quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Ignácio Ramonet: Pela 1ª vez, mundo vê 3 crises ao mesmo tempo

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19 DE AGOSTO DE 2008 - 14h35

Nunca havia acontecido antes. Pela primeira vez na história da economia moderna, três crises de grande amplitude – financeira, energética e alimentar – estão em conjunção, confluindo e combinando-se. Cada uma delas interage sobre as demais, agravando, de modo exponencial, a deterioração da economia real.
Por Ignacio Ramonet, do Le Monde Diplomatique


Por mais que as autoridades se esforcem em minimizar a gravidade do momento, o certo é que nos encontramos diante de um sismo econômico de magnitude inédita, cujos efeitos sociais, que mal começaram a se fazer sentir, explodirão nos próximos meses com toda a brutalidade. A numerologia não é uma ciência exata e o pior não costuma ser previsto, mas 2009 pode muito bem se parecer com o nefasto ano de 1929...

Como temíamos, a crise financeira continua aprofundando-se. Aos descalabros de prestigiosos bancos norte-americanos, como o Bear Stearns, o Merrill lynch e o gigante Citigroup, somou-se o recente desastre do lehman Brothers, quarto maior banco de negócios, que anunciou, em 9 de junho, um prejuízo trimestral de 2,8 bilhões de dólares. Como foi a primeira perda desde o lançamento de suas ações na Bolsa, em 1994, o resultado teve efeito de um terremoto financeiro, nos já violentamente traumatizados EUA.

A cada dia difundem-se notícias sobre novas quebras. Até agora, as entidades mais afetadas admitem prejuízos de quase 330 bilhões de dólares, e o Fundo Monetário Internacional estima que, para escapar da catástrofe, o sistema necessitará de cerca de 950 bilhões de dólares (o equivalente à metade do PIB do Brasil).

A crise começou nos Estados unidos, em agosto de 2007, com a desconfiança nas hipotecas de má qualidade (subprime) e propagou-se por todo o mundo. Sua capacidade de se transformar e se espraiar por meio da contaminação de complexos mecanismos financeiros faz com que se assemelhe a uma epidemia fulminante, impossível de controlar. As instituições bancárias já não emprestam dinheiro entre si. Todas desconfiam da saúde financeira de suas rivais.

Apesar das injeções maciças de liquidez efetuadas pelos grandes bancos centrais, nunca se vira uma seca tão severa de dinheiro nos mercados. E agora o maior temor de alguns é uma crise sistêmica — ou seja, que o conjunto do sistema econômico mundial entre em colapso.

Da esfera financeira, o problema passou para o conjunto da atividade econômica. De um momento para outro, as economias dos países desenvolvidos sofreram um desaquecimento. A Europa encontra-se em franca desaceleração e os Estados Unidos estão à beira da recessão.

O setor imobiliário é onde melhor aparece a dureza desse ajuste. Durante o primeiro trimestre de 2008, o número de vendas de moradias na Espanha caiu 29%! Cerca de dois milhões de apartamentos e casas estão sem compradores. O preço das propriedades continua a desmoronar.

O aumento dos juros hipotecários e os temores de uma recessão lançaram o setor numa espiral infernal, com ferozes efeitos em todas as frentes da imensa indústria da construção. Todas as empresas desses setores estão agora no olho do furacão. E assistem, impotentes, à destruição de dezenas de milhares de empregos.

Da crise financeira passamos à crise social. E políticas autoritárias voltaram a surgir. O Parlamento Europeu aprovou, em 18 de junho passado, a infame “diretiva de retorno”. Imediatamente, as autoridades espanholas declararam sua disposição em favorecer a saída da Espanha de um milhão de trabalhadores estrangeiros...

Em meio a essa situação de espanto, ocorre o terceiro choque do petróleo, com o preço do barril em torno de US$ 140. Um aumento irracional (há dez anos o barril custava menos de US$ 10) devido não apenas a uma demanda despropositada mas, especialmente, à ação de muitos especuladores, que apostam no aumento contínuo de um combustível em vias de extinção.

