSD e DEM ainda não se definiram, mas a direita se articula para ser o polo mais forte da oposição e deveremos nos unir para derrotá-lo”. O dirigente anunciou que serão realizadas reuniões de todos os organismos das cidades do Distrito Federal em março e que no dia 28, terça, será realizada reunião para organizar a marcha nacional dos movimentos sociais convocada para 6 de março.

O administrador e Brasília e dirigente comunista, Messias de Souza, destacou que os militantes devem “conversar, disputar opinião nas reuniões e assembleias realizadas nos locais onde atuam ou moram. Temos que travar o debate ideológico, mostrar as realizações do governo e pressionar pelo seu constante aprimoramento. A vida política real se dá desta forma. Temos o desafio de fazer crescer o PCdoB na atuação cotidiana, discutindo transporte, saúde, educação, segurança... Chamar as pessoas progressistas para ingressarem no Partido. Cada militante deve ter seu Tuitter, seu Facebook e divulgar as ideias, ações e propostas do PCdoB”.

Olgamir Amâncio, secretária de Estado da Mulher e também dirigente do Partido, destacou a importância e avanços obtidos por sua Pasta no Governo do Distrito Federal e anunciou que vai dedicar o mês inteiro de março às mulheres com uma programação que inicia no dia 5 com palestra sobre Exploração Sexual e Tráfico de Mulheres, com apresentação de vídeo, a partir das 14h30, no Centro de Referência de Atendimento à Mulher da estação do metrô 102 Sul. No mesmo dia, a partir das 14 horas, também haverá distribuição de cartilhas sobre a Lei Maria da Penha, orientação psicológica, jurídica e social no restaurante da Universidade de Brasília (UnB). “Nosso Partido de atuação de destaque na luta feminista e todos os camaradas, homens e mulheres, devem prestigiar e participar das atividades pela igualdade de gênero”.

A reunião aprovou a seguinte nota:

Avançar nas conquistas sociais, desenvolver o Distrito Federal e reduzir as desigualdades
O ano de 2013 é a antessala das eleições para Presidência da República em 2014. A oposição, com o forte apoio de alguns dos maiores grupos de mídia do Brasil, eleva, sem sucesso, o tom das críticas à gestão da presidenta Dilma Rousseff. Para os comunistas, interessa manter e aprofundar o projeto de desenvolvimento nacional em curso, com o fortalecimento da soberania do Brasil, da geração de emprego e melhoria da renda do trabalhador, bem como o combate à pobreza e às desigualdades. Este rumo é o grande diferencial que concede ao nosso governo os índices de popularidade alcançados, recordes na história republicana, e explica os fracassos da oposição. A presidenta Dilma acumula enorme apoio popular. Sua credibilidade se sustenta nas medidas que reduzem a miséria no Brasil, que baixaram os juros e o preço da energia, e que dão combate sem trégua aos efeitos nefastos da crise econômica internacional.

No Distrito Federal, o governador Agnelo Queiroz encontrou a máquina pública desmantelada e comprometida com grandes esquemas de corrupção que deram sustentação aos últimos governos de Roriz e de Arruda. Reorganizar esta máquina a serviço do povo está sendo um imenso desafio e gradativamente se desenvolvem políticas que aproximam o perfil do seu governo às políticas bem sucedidas do plano federal. Isto exige amplitude e habilidade política para consolidar um pacto de governança.

Pela importância do projeto nacional e pela necessidade política de manter a grande frente que faz avançar a sociedade brasileira e nosso Distrito Federal, os comunistas se empenham pelo sucesso das iniciativas do Governo Agnelo no sentido de avançar com ousadia nas conquistas sociais para o nosso povo. É preciso uma nova arrancada em 2013 para enfrentar a precariedade dos transportes públicos e o problema da mobilidade urbana, buscar o aperfeiçoamento da educação pública e da saúde, além do enfrentamento da violência e das drogas com estratégia adequada de segurança pública. E, sobremaneira, consolidar a política de gênero como politica de Estado, na perspectiva da emancipação das mulheres.

Diante do exposto, O PCdoB-DF lutará em 2013 objetivando:
• Construir e consolidar o projeto político partidário para 2014, convidando todos cidadãos e cidadãs progressistas e democráticos de Brasília que queiram se filiar e compor a chapa própria do PCdoB-DF de candidatos e candidatas à Câmara Legislativa em 2014;
• Organizar e mobilizar os Movimentos Sociais para unificar uma plataforma de lutas em defesa do trabalho, contra a corrupção, as desigualdades e discriminações, dentre outros temas;
• Realizar ampla campanha de filiação, promovendo o reforço da vida partidária na militância, na formação, nas finanças e comunicação.
• Realizar a 17ª Conferência do PCdoB-DF, estruturando-se nas diversas cidades e montando a chapa própria para 2014.

23 de fevereiro de 2013

As armas do PIG e o lugar de Yoani - Paulo Vinícius Silva

São gritantes as manipulações em nome da “democracia” promovidas pelo monopólio da mídia. Cara de pau pura, pois a concentração de meios, a propriedade cruzada e o poder da mídia são inseparáveis da orgia anti-republicana entre poder econômico e Ditadura de 1964, que lançaram as bases do domínio do Partido da Imprensa Golpista (PIG) sobre a “opinião pública”.

Há quatro fundamentos desse discurso, dirigido sobretudo à classe média.

O primeiro é o da suposta expertise econômica dos que quebraram o país, e que assentaram as bases da “estabilidade” sobre os instáveis e gananciosos fundamentos da especulação financeira, impondo um regime em que produzir é mais caro e menos lucrativo que especular. O movimento - claudicante, é certo, mas constante – dos governos Lula e Dilma visa a libertar o país da chantagem especulativa sobre a Nação. Graças a ele o país não afundou, mas a demora e a hesitação cobram seu preço.

Mesmo assim, a cantilena soa descarada, com previsões apocalípticas e o receituário dos especuladores, chantagem vendida como ciência econômica. Sem compromisso sequer com o que diz, a imprensa golpista coleciona sucessivos fracassos. A bola da vez são as pressões para aumentar os juros da taxa SELIC. Querem que outra vez paguemos o whisky 18 anos das “crianças”.

O segundo é a “ética”, ou melhor, o udenismo moralista. Como o sistema político brasileiro é mais plutocrático que democrático, não é possível uma vitória eleitoral “de esquerda” completa. A direita, sem dominar o centro, aproveita-se das fragilidades institucionais e dos desvios – que ocorrem na democracia – para capitanear uma “guerra santa” do pau oco. Longe de éticos, a direita e o PIG promovem um discurso de pureza com o apoio de ultra-esquerdistas que não admitem alianças, só com a direita. A ultra-esquerda, buscando retirar apoiadores da esquerda. E a direita, tentando deslocar o centro para a oposição, seja pela cooptação, seja pela intriga.

O terceiro é a campanha contra a integração latino-americana, a esquerda, a multipolaridade, em favor da posição de lambe-botas dos imperialismos estadunidense ou europeu. A América Latina só aparece na hora de qualquer problema – real ou inventado. E o elogio sem noção ao imperialismo, a despeito de seu caráter assassino e decadente. Somos instados a pensar sob a lógica deles, e convidados a partilhar da mesma atração fetichista pelo luxo, o consumo e a cultura do Norte. Pela ordem, nada pode ser pior para eles que Cuba e Venezuela. Mas , como canta Pablo Milanés, “o que brilha com luz própria, nada a pode apagar”, e foi com a decisiva contribuição de Cuba e da Venezuela é que os governos de esquerda isolam a partidarização direitista, mudando a região.

O quarto é a cínica reivindicação da “liberdade de imprensa” e a “democracia”
. Não importa se já se foi porta-voz do Figueiredo, se carros do jornal eram emprestados para a repressão transportar torturados e mortos, as notícias mentirosas a retratar quem lutou contra a Ditadura como “bandidos” e “terroristas” e a ocultar as sevícias e os assassinatos. Não interessa o financiamento, as concessões pelos militares, a continuidade econômica desses setores como monopólio com base no dinheiro público. Merecendo o troféu “Óleo de Peroba”, arrotam uma democracia das elites, enquanto combatem qualquer avanço democrático. Não são democratas, e sim plutocratas.

Temos vivido nesses últimos dias o bombardeio articulado dos dois últimos esquemas, com o circo montado para a Vice-Presidente para Cuba da Comissão de “Liberdade de Imprensa” da Sociedade Interamericana de Imprensa (o sindicatão do PIG), colaboradora do Instituto Millenium, queridinha das famiglias da comunicação, de Bolsonaro et caterva, a bem remunerada e apátrida Yoani Sanchéz.

É uma piada dizerem que se quisesse impedir Yoani de falar. Esconde-se assim a prática autoritária do bombardeio comunicacional contra Cuba. Querem, isso sim, intimidar, mentir, desinformar, e não admitem contestação. São profundamente autoritários contra quem ousa não baixar a cabeça ante seus ditados, e assim tem intimidado os governos e parte da esquerda. É uma prática intimidatória feroz, e Yoani é parte dela. Jamais podiam esperar que a juventude negasse à di$idente o apoio que esperava... Muito menos que essa juventude usasse as tradicionais armas da democracia estudantil (papel, lápis, cartaz, tinta e voz) e, agora, twitter, facebook e youtube, contra o inigualável aparato midiático dos sócios da SIP. Na desproporção dos meios é que se desnuda a mentira sobre a “censura”. Censurados estamos nós, estão os que defendem Cuba!

Que queriam os meninos e meninas? Primeiro, demonstrar amor à Cuba Socialista. Segundo, queriam falar! Yoani deve até hoje se tremer diante da entrevista em que Salim Lamrani a desmontou. Talvez por isso, jamais em todo o cortejo de Yoani se permitiu qualquer crítica, qualquer coisa que não fosse anti-cubana e pró-estadunidense. Ora, que fazem os estudantes quando não se os deixa falar? Gritam, levantam cartazes, colhem assinaturas. Nada mais democrático. Então, como a “democrática” Yoani, pôde qualificar aqueles jovens de “terroristas”?

