quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A lei que tentou proibir o Candomblé em Piracicaba - Blog do Nassif

No Brasil, os comunistas foram os autores da lei que assegura ainda hoje a liberdade religiosa, proposta pelo então deputado Jorge Amado na Constituinte de 1946. Apesar disso, foram eleitoreiramente atacados pelo pastor Malafaia, cujo serrismo direitista histérico o levou a um vídeo que é mais uma de suas provas de intolerância. Outra prova é a seguinte notícia, estarrecedora. Viva a pluralidade, á tolerância, ao respeito entre todos, crentes ou não! Abaixo a intolerância!

Paulo Vinícius



Por Eva
Comentário ao post "Câmara de Piracicaba retira servidor durante leitura bíblica"
Apesar de vetado, o projeto existiu.... mais um exemplo de afronta a liberdade religiosa!
Da Abpn
Errata: Candomblé é proibido em Piracicaba
Uma observação: recebemos esta notícia e confirmamos a publicação na fonte citada ao pé dela. Entretanto, a leitora Gabriela Pessoa (a quem agradecemos) escreveu informando que o prefeito vetou o projeto, já que era inconstitucional.  E Renata Maria Fantim (a quem igualmente agradecemos) nos enviou o link para a notícia informando que a Câmara dos Vereadores acatou o veto (ver AQUI). Não gosto de ver o blog se equivocando, mas, por outro lado, nas (felizmente pouquíssimas) vezes que isso acontece, é um prazer verificar a atenção e o cuidado de tod@s! Acho que mostra o quanto estamos afinad@s na luta! Maurílio Ferreira da Silva*
No interior de São Paulo a assembléia de Inquisidores Evangélicos passou por cima da Constituição que garante aos brasileiros liberdade religiosa e aprovou por unanimidade uma lei proibindo a prática do candomblé, religião essa que é brasileira por criação. Lá em Piracicaba/SP os seguidores desta religião terão que ir a outro município para professar sua fé ou pagarão multa no valor de R$ 2.000,00 e R$ 4.000,00 se houver reincidência. Vereadores de vários partidos se sentiram a vontade para aprovar esta lei sob o comando do prefeito psdbista Barjas Negri.
A Câmara Municipal de Piracicaba/SP, por unanimidade, com o apoio dos vereadores dos seguintes partidos: PT, PDT, PP, PPS, PTB,PR, PMDB, PRB, PSDB, aprovou em 7/10, o PL 202/2010 do vereador Laércio Trevisan (PR).
Comentários em Piracicaba, informam que o referido PL. é parte de um MOVIMENTO chamado “ALIANÇA PARA A SUPREMACIA CRISTÔ, que tem por objetivo levar este projeto a outras cidades do Estado de São Paulo, depois, independente de quem seja eleito, encaminhar para a Câmara dos Deputados, através de deputados federais dos partidos envolvidos. Estes deputados, no momento, são mantidos no anonimato.
O O referido pela agurda sanção ou veto do Sr. Prefeito Municipal Barjas Negri, por favor mandem e-mail, telefonen para o prefeito/
secretário de governo e demais autoridades solicitando o veto ao PL. tendo em vista que o referido PL. entre outras coisas, atenta contra a liberdade religiosa e fomenta o racismo.
1- Integra do PL. 202/2010;
2- E depois, Nomes, fones, e-mails do vereadores de piracicaba:
1- Íntegra do PL. 202/2010: PROJETO DE LEI Nº 202/10 – Proíbe o uso e o sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Município de Piracicaba e dá outras providências.
Art. 1º Fica proibido o sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Município de Piracicaba.
Art. 2º O descumprimento do disposto na presente Lei ensejará ao infrator, a multa de R$ 2.000,00 (dois mil reais) dobrado a cada reincidência.
Parágrafo único A multa a que se refere o caput deste artigo será reajustada, anualmente, com base no índice do INPC – IBGE , adotada pelo Poder Executivo através de Lei.
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Justificativa
Primeiramente cabe ressaltar que independente de credo religioso e o respeito aos costumes de crença, ou seja, barbáreis como sacrifício de animais em rituais religiosos são inconcebíveis, e contraria a nossa Lei maior a qual é a garantia de vida e bons tratos para com os animais .
Precisamos sim, que as pessoas de bem, que gostam de animais, defenda–os, em principal em leis municipais, estaduais e federal
através de seus legisladores.
Por outro lado, compete aos municípios de acordo com a – Constituição Federal – Art. 30 – I – Legislar sobre assuntos de interesse local.
Também cabe ressaltar que, o município pode legislar em assuntos de seu próprio interesse local de acordo com C.F Art. 30 – I e respaldado na lei orgânica do município de Piracicaba – Artigo 25 XXII .
Isto posto, felizmente a consciência de que a proteção aos animais também é uma obrigação do município.
Inobstante em Piracicaba através da Lei n.º 6647/09 já proíbe a instalação de circos que contenha animais, sendo um grande avanço em defesa dos animais.
Somos sabedores que há pessoas que realizam o sacrifício de animais em cultos religiosos, e isso é inaceitável, e deve ser observada com atenção por parte não só desta Casa Legislativa, mas também por todos os municípios .
Assim pelo alcance do Art. 225 d 1º, VII da C.F para a proteção dos animais, o interesse humano social, apresento este Projeto de Lei .
No ensejo, que o mesmo seja aprovado por unanimidade pelos pares, e que caminhemos em direção do bem, da proteção dos animais e os clamores da população e das ONGs de proteção com os animais.
Sala de Reuniões, 21 de junho de 2010.
(a) Laércio Trevisan Júnior
2- Lista dos vereadores:
- André Gustavo Bandeira – PSDB
- Ary de Camargo Pedroso Jr – PDT
-Bruno Prata – PSDB
- Capitão Gomes – PP
- Carlos Alberto Cavalcante PPS
- João Manoel dos Santos – PTB
- José Antonio Fernandes Paiva – PT
-José Aparecido Longatto – PSDB
- José Benedito Lopes – PDT
- José Luiz Ribeiro – PSDB
- José Pedro Leite da Silva – PR
- Laércio Trevisan Jr – PR
- Marcos Antonio de Oliveira – PMDB
- Paulo Henrique Paranhos Ribeiro – PRB
- Walter Ferreira da Silva – PPS
Att.
Maurílio Ferreira da Silva
Movimento Negro Unificado – Campinas/SP/ Presidente do Secretariado de Negros do PSDB Campinas/SP, Membro da Comissão de Religiosos de Matrizes Africanas de Campinas e Região- CRMA

Fonte: DELDEBBIO

Redução dos Juros da Taxa Selic derrubam dívida pública - Marcel Gomes - Carta Maior


Segundo o relatório de política fiscal do Banco Central divulgado nesta terça-feira (30), foram gastos entre janeiro e setembro deste ano R$161,4 bilhões (4,96% do PIB), 9% a menos do que os R$ 177,5 bilhões (5,81% do PIB) despendidos no mesmo período de 2011. Porém, diante do recuo das receitas causado pela desaceleração econômica, o superávit caiu.

São Paulo – Os seguidos cortes da selic pelo Banco Central têm ajudado o governo a reduzir sua despesa com juros. Segundo o relatório de política fiscal do BC divulgado nesta terça-feira (30), foram gastos entre janeiro e setembro deste ano R$161,4 bilhões (4,96% do PIB), 9% a menos do que os R$ 177,5 bilhões (5,81% do PIB) despendidos no mesmo período de 2011.

A se considerar apenas setembro, o recuo é ainda maior. O desembolso no mês passado foi de R$ 13,8 bilhões, 27% a menos do que os R$ 19,1 bilhões gastos em agosto. Nesse caso, explica o BC, a redução foi motivada também pelo menor número de dias do mês e a menor pressão do IPCA.

O atual período de recuo da selic foi iniciado em agosto de 2011. Na ocasião, a taxa foi derrubada de 12,50% para 12,25%. Desde então, foram dez cortes seguidos. O último foi realizado neste mês, quando a selic foi reduzida de 7,50% para 7,25%.

A principal razão para o Banco Central cortar a selic é a reativação da atividade econômica, ainda afetada pela crise financeira global. Juros mais baixos ajudam a incentivar o consumo das famílias. Entretanto, como parcela significativa da dívida pública está vinculada a esse indicador, sua desaceleração surge como um efeito colateral positivo.