Retirando-se da bolha imobiliária, que desinfla, os investidores alocam somas colossais em contratos para entrega futura de petróleo, o que pode levar o preço do barril a algo em torno de US$ 200.

Ou seja: está ocorrendo uma “financeirizacão” do petróleo, com conseqüências como formidáveis aumentos de preços da gasolina, em muitos países, e a ira de pescadores, caminhoneiros, agricultores, taxistas e todos os profissionais mais afetados. Em muitos casos, eles exigem de seus governos ajudas, subsídios ou reduções dos impostos, com grandes manifestações e enfrentamentos.

Como se todo esse contexto não fosse bastante sombrio, a crise alimentar agravou-se repentinamente e chega para nos lembrar que o espectro da fome continua ameaçando quase um bilhão de pessoas. Em cerca de 40 países, a carência de alimentos provocou levantes e revoltas populares. A reunião de cúpula da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), foi incapaz, em 5 de junho, em Roma, de chegar a um consenso para retomar a produção de alimentos no mundo. Aqui também os especuladores, fugindo do desastre financeiro, têm parte de responsabilidade — porque apostam num preço elevado das futuras colheitas. Até mesmo a agricultura está se “financeirizando”.

Este é o saldo deplorável de 25 anos de neoliberalismo: três venenosas crises entrelaçadas. Já está na hora de os cidadãos gritarem: “Basta!”.

África do Sul: evento inédito propõe articulação progressista


Dois eventos realizados no último final de semana em Joanesburgo, África do Sul, marcaram a retomada da articulação de forças comunistas, aintiimperialistas, progressistas e de esquerda no continente. De 14 a 16 de agosto, teve lugar o seminário sobre democracia participativa, promovido pelo Partido Comunista da África do Sul e pelo Fórum Internacional da Esquerda da Suécia, ligado ao partido da esquerda do país nórdico. Participaram partidos, movimentos políticos e personalidades de 20 países africanos.





De outros continentes, além dos suecos, estiveram representados o Partido Comunista da Grécia, o Partido Comunista Cubano, o Partido Socialista Unido da Venezuela, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra - Via Campesina, do Brasil, e o Partido Comunista do Brasil, através do secretário de Relações Internacionais José Reinaldo Carvalho. No dia 17, domingo, desenvolveu-se uma reunião estritamente partidária com o sugestivo título ''Construindo uma rede de partidos progressistas, comunistas, de trabalhadores e de esquerda pela paz e o socialismo, contra o neocolonialismo e o imperialismo na África''.

O seminário sobre democracia participativa deu lugar a uma abrangente discussão sobre a situação internacional e a trágica realidade do continente africano. Blade Nzimande, secretário-geral do Partido Comunista da África do Sul, apresentou a intervenção de abertura, ressaltando o ineditismo da iniciativa no continente: ''Há numerosas razões pelas quais esta conferência é tão histórica e importante. Inicialmente porque é a primeira vez que se realiza uma conferência com esta natureza e que partidos progressistas e forças de esquerda de diferentes lugares se reúnem para discutir temas de interesse comum''.

O dirigente comunista sul-africano, em sintonia com a opinião corrente no movimento comunista internacional e compartilhada pelos comunistas brasileiros, destacou ''o fracasso do capitalismo em fazer face às necessidades da humanidade''. Nzimande afirmou que ''o sistema capitalista global encontra-se mergulhado numa profunda crise sistêmica, o que não quer dizer que o capitalismo se destruirá por si mesmo, ou que o futuro socialista chegará automaticamente. Significa – asseverou o dirigente sul-africano – que o capitalismo revela-se como um sistema bárbaro, sem respostas aos desafios de nossa época''.