Talvez não esperasse que um rapaz franzino e de óculos lhe dissesse francamente o que todos já sabem – seus laços inconfessáveis com os EUA e os inimigos de Cuba. Mas o que jamais imaginaria, é que ele lhe estenderia uma folha de papel “terrorista”, uma declaração contra o Bloqueio a Cuba, sendo filmada, pedindo sua assinatura... Essa ela não esperava! Num gesto, expôs-se sua cumplicidade com os inimigos de seu país, os que predicam livre comércio, mas ameaçam e punem quem negocie com Cuba, impedindo até a ida de medicamentos.

Foi por isso que se montou a farsa da suposta violação ao direito de o PIG – porque ela é o PIG – se expressar. Uma cortina de fumaça para cobrir a vergonha de uma anexionista. E depois, fogo, sangue e ranger de dentes sobre a meninada: “terroristas”, disse Yoani, e a Veja os desumaniza, caricatura, mente, em verdade homenageia, em especial pelo ódio que devota à UJS.

E a meninada não se dobra. Pelo contrário, a juventude se reuniu no dia 23 de fevereiro em um inédito encontro de jovens do campo e da cidade, dos movimentos sociais, estudantis, sindicais, sem-terra, feminista e as juventudes políticas, para denunciar o monopólio da mídia e aprovar um programa único de lutas para fazer avançar as mudanças no Brasil.

No dia 04/03 começa o Congresso da CONTAG, em Brasília. No dia 06/03, as centrais sindicais (CTB, CUT, Força, UGT, CGTB e NCST) se unirão a camponeses, movimentos sociais e estudantes nas ruas de Brasília. As mulheres tem em marco o seu mês de lutas. E a juventude unificou uma Jornada que fechará o mês e entrará por abril. É apenas com a mobilização e o senso crítico que poderemos fazer avançar o movimento transformador no Brasil, para pressionar o governo e apoiar as mudanças que assuma para si e para desmascarar os maiores inimigos do Brasil.


Domenico Losurdo: O presente e o futuro do comunismo - Portal Vermelho

Domenico Losurdo: O presente e o futuro do comunismo - Portal Vermelho


Comunismo: um gigantesco processo de emancipação ainda longe de concluído

Por Domenico Losurdo [*]


Aproxima-se o centenário da grande revolução de Outubro. Como acontece muitas vezes com revoluções, aquela principiada há aproximadamente um século seguiu um percurso completamente imprevisto. Estamos em todo caso na presença de um gigantesco processo de emancipação que modificou a face da Terra e que está bem longe de ter chegado à sua conclusão.

Continuo a julgar correta a visão da “Ideologia Alemã”, segundo a qual o comunismo é sobretudo “o movimento real que abole o atual estado de coisas”. Observemos as mutações que se verificaram no mundo a partir da primeira revolução que se reclamou de Marx e Engels. Antes de Outubro de 1917 não havia democracia, mesmo no Ocidente: era o reino das três grandes discriminações para com as mulheres, as classes subalternas, os povos coloniais e de origem colonial.

Com Fevereiro e Outubro de 1917, a Rússia revolucionária reconheceu às mulheres direitos políticos e ativos e passivos. A República de Weimar (nascida da revolução que explodiu na Alemanha um ano após a revolução de Outubro) tomou o mesmo caminho, seguido pelos Estados Unidos. É certo que na Itália, Alemanha, Áustria e Inglaterra o sufrágio universal (masculino) estava mais ou menos afirmado, mas ficava neutralizado por uma Câmara alta que permanecia o apanágio da nobreza e da grande burguesia.

A discriminação racial apresentava-se sob uma forma dupla: considerados como indignos de se constituírem como Estado nacional independente, os povos coloniais eram submetidos à dominação absoluta das grandes potências.

Num país como os EUA, os afro-americanos eram excluídos dos direitos políticos (e por vezes mesmo dos direitos cívicos). A ultrapassagem da discriminação racial sob estes dois aspectos não pode ser pensada sem o capítulo da história aberto por Outubro de 1917.

O papel desempenhado pelos Partidos Comunistas nas revoluções anticoloniais é notável. E no que se refere aos Estados Unidos? Em Dezembro de 1952, o ministro da Justiça enviava o Tribunal Supremo, ocupada a discutir a questão da integração nas escolas públicas, uma carta eloquente: “A discriminação racial leva a água ao moinho da propaganda comunista”. O desafio comunista desempenhou um papel essencial igualmente na ultrapassagem do regime da supremacia branca.

Os direitos sociais e econômicos fazem parte da democracia tal como a esquerda a entende. E foi este patriarca do neoliberalismo, Hayek, que denunciou o fato de que a teorização e a presença no Ocidente destes direitos remetiam à influência, por ele considerada nefasta, da “revolução marxista russa”.

Compreende-se portanto que, à atenuação do desafio comunista, corresponda no Ocidente uma restauração. Não se trata só do desmantelamento do Estado social. O peso da riqueza é tão forte que, mesmo nas colunas do New York Times, podem-se ler denúncias considerando que o regime em vigor nos Estados Unidos assemelha-se mais a uma “plutocracia” do que à democracia.

A contra-revolução é evidente igualmente nos casos do colonialismo, reavaliada pelo teórico da “sociedade aberta”, Karl Popper: “Nós libertamos estes Estados (as antigas colônias) muito apressadamente e de modo demasiado simplista”.

Vejamos, em sentido contrário, o que se passa num país continente que ficou sob a direcção do Partido Comunista. Pondo fim à catástrofe provocada pelas guerras do ópio e a agressão colonialista, a China devolveu a centenas de milhões de pessoas o primeiro dos direitos do homem, a saber, o direito à vida.

O Estado social começa aqui a dar os seus primeiros passos, ao passo que doravante ele é renegado no Ocidente, inclusive no plano teórico.

Mas isto não é tudo: ao reduzir rapidamente seu atraso tecnológico em relação aos países capitalistas mais avançados, a China põe fim à “era de Colombo”, que havia começado com a descoberta-conquista da América e que viu o Ocidente sujeitar o planeta inteiro.

Vêem-se criar as condições para frustrar as tentações colonialistas e democratizar as relações internacionais. O declínio da doutrina Monroe, à qual a revolução cubana infligiu pela primeira vez um golpe severo, está lá para confirmar.

Como acontece muitas vezes com revoluções, aquela principiada há aproximadamente um século seguiu um percurso completamente imprevisto. Estamos em todo caso na presença de um gigantesco processo de emancipação que está bem longe de ter chegado à sua conclusão.

[*] Filósofo, professor da Universidade de Urbino, Itália. Reproduzido do Resistir.Info

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Florianópolis fundará seção do CEBRAPAZ, quarta, 27-02

Em Florianópolis, será constituída a entidade de luta contra o imperialismo e pela paz do povos! Vamos nos reunir nessa quarta-feira para nos apresentar a quem não conhece, organizar nossa entidade e pensar junt@s uma grande atividade de lançamento para março, com a presença da presidenta do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes.

Participe! Convide! Faça parte dessa história!

MANIFESTO DA JORNADA DE LUTAS DA JUVENTUDE ENTREGUE À PRESIDENTA DILMA

Manifesto aprovado na Plenária Nacional realizada no dia 23 de fevereiro no Sindicato dos Químicos em São Paulo
MANIFESTO DA JORNADA DE LUTAS DA JUVENTUDE BRASILEIRA
25 de março a 1º de abril de 2013

Unir a Juventude Brasileira: “Se o presente é de luta, o futuro nos pertence”! Che Guevara


As entidades estudantis, as juventudes do movimento social, dos trabalhadores/as, da cidade, do campo, as feministas, as juventudes partidárias, religiosas, LGBT, dos coletivos de cultura e das periferias se unem por um ideal: avançar nas mudanças e conquistar mais direitos para juventude.

É preciso denunciar o extermínio da juventude negra e das periferias a quem o estado só se apresenta através da violência. O mesmo abandono se dá no campo, que alimenta a cidade e segue órfão da Reforma Agrária e dos investimentos necessários à permanência da juventude no campo, de onde é expulsa devido à concentração de terras, à ausência de políticas de convívio com o semiárido. Já na cidade, a juventude encontra a poluição, a precarização no trabalho, a ausência do direito de organização sindical, os mais baixos salários e o desemprego, fatores ainda mais graves no que diz respeito às jovens trabalhadoras.

Essa é a dura realidade da maioria da População Economicamente Ativa no país, e não as mentiras da imprensa oligopolizada, que foi parceira da ideologia do milagre brasileiro e cúmplice da ditadura, ao encobrir torturas e assassinatos e sendo beneficiária da monopolização ainda vigente. É coerente que ela se oponha à verdade e à justiça, que se cale ante as torturas e ao extermínio dos pobres e negros dos dias de hoje, que busque confundir e dopar a juventude, envenenando a política, vendendo-nos inutilidades, reproduzindo os valores da violência, da homofobia, do machismo e da intolerância religiosa. mas eles não falam mais sozinhos: estamos aqui pra fazer barulho.




Queremos cidades mais humanas em vez de racismo, violência e intolerância. Queremos as garantias de um estado laico, democrático, inclusivo, que respeite os direitos humanos fundamentais, inclusive aos nossos corpos, à liberdade de orientação sexual e à identidade de gênero, num ambiente de liberdade religiosa.

Queremos reformas estruturais que garantam um projeto de desenvolvimento social e que abram caminhos ao socialismo. Lutamos por um desenvolvimento sustentável, solidário, que rompa com os valores do patriarcado, que assegure o direito universal à educação, ao trabalho decente, à liberdade de organização sindical, à terra para quem nela trabalha e o direito à verdade e à justiça para nossos heróis mortos e desaparecidos.