Superávit

A redução das despesas com juro não ajudaram, porém, o governo a elevar seu superávit. O superávit total dos governos federal, estaduais, municipais e de parte das empresas estatais foi de R$ 1,6 bilhão em setembro, uma redução de 80% na comparação com os R$ 8,1 bilhões do mesmo mês de 2011.

Ao explicar o resultado específico do chamado governo central (Banco Central, Tesouro Nacional e Previdência Social), o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse na segunda-feira (29) que o dado foi impactado pela queda nas receitas, em função da desaceleração econômica. No entanto, ele previu uma reversão desse cenário até o final do ano, com recuperação das receitas diante das recentes medidas do governo para incentivar os investimentos.

“Tomamos medidas para melhorar e economia que demoram a surtir efeito. Não é tarefa simples prever o mês em que a receita vai se recuperar. Mas nós mantemos a expectativa de melhoria da receita ainda esse ano. Reordenamos receitas e despesas a cada mês”, disse ele.

Dados do relatório do BC divulgado nesta terça ainda mostram que a dívida líquida do setor público atingiu R$ 1.534,6 bilhões (35,3% do PIB) em setembro, mesmo patamar de agosto. Na comparação com dezembro do ano passado, a dívida líquida apresenta uma redução de 1,1 ponto porcentual do PIB.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Presidente do PCdoB/CE avalia resultado final das eleições 2012 - Portal Vermelho

Presidente do PCdoB/CE avalia resultado final das eleições 2012 - Portal Vermelho

Em entrevista concedida ao Vermelho/CE nesta terça-feira (30/10), Carlos Augusto Diógenes (Patinhas), presidente estadual do PCdoB no Ceará, fez um balanço final das eleições 2012. Concluído o processo eleitoral com o resultado do 2º turno, o dirigente comunista enalteceu a consolidação e o fortalecimento dos partidos de esquerda e centro-esquerda (PSB, PT, PMDB, PCdoB) em todo o Brasil e destacou o declínio do núcleo duro da oposição, formado basicamente por PSDB, DEM e PPS.


Os partidos neoliberais estão, gradativamente, perdendo força. Os números apontam estes dados. Nacionalmente, PSDB e DEM diminuíram a quantidade de prefeitos e vereadores eleitos em 2012. Enquanto em 2008 os tucanos elegeram 791 prefeitos, neste ano o número caiu para 702. “A maior derrota que podemos considerar dos tucanos foi em São Paulo, onde eles perderam a eleição do maior colégio eleitoral do país para a coligação PT/PCdoB/PSB/PP”, destacou Patinhas. O DEM, na eleição anterior, saiu vitorioso em 496 municípios. Já neste ano, o número caiu praticamente pela metade, com a eleição de 277 prefeitos.

Crescimento da esquerda

“Já os partidos de centro-esquerda obtiveram grandes avanços”, comemorou Carlos Diógenes. Ele enumera: “O PT cresceu 14%. Em 2008 eram 558 prefeitos, enquanto neste ano elegeu 636. O PSB também conseguiu grandes conquistas. Subiu de 310 prefeituras para 443, o que representa crescimento de 43%. O PCdoB também aumentou seu número de prefeituras em 37%. Em 2008, ganhou em 41 municípios e, neste ano, elegeu 56 prefeitos”. A participação do PCdoB também aumentou nas casas legislativas municipais. Subiu de 612 vereadores em 2008 para 976 parlamentares eleitos em 727 municípios de todo o país.

Dos 56 prefeitos eleitos pelo PCdoB, três confirmaram a vitória apenas no 2º turno. “Conseguimos eleger os prefeitos de importantes cidades do país: Contagem, município da região metropolitana de Belo Horizonte; Jundiaí (SP) e Belford Roxo, cidade localizada na baixada fluminense. Além disso, o PCdoB teve um papel protagonista na eleição do prefeito de São Luis, que é filiado ao PTC”, cita Patinhas. O dirigente comunista destacou ainda os vices prefeitos eleitos do PCdoB em São Paulo, Recife e Rio Branco.

Segundo Patinhas, o crescimento do PCdoB vem sendo gradual. “A cada eleição acumulamos forças, passamos a ter experiência em administrações municipais e enfrentamos novos desafios. Ainda participamos de eleições onde a legislação nos prejudica, por isso defendemos a necessidade de uma reforma política, com financiamento público de campanha e voto em lista fechada. Solucionadas estas questões, partidos como o nosso serão mais valorizados”, defende.

PCdoB no Ceará


Carlos Augusto também considera o crescimento da legenda no Ceará gradual. “Em 2008 elegemos 5 prefeitos, e neste ano subimos para 7. Também aumentamos a quantidade de vice prefeitos de 3 para 5. O número de vereadores acompanhou este crescimento se comparado à eleição municipal anterior. Em 2008 eram 54 parlamentares em 39 cidades. Neste ano elegemos 89 vereadores em 58 municípios cearenses”, contabiliza.

Mas as eleições no PCdoB deste ano não foram feitas só de conquistas. “Em Maranguape, apesar da excelente administração do prefeito George Valentim, não conseguimos reelegê-lo por pouco mais de 600 votos. Em Fortaleza o resultado foi aquém do que esperávamos”, reconhece o dirigente.

Ainda em Fortaleza, com o reposicionamento no 2º turno após o apoio à candidatura vitoriosa de Roberto Claudio (PSB), o PCdoB voltou a compor o bloco de forças mais amplo na disputa junto com demais partidos da base aliada da presidenta Dilma. “Desde o início, quando apresentamos a candidatura de Inácio Arruda à prefeitura de Fortaleza, defendíamos o sentimento de mudança. No 2º turno, diante de candidaturas que representavam o continuísmo e a mudança, nós tomamos a decisão acertada de apoiar Roberto Claudio. Foi uma decisão coletiva, racional e coerente”, defende.

Carlos Augusto ratifica que o apoio a Roberto Claudio, prefeito eleito, não ficará apenas no âmbito eleitoral. “Buscaremos contribuir para que a próxima administração pautada no diálogo com os partidos da base aliada, com os movimentos sociais e que o novo prefeito encaminhe soluções para os graves problemas que o nosso povo enfrenta. Nosso sentimento é que somos participantes com o resultado de um projeto vitorioso”.

Novos desafios

Com o crescimento do partido no Ceará, aumentam também a demandas da direção estadual do PCdoB que irá acompanhar o desempenho dos eleitos. “Como consequência dessa maior representatividade do partido nas prefeituras e parlamentos municipais surge um questionamento: diante deste quadro novo, como cuidar disso?”.

Patinhas informa que o processo de debate será iniciado imediatamente tendo como foco os comitês municipais, segundo ele, organismo protagonista das eleições. “Foram os dirigentes municipais que decidiram sobre o lançamento de candidaturas, quem foi candidato, sobre coligações e o apoios a candidatos de outros partidos. Tudo isso acompanhado pelo comitê estadual. Finalizado o processo eleitoral, passamos a ter uma radiografia melhor do partido em todos os municípios onde estamos organizados”.

Além de fortalecer os comitês municipais o PCdoB também terá como pauta avaliar os resultados das eleições deste ano no Ceará. “Com esta radiografia detalhada, poderemos enxergar melhor nossas virtudes e debilidades. Também iremos avaliar, de forma coletiva, todas as batalhas vitoriosas e extrair lições para os próximos desafios”.

Outra tarefa apontada como fundamental nesta nova etapa é a integração de prefeitos, vices e vereadores aos seus comitês municipais. “Este processo será uma via de mão dupla. Tanto o partido tem a colaborar em seus mandatos como eles, lideranças destacadas em cada município, podem enriquecer os encontros dos comitês locais”.

Patinhas informa que o PCdoB já tem agendadas duas reuniões com os novos eleitos. “E é com o objetivo de integrar que na manhã da próxima quinta-feira, dia 1º de novembro, reuniremos na sede do comitê estadual, prefeitos eleitos, vices, presidentes do partido nos municípios e nossos parlamentares. Neste encontro daremos início ao processo de articulação deles com as direções estadual e municipais, discutindo questões fundamentais como conjuntura política pós-eleição e assuntos relativos à administração municipal. Nosso intuito é fazer um esforço conjunto visando o êxito dessas administrações”, defende.

