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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Os 60 anos do BNDES e seu papel no desenvolvimento - Desafios do Desenvolvimento - Revista IPEA -2012*


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2012 . Ano 9 . Edição 75 - 28/12/2012
Karen Fernandez Costa
As instituições políticas e a mediação por elas realizada entre as tendências da economia internacional e o cenário político-econômico doméstico constituem aspecto fundamental para a compreensão das potencialidades, desafios e impasses da trajetória de desenvolvimento dos países. No caso brasileiro, algumas instituições cumprem papel notável neste processo. Destaca-se no país o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição que, em 2011, concedeu R$ 139,7 bilhões em empréstimos e que neste ano chegou ao seu sexagésimo aniversário.

Fundado em 1952, a criação do BNDES ocorreu num contexto em que a tendência era fundar bancos de desenvolvimento para viabilizar a industrialização dos países periféricos. No entanto, ele se diferenciou por, ao contrário das instituições análogas, ter resistido às mudanças no contexto internacional e nacional, especialmente às reformas liberalizantes.

Em seu nascimento, a função do BNDE (à época sem o S, de Social) era a de realizar um programa de reaparelhamento e fomento das atividades de infraestrutura do país e de promover o desenvolvimento econômico. No governo JK, o BNDES foi o grande agente financeiro e o órgão chave do Plano de Metas, além de ter antecipado muitas das medidas que compuseram este plano. No pós-1964, foi reconhecido como principal instrumento de execução da política de investimento do Governo Federal e direcionou-se, já em 1968, para o setor privado nacional. No II PND, quando o Governo Geisel pretendeu intensificar o programa de substituição de importações e a empresa privada nacional passa a ser vista como prioritária pelo governo, o BNDES promovia a industrialização pesada e concebia a empresa privada nacional como foco de sua atuação.

Na década de 1980, quando estouraram no Brasil a crise da dívida e o problema da inflação, o BNDES viveu momentos de ausência de orientação política na concessão de financiamentos. No entanto, o Banco formulou uma estratégia (a Integração Competitiva) independente do Governo Federal, antecipando muitas medidas que posteriormente compuseram os Planos de Governo de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.

A Integração Competitiva tinha como pressupostos: a abertura da economia, com o objetivo de estimular a competitividade, o fim da proteção tecnológica, da reserva de mercado e da diferenciação entre capital nacional e capital estrangeiro; as privatizações, para melhorar a eficiência e liberar recursos para outros setores e a competitividade dos serviços. Havia, por trás desta plataforma, uma estratégia de desenvolvimento de médio e longo prazo.

Não foi esta a linha implementada nos governos Collor e Itamar e no primeiro mandato de FHC. Nesse último período, a instituição foi pouco capaz de pautar a agenda governamental, agiu de forma compensatória à política macroeconômica e não buscou viabilizar ou redefinir uma estratégia de desenvolvimento de médio e longo prazo.

Na segunda gestão de FHC, o BNDES instituiu fundos para incentivar pequenas empresas de base tecnológica, mas as iniciativas foram limitadas tanto do ponto de vista dos recursos despendidos como da importância e visibilidade que obtiveram no interior e fora da instituição. Nos anos 1990, o banco foi incapaz de impulsionar, junto a outros atores relevantes como, por exemplo, o Ministério do Planejamento e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a priorização de temas relacionados à política industrial e aos investimentos em infraestrutura na agenda governamental. De modo geral, agiu a reboque das prioridades da Fazenda/Banco Central e foi “estratégico” para viabilizar o que era emergencial ao governo (o ajuste fiscal, por exemplo).

A partir de 2003 e, especialmente da gestão de Luciano Coutinho no BNDES, foram retomados aspectos que permaneciam na sua agenda interna. Foi recuperada a perspectiva de formular e implementar políticas de desenvolvimento e foram elaborados planos de política industrial (Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior – PITCE e a Política de Desenvolvimento Produtivo) que traziam a perspectiva de se investir em setores estratégicos e de priorizar a inovação. Assim, o Banco, além do papel anticíclico fundamental na crise de 2008, passou a protagonizar iniciativas de incentivo à inovação, ao desenvolvimento tecnológico e a setores estratégicos.

A trajetória do BNDES permite a elucidação de aspectos fundamentais do percurso do desenvolvimento brasileiro e mostra que ele continuará a ser peça chave nos rumos do país.
___________________________________________________________________________________
Karen Fernandez Costa é Doutora em Ciência Política pela Unicamp, pesquisadora do INCT-Ineu e professora da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (EPPEN) da Unifesp.