Para enfrentar a crise é preciso incorporar a juventude ao desenvolvimento do país. Incluir o bônus demográfico atual exige uma política econômica soberana que valorize o trabalho, a produção, o investimento e as políticas sociais, e não a especulação. Esse é o melhor cenário para tornar realidade os direitos que queremos aprovados no estatuto da juventude.

Iniciamos aqui uma caminhada de unidade e luta por reformas estruturais que enterrem o neoliberalismo e resguardem a nossa democracia dos retrocessos que pretendem impor os monopólios da mídia, ou golpes institucionais como os que ocorreram no Paraguai e em Honduras.

Desde essa histórica Plenária Nacional, unidos e cheios de esperança, convocamos a juventude a tomar em suas mãos o futuro dos avanços no Brasil, na luta pelas seguintes bandeiras consensualmente construídas:

1 - Educação: financiamento público da educação
1. 10% PIB para Educação Pública
2. 100% dos royalties e 50% do fundo social do Pré-sal para Educação Pública
3. 2% do PIB para Ciência, Tecnologia e Inovação
4. Por uma política permanente de valorização das bolsas de pesquisa
5.Democratização do acesso e da permanência na universidade
6. Pela expansão e a qualidade da educação do campo
7. Cotas raciais e sociais nas universidades estaduais
8. Curricularização da extensão universitária
9. Regulação e ampliação da qualidade, em especial, do setor privado

2. - Trabalho – Trabalho Decente
  1. Redução da jornada de trabalho sem redução de salário! 40 horas já!
  2. Condições dignas de trabalho decente
  3. Políticas que visem a conciliação entre trabalho, estudos e trabalho doméstico
  4. Direito de organização sindical no local de trabalho
  5. Contra a precarização promovida pela terceirização
  6. Pela igualdade entre homens e mulheres no trabalho e entre negros/as e não negros/as

3. - Por avanços na democracia brasileira - Reforma Política
  1. Pela Reforma Política
  2. Combate às desigualdades sociais e regionais
  3. Contra a judicialização da politica e a criminalização dos movimentos sociais
  4. Pela auditoria da Divida Publica
  5. Contra o avanço do capital estrangeiro na aquisição de terras e na Educação
  6. Reforma agrária
  7. Aprovação do Estatuto da Juventude
4. Diretos sociais e humanos: Chega de violência contra a juventude!
  1. Contra o extermínio da juventude negra
  2. Contra a redução da maioridade penal
  3. Garantia do direito à Memória, à Verdade e à Justiça e pela punição dos crimes da Ditadura
  4. Garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, como à autonomia sobre o próprio corpo e o combate à sua mercantilização, em especial das jovens mulheres
  5. Pelo fim da violência contra as mulheres
  6. Pela mobilidade urbana e o direito à cidade
  7. Pelo direito da juventude à moradia
  8. Desmilitarização da policia
  9. Respeito à diversidade sexual, aos nomes sociais e criminalização da homofobia
  10. Apoio à luta indígena e quilombola e das comunidades tradicionais
  11. Contra a internação compulsória e pelo tratamento da dependência química através de uma política de redução de danos
  12. Pelo direito ao lazer, à cultura e ao esporte, inclusive com a promoção de esportes radicais
5. - Democratização da comunicação de massas
  1. Universalização da internet de banda larga no campo e na cidade
  2. Políticas públicas para grupos e redes de cultura
  3. Apoio público para os meios de comunicação da imprensa alternativa
  4. Apoio ao movimento de software livre

                                                                                              São Paulo, 23 de fevereiro de 2013.


Assinam este documento: Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT); Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG); Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP); Associação Cultural B; Centro de Estudos Barão de Itararé; Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM); CONEM; CONTEE, Consulta Popular; ECOSURFI, Coletivo Nacional de Juventude Enegrecer, Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), Federação Paulista de Skate, Fora do Eixo, Juventude da CTB, Juventude da CUT, Juventude da Contag, Juventude do PSB, Juventude do PT, Juventude Pátria Livre; Levante Popular da Juventude; Marcha Mundial das Mulheres; Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST); Nação Hip Hop Brasil; Pastoral da Juventude, Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), Rede Ecumênica da Juventude (REJU); Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade (REJUMA); União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES); União Brasileira de Mulheres (UBM), União da Juventude Socialistas (UJS); União Nacional dos Estudantes (UNE); Via Campesina.

Atualizado a 05/04/2013

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Cuca da UNE faz festa com o Na Lata, moçada gerreira que ganhou o TOP 10 na MTV. Hoje na Praça Chico Mendes, na UnB!


O trotskismo, corrente política contra-revolucionária (1984)- João Amazonas - O outro Lado da Notícia

Queridos amigos e amigas

compartilho com vocês um importante texto de João Amazonas:
O trotskismo, corrente política contra-revolucionária, escrito em 1984. A despeito dos 29 anos decorridos, bem ilustra caráter daninho da quase totalidade das correntes trotskistas. Encontrei-o no excelente Portal O Outro Lado da notícia, do jornalista Osvaldo Bertolino.

O texto resume os descaminhos, contradições e os erros do trotskismo a partir de seu fundador. Ainda prevalecia àquela época a divisão do movimento comunista,  entre pró-soviéticos e críticos aos rumos da URSS após o XX Congresso do PCUS, campo este em que se articulava o PCdoB. A China apenas há cinco anos desatara o processo de Reforma e Abertura. Desse modo, é possível acompanhar as marcas das rivalidades da época nas duras críticas que faz Amazonas a países ligados à URSS, como é o caso de Cuba.

Posteriormente, no 8º Congresso, realizado em 1992, logo após a queda do Leste e em meio a gravíssima crise da esquerda e em especial entre os comunistas, o PCdoB reafirma sua posição revolucionária através da consigna - O Tempo não Pára, o Socialismo Vive -, mas também faz retificações e autocríticas, sob uma base também revolucionária e sem transigir em princípios, o que muito bem ilustra a natureza anti-dogmática e a capacidade do Partido responder aos desafios da luta do povo. As principais retificações, para esse blogueiro, referem-se exatamente ao chamado à unidade do movimento comunista que se mantivera a despeito da grave derrota estratégica. Também há uma análise mais multilateral acerca da construção do socialismo na URSS e dos erros e acertos de Stálin, suas responsabilidades enquanto dirigente e o contexto difícil da época, mas sem jamais reproduzir o tom calunioso, unilateral, a-histórico e antirrevolucionário que congregou no mesmo poleiro os kruschevistas, trotskistas, a grande imprensa, a CIA, a social democracia e os liberais. Também nisso o PCdoB se afirma na análise levada a cabo: autocrítica com princípios para fazer avançar a luta transformadora, sem concessões aos inimigos do socialismo, mas também sem se furtar ao debate e ao assumir posições.

É importante relatar essa evolução para que permaneça do texto o que ultrapassou o tempo. Ao mesmo tempo, é possível por aí acompanhar como o camarada Amazonas e a direção coletiva dera soluções teóricas de vulto em tempos muito difíceis a problemas complexos, apoiados pelo coletivo militante a quem se submeteram tais análises no 8º Congresso, num ambiente de grande unidade. Tais mudanças  pautaram a ação dos comunistas desde então, abrindo novos horizontes para a ação revolucionária no contexto da resistência ao neoliberalismo. E a resposta aos dilemas difíceis da época decerto deram grande contribuição às vitórias que obtivemos mais recentemente.

Por isso, para quem desejar acompanhar esse desenvolvimento teórico, gostaria de lhes indicar os seguintes textos, depois da leitura que segue:

João Amazonas e a política internacionalista do PCdoB



Mas uma coisa não mudou nesse tempo todo: o caráter contra-revolucionário, diversionista, enganador e pequeno burguês do trotskismo que segue uma corrente política contra revolucionária. Para quem tem de enfrentar  essa excrecência que posa de ultra-esquerdista, prestando inestimáveis serviços à reação, dedico esse post, pois como disse o camarada Amazonas:

"Na luta ideológica contra os encapuzados inimigos da revolução, torna-se necessário desmascarar também o trotskismo. Isto faz parte do combate geral pela elevação do nível de consciência política das grandes massas que precisam distinguir, na complexidade da luta de classes, o joio e o trigo".

Paulo Vinícius Silva



O trotskismo, corrente política contra-revolucionária - João Amazonas (1984)





João Amazonas, na revista Princípios, edição de maio de 1984

O trotsquismo continua a exalar miasmas no ambiente da luta social e política. Em toda parte onde cresce o movimento revolucionário, aí aparecem os trotskistas para confundir, diversionar, enganar as massas. Difundindo teses sectárias, intitulando-se falsamente de marxistas e até de leninistas, fazem o jogo da reação e do imperialismo. Seu alvo predileto de ataque é o partido do proletariado baseado na doutrina de Marx, Engels, Lênin e Stalin. Embora divididos em diversos agrupamentos, sua tática pouco varia. Apóiam-se nas teorias fracassadas de Leon Trotsky.

Ainda que não representem grande coisa como organização, influenciam certos setores do movimento popular, notadamente os de origem pequeno-burguesa. No passado, tinham sido amplamente desmascarados, mas as novas gerações de combatentes da causa socialista desconhecem a trajetória e os verdadeiros objetivos do trotskismo. Vale a pena recordá-los e atualizá-los a fim de ajudar as massas na luta por sua completa libertação.

