quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Aos que vão nascer - Bertolt Brecht


 1

É verdade, eu vivo em tempos negros.
Palavra inocente é tolice. Uma testa sem rugas
Indica insensibilidade. Aquele que ri
Apenas não recebeu ainda
A terrível notícia.
Que tempos são esses, em que
Falar de árvores é quase um crime
Pois implica silenciar sobre tantas barbaridades?
Aquele que atravessa a rua tranqüilo
Não está mais ao alcance de seus amigos
Necessitados?

 

Sim, ainda ganho meu sustento
Mas acreditem: é puro acaso. Nada do que faço
Me dá direito a comer a fartar.
Por acaso fui poupado. (Se minha sorte acaba, estou perdido.)
 

As pessoas me dizem: Coma e beba! Alegre-se porque tem!
Mas como posso comer e beber, se
Tiro o que como ao que tem fome
E meu copo d’água falta ao que tem sede?
E no entanto eu como e bebo.
 

Eu bem gostaria de ser sábio.
Nos velhos livros se encontra o que é sabedoria:
Manter-se afastado da luta do mundo e a vida breve
Levar sem medo
E passar sem violência
Pagar o mal com o bem
Não satisfazer os desejos, mas esquecê-los
Isto é sábio.
Nada disso sei fazer:
É verdade, eu vivo em tempos negros.

2

À cidade cheguei em tempo de desordem
Quando reinava a fome.
Entre os homens cheguei em tempo de tumulto
E me revoltei junto com eles.
Assim passou o tempo
Que sobre a terra me foi dado.

 

A comida comi entre as batalhas
Deitei-me para dormir entre os assassinos
Do amor cuidei displicente
E impaciente contemplei a natureza.
Assim passou o tempo
Que sobre a terra me foi dado.

As ruas de meu tempo conduziam ao pântano.
A linguagem denunciou-me ao carrasco.
Eu pouco podia fazer. Mas os que estavam por cima
Estariam melhor sem mim, disso tive esperança.
Assim passou o tempo
Que sobre a terra me foi dado.

 

As forças eram mínimas. A meta
Estava bem distante,
Era bem visível, embora para mim
Quase inatingível.
Assim passou o tempo
Que nesta terra me foi dado.

3

Vocês, que emergirão do dilúvio
Em que afundamos
Pensem

Quando falarem de nossas fraquezas
Também nos tempos negros
De que escaparam.
Andávamos então, trocando de países como de sandálias
Através das lutas de classes, desesperados
Quando havia só injustiça e nenhuma revolta.

Entretanto sabemos:
Também o ódio à baixeza
Deforma as feições.
Também a ira pela injustiça
Torna a voz rouca. Ah, e nós
Que queríamos preparar o chão para o amor
Não pudemos nós mesmos ser amigos.

 
Mas vocês, quando chegar o momento
Do homem ser parceiro do homem
Pensem em nós
Com simpatia.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A questão Lula e a esquerda sem rumo, por Aldo Fornazieri - ALDOFORNAZIERI - Jornal GGN

Jornal GGN


A questão Lula e a esquerda sem rumo

por Aldo Fornazieri

Lula é o último baluarte não só do que significaram os 13 anos de governos do PT, mas de todo um processo que atravessa o período da redemocratização do Brasil, passa pela Constituinte e por quase 30 anos de eleições presidenciais diretas, com a queda de dois governos democraticamente eleitos - Collor e Dilma. Esse processo foi de avanços sociais e de consolidação de direitos, embora a democracia brasileira carregue muitas iniquidades, injustiças e desigualdades.

A figura política de Lula, mesmo com os percalços do peso das denúncias e indiciamentos, ainda ostenta a condição de um político paradigmático, carregado de simbolismo, justamente por ter colocado no centro do debate nacional o tema social que, na história do pais, ora foi tratado como um caso de polícia, ora foi esquecido pelos governos que se sucederam ao longo dos tempos. Justamente por isso e apesar de ser retalhado pelo Judiciário, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, em ações claramente persecutórias, Lula se sustenta como o maior líder político do país na atualidade.