Outro encontro também reunirá os 89 vereadores do PCdoB cearense eleitos neste ano. A reunião será na manhã do dia 10 de novembro, na sede do comitê municipal do partido em Fortaleza. “Este encontro visa integrar e articular os parlamentares com as demais lideranças do partido para discutir o papel das câmaras municipais e perspectivas de atuação dos vereadores comunistas”, informa Patinhas, que destaca ainda que, a partir de janeiro de 2013, o comitê estadual irá retomar os Fóruns de Integração Regional (FIRs).

Demais frentes

O dirigente comunista destaca ainda que a atuação do PCdoB é permanente e não se limita apenas aos períodos eleitorais. “Nosso partido, em seu projeto de acumulação de forças na busca de uma sociedade socialista atua em três frentes: a institucional/eleitoral, que no momento tem sido a principal; mas também atuamos com muita força nas duas outras frentes essenciais para um projeto de transformação da sociedade que é a dos movimentos sociais e da luta de ideias”.

Patinhas ratifica que, mesmo no período eleitoral, o PCdoB continuou atuante nas demais frentes. “Elas também perpassaram pela questão política na medida em que tanto os movimentos sociais quanto a luta de ideias apresentaram temas que foram debatidos em toda a cidade”.

Encerradas as eleições, Carlos Augusto confirma que o partido deverá se voltar às lutas dos movimentos sociais. “O fim do fator previdenciário, a redução da jornada de trabalho, 50% do pré-sal destinado à educação, o avanço na aplicação do piso nacional dos professores são bandeiras que envolvem os trabalhadores em geral. Também defendemos questões específicas de cada categoria. Nosso partido dará grande atenção às batalhas populares em 2013”.

Na frente da luta de ideias, considera Patinhas, o tema também será aprofundado junto aos comitês municipais. “Em cada cidade, iremos organizar plenárias para discutir as grandes questões que movimentam o país. Através dos nossos instrumentos, como o Portal Vermelho e o jornal "A Classe Operária", levamos opinião fazendo contraponto à mídia burguesa, sempre apresentando novas ideias, abrindo horizontes aos cidadãos”.

De Fortaleza,
Carolina Campos



Leia também:

Patinhas: "PCdoB está com o PSB pelo sentimento de renovação"

Presidente do PCdoB-CE avalia desempenho no partido nas eleições

PCdoB elege 56 prefeitos, sendo 4 em grandes cidades - PCdoB. O Partido do socialismo.

PCdoB elege 56 prefeitos, sendo 4 em grandes cidades - PCdoB. O Partido do socialismo.
No segundo turno das eleições, os eleitores foram às urnas em 50 cidades, sendo 17 delas capitais. Com a consolidação dos resultados do 2° turno, o PMDB aparece como partido com o maior número de prefeitos eleitos em 2012. O partido elegeu 1.023 prefeitos, o que representa 18,39% dos municípios do país. Na lista dos partidos com maior número de prefeitos eleitos em 2012 aparecem o PSDB (702), PT (635), PSD (497) e PP (469). O PCdoB elegeu 56 prefeitos.
Nas capitais, o partido que mais elegeu prefeitos foi o PSB (5), seguido pelo PT (4), PSDB (4), PDT (3), PMDB (2), PP (2), DEM (2), Psol, PSD, PPS e PTC, com 1 prefeito cada.

No chamado G-85, grupo composto por 26 capitais e 59 cidades com mais de 200 mil eleitores, concentrando 50,8 milhões dos eleitores, ou seja, 36,2% do total, o PCdoB aparece em sétimo lugar, com quatro prefeitos eleitos. Nesse grupo, o PT lidera, com 16 prefeituras, seguido pelo PSDB (15), PSB (11) e PMDB (6).

Confira a lista completa do número de prefeitos eleitos por partido.

PMDB 1.023
PSDB 702
PT 635
PSD 497
PP 469
PSB 442
PDT 311
PTB 295
DEM 278
PR 275
PPS 123
PV 95
PSC 83
PRB 78
PCdoB 56
PMN 42
PTdoB 26
PRP 24
PSL 23
PTC 19
PHS 17
PRTB 16
PTN 12
PPL 12
PSDC 9
PSOL 2
Todos os Partidos 5.532
Resultado indefinido 36 municípios

Redação do Vermelho, com agências

domingo, 28 de outubro de 2012

Nádia Campeão: "SP votou pela mudança e pela renovação" - Portal Vermelho

Nádia Campeão: "SP votou pela mudança e pela renovação" - Portal Vermelho

O PCdoB conquistou nas eleições municipais deste ano três importantes vice-prefeituras. Já no primeiro turno, o deputado estadual Luciano Siqueira venceu a corrida pela Prefeitura do Recife na chapa de Geraldo Júlio (PSB). A votação desse domingo (28) também confirmou a presença do PCdoB nas Prefeituras de São Paulo e Rio Branco, com a eleição de Nádia Campeão e Marcio Batista para o cargo de vice-prefeitos, respectivamente.
Logo após a confirmação do resultado na capital paulistana, Nádia Campeão (PCdoB) falou com exclusividade para o Portal Vermelho sobre a eleição. A nova vice-prefeita eleita de São Paulo destacou que o resultado foi “uma vitória da mudança e da renovação, marcas da candidatura de Fernando Haddad. A cidade votou decididamente para um rumo da esquerda. Com uma proposta que procurou apresentar prioridades para a área social e de atendimento dos mais necessitados da cidade. Isso foi absolutamente decisivo”.

Ela lembrou ainda que a candidatura de Haddad também recebeu o importante apoio de setores médios da cidade que aderiram ao programa de governo proposto pela coligação Para Mudar e Renovar São Paulo (PT, PCdoB, PSB e PP) “que é um programa democrático e que apresentou um novo desenvolvimento urbano para a cidade”.

Nádia disse que a participação do Partido no novo governo irá se somar à contribuição de todos os partidos que participaram da campanha. “Devemos governar respeitando a frente política que se estabeleceu. E o compromisso é de que vamos governar juntos”, declarou.


Da redação,
Erika Ceconi e Mariana Viel

Roberto Claudio é eleito prefeito de Fortaleza - Portal Vermelho

Roberto Claudio é eleito prefeito de Fortaleza - Portal Vermelho


O candidato Roberto Claudio (PSB) foi eleito, na noite deste domingo (28), o novo prefeito de Fortaleza. A disputa acirrada com o petista Elmano de Freitas deu o tom em todo o segundo turno. Após a totalização dos votos, Roberto Claudio alcançou 53,02% dos eleitores, somando 650.607 votos. Reunindo um grande número de aliados em torno de sua candidatura, Roberto Claudio representou o desejo de avanço e mudança na capital cearense.

Finalizado o 1º turno, o PCdoB, apostando na renovação, declarou apoio à candidatura de Roberto Cláudio. Durante o anúncio do apoio, Luis Carlos Paes, presidente do PCdoB de Fortaleza, falou do compromisso com a mudança e o desejo que Fortaleza tem de avançar. “Nosso slogan mesmo dizia isso quando a gente enaltecia ‘ A força da mudança’. A coerência tem sido nossa marca ao longo dos anos e continuará assim, agora com Roberto Claudio ”.

Já Carlos Augusto Diógenes (Patinhas), presidente estadual do PCdoB, reforçou o caráter democrático do partido, enalteceu o processo coletivo para a decisão e ratificou que o apoio a Roberto Claudio é um passo dado pensando no melhor para a cidade. “Nossa posição é baseada em ideias e propostas, focada no diálogo”.

Ao longo de todo o segundo turno, a militância comunista se integrou à coligação Para renovar Fortaleza. Emreunião com candidato do PSB, representantes dos movimentos sociais discutiram com o candidato e apresentaram propostas que foram incorporadas pela candidatura. Além disso, o PCdoB intensificou as ações pró-Roberto Claudio.

O deputado federal Chico Lopes, que disputou o primeiro turno como vice de Inácio Arruda, foi um dos que se empenhou na campanha de Roberto Claudio. "Não é por acaso que as coligações do primeiro turno se unificaram em torno da candidatura do Roberto Claudio. Com isso, o eleitorado à esquerda foi contemplado, e novos eleitores vieram”, avaliou.

De Fortaleza,
Carolina Campos


Renato Rabelo: Resultados do 2º turno indicam avanços do PCdoB - Portal Vermelho

Renato Rabelo: Resultados do 2º turno indicam avanços do PCdoB - Portal Vermelho




Em entrevista ao Portal Vermelho logo após o fim da apuração dos votos no segundo turno das eleições municipais, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, fez uma análise dos resultados das disputas nas 50 cidades brasileiras que escolheram neste domingo (28) seus novos representantes.