Referindo-se à crise dos Estados Unidos, o líder do PC sul-africano apresentou uma opinião semelhante às conclusões do último congresso do PCdoB: ''Vivemos em um período, possivelmente longo, em que crescentemente os EUA perdem sua posição dominante no sistema capitalista mundial''. Sobre a posição política básica do PC da África do Sul e os problemas internacionais, Blade Nzimande declarou que o seu partido continua profundamente comprometido com a solidariedade internacional dos trabalhadores e com a construção de um forte movimento progressista mundial pela paz, oposto à guerra. Ele reafirmou também o engajamento do seu partido na construção no continente africano de um movimento progressista pela paz, a democracia e o socialismo.


Detendo-se especificamente na realidade da África, o dirigente do PC sul-africano enfatizou que a tarefa fundamental a enfrentar é levar adiante e completar a revolução nacional-democrática em todos os seus aspectos e dimensões. Nzimande relaciona a crise, a marginalização e o empobrecimento da África ao sistema imperialista global e à falência durante muitas décadas das elites locais baseadas numa agenda neocolonial, assim como à degeneração e em alguns casos o colapso de muitas revoluções nacional-democráticas levadas a cabo pelos anteriores movimentos de libertação.


Depois de ressaltar que a democracia representativa encontra-se em crise também na África e chamar a atenção para o correto equacionamento da luta democrática com a luta pelo desenvolvimento nacional e social, o dirigente do PC sul-africano destacou o papel central das massas populares e da luta de massas, assinalando que o objetivo estratégico é o futuro socialista, não apenas em tese, mas com visão prática. ''O socialismo é o futuro. Construamo-lo desde agora''.

O seminário aprovou a ''Declaração de Joanesburgo'', que ressalta entre outros tópicos que o continente africano tem sido e continua sendo arruinado pelos efeitos do neocolonialismo, da burguesia associada e do imperialismo, devastado por enfermidades curáveis, entre elas a malária e a tuberculose, pelo subdesenvolvimento, pela pobreza abjeta e precárias condições de vida que afetam a maioria das populações. Isto, num continente que é um repositório de abundantes riquezas minerais, além da biodiversidade e de recursos hídricos e que o sistema capitalista e as forças imperialistas continuam enriquecendo e fortalecendo um punhado de capitalistas, ao passo que alguns governantes corruptos continuam oprimindo o povo.


O documento declara ainda o apoio à libertação dos povos da África, da classe operária, das comunidades rurais e camponesas e chama as forças progressistas do continente e de todo o mundo na construção de um mundo livre do imperialismo e do neocolonialismo, luta pelo socialismo. Defende ainda a luta pela total emancipação da mulher do patriarcado, contra o obscurantismo religioso e a opressão; a luta pela solução do problema da posse da terra; a promoção da democracia participativa; a solidariedade com todos os povos que na África e em outros continentes sofrem sob a vigência de regimes repressivos. Coloca também a solidariedade com os povos latino-americanos em luta para construir alternativas, o apoio à revolução cubana, a luta contra o bloqueio e pela libertação dos cinco patriotas presos nos Estados Unidos.


Nova articulação


Finalizado o seminário, os partidos de esquerda presentes em Joanesburgo reuniram-se para criar a rede de partidos progressistas, comunistas, de trabalhadores e de esquerda da África. Falaram sobre as realidades de seus países e os problemas regionais e internacionais os seguintes partidos: Partido Comunista da África do Sul, Frente Nacional de Botswana, Partido Comunista do Egito, Partido Social Democrático de Quênia, Partido Comunista de Lesoto, Partido Democrático Progressista de Malawi, Forças Democráticas Unificadas de Ruanda, Partido Comunista do Sudão, Movimento Democrático Popular Unificado da Suazilândia, Núcleo Socialista Campala de Uganda, Frente Polisário do Sahara Ocidental, Movimento Progressista de Zâmbia, além do Partido de Esquerda as Suécia e do Partido Comunista da Grécia, da Europa e do Partido Comunista de Cuba e do Partido Comunista do Brasil da América Latina.