A ação é persecutória porque em nenhum dos três casos em que Lula se tornou réu há evidências empíricas suficientes para tanto. No caso dos triplex e do sítio, o juiz Moro violenta a realidade e os contratos legais e as escrituras públicas, fazendo de ambos abstrações colocadas ao jugo do seu arbítrio interpretativo, da sua vontade de poder absoluto e de sua intenção vingativa. Mesmo Lula não sendo proprietário dessas imóveis Moro o faz, investindo-se de um poder só comparável aos tiranos que suprimem a mediação das relações humanas pela lei e transformam a sua vontade em lei e em realidade.

O poder judicial absoluto que Moro já vinha exercendo, foi validado também pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região quando este sentenciou que a Lava Jato "não precisa seguir regras de casos comuns", confirmando a tese indicada em outros artigos de que se instaurou no Brasil a prática nazista que não considera a lei escrita e a Constituição, mas que valida a "lei do movimento" que é a lei criada a partir de cada fato pela vontade de quem julga. Fatos, a realidade empírica e as provas são transcendidos sempre pela vontade do juiz. A Justiça transcendente não leva em consideração o Estado de Direito e a ordem republicana. Com a Justiça transcendente, os juízes se transformam em justiceiros, em milicianos da Justiça.

Moro foi considerado também "incensurável" pelo TRF-4, tal como os monarcas absolutos eram iniputáveis, invioláveis, sagrados e não passíveis de responsabilização. O arbítrio da Lava Jato se tornou tão escancarado que os delatores que não envolvem Lula nas delações têm, simplesmente, suas delações recusadas, pelo poder persecutório e sem freio que viceja em Curitiba.

No primeiro processo em que Lula virou réu, acusado de obstruir a Justiça a partir de uma delação de Delcídio Amaral, trata-se da palavra de alguém que estava detido contra evidência nenhuma. E aqui há mais uma dimensão do arbítrio do Judiciário: a palavra dos delatores, sempre empenhada sob o constrangimento da prisão e de pressões politicamente orientadas, é tomada como prova suficiente para tornar alguém réu, ser condenado e preso. No terceiro caso em que Lula vira réu, outro arbítrio do poder de exceção judicial: embora se reconheça que as palestras contratadas pela Odebrecht foram efetivamente proferidas, mais uma vez violenta-se os contratos e os fatos para prevalecer a vontade de poder absoluto do Ministério Público e, agora, da Justiça de Brasília, que os transformam por meio de tramas interpretativas em lavagem de dinheiro.

A esquerda sem rumo

Lula será preso? Em que pese os boatos infundados que proliferaram no final de semana, o fato é que não é algo tão simples prender Lula. A vontade absoluta dos juízes parece se deter ante as consequências imprevisíveis, internas e internacionais, que podem advir diante de uma prisão intempestiva de Lula. Se Lula for preso, interesses e vontade para isso não faltam, o mais provável é que só o será após uma condenação em primeira ou, quiçá, em segunda instância.

A defesa técnica e jurídica de Lula, que está sendo conduzida por uma equipe de advogados, precisa ser feita, mas trata-se de algo limitado, por melhor que seja essa equipe, já que não se está diante da normalidade do funcionamento da Justiça, mas da exceção e do arbítrio validados, inclusive, pelos tribunais superiores. Desta forma, a questão Lula precisa ser levada para o terreno político.

Até agora ela está sendo posta no terreno político apenas por manifestações individuais de juristas e intelectuais, pois até nesta questão o PT mostra a sua falta de iniciativa e o seu colapso. O partido se tornou um cartório de declarações: declara-se que o indiciamento e a transformação de Lula em réu "já eram esperados", que todas as ações do parido foram "legais", enfim, um rosário de notas e manifestações de dirigentes que não têm repercussão política nenhuma.

