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sábado, 17 de março de 2012

Leia o Manifesto: PCdoB 90 anos, pelo Brasil e o socialismo - Portal Vermelho


PCdoB 90 anos, pelo Brasil e o socialismo - Portal Vermelho

Por ocasião do transcurso do 90º aniversário da fundação do Partido Comunista do Brasil, a Comissão Política Nacional do PCdoB lançou um manifesto aos trabalhadores e todo o povo brasileiro celebrando o acontecimento histórico e apontando as perspectivas da luta dos comunistas pelo socialismo no Brasil. Leia a íntegra:


O Partido Comunista do Brasil – PCdoB – completa 90 anos em 25 de março de 2012. É a organização política de vida mais longa de toda a história do país, ligada aos anseios dos trabalhadores pelo ideal socialista. Sua visão projeta o Brasil como uma grande Nação, amante da paz e da solidariedade entre os povos, avessa à guerra e às imposições imperialistas.
Os fundadores foram: Astrojildo Pereira, Cristiano Cordeiro, Abílio de Nequete, Hermogênio da Silva Fernandes, João da Costa Pimenta, Joaquim Barbosa, José Elias da Silva, Luis Peres e Manuel Cendón

Em nove décadas, gerações de comunistas integraram as fileiras partidárias. Em fases distintas, três personalidades vincaram seus nomes à saga dos comunistas no Brasil: Astrojildo Pereira, Luiz Carlos Prestes e João Amazonas.

Astrojildo esteve à frente da fundação em 1922 e simboliza a geração dos primeiros tempos. Prestes entra para o Partido em 1934, já como “Cavaleiro da Esperança”, e lidera a geração até 1960; Amazonas ingressa em 1935, lidera a geração que o reorganiza em 1962 e o conduz até a primeira eleição de Lula.

Com a aclamação, em 2001, de Renato Rabelo como presidente do Partido, pouco antes da morte de Amazonas, uma nova geração vai ocupando as trincheiras comunistas.

Hoje, o PCdoB é uma força conhecida e prestigiada, com um pujante ativo político e moral, forte presença junto aos trabalhadores, influência predominante na juventude, realce no Parlamento, em Executivos locais e nos governos de Lula e Dilma.

Sem menosprezar divergências do passado, a direção atual do PCdoB tem consciência de que este partido é aquele fundado em 1922 e reorganizado em 1962, construído por todas estas gerações de comunistas. O aniversário, que com muito orgulho celebramos, é de todas essas gerações.

1) Legado da geração dos fundadores

A primeira contribuição expressiva do Partido à nossa história foi sua própria fundação. Ela introduziu na cena política, pela primeira vez entre nós, um partido da classe operária, com organização própria e objetivos específicos, a começar pelo socialismo.

A classe operária naquele período já ia a greves por seus direitos e tinha sindicatos atuantes. Mas, sob influência anarquista, resistia à luta política. Entretanto, da Rússia chegara a notícia de que os trabalhadores puseram abaixo um regime tirânico, assumiram o poder e começaram a construir o socialismo. E uma informação circulou: tamanha proeza só fora possível porque lá existia um partido comunista.

Construir um partido deste tipo em nosso país foi a missão iniciada pelos nove delegados que fundaram o Partido Comunista do Brasil: Astrojildo Pereira, Cristiano Cordeiro, Abílio de Nequete, Hermogênio da Silva Fernandes, João da Costa Pimenta, Joaquim Barbosa, José Elias da Silva, Luis Peres e Manuel Cendón. Astrojildo e outros, como Octávio Brandão, lideraram a primeira geração de comunistas.

A República Velha entrava em crise e crescia a contestação que desaguou oito anos depois na Revolução de 1930. O Partido recém-fundado introduziu um elemento novo: levou a classe operária à política. Organizou o Bloco Operário e Camponês, o BOC, que sistematizou, pela primeira vez entre nós, uma plataforma de direitos sociais e trabalhistas. O Partido, através do BOC, elege em 1927 dois comunistas para vereador no Rio de Janeiro, Octávio Brandão e Minervino de Oliveira.
Em 1929 – com a bandeira da unicidade sindical que defende desde 1922 – cria a Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil, a CGTB.

Para as eleições de 1930 inscreveram-se Júlio Prestes, pela situação, e Getúlio Vargas, pela oposição. O Partido propôs a Luiz Carlos Prestes que fosse seu candidato, o que não foi aceito. Lançou então a candidatura de Minervino de Oliveira, secretário-geral da CGTB. A campanha sofreu uma violência incomum, o candidato foi preso diversas vezes. Teve reduzida votação. Mas o fato histórico ficou: em 1930 o Partido Comunista do Brasil lançou para presidente da República o operário, sindicalista, negro, Minervino de Oliveira.

Desencadeada a Revolução de 1930, o Partido não a apoiou. Julgou, erroneamente, que estavam em pauta meras contradições oligárquicas.

A geração dos fundadores também deixou legado valioso na divulgação das ideias do Partido. É de 1922 a revista Movimento Comunista; de 1925 o jornal A Classe Operária; e de 1927 o primeiro diário comunista, A Nação.

Na frente teórica, credita-se também à geração dos fundadores o lançamento da primeira edição brasileira do Manifesto Comunista, seguida de outras obras de Marx e Lênin. Octávio Brandão publica Agrarismo e Industrialismo (1926), o primeiro ensaio sobre a realidade brasileira sob a ótica marxista.

2) Luta pela liberdade, por desenvolvimento e cultura

Quando a Revolução de 1930 mostrou seus limites, o Partido contribuiu para o lançamento da Aliança Nacional Libertadora (ANL), em março de 1935. Prestes, que entrara no Partido em 1934, foi seu presidente de honra. A ANL logo se espalhou pelo território nacional com seu lema “Pão Terra e Liberdade” e com suas mobilizações contra o nazifascismo e a versão local deste, o integralismo. Foi então proibida pelo governo Vargas, levando grupos aliancistas ligados ao Partido a tentarem implantar um governo popular com o levante insurrecional de novembro de 1935 – logo sufocado por apoiar-se basicamente nos quartéis.
A repressão sempre se abateu pesadamente contra o Partido. Após o levante de 1935, foi extensa e cruel, com mais de 15 mil presos. Prestes ficou nove anos na cadeia. Olga Benário, jovem alemã ligada à Internacional Comunista, companheira de Prestes, foi entregue à Gestapo de Hitler e morta num campo de concentração. A onda repressiva prosseguiu após 1937, na ditadura do Estado Novo.

Nos 63 anos que vão de 1922 a 1985, o Partido teve apenas dois anos e quatro meses de legalidade. As classes dominantes sempre tolheram sua liberdade. Mas, em diversas oportunidades, a repressão se abateu não apenas contra os comunistas, mas também contra toda a sociedade, como no Estado Novo (1937-1945) e na ditadura militar (1964-1985). O pretexto mais usado foi a “ameaça comunista”. Por isso, um dos legados do Partido à história do Brasil é sua extensa luta pela liberdade.