Por Mariana Viel, da redação do Vermelho
Renato afirmou que o PCdoB conquistou vitórias que completam os bons resultados que o Partido teve no primeiro turno — quando elegeu 51 prefeitos em todo o país. Entre as vitórias destacadas pelo dirigente nacional está a eleição da vice-prefeita da cidade de São Paulo (que é o maior colégio eleitoral do país), Nádia Campeão, e do vice-prefeito de Rio Branco (AC), Márcio Batista.

Ele ressaltou ainda as eleições do deputado estadual Pedro Bigardi para a Prefeitura de Jundiaí — que é um centro industrial e tecnológico do estado de São Paulo—; do deputado estadual Carlin Moura, à Prefeitura de Contagem — que é um grande centro industrial de Minas Gerais —, e de Dennis Dauttmam à Prefeitura de Belford Roxo — que é um importante centro populacional da Baixada Fluminense.

“São êxitos muitos significativos porque estavam em jogo o segundo turno de cidades grandes. Além disso, já tínhamos elegido um vice também em uma capital que é Recife [Luciano Siqueira]. Portanto, é um segundo turno em que o resultado avança nas vitórias que o PCdoB teve. É um arremate importante para o Partido porque alcançamos hoje a eleição em prefeituras muito importantes”.

Ele enfatizou que o PCdoB também foi protagonista principal da campanha que levou Edivaldo Holanda Júnior (PTC) à Prefeitura de São Luís (MA). “Isso abre caminho para um novo horizonte no estado porque nós derrotamos uma oligarquia tradicional do Maranhão, expressa na pessoa do prefeito João Castelo (PSDB)”.

Renato ressalta que das 50 cidades que tiveram segundo turno, os partidos que apoiam a presidenta Dilma Rousseff venceram em 80% delas e a oposição [considerando PSDB, DEM e PPS] perdeu, no conjunto, 30 milhões de eleitores — o que em um universo de 110 milhões é um número bastante significativo. “Foi um resultado muito importante para a base da presidenta porque isso tem reflexo também nas eleições de 2014”, reforçou.

Para ele, o fato mais significativo do revés que a oposição sofreu nessas eleições foi a derrota na capital paulista. “É o maior reduto deles que cai. Não é por caso que eles lançaram mão da liderança mais importantes deles para segurar e não conseguiram. Foi a derrota mais significativa da oposição e a vitória mais importante das forças de apoio da presidenta Dilma.

Resultados adversos

O presidente nacional do PCdoB comentou também alguns resultados adversos, no caso do PCdoB, a derrota de Vanessa Grazziotin, em Manaus (AM) e a derrota para a própria base do governo federal em Salvador, com Nelson Pelegrino (PT). “Esses dois casos representam a volta de setores da oposição que já haviam sido batidos nas eleições. No caso de Manaus, perdemos para Arthur Virgílio (PSDB) que foi um antigo líder da oposição e que havia sido derrotado em 2010 [na disputa pelo Senado]. E no caso de Salvador, a vitória de ACM Neto representa a volta do “carlismo”. Esses resultados vão requerer uma análise para que tiremos lições desses casos”.

Com mais 65% dos votos, Bigardi é o novo prefeito de Jundiaí - Portal Vermelho

Com mais 65% dos votos, Bigardi é o novo prefeito de Jundiaí - Portal Vermelho

O deputado estadual Pedro Bigardi (PCdoB) é o novo prefeito de Jundiaí. Com 98,17% das urnas apuradas, o candidato da coligação Confiança Para Renovar aparece com 65,59% dos votos válidos. Luiz Fernando Machado (PSDB) ficou com 34,41%. Os votos brancos somam 2,28% e os nulos, 4,68%. A abstenção está em 11,24%.
Jundiaí tem 374.962 habitantes e é um dos dez municípios que integram o circuito das frutas no interior paulista, o que estimula o turismo rural. O comércio da cidade é desenvolvido em quase todos os ramos.

Bigardi administrará um município com Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 16,6 bilhões, sendo R$ 9 bilhões do setor de serviços e comércio e R$ 5,2 bilhões do setor industrial. Os dados são do levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2009.

Na área de transportes, todas as ferrovias do estado de São Paulo passam, começam ou terminam em Jundiaí, ligando a cidade diretamente ao Porto de Santos, que fica a 110 quilômetros.


Com informações das agências


Carlin Moura é eleito em Contagem com larga vantagem - Portal Vermelho

Carlin Moura é eleito em Contagem com larga vantagem - Portal Vermelho

Com 98,68% das urnas apuradas, a vitória do comunista Carlin Moura em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, foi confirmada com larga vantagem. O resultado ratifica o cenário de vantagem do comunista observado nas pesquisas eleitorais ao longo do segundo turno. Carlin teve 66,27% dos votos contra 33,73%.
Terceiro maior colégio eleitoral de Minas Gerais, Contagem tem 432.894 eleitores. Carlin Moura conquistou nas urnas 37,88% da preferência do eleitorado da cidade no primeiro turno.

A campanha de Carlin, no segundo turno, foi centrada na retomada do processo de industrialização e geração de emprego e renda na cidade.

O novo prefeito agora vai dirigir a terceira maior cidade do Estado, com PIB de R$ 12,8 milhões.

Da Redação

Dennis Dauttmam é eleito prefeito de Belford Roxo, no RJ - Portal Vermelho

Dennis Dauttmam é eleito prefeito de Belford Roxo, no RJ - Portal Vermelho

Dauttmam tem 48 anos e está no segundo mandato como vereador do município. Agora é o primeiro prefeito do PCdoB na Baixada Fluminense.


O candidato Dennis Dauttmam (PCdoB) foi eleito, neste domingo (28), prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Dauttmam tem 48 anos e está no seu segundo mandato como vereador do município. Ele é casado com Raquel e tem dois filhos, Dennis, de 18 anos, e Deivid, de 7. Com sua eleição, ele se torna o primeiro prefeito do PCdoB na Baixada Fluminense.

O prefeito eleito votou por volta das 9h30 deste domingo, no Jardim Escola Castelinho III, no Centro da cidade. Ele estava acompanhado da mulher e dos filhos.

Na saída da votação, ele disse que sua prioridade no governo será a área da saúde: “É uma grande necessidade da população. As nossas propostas para essa área sempre foram muito bem recebidas, porque eu também sou um usuário do sistema público. Eu observava as necessidades e, devido ao que eu observei e o que a população reivindicou, montamos nosso plano de saúde de acordo com a necessidade da população”, afirmou Dauttmam.

O prefeito eleito também falou sobre sua proposta de atrair investimentos para a cidade: “Eu quero transformar Belford Roxo em uma cidade de primeiro mundo, onde o morador tenha orgulho. Deixar de ser uma cidade dormitório e ser uma cidade que possa criar expectativas de desenvolvimento, de acordo com o crescimento do Brasil. Vamos procurar dar incentivos fiscais para que as empresas possam se estabelecer aqui. Gerar mais arrecadação, mais dinheiro. Aí todo mundo sai ganhando: o município, a população. Então é essa a nossa bandeira”.

No primeiro turno, em 7 de outubro, Dauttman ficou em primeiro lugar, com 40,93% dos votos. Waguinho (PRTB), seu adversário no segundo turno, teve 33,08% nas urnas.

No segundo turno, Dauttmam teve o apoio do atual prefeito Alcides Rolim (PT), que ficou em terceiro lugar na votação de 7 de outubro.

Durante a campanha, Dennis Dauttmam disse que seu programa de governo prevê reestruturação dos postos de saúde do município, construção de unidades de atendimento 24 horas, criação de um hospital de cardiologia e abertura de um centro pediátrico.

O município de Belford Roxo voltou às urnas para o segundo turno após uma campanha tumultuada. A confusão começou em junho, quando a ex-prefeita Maria Lúcia dos Santos, do PMDB, pré-candidata à Prefeitura, morreu ao 59 anos, de infarto.

Campanha confusa

Na reta final do pleito do primeiro turno, panfletos com acusações a Dauttmam estremeceram a campanha. Na sexta-feira (26), uma nota do Ministério Público Federal (MPF) informou que Waguinho estava inelegível. O deputado foi mesmo condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), em 2011, a três anos de inelegibilidade, mas a decisão foi anulada pela Justiça Eleitoral em junho deste ano. A informação equivocada obrigou o MPF a emitir uma nota de retificação na qual confirma que Waguinho está elegível.