Convém lembrar que quando José Dirceu estava na iminência de ser preso se proclamava no PT o seguinte bordão: "Zé Dirceu é meu amigo: mexeu com ele, mexeu comigo". Pois bem, mexeram com Zé Dirceu e com outros dirigentes do partido e, a rigor, nada aconteceu. Se proclamava também que os "golpistas não passarão", mas passaram. O risco é que aconteça o mesmo com Lula. Para evitar que isto ocorra, ou o PT e os movimentos sociais transformam a questão Lula, desde já, numa questão política e organizativa, visando criar uma linha de defesa do ex-presidente na sociedade civil, nas universidades e nos movimentos sociais ou quando o desfecho ocorrer, os petistas e outros setores de esquerda permanecerão pregados no muro das lamentações, que é onde estão nos últimos tempos.

Não é só na questão Lula que o PT e as esquerdas estão sem rumo e sem direção. Simplesmente não há uma agenda para enfrentar a presente conjuntura. É preciso perceber que o "contra o golpe" deixou de ter operacionalidade política em termos de ação e de mobilização. A questão do golpe só tem função enquanto pressuposto (o fato de que existiu um golpe) e enquanto disputa de narrativa, visando um juízo histórico e interpretativo dos acontecimentos presentes.

As esquerdas e o PT disputaram e estão disputando o embate em torno da PEC 241, com o mero denuncismo, sem contrapor uma agenda, seja para reduzir danos, seja para apresentar uma alternativa reformista ao reformismo retrógrado do governo Temer. Depois de 13 anos de governo, o PT não tem o que dizer sobre a necessidade de um ajuste fiscal. Boicotou a tentativa de ajuste fiscal de Dilma e não tem uma alternativa ao ajuste fiscal de Temer, que ataca direitos e as políticas sociais. Sem uma agenda alternativa de reformas não se é eficaz na luta política. A denúncia precisa ser feita, mas precisa ser alicerçada em dados demonstrativos, algo que as bancadas dos partidos de esquerda pouco se esmeraram no embate com os governistas.

As esquerdas perdem credibilidade se não apresentarem um plano de ajuste fiscal alternativo, pois o crescente endividamento do país está no centro da crise econômica. A questão é: as esquerdas ficarão na defensiva e na denúncia assistindo o governo Temer se viabilizar jogando o peso da crise sobre os ombros dos que têm menos ou serão capazes de constranger o governo, agregando forças em torno de um projeto alternativo? Se as esquerdas não forem capazes de responder a esta e a outras questões que estão postas na conjuntura permanecerão no muro das lamentações por muito tempo.

Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Bancários(as): só terminou a greve. A luta continua. Paulo Vinícius Silva*

"O homem é um animal político" Aristóteles

Terminada a greve dos bancários(as) de 2016, firmado o acordo bianual 2016-2018, ao movimento sindical – dirigentes sindicais e base – resta a incontornável necessidade de avaliar os resultados e o futuro do movimento.

A greve assumiu dimensão inesperada: 31 dias, superando mais de 13 mil dependências. Esses dados, todavia, eludem outro, desconcertante, que é uma greve forte em paralisação, mas fraca em mobilização, o que se evidencia - salvo exceções – na dificuldade de realizar atividades públicas massivas, mesmo em unidades da federação com grande concentração de bancários, como o DF.

Minha hipótese é que três elementos contribuíram para essa adesão sem mobilização: a) o esgotamento físico e psicológico da categoria; b) o medo do assédio moral aliado à desconfiança da sua representação sindical, atingida brutalmente pela desconstrução da legitimidade dos trabalhadores(as) no processo de golpe de estado; c) a ausência de atividades mais atrativas, lúdicas, didáticas para os bancários(as) e a população, o que coloca a greve num beco sem saída – no curso desta campanha – quanto à dimensão da participação.