No Estado Novo a direção partidária foi desbaratada, sendo necessária uma reestruturação que culminou com a Conferência da Mantiqueira (1943). Aí desponta a segunda geração de comunistas, tendo à frente Luiz Carlos Prestes (na prisão até 1945) e mais Diógenes Arruda, Maurício Grabois, Pedro Pomar, João Amazonas, Amarílio Vasconcelos, Júlio Sérgio de Oliveira, Mário Alves e Carlos Marighella.
Pela ordem: Maurício Grabois, Marighella. Diógenes Arruda, Mário Alves, João Amazonas e Pedro Pomar

O Partido lutou para o ingresso do Brasil na 2ª Grande Guerra Mundial ao lado das forças aliadas, entre elas URSS, contra o Eixo nazifascista. Empenhou-se pela constituição da Força Expedicionária Brasileira que lutou na Europa, à qual muitos comunistas se alistaram.

Na esteira da derrota da Alemanha na 2ª Guerra, cai o Estado Novo e o Partido vai à legalidade por mais um curto período. Apresenta Iedo Fiúza como candidato próprio à presidência da República em 1945, que obteve 10% dos votos válidos; e elege, para a Constituinte de 1946, Prestes senador, com grande votação, e 14 deputados, entre eles o mais votado no Rio de Janeiro, João Amazonas, além de Maurício Grabois, Carlos Marighella, Gregório Bezerra, Jorge Amado e Claudino José da Silva, o único negro na Constituinte.
Na Constituinte, o Partido destacou-se pela intransigente defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores, da reforma agrária, da soberania nacional. E ressaltou o papel da União Soviética para a derrota do nazifascismo.

A Constituição entrou em vigor já no clima envenenado do governo Dutra e da Guerra Fria. O Partido perdeu seu registro em 1947 e em seguida os parlamentares eleitos pela sua legenda foram cassados. Rude e rasteiro golpe – contra a democracia.

De novo na clandestinidade, os comunistas salientam outra marca sua: a defesa do desenvolvimento e da economia nacional. Data daí a campanha “O Petróleo é Nosso”, que levou à criação da Petrobras em 1953.

Nesse período os comunistas organizaram grandes campanhas pela paz, contra o envio de tropas brasileiras para lutar na guerra da Coreia e pela interdição das armas atômicas.

Nesta geração o Partido estreitou seus laços com a produção intelectual e artística. Tiveram ligações diretas com o Partido, entre outros, escritores como Jorge Amado e Graciliano Ramos; arquitetos e artistas plásticos como Oscar Niemeyer, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Carlos Scliar e Tarsila do Amaral; dramaturgos e atores, como Gianfrancesco Guarnieri, Francisco Milani, Oduvaldo Vianna Filho, Dias Gomes e Mário Lago; músicos como Cláudio Santoro e Guerra Peixe; cineastas como Ruy Santos e Nelson Pereira dos Santos; cientistas como Mário Schenberg; esportistas como João Saldanha; jornalistas como Aparício Torelli, o Barão de Itararé.

3) A reorganização e a luta em várias frentes contra a ditadura de 1964

Graves fatos ocorreram no Partido Comunista do Brasil entre 1956 e 1962. Por um lado, diretrizes oportunistas disseminadas pelo 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), chefiado por Nikita Kruschev, foram respaldadas pela maioria da direção brasileira. Por outro, esta mesma maioria adota orientação nacional-reformista. Assim, em 1961, publicou-se um novo Programa e novo Estatuto de uma nova agremiação, reformista, chamada Partido Comunista Brasileiro.

Imediatamente um grupo de experimentados dirigentes reagiu e, em fevereiro de 1962, reorganizou o Partido Comunista do Brasil, com seu nome original, tradição e caráter revolucionário, passando a usar a sigla PCdoB. O Partido saiu menor, mas revitalizado. Passou a pensar mais o Brasil e definir suas políticas em sintonia com os acontecimentos. À frente da reorganização estavam João Amazonas, Maurício Grabois e Pedro Pomar.
Transcorrido meio século, a vida deu razão aos reorganizadores do Partido. O PCdoB cresceu e se afirmou. Ninguém, hoje, tem dúvida sobre qual é o Partido Comunista do Brasil.

Dois anos depois da reorganização, os generais desfecham o golpe de 1964. O Partido concluiu que a ditadura viera para ficar; fechava as portas para a ação institucional e, portanto, as abria para a resistência armada. Nos anos seguintes, enquanto a ditadura se tornou ainda mais violenta, o PCdoB preparou e dirigiu a Guerrilha do Araguaia.

O Araguaia foi um capítulo heroico da história do Brasil, que honra e enaltece o PCdoB. A Guerrilha resistiu quase três anos. A ditadura mobilizou grandes contingentes para enfrentá-la, proibiu a imprensa de noticiá-la, apelou para a “guerra suja”. Mas o alerta ficou: os brasileiros não aceitavam a ditadura e outros Araguaias poderiam surgir.


Durante a guerrilha, a quase totalidade da maior organização de oposição à ditadura, a Ação Popular Marxista-Leninista (APML) do Brasil, após longa luta ideológica, incorporou-se ao PCdoB: foi o mais importante e exitoso processo unificador na história das esquerdas brasileiras.

Em sua fase declinante, em 1976, a ditadura ainda perpetrou a Chacina da Lapa, em São Paulo, onde executou mais três líderes comunistas: Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Batista Drummond.

Amazonas passa a encabeçar um núcleo dirigente recomposto com dirigentes vindos da APML e quadros jovens, liderando toda uma terceira geração de comunistas.

Em 1975, o Partido sintetizou em três bandeiras a luta pelo fim da ditadura: anistia ampla, geral e irrestrita; revogação dos atos e leis de exceção; e Constituinte livre e soberana. Em 1979, a anistia, embora distorcida e incompleta, libertou os presos políticos e permitiu a volta dos exilados. A movimentação social recomeçara, com greves e outras jornadas como o Movimento Contra a Carestia. E o Partido nelas está presente. E em 1984 houve uma das maiores mobilizações de massas da história do país, a campanha das “Diretas Já”. O PCdoB, mesmo proibido, ganhou as praças. Mas as “Diretas Já” não passaram no Congresso.



A Nação ficou chocada. A oposição, em dúvida. Parte dela ensaiou o movimento chamado “Só Diretas”. Tancredo Neves, o presidenciável oposicionista possível, teria de renunciar ao governo de Minas Gerais para se candidatar. Em meio a tanta confusão, renunciaria?

O PCdoB não se confundiu. Realçou que a oposição iria ao Colégio Eleitoral não para legitimar, mas para acabar com a ditadura; e que, se um candidato assumisse abertamente este compromisso, o Partido iria às ruas ajudar a legitimá-lo. Amazonas foi a Minas expor esta posição a Tancredo. Este se candidatou e reeditaram-se os grandes comícios das “Diretas Já”. A vitória sepultou o Colégio e a ditadura.

Outro momento crucial foi a derrota da experiência socialista soviética, em 1991. Os capitalistas proclamaram que o socialismo acabara. E políticos e intelectuais, até progressistas, acreditaram nesse embuste. Partidos comunistas diversos arriaram suas bandeiras, mudaram seus nomes, alteraram seus símbolos e renunciaram ao marxismo.

O PCdoB não arriou sua bandeira, não mudou seu nome, não alterou seu símbolo, não renegou o marxismo. Procurou tirar lições da derrota, estudando e aprendendo com os acertos e erros da experiência soviética, situando a luta pelo socialismo nas novas condições do mundo. Sublinhou que essa derrota acontecia na infância do socialismo, quando ele dava seus primeiros passos. Convocou um Congresso Extraordinário (1992) e, após um robusto debate, a conclusão foi unânime: “O socialismo vive!”.

