quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O que querem os golpistas pôr no lugar de Dilma? Qual é o programa deles? - Paulo Vinícius Silva

O que querem os golpistas pôr no lugar de Dilma? Qual é o programa deles? Por que estão tão ávidos para tomar o poder a qualquer preço? O problema é que Dilma é obstáculo a interesses muito poderosos. Basta pesquisar um pouco e se entenderá a agenda dos golpistas, o Programa deles:

- Rasgar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), colocando o negociado acima do legislado. Todos os direitos poderiam ser perdidos por qualquer acordo salarial...
- Aprovar a Terceirização Infinita, inclusive da atividade fim, estendendo a precarização a todas as áreas, tornando irreversível a redução radical do pessoal concursado nos Bancos Públicos, substituídos pelas terceirizações no sistema financeiro;
- Acabar com a Política de Valorização do Salário Mínimo que foi proposta pelas centrais sindicais (CUT, CTB, Força, UGT, NCST e CGTB) e que fez o salário mínimo recuperar o poder de compra que só caía -salvo raras exceções - desde 1954, com Getúlio Vargas. O salário mínimo voltaria às mãos dos deputados e senadores (maioria absoluta de empresários e latifundiários e seus prepostos) todo ano para eles decidirem...
- Voltar ao regime regulatório do Petróleo anterior ao Pré-Sal, como nos anos de FHC, cedendo vultosos recursos do Pré-Sal para as multinacionais. Acabar com a exigência de ser a Petrobras a operadora de todo o Pré-Sal e acabar com a exigência da produção local de 30% dos equipamentos para o pré Sal. Isso destruiria a política atual que prevê que 75% da riqueza do Pré-Sal vá para a Educação e 25% para a saúde.
- Implantar um permanente ajuste econômico em favor da ciranda financeira da dívida pública, tornando ainda maior a parcela dos recursos públicos envolvidos no pagamento de juros e amortizações lastreadas na dívida pública e, portanto, na SELIC. Ao mesmo tempo é a taxa que referencia todo o crédito, as nossas dívidas!

Golpismo, e golpismo que tem atores claros: empresários superexploradores, o  sistema financeiro, os entreguistas que aspiram por lucrar com o desmonte das empresas públicas e pela privataria, os entreguistas e os lacaios das multinacionais, o Partido da Imprensa Golpista.

E o imperialismo. Não pense você que a Arábia Saudita baixa petróleo a menos de 30 USD sem o dedo estadunidense. Snowden denunciou a espionagem contra Dilma e a Petrobras no Wikileaks. Por que cometeram crimes de guerra monstruosos contra a população iraquiana, afegã, líbia? Por que estariam eles desinteressados do Brasil, se há pouco - depois de mais de 40 anos, resgataram a Quarta Frota no Atlântico, defronte ao Pré-Sal?


Então, claramente, o dever dos democratas, patriotas e da classe trabalhadora é repudiar e denunciar o golpe neoliberal, antipatriótico, entreguista, inimigo dos trabalhadores e da democracia! E isso significa defender o mandato sagrado conferido pelo voto popular, pela soberania popular, que não pode e não deve e não será maculado pela conspiração dos Senhores da Casa Grande, a Imprensa Golpista, empresários carcarás, fundamentalistas do dinheiro e golpistas que usam da fé dos mais pobres e desesperados e o mercado financeiro, todos aliados aos interesses estadunidenses, contra a Nação Brasileira.

Só o povo unido poderá enfrentá-los, viva a Frente Brasil Popular!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O diabo e a garrafa. Os riscos da ascensão da antipolítica por Mauro Santayana



A defesa do mandato conferido pelas urnas e da institucionalidade é a proteção da democracia contra o imponderável.

Em pleno processo de impeachment, e de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), das ações envolvendo a chapa vitoriosa nas últimas eleições, a situação da República tem sido marcada pela espetacularização de um permanente “pega para capar” jurídico-policial, a ascensão da “antipolítica”, o aprofundamento da radicalização e a fascistização do país.

Políticos e empresários têm sido presos – muitos por ilações frágeis ou exagerado rigor cautelar –, enquanto outros homens públicos e bandidos e delatores premiados apanhados com milhões de dólares na Suíça circulam livremente ou estão em prisão domiciliar.

Milhares de brasileiros acreditam piamente que o Brasil é um país quebrado e destruído, quando temos as sextas maiores reservas internacionais do mundo e somos o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos.

Que um perigoso “bolivarianismo” pretende implementar uma ditadura de esquerda na América Latina, quando, seguindo os ritos democráticos normais, e sob amplo acompanhamento de observadores internacionais, a oposição liberal acaba de ganhar, pelo voto, as eleições na Venezuela e na Argentina.

Que o Brasil é um país comunista quando pagamos juros altíssimos, e somos, historicamente, dominados, na economia e na política, por um dos mais poderosos sistemas financeiros do mundo, pelo agronegócio e o latifúndio, por bancos e empresas multinacionais.

Discutindo na mesa de pôquer da sala de jogos do Titanic, envolvidos por suas disputas, e por uma rápida sucessão de fatos e acontecimentos, que têm cada vez mais dificuldade em digerir e acompanhar, os homens públicos brasileiros ainda não entenderam que a criminalização da política, criada por eles mesmos, como parte de uma encarniçada e deletéria disputa pelo poder, há muito extrapolou o meio político tradicional, espalhando-se, como o diabo que escapa da garrafa, como uma peste pela sociedade brasileira, na forma de uma profunda ojeriza, preconceito e desqualificação do sistema político, e daqueles que disputam e detêm o voto popular.

Se não se convocar a razão e o bom senso, para reagir ao que está acontecendo, e se estabelecer um patamar mínimo de normalidade político-institucional, tudo o que restará será o confronto, o arbítrio e o caos.

Está muito enganado quem acha que o mero impedimento de Dilma Rousseff resolverá a questão.

No final da década de 20, os judeus conservadores comemoravam, da varanda de suas mansões, na Alemanha, o espancamento, nas ruas, de esquerdistas e socialistas, pelos guardas de grupos paramilitares nazistas como as SS e as SA, e se regozijavam, em seu íntimo, por eles os estarem livrando da ameaça bolchevista.

Depois também viram, passivamente – achando que estariam resguardados por suas fortunas –, passar sob suas janelas, as filas de operários e pequenos comerciantes judeus a caminho dos campos de concentração.

Poucas vezes, na história, o efeito bumerangue costuma poupar aqueles que, como aprendizes de feiticeiro, se atrevem a cutucar o que está dentro da caixa de Pandora.

Depois de Dilma e do PT, seria a vez de Temer, e depois de Temer viriam os outros – todos os partidos e lideranças que tenham alguma possibilidade de alcançar o poder, por via normal.

Parafraseando Milton Nascimento, na política brasileira “nada será como antes amanhã”.

O Brasil que se seguirá à batalha sem quartel e sem piedade, levada a cabo pela oposição nos últimos anos e meses tendo como fim a destruição e total aniquilamento do PT – cujas principais vítimas não serão esse partido, mas o Estado de Direito, o presidencialismo de coalizão, a governabilidade e a própria Democracia – não terá a cara do Brasil do PSDB de Serra, de Aécio, ou de FHC, mas, sim, a de Moro e a de Bolsonaro.

A do messianismo, da vaidade, da onipotência e do imponderável, e a do oportunismo e do fascismo – e aqui não nos referimos ao velho fascio italiano – em seu estado mais puro, ensandecido e visceral.


http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/01/o-diabo-e-a-garrafa-os-risco-das-ascensao-da-antipolitica-8239.html