Com agências





quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Memória de Maurício Grabois - Jorge Amado,



Fundação Maurício Grabois



Além de companheiros, fomos amigos. Quero dizer com isso, que nosso relacionamento, diário durante algum tempo, não se reduzia aos limites das circunstâncias partidárias


Entre os muitos dirigentes comunistas com quem tratei durante meus anos de Partido, Maurício Grabois foi um dos daqueles a quem me liguei por laços mais profundos do que os da luta política, da militância. Além de companheiros, fomos amigos. Quero dizer com isso, que nosso relacionamento, diário durante algum tempo, não se reduzia aos limites das circunstâncias partidárias, gostávamos de estar juntos, conversar fora das reuniões, falar de temas que não tinham que ver com as tarefas recebidas e cobradas. Maurício era verboso, falava muito – quando o conheci, ainda bem jovem, seu apelido era Vitrola -, mas sabia ouvir, hábito raro em geral e ainda e mais num dirigente.

De Maurício, podia-se divergir sem receio de ofender a disciplina partidária. O culto à personalidade, tão ao gosto da época, ele não o praticava ao menos no que se referia a sua própria figura: membro da Comissão Executiva era, no trato, o igual de qualquer modesto militante. Essa falta de presunção, eis uma das coisas que eu mais presava nele. Outra era a capacidade de duvidar, de querer saber de fato, tirar a limpo, num tempo em que a dúvida não era permitida, era mal-vista, quase sinônimo de falta de firmeza, senão de coisa pior. Talvez por ser judeu, Maurício tinha o gosto da dúvida e acontecia-lhe provocar a discussão, estender-lhe os limites, colher matéria para reflexão. Não sei se era bom teórico ou não, jamais consegui entender, muito menos julgar, tais categorias. O que sei é que em Maurício havia uma certa sensibilidade, um calor humano que o espírito de seita, tão terrivelmente limitador, não conseguia destruir. Fui testemunha, por mais de uma vez, do preço que pagava por não ser estreito.

Fui seu colega de bancada na Constituinte em 1946 e na Câmara Federal, em 1947. A meu ver, Maurício era, de todos nós, o de maior vocação parlamentar, um brilhante deputado. Não da mesma forma que era brilhante Mariguela: diferente, menos zombador, mais malicioso. Recordo ainda hoje um discurso que Maurício pronunciou às vésperas da cassação da bancada comunista, respondendo a Flores da Cunha que nos acusara de traidores da Pátria. Um primor de discurso, de exemplar dignidade.

Trabalhei com ele na ilegalidade — Maurício foi responsável pelos assuntos culturais —, muito discutimos e nos batemos, sobretudo em determinado tempo quando o horizonte ideológico ficara extremamente reduzido. Surpreendi-me mais de uma vez ao saber que Maurício defendera junto a seus pares da Comissão Executiva, ponencias e posições que não correspondiam por inteiro à ortodoxia imperante.

Era alegre, outra qualidade. Não cultivava o ar soturno, a caratonha de tromba, características daqueles idos. Recordo de tê-lo visto triste, acabrunhado, apenas uma vez. Chegava de Moscou onde o relatório de Kruchov ao XX Congresso do PCUS incendiava o mundo. Maurício veio ver-me em minha casa no Rio; estava ferido, eu já disse. Conversamos uma tarde inteira, conversa a “batons rompus”, ao sair ele confirmou: “eu vou em frente, haja o que houver!”

A última vez que o vi, foi em Cuba. Veio comentar comigo uma entrevista que eu dera a um jornal de lá. Depois vieram os anos da ditadura militar, eu soube de Maurício apenas notícias vagas, até que alguém me informou que ele morrera, numa guerrilha, no Araguaia. Eu sempre vira nele mais um intelectual do que um soldado. Mas não admirei que morresse guerrilheiro: escolhera seu caminho e o trilhou até o fim. Haja o que houver, me disse um dia.

Jorge Amado

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Agitação e Propaganda Para Milhões, Fator Decisivo Para a Vitória do Programa do Partido - Maurício Grabois ensina como difundir um Programa

Fundação Maurício Grabois


Intervenção de Maurício Grabois no IV Congresso do Partido Comunista do Brasil - PCB, em novembro de 1954. Publicada em Problemas Revista Mensal de Cultura Política, nº 64, dezembro 1954 a fevereiro de 1955.
 
