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domingo, 16 de novembro de 2014

Entenda a demonização da Venezuela. Vídeo

Deputada Jandira Feghali (PCdoB): solidariedade às famílias Niemeyer e Prestes e denúncia do Golpismo - TV Câmara

Renato Rabelo na 4a. Reunião do CC do PCdoB: prioridade são as reformas' - Portal Vermelho

Renato Rabelo: 'A prioridade, agora, são as reformas' - Portal Vermelho

A direção do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) está reunida em São Paulo desde a última sexta-feira (14) com o objetivo de traçar a orientação partidária para o próximo período e fazer um balanço do processo eleitoral que deu a vitória à presidenta Dilma Rousseff. Renato Rabelo,
presidente nacional do partido, afirmou que "a prioridade, agora, são as reformas", durante a sua intervenção na abertura do evento.



Renato Rabelo, presidente do PCdoB discursa na 4ª Reunião do Comitê Central.


A 4ª Reunião do Comitê Central vai até a próximo domingo (16)
e analisará também os resultados eleitorais da legenda comunista, que
não foram de todo satisfatórios. Sendo assim, os dirigentes devem
debater ainda a aplicação da tática eleitoral, a atuação junto aos
movimentos de massas e o fortalecimento político, ideológico e orgânico
do PCdoB.

Acompanhe abaixo a íntegra da fala de Renato Rabelo:


Em duro e acirrado embate, de intensa polarização, numa trajetória político-eleitoral marcada por reviravoltas e surpresas, a presidenta Dilma Rousseff alcançou em 26 de outubro último a quarta vitória consecutiva do povo, com a maioria de votos da nação. Vitória histórica, inédita, dado que é o terceiro mais longo período de governo desde o segundo Reinado de Pedro II. Quando Lula
assumiu a presidência em 2003 não tínhamos no horizonte a certeza de que as forças democráticas, progressistas e de esquerda pudessem galgar umbral como esse.

A presidenta liderou a campanha do início ao final. E soube conduzir a Campanha com firmeza e sem recuos, mesmo nos momentos mais difíceis. Na verdade, ela teve de enfrentar praticamente duas eleições no pleito presidencial de 2014, contra os dois candidatos das forças conservadoras: primeiro, enfrentar e derrotar Marina Silva e, em seguida, enfrentar e derrotar Aécio Neves, já no segundo turno. Nesses dois grandes embates procurou sempre demarcar o seu compromisso com a amplíssima maioria da nação: os trabalhadores e as camadas pobres da população. E o resultado da eleição presidencial manifesta, de fato, que a maioria do povo respondeu e depositou sua confiança nesse compromisso assumido pelo governo da presidenta e reiterado por ela durante todo o processo eleitoral.

Somente assim foi possível vencer a cruzada antidemocrática, antipopular e obscurantista contra o Brasil, que já vinha desde a guerra suja que tudo fez para boicotar a realização da Copa do Mundo no Brasil com o intuito de desacreditar Dilma; as manobras especulativas da Bolsa de Valores se sucediam numa campanha aberta contra ela; a presidenta teve de confrontar uma delação premiada, medida realizada para criar um ambiente de escândalo e desgaste contra ela nos momentos mais sensíveis da campanha eleitoral; chegou-se ao cúmulo de perpetrar um golpe midiático-eleitoral-político, iniciado 48 horas antes da votação (reportagem, de capa forjada, sem provas, da revista Veja), para atingir frontalmente Dilma e Lula – as duas maiores lideranças do nosso campo
–, quando vigorava a Lei do Silêncio que antecedeu uma votação.


Pelo nível dessa aguda polarização, demarcando de forma classista mais nitidamente dois campos políticos, a vitória tem uma dimensão de grande evento histórico, abrindo caminho para um “novo ciclo de transformações” no Brasil. Foi barrada a cruzada conservadora e antidemocrática que
atingiu também seu auge, reagrupando todas as forças de direita.

Triunfou o campo democrático, progressista, popular e patriótico,conseguiu no segundo turno reunir mais amplamente a esquerda. Vitória também dessas mesmas forças políticas e classistas do mundo, mais especificamente da América Latina, demonstrando sua dimensão internacional em reforço à luta da integração latino-americana e  caribenha, à luta por uma nova ordem mundial de paz, cooperação entre as Nações, direito à soberania e ao desenvolvimento.

O ex-presidente Lula, pela elevada expressão de sua liderança política e popular, exerceu papel importante para a construção da vitória alcançada. Mas é muito importante salientar que o movimento social organizado foi decisivo nas muitas batalhas da campanha. A atuação do movimento social em geral e das organizações nas quais o PCdoB tem influência teve papel saliente, destacando-se a ação da juventude. O Partido deu também valiosa contribuição na comunicação e na luta de

ideias por meio de seu coletivo dos movimentos sociais e da cobertura ampla realizada pelo portal Vermelho. E apoiou as iniciativas do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé, e através da sua Fundação Maurício Grabois. A posição da presidenta, que demarcou à esquerda temas de fronteira ao movimento, entusiasmou a militância e a levou a uma crescente mobilização. Essa resultante é uma conquista política significativa, sobretudo depois da vitória, que vai exigir uma ação comum, sustentando e impulsionando o governo no sentido das mudanças.


Podemos afirmar que o PCdoB tem sido uma das forças construtoras dessa

quarta vitória de grande dimensão para as forças avançadas. Desde as

indicações lançadas no seu 13º Congresso, de novembro de 2013, e as
Resoluções decorrentes, o PCdoB empenhou-se e se inseriu na campanha
presidencial em todo o país e teve papel destacado na reeleição de Dilma
Rousseff – fato reconhecido pela própria presidenta.


A intensidade da ação política e maior embate dos interesses de classe
na eleição presidencial de 2014 é uma manifestação resultante de efetiva
mudança democrática e progressista desses quase 12 anos.

Dilma vem se empenhando em prosseguir o projeto político iniciado por
Lula em 2003, apesar dos limites e grandes obstáculos, numa marcha para

frente, visto que a presidenta é a que mais quem mais avançou no sentido
democrático-popular (“esticou mais a corda”). O resultado disso,
inevitavelmente, é um embate mais agudo e mais acirrado com as forças
conservadoras, a direita e seus apêndices extremistas que saem da
penumbra, a oligarquia financeira, que é o estrato dominante do sistema
capitalista contemporâneo.


Dilma deu curso à democratização da sociedade brasileira iniciada por
Lula, quando cumulativamente propiciou o surgimento de significativa
mobilidade social, reduzindo a desigualdade, diminuindo e modificando os
muitos espaços de privilégios das camadas médias altas da sociedade
brasileira: maior acesso às melhores universidades, ampliação de
oportunidades, aumento real sucessivo do salário mínimo, direitos dos
trabalhadores domésticos, transporte aéreo massivo, alcance amplo aos
centros de consumo etc.


Em resposta a tais mudanças essas camadas médias privilegiadas e
endinheiradas cresceram sua oposição e até mesmo o seu ódio contra a
presidenta. E no estrato dos círculos financeiros dominantes e
globalizados, que apoiaram ostensivamente Aécio Neves, o que
transpareceu? Seus articulistas e porta-vozes de confiança, tanto no
plano interno como no internacional, afirmam sinteticamente o seguinte:
“o que está em questão é o consenso formado há quase três décadas, sobre
como a economia deve ser gerida”. FHC consolidou esse consenso, Lula
ainda seguiu (de certo modo) o consenso. “Dilma o rompeu e é disso que
se trata a eleição de domingo” (Artigo de Cristiano Romero, no jornal Valor Econômico,
em 26/10/2014). Portanto, não é circunstancial ou conjuntural que esses

estratos sociais dominantes e intermediários – que se voltam contra a

presidenta, que detêm grande poder na mídia, na justiça, nos órgãos de

controle e policial, nas forças armadas – atuassem e aceitassem

democraticamente a perda de poder, status e privilégios.


Assim, é insofismável a lei objetiva do avanço civilizacional: quem
inviabiliza a saída de diálogo, com tolerância e pacífica para as
mudanças mais profundas na sociedade são os setores dominantes dessa
sociedade, na contemporaneidade – a sociedade capitalista. Não são as

correntes mudancistas, os trabalhadores e os contingentes populares que

inviabilizam o caminho do diálogo e da ação pacífica.

Desse modo, na nova situação se acentua uma conduta agressiva,

antidemocrática e golpista da oposição, estimulada pela votação obtida e

pela reaglutinação de suas fileiras. O PSDB apela desaforadamente ao

Tribunal Superior Eleitoral pedindo auditagem, sem nenhuma base, na

apuração da eleição presidencial. Não aceita a derrota. A minoria batida

nas urnas, conduzida pela direita, é que quer impor seu governo ao

país. Impelir o seu programa por todos os meios – dando cobertura até

aos intentos extremados da reação, que clama por uma intervenção militar

através de mobilizações de rua nos grandes centros. Tudo fazem para

desacreditar a presidenta já antes de sua posse.


Apesar das contradições e divisões entre eles, procuram sustentar a

liderança da vez, Aécio Neves, respaldado pela grande mídia, para
encabeçar um pretenso terceiro turno. Esta é uma demonstração açodada de

que eles não aceitam o resultado das urnas. E desde já estão a fim de

truncar ao máximo que a presidenta eleita governe o país, levando o
governo a um impasse econômico e político, pretendendo provocar uma

crise institucional de governo. Na operação Lava Jato eles tramam uma

tempestade contra o governo Dilma, em um vetor para a operação de
impeachment.


No curso atual, a presidenta Dilma Rousseff, com a reeleição, reforçou
sua autoridade e liderança. Mas continua a intensa luta para barrar o
seu governo ou levá-la a condescender os seus compromissos perante o
povo na campanha. Dificultá-la na composição da maioria de sua base e na
formação do seu governo. Paralisar a economia nacional num período de
convalescência de uma crise geral sistêmica. Isolá-la no cumprimento do
programa a fim de seguir a mudança e realizar as reformas, como ela
renovou no discurso da vitória na noite do dia 26. A presidenta vem
contrariando fortes pressões da mídia e do mercado. E vem reafirmando
que não realizará nenhum tarifaço, choque de gestão, ou ajuste fiscal
duro, mantendo a premissa de garantir emprego e renda para o
trabalhador, reduzindo progressivamente a inflação.


Diante disso, torna-se premente, numa ação comum, o apoio e sustentação à
presidenta Dilma de todas as forças que a elegeram para garantir-lhe o cumprimento do programa de mudança e reforma, impedindo as investidas para o retrocesso. Crescem de importância as mobilizações de rua das forças democráticas e populares.