*http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=2877:catid=28&Itemid=23

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Dilma diz que não reduz direitos trabalhistas “nem que a vaca tussa” - Agência Brasil


Agência Brasil
 
Dilma diz que não reduz direitos trabalhistas “nem que a vaca tussa”
Luana Lourenço Edição: Nádia Franco
A presidenta Dilma Rousseff, que disputa a reeleição pelo PT, afirmou hoje (17) que não fará reformas na lei trabalhista que reduzam direitos dos trabalhadores, “nem que a vaca tussa”. Segundo Dilma, o direito às férias e ao décimo terceiro salário está entre os itens que não podem ser alterados para atender a interesses de empresários.
“Eu não mudo direitos na legislação trabalhista. Férias, décimo terceiro, FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço], hora extra, isso não mudo nem que a vaca tussa”, enfatizou a candidata, em entrevista após encontro com empresários na Associação Comercial e Industrial de Campinas, no interior paulista.
Em alguns casos, segundo Dilma, é possível fazer adaptações na lei, mas sem reduzir direitos, como no caso de trabalho de jovens aprendizes em micro e pequenas empresas. A candidata lembrou que a lei determina que os empresários paguem pela formação dos aprendizes, mas, para estimular a contratação, o governo anunciou na última semana que, nesses casos, aformação será custeada com recursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

A candidata à reeleição voltou a comentar uma proposta apresentada nos últimos dias, de que, se reeleita, criará um regime tributário de transição para que micro e pequenos empresários não tenham que limitar o crescimento por medo de perder os benefícios e isenções do Simples Nacional. Dilma também se comprometeu a “acabar com a indústria da multa”, garantindo que a atuação dos fiscais tributários nas empresas de pequeno porte seja primeiro educativa, antes da aplicação da punição.
Ela reforçou o compromisso de reduzir a burocracia para os processos de abertura e, principalmente, fechamento de empresas e disse que as primeiras medidas serão anunciadas ainda neste mês. “Abrir e fechar empresas no Brasil é, de fato, um grande desafio. Temos o compromisso de assegurar que esse tempo seja reduzido, que saia de 100, para, em alguns casos, cinco dias”.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Nivaldo Santana: São Paulo está na contramão das conquistas do Brasil - PCdoB. O Partido do socialismo.

Nivaldo Santana: São Paulo está na contramão das conquistas do Brasil - PCdoB. O Partido do socialismo.

Na última sexta-feira (12), o secretário
nacional Sindical do PCdoB e candidato a vice-governador de São Paulo,
Nivaldo Santana, concedeu entrevista ao Portal Vermelho. O
comunista toca em questões importantes a serem resolvidas no estado,
como a crise hídrica e a lentidão da expansão metroviária. Segue abaixo a
íntegra da entrevista.



Laís Gouveia, da redação do Vermelho
MuriloTomaz
Nivaldo
Nivaldo Santana colocou como prioridade em sua vida a luta em defesa dos trabalhadores.


Nivaldo Santana é paulistano, filho de pais baianos que
migraram para São Paulo no pau de arara, assim como tantos outros
brasileiros, buscado uma vida melhor. Jovem, trabalhando na Sabesp,
estudando na USP e militante político desde 1974, teve que deixar de
estudar e priorizar a política no período do regime militar. Foi
presidente distrital do extinto Movimento Democrático Brasileiro (MDB),
atuou no Movimento contra a Carestia e em lutas políticas e populares.



Em 1980 ingressou nas fileiras do ainda clandestino PCdoB e foi eleito
em 1988 presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio
Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema). Em 1988, ajudou na
construção e foi membro nacional da Corrente Sindical Classista. Já em
1992 foi eleito primeiro-secretário da CUT São Paulo. O líder sindical
foi eleito deputado estadual em 1994, exercendo três mandatos, sempre
dando prioridade à luta em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras.





Nivaldo Santana, na fundação do Sintaema.



Em 2007, com a fundação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do
Brasil (CTB), foi eleito vice-presidente da Central, cargo que ocupa até
hoje. É membro do Comitê Central do PCdoB há mais de vinte anos, foi
presidente do Partido na capital e no estado de São Paulo. Há três anos
ocupa a Secretaria Sindical Nacional. Nivaldo também integra a Escola
Nacional de Formação e o Conselho da Fundação Maurício Grabois.