 
Camaradas Delegados Fraternais
Camaradas Delegados
Em seu Informe ao IV Congresso, o camarada Prestes arma os membros do Partido para lutar com êxito pelos objetivos do Programa, traça com clareza as tarefas para derrotar as forças reacionárias internas e o opressor imperialista norte-americano. Diz o camarada Prestes:
«Na atual situação, ampliar e melhorar a propaganda e a agitação poíitica do Partido é uma questão decisiva para o próprio Partido.»
Como estamos enfrentando essa questão decisiva?
Com o lançamento do Programa, a nossa agitação e propaganda ganhou novo estimulo, cresceu cm voiume e melhorou em qualidade. O Programa foi editado e difundido em massa através dos jornais da imprensa popular, de folhetos, volantes e palestras e de vários órgãos da imprensa que não estão sob a nossa influência. Nenhum documento do Partido foi tão popularizado e debatido entre o povo como o Programa. Atinge a quase 4 milhões o número de exemplares do Programa até agora editados e divulgados em todo o país. Mais de vinte jornais que representam as mais diferentes forças e correntes políticas, entre os quais se incluem alguns órgãos de imprensa de grande circulação, reproduziram em suas páginas o Programa do Partido.
Inúmeras iniciativas, muitas delas novas e criadoras, surgiram no trabalho de agitação e propaganda após o lançamento do Programa. São milhões e milhões de volantes e boletins com trechos do Programa, são os cartazes e as pinturas sobre o Programa, são as cartas endereçadas a milhares de pessoas apresentando o Programa. Em vários Estados, estações de rádio do interior e serviços de alto-falantes irradiam partes do Programa. Debates, conferências, palestras e sabatinas sobre o Programa foram realizados em grande número entre amplas massas das cidades e do campo. Comandos nas grandes cidades e no interior foram realizados, com visitas de casa em casa para divulgar e explicar o Programa. Na Região de Piratininga, em todas as empresas de mais de 500 operários, o Programa foi distribuído e discutido com plena aceitação da massa. Camaradas do interior do Ceará debateram o Programa com mais de 2 mil camponeses, percorrendo fazenda por fazenda. Numa assembléia da Associação de Camponeses de Nova Fátima, no norte do Paraná, o Programa foi lido para 800 camponeses. O Comitê de Empresa da Prefeitura do Distrito Federal enviou aos funcionários, pelo correio, exemplares do Programa e, posteriormente, controlou o seu recebimento, colhendo as impressões causadas e entabulando discussão sobre as diversas questões suscitadas pelo Programa. Experiência interessante no debate do Programa foi a polêmica travada entre o «Jornal do Povo», de Belo Horizonte, e o jornal do padre da cidade de Diamantina — acontecimento que despertou grande interesse e determinou que o Programa prendesse vivamente a atenção do povo durante várias semanas.
O trabalho de agitação e propaganda concorre, assim, para aumentar a repercussão que o Programa está alcançando entre as mais variadas camadas da população e no país inteiro.
No trabalho de agitação e propaganda do Programa, o papel mais destacado coube à imprensa popular. Após o lançamento do Programa, os jornais da imprensa popular realizaram importante avanço. Em diversos Estados, jornais que estavam sem circulação voltaram novamente a ser editados e em outros Estados foram criados novos órgãos de imprensa. Hoje, a imprensa popular é constituída pela «Voz Operária», por cinco periódicos de caráter nacional, por sete diários, doze semanários e inúmeros pequenos jornais de empresa e de setor profissional. Esta rede de jornais é uma arma insubstituível na propaganda do Programa e na luta pela execução das tarefas que o Partido enfrenta.
Com a publicação do Programa do Partido, a imprensa popular vem revelando alguns progressos. Isto diz respeito, particularmente, à «Voz Operária» e aos diários do Distrito Federal e de São Paulo. Embora lentamente, melhora o conteúdo e a apresentação gráfica, bem como aumenta a circulação da maioria dos jornais da imprensa popular. Com a publicação do Programa, a «Voz Operaria» teve sua tiragem aumentada em cerca de 80%, sendo que, na capital de São Paulo, a sua circulação cresceu em 5 vezes. O diário «Imprensa Popular», que circula no Distrito Federal, aumentou sua vendagem em 100%, sem incluir as vendas através de comandos realizados aos domingos. Em São Paulo, o «Hoje», diário de massas, teve também acrescida a sua circulação. No Rio Grande do Sul, o órgão diário da imprensa popular realizou sensíveis progressos. O jornal da Bahia, que tinha sido profundamente golpeado pela reação, voltou a circular diariamente e a sua tiragem foi duplicada. O semanário de Minas Gerais foi transformado em diário. A difusão dos jornais da imprensa popular tem aumentado com a sua venda através dos comandos realizados organizadamente aos domingos. Isto contribuiu para torná-los mais conhecidos das massas. Basta citar o fato de comandos da «Imprensa Popular», no Rio, distribuírem, em um domingo, três vezes mais exemplares do jornal do que a quantidade vendida normalmente nas bancas.
Mas, os êxitos obtidos na frente de agitação e propaganda são poucos em relação às exigências da luta para tornar vitorioso o Programa. Ainda não satisfazem, tanto em quantidade como em qualidade, os volantes, boletins, cartazes, faixas e pinturas. É insuficiente o número de comícios, palestras, conferências e sabatinas públicas sobre o Programa, e os oradores e conferencistas deixam muito a desejar. Não fazemos uma agitação e propaganda para milhões de brasileiros. Não nos dirigimos especificamente aos operários, aos camponeses, às mulheres, aos jovens, a cada camada social que pode integrar a frente única anti-feudal e antiimperialista. Nossos folhetos e volantes, na maioria das vezes, são dirigidos a todos os patriotas indistintamente, sem falar das reivindicações particulares de cada camada da população.
Mesmo no terreno da difusão do Programa, estamos atrasados. Não há um só Comitê Regional que tenha superado as cotas de publicação do Programa fixadas pelo Comitê Central no Plano Lênin. O trabalho de divulgação e popularização do Programa ainda não obedece a uma planificação detalhada e permanente, com a determinação das datas e lugares das empresas, fazendas, bairros e ruas que devem ser atingidos. A edição de cerca de 4 milhões de exemplares do Programa é insuficiente para um país como o Brasil, com uma população de 51 milhões de habitantes. Como esclarecer as massas do Rio Grande do Norte e dirigir suas lutas se, naquele Estado, o Comitê Regional só distribuiu cerca de mil exemplares do Programa? Como conquistar os 6 mil mineiros de Morro Velho para as posições políticas do Partido se ali, até agora, foi difundido apenas um milhar de folhetos com o Programa? Não nos podemos contentar com as irrisórias edições do Comitê Regional de Pernambuco, de 75 mil exemplares, para uma população de 3 milhões e 400 mil pessoas. Tampouco satisfaz o trabalho do Comitê Regional do Rio Grande do Sul, com a publicação de 550 mil exemplares, para serem distribuídos entre uma população de cerca de 5 milhões de habitantes.
Temos perdido inúmeras e boas oportunidades para falar ao povo. Por exemplo, não soubemos aproveitar suficientemente, apesar do muito que fizemos, os acontecimentos de 24 e 25 de agosto, quando o povo na rua se mostrava indignado com o imperialismo íanque, para denunciar a decomposição do atual regime e apontar às massas as nossas soluções, as medidas que se incluem no Programa do Partido. Mesmo no curso da campanha eleitoral, não trabalhamos, como era necessário e preciso, entre as diversas camadas do povo com o Programa, explicando-o mais claramente nos comícios, nos comandos e nas palestras. Nossa agitação e propaganda cuida frequentemente da «alta política» sem contacto com a realidade local, sem partir dos problemas da vida cotidiana que mais preocupam as massas. Vejamos um exemplo bastante expressivo: a corrupção dos governantes e os escândalos que caracterizam o atual regime. É uma questão que desperta o maior interesse do povo. Durante a campanha eleitoral a imoralidade que viceja nos círculos políticos das classes dominantes veio à tona. Enquanto politiqueiros venais, declarados agentes dos monopólios norte-americanos, demagogicamente, levantavam a luta contra a corrupção e, assim, ludibriavam as massas, nós, comunistas, que somos inatacáveis e de reconhecida honradez, não fomos suficientemente capazes, no momento oportuno, de desmascarar as roubalheiras e negociatas, de revelar a lama em que chafurda o regime de latifundiários e grandes capitalistas.
É reduzido o nosso trabalho de agitação e propaganda dirigido às massas de analfabetos que constituem a maioria das camadas sociais que precisamos conquistar. Dai a nossa pouca utilização do rádio, do cinema, dos discos, etc, para divulgar e esclarecer o Programa.
Ainda falamos uma linguagem pouco accessível às massas. Usamos em certos casos, as frases feitas e decoradas que constituem a gíria partidária. Este linguajar é uma manifestação sectária, uma vez que sendo incompreensível para o povo dele nos isola.
No trabalho de imprensa, temos a assinalar inúmeras debilidades. Os jornais da imprensa popular avançam lentamente no esclarecimento e educação política do povo. Não explicamos suficientemente nos jornais da imprensa popular o Programa, nem orientamos com segurança o debate público em torno desse documento básico do Partido. As entrevistas, os artigos de esclarecimento, os fatos vivos para a comprovação das teses do Programa, frequentemente aparecem nos jornais da imprensa popular sem continuidade e sem relevo. As respostas às perguntas dirigidas às redações, de um modo geral, são ainda superficiais e sobre questões de detalhe. Muitos jornais da imprensa popular deixaram desaparecer as seções sobre o Programa e outros se limitam a reproduzir as respostas publicadas na «Voz Operária». Algumas respostas às perguntas dos leitores são incompletas e muitas outras não trazem os dados para comprovar as teses defendidas.