TEÓRICO MALOGRADO

O trotskismo desenvolveu-se no seio do movimento operário russo nas três primeiras décadas do nosso século. Está intimamente ligado com a atuação de Leon Trotsky, intelectual pretensioso que jamais conseguiu assimilar os ensinamentos científicos do marxismo. Desde a criação dos primeiros círculos revolucionários na Rússia para combater o czarismo e organizar o partido da classe operária, Trotsky manifestou suas tendências individualistas, pequeno-burguesas, procurando ocupar de qualquer maneira as posições de chefia do movimento proletário. Na história do bolchevismo, fundado e orientado por Vladimir Ilitch Lênin, que levou a revolução à vitória em 1917, Trotsky aparece meteoricamente, em fuga constante do esforço comum para forjar aquele partido. Suas teorias, se se pode assim denominar esse amontoado de incoerências, são ecléticas e metafísicas. O conteúdo de classe é pequeno-burguês. Uma das principais teses de Trotsky é a da chamada revolução permanente, elaborada em 1906 e retocada várias vezes. Aí ele nega as etapas da revolução e a construção do socialismo num só país, introduz o aventurismo no plano da revolução mundial. Os marxistas-leninistas consideram a revolução em todo o mundo como um processo de lutas radicalizadas que se desenvolvem em níveis diversos e em distintos países, nos cinco continentes.

Antes da fase monopolista do capitalismo, Marx e Engels afirmavam que a transformação revolucionária da sociedade somente seria possível se realizada simultaneamente nos centros mais avançados. Essa opinião, entretanto, tornou-se antiquada na vigência do sistema imperialista, época em que o desenvolvimento desigual do capitalismo, as contradições geradas por esse sistema possibilitavam que a revolução proletária pudesse surgir em alguns países, ou mesmo num único, criando condições favoráveis ao seu desdobramento onde fosse mais débil o elo da cadeia imperialista. Foi Lênin, em 1915, quem chegou a essa genial conclusão de enorme significação para o movimento operário internacional. Trotsky sustentava ponto de vista contrário.

"Sem um apoio estatal direto do proletariado europeu (o grifo é nosso), a classe operária da Rússia não poderá manter-se no poder e transformar sua dominação temporária numa ditadura socialista duradoura. Disto não se pode duvidar um só instante" (Leon Trotsky, Nossa Revolução, 1906). Mesmo depois da vitória da Revolução de Outubro na Rússia, ele escrevia:

"Enquanto nos demais Estados europeus se mantenha no poder a burguesia, nos veremos obrigados, na luta contra o isolamento econômico, a buscar acordos com o mundo capitalista; ao mesmo tempo pode-se afirmar com toda certeza que esses acordos podem, no melhor dos casos, ajudar-nos a cicatrizar uma ou outra ferida econômica, a dar um ou outro passo adiante, porém, o verdadeiro auge da economia socialista na Rússia não será possível senão depois da vitória do proletariado nos países mais importantes da Europa" ("Epílogo da nova edição do folheto O Programa da Paz", Leon Trotsky, 1922).

Semeava desta forma o pessimismo, a falta de fé na obra da revolução que, afinal, sem o apoio estatal do proletariado europeu e sem o concurso do mundo capitalista, foi capaz de desenvolver largamente a economia socialista, criar uma nova vida, e alcançar na guerra contra o hitlerismo o triunfo mundial dos povos sobre o fascismo.

A tese trotskista da revolução permanente desconhecia o papel do campesinato como força aliada do proletariado para construir o socialismo. Julgava que a revolução

"entraria em choques hostis, não só com todos os grupos burgueses que apoiaram o proletariado nos primeiros momentos de sua luta revolucionária, mas também com as vastas massas camponesas com a ajuda das quais chegou ao poder. As contradições na situação do governo operário num país atrasado, no qual a maioria esmagadora da população é composta de camponeses, só poderão ser solucionadas no plano internacional, no terreno da revolução mundial do proletariado (os grifos são nossos)

(Prefácio do livro 1905, Leon Trotsky, escrito em 1922).

Trotsky não compreendia a ditadura do proletariado como

"uma forma especial de aliança de classe entre o proletariado, vanguarda dos trabalhadores, e as numerosas camadas de trabalhadores não-proletários, aliança dirigida contra o capital, cujo objetivo é a derrubada completa do capital, o esmagamento completo da resistência da burguesia e de suas tentativas de restauração, aliança que objetiva a instauração e a consolidação definitiva do socialismo" (V. I. Lênin, Obras Completas).

Tomada em seu aspecto mais geral, a questão camponesa inclui a união com o conjunto do campesinato numa primeira etapa da revolução (na Rússia como no Brasil), e a liquidação dos kulaks (camponeses ricos) na segunda etapa. O socialismo se constrói, como demonstra a experiência histórica, em aliança com as massas camponesas pobres que se convertem, após a coletivização da agricultura, num sólido ponto de apoio à construção da economia socialista.

Mas não apenas na subestimação do campo Trotsky comete erros. O mesmo raciocínio mecânico desenvolve em relação ao problema da libertação nacional dos povos oprimidos. Propagou a opinião de que estes somente poderiam libertar-se completamente com a vitória da revolução nas metrópoles imperialistas às quais estivessem subordinadas. Diz ele:

"Se se examinam a Grã-Bretanha e a Índia como duas variedades extremas do tipo capitalista, chega-se à conclusão de que o internacionalismo dos proletários ingleses e hindus baseia-se sobre a interdependência das condições, dos fins e dos métodos, e não sobre a sua identidade. Os sucessos do movimento de libertação da Índia impulsionam o movimento revolucionário na Inglaterra, e vice-versa. Uma sociedade socialista autônoma não pode ser construída nem na Índia nem na Inglaterra. Os dois países deverão fazer parte duma unidade mais elevada. É nisto, e somente nisto, que reside a base inquebrantável do internacionalismo marxista". (Leon Trotsky, in A Revolução Permanente).

Essa "unidade mais elevada" traz implícita a idéia de que a revolução nos países coloniais ou semicoloniais é inseparável da vitória do movimento revolucionário nas metrópoles. Ou seja, o proletariado dos países oprimidos somente poderá alcançar sua verdadeira emancipação quando a revolução for também possível no país opressor, o que é um absurdo completo.

Sua concepção da luta revolucionária com relação aos países atrasados leva ao comprometimento destes com o capital financeiro internacional. Analisando o Plano de Seis Anos do governo de Cárdenas, no México, Trotsky proclamava a necessidade de que se abrissem as portas ao capital imperialista:

"Os autores do programa – dizia Trotsky – querem construir completamente o capitalismo de Estado, num período de seis anos. Mas uma coisa é nacionalizar as empresas existentes e, outra, criar novas empresas com meios limitados e num terreno virgem. A história conheceu um exemplo de indústria criada sob a supervisão do Estado: a URSS. Mas foi preciso uma revolução socialista. (...) No México não temos uma revolução socialista, o país é pobre. Nestas circunstâncias, seria quase um suicídio fechar as portas ao capital estrangeiro. Para construir o capitalismo de Estado, é preciso o capital" (Leon Trotsky, Análise do Plano de Seis Anos, 1939).

Quer dizer, como não havia uma revolução socialista no México, o jeito era construir o capitalismo de Estado com recursos do capital alienígena que, afinal, acabou submetendo o México, vizinho dos Estados Unidos, aos banqueiros norte-americanos.

Óbvio que a "teoria" da revolução permanente de Trotsky conduz, na realidade, à não-revolução em geral. Mesmo onde a revolução viesse a ocorrer, tenderia ao fracasso. Os explorados e oprimidos teriam de marcar passo à espera da revolução no mundo inteiro, pois só assim poderiam construir com êxito o socialismo. Tal a contextura teórica do trotskismo, uma simples amostra da fragilidade das idéias em que se apóia. No terreno teórico, Trotsky foi um fracasso total. E o pior: seu pensamento é mistificador, anti-revolucionário.

CONCEPÇÃO ESPONTANEÍSTA DE PARTIDO


Leon Trotsky jamais compreendeu a importância do partido do proletariado armado de uma teoria de vanguarda como o instrumento fundamental da revolução. Subestimou o fator consciente na dinâmica revolucionária. Polemizando com Lênin, afirmou:

"Ele (Lênin) ignora deliberadamente o fato de nós termos necessidade imperativa, não de raízes 'filosóficas' (que besteira, como se a invocação de não importa que seita não tivesse, de um ponto de vista 'filosófico', tais ou quais raízes profundas!), mas de raízes políticas reais, de um contato vivo com as massas, que nos permita a cada momento decisivo mobilizar essa massa em torno duma bandeira por ela reconhecida como sua" (Leon Trotsky in Nossas Tarefas Políticas).

Que besteira! exclama ele, aludindo a uma questão primordial, qual seja o papel do elemento consciente. No texto citado, este elemento ocupa o segundo plano, não tem maior significado. Tal idéia, aliás, vem sendo repetida no Brasil por dirigentes do Partido dos Trabalhadores, o PT (aqui, sim, se poderia dizer: que besteira!). A ideologia (as raízes filosóficas) não é devidamente considerada. O principal seria a ligação com as massas, empunhar as bandeiras por elas aceitas (note-se que, sem consciência socialista, as bandeiras reconhecidas pelas massas nunca chegarão a ser as da revolução proletária, mas as do reformismo, do economismo). Já no início do século, Lênin advertia que "sem teoria revolucionária não existe movimento revolucionário". As raízes filosóficas não são tolices, ranço desprezível, mas o substrato mesmo da luta libertadora. Tais raízes não emanam do movimento espontâneo, advêm da ciência. Daí por que a característica essencial de um partido revolucionário não é propriamente a sua ligação com as massas, ainda que essa ligação seja indispensável, mas o conteúdo filosófico da doutrina que sustenta, no caso, o marxismo-leninismo. Qualquer partido populista será capaz de manter extensos vínculos com as massas e nem por isso pode ser considerado instrumento da revolução social.