Portal Vermelho: O Brasil avançou nesses últimos anos de governos
progressistas. Em sua opinião, o estado de São Paulo acompanhou esse
ciclo de mudanças?



Nivaldo Santana: temos no Brasil dois grandes projetos em disputa. Um
foi derrotado nas eleições de 2002, encerrando um ciclo neoliberal,
privatista, que promovia uma abertura desenfreada da economia,
encabeçada por Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República nos
anos 1990. Esse período não trouxe desenvolvimento econômico e muito
menos justiça social. Em contrapartida, o outro projeto de país, que tem
como marco a vitória de Lula há 13 anos, representa uma nova etapa
política da vida brasileira que prevê uma ação protagonista do Estado,
incrementando o desenvolvimento econômico, promovendo a justiça social,
garantindo as liberdades democráticas, promovendo a integração
latino-americana e a defesa da soberania do nosso país. Dentro desse
contexto de bipolarização política, a compreensão é que São Paulo ficou
na contramão da história. O estado tem um PIB que representa quase um
terço da economia do país. Assim São Paulo deveria ser líder para
alavancar o crescimento econômico brasileiro, desenvolver políticas de
distribuição de renda e valorização do trabalho. Mas em todas às áreas o
governo enfrenta dificuldades. O estado perdeu o dinamismo, o elo da
história, por isso o processo de renovação e de mudanças é a melhor
opção para a população.





Nivaldo Santana, em seu mandato de deputado estadual, discursa na Alesp.



O PSDB então priorizou interesses partidários e prejudicou a chegada de programas nacionais no estado?



O PSDB e as elites possuem uma visão autossuficiente e arrogante de que
São Paulo não precisa de parcerias nacionais. Essa postura excludente
dificultou o desenvolvimento de políticas de promoção social, a melhoria
dos transportes e construção de moradias populares. A parceria dos
municípios com a união é fundamental para reverter o estado de letargia
atual e fazer com que o estado acompanhe os rumos nas conquistas que o
país obteve nos últimos 12 anos e volte a se desenvolver.



Estamos passando por um sério problema com a questão da falta d’água
no estado. A origem dessa crise é a má gestão da Sabesp ou de “São
Pedro”?




A estiagem é um fator agravante, mas a causa dessa crise foi a falta de
planejamento e de investimento por parte do governo. Como exemplo, em
agosto de 2004 a Sabesp assinou um contrato com o Departamento de Água e
Esgoto, em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), para renovar
a outorga do Sistema Cantareira. Esse contrato, que completou 10 anos
recentemente, tem alguns pré-requisitos, como a diminuição da
dependência da Sabesp do Sistema Cantareira, a realização de obras para
aumentar a captação de água em conjunto com o desenvolvimento de
políticas do uso racional da água e o estímulo a uma cultura de não
desperdício, pois o sistema de abastecimento, pelo seu envelhecimento e
falta de manutenção, perde entre 35 a 40% de toda a água tratada, é
necessário adotar a política do reuso da água não potável para a limpeza
urbana, comercial e industrial. Ocorre que a estatal, sob a gestão do
PSDB, reduziu suas ações para grupos privados, metade das ações da
Sabesp é negociada na Bolsa de São Paulo e a outra na Bolsa de Nova
York. Essas instituições impõem ações draconianas de governança
corporativa, exigem lucros crescentes, distribuição de dividendos,
gerando um conflito de interesses entre a preocupação da garantia do
abastecimento de água para toda a população em prol do interesse da
obtenção de lucros crescentes privados. É adequado que uma empresa
estatal tenha um equilíbrio econômico financeiro, o que não é aceitável é
um lucro dessa magnitude em detrimento de investimentos imprescindíveis
para a regularidade no fornecimento de água.





Candidato a vice-governador, Nivaldo Santana em campanha, dialoga com a população.



Como reverter à crise do abastecimento d’água?



Para reverter essa situação é preciso reorientar as prioridades,
realizar obras e serviços indispensáveis para o fornecimento de água
para o consumo humano e atividades econômicas. Aponta nessa direção o
programa “Água Dia e Noite”, que o nosso candidato, Alexandre Padilha,
apresentou.