Pouco utilizamos na imprensa um meio tão poderoso de esclarecimento e educação do povo como a polémica. Não respondemos com persistência as teses da imprensa a serviço do imperialismo americano que procura justificar a submissão do pais aos monopólios dos Estados Unidos. Há, ainda, vacilações na detesa das nossas posições e das reivindicações das classes e camadas sociais que são chamadas a integrar a frente democrática de libertação nacional. Embora tenhamos dado alguns passos no que se refere à defesa dos direitos e reivindicações da classe operária, não abordamos com a devida profundidade as questões relacionadas com os interêssses da pequena burguesia urbana, da intelectualidade e da burguesia nacional. Os problemas das massas camponesas estiveram ausentes durante um longo período nos jornais da imprensa popular, e ainda hoje subestimamos os assuntos referentes ao trabalho no campo. Assim, não contribuímos na medida do necessário, para impulsionar a organização da frente única aniiteudal e antiimperialista. Nota-se ainda nos jornais da imprensa popular pouca vivacidade e falta de combatividade. Os jornais não refletem inteiramente o descontentamento cada vez maior das massas com relação à política do atual governo. Reagimos lentamente face aos acontecimentos e nem sempre respondemos na ocasião oportuna, e de maneira justa, aos fatos que se sucedem no cenário político. Isto porque os nossos jornalistas ainda não assimilaram de todo o Programa. Em algumas ocasiões os jornais da imprensa popular caem no objetivismo burguês e se deixam influenciar pela imprensa burguesa, pelo seu sensacionalismo, o que significa, na prática, capitular diante da pressão ideológica das classes dominantes e do imperialismo norte-americano. Outro fator que dificulta a melhoria e a expansão dos jornais da imprensa popular é a sua linguagem pouco compreensível ao povo. Embora depois da apresentação do Programa, tenhamos progredido na maneira de redigir e apresentar as matérias, muitas vezes escrevemos como se os jornais da imprensa popular se destinassem unicamente aos comunistas e simpatizantes e não aos milhões de brasileiros. Os jornais da imprensa popular, via de regra, são pouco noticiosos, o que prejudica sua penetração nas amplas massas.
As debilidades apontadas repercutem negativamente na circulação dos jornais da imprensa popular. Apesar do numero de jornais da imprensa popular não ser pequeno, as suas tiragens são reduzidas se comparadas com as necessidades da luta pela vitória do Programa. O ritmo de crescimento da circulação dos jornais da imprensa popular é vagaroso. Confrontando o número de exemplares que atinge a circulação dos diários e semanários da imprensa popular em cada Estado e município com o número de seus habitantes, a conclusão a tirar é que eles alcançam somente os comunistas e os homens mais avançados.
As deficiências da imprensa popular estão inteiramente ligadas à nossa subestimação em relação aos jornais. Não orientamos de modo persistente os diários ou periódicos. As redações passam meses sem controle e assistência. É geral o descaso. Pouco se discute a situação da imprensa e não se tomam as medidas necessárias para superar as suas falhas. Satisfazemo-nos com as pequenas tiragens, quando é perfeitamente possível multiplicar por muitas vezes a circulação dos jornais da imprensa popular.
Em face das exigências do trabalho de popularização e esclarecimento do Programa, a agitação e propaganda em todos os seus aspectos tem que sofrer uma profunda reviravolta. Em nossa agitação e propaganda é preciso colocar em primeiro plano os problemas básicos do Programa e as atuais tarefas políticas traçadas no Informe do camarada Prestes. Defender a paz, não dar tréguas ao imperialismo norte-americano, desmascarar o governo de latifundiários e grandes capitalistas que realizam no Brasil a política dos monopólios dos Estados Unidos. Manter uma posição unitária procurando atrair todos os que podem marchar conosco, por um ponto do Programa que seja, na luta contra o inimigo comum. Aos jornais da imprensa popular cumpre popularizar ainda mais as realizações da União Soviética, da República Popular da China e dos países de democracia popular.
Ampliemos os nossos horizontes e pensemos na agitação e propaganda em termos de milhões. Para continuarmos com mais intensidade a batalha para transformar o Programa do Partido em programa de todo o povo, cabe-nos editar e divulgar milhões de exemplares do Programa, para que todo patriota receba um exemplar do Programa. É indispensável organizar cuidadosamente a distribuição do Programa entre as massas, levar o Programa de fábrica em fábrica, de fazenda em fazenda, de vila em vila, de casa em casa. Especial atenção deve merecer a confecção de milhões de volantes, cartazes, pinturas murais, etc, capazes de atrair a atenção das massas para o Programa.
A popularização do Programa exige a intensificação de debates, mesas-redondas, conferências, comícios, etc. Para isso, cabe-nos organizar grupos de agitadores e propagandistas com elementos capazes de explicar o Programa ao povo, cada dia e cada hora, em linguagem clara e simples, com argumentos convincentes.
Uma importante exigência da luta pelo Programa é a de intensificar a agitação e propaganda entre as massas de analfabetos. Neste sentido é necessário desenvolver a agitação oral e fazer todos os esforços para utilizar ao máximo as estações de rádio e os serviços de alto-falantes existentes no país, bem como gravar discos com partes do Programa e textos sobre as tarefas que enfrentamos.
Simultaneamente, é preciso acelerar o nosso trabalho editorial, tendo em vista melhorar a propaganda. Aumentar o ritmo de publicação das obras dos clássicos do marxismo, terminando no menor prazo a publicação das «Obras Escolhidas» de Lênin e das «Obras» de Stálin. Nos próximos planos editoriais, precisamos incluir estudos sobre a realidade brasileira.
Pensamos ser dever irrecusável de todos os Comitês Regionais ajudar as organizações de base a elaborarem seus planos de popularização e esclarecimento do Programa entre as massas. Isto significa difundir o Programa aos milhões e levantar as suas tarefas, tendo em conta que as questões políticas mais candentes e as reivindicações mais sentidas das massas devem estar ligadas de maneira viva ao Programa.
No que se refere ao trabalho com a imprensa popular, precisamos melhorar o conteúdo de todos os jornais. A imprensa popular precisa ser o melhor veículo de divulgação e esclarecimento do Programa e expressar fielmente as nossas tarefas atuais.
O semanário «Voz Operária» necessita elevar rapidamente seu nível. Precisamos melhorar a qualidade das matérias editoriais e tornar a «Voz Operária» em um poderoso instrumento de educação dos comunistas e das massas, que faça, sem interrupção, a propaganda do marxismo-leninismo.
Um persistente combate deve ser travado para ligar ainda mais a imprensa popular às grandes massas. Os jornais, principalmente os diários, precisam ser bastante informativos, tratar dos problemas que interessam os mais diversos setores da população, levantar com vigor as reivindicações da classe operária e das massas populares. Com urgência, necessitamos criar amplas redes de correspondentes dos jornais da imprensa popular, capazes de estabelecer uma viva ligação entre os jornais e as massas e de levar ao conhecimento das redações os fatos que ocorrem nas fábricas, fazendas e vilas, bairros e em todos os locais de trabalho.
Particular atenção estão a merecer os pequenos jornais de empresa e setor profissional, através de um auxilio continuado aos seus redatores com opiniões e sugestões. Os pequenos jornais têm que refletir sempre as reivindicações mais sentidas das massas trabalhadoras.
Importante tarefa no trabalho de agitação e propaganda é elevar o nível político, ideológico e profissional dos nossos jornalistas. Para que estes jornalistas assimilem mais rapidamente o Programa, cabe-nos realizar reuniões periódicas com as redações para o debate e o estudo do Programa e para a discussão das questões políticas mais importantes do momento, através da organização de planos de conferências, bem como do «Seminarium» da redação. É urgente criar cursos de jornalismo, tendo em vista a formação de novos quadros e melhorar a composição social das redações dos jornais da imprensa popular, fazendo com que o corpo de redatores seja enriquecido com quadros operários e camponeses. É imprescindível destacar para os jornais quadros politicamente qualificados, capazes de refletir a linha política e assegurar a reviravolta que a luta pelo Programa impõe.
Para facilitar o crescimento da imprensa popular grande esforço deve ser realizado para que os jornais sejam atraentes do ponto-de-vista gráfico. Precisamos dar uma atenção especial ao aparelhamento das oficinas gráficas e ao estudo da paginação dos jornais.
Outra importante tarefa é desenvolver a agência de notícias, transformando-a num poderoso auxiliar dos jornais da imprensa popular. Não só pelo envio de notícias e artigos, como também pelas opiniões críticas e propostas concretas.
É necessário ajudar os jornais de massas dedicados a determinados setores da população a se transformarem em jornais de grande circulação. É urgente prestar um auxílio permanente ao jornal sindical, ao jornal camponês, à revista feminina, ao jornal da juventude e ao jornal de luta pela emancipação nacional, a fim de que se dediquem efetivamente aos setores da população a que estão destinados e levem em conta as peculiaridades e as reivindicações de cada setor, utilizando uma linguagem própria, de fácil compreensão para seus leitores.
É uma questão vital para os jornais da imprensa popular melhorar sua difusão. Os jornais da imprensa popular precisam alcançar grandes tiragens. A tarefa de aumentar a difusão da imprensa popular não é só das direçòes dos jornais. Em toda parte precisamos estabelecer planos concretos de difusão, realizando obrigatoriamente comandos aos domingos, fazendo propaganda do jornal, criando agências e sucursais nos bairros e municípios e organizando o corpo de vendedores especiais. Tendo em vista impulsionar a distribuição dos jornais da imprensa popular, será de grande importância o «Mês da Imprensa», a ser instituido em março próximo.
Camaradas:
Chegamos a este Congresso assinalando importantes êxitos que despertam o furor dos inimigos de nossa pátria. A unidade das forças democráticas e antiimperialistas avança, forjamos a frente democrática de libertação nacional. Sob a dlreção provada do camarada Prestes, o Partido saberá cumprir seu papel histórico de chefiar a luta para livrar o pais da escravidão imperialista norte-americana.
Caminhamos confiantes ao encontro de um futuro de felicidade, pois temos ao nosso lado o campo das forças democráticas, à cuja frente marcha impavidamente a grande União Soviética.