Em suma, emerge uma nova situação, com outros componentes resultantes do

grande embate pós-eleições de 2014. É mais renhida e demarcada a luta

entre o avanço das mudanças e reformas na atual etapa e o retrocesso aos

paradigmas e pactos neoliberalizantes da década de 1990.


Vai sendo formada uma convergência no campo da esquerda e progressista

de que o Brasil começa a viver um “novo ciclo histórico de

transformação” (presidenta Dilma Rousseff), de “abertura de um novo

ciclo de mudanças” (PT), de “um novo momento de transição” (Tarso
Genro).


E se generalizam os anseios e propostas de fortalecer e ampliar a
esquerda: formação de ampla frente de esquerda, “onde movimentos
sociais, partidos, setores de partido, intelectuais, juventudes,
sindicalistas possam numa ação comum: lutar por reformas
democrático-populares”. E para “transformar o Brasil é preciso combinar

ação institucional, ação social e revolução cultural” (PT) – qualquer

semelhança conosco é mera coincidência. O PT é levado a uma posição mais

à esquerda. (Última Resolução: “Giro Histórico?”. Breno Altman)


Vejam, torna-se mais atual o que o PCdoB indicava em seu 13º Congresso,

de agregar e pôr em ação todos os que tenham afinidade e compromisso com

as bandeiras da esquerda – partidos ou setores deles, os diversos

movimentos sociais, as centrais sindicais dos trabalhadores,

personalidades, intelectuais e artistas progressistas – para respaldar e

impulsionar o governo Dilma Rousseff a realizar as reformas e cumprir

seus objetivos. Ao encontro dessas ideias e propostas já tivemos uma

experiência concreta no segundo turno da eleição presidencial, quando

essa unidade da esquerda foi determinante para impedir o retrocesso e
alcançar a vitória. E, agora, pode prosseguir de modo ainda mais
organizado e ativo na busca dessa unidade.

Portanto, o PCdoB se empenhará nesse sentido de fortalecer e ampliar a
esquerda, prestando seu apoio e sustentação à presidenta Dilma.


Ademais, consideramos que neste momento estão diante da presidenta Dilma
dois desafios que demandam solução imediata e exigem dela própria a

condução direta, apoiada em lideranças à altura dessas tarefas:


1) Constituir a efetiva maioria nas duas Casas do Congresso Nacional e
pactuar acordo que assegure à base aliada a eleição dos presidentes da
Câmara e do Senado Federal;


2) retomar o crescimento econômico, com o aumento significativo do
investimento público e privado, restabelecendo a confiança com o setor
produtivo, empresários, investidores e empreendedores interessados no
amplo desenvolvimento nacional.


Com diálogo, persistência e apoio das forças que a elegeram a presidenta
terá os meios necessários para, de forma autônoma, escolher o novo
ministro da Fazenda, que seja independente do pensamento único imposto
pela mídia monopolista e o mercado – o mantra da austeridade fiscal e
monetária, verdadeiro terror econômico –, mas comprometido, sim, com
desenvolvimento e inclusão social.


Consideramos que, na nova situação, a construção da maioria política
para sustentação do novo governo teria que contar com a participação de
um amplo Bloco de esquerda, conformação e estabilização do bloco de
centro, com base num plano político que dê conta dos objetivos
programáticos assumidos pela presidenta Dilma Rousseff.


Reformas: prioridade de governo


A presidenta tem acentuado a realização das reformas como prioridade de
seu segundo governo. O PCdoB, desde 2009, no seu Programa Socialista,

defende as reformas democráticas estruturais da maneira que se possam

superar os grandes obstáculos que entravam a abertura de nova etapa do

desenvolvimento nacional.


Na proposta de Resolução - encaminhada para discussão nesta reunião -

reafirmamos o elenco de reformas que avaliamos ser imprescindíveis.

Quero me reportar a duas delas, consideradas prioritárias: a reforma

política e a Lei da Mídia democrática.

Essas duas reformas sem dúvida são imprescindíveis para o avanço
democrático do país. Para o seu êxito se requer, segundo nosso ponto de
vista, a aglutinação do campo democrático e popular, em especial uma
convergência da esquerda a respeito da plataforma das reformas, buscar
respaldo na mobilização social, condição decisiva, e construir apoios no
âmbito do Congresso Nacional. Qualquer proposta passa por ele, outra
condição decisiva. Em resumo: mobilização popular ampla e vencer no
Congresso Nacional.

No caso da reforma política existem duas plataformas no campo
progressista – plebiscito em defesa de uma Constituinte exclusiva para
deliberar e promulgar a reforma política; e a chamada Coalizão, que
reúne mais de uma centena de entidades da sociedade, encabeçada pela OAB
e CNBB, que através da iniciativa popular defende um Projeto de Lei ao
Congresso Nacional, com um conteúdo definido, que ressalta a forma de
investimento somente da pessoa física, com base em um teto, nas
campanhas eleitorais, excluindo a forma de financiamento da pessoa
jurídica. De nossa parte temos procurado até agora construir uma
convergência entre as duas propostas. Ainda considerando que a indicação
de uma Constituinte exclusiva agora não encontraria respaldo amplo na
sociedade e no Congresso Nacional, e se tornaria uma proposta que se
situa apenas no círculo da propaganda da esquerda, sem consequência de
ação ampla e sem resultado prático viável etc. A referência para o
Partido na busca de uma convergência no campo democrático, popular e
progressista é a proposta da Coalizão.


No caso da reforma democrática da mídia existe uma unidade maior das
forças democráticas e de esquerda. A luta passa por uma nova fase em
função das posições assumidas pela presidenta Dilma acerca da
essencialidade e premência da regulação econômica da mídia do país,
constituída de monopólios e oligopólios. Como todas as reformas dependem
do Congresso Nacional, para o êxito de tal reforma democrática, somente
é viável por meio de ampla mobilização social, que congregue maiores
parcelas do povo. Mas, existem também iniciativas em curso que já podem
se tornar em ganhos iniciais e preparação para uma democratização mais
profunda dos meios de comunicação.

O resultado político do PCdoB nas eleições de 2014

Já discorremos sobre o papel protagonista e destacado do PCdoB na vitória da reeleição da presidenta Dilma Rousseff. A proposta de
Resolução encaminhada a vocês apresenta elementos básicos sobre o
resultado político-eleitoral do Partido – primeiro passo que deverá ser
aprofundado e desenvolvido. Quero agora me ater a alguns aspectos que
merecem nossa reflexão.

Do resultado eleitoral, o ponto mais alto de nossa conquista é o
destacado êxito da eleição de Flávio Dino, governador do Maranhão, feito
alcançado pela primeira vez na história do nosso Partido, numa campanha
de grande significado para esse estado e no âmbito nacional. Saúdo toda
a militância, bem como das forças progressistas e de esquerda daquele
estado, dos movimentos sociais e da militância nas redes sociais, que se
somaram à vitória alcançada nas eleições de outubro.


A eleição de Flávio Dino governador coroou o anseio do PCdoB de todo o
país, vencendo a disputa com sua própria legenda, à frente de ampla
aliança política, já no primeiro turno, obtendo a segunda marca mais
elevada do país, com 63,62% dos votos válidos. A vitória era um dos
objetivos mais expressivos alcançados pelo PCdoB de todo o país nestas
eleições, agregado às eleições proporcionais, onde também o Maranhão se
destacou com a destacada vitória da eleição de um deputado federal e 3
deputados estaduais, e mais um suplente que assume logo no início de
2015.

O êxito tem importante caráter nacional. Ele se integra à grande batalha
pela reeleição de Dilma Rousseff à presidência da República. No
Maranhão, Dilma alcançou no segundo turno praticamente 70% dos votos, a
segunda maior do país. A inédita experiência do PCdoB em encabeçar um
governo de Estado representa um desafio duro perante a realidade social
que se herdará, mas abrem uma agenda política renovada e promissora para
o Maranhão, a partir da nova correlação de forças políticas e sociais
que se estabeleceu com o resultado das urnas.


O essencial será fortalecer a elevada relação de parceria entre os novos
governos federal e estadual, no plano político e administrativo,
aprofundando os vínculos políticos de aliados históricos que são o PCdoB
e o PT, Dilma Rousseff e Flávio Dino. O Brasil e o Maranhão só têm a
ganhar com isso. Essa voz mais forte do povo maranhense nas urnas.


Também registro importante é o Partido ter alcançado a vitória para
vice-governador no Rio Grande do Norte, com Fábio Dantas. E ainda é
significativo o resultado alcançado nas eleições estaduais, com a
eleição de 25 deputados estaduais em 16 estados, 40% maior do que na de
2010 – com 13 deles eleitos em chapas próprias.

No Congresso Nacional residiu nosso maior entrave. Na eleição para o
Senado não conseguimos eleger nossa candidatura mais viável, a de
Perpétua Almeida, no Acre, perdendo uma cadeira no Senado. Foi bom o
desempenho de Ricardo Gomyde no Paraná. Entretanto, o que merece nossa
atenção maior é o refluxo acentuado de quase 1/3 na votação do Partido
para a Câmara dos Deputados. E se reduziu o número de eleitos de 15 para
10. Voltamos a um patamar menor que 2002 interrompendo um crescimento
eleitoral gradativo e contínuo, que vinha se realizando, nas ultimas 4 eleições.


Era nossa prioridade a eleição para a Câmara dos Deputados, definida num
plano que perseguia ultrapassar os 15 eleitos em 2010, tendo como
referência alcançar o patamar de 20 deputados. No decorrer da própria
campanha já vínhamos constatando a inviabilidade desse plano. E no mês
final da campanha já percebíamos a dificuldade de manter até mesmo o
número de 15 eleitos. Portanto, é um resultado que expressa um revés
considerável, que exige de nós a retirada de ensinamentos.


A Resolução já constata alguns elementos no conjunto das eleições como a
situação na qual todas as legendas da coligação nacional com Dilma
Rousseff, com exceção do PRB, reduziram sua votação e bancada federal,
diminuindo em conjunto 61 cadeiras. Ainda se deve levar em conta a
fragmentação de legendas com assento na Câmara Federal (seis a mais em
relação a 2010), que levou os demais partidos, com poucas exceções, a
reduzirem também as suas bancadas.