Desdenhando a teoria na formação e no desenvolvimento do partido, Trotsky perde de vista a importância do fator subjetivo no processo revolucionário. Não é acidental que os trotskistas vejam em cada movimento mais combativo das massas, ou nas crises políticas, o imediato e automático surgimento da revolução. Para eles, a greve geral (que greve? em que circunstância?) põe em pauta a derrocada do poder político... a guerra por si mesma traz espontaneamente a revolução... O trotskismo toma de maneira esquemática um único aspecto da situação sem levar em conta o problema fundamental da direção consciente, o nível em que esta se encontra e o papel que desempenha no quadro político.

As concepções de Trotsky sobre o partido são liberais, social-democratas. Lênin enfatizou que o partido do proletariado, para cumprir sua missão, tem de ser monolítico, disciplinado, vanguarda organizada da classe operária. A experiência da Revolução Russa e da de outros países mostrou toda a justeza da teoria leninista de partido que é, por sua própria natureza, contrário à existência em seu seio de grupos e frações. Trotsky, desde o início de sua atividade, sempre atuou contrariando o princípio da unidade partidária. Ele mesmo confessa em A Revolução Permanente que sua posição no interior do partido tinha sido conciliadora. Admitia, entretanto, que isso fosse apenas um equívoco no terreno organizacional, quando na verdade era a linha da unidade sem princípios. Aliou-se todo o tempo com os mencheviques russos, com os liberais e os liquidacionistas, com os chamados otsovistas (oportunistas de esquerda) para lutar contra o Partido dos bolchevistas. No início da segunda década deste século, Lênin assim se manifestou sobre o papel de Trotsky :

"É claro que Trotsky e seus iguais, os trotskistas e conciliadores; são mais nocivos que qualquer liquidacionista, pois os liquidacionistas declarados expõem abertamente suas concepções sendo fácil aos operários constatar o seu caráter errôneo, enquanto os senhores Trotsky e companhia enganam os operários, encobrem o mal e tornam impossível desmascará-lo e remediá-lo. Quem quer que apóie o grupelho de Trotsky sustenta uma política de mentira e de engodo dos operários, uma política de proteção da corrente liquidacionista" (V. I. Lênin, setembro de 1911).

Trotsky foi ferrenho adversário do autêntico partido proletário, da organização de vanguarda, marxista-leninista, um defensor do pluralismo ideológico no seio do partido. Nunca se integrou plenamente em suas fileiras. Somente em agosto de 1917, no VI Congresso dos bolcheviques, retornou ao Partido, dois meses antes da Revolução de Outubro. Então fazia parte de um grupo que incluía trotskistas, mencheviques e alguns bolcheviques transviados. No Partido, voltou à sua antiga prática fracionista.

TROTSKY NUNCA FOI LENINISTA

Os adeptos do trotskismo tentam cinicamente apresentar Leon Trotsky como companheiro de Lênin, como leninista; suas discordâncias teriam sido unicamente com Stalin. Não têm pudor de falar em Partido de Lênin e Trotsky, de se dizerem propagadores e continuadores do bolchevismo. Procedem desse modo para confundir os operários e as massas populares que admiram Lênin, para esconder sua real catadura contra-revolucionária.

O trotskismo sempre foi uma corrente hostil ao bolchevismo. Trotsky não só se manteve em constante oposição a Lênin como o atacou inúmeras vezes. Numa carta dirigida a Chjeidze, em 1913, logo depois da Conferência de Praga que reestruturou o Partido duramente golpeado pelos liquidacionistas, ele escrevia:

"Todo o edifício do leninismo baseia-se hoje em dia na mentira e na falsificação e leva em si o princípio venenoso de sua própria decomposição".

Assim Trotsky considerava todo o imenso cabedal teórico da obra gigantesca do continuador de Marx e Engels. Em decomposição, na verdade, estava o trotskismo, esse fruto podre do movimento operário.

V. I. Lênin, em diversas oportunidades, traçou o perfil político-ideológico de Leon Trotsky, velho conciliador, falso materialista dialético.

"Em 1903 – escreveu Lênin sobre Trotsky – foi menchevique; abandonou o menchevismo em 1904; voltou ao menchevismo em 1905, fazendo alarde de uma fraseologia ultra-revolucionária; em 1906 se separou de novo; em fins de 1906 defendeu os acordos eleitorais com os kadetes (isto é, esteve outra vez com os mencheviques); na primavera de 1907 disse que divergia de Rosa Luxemburgo em matizes individuais. Trotsky plagia hoje a bagagem ideológica de uma fração, amanhã de outra e, como consequência, se proclama situado por cima de ambas as frações. Em teoria, Trotsky não está de acordo em nenhum ponto com os liquidacionistas e os otsovistas, mas na prática está totalmente com os Golos (liquidacionistas) e os de Vperiod (otsovistas) (V. I. Lênin, Obras Completas, vol. XVI, p. 392).

E, em dezembro de 1911, Lênin assinalava:

"Com Trotsky não se pode discutir a fundo, porque não tem opinião alguma. Pode-se e deve-se discutir com os liquidacionistas e os otsovistas convictos, porém, com um homem cujo jogo é encobrir os erros de ambas as tendências não se discute: se desmascara como... a um diplomata do mais baixo jaez" (A Diplomacia de Trotsky e Certa Plataforma, V. I. Lênin). Não somente antes, mas após a Revolução de Outubro, Trotsky hostilizou o leninismo. Na questão crucial da paz de Brest-Litovski, defendida energicamente por Lênin, e da qual dependia a própria sorte da revolução, Trotsky fez todos os esforços para derrotar a proposta do chefe do bolchevismo. Chegou a renunciar ao posto de Comissário do Povo para os Negócios Exteriores a fim de pressionar outros camaradas a votarem contra Lênin. Negou-se peremptoriamente a participar da delegação de paz. Mais tarde, em momento difícil da revolução, forçou um debate geral sobre os sindicatos. Intentava, nessa ocasião, 1920, implantar nas entidades de massas normas rígidas de direção. Não percebia que, terminada a guerra, entrava-se num período de construção pacífica da economia. Os métodos militares e a política do comunismo de guerra estavam ultrapassados. Ele exigia que se "sacudissem" os sindicatos e os estatizassem sem ver que os sindicatos, como indicava Lênin, são organizações autônomas das massas, correias de transmissão entre a ditadura do proletariado e os trabalhadores. Para dirigir corretamente tais organizações, nessa nova fase, impunha-se a adoção de outros métodos – os da persuasão, em primeiro lugar, e não os da coerção, como queria Trotsky. Este transplantava para as entidades sindicais os métodos próprios das organizações militares. Nessa ocasião, Lênin afirmou:

"Quando comparo o folheto de Trotsky com as teses que ele apresentou ao Comitê Central e o reviso cuidadosamente, assombra-me a quantidade de erros teóricos e de evidentes inexatidões que contém".

E mais adiante:

"Trotsky incorreu numa série de erros relacionados com a essência da ditadura do proletariado" (V. I. Lênin, Os Sindicatos, a Situação Atual e os Erros do Camarada Trotsky).

Enfim, o trotskismo não é nem nunca foi leninista, mas uma corrente pequeno-burguesa, incapaz de entender o marxismo e a dialética marxista, oscilando ora para a direita, ora para a esquerda, mas principalmente para o ultra-esquerdismo. Com o passar do tempo, e ante os repetidos fracassos que sofria, Trotsky evoluiu no sentido de posições abertamente contra-revolucionárias, transformou-se num instrumento da burguesia destinado a desviar as massas da verdadeira luta emancipadora, da sua integração no partido. Esforçou-se por fazer malograr a construção do social ismo na URSS.

AS TÁTICAS DO TROTSKISMO


Os métodos de atuação e os procedimentos táticos do trotskismo refletem o caráter da sua orientação e linha de conduta anti-revolucionária.

A tática preferida tem como elemento constante a utilização da fraseologia ultra-esquerdista com a qual procura explorar o sentimento de revolta das massas, buscando atraí-las e instigá-las a posições extremadas que não levam em conta a situação real, os compromissos obrigatórios, a aliança com certas forças não-proletárias. É uma tática de isolamento da classe operária que, se adotada, conduziria o movimento revolucionário ao total insucesso.


O centro do ataque dos trotskistas orienta-se contra o partido do proletariado, marxista-leninista. Tudo que possa servir para enfraquecê-lo ou desacreditá-lo é por eles usado sem nenhum escrúpulo. Sabem que o partido marxista-leninista é a força impulsionadora, organizadora e conscientizadora das massas visando à revolução. Tratam por isso de difamar, deturpar a atividade dos autênticos comunistas, incompatibilizá-los com os trabalhadores por meio da mentira. Intencionalmente, confundem os marxistas-leninistas com os revisionistas, traidores da causa operária. Espalham boatos, atribuem ao partido propósitos inconfessáveis eivados de falsidade. Nesse particular, seus ataques coincidem com os da burguesia e do seu aparelho de repressão. Têm o mesmo conteúdo. Em toda parte, desde a década de 1920, pregam a construção do "verdadeiro partido" em oposição aos partidos marxistas-leninistas existentes no mundo, que seriam aparelhos burocráticos. Nunca construíram nada. O que fizeram e fazem é intrometer-se em partidos falsamente operários para tentar afastar os proletários da sua autêntica vanguarda de classe.

A arremetida furiosa contra Stalin e o stalinismo é um dos principais chavões da tática dos trotskistas. São ridículos e, ao mesmo tempo, cínicos nessa investida. Fazem coro com a campanha desencadeada pelo imperialismo e por todas as forças reacionárias objetivando a denegrir a figura e a obra do grande revolucionário proletário que foi J. V. Stalin, continuador de Lênin, construtor do socialismo na URSS à frente do povo soviético. A essa infame campanha juntaram-se Kruschev e seus seguidores, renegados da revolução e da causa suprema da classe operária. O stalinismo, se se pode empregar este termo, outra coisa não é senão a aplicação e o desenvolvimento da teoria marxista, a sistematização da rica experiência da edificação da nova sociedade na antiga Rússia. Atacando o stalinismo, por eles deturpado e apresentado como burocracia e reformismo, o que os trotskistas visam é a desorientar os trabalhadores, procurar distanciá-los dos verdadeiros revolucionários, os marxistas-leninistas, dificultar o trabalho de frente-única nas organizações de massas.