Hoje, é o capitalismo que se debate nas garras da crise sistêmica. E esta tem seu centro justamente nas metrópoles capitalistas: a europeia e a norte-americana.

Ao contrário, o socialismo mostra sua vitalidade. Aí estão a grande China – segunda maior potência mundial –, o heroico Vietnã e a destemida Cuba, entre outras experiências, inclusive os projetos socialistas de Venezuela, Bolívia e Equador. Também se realçam os movimentos de rebeldia em Wall Street e as greves gerais na Europa.

O que está em curso no mundo, e, sobretudo, em nossa América Latina, é uma nova luta pelo socialismo. É um socialismo revolucionário e renovado, que não copia um modelo único, que incorpora particularidades nacionais, e desbrava seu caminho com coragem e mente aberta. É este o socialismo do PCdoB.

4) Novo tempo, democratização, Constituinte, Partido no governo

A redemocratização após a ditadura seguiu caminho inesperado. Tancredo faleceu e coube a José Sarney dar os passos decisivos. O Partido volta à legalidade e vai à nova Constituinte de 1987-88. Suas 1.003 emendas versavam sobre o aprofundamento da democracia; os direitos dos trabalhadores; o desenvolvimento e soberania nacional. Tal como na Constituinte de 1946, uma delas garantia a liberdade religiosa. O Partido Comunista do Brasil é a única legenda, do conjunto de agremiações hoje em atividade, que participou de três Constituintes do período republicano.

 



Em 1º de janeiro de 2003 Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse no Palácio do Planalto. Não era uma simples troca de nomes. Um novo ciclo se abria na história do país.

O PCdoB se orgulha da condição de protagonista na construção deste ciclo. É o único partido, afora o PT, que nele se empenhou desde o início. Esteve com Lula desde a campanha de 1989, nas três derrotas iniciais e nas três vitórias que se seguiram, até a eleição de Dilma Rousseff em 2010. Engajou-se na difícil resistência à era neoliberal, nas grandes manifestações estudantis e populares que levaram ao impeachment do presidente da República em 1992. No governo Fernando Henrique lutou contra a política neoliberal, das privatizações, do FMI, do “apagão”, da diplomacia que falava grosso com a Bolívia e fino com os EUA. O Partido ajudou a virar – esperamos que para sempre – essa página tenebrosa.

A mudança no Brasil faz parte de um movimento mais amplo. É a América Latina quase toda que se rebela, em uma verdadeira maré vermelha, democrática, patriótica e progressista, tingida pelo sangue latino-americano.

A rebelião segue um caminho original, onde a arma principal é o voto popular. Através de vitórias de candidatos avançados, respaldados nos movimentos populares, o processo de transformação segue seu curso.

Para o Partido, 2003 trouxe uma realidade inédita. Ele foi chamado a participar, pela primeira vez em sua existência, do governo do Brasil. E aceitou.

Há quase dez anos o PCdoB apoia, integra e luta pelo sucesso dos governos democrático-populares de Lula e Dilma. Emprestou-lhes alguns dos seus melhores quadros para atuar – com notável sucesso e integridade sem mácula – nas áreas do Esporte, articulação política, petróleo, Cultura, Ciência e Tecnologia, Saúde e Turismo, entre outras. Nos dias cruciais da crise de 2005, quando a oposição conservadora achou que ia “se livrar dessa raça”, o PCdoB é que trouxe o povo às ruas para bradar “Fica Lula!”.

Ao mesmo tempo, o PCdoB não confunde lealdade e apoio com seguidismo. Preserva sua independência política em relação ao governo. Defende e respeita a autonomia dos movimentos sociais, a mobilização do povo, como imprescindíveis às mudanças. Sustenta que o governo, para avançar e se defender do golpismo da direita, precisa tanto do apoio quanto da crítica. Considera que criticar o que está errado é uma forma de apoiar.

5) Conclamação

O Partido Comunista do Brasil é uma força política brasileira, engajada na realização de objetivos como o de transformar o Brasil em uma Nação próspera, desenvolvida, livre, amante da paz entre os povos, em marcha para uma transição socialista. É cioso do seu passado de lutas, que contribuiu, muitas vezes com sacrifícios inauditos, para o Brasil chegar aonde chegou.

O mundo vive hoje uma grande crise do capitalismo que agrava ainda mais as crescentes desigualdades, as crises sociais e aumenta os conflitos de guerra no mundo. Neste contexto, a questão central é a qual rumo se dirigir, qual alternativa seguir.

Por isso mesmo o PCdoB, na festa de seus 90 anos, conclama o povo a abraçar seu Programa Socialista, aplicá-lo e desenvolvê-lo.

O Programa Socialista do PCdoB resulta de reflexões amadurecidas sobre a situação do país e do mundo. Passou por anos de elaboração. Encarna uma nova concepção programática.


O atual Programa Socialista do PCdoB dá um passo à frente: propõe um rumo e um caminho. O socialismo é o rumo. O fortalecimento da Nação brasileira, o caminho.

O socialismo proposto é renovado, não copia modelos, leva em conta os avanços das experiências socialistas modernas e as particularidades nacionais. Tem uma feição brasileira.

O fortalecimento da Nação concretiza-se em um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, com quatro fundamentos: a luta pela soberania e defesa da Nação; a democratização da sociedade; o progresso social; e a integração solidária da América Latina. O Programa faz um amplo conjunto de propostas capazes de nortear este projeto.

Este caminho pode levar a uma democracia popular, com hegemonia dos trabalhadores e da maioria da Nação e, portanto, criar condições para a transição ao socialismo. Representará um novo salto civilizacional, o terceiro na acidentada, mas vitoriosa, história do Brasil.

É armado deste Programa e do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento que o PCdoB faz esta conclamação e, convicto de que o aumento de sua representatividade política contribuirá para o avanço das conquistas do povo, participará, em plenitude, nas eleições de outubro próximo, inclusive disputando prefeituras em várias capitais e outras cidades importantes. O Partido abre suas portas e acolhe, para suas fileiras militantes, todos os brasileiros e brasileiras que buscam ter uma atividade política organizada e transformadora.

Grande é a vitória do Partido Comunista do Brasil em chegar aos 90 anos de existência. Maior ainda é a alegria do PCdoB por chegar aos 90 anos altivo, revitalizado e confiante. Altivo por nunca ter tergiversado na defesa dos trabalhadores e do Brasil. Revitalizado por nunca ter contado com tanta gente em suas fileiras para enfrentar as tarefas do futuro. E confiante por estar no caminho do fortalecimento da Nação e no rumo do socialismo.

Viva o 25 de março!
Viva o PCdoB!
Viva o Socialismo!
Viva o Brasil!

São Paulo, 15 de março de 2012.
A Comissão Política Nacional (CPN) do Partido Comunista do Brasil, PCdoB

Manifesto sobre a saga dos comunistas - Portal Vermelho

Manifesto sobre a saga dos comunistas - Portal Vermelho

A comemoração dos 90 anos do PC do B, como está sendo feita, é um passo à frente na nossa construção partidária.