O projeto consiste em um conjunto de obras e serviços que garantem o
abastecimento duradouro de água. São previstas obras emergenciais como a
ampliação do volume da represa Taiaçupeba, no Sistema Alto Tietê, que
beneficiará três milhões de moradores da Zona Leste de São Paulo, e a
transposição do Rio Pequeno para o Rio Grande, no sistema
Billings-Guarapiranga, que irá favorecer as cidades de Santo André, São
Bernado do Campo, São Caetano e Diadema (ABCD). Somam-se a isso obras
estruturantes que incluem a implantação do Sistema São Lourenço e
intervenções para a bacia do Piracicaba/Capivari/Jundiaí (PCJ).



Outros pontos do programa são: investir, no mínimo, o dobro do que
atualmente é empregado na redução de perdas de água nos sistemas de
distribuição; pagar por serviços ambientais e remunerar municípios
produtores de água; estimular as empresas para que adotem água de reuso e
de captação da chuva em seus processos de produção; agir junto com os
municípios para aumentar os índices de tratamento de esgoto; além da
adoção de uma política de bônus para quem reduzir o consumo.





Nivaldo Santana e Alexandre Padilha saem às ruas em caminhada.



Hoje o paulistano convive com um colapso do transporte em todos os
sentidos. Metrôs lotados, uma rede da CPTM sucateada e intermináveis
congestionamentos. Qual o projeto da coligação para a mobilidade urbana?




Nesse mês de setembro o metrô esta comemorando 40 anos de existência.
Dessas quatro décadas, quase metade foi sob a gestão do PSDB. Temos uma
malha metroviária em torno de 70 km, é visível que o crescimento das
linhas de metrô segue a passo de tartaruga e a demanda da população pelo
serviço aumenta a cada dia. Regiões extremamente populosas como a Vila
Brasilandia, Jardim Ângela, Taboão da Serra, ABC, precisam com urgência
de novas estações de metrô. O governo precisa ser comprometido com os
cidadãos e dar prioridade ao transporte sobre trilhos, pois é menos
poluente, mais rápido e mais prático. Além disso, é preciso reverter a
situação de sucateamento em que a CPTM se encontra.



Outra medida no sentido da mobilidade urbana é a criação do Bilhete
Único Metropolitano, que vai proporcionar 25% de desconto imediato para
quem utiliza trens urbanos intermunicipais na grande São Paulo e metrôs
da sua região metropolitana, reduzindo os gastos da população com
transporte público.



A Cidade do México iniciou a construção do seu metrô em um tempo
semelhante que São Paulo e hoje possui mais de 300 km de linhas
expandidas. Aqui na capital paulista atingimos cerca de 70 km. Esse
resultado lento na expansão metroviária é consequência da má gestão do
dinheiro público?




Ocorre a falta de investimento como fator prioritário e a causa da
lentidão da expansão do metrô foi a gestão temerária envolvendo a
questão do cartel e o desvio de dinheiro, situação que caminha sob
investigação. A não transparência no uso do dinheiro público demonstra
que os tucanos gostam muito de falar em moralidade administrativa, mas
quando os problemas atingem as suas gestões, ao invés de punir os
responsáveis, eles adotam a velha política de esconder a poeira debaixo
do tapete.



Vivemos uma situação caótica na área da saúde em São Paulo e o Alexandre
Padilha é ex-ministro da Saúde. O que o senhor e o candidato a
governador estão pensando a respeito de programas de políticas públicas
de saúde a serem implementadas no estado?



Nossa proposta é ampliar a capacidade de atendimento à população,
agilizar e humanizar as consultas, exames e todos os procedimentos
hospitalares. Para isso é necessário fortalecer o SUS e promover a maior
parceria dos municípios com a união. Além disso, o programa Mais Médicos
atende cerca de 10 milhões de pessoas que não possuem acesso ao
profissional especializado. Em um patamar superior, vamos criar o
programa Mais Médicos Especialidades, que consiste na valorização dos
médicos da rede estadual, parceria com hospitais e clínicas privadas
para ampliar vagas e o número de residências médicas para formar mais
especialistas. Além disso, vamos garantir o Samu em 100% dos municípios.
Quando ministro, Padilha aumentou a cobertura do Samu para 140 milhões
de brasileiros.







O PCdoB é o partido mais antigo do país, com uma longa trajetória de
lutas. Qual o diferencial que o militante comunista joga nesta campanha?