A reunião decidiu criar o Centro Africano de Informação e Comunicação de Esquerda como um fórum de debates e um sítio de Internet e convocar uma Conferência anual das forças comunistas e progressistas para o debate de temas políticos e ideológicos.
PCdoB saúda a África


Para o dirigente do PCdoB, José Reinaldo Carvalho, ''o acerto da decisão dos camaradas sul-africanos ao realizarem estas atividades fica evidente quando observamos os principais traços da realidade internacional – aprofundamento da crise sistêmica do capitalismo; agravamento das contradições sociais, nacionais e interimperialistas; imposição de políticas neoliberais e neocolonialistas aos países dependentes, intensificação do militarismo e da política de guerra do imperialismo; violação do direito internacional e falência do sistema multilateral.


O dirigente do PCdoB, além de participar dos mencionados eventos, dedicou-se às reuniões bilaterais com os partidos presentes e visitou importantes marcos da luta democrática do povo sul-africano: o Museu do Apartheid e a Praça da Constituição. Retorna ao Brasil nesta segunda-feira,18, impactado pela marcante experiência de reunir-se com revolucionários no continente africano. ''Devo dizer que para os comunistas brasileiros foi um aprendizado escutar tão profundas e abrangentes discussões e intervenções, o que muito enriquece a nossa experiência.



Além do mais, estar na África revolve os nossos sentimentos. Na África estamos em nosso berço, no convívio com os africanos é como se voltássemos às nossas origens, pois aqui vive a mãe de nosso povo, a Mama África. Nos povos africanos encontramos parte importante dos fundamentos da civilização brasileira, pelo que somos e seremos eternamente gratos'', afirmou.



Da Redação do Vermelho (www.vermelho.org.br)




quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Presidente Lula anuncia reconstrução da sede da UNE e da Ubes







12 de agosto de 2008









Durante ato no terreno da UNE e da UBES, na Praia do Flamengo, 132, presidente Lula assinou Projeto de Lei que reconhece a responsabilidade do Estado brasileiro na demolição da sede das entidades e participou também do lançamento da Caravana da UNE: Saúde, Educação e Cultura
Nesta terça-feira (12), às 14 horas, o presidente Lula tornou-se o segundo presidente da República a visitar a sede da UNE e da UBES em seus 70 anos de história. O primeiro — e único até então — foi João Goulart, em 1962. Lula esteve no local para assinar uma mensagem que será enviada ao Congresso Nacional, com o Projeto de Lei propondo indenização à. UNE, por ter seu prédio incendiado em 1964, e posteriormente demolido, em 1980.





"A UNE, por tudo o que fez e por tudo o que significou, jamais deveria ter sido destruída, mas sim vangloriada", declarou Lula durante a cerimônia.




A presidente da UNE, Lúcia Stumpf, afirmou: "Não foi por acaso que a UNE foi atacada em 1964, mas sim por todo o simbolismo de resistência da juventude contra a ditadura militar. O dia de hoje vai entrar para a história. Vamos reconstruir aqui a nova casa do poder jovem."




O governador de São Paulo, José Serra, que era presidente da UNE em 1964, quando a sede da entidade foi incendiada, lembrou que "a UNE foi o principal foco do ataque no primeiro dia do golpe militar de 64. O gesto de Lula, hoje, revigora este símbolo histórico."




Sergio Cabral, governador do Rio de Janeiro, afirmou que "em 2007, apoiamos a reintegração de posse do terreno da UNE. Sem violência, conseguimos garantir a devolução do terreno à entidade."




Ismael Cardoso, presidente da UBES, declarou que "este momento ficará marcado pela reparação do Estado ao movimento estudantil e que só com a rebeldia conseqüente se constrói um Brasil soberano".




Além de Serra, também estiveram presentes os ex-presidentes da UNE Aldo Arantes (61/62), Jean Marc Van der Weid (69/70), Aldo Rebelo (80/81), Wadson Ribeiro (99/01 e atual ministro interino dos Esportes) e Gustavo Petta (03/06).