Por Haroldo Lima*


Sempre afirmamos que nosso partido foi “fundado em 1922 e reorganizado em 1962”. Mas, o contexto histórico dos anos seguintes a 1962 - aparência de partidos comunistas em disputa - dava lugar a dúvidas. Adversários sustentavam que não havia continuidade. Defendíamos que sim, mas, mesmo entre nós, havia certo distanciamento em face desse passado, pouco conhecimento dele, algum desmerecimento do seu mérito.

O contexto de hoje é diferente. O tempo se incumbiu de deixar bem claro a correção da reorganização de 1962 e hoje não cabe dúvida sobre quem é o Partido Comunista do Brasil.

Nessa situação, a CPN viu a oportunidade de comemorar os 90 anos do Partido resgatando, de forma consistente, a sua história como um todo, a do “Partido fundado em 1922 e reorganizado em 1962”, que não tergiversa sobre os problemas internos ocorridos, mas que salienta a linha dorsal com que tem cumprido sua missão, desde a fundação, que levou a classe operária a fazer política, numa época em que isto não acontecia; que levantou a bandeira do socialismo – pouco depois da Revolução de 1917 na Rússia; que lançou o primeiro candidato operário, sindicalista e negro à presidência da República, em 1930, Minervino de Oliveira; que esteve na Aliança Nacional Libertadora, nas campanhas contra o nazi-fascismo, em defesa do desenvolvimento nacional, na constituinte de 46, nas jornadas de “o petróleo é nosso”, contra o envio de tropas à Coréia; que se reorganizou, em 1962, repelindo a ruptura com o socialismo comandada por Kruchev; que foi ao Araguaia, às “diretas já”; que respaldou a eleição de Tancredo para por fim à ditadura de 1964; que foi à Constituinte de 1987/88; que bradou “o socialismo vive”, quando uma muitos diziam que ele acabara; que esteve desde o início, em 1989, no esforço por levar o operário Lula à presidência e integra os governos deste novo ciclo da história do Brasil, com Lula e Dilma; e que pagou elevado preço por tudo isso, tendo seu candidato a presidente Minervino de Oliveira preso quando fazia campanha, seu dirigente Luis Carlos Prestes nove anos em cadeia, a companheira Olga Prestes entregue grávida à Gestapo nazista que a assassinou, camaradas numerosos presos, seviciados e mortos na ditadura do Estado Novo, nas câmaras de tortura, nos “tiroteios” e “atropelamentos” dos vinte e um anos da ditadura de 1964-85, no feito heróico do Araguaia, nas chacinas como a da Lapa.

O Manifesto da Comissão Política Nacional, recém publicado, retrata essa vitória. Mostra como, na história do Partido, “em fases distintas, três personalidades vincaram seus nomes à saga dos comunistas no Brasil: Astrojildo Pereira, Luiz Carlos Prestes e João Amazonas.” E assume que uma quarta geração, liderada por Renato Rabelo, dirige hoje um partido grande e vibrante, que responde pela tradição do partido “fundado em 1922 e reorganizado em 1962”.
Será muito importante trabalharmos com a concepção que este Manifesto apresenta, divulgando-o e explicando seu significado. Somos os herdeiros de uma tradição gloriosa.

Honremo-la.

Haroldo Lima

Comissão Política Nacional do PCdoB

Cinco homens e a justiça à moda yankee - Portal Vermelho

Cinco homens e a justiça à moda yankee - Portal Vermelho

A República de Cuba, no início dos anos 90, sofre uma série de atentados terroristas perpetrados por organizações criminosas dirigidas por anticastristas – cubanos contrários ao governo de Fidel Castro que se exilaram na cidade norte-americana de Miami, na Flórida.

Por Eduardo Navarro*


Essa escalada de violência se dá em um momento de grandes dificuldades econômicas para a pequena ilha caribenha, que além de enfrentar as agruras do criminoso bloqueio econômico dos Estados Unidos, vê somar-se o fim da parceria com os países do leste europeu, devido à desintegração da União Soviética. A solução encontrada para manter-se de pé foi investir no desenvolvimento da indústria turística e atrair reservas cambiais daqueles que desejavam conhecer as maravilhas da ilha.

Organizações como “Hermanos Al Rescate”, “Alpha 66”, “Movimento Democracia”, dentre outros – todos regiamente financiados pelos dólares do governo norteamericano e dos milionários exilados – urdiram os ataques terroristas contra alvos turísticos visando estrangular financeiramente o governo cubano, desestabilizar o sistema socialista e reimplantar o capitalismo na ilha.

Esse é o cenário em que se desenrola o mais novo livro de Fernando Morais, Os Últimos Soldados da Guerra Fria, lançado no final de 2011, pela Companhia Das Letras, que narra o drama dos cinco heróis cubanos: Gerardo Hernández, Ramon Labañino, Fernando González, René González e Tony Guerrero. O livro, apesar de utilizar o formato de romance, é em essência um verdadeiro trabalho jornalístico de fôlego, fartamente documentando, que nos permite acompanhar toda a trama das provocações sem nos esquecer da dura realidade vivida por aqueles que queriam preservar sua nação e proteger seus compatriotas.

Esse, aliás, foi o sentimento dos órgãos de inteligência cubana ao desenvolverem a Operação Vespa: infiltrar agentes secretamente nas organizações radicais de Miami para, a par dos detalhes dos atentados, evitar danos a inocentes.

A partir daí acompanhamos, in-loco, o planejamento das ações como o sobrevoo sobre Havana para jogar panfletos provocativos ou espalhar pragas nas lavouras; colocar aviões comerciais em perigo ao atrapalhar transmissões da torre de controle; disparar rajadas de metralhadoras contra turistas ou explodir bombas em hotéis.

As coisas se inverteriam para os agentes cubanos em setembro de 1998, quando a Rede Vespa é destroçada pelo FBI, seguindo-se a prisão de todos os envolvidos em celas solitárias. O processo 98CR721/Lenard enquadrou-os como espiões promotores de atentados contra instalações militares, conspiração para assassinato, coleta e informações de defesa, falsificação e uso de documentos de identidade e uso indevido de vistos e permissões de entrada nos Estados Unidos.

De heróis do povo cubano, eles se viram acusados de terrorismo.

O julgamento foi montado para condená-los e agradar à poderosa organização dos exilados. No final de 2001, eles foram declarados culpados com penas que vão de 15 anos para René, 19 anos para Fernando, perpétua para Tony, perpétua mais 18 anos para Ramón e duas perpétuas mais 15 anos para Gerardo.

A farsa do julgamento e as pesadíssimas penas têm mobilizado opiniões nos Estados Unidos e em todas as partes do globo – e levado artistas, personalidades e entidades como a CTB e o Encontro Sindical Nossa América a se somarem ao movimento pela liberdade para os cinco patriotas, que se tornaram, em pleno século 21, os últimos soldados da guerra fria.

*Eduardo Navarro é secretário de Comunicação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

Fonte: Revista Visão Classista

PCdoB divulga texto da 2ª Conferência Sobre Emancipação da Mulher - PCdoB. O Partido do socialismo.