Os trotskistas adotam como método de atuação o entrismo, recomendado nos anos 1930 por Trotsky aos seus correligionários. Entrismo que significa introduzir-se sorrateiramente em partidos e organizações de esquerda com o fito de aí realizar o seu trabalho sectário, divisionista, contra-revolucionário. Isolados das massas, desmoralizados, sem condições de aparecer com a própria fisionomia diante dos trabalhadores, recorrem ao bifrontismo como meio de camuflar sua ações escusas e fazer proselitismo. A par do entrismo, organizam distintos grupos com posições aparentemente diferenciadas. Esse comportamento contraditório explica-se pela incoerência da sua "doutrina". Usam esses grupos portadores de opiniões diferentes para, como diz o velho ditado, vender gato por lebre. E ter sempre argumentos de reserva a fim de justificar sua traição aos interesses fundamentais do proletariado.

A IV INTERNACIONAL

Rejeitado pelo povo soviético, Trotsky iniciou no exterior sua atividade tendenciosa. Em contraposição à III Internacional leninista, fundou um arremedo de organização mundial por ele denominada de IV Internacional que no período da Segunda Grande Guerra se dispersou por falta de apoio. Os trotskistas tentaram reconstruí-la em 1943. No começo da década de 1950, sumiu novamente. Voltaram à liça em 1963, sem resultados positivos. Reuniram-se novamente em 1982, e a crise continua.

A atividade geral dos trotskistas, bastante escassa, reanimou-se após as infâmias de Kruschev acerca da atuação de Stalin. Ao difundir calúnias e inverdades sobre a construção do socialismo na URSS, os renegados revisionistas prestaram relevantes serviços à burguesia e ao imperialismo. Na onda que levantaram contra o comunismo, ergueram-se também os trotskistas. A expansão do revisionismo, atingindo os partidos comunistas que se converteram em organizações social-democratas, abriu igualmente caminho aos trotskistas. Conseguiram assim avançar um pouco mais em alguns países, notadamente na França, nos Estados Unidos, na Argentina.

Atualmente, estão divididos em duas alas internacionais, ambas reivindicando a paternidade da IV Internacional. Uma, intitula-se Centro Internacional de Reconstrução; a outra, Liga Internacional dos Trabalhadores. A primeira edita o jornal Tribuna Internacional, a segunda, o Correio Internacional. As duas baseiam-se no "Programa de Transição" escrito por Trotsky em 1938. Estas alas subdividem-se em vários grupelhos em distintos países. Mas todos defendem linha idêntica, diferente apenas em nuances, linha anti-revolucionária, antiunitária, de ataque aos movimentos marxistas-leninistas. Não obstante, a luta entre elas toma em determinados momentos formas agudas. Em seu número de março/abril de 1983, o Correio investe contra o SU (Secretariado Unificado) que teria utilizado um "entrismo sui generis", votando resolução favorável ao ingresso dos trotskistas (disfarçadamente) nos partidos comunistas (revisionistas) e chamando Fidel Castro de "revolucionário formidável". Por sua vez, a Tribuna (outubro/1982) agride o Partido trotskista dos Estados Unidos, o SWP, que se teria afastado das linhas mestras do trotskismo, inclinando-se para o apoio a Fidel e fazendo o elogio da direção vietnamita. A contenda chega às vezes a lances vergonhosos revelando a tratantada que se passa nos bastidores trotskistas. Lambert e Villaran, figuras de proa do trotskismo, acusam Ricardo Napuri, senador peruano de tendência trotskista, "de ter roubado dinheiro do partido..."

O principal dirigente da Liga Internacional, Nahuel Moreno, afirma sem rodeios, referindo-se à luta do Solidarnosc, na Polônia, que:

"os trotskistas não deviam ter medo de fazer o jogo do imperialismo, deviam lutar pela ditadura revolucionária do proletariado, dirigida por Walesa, sem temer que essa ditadura fosse de fato a representação direta de Reagan, do Papa, de Mitterrand no seio do Estado Operário" (In Tribuna Internacional (set/1982) sobre a Conferência Mundial Aberta).

Verdade é que, na prática, o trotskismo sempre fez o jogo do imperialismo e da reação, continuamente se opôs aos interesses da classe operária e do povo.

As duas alas da pretensa IV Internacional tratam o Estado Cubano de Estado Operário:

"Não por acaso – escreve The Militant, semanário do SWP trotskista dos Estados Unidos – o Estado Operário mais democrático do mundo é também o país em que os operários e os camponeses desenvolvem o mais firme e mais profundo internacionalismo revolucionário. Este internacionalismo fez de Cuba uma inquebrantável defensora da URSS contra o imperialismo" (o grifo é nosso).

Aqui, junto com o apoio aberto à União Soviética revisionista, social-imperialista, aparece uma estranha caracterização do Estado. Certamente, Cuba fez uma revolução democrática e antiimperialista. Mas a não ser em palavras, nos discursos bombásticos de Castro, não alcançou a etapa socialista. Presentemente, é um país dependente da URSS. Quem dirige o Estado cubano não é a classe operária, mas a pequena-burguesia.

Também no que se refere à Nicarágua, onde foi iniciada uma revolução nacional e democrática que enfrenta sérias dificuldades, os trotskistas asseveram que ali começou a ditadura do proletariado:

"A constituição de milícias e de comitês pela classe operária e o campesinato, e o combate militar dirigido pela FSLN, que tinha como eixo acabar com a ditadura somozista tiveram como resultado a abertura da revolução proletária. Havíamos assinalado na época que esta revolução proletária começando na Nicarágua, desmantelando o Estado burguês, havia abalado o conjunto dos países da região" (In Tribuna Internacional (set/1982), "A Conferência Mundial Aberta Trotskista").

Como se vê, na Nicarágua, onde a classe operária não conseguiu até agora a hegemonia no processo revolucionário complexo que ali se desenrola, já se deu, segundo os trotskistas, a abertura da revolução proletária, socialista! Repete-se, tanto no caso cubano como no nicaraguense, o erro de Trotsky de confundir as etapas da revolução, de suprimi-las arbitrariamente. Em última instância, é o esforço por contrapor-se à verdadeira marcha revolucionária que exige para o seu êxito clareza na definição das etapas inevitáveis.

Com relação à União Soviética, inteiramente falsa é a caracterização que fazem do atual sistema social vigente nesse país. Dizem eles:

"São idênticas as relações de produção na União Soviética de 1917 e de 1982, só as formas políticas são diferentes (...) No plano das relações de produção devemos considerar que não há mudança qualitativa” (In Tribuna Internacional (set/1982), Resolução da IV Internacional).

Insistem ser indispensável "identificar, sob o ângulo das relações de produção, a URSS de 1917 à URSS de 1982" (Fonte citada).

Erro evidente. Começa que as relações de produção na URSS de 1917 só parcialmente eram socialistas, isto é, no setor das empresas nacionalizadas. No campo e em outros setores, as relações de produção não tinham ainda cunho socialista. Nessa época, na opinião de Lênin, havia cinco diferentes tipos de economia na Rússia: a patriarcal, a pequena produção mercantil, o capitalismo privado, o capitalismo de Estado e a formação socialista. De qualquer modo, é mecânica e destituída de fundamento a separação que os trotskistas fazem entre relações de produção e formas políticas. As relações de produção dependem do sistema de propriedade. Se a propriedade é socialista também o é o regime político. (Pode haver, no período inicial do poder proletário, diversos tipos de relações de produção, como de 1917 até 1921 ou um pouco mais, na Rússia, mas tendem a desaparecer porque a propriedade vai-se transformando em bem geral da coletividade.) Ao contrário, se o regime político deixa de ser socialista, igualmente a forma de propriedade se modifica, já não será mais socialista. Ora, na União Soviética, desde que os revisionistas se apoderaram da direção do Partido e do Estado, deixou de existir o socialismo; eles mudaram não apenas as formas políticas, mas a natureza mesma do Estado que, de ditadura do proletariado, passou a ser, conforme decisão tomada no Congresso do partido revisionista, um pretenso Estado de todo o povo. Sem ditadura do proletariado não há socialismo, mas uma forma disfarçada de dominação da burocracia erigida em classe burguesa dominante. Com as modificações operadas no regime político soviético, o sistema econômico converteu-se em capitalismo de Estado, mudando na essência as relações de produção. É bastante observar o que ocorre no setor de distribuição, parte integrante do conceito de relações de produção. Atualmente, como se dá na URSS a distribuição daquilo que foi produzido? Uma pequena parcela da população, ligada ao poder político, usufrui proventos e vantagens que lhe asseguram um modo de vida burguês, enquanto a maioria dos trabalhadores ganha salários insuficientes. Os recursos que beneficiam a diminuta camada privilegiada, burguesa, são retirados daquela parte que, na distribuição, deveria acelerar o crescimento da produção e a elevação do nível do bem-estar material e cultural do povo trabalhador. É um embuste dizer que na União Soviética dos nossos dias as relações de produção são socialistas, e as formas políticas não.

Trotsky já havia assinalado falsamente que:

"Para nós, o critério político essencial não é a transformação das relações de propriedade nesta ou naquela região, mas a mudança a ser operada na consciência e na organização do proletariado mundial, a sua capacidade de defender suas conquistas anteriores e realizar outras (...) O conteúdo fundamental da ditadura do proletariado, a expropriação, é válido sempre".