O evento contou ainda com as presenças dos ministros José Gomes Temporão (Saúde), Fernando Haddad (Educação) e Edson Santos (Igualdade Social); do vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão; do secretário-geral da Presidência da República, Luiz Carlos Dulci;; do presidente do Conselho Nacional de Juventude, Danilo Moreira; do secretário nacional de Juventude, Luís Roberto Cury; dos deputados federais Chico Lopes e Reginaldo Lopes; e dos senadores Inácio Arruda, Paulo Duque e Ideli Salvatti. Todos os presentes lembraram da importância do movimento estudantil para a história do País e a forma violenta como as entidades foram colocadas na clandestinidade após o incêndio criminoso de sua sede em 1964.



Praia do Flamengo, 132




O local é berço do movimento estudantil e da resistência à ditadura militar. Abrigou a sede da UNE e da UBES, de 1942 até o fatídico dia 1° de abril de 1964, quando o prédio foi incendiado como primeiro ato da ditadura militar. Em 1980, o que restava do edifício foi demolido por ordem do então presidente João Figueiredo. Catorze anos depois, em 1994, o então presidente Itamar Franco reafirmou a posse do terreno às entidades. Naquele momento, o terreno era ocupado de forma irregular por um posseiro que explorava no local um estacionamento clandestino. Apenas em 1º de fevereiro de 2007, a UNE recuperou a posse do tradicional endereço, quando, durante uma passeata, milhares de estudantes ocuparam o local onde funcionava um estacionamento ilegal e expulsaram de lá o posseiro.




A partir daí iniciou-se uma série de atos pela reconstrução da sede. A campanha Meu Apoio é Concreto, lançada pela UNE e pela UBES, tem o objetivo de angariar fundos para a reconstrução do prédio. O projeto recebeu o apoio de diversos políticos, personalidades de setores como cultura e educação e ex-lideranças estudantis.




Projeto Oscar Niemeyer




No dia 10 de agosto de 2007, data em que a presidente da UNE, Lucia Stumpf, tomou posse, e, em meio às comemorações dos 70 anos da entidade, o arquiteto Oscar Niemeyer presenteou a UNE e a UBES com uma versão atualizada do projeto, para a reconstrução da sede no terreno da Praia do Flamengo. Niemeyer idealizou um prédio com 13 andares, onde também haverá um teatro para abrigar as produções culturais estudantis e um museu de Memória do Movimento Estudantil, entre outros espaços.




Caravana da UNE: Saúde, Educação e Cultura




No mesmo dia 12, o ônibus da Caravana da UNE: Saúde, Educação e Cultura, uma parceria com o Ministério da Saúde, ligou o motor para dar início ao seu itinerário pelo Brasil. A abertura ocorreu após a cerimônia com o presidente Lula, na Praia do Flamengo.




A expedição, que terá duração de mais de três meses (até 27 de novembro), e percorrerá aproximadamente 32 mil km, visitará 41 universidades públicas e particulares dos 26 Estados, mais o Distrito Federal. Essa será a primeira vez que uma caravana da UNE passará por todos os Estados brasileiros. O ônibus da Caravana da UNE chegará nas instituições e sua equipe realizará um dia de mobilização, com eventos, debates, campanhas, como a de doação de sangue, e por fim, atividades culturais.




Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, "não existe democracia sem juventude. A Caravana vai discutir a saúde como um direito do cidadão e um dever do Estado".
Ao final do ato, toda a estrutura do evento seguiu até o Campus da Praia Vermelha, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ponto de partida oficial da Caravana. O grupo de teatro "Tá na Rua" fez uma apresentação encerrando o primeiro dia da Caravana da UNE: Saúde, Educação e Cultura.




Amanhã (14), a Caravana seguirá para a Universidade Estácio de Sá, promovendo dois debates e atividades culturais. O primeiro deles acontecerá pela manhã, com o tema "Drogas – Legalizar ou não?".




Dia 18, a Caravana da UNE pegará a estrada em direção ao Espírito Santo.