No caso do PCdoB, um dado considerável foi a ausência de quatro
candidatos com condições plenas de se elegerem que, por motivos
variados, ficaram de fora do pleito para a Câmara dos Deputados: Aldo
Rebelo, Manuela D’Ávila, João Ananias, Perpétua Almeida. No entanto,
assumiram mais quatro parlamentares estreantes: Orlando Silva, Aliel
Machado, Rubens Pereira, e João Derly.

No resultado eleitoral do PCdoB, se destaca que, num quadro
estratificado de forças partidárias, a eleição para governador no
Maranhão pelo Partido demonstra o deslocamento de partido grande, para
dar protagonismo eleitoral nas eleições majoritárias à legenda 65, do
PCdoB – objetivo que temos perseguido. Neste caso cumpre maior êxito.
Entretanto, o que merece a nossa mais viva atenção é o contexto
político-social e da construção partidária com o qual chegamos a esse
resultado.


Plano político-social

Pela evolução da polarização, desde o novo ciclo político aberto em
2003, entre as forças democráticas e progressistas – no governo – e as
forças conservadoras e neoliberais – na oposição –, radicalizou-se a
investida desta no embate antipetista, antiesquerda (contra o”
bolivarianismo”, no contexto latino-americano), atingindo também o
PCdoB, que sempre teve rumo e lado definidos, e tem sido alvo de ataques
diretos, por parte da mídia monopolista hegemônica, que atinge milhões
permanentemente. A nossa mídia, o nosso coletivo nas redes sociais,
atinge milhares. Compõe esse quadro a evolução da recente mobilidade
social, especificamente de novos estratos de trabalhadores nos grandes
centros urbanos, disputados pela hegemonia dos meios de comunicação da
classe dominante capitalista – estratos nos quais o Partido ainda não
encontrou as formas viáveis de liame político e cultural. Essas são

questões que merecem resposta do Partido, indo além do que temos

formulado.

Plano da construção do Partido


Em decorrência das transformações sociais no Brasil e da nova situação
após 12 anos do ciclo político aberto pelo ex-presidente Lula, a questão
determinada se relaciona com a identidade político-ideológica e
eleitoral do PCdoB. A questão primeira é o Partido reforçar a sua
identidade de partido revolucionário de esquerda, como integrante do
governo que tem a hegemonia do PT. Em última instância, se trata de como
usar meios e formas modernas para disputar política e ideologicamente,
não só pequenos círculos, mas amplas camadas dos trabalhadores e setores
populares. Começa sempre pelo fortalecimento da propaganda e
comunicação militante das ideias e do programa do Partido, e pela
atuação constante no debate de ideias candentes que está em curso no
país. É preciso atualizar a vida partidária e da organização do Partido,
desde a base à consolidação dos comitês dirigentes.


No plano eleitoral consideramos justo e atual manter a orientação de

afirmar a legenda do Partido, com disputas majoritárias; abrir-se para
novas lideranças públicas que se identifiquem com o Programa do Partido e
constituindo chapas próprias; construir redutos partidários e
eleitorais mais permanentes, mediante ação política, luta social e de
ideias fora dos períodos eleitorais; aproveitar as participações
governamentais no reforço dessa linha geral; e fortalecer-se nos grandes

centros urbanos, em especial nas capitais.

Acerca dos resultados eleitorais atuais alcançados -- partindo de uma
avaliação crítica e autocrítica -- avaliamos que a tática geral do
Partido tem se revelado justa, pelo exame do curso da luta política em
nosso país, mas pode ter havido antes e no curso dessas eleições erros
tanto de aplicação quanto de condução da nossa orientação política. Por

isto, é preciso confrontar os resultados com a tática eleitoral definida
em cada unidade da Federação, considerando-se as alianças políticas
realizadas, os acordos estabelecidos, a real mobilização partidária
efetuada com base na orientação do Partido e retirar lições das
experiências exitosas e dos revezes.

O PCdoB se encontra diante de novos e maiores desafios. A condição de
tornar realidade a missão e o grande ideal comunista passam
necessariamente por grandes, variados e crescentes embates. Temos a
convicção de que nas condições contemporâneas – aos 92 anos de sua
história -- o PCdoB está mais forjado para ser protagonista e condutor
da luta pelo avanço civilizacional, pela vitória da nova sociedade – o
socialismo.

Da redação do Portal Vermelho

sábado, 15 de novembro de 2014

Carcereiro da Casa da Morte, Camarão é encontrado pela PF - Pragmatismo Político

Carcereiro da Casa da Morte, Camarão é encontrado pela PF - Pragmatismo Político

Polícia Federal encontra Camarão, o carcereiro da Casa da Morte de Petrópolis - um dos centros de tortura mais bárbaros do regime militar. Ele foi reconhecido pela Inês Etienne Romeu, única sobrevivente do local

camarão casa da morte tortura
Antonio Waneir Pinheiro Lima, o ‘Camarão’ (Reprodução)
Das tristes lembranças que Inês Etienne Romeu carrega sobre os 96 dias de tortura a que foi submetida, uma imagem é mais presente que as outras. Ela jamais conseguiu esquecer o rosto redondo e a pele avermelhada do soldado cearense de codinome Camarão. Sentinela em uma casa no alto do morro Caxambu, em Petrópolis, na Região Serrana, o militar trabalhou em 1971 — auge da ditadura militar—naquela que ficou conhecida como a “Casa da Morte”, uma das principais estruturas do Centro de Informações do Exército (CIE) para assassinar opositores do regime.
VEJA TAMBÉM: Stuart, torturado e assassinado aos 25 anos
Inês só não conseguiu gravar com exatidão o nome do militar. “Wantuil ou Wantuir”, diz ela, desde que foi libertada da prisão em 1979. E durante mais de quatro décadas, por trás de “Camarão” estava o soldado paraquedista Antonio Waneir Pinheiro Lima, descoberto pelo jornal O DIA há três meses. “Eu reconheço”, afirmou Inês, ao verificar duas imagens do militar.
Poucas horas antes do dia em que a reportagem chegou a sua casa, Lima viajou e nunca mais retornou. Foi localizado na semana passada pelo Ministério Público Federal do Rio no Ceará. Amigos próximos confessaram que ele temia ser convocado pela Comissão Nacional da Verdade para prestar esclarecimentos sobre sua atuação na repressão. Por isso, se abrigou na casa de familiares no Nordeste.
Inês foi a única que conseguiu sobreviver à Casa da Morte. No depoimento que prestou à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ela denunciou que foi estuprada por Lima duas vezes no período em que esteve na casa. A um mês da divulgação do relatório final da CNV, a identificação do agente pode ajudar a elucidar o destino de cerca de 20 desaparecidos políticos que passaram pelo cárcere clandestino no Rio.
Entre eles, há expectativa de informações sobre um dos líderes da VAR-Palmares: Carlos Alberto Soares de Freitas, amigo de Inês e da presidenta Dilma Rousseff. De acordo com a sobrevivente, Lima confessou que Beto ou o comandante Breno, como era chamado pelos amigos e pelos colegas de militância, respectivamente, foi o primeiro prisioneiro da Casa da Morte. “Disse-me que Breno foi o primeiro terrorista que esteve preso naquela casa”, descreveu ela.
Aos 71 anos, Lima vivia até agosto deste ano uma vida modesta em Araruama, na região dos Lagos. Dividia os dias entre caminhadas à beira da lagoa e a leitura de jornais. O tênis de corrida ficava postado na garagem aberta, perto da porta de entrada. Ele é um homem que posa carrancudo. Não sorri nem nas imagens feitas por amigos em datas festivas. Na parede da sala de casa está o que restou da passagem pela tropa: o certificado de integrante da Brigada Paraquedista do Exército. Aos amigos mais próximos, Camarão dividiu o mesmo orgulho que exibiu a Inês sobre seu trabalho como segurança do presidente João Goulart antes do golpe militar. E também a cobiça que sentia ao observar a beleza da ex-­primeira-dama Maria Thereza Goulart em trajes de banho na piscina.
Camarão foi recrutado para a Casa da Morte pelo coronel reformado Paulo Malhães, falecido em abril. O oficial demonstrava intimidade com o antigo subordinado e se negou diversas vezes a fornecer a identificação do soldado. Homem de confiança de Malhães, Camarão esteve com o coronel em diversas missões importantes do Exército. Entre elas, aquela que ficou conhecida como a ‘Operação Juriti ou Medianeira’ e que teve como objetivo a captura e morte de Onofre Pinto, líder da VPR, e de outros cinco militantes em Foz do Iguaçu, no Paraná.
O soldado reformado do Exército integrou a Brigada Paraquedista e trabalhou como caseiro da Casa da Morte de Petrópolis no ano de 1971. Inês Etienne Romeu o reconheceu por meio destas imagens acima e o acusou de estupro durante o tempo em que ficou presa.

Camarão baleou pagodeiro do Grupo Molejo em 2004

A longa trajetória policialesca do soldado Antonio Wenair Pinheiro Lima não terminou quando os militares deixaram o poder. Camarão sempre foi conhecido na tropa por seus excessos com bebida, mulheres e festas — costume que impediu a ascensão de sua carreira militar.
Em 2004, Lima estava em um quarto da Pousada Veleta Flat, na Praia Seca, em Araruama, Região dos Lagos quando baleou o pagodeiro do Grupo Molejo Lúcio Francisco do Nascimento, 52 anos. Os dois que eram amigos, segundo testemunhas, acabaram discutindo e Camarão disparou quatro tiros em Nascimento: dois no tórax, um no punho e outro na coxa. O pagodeiro foi operado e sobreviveu aos ferimentos. Ele acabou acusado por tentativa de homicídio e ficou preso por 30 dias, mas depois foi absolvido.
Pouco antes de morrer, Malhães falava de Camarão com decepção ao citar as confusões envolvendo bebida. Ele contou que após as primeiras entrevistas nas quais admitiu seu trabalho na Casa da Morte em 2012, o ex-subordinado foi o único que o procurou, mas ele estava a caminho do médico. “Vem outro dia porque hoje eu estou indo ao médico e tal”, afirmou Malhães. Camarão nunca mais retornou.