PCdoB divulga texto da 2ª Conferência Sobre Emancipação da Mulher - PCdoB. O Partido do socialismo.
A Secretaria Nacional da Mulher e o Fórum Nacional Permanente sobre a Emancipação da Mulher do PCdoB divulgaram nesta semana o documento norteador da 2ª Conferência Nacional do PCdoB Sobre a Emancipação da Mulher. O evento acontece nos dias 18, 19 e 20 de maio, em Brasília. Segundo a secretária da Mulher, Liège Rocha, este é um encontro de todo o Partido — homens e mulheres comunistas — para abordar as questões das mulheres.
Leia o documento na íntegra

Buonicore: Astrojildo Pereira e a gênese do comunismo no Brasil * - PCdoB. O Partido do socialismo.

Buonicore: Astrojildo Pereira e a gênese do comunismo no Brasil * - PCdoB. O Partido do socialismo.

Astrojildo Pereira foi o secretário-geral do Partido Comunista do Brasil (PCB) nos oito primeiros anos de vida desta agremiação política (1922-1930). Tarefa que realizou com dedicação e com relativo sucesso, tendo em vista as difíceis condições da época.Por Augusto C. Buonicore **


Morre o geógrafo Aziz Ab'Saber - Portal Vermelho

Morre o geógrafo Aziz Ab'Saber - Portal Vermelho
Na manhã desta sexta-feira (16), as florestas e toda paisagem brasileira perderam um de seus maiores defensores: o geógrafo Aziz Ab'Saber. Aos 87 anos, morreu em sua casa, de infarto. Professor emérito e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA), da Universidade de São Paulo (USP), é autor de mais de 486 obras, entre artigos acadêmicos, teses, capítulos de livros, prefácios e apresentação de livros, entre outros. É uma referência da geografia em todo o mundo.



Uma das homenagens feitas ao Prof. Aziz Ab’Sáber, na USP/Fotos: Francisco Emolo, Jornal da USP 

Ab'Saber desenvolveu ao longo de sua extensa carreira de cientista, pesquisas e tratados de significativa relevância internacional nas áreas de ecologia, biologia evolutiva, fitogeografia, geologia, arqueologia e geografia. Um deles foi o “Zoneamento Ecológico e Econômico da Amazônia”, de 1989. 

Mesmo com a idade avançada, continuava exercendo atividades com certa regularidade. Ele era um apaixonado pela geografia brasileira. Por isso, gostava de falar, de explicar, de ensinar a qualquer um que se aproximasse e pedisse sua atenção.

Na página da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), onde Aziz foi presidente entre 1993 e 1995, e atualmente era presidente de honra da entidade, a secretária Geral da SBPC, Rute Maria Gonçalves de Andrade, assina uma nota intitulada “Ao Aziz com carinho”. 

“Repito aqui, o que disse quando fizemos uma homenagem a ele na 62ª Reunião Anual da SBPC... E Aziz é assim como um dos Biomas que ele muito defende: a caatinga – único, rico em simplicidade, repleto de surpresas e diversidade - diversidade de conhecimento e de cultura. Professor Doutor Aziz Nacib Ad Saber somos gratos aos ensinamentos que trouxe para todos nós, pois aprendemos ciência, aprendemos cultura e aprendemos valores”, diz um dos trechos do documento.

Um dia antes de sua morte, o professor, disposto como sempre, fez sua última visita à SBPC, em São Paulo. Em um gesto de despedida, involuntariamente, entregou na tarde de quinta-feira (15) sua obra consolidada, de 1946 a 2010, em um DVD, para ser entregue a amigos, colegas da Universidade e ao maior número de pessoas.

“Tenho o grande prazer de enviar para os amigos e colegas da Universidade o presente DVD que contém um conjunto de trabalhos geográficos e de planejamento elaborados entre 1946-2010. Tratando-se de estudos predominantemente geográficos, eu gostaria que tal DVD seja levado ao conhecimento dos especialistas em geografia física e humana da universidade”, diz Ab'Saber em sua dedicatória.

O geógrafo morre antes da publicação de sua última obra, o terceiro volume da coleção “Leituras Indispensáveis”, onde faz uma homenagem ao trabalho dos primeiros geógrafos no interior do Brasil, como José Veríssimo da Costa Pereira e Carlos Miguel, e às primeiras expedições de Candido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon (1865 a 1958). O livro ainda não tem data para ser lançado.

Prêmios

Ab'Saber, foi professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, recebeu diversos prêmios como o Prêmio Jabuti em ciências humanas (1997 e 2005), e em ciências exatas (2007); o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia (1999), concedido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia; a Medalha de Grão-Cruz em Ciências da Terra pela Academia Brasileira de Ciências; e o Prêmio Unesco para Ciência e Meio Ambiente (2001). Mais recentemente, em 2011, foi escolhido pela União Brasileira de Escritores como o Intelectual do Ano.

Código Florestal e Primavera Árabe

Em uma de suas últimas entrevistas, Ab’Saber abordou o Código Florestal. Ele criticou a falta de uma legislação ambiental mais abrangente, que contemplasse o zoneamento físico e ecológico de todo o país como a complexa região semi-árida dos sertões nordestinos, o cerrado brasileiro, os planaltos de araucárias, as pradarias mistas do Rio Grande do Sul, conhecidas como os pampas gaúchos, e o Pantanal mato-grossense. Ele chegou a defender a criação do Código da Biodiversidade para contemplar a preservação das espécies animais e vegetais.

Além de dedicado estudioso de Geomorfologia, Etnologia e Antropologia, era um grande conhecedor da cultura árabe. Sobre as recentes manifestações populares que passaram a ser conhecidas como Primavera Árabe, disse: “Eles deram o primeiro passo com a Primavera Árabe, porém não se preparam para a pós-revolução. Isto está longe de acabar”.

Biografia

Nascido em São Luís do Paraitinga, em 24 de outubro de 1924, era filho de libanês com brasileira. Aziz Ab’saber relembrou recentemente, em entrevista ao Instituto da Cultura Árabe (ICArabe), onde também era presidente de honra, a trajetória da vida de sua família, suas viagens e seu interesse por conhecimentos, em especial, a Geografia. Na página do ICArabe é possível encontrar as duas primeiras partes da entrevista.

Aziz entrou na universidade em 1940 e formou-se Bacharel em História e Geografia licenciado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Posteriormente, tornou-se Doutor em Geografia Física pela USP.

“Logo que passei no vestibular participei de uma excursão de campo, enquanto todos conversavam, eu bebia àquela paisagem, e fazia inúmeras anotações. Foi aí que descobri que me interessaria muito mais pela Geografia do que pela História”, relembrou o estudioso.

Veja a participação de Aziz Ab'Saber no programa Roda Viva, quando ele foi um dos três representantes da Academia Brasileiros de Ciências na conferências das Nações Unidas, a Rio 92:





Com SBPC e ICarabe

Aziz Ab´Saber

FFLCH » USP Imagens - Banco de imagens da USP
Paulo Vinícius Silva

Estive duas vezes com Aziz Ab´Saber. A primeira, na 50ª edição da SBPC em Natal-RN, em 1998. Ele chegou, tão gentil e querido, com uma coxinha na mão e um guaraná na outra - era seu almoço, pedindo para sentar na mesa em que estávamos eu e quem então namorava, porque estava lotado o restaurante. Loteria. Eu acho que, no máximo, tinha concluído o 1º semestre das Ciências Sociais na UFC. Fiquei encantado com sua candura, sua simplicidade, tão gente boa!