A exigência de uma greve anual, independente do contexto mais amplo, levou ao entendimento de o movimento paredista ser obrigação exclusiva das direções dos sindicatos, e que basta aderir, sem participar de outra atividade, exceto a assembleia. Isso torna a greve um gigante de pés de barro, com o agravante de a fixidez do modelo contribuir para o esgotamento da greve como um instrumento de luta, mas não o único, porque a luta sindical é muito maior que a greve. Não há dúvida, a fragilidade da greve está na baixa mobilização da categoria, que desconhece sua força política e importância econômica para o país.

Observo que uma grande parcela da categoria, contrária à greve, ao mesmo tempo exige a greve dos sindicatos. Desfiliam-se, mas vão à assembleia para votar pelo início da greve, ainda que não a construam, e inclusive furem a greve, mesmo nos bancos públicos, com garantia de emprego. É a visão do sindicato como terceirizado da minha participação política. Essa parcela é a mesma que exige a despolitização corporativa do movimento, e que ignorou o alerta sobre as consequências do golpe de estado para a soberania, a democracia, os direitos dos trabalhadores e o futuro dos bancos públicos. Lamentavelmente, a minha geração, pós-98, em especial concursados(as) nos governos Lula e Dilma, compõem fortemente esse estrato. Sem os direitos anteriores a 1998, obtiveram as vagas abertas pela luta coletiva, como se fosse fruto exclusivo do esforço individual. Com o piso rebaixado e em lenta recuperação, foram seduzidos por promoções que elevaram exponencialmente seu salário, advindas de bancos fortes para uma agenda desenvolvimentista e abertos à população. Seu individualismo só perde para a tacanhez política de quem nada vê para além de seu próprio umbigo, ignorando que a mesma política que lhes permitiu entrar e ascender, ao mudar pode lhes custar não apenas o emprego, mas o próprio banco em que trabalham. São a nossa parte da população que ganhou os direitos, mas sem politizar esse trajeto, capturados pelas potentes armas de sedução da imprensa e dos próprios bancos e pela escravidão face à comissão e à remuneração variável, diante do piso diminuto da categoria, apesar de todos os avanços na recomposição do piso em uma década.

O modelo atual levou ao descolamento das reivindicações da categoria das pautas da sociedade, que se expressa no conservadorismo em que a categoria bancária se meteu, estimulada pela lógica de rapinagem que o sistema financeiro lhe impôs a partir da sedução e da paulada. Exceto honrosas exceções, como o Sindicato dos Bancários da Bahia - com jornal diário, programa na TV, amplo protagonismo na sociedade baiana - a categoria bancária pouco dialoga com a população e suas necessidades, face à voracidade de um sistema financeiro superexplorador. Em vez de denunciar os juros, os aumentos escorchantes das tarifas, a lógica perversa da dívida pública e defender o papel social e desenvolvimentista dos bancos públicos, bancários e bancárias em sua grande maioria ansiaram por ser parte do edifício rentista. Isso leva a uma greve exposta ao escárnio da população mais carente dos serviços bancários, exatamente a mais pobre e excluída das tecnologias, impondo um limite objetivo à legitimidade da luta da categoria, o que se torna ainda mais dramático a partir de greves longas. Essa realidade se radicalizou com a previsível – exceto para os analfabetos(as) políticos - unidade verificada entre o interesse do governo golpista, da banca privada e da imprensa que criminaliza a luta sindical.