Parentes querem que agente seja chamado pela Comissão da Verdade

A identificação de mais um agente desconhecido da Casa da Morte de Petrópolis reacendeu as esperanças de familiares de desaparecidos políticos. Sérgio Ferreira, primo de Carlos Alberto Soares de Freitas, considerou a descoberta “importantíssima”.
“É obrigação da Comissão Nacional da Verdade procurar essa pessoa reservadamente ou publicamente. Essa é uma novidade importante que não podemos deixar escapar. É fundamental que a CNV convoque ele ”, afirmou Ferreira.
Desaparecido na Zona Sul do Rio em fevereiro de 1971, o comandante Breno teve sua trajetória recontada no livro “Seu amigo esteve aqui”, de Cristina Chacel, em 2012.
Inês Etienne Romeu foi a única sobrevivente do centro de torturas. Ela contou que, quando esteve presa no local, foi informada por seus torturadores que Beto havia sido executado naquela casa. A dirigente da VPR também viu e conversou com Mariano Joaquim da Silva, ouviu as torturas a que foram submetidos Aluísio Palhano, Heleny Telles Guariba e Paulo de Tarso Celestino. Além disso, conforme depoimentos de militares, ao menos outros 15 desaparecidos podem ter morrido no local.
Juliana Dal Piva, O Dia

A Petrobras é patrimônio do povo brasileiro e não instrumento de golpe - Portal Vermelho

A Petrobras é patrimônio do povo brasileiro e não instrumento de golpe - Portal Vermelho

Federação Única dos Petroleiros



A Federação
Única dos Petroleiros (FUP) divulgou nota nesta sexta-feira (14) após a
Polícia Federal realizar operação que culminou na prisão do ex-diretor
de Serviços da Petrobras Renato Duque e de mais 17 pessoas, de forma
temporária e preventiva. Segundo a FUP essas denúncias de corrupção
estão diretamente relacionadas com o intenso processo de terceirização
em curso na estatal desde os anos 90 e agora exige apuração rigorosa dos
fatos. Segue nota abaixo:





Federação Única dos Petroleiros (FUP). Foto: Divulgação
Federação Única dos Petroleiros (FUP). Foto: Divulgação


A prisão nesta sexta-feira (14), de mais um ex-diretor da
Petrobras, acusado de corrupção em contratos de prestação de serviços
firmados pela empresa, reforça as cobranças da FUP de que haja a mais
rigorosa apuração dos fatos e punição exemplar de todos os que forem
responsabilizados pelos mal feitos.



Esta tem sido a postura da FUP desde o início da divulgação destas
denúncias. No entanto, apesar da gravidade dos fatos, a direção da
Petrobras segue num silêncio profundo.



Os trabalhadores e suas famílias exigem um posicionamento da empresa.
Por isso, a FUP cobrou uma audiência com a presidenta da Petrobras para
que esclareça o teor das denúncias, bem como as medidas tomadas pela
empresa para apuração e solução dos desvios de gestão que forem
comprovados. Não deve ficar pedra sobre pedra, como reiterou a
presidenta Dilma Rousseff.



A reunião com Graça Foster será no próximo dia 21. Em documento enviado à
presidenta da Petrobras, a FUP já havia ressaltado que as denúncias de
corrupção estão diretamente relacionadas com o intenso processo de
terceirização em curso na estatal desde os anos 90.



A Petrobras tem um papel estratégico para o desenvolvimento do país e,
portanto, todas as denúncias de desvios de gestão devem ser
rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes para que a Justiça possa
julgar e punir os culpados.



O que não admitimos é que a empresa continue sendo desmoralizada por
setores da sociedade que sempre tentaram enfraquecê-la e seguem fazendo
de tudo para se apropriarem de uma das maiores riquezas da nossa nação,
que é o pré-sal. Não aceitamos também que a Petrobras continue sendo
alvo de uma campanha de criminalização por setores da mídia que agem em
consonância com a oposição para tentar arquitetar um golpe que vem sendo
ensaiado desde o segundo turno da eleição presidencial.



A Petrobras é patrimônio do povo brasileiro e os petroleiros continuarão
lutando para que ela seja fortalecida cada vez mais para investir no
Brasil, gerando empregos e riquezas para o nosso país.



Apuração rigorosa dos fatos sim. Golpe não!



José Maria Rangel

Coordenador Geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Luciano Martins Costa: Delegados da PF responsáveis pela Lava Jato em grupo que lembra Comando de Caça aos Comunistas - VIoMundo

delegado
lula
POLÍCIA & BANDIDOS
De onde vêm os factoides
por Luciano Martins Costa,  no Observatório da Imprensa, 13/11/2014 , na edição 824
Não há nada mais interessante nos jornais de quinta-feira (13/11) do que a reportagem do Estado de S.Paulo revelando que os delegados federais responsáveis pela Operação Lava-Jato compunham uma espécie de comitê informal do candidato Aécio Neves à Presidência da República enquanto vazavam seletivamente para a imprensa dados do inquérito.
A repórter Julia Duailibi teve acesso a perfis restritos do Facebook, nos quais autoridades da Superintendência da Polícia Federal do Paraná agem como os mais fanáticos ativistas da polarização política que marcou a campanha eleitoral.
O texto não explica como a jornalista teve acesso ao material, nem quando, o que autoriza o leitor a considerar que o jornal podia já saber, na ocasião, que a fonte das especulações publicadas pela revista Veja na véspera da eleição era o próprio núcleo de investigações, atuando a serviço do candidato do PSDB.
Segundo o relato, praticamente todos os agentes envolvidos na apuração, inclusive o chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários e a titular da delegacia de Repressão a Crimes Financeiros e Desvios de Recursos Públicos do Paraná, onde estão os principais inquéritos da operação, agiam como cabos eleitorais na rede social.
Entre as manifestações coletadas pela repórter há xingamentos vulgares à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Lula da Silva, e elogios de todo tipo a Aécio Neves – entre eles uma página em que o ex-governador de Minas aparece em montagem de fotografias na companhia de mulheres atraentes.
Nessa página, o responsável pela Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, a quem estão vinculados os delegados empenhados na Operação Lava-Jato, escreveu: “Esse é o cara!”
Os policiais citados participam de um grupo fechado autointitulado Organização de Combate à Corrupção (OCC), cujo símbolo é uma caricatura da presidente da República com dois grandes dentes incisivos e coberta por uma faixa onde se lê: “Fora, PT!”
O conteúdo repete factoides, mitos, boatos e todo o arsenal usado durante a campanha eleitoral contra a reeleição da presidente.
Inquérito contaminado
A página inicial da organização ainda pode ser acessada (ver aqui) no Facebook, embora a participação seja exclusiva para inscritos sob convite, e apresenta a OCC como “um instituto de orientação da cidadania, da democracia, da promoção do desenvolvimento econômico e social e de outros valores universais”.
Ela remete ao blog da suposta entidade (ver aqui), onde se desenvolvem campanhas em defesa da ditadura militar, teorias conspiratórias e textos que procuram desacreditar alguns profissionais da imprensa – num deles, os autores expõem os repórteres Gustavo Uribe, da Folha de S.Paulo, e Ricardo Chapola, do Estado de S.Paulo.
A OCC tem todas as características de outra organização de extrema-direita que atuou como força auxiliar da repressão nos tempos da ditadura militar: o CCC (Comando de Caça aos Comunistas) também começou como uma entidade da sociedade civil preocupada com a defesa de supostos “valores universais” e acabou transformado em milícia terrorista, praticando ações extremas como a depredação de uma emissora de rádio, atentados a bomba e o assassinato de um padre católico no Recife.
A reportagem inclui entrevistas com especialistas em Direito Administrativo e Penal para os quais o posicionamento político de delegados na condução de uma investigação pode colocar em xeque a neutralidade e conduzir até mesmo à nulidade de um inquérito.
Alguns dos consultados citam a Operação Satiagraha, que levou à destituição e condenação do delegado federal Protógenes Queiroz por vazamento de informações sigilosas.
Como se sabe, com essa justificativa a Operação Satiagraha foi esvaziada por decisão do Supremo Tribunal Federal*, deixando livre o principal acusado, o banqueiro Daniel Dantas.
A revelação feita pelo Estado de S.Paulo e o que se pode apurar sobre os personagens dessa história compõem um escândalo dentro do escândalo da Petrobras e expõem a perigosa contaminação de toda uma superintendência regional da Polícia Federal por interesses externos ao da atividade policial, o que coloca em dúvida a qualificação de seus agentes para conduzir essa investigação, e, por consequência, de todo o noticiário que se seguiu.
Além disso, revela de onde vêm os factoides utilizados pela imprensa para exercer sua influência em questões importantes para a sociedade brasileira, como a eleição para a Presidência da República.
PS do Viomundo: Funcionários públicos detentores de informações sigilosas, em campanha eleitoral, com o poder de definir uma eleição em favor do candidato que defendem. Já imaginaram se fossem apoiadores de Dilma Rousseff fazendo isso, o escândalo que seria? Seja como for, mais uma vez ficou claro que o atual ministro da Justiça é um tremendo incompetente.
*Correção feita por comentarista: a operação foi anulada pelo STJ.
Leia também:

Revisão do superávit reafirma compromisso de Dilma com o emprego - Portal Vermelho

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A Comissão de
Consolidação da Legislação Federal e Regulamentação de Dispositivos da
Constituição aprovou nesta terça-feira (11) o relatório do senador
Romero Jucá (PMDB-RR) sobre a regulamentação do direito de greve do
servidor público. 






O texto ainda será votado pelos plenários da Câmara e do Senado; e pode sofrer alterações. 
O texto ainda será votado pelos plenários da Câmara e do Senado; e pode sofrer alterações. 


Até hoje o direito de greve dos servidores públicos, que consta da
Constituição desde 1988, não foi regulamentado, e todas as decisões
sobre legalidade ou não de greves do setor são tomadas com base em leis
correlatas.



Entre os pontos mais polêmicos da discussão está o quantitativo mínimo
de servidores que deverão atuar durante a paralisação; a definição de
quais são os serviços essenciais; a antecedência do aviso para a
deflagração da greve; e a substituição de grevistas após decisão
judicial, que, na avaliação de representantes da categoria, invalidam o
direito dos servidores públicos na prática.



Negociações permanentes



Durante a votação, Jucá modificou o texto para acatar sugestão das
centrais sindicais, garantindo mesas de negociação constantes para as
reivindicações dos servidores públicos. “Esse é um pleito antigo das
centrais”, afirmou. O senador ainda acrescentou regra para que a
participação na greve não seja critério de avaliação de desempenho,
avaliação de índices de produtividade ou justificativa de incapacidade
para desempenho da função pública.



Diante de alguns protestos de sindicalistas durante o debate, Jucá disse
que o texto é inicial, e que pode ser modificado, tanto na Câmara
quanto no Senado. “O texto pode sofrer emendas, e ainda deve ser
negociado, trata-se do ponto de partida para a discussão”, disse.