Depois, acho que já em 2003, na UNE, em São Paulo, tive a honra de dividir com ele uma mesa de debate, na USP. Na ida, chocara-me o fato de um estudante bicho-grilo de geografia de quem me aproximara no ônibus para trocar uma ideia, dar-me uma informação sobre o local, tinha me dito, ao entrar no campus, que agora podia me "deliciar" porque adentrava no campus da USP... Perguntei-lhe se conhecia o campus da UFMG, da UFRN etc... Pensei cá comigo, então: se esse é o bicho-grilo, avalie o que o cearense aqui há de enfrentar no debate...

Mas era o Aziz. Outra vez pude escutá-lo, sentado ao lado, fazendo aquelas lindas descrições do Brasil, os olhos semicerrados e as palavras a descrever as regiões, os biomas, uma coisa poética, dulcíssima, uma fala de um patriota, e a mesma despretensão pungente, a cordialidade do debate sem um argumento de autoridade. E sua decepção pelos limites que o novo ciclo político já demonstrava dolorosamente à esquerda que nele apostara. Doído estava o Aziz, é preciso que o diga. Isso no entanto não o impediu de ser de uma generosidade total, que invejo até hoje, e que mostrava a sua grandeza e a de tantos intelectuais que honraram e honram o Brasil por seu amor a esse país, e que são a antítese do bicho-grilo que tão mal me impressionara. E o jeito dele tocava a todos, era uma espécie de luz, foi ótimo, foi lindo. Mais um dos momentos transcendentes de que não tenho uma foto sequer, mas que dão sentido à caminhada.

Sua partida, aos 87 anos, tendo trabalhado até a véspera, produzindo uma memória de sua obra, ilustra a sua entrega e a necessidade imperiosa de que se o homenageie devidamente, compilando sua obra, propagando seu exemplo de ternura, de patriotismo, de amor pelo Brasil e seu povo. Pensava o grande, o país, o povo, era um gigante. Dá medidas ao que deveríamos aspirar a construir - quanto à ousadia, à determinação e à profundidade que se impôs na sua produção - e de como (se bem sucedidos) portar-se diante dos jovens - com aquela sincera, despretensiosa e amável modéstia.

E ele, postado diante de nós, meninos, brindava-nos indistintamente com o seu melhor, o mais importante, com uma sinceridade e um desprendimento que era muito mais que aula, palestra, verdadeiro gesto de amor através da Ciência. O Brasil perde muito, ele fará falta, muita falta.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Edição Nº 42 - Quinta-feira, 15 de Março de 2012 
Partido Vivo
Semana de comemorações dos 90 anos

O Partido Comunista do Brasil no Distrito Federal está empenhado em organizar as atividades comemorativas  dos 90 anos da nossa gloriosa organização política e  desejamos através deste singelo informe chamar a atenção de todas e todos sobre algumas iniciativas importantes.
1) SESSÃO SOLENE NO SENADO FEDERAL – No dia 26 de março às 17:00 horas no plenário do Senado será realizada sessão solene com a presença da Presidente Dilma e do Presidente Renato Rabelo. Desejamos que todos mobilizem a militância para conseguirmos lotar o auditório do Senado Federal. Será disponibilizado transporte para as cidades.

Partido Vivo
Jantar com show, alegria e combatividade

No dia 26 de março, às 19h30, no Centro de Tradições Gaúchas no Setor de Clubes Sul, será realizado jantar festivo com a presença da nossa bancada de parlamentares, membros da direção nacional do Partido e quadros de diversos estados. Haverá show da banda Coisa Nossa. O ingresso é R$ 25,00. Solicitamos o empenho na mobilização das bases para este evento.
Com o objetivo de fortalecer financeiramente, o Partido está vendendo bônus.
a) Bônus de R$ 100,00 DANDO DIREITO A UM CONVITE PARA O JANTAR;
b) Bônus de R$ 500,00 DANDO DIREITO A DOIS CONVITES PARA O JANTAR;
c) Bônus de R$ 1.000,00 DANDO DIREITO A QUATRO CONVITES PARA O JANTAR

Partido Vivo
Exposição iconográfica do PCdoB na Câmara

Como parte das comemorações por seus 90 anos, o Partido Comunista do Brasil realiza na Câmara dos Deputados (DF), entre os dias 19 e 30 de março de 2012, exposição reunindo textos, fotos, áudios e vídeos que narram os principais fatos da história de sua organização.
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Partido Vivo
I Encontro Internacionalista do PCdoB

O PCdoB-DF realiza nessa sexta, 16/03, às 14h00, o seu I Encontro Internacionalista. Uma oportunidasde de formação e de qualificação de nossa ação nessa área no contexto esecial do Distrito Federal.Será das 14h às 18h no Comitê Regional do PCdoB-DF, no CONIC, Ed. Venâncio Júnior, Bloco M, sala 102. Participe!

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Cultura
"As Capas Desta História" chega a Brasília

O Ministério da Cultura, o Instituto Vladimir Herzog e a Secretaria de Direitos Humanos lançam em Brasília, no Carpe Diem da 104 Sul, dia 14 de março, às 19h, livro que resgata a imprensa que lutou contra a ditadura no Brasil.

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Sindicalismo
1º Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB será no DF

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) vai realizar entre os dias 30 e 31 de março o "Primeiro Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB", em Brasília. Serão cerca de 150 dirigentes da CTB entre mulheres da direção nacional, secretarias de mulheres dos 26 estados e Distrito Federal, secretarias de mulheres e presidentas dos sindicatos e federações filiados e dos núcleos, que irão debater eixos de lutas e estratégias que girem em torno do "Desenvolvimento, Autonomia e Igualdade".


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Partido Vivo
PCdoB recebe Maria Prestes para palestra

Messias com Maria e a família Prestes
Maria Prestes, ou Altamira Rodrigues Sobral, seu nome original, é filha de camponeses pernambucanos, com quem, ainda na infância, teve suas primeiras lições sobre a causa comunista. E foi na militância política juvenil que conheceu o “cavaleiro da esperança”, Luiz Carlos Prestes, com quem viveu por quarenta anos. De lá pra cá, nunca abandonou seu aprendizado e, aos 80 anos, ainda mantém viva e pulsante a convicção militante.


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Partido Vivo
Maria Prestes fala ao coração e às convicções no PCdoB-DF

Comunistas guerreiras
A sinceridade, a convicção e a simplicidade dessa mulher há 60 anos comunista comoveu e calou fundo à militância candanga que lotou o auditório do Comitê Regional do PCdoB-DF.
Leia o artigo do Paulo Vinícius, PV:


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GDF
Grandes notícias para as mulheres do DF

Olgamir, secretária de Estado da Mulher
O Dia Internacional da Mulher começou com duas grandes notícias para as mulheres do DF. A primeira foi a entrega das novas instalações da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), na EQS 204/205. O Secretária de Estado da Mulher, Olgamir Amancia representou o Governador Agnelo no ato de reinauguração, que salientou que a Polícia Civil tem sido uma importante parceiras das mulheres do DF.