Indubitavelmente, o conteúdo fundamental da ditadura do proletariado não é a expropriação por si mesma, o que também se faz em certos casos numa revolução democrática, mas a dominação de classe do proletariado, sua luta para construir a nova sociedade. A principal conquista é o Estado de ditadura do proletariado, a liquidação de todas as formas de domínio burguês e o surgimento de novas relações de propriedade que devem ser aprofundadas e consolidadas. A União Soviética de hoje não é socialista, nem no aspecto político, nem no das relações de produção, apesar de manter a antiga expropriação, que agora serve a outros fins.

Convém destacar a desfaçatez dos trotskistas que, no período anterior a Kruschev, não faziam outra coisa senão agredir a União Soviética e o seu regime socialista, e depois que o revisionismo ali se implantou, passaram a elogiá-la, a considerar não ter havido mudanças significativas no campo das relações de propriedade.

Esforçando-se por criar um centro internacional de coordenação dos diversos grupos em que se dividem e subdividem, os trotskistas apregoam a tese de que "o internacionalismo proletário é abstrato quando não está ligado a uma Internacional". Evidentemente, o internacionalismo militante, ativo, não se relaciona, invariavelmente, com a fundação de um centro mundial, o que depende de certas condições históricas. De 1873 a 1889 não existia nenhuma internacional e nem por isso desapareceu o internacionalismo. Tampouco de 1917 a 1919. Mas todos reconhecem que, neste período, realizaram-se vigorosas manifestações internacionalistas proletárias cerrando fileiras em torno do novo poder surgido na Rússia. E depois da extinção da III Internacional, em 1943, o internacionalismo não se evaporou, nem perdeu a força. Expressou-se decididamente no apoio à União Soviética em guerra contra a Alemanha hitlerista, na condenação à agressão norte-americana à Coréia, na ajuda generalizada à luta dos povos do mundo inteiro. O que realmente o define é a conduta revolucionária dos proletários frente aos combates de classe em sua própria pátria que contribuam para abalar e liquidar o sistema capitalista mundial, é a defesa das nações socialistas, bem como a sustentação consequente dos movimentos emancipadores que têm lugar nos diferentes países. O apelo de Marx e Engels – "Proletários de todos os países, uni-vos"! – não se traduz automática e esquematicamente pela criação de internacionais. (Os fundadores do marxismo participaram da dissolução da I Internacional). O exato sentido desse chamamento histórico é o de que os proletários devem unir-se na luta revolucionária para derrubar o capitalismo e construir em todo o Globo a nova vida socialista, comunista. O argumento perrengue dos trotskistas, nesta questão, destina-se unicamente a justificar a recomposição, sempre falida, da IV Internacional desagregadora, anticomunista.

O TROTSKISMO NO BRASIL

Também no Brasil atuam os trotskistas. No passado, formavam um grupelho inexpressivo que se limitava, como os seus parceiros de outras regiões, ao ataque permanente à URSS socialista e ao partido da classe operária. Faziam provocações, tentavam organizar frações no seio do Partido Comunista do Brasil, sem êxito.

Na atualidade, são mais numerosos. Durante o período da ditadura militar, quando a repressão se tornava violenta contra os autênticos revolucionários, contra os democratas consequentes e até mesmo contra os reformistas, eles começaram a ganhar terreno. Exceto elementos isolados, não eram tão perseguidos. Hoje constituem grupos que ostentam as mais variadas denominações: "Convergência Socialista", "Libelu", "Alicerce", "Centelha", "Travessia", "Peleia" etc. Uns são filiados à ala da IV Internacional que edita a Tribuna Internacional, outros à do Correio Internacional. Publicam alguns periódicos: Em Tempo, Alicerce, O Trabalho, entre outros.

Por certo tempo sua atividade foi panfletária, sem maior significação. No momento da reorganização dos partidos políticos, os trotskistas de diferentes tendências, sem exceção, integraram-se maciçamente no Partido dos Trabalhadores, presidido por Luís Inácio da Silva. Cobrindo-se com a bandeira do PT, trataram de ligar-se às massas, em especial à pequena-burguesia. Com o tempo, e astúcia, foram-se assenhoreando de posições importantes nesse partido que surgira de lideranças sindicais envolvidas nas lutas grevistas de 1978-80, sem experiência política. Muitas teses errôneas defendidas por dirigentes do PT são de origem trotskista. E não apenas conceitos políticos ou filosóficos, mas também métodos de atuação sectários, exclusivistas e até provocadores.

Ao introduzir-se no PT, o seu objetivo é buscar um ponto de apoio à sua atividade perniciosa no movimento democrático e no seio da classe operária e do povo. A finalidade que perseguem pode ser resumida da seguinte maneira: impedir ou dificultar a unidade da classe operária e das forças populares; apoderar-se, com a capa de petista, das organizações de massas que, em seguida, se transformam em entidades de uma determinada tendência política, perdendo seu caráter massivo, sendo levadas a posições estreitas e antiunitárias; bloquear a união das correntes democráticas e patrióticas; e, principalmente, tentar marginalizar o partido marxista-leninista, o PC do Brasil, arma afiada da luta pelo socialismo. Isoladamente, os trotskistas representam pouca coisa, sua desmoralização é grande. Mas acobertados com o manto do PT conseguem penetrar entre as massas usando linguagem ultra-radical como meio de atrair os trabalhadores. Seu radicalismo nada tem de revolucionário; no fundo, são reformistas, economicistas. No que respeita à política, circunscrevem-se a palavras-de-ordem gerais, abstratas, sem relação com o curso real da situação.

São useiros em lançar campanhas e jornadas irrealistas, estreitas, que se esvaziam num palavreado oco e terminam em acusações aos que não lhes seguem as pegadas. As organizações que caem sob a sua influência imobilizam-se, tornam-se arena de disputas intestinas entre grupos trotskistas. Falam muito em organização independente da classe operária no terreno sindical. Mas a orientação que preconizam é a da divisão, da fundação de múltiplas centrais sindicais que servem para isolar os trabalhadores em agrupamentos ligados a correntes políticas diversas. Por sinal, tal orientação coincide com as do imperialismo, do Vaticano e da socialdemocracia. O proletariado precisa de liberdade sindical, da independência de seus sindicatos frente ao Estado e aos patrões. Mas ao lutar pela liberdade e autonomia sindical, em defesa dos seus interesses vitais, os trabalhadores almejam a unidade da classe, opõem-se ao fracionamento, à divisão de suas fileiras o que favorece unicamente ao capital, à exploração burguesa.

Entre a juventude, os trotskistas promovem atividades dissolventes, desagregadoras, desmoralizantes. Tratam de explorar o sentimento de renovação e rebeldia sempre presente nos jovens, ansiosos de liquidar os tabus, os preconceitos, os empecilhos levantados pelo mundo burguês ao progresso social e cultural. Introduzem idéias malsãs, propagam, como se fossem progressistas, deformações e vícios da sociedade capitalista em decomposição.

Minoria insignificante nos movimentos de massa, procura impor opiniões e projetos recorrendo a métodos fascistas. Por meio do tumulto, da balbúrdia, das vaias dirigidas criam um ambiente de confusão nos atos massivos, buscando impedir dessa forma o pronunciamento e a argumentação dos que não comungam de seus pontos de vista. Com isso comprometem a própria imagem do Partido dos Trabalhadores que aparece como organização adversa à democracia.

TENTATIVA DE TRANSFORMAÇÃO DO PT EM ORGANIZAÇÃO TROTSKISTA


O Partido dos Trabalhadores é uma organização ainda indefinida sob o aspecto político-ideológico. Tende para a social-democracia, embora criticando certas posições dessa corrente. Nega ser um partido burguês, mas não se pode caracterizar como partido operário. Ideologicamente situa-se no campo da pequena-burguesia e, no quadro político, aspira a se tornar trade-unionista.

Desse modo, é terreno propício à atividade em suas fileiras de variadas correntes, sobretudo das que se opõem ao socialismo científico. Aí atuam setores anticomunistas da Igreja, alguns renegados do verdadeiro partido da classe operária, os trotskistas de diferentes matizes e, sem dúvida, também os carreiristas políticos.

Mas no PT há setores sadios, sindicalistas sinceros, democratas conseqüentes, trabalhadores combativos. Formam, aliás, a parte principal dos que fundaram e sustentam o Partido dos Trabalhadores.

Penetrando nesse Partido, os trotskistas tinham em vista preparar as condições para mudar o caráter da organização e dela se apossar. Seus intentos dentro do PT nunca foram honestos. Em 1982, declararam abertamente que seu objetivo atuando nas hostes petistas era transformá-las num partido trotskista, ligado à IV Internacional.

"Aos trotskistas, que batalham no interior do PT, como fração consciente, cabe trabalhar lealmente(!) procurando vincular o PT ao combate pela Internacional Operária, que para nós, trotskistas, não é outra coisa senão a IV Internacional" (o grifo é nosso) ("Resolução do VI Congresso da Organização Socialista Internacionalista", trotskista).

As publicações trotskistas em diversos países apresentam-no como se fora um partido na senda do trotskismo.

Ao mesmo tempo que buscam dominar o Partido dos Trabalhadores, abrem luta com o que chamam de sua "ala direita", ou seja, os que não rezam pela cartilha dos partidários de Trotsky.

"O comportamento dos trotskistas deve ser claro: combater decididamente a ala direita (...) representada por uma parte da cúpula do partido" ("Resolução do VI Congresso da OSI", trotskista).

Airton Soares, um dos fundadores do PT e líder da bancada petista na Câmara Federal, é considerado pelos trotskistas como "o porta-voz da ala direita (...) que assumiu nitidamente uma posição de porta-voz da burguesia no interior do partido" ("Resolução da OSI", já citada). Os trotsquistas tomam resoluções sobre os movimentos sindical, do funcionalismo público, dos estudantes etc. para serem aplicadas pelo PT. Ditam, na prática, a orientação e a linha de conduta desse partido em tais movimentos. Eles se opõem acintosamente à unidade dos estudantes dentro de suas organizações tradicionais, a UNE e a UBES. Querem transformá-las em instrumento de sua manipulação sectária. Numa resolução da OSI, de maio de 1983, se lê:

"Para desenvolver esta batalha (varrer a direção unitária da UNE), os trotskistas se lançam na organização dos estudantes do PT, impulsionando a construção de núcleos, a realização de encontros por universidade, cidade, estado e nacional" (...) "Constatam que é em torno do PT que se agrupa o núcleo da oposição à direção da UNE".