O modelo grevista bancário padece também do decifrar da sua estratégia fixa por parte dos sofisticados elementos de inteligência e estatística à disposição dos banqueiros. Anualmente, o movimento grevista serve à estratégia de imposição do auto-atendimento à população, impulsionada por um investimento maciço em tecnologias bancárias, pela revolução tecnocientífica, a internet, e seu avançar para a telefonia celular. Nesse cenário, o esvaziamento dos piquetes pelos bancários, a ausência de diálogo com a sociedade, a falta da solidariedade no interior da categoria, a incapacidade de incorporar as mulheres na luta, a distância da mobilização das próprias famílias dos bancários, tudo coloca-nos num patamar muito inferior na disputa da sociedade, ainda mais diante dos oligopólios da mídia e de um governo umbilicalmente ligado ao rentismo e de natureza golpista. O inimigo decifrou a estratégia, e é preciso reinventá-la, sob pena de comprometermos o instrumento de luta importantíssimo que é a greve.

Impasse semelhante viveu a nascente classe operária no início do século XX, quando exitosas e massivas greves foram vencidas por serem apenas greves e não armas politicamente construtoras da classe em si, ou seja, da classe trabalhadora como atora política auto-centrada, mas voltada à disputa da hegemonia, o que só pôde ser enfrentado pela construção do Partido Comunista do Brasil, em 1922, surgido pela influência da vitória da Revolução Socialista Russa, mas também pela incapacidade de o movimento anarquista oferecer à classe trabalhadora os instrumentos de sua organização política. Como bem decifrou Lênin, o movimento sindical em si mesmo, apenas discute os termos da exploração capitalista. Sem uma consciência superior, a luta sindical limita-se ao economismo, ao corporativismo, sendo presa fácil para a organização dos patrões, o que ganha contornos ainda mais sinistros quando tratamos da hiper-concentração dos bancos no Brasil, e pelo próprio papel do sistema financeiro no quadro mais amplo de hipertrofia do rentismo parasitário como elemento central da sociedade capitalista no imperialismo. A crise do Partido dos Trabalhadores e da frente que o levou ao governo, anterior à crise política, é a própria crise dessa representação política da maioria, capturada pelo gradualismo, pelo possibilismo, pelo pragmatismo e pela incapacidade de construir uma efetiva frente política com bases classistas, abandonada pelo hegemonismo no seio da esquerda, péssimo conselheiro. Sem utopia, sem luta pela opinião da sociedade, aferrada a um modelo, a um calendário, a luta bancária exige sua reinvenção para enfrentar o sistema financeiro que comanda o país, necessidade incontornável para um salto na mobilização e nas conquistas e, sobretudo, para a luta contra o golpe.

Diante dessas reflexões é que vislumbramos o sentido heroico da greve bancária de 2016. Ter resistido por 31 dias em campo claramente desfavorável, a despeito do avanço político e institucional do golpe e da restauração neoliberal, é fato que marca a mudança da conjuntura para um novo cenário, ainda mais desafiador. É de um cinismo inaceitável não reconhecer o quanto lutamos numa das mais longas greves da história. A perda de 2016 no reajuste, evidenciada como principal revés nessa campanha, não pode esconder os avanços no âmbito da pauta extensa e da própria existência do Comando e do acordo coletivo nacional, que contaram com a contribuição indispensável da unidade CUT e CTB, apesar das divergências e da adversidade. Registre-se que nos demais itens, os benefícios, tivemos ganho real e asseguramos a PLR social na Caixa por dois anos. 