O PCdoB tem dado uma grande contribuição para a quarta vitória do povo e
no estado de São Paulo na coligação PT-PCdoB. Na condição de candidato a
vice-governador, considero que a indicação do Partido na chapa aumenta a
representatividade política e social do PCdoB, pois incorpora
trabalhadores, sindicalistas que dão uma dimensão social importante à
nossa chapa e serve de elemento de mobilização nas diferentes áreas de
atuação partidária. Todas as frentes estão em uma grande mobilização,
seja o movimento sindical, feminista, de juventude, comunitário, negro.
Todos estão nas ruas e nos comitês para a eleição dos nossos candidatos a
deputados estaduais, federais, para eleger Alexandre Padilha governador
e Dilma Rouseff presidenta do Brasil.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Victor Jara en Peru - 17 de julio de 1973 - Show na TV peruana

Luis Nassif Online- O assassinato do cantor Victor Jara na ditadura chilena

O assassinato do cantor Victor Jara na ditadura chilena

Do Diário da Classe
O assassinato de um cantor popular
Víctor Jara – 28.09.1932 – 15.09.1973
Grande cantor popular chileno, ele foi cruelmente assassinado nos primeiros dias da ditadura instaurada pelos militares liderados por Augusto Pinochet em 1973. O crime aconteceu no Estádio Nacional que servia de prisão para milhares de militantes. O relato chocante abaixo, que mostra a barbaridade do assassinato, foi retirado de No Olho do Furacão, do jornalista brasileiro Paulo Cannabrava, a partir de relatos de quem esteve lá.
“Em um dado momento, Victor desceu para a platéia e se aproximou de uma das portas por onde entravam os detidos. Ali topou – cara a cara – com o comandante do campo de prisioneiros que o olhou fixamente e fez o gesto mimico de quem toca violão. Victor assentiu com a cabeça, sorrindo com tristeza e ingenuidade. O militar sorriu, contente com sua descoberta..
Levaram Victor até à mesa e ordenaram que pusesse suas mãos em cima dela. Rapidamente surgiu um facão. Com um só golpe cortaram seus dedos da mão esquerda e, com outro, os da mão direita. Os dedos cairam no chão de madeira, ainda se mexendo, enquanto o corpo de Victor se movia pesadamente.
.
Depois choveram sobre ele golpes, pontapés e os gritos: ‘canta agora… canta…’, a fúria desencadeada e os insultos soezes do verdugo ante um ‘alarido coletivo’ dos detidos.
.
De improviso, Victor se levantou trabalhosamente e, com o olhar perdido, dirigiu-se às galerias do estádio… fez-se um silêncio profundo. E então gritou:
- Vamos lá, companheiros, vamos fazer a vontade do senhor comandante.
Firmou-se por alguns instantes e depois, levantando suas mãos ensanguentadas, começou a cantar em voz ansiosa o hino da Unidade Popular (Coligação de partidos de esquerda que apoiavam o governo de Allende), a que todos fizeram coro.
.
Aquele espetáculo era demasiado para os militares. Soou uma rajada e o corpo de Victor começou a se dobrar para a frente, como se fizesse uma longa e lenta reverência a seus companheiros. Depois caiu de lado e ficou ali estendido.”

Victor Jara- el derecho de vivir en paz- 1971.

Victor Jara- el derecho de vivir en paz- 1971.

no youtube

 

Quilapayun - Homenage a Salvador Allende - Chile

Allende no Estadio Nacional em 1971 - "Só me matando a balaços me impedirão de cumprir o Programa que o povo me confiou"

El último discurso de Salvador Allende - 11/09/1973 - "A História é nossa, e é feita pelos povos"

Na EBC
Leia na íntegra o último discurso do presidente chileno em português 

"Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta. Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos.

A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.
Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição."







PABLO MILANES - A SALVADOR ALLENDE EN SU COMBATE POR LA VIDA

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Luiz Carlos Antero - Votar em Dilma é avançar!

Votar em Dilma Rousseff até o atual momento foi uma obrigação cívica de quem considerava inaceitável o retrocesso, em defesa dos avanços futuros. A partir de hoje passa a representar o avanço em si.

Isso acontece a partir de um fato decisivo: a mudança de rumo e tom na campanha. Da clara desmistificação, no programa de TV, de toda a montagem da farsa da corrupção que fazia recair sobre o atual governo o desastre da impunidade em mais de cinco séculos de gestão das elites brasileiras. E que agora a corrupção é evidente porque em seu governo se investiga e pune a roubalheira. 