A proposta foi elaborada pela comissão que é formada por senadores e
deputados, e por isso deve ter tramitação especial. Será analisada
diretamente pelo Plenário da Câmara dos Deputados, e depois pelo
Plenário do Senado.



Serviços essenciais



Jucá acolheu sugestão dos sindicalistas de reduzir de 80% para 60% o
percentual mínimo de funcionamento dos serviços essenciais durante as
paralisações. Entre esses serviços estão as emergências de hospitais,
abastecimento de água e energia, coleta de lixo, defesa civil e controle
de tráfego aéreo, os relacionados à educação infantil e ao ensino
fundamental, à segurança pública, entre outros. Já os serviços não
essenciais deverão manter 40% do funcionamento.



O senador ainda incluiu parágrafo para suspender o porte de arma dos
servidores públicos que aderirem à greve nos serviços e atividades
essenciais, durante os atos e manifestações. Em nome do consenso, o
senador também diminuiu o intervalo mínimo entre o comunicado de greve e
a sua deflagração de 15 para 10 dias.



O texto também proíbe greve no setor público nos 60 dias que antecedem
as eleições. Para o relator, na última eleição ficou claro que uma greve
de ônibus, por exemplo, pode impedir eleitores de irem às urnas.



Da Redação em Brasília

Com Agência Senado

Aprovada regulamentação do direito de greve de servidores  - Portal Vermelho

Aprovada regulamentação do direito de greve de servidores  - Portal Vermelho



A Comissão de
Consolidação da Legislação Federal e Regulamentação de Dispositivos da
Constituição aprovou nesta terça-feira (11) o relatório do senador
Romero Jucá (PMDB-RR) sobre a regulamentação do direito de greve do
servidor público. 






O texto ainda será votado pelos plenários da Câmara e do Senado; e pode sofrer alterações. 
O texto ainda será votado pelos plenários da Câmara e do Senado; e pode sofrer alterações. 


Até hoje o direito de greve dos servidores públicos, que consta da
Constituição desde 1988, não foi regulamentado, e todas as decisões
sobre legalidade ou não de greves do setor são tomadas com base em leis
correlatas.



Entre os pontos mais polêmicos da discussão está o quantitativo mínimo
de servidores que deverão atuar durante a paralisação; a definição de
quais são os serviços essenciais; a antecedência do aviso para a
deflagração da greve; e a substituição de grevistas após decisão
judicial, que, na avaliação de representantes da categoria, invalidam o
direito dos servidores públicos na prática.



Negociações permanentes



Durante a votação, Jucá modificou o texto para acatar sugestão das
centrais sindicais, garantindo mesas de negociação constantes para as
reivindicações dos servidores públicos. “Esse é um pleito antigo das
centrais”, afirmou. O senador ainda acrescentou regra para que a
participação na greve não seja critério de avaliação de desempenho,
avaliação de índices de produtividade ou justificativa de incapacidade
para desempenho da função pública.



Diante de alguns protestos de sindicalistas durante o debate, Jucá disse
que o texto é inicial, e que pode ser modificado, tanto na Câmara
quanto no Senado. “O texto pode sofrer emendas, e ainda deve ser
negociado, trata-se do ponto de partida para a discussão”, disse.



A proposta foi elaborada pela comissão que é formada por senadores e
deputados, e por isso deve ter tramitação especial. Será analisada
diretamente pelo Plenário da Câmara dos Deputados, e depois pelo
Plenário do Senado.



Serviços essenciais



Jucá acolheu sugestão dos sindicalistas de reduzir de 80% para 60% o
percentual mínimo de funcionamento dos serviços essenciais durante as
paralisações. Entre esses serviços estão as emergências de hospitais,
abastecimento de água e energia, coleta de lixo, defesa civil e controle
de tráfego aéreo, os relacionados à educação infantil e ao ensino
fundamental, à segurança pública, entre outros. Já os serviços não
essenciais deverão manter 40% do funcionamento.



O senador ainda incluiu parágrafo para suspender o porte de arma dos
servidores públicos que aderirem à greve nos serviços e atividades
essenciais, durante os atos e manifestações. Em nome do consenso, o
senador também diminuiu o intervalo mínimo entre o comunicado de greve e
a sua deflagração de 15 para 10 dias.



O texto também proíbe greve no setor público nos 60 dias que antecedem
as eleições. Para o relator, na última eleição ficou claro que uma greve
de ônibus, por exemplo, pode impedir eleitores de irem às urnas.



Da Redação em Brasília

Com Agência Senado

Escândalo: PF da Lava-Jato fez campanha contra Dilma ! | Conversa Afiada

Escândalo: PF da Lava-Jato fez campanha contra Dilma ! | Conversa Afiada

O Conversa Afiada
reproduz impressionante reportagem da Julia Duailibi, do Estadão, que,
num país moderadamente sério, provocaria a demissão do Ministro (?) da
Justiça e do diretor-geral da Polícia Federal (que tentou impedir a
deflagração da Operação Satiagraha).

Delegados da Lava Jato exaltam Aécio e atacam PT na rede


Delegados federais da Operação Lava
Jato, força-tarefa que investiga o esquema de corrupção na Petrobrás
envolvendo empreiteiras e partidos, entre os quais o PT, usaram as redes
sociais durante a campanha eleitoral deste ano para elogiar o senador
Aécio Neves, candidato do PSDB ao Planalto, e atacar o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva e sua sucessora, Dilma Rousseff, que disputava
a reeleição.


Em manifestações feitas em perfis
fechados no Facebook aos quais o Estado teve acesso, delegados da
Superintendência da Polícia Federal do Paraná, órgão onde estão
concentradas as investigações, compartilharam propaganda eleitoral do
então candidato tucano que reproduzia reportagens com o conteúdo da
delação premiada do doleiro Alberto Youssef, segundo a qual Dilma e Lula
teriam conhecimento do esquema de desvios – o teor desses depoimentos
está sob segredo de Justiça. Os policiais ajudaram ainda a divulgar
notícias sobre o depoimento à Justiça de Paulo Roberto Costa, ex-diretor
de Abastecimento da Petrobrás, no qual disse que o PT recebia 3% do
valor de contratos superfaturados da estatal.


“Esse é o cara!!!!”, escreveu no
dia 18 de outubro o delegado Igor Romário de Paula, da Delegacia
Regional de Combate ao Crime Organizado, ao comentar uma montagem com
várias fotos de Aécio, nas quais ele aparece ao lado de diferentes
mulheres. As investigações da Lava Jato estão sendo conduzidas por
delegados vinculados a Igor de Paula. Ele responde diretamente a Rosalvo
Franco, superintende da Polícia Federal do Paraná.


(…)




Delegados da PF envolviddos nas investigações Lava Jato criticam Lula e Dilma e elogiam Aécio nas redes sociais
Delegados da PF envolvidos nas investigações Lava Jato criticam Lula e Dilma e elogiam Aécio nas redes sociais





Delegados da PF envolvidos nas investigações Lava Jato criticam Lula e Dilma e elogiam Aécio nas redes sociais

Manifestação reúne 15 mil pessoas em defesa da Reforma Política - Portal Vermelho

Manifestação reúne 15 mil pessoas em defesa da Reforma Política - Portal Vermelho

Os movimentos
sociais e os partidos de esquerda “pintaram de vermelho” a Avenida
Paulista novamente. Apesar da chuva que dificultou o percurso em
diversas regiões da cidade, mais de 15 mil pessoas participaram de uma
manifestação em defesa da Reforma Política democrática na tarde desta
quinta-feira (13) na capital paulista.




Mariana Serafini
Mais de 15 mil pessoas se reuniram na Avenida Paulista
Mais de 15 mil pessoas se reuniram na Avenida Paulista


Mas não só a luta pela Reforma Política agitou os movimentos
sociais, que também foram para a rua mostrar aos setores conservadores a
força do povo brasileiro. “Estamos na rua por mais direitos e contra a
direita”, disse um dirigente do MTST. Isso porque, há poucos dias uma
parcela ultra conservadora da sociedade se reuniu no mesmo lugar, no vão
livre do Masp, para exigir um impeachment e um golpe militar. Em
resposta o povo tomou as ruas para consolidar a vitória nas urnas.



No percurso da Avenida Paulista, os mais de 15 mil manifestantes foram
embalados pelo som alto do carro de som.. A música Da ponte pra cá, dos
Racionais, fez muitos cantarem juntos, afinal na periferia a banda toca
diferente, e esse recado também foi dado. “Não adianta querer ser tem
que ter para trocar, o mundo é diferente da ponte pra cá”, diz o refrão.




Mas diferente das manifestações que tradicionalmente percorrem apenas a
Avenida Paulista, desta vez os manifestantes decidiram mudar o percurso e
passar por uma das regiões mais ricas da capital, conhecida como
Jardins, onde o candidato Aécio Neves teve cerca de 80% dos votos. O
objetivo foi, literalmente “dançar na cara da elite”. Ao som de Asa
Branca os manifestantes dançaram na rua Jaú, em frente a um hotel de
luxo. “Estamos aqui nesta região rica para mostrar para essa elite
branca que São Paulo é uma das cidades mais nordestinas do país”.



Um misto de desprezo e simpatia tomou conta das ruas nobres de São
Paulo. Enquanto alguns moradores olhavam assustados do alto dos prédios
luxuosos, porteiros, manobristas e outros funcionários sorriam e
acenavam, alguns até aproveitaram para registrar a grande manifestação
com seus smartphones.

Para o dirigente José Bitelli, da CTB, essa manifestação foi uma
“intervenção do povo”, ao contrário da direita que pede uma intervenção
militar. Ele ressaltou a importância de os setores progressistas tomarem
as ruas para garantir os direitos já conquistados e seguir com novas
vitórias populares.



A CUT também defendeu a participação popular para garantir direitos e,
principalmente, para fortalecer a luta pela Reforma Política e outras
reformas estruturantes, entre elas as reformas urbanas e agrárias.



Os movimentos que lutam por moradia, entre eles o MTST e o FLM
compareceram em peso na manifestação, milhares de pessoas das mais
distantes ocupações fizeram questão de marcar participar da luta pela
Reforma Política. Entre as comunidades presentes estavam a Nova
Palestina e a Faixa de Gaza, reconhecidas pela resistência popular em
defesa do direito à moradia digna.

A UJS também fez questão de participar e levou sua bandeira, a reforma
da mídia. Desde a manifestação realizada em frente a Editora Abril
contra a revista Veja, a entidade vem engrossando o coro da
democratização dos meios de comunicação por acreditar que este setor é
importante no processo de conscientizar a população em defesa das demais
reformas necessárias.