Salta à vista que os trotskistas utilizam o PT como simples instrumento da sua política. E quanto à UBES, proclamam que o centro de preocupação dos partidários de Trotsky é:

"a intervenção no interior do PT, no sentido de que os secundaristas do partido se engajem na construção da Oposição (...) Para nós, trata-se de ter como eixo de intervenção, no interior do PT, a construção de núcleos por escolas (...) O engajamento dos petistas na luta contra a diretoria (da UBES) é fundamental na constituição da Oposição".

De fato, nos Congressos e Encontros estudantis, os trotskistas aparecem arrebanhando os petistas. São repetidamente derrotados pela união crescente dos estudantes de todo o país que lutam pela liberdade, pela unidade, em defesa das justas reivindicações dos universitários e dos secundaristas, contra o regime militar que oprime o Brasil há vinte anos.

No que se refere à atividade internacional, o Congresso da OSI (maio/1983) traça a linha a ser seguida pelo PT.

"No interior do PT – diz a resolução aprovada pelos trotskistas – as atividades de defesa da Revolução Política na Polônia adquirem importância na luta pela afirmação do PT como partido operário independente contra o stalinismo. Isso significa que o PT deve prolongar a sua solidariedade aos trabalhadores poloneses, ligando-se ao movimento internacional de solidariedade que se desenvolve".

Igualmente, a respeito da ação sindical e da CUT os trotskistas falam pelo Partido dos Trabalhadores.

Alguns êxitos alcançados pelo PT são atribuídos única e exclusivamente aos trotskistas em suas publicações. "O decisivo no CONCLAT – escrevem eles – foi a bancada de 200 trotskistas (...) A campanha pela libertação dos líderes sindicais respondendo a processos na Justiça Militar, também foi obra dos trotskistas (...) A CUT seria o resultado do trabalho dos trotskistas aliados à ANAM-POS" e assim por diante. A pretensão é grande. Mas não ficam nisso. Consideram que palavras-de-ordem fundamentais do PT são fruto da elaboração trotskista (o que não é de todo inexato). Enfim, o PT já seria, nesta altura, uma mescla de sindicalismo e de trotskismo em marcha para se converter numa entidade da IV Internacional.

Que se acautelem os petistas: o cavalo de Tróia dos trotskistas já invadiu seus domínios, lealmente!...

Os trotskistas não são aquilo que blasonam. Resumem-se a pequenos grupos em constante desagregação. A "Convergência Socialista" praticamente desapareceu, hoje vive em função de uma ala jovem denominada "Alicerce da Juventude Socialista". Alguns jornais deixaram de circular por falta de leitores. Eles mesmos confessam que "cai o número de militantes trotskistas" e que "a venda dos jornais" se reduz. Mas continuam ativos na sua pregação e ação contra-revolucionária.

* * *

Na luta ideológica contra os encapuzados inimigos da revolução, torna-se necessário desmascarar também o trotskismo. Isto faz parte do combate geral pela elevação do nível de consciência política das grandes massas que precisam distinguir, na complexidade da luta de classes, o joio e o trigo.

Em nosso país há um proletariado jovem surgido no curso das últimas duas ou três décadas. Não conhecem o desmascaramento, feito no passado desses camuflados adversários do comunismo. Vivendo sob ditadura feroz, teve poucas possibilidades de entrar em contato com as idéias avançadas que lhe dizem respeito. Está ansioso por fazê-lo, mostra-se receptivo aos pontos de vista revolucionários. Por isso é indispensável ajudá-lo a não se confundir, a saber separar as opiniões corretas das incorretas. Os trotskistas constituem uma das muitas variantes da política burguesa para o movimento operário. Seus dirigentes são falsos sinaleiros do caminho da revolução social.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Breno Altman: Eles exerceram o direito democrático de protestar | UJS

Breno Altman: Eles exerceram o direito democrático de protestar | UJS
Na última terça (19), o programa “Entre Aspas” da Globo News realizou um debate para discutir a presença de Yoani Sánchez no Brasil.
Para o debate, o jornal convidou Sandro Vaia, jornalista e ex-diretor do Jornal o Estado de São Paulo e o editor do site Opera Mundi Breno Altman.
O que deveria ser um contexto sobre Yoani perdeu espaço para um debate sobre as manifestações que a militância da UJS realizou em Recife e em Feira de Santana.
Ao iniciar o programa, Mônica Waldvogel, âncora do programa, questionou a ambos sobre quem era Yoani Sánchez, em resposta, Vaia e Altmam concordaram que, embora já famosa no Brasil, ela é uma figura desconhecida em Cuba.
O editor-chefe do Opera Mundi, Breno Altman destacou que em Cuba, Yoani não tem repercussão, pois é desconhecida por praticamente toda população e “não representa nada expressivo(lá)”
“Ela é uma blogueira que faz críticas a revolução cubana e por isso foi abraçada por um conjunto de forças conservadoras. Ela lançou o blog em 2007, e seis meses depois, ela ganhou todos os prêmio internacionais, dos principais jornais que são abertamente contra o governo cubano.”, declarou  Altman.
Mônica especulou uma possível articulação do governo brasileiro com Cuba, para que fossem realizados atos contra a blogueira, Mônica Waldvogel foi rebatida por Altman, segundo ele, o consulado Cubano apenas apresentou sua opinião sobre Yoani, sem nunca ter pedido ações do governo, “a embaixada cubana não pediu ao governo Brasileiro qualquer medida contra Yoani, o que a embaixada fez foi informar seu ponto de vista sobre Yoani e entregar sua informação, é um direito deles”.
A partir de então, o foco da discussão passou a ser as manifestações realizadas pela UJS, para a apresentadora e o ex-diretor do Estadão, as manifestações impediram a liberdade de expressão da cubana. Altman foi energético ao defender os atos, além de esclarecer que não houve qualquer violação ao direito da cubana, “houve um direito legítimo de protesto. Ninguém coibiu- coibir é exercer a violência, ninguém exerceu a violência. Não houve agressão ou coerção física, ou exercício de violência. As pessoas protestaram… Eu posso achar isso deselegante, incorreto, falar que isso não se faz, porém, as pessoas que lá estavam exerceram o direito democrático de protestar. Você pode criticar, mas eles exerceram o direito democrático de protestar”, defendeu Altman.
Sendo rebatido por críticas dos dois jornalistas, que insistiam em considerar que os militantes haviam agido com agressividade contra Yoani, Altman novamente defendeu a manifestação e apontou a agressividade dos defensores de Yoani, “eu vi hoje no twitter uma frase: Fernando Haddad tem que fechar os bueiros e esses vagabundos vão para Recife protestar contra Yoani. Isso também não é agressivo, violento? As pessoas podem ser agredidas por escrito, mas não podem protestar oralmente? Chamar de vagabundo quem protesta é anti democrático!”
Redação

UJS a favor de Cuba em Brasília

protesto-cuba
Na tarde de ontem, durante a visita tumultuada da blogueira cubana Yoani Sánchez ao Congresso nacional, militantes da UJS realizaram uma nova manifestação contra a visita da dissidente no país.
Com cartazes, bandeiras de Cuba e cédulas de dólares, os militantes protestaram contra a falsa defensora dos direitos humanos que tem o apoio dos grandes meios de comunicação.
Entre os coros de protesto, os militantes cantavam “Yoani/ Eu já sabia/ Quem te financia/ É a Cia”, fazendo clara alusão à relação que a blogueira tem com os Estados Unidos.
Os protestos visam denunciar as relações de políticas de Yoani. Tal como sua relação com os Estados Unidos – a blogueira é representante da SINA (escritório de interesses dos EUA em Cuba), troca informações com agentes americanos sobre a ilha e recebe monetariamente para essa função.
As cédulas de dólares nas mãos dos militantes faziam analogia ao financiamento dos EUA que Yoani recebe. Embora declare que não tem condições para manter seu blog, Yoani recebe um salário de 6 mil dólares (sem impostos) da SIP (Sociedade Interamericana de Prensa), mais seis mil dólares do jornal El Pais, e suas premiações pelo reconhecimento à liberdade de expressão já lhe renderam um montante em torno de 250 mil euros.
Ao final do protesto a militância da UJS foi agredida pelo deputado Mendonça Filho (DEM-PE), que tentou amassar os cartazes e as cédulas de dólares. A polícia e os seguranças da Câmara intervieram para acalmar os ânimos.
Yoani no Congresso
A presença de Yoani causou muito tumulto, visto que sua chegada à Câmara interrompeu a votação de uma medida provisória. Ao fazer uso da palavra e explicar os motivos pelos quais a blogueira estava no Congresso, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) recebeu uma resposta direta da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), que criticou a presença da cubana na Câmara.
“Um grave precedente, Sr. Presidente, abre-se na Câmara dos Deputados. Vou trazer um blogueiro baiano amanhã”, apontou Alice.
O deputado Glauber Braga (PSB-RJ) questionou Yoani sobre suas posições em torno do embargo dos Estados Unidos a Cuba e também sobre a base militar dos Estados Unidos em Guantánamo, que métodos de torturas com os presos.
Pela primeira vez, a blogueira então mudou seu discurso, e disse condenar tais medidas.
Yoani foi defendida pelos deputados do PSDB e do DEM. Jair Bolsonaro (PP-RJ), defensor explícito da ditadura no Brasil chegou a soltar provocações aos que criticaram Yoani.
Redação