Mas sobretudo é marcante a aberta rejeição às posições de aliança ao sistema financeiro. Na TV, Dilma teceu duras críticas à autonomia que Marina promete ao Banco Central, que passaria a ser um instrumento de maior acumulação privada dos recursos públicos, determinando os rumos da economia e do bem estar da população. 

Agora o povo brasileiro tem o sinal claro de um projeto político distinto, que reconhece: nenhum país alcança a prosperidade refém da especulação, da agiotagem, da usura e da drenagem de seus recursos rumo ao patrimônio dos bancos. Ficou estabelecido que sua campanha não se compromete e não recebe recursos dessa fonte, como ocorre nos projetos de Marina e Aécio, reféns incondicionais da ciranda financeira.

O meu Luiz Aparecido - Rogério Siqueira

O meu Luiz Aparecido, "...OU NÃO ! COMO DIRIA O CAETANO !"

Eis que o nosso Luiz Aparecido, "partiu fora do combinado", como diria o Rolando Boldrin. Nos despedimos dele justamente num 07 de setembro, que prá mim, doravante, será o feriado de Luiz Aparecido, sim, porque entre ele e Dom Pedro I, sou mais o meu amigo highlander !!!
 

Militante comunista, cangaceiro judeu, revolucionário até o último fio de cabelo, sociólogo, compositor e poeta bissexto, bombeiro ( isso mesmo, ele também manjava muito de bombas... ), e maior especialista em capivaras de toda a "Grande Penápolis", que prá quem não sabe, e ele vivia explicando: vai de Três Lagoas-MS até Bauru-SP.

Pai de quem quisesse ser seu filho, meu camarada e amigo Aparecidinho não tombou nem à tortura, que lhe ceifou um dos rins,nem às balas da ditadura militar, uma das quais mora até hoje em seu crânio, e deve ter permanecido lá para que nunca nos esqueçamos deste período nefasto da história brasileira. Sim, amigos, se hoje estamos aqui em liberdade, também é graças ao nosso Luiz Aparecido e tantos outros militantes que deram seu sangue, sua saúde e muitos a própria vida.

Numa certa manhã, quando trabalhávamos juntos aqui em Brasília, vindo do Aeroporto, Aparecido adentra nossa sala, abre um enorme sorriso e diz : "Acabei de dar de cara com um japa que foi um dos meus torturadores !". Perguntei por que ele estava dizendo isso com tanta leveza e sorrindo, se o sujeito foi um dos que quase o mataram. Ainda com ar sorridente ele respondeu " Nos cinco segundos em que paramos frente a frente, vi o desespero no olhar dele, desespero que nunca tive quando ele me torturou !"

Dizia que era "highlander" e não iria morrer nunca... Assim como seus camaradas Cloves Wonder e Arthur De La Meza. E só hoje podemos constatar que é a pura verdade, não morrerá mesmo, e vivo está por sua trajetória revolucionária, pelo sentimento de amizade que cultivou do seu jeito, pelo seu humor ácido e certeiro.

 


Semana passada ao visitá-lo no San Marcos, me despedí dizendo que ele sairia dessa, pois já havia vencido embates piores. Ele me respondeu que iria se reerguer mesmo, e quando eu já me afastava ele completou : "ou não, como diria o Caetano".

Cada um tem o seu...Este é, e será sempre o meu Luiz Aparecido.

Rogério Siqueira 07/07/14

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O que junho (2013) prescreveu para setembro (2014)? - Ana Maria Prestes -Portal Vermelho

O que junho (2013) prescreveu para setembro (2014)? - Portal Vermelho

O que junho (2013) prescreveu para setembro (2014)? Ana Maria Prestes *

Pegue um monte de jovens inteligentes, conectados e bem intencionados moradores dos grandes centros urbanos do Brasil.
Use a grande mídia para ressoar suas justas reivindicações por melhoria da qualidade de vida - especialmente nas grandes cidades - direitos básicos e ampliação do acesso a bens de consumo.

Incentive a profusão de propostas sem ordenamento ou método de exposição, fazendo com que todas pareçam ser importantes no mesmo nível e passíveis de serem ajustadas ao sabor dos ventos. O importante é propor, sem medir consequências.

Refresque na memória da garotada o mantra anti-política e anti-partidos entoado em seus ouvidos, desde o berço, no calor da queda do muro de Berlim e ao longo da neoliberal década de 90.

Desperte o que ainda há de mais conservador nas salas de estar da família brasileira e prometa sua redenção com a extinção dos vermelhos ateus que estão ocupando o governo central.