O presidente municipal do PCdoB da capital paulista, Jamil Murad,
afirmou que para garantir mais mudanças e fortalecer o governo da
presidenta Dilma, os movimentos sociais devem estar nas ruas, ele vê
este momento como um “fator novo na vida politica nacional para
impulsionar as reformas estruturais democráticas”.



Ao contrário da direita que defende intervenção militar, e outros
regimes antidemocráticos, “os trabalhadores, os estudantes, as mulheres,
os partidos políticos de esquerda, os movimentos sociais, e os
patriotas que lutam por um país melhor, estão na rua pela democracia”,
explicou Jamil.



De acordo com Jamil, a direita “não sabe perder”, porque apesar da
derrota, querem impor medias governamentais como escolher o ministro da
Fazenda, e o diretor do Banco Central, além de impor o corte de gastos
com programas sociais. “Eles perderam, mas querem que a Dilma aplique a
política deles, isso é uma coisa esquizofrênica”, diz.

Já o presidente do PCdoB em Pirituba, Donizetti Cunha, classificou o
local escolhido para a manifestação como “um bom recorte, iniciar a
manifestação do vão do Mas, no mesmo lugar onde a turma do Aécio, essa
elite branca, provou que não sabe perder”. Segundo ele, o povo não está
disposto a voltar ao passado, e por isso elegeu pela quarta vez um
presidente progressista.



A manifestação contou com a participação de diversos movimentos sociais,
entre eles UJS, CUT, CTB, Ubes, UEE-SP, MTST, FLM, Coletivo Fora do
Eixo, Coletivo Rua, Levante Popular da Juventude e outros. Os
manifestantes deram o recado, uma vaia ao preconceito, à polarização do
Brasil e às medias reacionárias que os setores conservadores querem
impor.





Do Portal Vermelho,

Mariana Serafini

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

É meu dever dizer aos jovens o que é um Golpe de Estado - Portal Vermelho

É meu dever dizer aos jovens o que é um Golpe de Estado - Portal Vermelho

Há cheiro de
1964 no ar. Não apenas no Brasil, mas também nas vizinhanças. Acho então
que é chegada a hora de dar o meu depoimento. Dizer a vocês, jovens de
20, 30, 40 anos de meu Brasil, o que é de fato uma ditadura.



Por Hildegard Angel*, em seu blog





 Diretas Já!
 Diretas Já!


Se a Ditadura Militar tivesse sido contada na escola, como são a
Inconfidência Mineira e outros episódios pontuais de usurpação da
liberdade em nosso país, eu não estaria me vendo hoje obrigada a passar
sal em minhas tão raladas feridas, que jamais pararam de sangrar.



Fazer as feridas sangrarem é obrigação de cada um dos que sofreram naquele período e ainda têm voz para falar.



Alguns já se calaram para sempre. Outros, agora se calam por vontade
própria. Terceiros, por cansaço. Muitos, por desânimo. O coração tem
razões…



Eu falo e eu choro e eu me sinto um bagaço. Talvez porque a minha
consciência do sofrimento tenha pegado meio no tranco, como se eu
vivesse durante um certo tempo assim catatônica, sem prestar atenção,
caminhando como cabra cega num cenário de terror e desolação, apalpando o
ar, me guiando pela brisa. E quando, finalmente, caiu-me a venda, só vi
o vazio de minha própria cegueira.



Meu irmão, meu irmão, onde estás? Sequer o corpo jamais tivemos.



Outro dia, jantei com um casal de leais companheiros dele. Bronzeados,
risonhos, felizes. Quando falei do sofrimento que passávamos em casa, na
expectativa de saber se Tuti estaria morto ou vivo, se havia corpo ou
não, ouvi: “Ah, mas se soubessem como éramos felizes… Dormíamos de mãos
dadas e com o revólver ao lado, e éramos completamente felizes”. E se
olharam, um ao outro, completamente felizes.

Ah, meu deus, e como nós, as famílias dos que morreram, éramos e somos completamente infelizes!



A ditadura militar aboletou-se no Brasil, assentada sobre um colchão de
mentiras ardilosamente costuradas para iludir a boa fé de uma classe
média desinformada, aterrorizada por perversa lavagem cerebral da mídia,
que antevia uma “invasão vermelha”, quando o que, de fato, hoje se
sabe, navegava célere em nossa direção, era uma frota americana.



Deu-se o golpe! Os jovens universitários liberais e de esquerda não
precisavam de motivação mais convincente para reagir. Como armas, tinham
sua ideologia, os argumentos, os livros. Foram afugentados do mundo
acadêmico, proibidos de estudar, de frequentar as escolas, o saber
entrou para o índex nacional engendrado pela prepotência.



As pessoas tinham as casas invadidas, gavetas reviradas, papéis e livros
confiscados. Pessoas eram levadas na calada da noite ou sob o sol
brilhante, aos olhos da vizinhança, sem explicações nem motivo, bastava
uma denúncia, sabe-se lá por que razão ou partindo de quem, muitas para
nunca mais serem vistas ou sabidas. Ou mesmo eram mortas à luz do dia.
Ra-ta-ta-ta-tá e pronto.



E todos se calavam. A grande escuridão do Brasil. Assim são as
ditaduras. Hoje ouvimos falar dos horrores praticados na Coreia do
Norte. Aqui não foi muito diferente. O medo era igual. O obscurantismo
igual. As torturas iguais. A hipocrisia idêntica. A aceitação da
sobrevivência. Ame-me ou deixe-me. O dedurismo. Tudo igual. Em número
menor de indivíduos massacrados, mas a mesma consistência de terror, a
mesma impotência.



Falam na corrupção dos dias de hoje. Esquecem-se de falar nas de ontem.
Quando cochichavam sobre “as malas do Golbery” ou “as comissões das
turbinas”, “as compras de armamento”. Falavam, falavam, mas nada se
apurava, nada se publicava, nada se confirmava, pois não havia CPI, não
havia um Congresso de verdade, uma imprensa de verdade, uma Justiça de
verdade, um país de verdade.



E qualquer empresa, grande, média ou mínima, para conseguir se manter,
precisava obrigatoriamente ter na diretoria um militar. De qualquer
patente. Para impor respeito, abrir portas, estar imune a perseguições.
Se isso não é um tipo de aparelhamento, o que é, então? Um Brasil de
mentirinha, ao som da trilha sonora ufanista de Miguel Gustavo.



Minha família se dilacerou. Meu irmão torturado, morto, corpo não
sabido. Minha mãe assassinada, numa pantomima de acidente, só
desmascarada 22 anos depois, pelo empenho do ministro José Gregory, com a
instalação da Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos no governo
Fernando Henrique Cardoso.



Meu pai, quatro infartos e a decepção de saber que ele, estrangeiro, que
dedicou vida, esforço e economias a manter um orfanato em Minas,
criando 50 meninos brasileiros e lhes dando ofício, via o Brasil
roubar-lhe o primogênito, Stuart Edgar, somando no nome homenagens aos
seus pai e irmão, ambos pastores protestantes americanos – o irmão,
assassinado por membro louco da Ku Klux Klan. Tragédia que se repetia.



Minha irmã, enviada repentinamente para estudar nos Estados Unidos,
quando minha mãe teve a informação de que sua sala de aula, no curso de
Ciências Sociais, na PUC, seria invadida pelos militares, e foi, e os
alunos seriam presos, e foram. Até hoje, ela vive no exterior.



Barata tonta, fiquei por aí, vagando feito mariposa, em volta da
fosforescência da luz magnífica de minha profissão de colunista social,
que só me somou aplausos e muitos queridos amigos, mas também uma
insolente incompreensão de quem se arbitrou o insano direito de me
julgar por ter sobrevivido.



Outra morte dolorida foi a da atriz, minha verdadeira e apaixonada
vocação, que, logo após o assassinato de minha mãe, precisei abdicar de
ser, apesar de me ter preparado desde a infância para tal e já ter então
alcançado o espaço próprio. Intuitivamente, sabia que prosseguir
significaria uma contagem regressiva para meu próprio fim.



Hoje, vivo catando os retalhos daquele passado, como acumuladora, sem
espaço para tantos papéis, vestidos, rabiscos, memórias, tentando me
entender, encontrar, reencontrar e viver apesar de tudo, e promover
nessa plantação tosca de sofrimentos uma bela colheita: lembrar os meus
mártires e tudo de bom e de belo que fizeram pelo meu país, quer na
moda, na arte, na política, nos exemplos deixados, na História, através
do maior número de ações produtivas, efetivas e criativas que eu consiga
multiplicar.



E ainda há quem me pergunte em quê a Ditadura Militar modificou minha vida!



*Hildegard Angel é jornalista e blogueira



**O primeiro parágrafo original deste texto, que fazia referência à
possível iminente tomada do poder de um governo eleito democraticamente,
na Venezuela, foi trocado pela frase sucinta aqui vista agora, às
15h06m deste dia 24/02/2014, porque o foco principal do assunto (a
ditadura brasileira) foi desviado nos comentários. Meus ombros já são
pequenos para arcarem com a nossa tragédia. Que dirá com a da Venezuela!