A alternativa, diante do esgotamento da greve, seria uma resistência pífia, debelada facilmente pelo consórcio bancos-governo golpista-mídia oligopólica, com o agravante da exposição da base dos bancos públicos, em especial em Brasília, à previsível vingança dos banqueiros, a cobrar mais de um mês de reposição dos dias parados. Não basta saber iniciar a greve, é preciso saber encerrá-la a tempo de evitar que o refluxo do movimento ponha a perder todo o conquistado, expondo a classe à represália do capital. Papel central na avaliação do comando nacional, foi interromper a greve preservando a base que aderiu ao movimento, para estimular as lutas a seguir, que tendem a ser ainda mais encarniçadas e complexas. A vitória da anistia obtida dos dias de greve e o ganho real para 2017, preservam a base grevista, impedem a continuidade das perdas e da política do abono como uma constante, ganham tempo para amplo balanço e reorganização dos bancários(as), sobretudo nos bancos públicos, para a quadra de resistência após o golpe. Seremos obrigados a rever as formas de luta que tem seu corolário, mas não o seu fim exclusivo, na greve. Teremos de debater banco público, emprego, Sistema Financeiro Nacional, Política, teremos de defender os bancos públicos da privatização, da terceirização, das reestruturações, do banco digital, não poderemos debater apenas salário, e nem poderemos fazê-lo sem a reconstrução da organização sindical por local de trabalho e a recomposição da unidade popular e da disputa pela hegemonia na sociedade. Neste sentido, o gosto amargo na boca em face da perda de 2016 (1,31%) deve ensejar uma reflexão profunda sobre os caminhos atuais para a luta sindical, jamais sendo esquecida, mas cobrada adiante, porque não somos aqueles que viram a greve passar, somos exatamente aqueles que lutamos cada dia da greve e conquistamos, e a luta continua.

* Sociólogo, bancário do BB, Diretor de Política Sindical do Sindicato dos Bancários de Brasília, membro da direção da CTB.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Plenária da Greve na segunda 03/10 reforçou a mobilização dos Bancários de Brasília - Sindicato dos Bancários de Brasília

I Seminário: "O preço da saúde mental no trabalho bancário" - TV Câmara e Sindicato dos Bancários de Brasília

No dia 4 de agosto, na Câmara dos Deputados, o Sindicato dos Bancários de Brasília e o Gabinete da Deputada Federal Érika Kokay (PT-DF) realizaram com a Secretaria de Saúde do Sindicato o Seminário  "O preço da saúde mental no trabalho bancário", com a presença de sindicalistas, bancários, parlamentares e a importante contribuição de profissionais que tem acompanhado o crescimentodo adoecimento psíquico na categoria bancária.



Essa playlist no youtube do sindicato reúne as falas da atividade e recomendo a todos os bancários e bancárias e à população. Chamo atenção às falas da Profa. Dra. Ana Magnólia Mendes, do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho, (UnB), da Pesquisadora Fernanda Sousa Duarte, do  Laboratório de Psicodinâmica e Clínica do Trabalho da Universidade de Brasília e GEPSAT-Grupo de Estudos e Práticas em Clínica, Trabalho e Saúde e a exposição  Trabalho Bancário, Assédio, Suicídio e Políticas Públicas, do Prof. Dr. Álvaro Roberto Crespo Merlo, da Faculdade de Medicina e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Importantíssima a reflexão levada a cabo pela deputada Érika Kokay, bancária da CEF, e as diversas falas do movimento sindical, do Sindicato, da CONTRAF, da FETEC-CN, e da CTB.



Recomendo que vejam as falas na playlist e compartilhem.









Eduardo Araújo - Presidente do SEEB Brasília











Érika Kokay (Dep. Federal - PT-DF)









Mônica Holanda - Secretária de Saúde do SEEB-Brasília











Paulo Vinícius Silva - CTB e SEEB Brasília - Bancos Digitais e a luta contra a restauração neoliberal e o golpismo











Amadeu Alvarenga - Vice-Presidente do Conselho de Usuários da CASSI









Trabalho e Saúde e a exposição  Trabalho Bancário, Assédio, Suicídio e Políticas Públicas, do Prof. Dr. Álvaro Roberto Crespo Merlo, da Faculdade de Medicina e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.







Profa. Dra. Ana Magnólia Mendes, do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho, (UnB)









Pesquisadora Fernanda Sousa Duarte, do  Laboratório de Psicodinâmica e Clínica do Trabalho da Universidade de Brasília e GEPSAT-Grupo de Estudos e Práticas em Clínica, Trabalho e Saúde





Ato na Rodoviária do Plano Piloto esclarece motivos da greve à população - Sindicato dos Bancários de Brasília