Acene aos jovens com neologismos políticos: "democracia de alta intensidade", "Estado mobilizador" e "incidência da sociedade civil" como componentes de um programa mudancista de poder.

Escolha para representar este programa alguém que "não tenha partido", “não queira ser candidato(a)”, "não obedeça hierarquia", "não tenha programa fechado", proponha "governar com todos" e abomine os métodos leninistas de organização política e tudo que remeta à "velha política". Afinal, a “nova política” é horizontalista.

Faça-os acreditar que a “nova política” é financiada por muitos que contribuem com pouco e não por poucos que contribuem com muito. E se há os que contribuem com muito é porque são empresas ungidas por serem vocacionadas pelo “social” e o “desenvolvimento sustentável”, quase filantrópicas.

Transmita tudo ao vivo e espetacularmente pelos grandes meios de comunicação e você terá uma adesão “espontânea”, massiva, comovida e quase embriagada por algum tempo.

Nota da autora: como o tempo da política é próprio, não se sabe a durabilidade do engodo...



* Ana Maria Prestes é Doutora em Ciência Política pela UFMG. Membro do Comitê Central do PCdoB.

Dilma conclama povo brasileiro a defender o Pré-Sal e o Desenvolvimento - Programa de 06 de setembro de 2014

domingo, 7 de setembro de 2014

Morre em Brasília o jornalista comunista Luiz Aparecido - Portal Vermelho

Perdemos um seguidor ontem, o Luiz Aparecido, um camarada de luta que fará muita falta.



Luiz, estamos aqui, camarada, bandeira erguida, na luta!



Paulo Vinícius





Morre em Brasília o jornalista comunista Luiz Aparecido - Portal Vermelho
Morreu neste sábado (6), em Brasília, o jornalista Luiz Aparecido, militante revolucionário e comunista há cinco décadas. Aparecido militou na Aliança Libertadora Nacional, organização revolucionária dirigida por Carlos Marighella, na Ação Popular e, desde o início dos anos 1970, no Partido Comunista do Brasil. Durante a ditadura militar foi preso e torturado.



Aparecido militou em São Paulo, Espírito Santo, onde foi dirigente do Comitê Estadual, e Brasília. Nas fileiras comunistas, Aparecido militou em São Paulo, Espírito Santo, onde foi dirigente do Comitê Estadual, e Brasília. Em diferentes períodos, atuou na imprensa partidária, no jornal A Classe Operária e na revista Princípios. Ultimamente, era blogueiro e colaborador ativo do Portal Vermelho, como um dos responsáveis pela sucursal de Brasília. Foi durante décadas um colaborador ativo da frente de agitação e propaganda do Partido.

Cientista social e jornalista, acumulou larga experiência em veículos da imprensa nacional e em assessorias institucionais. Trabalhou nos Diários Associados de São Paulo, no grupo de revistas Manchete, no Metronews e GuaruNews de São Paulo, no Jornal de Brasília e na Câmara dos Deputados, como assessor de imprensa e parlamentar de vários deputados federais. Atuou na Secretaria de Comunicação do governo do Distrito Federal, na gestão do ex-governador Cristovam Buarque, diretor do Diário Oficial do Espírito Santo e assessor especial do gabinete na gestão do ex-governador Gerson Camata. Também foi ativista de campanhas eleitorais, coordenando as campanhas para governador de Max Mauro e Albuíno Azeredo, no Espírito Santo. Foi assessor da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, entre 2003 e 2008.

Aparecido foi um inquieto polemista, um combatente da luta de ideias, um incansável militante. Compreendia o Partido como instrumento da luta de classes. Nos debates ideológicos sempre defendeu a perspectiva socialista das lutas do povo brasileiro, o ideal comunista e o caráter do Partido como organização de vanguarda e de combate da classe trabalhadora.

Foi um ser humano generoso e de alegria contagiante. Bem humorado e satírico, conseguia ser boquirroto e gozador sem ofender ninguém. Viveu torrencialmente os 66 anos que completaria no próximo dia nove de setembro. Deixa saudade em todos os que o conheceram e tiveram o privilégio do seu convívio de entranhado e solidário amigo.

Natural de Penápolis (SP), deixou reservado em seu coração corintiano um espaço de honra para o time que gostava de chamar de CAP (Clube Atlético Penapolense).

Da Redação do Vermelho



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