*** Pelo mesmo motivo acima exposto, os comentários que se referiam à
questão na Venezuela referida no antigo primeiro parágrafo foram
retirados pois perderam o sentido no contexto. Pedindo desculpa aos
autores dos textos, muitos deles objeto de reflexão honesta e profunda, e
merecedores de serem conhecidos, mas não há motivação para mantê-los
aqui no ar. O nível de truculência a que levou a discussão não me
permite estimulá-la.



domingo, 9 de novembro de 2014

Conceição Lemes - o Mais Médicos em Novo Hamburgo: “Os médicos cubanos tocam na gente para examinar” - Blog VioMundo

Viomundo e o Mais Médicos em Novo Hamburgo

Conceição Lemes: “Os médicos cubanos tocam na gente para examinar”

publicado em 6 de novembro de 2014 às 21:04
Bolzan-0042 - _DSC6582
O secretário Luiz Carlos Bolzan e o médico cubano Antonio Betancourt fazem  a diferença. Fotos: Robson Nunes 
por Conceição Lemes
Novo Hamburgo, capital nacional do Calçado, fica a 40 km de Porto Alegre (RS).
Até o ano passado, como a maioria das cidades brasileiras, esse município gaúcho tinha falta de médicos.
Não era por escassez de recursos, mas por falta de profissionais para contratar.
Eram 160 para cuidar de 240 mil habitantes. Cobriam apenas 28% da população.
Em setembro de 2013, Novo Hamburgo recebeu os três primeiros médicos do programa Mais Médicos: duas argentinas e um brasileiro formado em Cuba.
Hoje, são 40, dos quais 29 cubanos. Os demais são dois brasileiros formados fora do país (um em Cuba e uma na Venezuela), quatro argentinos, três uruguaios, um dominicano e um venezuelano.
O doutor Antonio Betancourt Léon é um deles. Foi o primeiro médico cubano a atender na Vila Palmeira, uma das áreas mais carentes da cidade. Chegou no início de 2014.
Antes, trabalhou durante dois anos na Guiana Inglesa, num programa de Saúde da Família, parecido com o Mais Médicos, que visa à atenção básica de saúde, ou atenção primária.
Jaci da Silva Carvalho (69), Santa Emília Alves de Almeida (75 anos) e Roseline Quadros Abreu (35) são algumas das dezenas de pacientes que já passaram em consulta com ele. As três moram na Vila Palmeira.
Dona Jaci padece com uma ferida na perna, diagnosticada como úlcera varicosa, há seis anos.
– Quando começa a doer, fico louca. Me tratei no Hospital Operário. Depois, no posto de saúde Santo Afonso. Aí, faziam curativos a cada 15 dias. Não davam nenhum remédio para eu aguentar a dor na hora do curativo. Eu tinha que suportar tudo ali, no osso… Pior é que não melhorava. Eu pedia pra eles trocarem a pomada que eu usava em que casa, porque custava caro, eles não ligavam.
Dona Jaci: "Doutor Antonio tirou uma parte dos remédios que eu tomava. Não é que a minha dor no estômago está melhorando"Dona Jaci: "Doutor Antonio tirou uma parte dos remédios que eu tomava. Não é que a minha dor no estômago está melhorando"
Dona Jaci: “Doutor Antonio tirou uma parte dos remédios que eu tomava. Não é que a minha dor no estômago está melhorando?”
– Hoje em dia, estou me tratando no posto mais ali para baixo, com o doutor Antonio,  do Mais Médicos. Eles tratam a gente com mais carinho. As gurias são muito boas.
– Agora, faço curativo todo dia. Engraçado…devido ao jeito de a guria fazer o curativo, não dói tanto como antes… Estou com muita esperança de que agora vai dar certo…Ah, ia me esquecendo. Não preciso mais comprar a pomada, eles dão pra mim.
-- Se eu entendo o que o doutor Antônio fala? Entendo um pouco, sim, mas levo sempre o meu filho que entende melhor do que eu.
– Guria, tu acreditas que eu estava tomando 25 comprimidos por dia?!  Eu já nem podia mais comer de tanta dor no estômago. O doutor Antonio achou que era muito remédio. Tirou uma parte. Não é que a minha dor no estômago está melhorando?
Dona Santa Emília está muito empolgada:
– Os do Mais Médicos atendem, mesmo, bem melhor. Dão mais atenção ao que gente sente do que os outros médicos. Eu tenho diabetes, hipertensão arterial e problema de coluna, que toda pessoa velha tem…
Roseline tem quatro filhos: 15, 14, 13 e 4 anos de idade:
– Para a minha família, o atendimento está sendo ótimo. Eles examinam a gente!
– Até achei que a comunicação com eles [os médicos cubanos] iria ser difícil. Mas está muito tranquilo. Eles falam bem devagar.
– No outro posto que a gente frequentava antes, às vezes, eu chegava lá com o meu gurizinho de 4 anos com febre, dor de garganta…Os médicos nem examinavam, davam direto ampicilina [um tipo de antibiótico]!
– O meu filho de 15 anos tem muita acne, também está se tratando. O rosto estava se deformando. Ele se sentia tão mal que se fechava em casa. O resultado está bem bom.
– Um dia desses, levei o meu gurizinho. Precisa ver como eles são atenciosos. Eles examinam os olhos, a barriguinha, abrem a boca para ver como estão os dentinhos, garganta…
– A gente não tinha isso antes! Os médicos do Mais Médicos são mais humanos. Eles trabalham com gosto. Eles tocam na gente para examinar! Já os outros a gente percebe não gostam de pôr a mão na gente; às vezes nem olham para o nosso rosto.
AGENTE DE SAÚDE: “TODO MUNDO QUER SE CONSULTAR COM OS CUBANOS”
Emília, Jaci e Roseline estão entre as 215 famílias que a agente de saúde Altiva Motta dos Santos acompanha mensalmente em casa.
Atuando há cinco anos na Vila Palmeira, Altiva tem a mesma percepção das suas pacientes, como mostra esta breve entrevista que fizemos com ela:
– Como está sendo trabalhar com os médicos cubanos? 
– Muito boa. Eles são muito atenciosos. Examinam bem as pessoas. Todo mundo está gostando muito. Eles falam com calma para as pessoas entenderem.
– Algum paciente recusou ser atendido por eles?
– Nããããããão! Todo mundo quer se consultar com eles.  Não é propaganda, falo a verdade.
– O que os pacientes te contam?
– Sobre os outros médicos, era comum eu ouvir: “Fulano não examina, sicrano atende a gente em pé, até na porta; não faz isso, não faz  aquilo…”
Já sobre cubanos, eles dizem: “perguntam tudo sobre a saúde da gente, ouvem o que estamos sentindo, examinam bem, tiram a pressão, colocam a gente na maca…”
– Mudou alguma coisa?
– Melhorou bastante a adesão ao tratamento, às orientações. Os usuários estão mais felizes. E eles estando mais felizes, nós, agentes de saúde, também ficamos mais felizes.
Em casa, Dona Emília recebe a visita mensal da agente de saúde Altiva: "Os médicos do Mais Médicos dão mais atenção ao que gente sente do que os outros"
Em casa, Dona Emília recebe a visita mensal da agente de saúde Altiva: “Os médicos do Mais Médicos dão mais atenção ao que gente sente do que os outros”
DR. ANTONIO: “A GENTE TEM DE LEMBRAR QUE O PACIENTE NÃO É UMA DOENÇA”
Entrevistando o doutor Antonio, fica claro por que tanto as usuárias quanto a agente de saúde derramam-se em elogios à sua atuação.
Principais observações do médico cubano às minhas perguntas:
– Eu fico muito contente com a reação dos pacientes. O acolhimento foi muito bom.
– No início, por causa da língua diferente, tivemos algumas incongruências, mas agora a comunicação está muito boa. Além disso, a relação médico-paciente é muito, muito, muito legal!
– Eu falo devagar para eles. Ao final da consulta, pergunto se entenderam tudo. E, ainda, peço para eles repetirem pra mim.
– Nós estamos trabalhando com uma população muito pobre. Eles precisam de mais atenção e amor, nós estamos fazendo o possível para dar isso.
– A reação dos médicos brasileiros contra nós, cubanos, foi também político-ideológica e não apenas corporativa.
– Logo que cheguei, fui trabalhar com uma médica brasileira totalmente contrária ao Mais Médicos. Ela não queria saber  da gente. Mas, depois de algum tempo, mudou de opinião e me disse: “Eu gosto de trabalhar com os médicos cubanos. Vocês dão mais atenção aos pacientes e nós temos de aprender como vocês fazem isso”. Hoje somos muito bons colegas. Eu acho que com o tempo a opinião dos médicos brasileiros em relação a nós vai mudar.
– Qual a principal diferença entre a nossa escola de medicina e a brasileira?Pelo que eu detectei até agora, a nossa preconiza fazer muita clínica médica. Ensina-nos a conversar bastante com o paciente, o que é muito importante.  É, para mim, a principal diferença.
– A gente tem que lembrar que o paciente não é uma doença. Às vezes só de conversar com conosco, ele melhora. O entorno dele é quase sempre complicado e nós não podemos ignorar isso.
– Em minha modesta opinião, no Brasil, é preciso fortalecer a atenção básica à saúde.  E o primeiro contato com a população tem de ser o melhor possível. Estamos aqui para ajudar como irmãos, para que o primeiro contato da população com o sistema de saúde seja o melhor possível.
Em Novo Hamburgo, experiência inédita no país: os profissionais dos Mais Médicos usam tablet para acessar o prontuário dos pacientes e acrescentar novas informações. Doutor Antonio foi o primeiro a aprender. Nessa foto, durante a capacitação dos médicos, ele faz uma demonstração às colegas cubanas Susete Villarreal (de azul) e Ilena Isabel Cabrales (de laranja) e à uruguaia Gabriela Varini 
Em Novo Hamburgo, experiência inédita no Brasil: os profissionais dos Mais Médicos usam tablet para acessar o prontuário dos pacientes e acrescentar novas informações. Doutor Antonio foi o primeiro a aprender. Na foto, durante uma capacitação, ele faz demonstração às colegas cubanas Susete Villarreal (de blusa azul) e Ilena Isabel Cabrales (de laranja) e à uruguaia Gabriela Varini
FIM DA CONSULTA DE TRÊS MINUTOS E ASSISTÊNCIA MAIS HUMANA
Pesquisa realizada de janeiro a julho de 2014 pela Secretaria de Saúde de Novo Hamburgo com 564 usuários do programa revela o êxito do Mais Médicos junto à população: 98,6% estão satisfeitos, sendo que 90% deram-lhe notas 9 e 10.
“É o serviço público mais bem avaliado pelos usuários, supera o Samu, os correios e os bombeiros”, observa Luiz Carlos Bolzan, secretário de Saúde do município e presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Consems/ RS).
Os gestores também estão satisfeitos:
* Os médicos do programa estão oito horas por dia na comunidade.
* Têm o perfil para trabalhar com saúde da família e atenção básica.
* Se propõem a atuar em equipe e fazer visitas domiciliares.
Resultado: em Novo Hamburgo, a cobertura da assistência à população saltou de 30% para 76%.
Além disso, a pesquisa feita em Novo Hamburgo já permite detectar alguns resultados positivos Mais Médicos.
O secretário Luiz Carlos Bolzan destaca três:
1. Resgate da prática clínica e da assistência mais humana nos serviços públicos de saúde
Antes a consulta durava três a cinco minutos e se resumia à prescrição de medicamentos a partir de uma queixa, sem fazer qualquer exame clínico. Os pacientes diziam que às vezes o médico nem olhava no rosto deles.
Essa prática está sendo deixada de lado.
Agora, a consulta demora de 20, 30, 40 minutos, permitindo ao médico fazer realmente uma avaliação clínica do pacientes, discutir e prescrever o tratamento.
É justamente a clínica que permite a criação do vínculo médico-paciente.
E se isso acontece, é maior a possibilidade de o paciente seguir as recomendações e retornar à reconsulta. Consequentemente, maior possibilidade de sucesso do tratamento em relação à queixa apresentada.
2. Prescrição mais criteriosa de medicamentos
A pesquisa realizada em Novo Hamburgo revela que os profissionais do Mais Médicos dão menos remédios por receita do que fora do programa.
E quanto menos medicamentos, menor o risco de danos colaterais e maior a possibilidade de o paciente seguir o tratamento recomendado.
3. Aumento das imunizações que não fazem parte das campanhas de vacinação
Por exemplo, a vacina contra a febre amarela, recomendada para quem mora ou vai viajar para áreas de risco da infecção.
Em Novo Hamburgo, o pico coincidiu com a chegada do Mais Médicos.
Isso tem muito a ver com a maior atenção na consulta e no enfoque da prevenção de doenças. Afinal, faz parte uma consulta bem feita, o médico perguntar a todo paciente se está em dia com as vacinas.
SE AÉCIO TIVESSE SIDO ELEITO, MAIS MÉDICOS ACABARIA; IMPOSSÍVEL SEM OS CUBANOS
Não é à toa que, quando questionadas por mim, Conceição Lemes, sobre a hipótese do fim do Mais Médicos e os cubanos irem embora, Jaci, Emília e Rosilene foram taxativas: “De jeito, nenhum!”
Rosilene, mãe de quatro filhos, argumenta: “Todos nós só ganhamos com a vinda deles. Eu acho que eles deveriam ficar aqui para sempre”.
Não é o que aconteceria se Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência, tivesse ganhado as eleições.
Explico.
Em julho, durante ato, em Brasília, na Associação Médica Brasileira (AMB), quando recebeu apoio de representantes da entidade, Aécio afirmou, sob os aplausos: “Os cubanos têm prazo de validade, ficarão aqui por três anos.
O número de médicos existentes hoje no Brasil é insuficiente para atender às necessidades do país.
Novos cursos de Medicina estão sendo abertos. Porém, como a formação é demorada – 6 anos de graduação, mais 2 ou 3 de Residência Médica –, esses novos médicos só estarão disponíveis no mercado por volta de 2022.
Cuba é o único país do mundo que forma grande número de médicos. Os cubanos estão sendo fundamentais na epidemia de ebola, na África.
Consequentemente, sem os cubanos é impossível manter o Mais Médicos. Haveria um hiato entre os médicos que estão se formando aqui e as necessidades da população brasileira.
Novo Hamburgo é a prova. Sem o programa, no mínimo 12 mil consultas por mês deixariam de ser feitas, retardando  a sequência de atendimento.
Repercutiria, aliás, em todo o Rio Grande do Sul, onde 76% dos municípios aderiram aos Mais Médicos, que hoje chega a pessoas que antes não tinham acesso à assistência médica: populações rurais, indígenas, de assentamentos dos trabalhadores sem terra, quilombolas, periferias das grandes cidades, pessoas atingidas por barragens.
“O Mais Médicos está democratizando o acesso à assistência médica como nunca se viu antes no país”, avalia Bolzan.
“Contudo, por má-fé ou motivos político-ideológicos, dirigentes de entidades médicas continuam difundindo informações equivocadas. Pena que eles tenham uma visão corporativa tão limitada, a ponto de relegar a saúde da população a segundo plano.”
Em tempo 1: Convictamente. durante anos e anos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) bateram na mesma tecla: no Brasil não havia falta de médicos, mas má distribuição deles pelo país.
O Mais Médicos provou que essa afirmação era corporativista e não baseada em evidências científicas: no Brasil, os médicos estão mal distribuídos, sim, mas também faltam muitos profissionais.
O primeiro especialista a mostrar a realidade foi o professor Mílton de Arruda Martins, titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina (FMUSP), em entrevista, aqui no Viomundo.
Em tempo 2: Como repórter especializada na área de saúde há 34 anos e usuária do SUS, observo que, no Brasil, a prática da clínica médica é cada vez menos valorizada, prejudicando os pacientes. Há médicos que sequer ouvem direito as queixas dos doentes. Nesse particular,acredito eu, muitos profissionais brasileiros têm a aprender com os cubanos.
Em tempo 3: Se a presidenta Dilma Rousseff  teve a ousadia de bancar o Mais Médicos – afinal, quem precisa de assistência médica, não pode esperar a solução ideal, que é a criação da carreira de Estado –, Novo Hamburgo tem a sorte de contar com um secretário da Saúde exemplar.
Luiz Carlos Bolzan é competente, ótimo gestor, humano e ético. Além disso tudo, 100% comprometido com o SUS, ao contrário de uns e outros que se fantasiam de “susetes” para ficar bem na fita com o pessoal da saúde pública.