Da redação
Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência
As fotos de 1980 podem ser vistas em http://www.bricabrac.com.br/une1980/

domingo, 10 de agosto de 2008

Altamiro Borges: "Olimpíadas da China e lixo midiático"

9 DE AGOSTO DE 2008 - 19h02
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Num artigo corajoso e lúcido, o respeitado intelectual César Benjamin, que recentemente estreou uma coluna semanal na Folha de S.Paulo, desafinou o coro quase unânime da mídia burguesa na cobertura das Olimpíadas da China. “É deveras impressionante o lixo ideológico que a imprensa tem produzido ao cobrir as Olimpíadas. Em geral, os repórteres buscam sempre os ângulos mais negativos, mesmo à custa de adentrar o ridículo”, dispara logo no primeiro parágrafo, o que pode até custar o seu reduzido espaço na Folha, um jornal que se diz pluralista, mas que tem marcado a cobertura com a mais rancorosa manipulação anticomunista, típica dos tempos da “guerra fria”.

O artigo relata “coisas incríveis” transmitidas pela TV que incomodam até os críticos à esquerda da complexa experiência chinesa. “O locutor ressalta o caráter repressivo do regime, enquanto as imagens mostram, como prova disso, um grupo de guardas de trânsito e câmeras de televisão que monitoram avenidas. O locutor fala do controle do Partido Comunista sobre as pessoas, enquanto na tela aparecem torcedores que preparam uma coreografia. Manifestações com menos de cinco indivíduos são tratadas como acontecimentos épicos. Se houver um pouco maiores, é a prova de que o povo está contra o governo. Se não houver, é a prova de que a repressão é terrível”.

Já na mídia impressa, como a Folha, “repórteres monotemáticos escrevem todos os dias sobre a falta de liberdade de expressão, carregando nas tintas, para cumprir a pauta que receberam dos chefes. Se não cumprirem, serão demitidos. Defendem, pois, uma liberdade que eles mesmos não têm”. Ao final do artigo, César Benjamin apela ao bom jornalismo, mais informativo e menos deturpado. “Agora que os jogos começaram, torço para que o lixo ideológico se retraia, para que finalmente possamos prestar atenção nos atletas. A festa lhes pertence. Tomara que seja linda”.

A campanha prévia de sabotagem

O texto indignado e corajoso da César Benjamin expressa bem o sentimento das pessoas com um mínimo de senso crítico. É deplorável assistir nas telinhas o destaque dado ao discurso petulante do carniceiro George Bush, na abertura dos jogos, em defesa dos direitos humanos. Logo ele que é culpado por um milhão de mortos no Iraque invadido e dizimado; que incentiva abertamente as torturas nos campos de concentração de Guantánamo e Abu Ghraib; que banca a Patriot-Act, que restringe as liberdades democráticas nos EUA. É repugnante ouvir o italiano Silvio Berlusconi, o francês Nicolas Sarkozy e outros fascistas europeus condenando a falta de democracia na China, isto após aprovarem a abominável lei da “Diretiva do Retorno” contra os imigrantes.

Como já havia antecipado Michel Chossudovsky, professor da Universidade de Ottawa, a mídia mundial promoveu intensa campanha prévia visando sabotar a Olimpíada de Pequim. Sua última e desesperada cartada foi o vídeo do Partido Islâmico do Turkistão contendo ameaças de ataques terroristas na China. No mês de julho, dois atentados no interior foram assumidos por esta seita, “apoiada pelo Serviço de Inteligência do Paquistão, que atua em estreita colaboração com a CIA, a agência de espionagem dos EUA”. A campanha midiática contou também com as ameaças do Dalai Lama, o “pacifista” que apoiou a invasão do Iraque, e com outras manipulações grotescas. Apesar da ofensiva, a Olimpíada começou e, como diz César Benjamin, “tomara que seja linda”.

*Altamiro Borges é jornalista. Artigo publicado originalmente no Blog do Miro (
http://altamiroborges.blogspot.com/ )

Clique aqui para ler o artigo de Cesar Benjamin