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Partido Vivo
2a Conferência do PCdoB sobre a Emancipação da Mulher

A 2a Conferência Nacional do PCdoB, convocada para 18 a 20 de maio de 2012, acontece nos marcos das comemorações dos 90 anos do Partido Comunista do Brasil e dos 80 anos da conquista do voto feminino em nosso pais. Nesse contexto, refletimos que muito foi conquistado, mas ainda há muito a se conquistar.
O envolvimento do coletivo partidário – mulheres e homens - nesse debate é fundamental para o sucesso da 2ª Conferência, contribuindo assim para se avançar na elaboração teórica, no aprimoramento de nossa atuação política e fortalecimento do partido na luta pela emancipação das mulheres e na construção da equidade entre homens e mulheres.
Conclamamos o coletivo partidário a participar da Tribuna de Debates nacional, importante espaço democrático, que contribuirá no processo da 2a Conferência para a superação da subestimação do sentido estratégico da luta pela emancipação das mulheres.
A 2ª Conferência do PCdoB sobre a Emancipação da Mulher será vitoriosa na medida em que um número cada vez maior de comunistas – mulheres e homens – estiverem presentes na sua realização.


Comunicação
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quinta-feira, 15 de março de 2012

Bandos pró-ocidentais massacram mais famílias na Síria - Portal Vermelho

Bandos pró-ocidentais massacram mais famílias na Síria - Portal Vermelho

Grupos armados pró-ocidentais perpetraram um novo massacre contra famílias indefesas, desta vez na comunidade de Karm Louz, elevando a 60, entre eles crianças e mulheres, o número de civis brutalmente assassinados na província síria de Homs.


As imagens divulgadas na manhã desta quarta-feira (14) mostram cenas horríveis dos crimes cometidos na terça-feira (13) por bandos financiados e armados por potências estrangeiras, que estão sendo caçados pelas forças armadas sírias no deserto situado na região central do país, assinalaram as autoridades.

Da mesma forma que no último domingo (11) em Karm Zaytoun, onde 45 membros de famílias pobres alauitas foram baleados, os terroristas atiraram contra outras 15 pessoas em Karm Louz, entre as quais estavam uma mãe e seus quatro filhos, na sala de seu lar, ao mesmo tempo em que assaltaram e saquearam as moradias, de acordo com os meios de comunicação.

Os abomináveis atos de terror acontecem depois que o enviado especial da ONU, Kofi Annan, visitou Damasco para promover um diálogo e um arranjo político da crise na Síria. Esses crimes – segundo um funcionário público afirmou à Prensa Latina – são um insulto à missão de Annan e a qualquer outra negociação que se realize.

Na operação para caçar e deter o grupo terrorista, agentes das forças de segurança encontraram um esconderijo usado pelos bandos, onde filmavam e realizavam informes falsificados para os canais al-Jazira e al-Arabiya, que depois os repassavam aos meios de comunicação ocidentais, informou a agência de notícias SANA.

A Rede Síria de Direitos Humanos condenou o assassinato de 45 pessoas pelos grupos terroristas depois que as sequestraram e torturaram, para filmá-las e enviar a gravação a emissoras anti-sírias, com o objetivo de culpar o Exército sírio por tais atrocidades, denuncia em um comunicado essa organização.

A RSDH repudiou também que um grupo de franco-atiradores tenha feito disparos contra moradias para aterrorizar a população de Eyadat.

"Enquanto esses grupos continuam recebendo o apoio e o amparo de países como Estados Unidos, França, Reino Unido, Turquia e Estados árabes como Catar e Arábia Saudita, estarão ameaçados os direitos humanos e socavada a luta contra o terrorismo", advertiu a organização.

"Esse apoio dá aos grupos terroristas licença para prosseguir com seus crimes e violações sem respeito aos valores morais e os sentimentos humanos", conclui a nota.

Por sua vez, o Observatório Sírio pelas Vítimas da Violência e o Terrorismo, um grupo humanitário recém-criado, condenou o massacre contra famílias em Homs.

O Observatório enfatizou que tais crimes são "uma clara evidência da brutalidade do Conselho de Istambul e não deixam dúvida alguma sobre o tipo de democracia e liberdade que essa gente acredita".

Em uma mensagem, a organização assinala que esses atos brutais tiveram lugar em torno de um novo debate no Conselho de Segurança da ONU, o qual demonstra a premeditação do eixo catari-saudita no planejar, dirigir e utilizar as imagens e os atos em seus canais para fomentar a sedição e o conflito religioso na Síria.

O Observatório Sírio pelas Vítimas da Violência e o Terrorismo pede às organizações não governamentais deste país a mobilizar esforços para desmascarar os crimes do Conselho de Istambul em todos os círculos internacionais e as organizações humanitárias.

Fonte: Prensa Latina

Veja a programação dos 90 anos do PCdoB em Brasília!

1º Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB será realizado em Brasília

1º Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB será realizado em Brasília
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A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) vai realizar entre os dias 30 e 31 de março o "Primeiro Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB", em Brasília.
Serão cerca de 150 dirigentes da CTB entre mulheres da direção nacional, secretarias de mulheres dos 26 estados e Distrito Federal, secretarias de mulheres e presidentas dos sindicatos e federações filiados e dos núcleos, que irão debater eixos de lutas e estratégias que girem em torno do "Desenvolvimento, Autonomia e Igualdade".
Todos os participantes farão uma conjuntura um balanço geral da atual situação econômica do país que vem atingindo diretamente toda a classe trabalhadora. E a partir dos encaminhamentos os dirigentes da CTB irão traçar a plataforma de lutas até o final da gestão.
E para participar do debate as mulheres trabalhadoras da CTB também vão convidar para a discussão os homens e principalmente os jovens que estão ingressando na vida sindical. "É importante renovar o movimento sindical , fortalecer as estruturas e nós da CTB enxergamos um grande potencial na juventude, o encontro será um momento importante para aprofundar os laços" comenta Raimunda Gomes, a Doquinha, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.
Entre as mesas debates temas como a campanha da valorização do trabalho, autonomia política que valorizem as mulheres no trabalho, a urgência na aprovação dos projetos de lei da igualdade e articulação das proibições de abusos contra as mulheres estarão em pauta.
Esse encontro inédito organizado pela CTB com a presença de todos os estados será um momento importante de articulação e aprofundamento das bandeiras de luta da central. O dialogo direto com os estados pretende unificar ainda mais as lideranças do movimento sindical da cidade e do campo.
A participação das mulheres do campo será fundamental junto com a presença dos jovens e homens, em prol do fortalecimento das lutas travadas pelas mulheres trabalhadoras da CTB, da cidade e do campo.