Direita em surto: Mamãe, tem um bolivariano embaixo da minha cama! - Com CArta Capital e Viomundo

Viomundo

publicado em 8 de novembro de 2014 às 13:51
simon-bolivar
Maldito bolivariano!
A tendência de chamar desafetos de ‘bolivariano’ conta com a ignorância alheia. O termo precisa ser mais bem definido antes de ser berrado a plenos pulmões

por Gilberto Maringoni, na CartaCapital — publicado 08/11/2014 02:30
Pronto, inventaram um novo xingamento.
Depois de comunista e terrorista de um lado e de coxinha de outro, epítetos que já entediavam a todos, a tendência do verão é chamar os desafetos de “bolivariano”.
– O que quer dizer?
– Não sei muito bem, mas tá bombando.
– Estão querendo transformar o Brasil num País bolivariano.
– Bolivariano? Transformar o Brasil na Bolívia?
– Não. Bolivariano, aquele troço do Chávez.
Aquele troço do Chávez precisa ser mais bem definido, antes que se encha a boca para berrar “bolivariano!” a plenos pulmões.
O que é ser “bolivariano”, termo que tanta repulsa causa a Gilmar Mendes, ao infatigável deputado Eduardo Cunha e aos soberbos editoriais do Estadão, que dia sim, dia não, botam o qualificativo para ralar?
O presidente venezuelano Hugo Chávez não se cansava de repetir: o ideário que movia seu governo era o legado político e histórico de Simón Bolívar (1783-1830).
O próprio nome do país foi alterado, a partir da Constituição de 1999, para República Bolivariana da Venezuela.
Chávez não foi o único a reivindicar o personagem. O nome de Bolívar foi apropriado por um sem número de lideranças e movimentos políticos na América Latina nos quase 200 anos que nos separam de sua morte.
Seus seguidores estão espalhados pelas mais diversas vertentes do espectro ideológico.
Até que ponto as apropriações de tal legado são fiéis ao pensamento original do chamado Libertador?
É difícil dizer. A “ideologia bolivariana” tem contornos vagos e imprecisos. Bolívar é possivelmente o personagem histórico mais complexo e de maior influência no imaginário político continental. Sua obra é colossal.
Além de liderar guerras de independência e de exercer influência direta em pelo menos cinco dos atuais países da região – Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia -, ele deixou vastíssima obra escrita, constituída por artigos, cartas e discursos.
Culto, refinado e viajado, Bolívar era sobretudo um intelectual de ação. Estava longe de ser um líder oriundo das classes populares.
Era destacado membro da elite criolla, brancos e mestiços de posses que, entre os séculos XVI e XIX, se opunham ao domínio espanhol em diversos países do continente.
Bolívar teve sua vida política marcada pela luta contra o colonialismo, pela república, pelo fim da escravidão e pela defesa de um sistema de educação pública, entre diversas outras iniciativas.
Tendo visitado a França por três vezes na primeira década do século XIX, foi fortemente influenciado por correntes iluministas e antiabsolutistas.

O culto a Bolívar
O historiador venezuelano Germán Carrera Damas escreveu um livro fundamental para se entender não apenas o personagem histórico, mas o Bolívar simbólico, que segue existindo.
O título é preciso: El culto a Bolívar, nunca lançado no Brasil.
Carrera Damas destaca que a admiração despertada por Bolívar em seu tempo e após sua morte não é fruto apenas de laboriosa pregação.
Os feitos que liderou repercutiram concretamente na vida de milhões de pessoas.
Não sem razão, Bolívar tornou-se objeto de culto, realizado, ao longo dos anos, com os mais diversos propósitos políticos.
Segundo outro historiador, Domingo Felipe Maza Zavala, já no governo de Eleazar López Contreras (1936-1941), na Venezuela, “o culto a Bolívar foi elevado à significação de um fundamento político”.
Através de variadas interpretações, a figura do Libertador foi reivindicada por todas as classes sociais do país como uma espécie de fator de unidade nacional ou até como símbolo da manutenção de determinada ordem.
Assim, existe um bolivarianismo conservador, traduzido na profusão das estátuas equestres disseminadas nas praças de praticamente todos os municípios venezuelanos, bem como na sacralização estática de lugares e feitos do pai da Pátria.
Essa vertente tenta esvaziar a figura de Bolívar de seu conteúdo transformador e anticolonialista, destinando-a à veneração estéril.
E há um bolivarianismo  de esquerda, que busca nas lutas contra o domínio espanhol a inspiração para ações tidas como antiimperialistas.
As duas visões envolvem um sem-número de nuances. O ideário bolivariano sempre foi elástico e flexível o bastante para permitir leituras de um lado e de outro.
O culto a Bolívar não é uma criação ficcional, fruto de um patriotismo exacerbado em alguns países. É mais do que isso.
Ele se constitui em uma necessidade histórica e em um recurso destinado a compensar o desalento causado pela frustração de uma emancipação nacional que não se completaria.
Bolívar seria o elo histórico com um ideal de soberania, liberdade e justiça. Daí sua força, tanto política, quanto como veneração quase religiosa.

A ignorância alheia

A acusação de bolivariano feita por Gilmar Mendes e outras figuras do mesmo nível parte de quem conta com a ignorância alheia.
E é bradado especialmente por aqueles que omitem um pequeno detalhe dessa história: na Venezuela, o contrário de bolivariano é uma oposição que não vacilou em patrocinar um destrambelhado golpe de Estado, em 2002, que retirou Chávez do poder por três dias e, de quebra, todas as referências a Simón Bolívar dos símbolos nacionais.
A intentona foi um fracasso e, como se sabe, desmoralizou a oposição por vários anos.
A omissão é mais do que interessada.
*Gilberto Maringoni é professor de Relações Internacionais da UFABC autor de A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez (Editora Fundação Perseu Abramo) e ex-candidato a governador de SP pelo PSOL.
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