Programação
Primeiro Dia - 30/03
Credenciamento : Das 09h às 18h -  Assessoria da Sec. da Mulher.
Abertura :10: h -FNMTCS/Parlamentares e CTB Nac. e CTB/DF
Conferência de abertura- Conjuntura Política 10:30h às 11:h -Márcio Pochmann
Debate : 11:h às 12:h Mesa
Intervalo p/ almoço 12:h as 14:h
Mesa 01– PL's 6653/09 e 136/11 lei da Igualdade no trabalho; 14:h as 14:30h- Dep. Alice Portugal e Sen. Inácio Arruda
Debate: 14:h as 15:30h Mesa
Mesa 02: Projeto de Lei da Reforma Politica 15:45 as 16: 15 -Dep. Luiza Erundina e Liége Rocha
Debate: 16:15 as 17:h Mesa
Mesa 03 : III Plano Nacional de Politica para as Mulheres 17h as 17:30h  -Alguém da SPM e Olgamir Amâncio
Debate: 17:30h as 18:20h Mesa
Jantar: 19:30h as 20:30h Geral
Confraternização: 22h Geral
Segundo Dia 31/03
Painel: Mulheres e jovens em sindicatos 9h às 10h - Doquinha, Lucia Maia, Paulo Vinicius e CONTAG.
Debate: 10h às 11h
Exposição: Negociação coletiva com clausulas de gênero 11h às 12h DIEESE - Lilian
Intervalo Almoço: 12h às 14h
Plenária Final:  Agenda de luta das Mulheres 14as 16h -Ailma e Marilene
Encerramento: 16h

Paula Farias - Portal CTB

Centrais se reúnem com Berzoini para discutir PL da terceirização

Centrais se reúnem com Berzoini para discutir PL da terceirização
AddThis Social Bookmark Button O presidente da CTB, Wagner Gomes, o secretário de Políticas Institucionais, Joílson Cardoso e o presidente da CTB-BA, Adilson Araújo participaram nesta quarta-feira (14), em Brasília, de reunião com o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara, para discutir o Projeto de Lei 4330/04, que versa sobre a regulamentação da terceirização no Brasil. O PL aguarda parecer na CCJC.

Presentes também na reunião a CUT, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), a Associação Latino-Americana de Juízes do Trabalho (ALJT), o Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, o Dieese e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), defenderam em uníssono a não aprovação do projeto de autoria do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), que amplia e facilita o processo de contratação de terceiros pelos empregadores, ameaçando assim os direitos trabalhistas.

“A CTB é totalmente contra o PL do Mabel, que representa uma verdadeira ameaça aos direitos conquistados pelos trabalhadores. O projeto, além de não restringir a terceirização nas atividades-meio, motiva a ampliação”, destacou Joílson Cardoso.

Os sindicalistas estão preocupados com as condições de trabalho e as desigualdades salariais e de direitos, já que os terceirizados ganham menos, têm jornadas de trabalho maiores e não gozam dos mesmos direitos assegurados aos empregados diretos.

O texto afirma ainda que, se aprovados, projetos como o PL 4330 ou seu substitutivo, de autoria do deputado Roberto Santiago (PSD-SP), agravarão essa situação, já que permitem a terceirização em atividades essenciais da empresa e defendem a responsabilidade subsidiária da contratante, ou seja, a empresa contratante só pode ser acionada na Justiça depois de esgotadas todos os meios de execução contra a contratada. Além de não garantir a isonomia de direitos entre terceirizados e empregados diretos. O objetivo dos dirigentes é barrar o andamento do projeto, até que seja designado outro relator. Atualmente o texto tem relatório do senador Roberto Santiago (PSD-SP).

"Além de precarizar os direitos dos trabalhadores, a terceirização tem enorme impacto social, uma vez que reduz salários e o terceirizado é discriminado em todos os espaços da empresa e na sociedade. Continuaremos firmes com nosso posicionamento contrário à regulamentação da terceirização de forma desenfreada”, declarou Wagner Gomes.

As entidades compõem o Fórum em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização, criado em novembro de 2011, a partir da audiência pública no TST, como estratégia de luta contra a terceirização no país.

Portal CTB
Fotos: Valcir Rosa

Dilma garante às centrais: governo não fará qualquer tipo de reforma trabalhista

Dilma garante às centrais: governo não fará qualquer tipo de reforma trabalhista
AddThis Social Bookmark Button Dirigentes das seis centrais sindicais reconhecidas pelo governo federal estiveram nesta quarta-feira (14) em Brasília, para uma série de reuniões com representantes do Executivo. No desfecho da jornada, os sindicalistas foram recebidos pela presidenta Dilma Rousseff, que durante mais de duas horas ouviu a pauta de reivindicações da classe trabalhadora (com destaque para o problema da desindustrialização) e garantiu: durante seu governo não haverá qualquer tipo de reforma trabalhista.

Para o presidente da CTB, Wagner Gomes, a reunião foi positiva, pois permitiu que o movimento sindical apresentasse diretamente à presidenta sua visão sobre os problemas que o Brasil enfrenta atualmente. “Tivemos uma atitude firme diante da presidenta, especialmente ao expormos nossa preocupação sobre a desindustrialização”, afirmou o dirigente.

A presidenta, segundo os participantes da reunião, disse estar bastante preocupada com o atual cenário econômico do país. Em 2011, a indústria nacional cresceu apenas 0,3% em relação a 2010. Nesta quarta-feira, novos dados mostraram que houve recuo na atividade industrial em oito das 14 regiões analisadas pelo IBGE.

Segundo Wagner Gomes, as centrais também foram enfáticas em relação à necessidade de o governo implementar mudanças na condução da política macroeconômica do país. Como resultado, os sindicalistas poderão conversar diretamente com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para tentar discutir de que maneira os trabalhadores podem contribuir para essa discussão. “O governo ouve o empresariado toda semana, mas ouve muito pouco os trabalhadores. Esperamos que a partir de agora essa relação seja alterada”, disse o presidente da CTB.

Novo canal de acesso

Pela manhã, antes da conversa com a presidenta, as centrais se reuniram com o ministro-chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho. Segundo Joílson Cardoso, secretário de Relações Institucionais da CTB, os dois encontros foram bastante proveitosos, pois a partir de agora os trabalhadores terão um novo canal de acesso junto ao Poder Executivo. “Ouvimos nas duas reuniões que o governo se empenhará contra quaisquer ataques aos direitos dos trabalhadores. Além disso, o ministro Gilberto Carvalho irá coordenar diretamente o diálogo que iremos ter com os demais ministros e a própria Dilma”, destacou.
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Para Adilson Araújo, presidente da CTB-BA, a retomada do diálogo entre as centrais e o governo merece destaque. “Isso é importante para que os trabalhadores também possam contribuir para esse processo de mudanças no país, exercendo um papel de protagonista. O governo precisa saber que o sindicalismo reúne uma base sólida para propor o projeto de desenvolvimento que o Brasil precisa. Temos muito a contribuir”, afirmou o dirigente.

Sem retrocessos

Ao longo da reunião com Dilma e Gilberto Carvalho, os sindicalistas expuseram a necessidade de o governo trabalhar pela regulamentação da Convenção 151 da OIT (sobre o funcionalismo público) e a favor da Convenção 158 (sobre a rotatividade). O governo foi cobrado também a respeito do fim do fator previdenciário, de uma política favorável de reajuste para os aposentados que recebem acima do salário mínimo e do reconhecimento legal do trabalho das empregadas domésticas.

No entanto, para os dirigentes da CTB, o mais importante foi ouvir de Dilma Rousseff a garantia de que o governo não permitirá qualquer tipo de reforma trabalhista. “Ao afirmar isso, ela se compromete a colocar todo o peso do Executivo contra pautas como aquela que é favorável à terceirização e também a chamada PEC 369, que não versa apenas sobre a legislação sindical, mas sobretudo sobre direitos do trabalhador”, destacou Joílson Cardoso.

Portal CTB
Fotos: Valcir Rosa