A defesa da democracia pela bancada comunista - Por Maurício Grabois

Fundação Maurício Grabois


Discurso de Maurício Grabois publicado no Diário da Assembleia de 2 de setembro de 1946, p. 16 e 17.
O SR. MAURÍCIO GRABOIS – Sr. Presidente, Srs. Constituintes, a bancada do Partido Comunista nesta Assembleia tem sempre dado mostras de seu espírito de unidade, para resolver os problemas mais cruciantes do nosso povo e da democracia em nosso país.

A todos os Srs. deputados e senadores não deve ter passado desapercebido o esforço que os representantes comunistas vêm aqui desenvolvendo, com o propósito de dar ao Brasil uma Constituição verdadeiramente democrática.

Claro está, Sr. Presidente, que divergências existem entre os diversos partidos e até, por vezes, no seio dos próprios partidos, porque esta Assembleia é, de fato, democrática e expressa a vontade e a opinião das variadas correntes políticas brasileiras.

Nenhum dos ilustres Srs. representantes poderia negar o esforço que vimos desenvolvendo, a fim de dar ao país a Constituição que o povo reclama. Não só nos trabalhos constitucionais, através de nossas atividades diárias, em contato com todos os nossos dignos colegas, como nas várias Comissões parlamentares e em todos os momentos, enfim, temos demonstrado o propósito de honrar os compromissos assumidos perante o povo brasileiro.

De forma alguma, em qualquer instante de nossas atividades parlamentares, deixamos de cumprir os preceitos democráticos, e se assim agimos é porque nosso partido – partido que é do proletariado – tem, hoje, grande responsabilidade na vida política do Brasil.

Srs. Constituintes, se estamos construindo uma democracia, não podemos compreender que isto se processe sem a participação do Partido Comunista. Será sonho pensar-se que, após a derrota de Hitler nos campos de batalha, possamos realizar a verdadeira democracia sem a presença do Partido Comunista, ou seja, sem a participação do proletariado. Aí temos os exemplos da França, da Tchecoslováquia, Iugoslávia, de todas as nações do mundo, exceção feita de países onde ainda perduram vestígios do fascismo, como Espanha e Portugal.

Sr. Presidente e Srs. Constituintes, não obstante nossa posição em defesa intransigente do regime democrático, de que é guarda avançada esta Assembleia, elementos reacionários, fascistas mesmos, homens que no passado estiveram ligados a Hitler e Mussolini, e que hoje conspiram contra a democracia, procuram por todos os meios e modos, levantar as piores calúnias contra o nosso partido, tentando levar o povo à confusão, com o fim de lançar nossa organização partidária na ilegalidade.

Aqui desta tribuna teve oportunidade de afirmar o nobre senador, Sr. Luís Carlos Prestes que nós, comunistas, não temos o fetiche da legalidade. Defendemos, intransigentemente, a nossa legalidade, porém, não somos nós os comunistas, os únicos interessados na defesa dessa legalidade do partido. Porque, hoje, lutar em defesa do Partido Comunista é fazê-lo em defesa da democracia. Nós, comunistas, porque compreendemos os sofrimentos do povo, as aspirações das massas trabalhadoras, saberemos dirigi-los e orientá-los na luta em quaisquer circunstâncias, quer na legalidade, quer na ilegalidade. Não nos assusta a ilegalidade. Não serão as ameaças de que será liquidado o nosso partido, de que lhe será negada existência legal, de que seus dirigentes serão encarcerados, torturados e até mesmo fuzilados, que impedirão que o nosso povo veja sempre, nos comunistas, seus legítimos defensores, autênticos elementos democráticos. Se o povo vê nos comunistas seus lídimos representantes, é porque sempre nos temos colocado em posição de defesa dos princípios democráticos. E a nossa própria atividade, nesta Assembleia, é um exemplo disso.

Dirijo um apelo para todos os nobres representantes do povo, que reputo democráticos, para que façam um exame de consciência, para que analisem a ação desenvolvida pela nossa bancada e, sem preconceitos, digam se não cooperamos para que tenhamos, de fato, uma Constituição verdadeiramente democrática.

Aqui mesmo, durante os debates, embora modesta, nossa colaboração, não tem faltado à elaboração da Carta Magna.

Vindo à tribuna protestar contra os fatos que estão ocorrendo na capital da República nestes últimos dias, quero ponderar que não o faço unicamente em defesa do nosso partido. O que estamos defendendo é a democracia. Todos os atentados que presenciamos são ao regime democrático. A prisão do 1° suplente de deputado Sr. Trifino Correia, que já teve assento nesta Assembléia, não é um atentado somente ao Partido Comunista, mas à democracia e, se não defendermos as imunidades parlamentares tão duramente atingidas, estaria falida a democracia que procuramos construir.

É necessário que se compreenda que essa defesa é una, indivisível. Não seria justo, atualmente, levantar problemas de ordem filosófica, de ordem partidária, que só podem separar os democratas na luta contra os remanescentes do fascismo. Assim, mantivemos, desde que se criou um clima de liberdade no país, sempre, aqui nesta Assembléia, na praça pública e em nossos documentos, posição de defensores da ordem e da legalidade, de apoio a todos aqueles que querem um regime democrático para o Brasil.
Ninguém mais do que nós deu exemplo de que não temos preconceitos; ninguém mais do que nós sofreu a reação de muitos homens que hoje estão no poder e nem por isso deixamos de lhes estender a mão, no sentido de que caminhemos para a democracia.

O Sr. Jorge Amado – V. Exa. afirma que nossa bancada tem estendido a mão aos que esposam princípios políticos contrários aos nossos e tem apoiado tudo que venha concorrer para a marcha da democracia brasileira. Disse hoje pela manhã, e volto a repetir, porque, talvez, alguns dos Srs. representantes não se encontrassem então na Casa, que, na noite de ontem, o Sr. Senador Carlos Prestes procurou o ilustre líder da União Democrática, Sr. Otavio Mangabeira, a fim de que S. Exa. fizesse chegar ao conhecimento do Governo que o Partido Comunista do Brasil estava pronto para apoiá-lo, a fim de que fosse mantida a ordem.

O Sr. Otavio Mangabeira – É verdade.

O Sr. Jorge Amado – Procurei eu também o Sr Sylvio de Campos, do PSD, porque não se encontrava no, declaradamente fascistas, que não no recinto o Sr. Senador Nereu Ramos, para transmitir-lhe idênticas palavras.

O SR. MAURÍCIO GRABOIS – Agradecido ao aparte de V. Exa.

Esse entendimento que o líder do nosso partido teve com o líder da União Democrática Nacional completa-se, agora, com o meu apelo a todos os Srs. representantes, para que tomem posição ante os atentados que se estão perpetrando contra a democracia.

Há elementos enquistados no governo, declaradamente fascista, que não são unicamente inimigos do povo, inimigos do Partido Comunista, mas do próprio Exmo. Senhor Presidente da República. Um homem, por exemplo, como o Sr. Pereira Lyra, que foi para a Chefia de Polícia, sob uma falsa auréola de democrata, compromete sem dúvida o governo.

O Sr. Samuel Duarte – Os atos do Sr. Pereira Lyra têm merecido apoio integral do Sr. Presidente da República.

O Sr. José Candido – Pior ainda.

O SR. MAURÍCIO GRABOIS – Não temos conhecimento do apoio dado pelo Sr. Presidente da República aos atos praticados pelo Sr. Pereira Lyra, conforme acentua o nobre deputado.

O Chefe do Governo teve ocasião de afirmar que desejava ser o “Presidente de todos os brasileiros” e, no entanto, o Sr. Pereira Lyra está sendo, até agora, o maior inimigo dos brasileiros e, não contente com a marcha constante que o Brasil toma no sentido da democracia, inventa, a cada instante, planos mirabolantes de subversão da ordem e apresenta os comunistas como eternos perturbadores da paz interna no país. Ao contrário, temos intransigentemente tomado posição em defesa da ordem e da tranquilidade, porque só dentro desta poderemos construir a democracia, e, construindo-a, poderemos, através dos meios legais fortalecer o nosso partido, propagar o nosso programa e, desta maneira, pacificamente, acompanhar e orientar o povo na luta sempre crescente para o progresso e felicidade do Brasil.

O Sr. Samuel Duarte – Não estou justificando violências que, acaso, hajam sido praticadas pela Polícia. Quero afirmar a V. Exa. que, até o momento, o Sr. Chefe de Polícia tem merecido a confiança do Sr. Presidente da República. Por consequência, essa orientação do Sr. Pereira Lyra tem obtido apoio e aprovação do Sr. General Eurico Gaspar Dutra que, no regime presidencial em que vivemos, é o maior responsável, pelos momentos que estamos vivendo.

O Sr. Lino Machado – Neste ponto, V. Exa. tem toda razão. O Sr. General Eurico Gaspar Dutra é o maior responsável, porque, da tribuna desta Casa, tais atentados têm sido insistentemente trazidos ao conhecimento do país.

O SR. MAURÍCIO GRABOIS – O nobre deputado Sr. Samuel Duarte defende o Sr. Chefe de Polícia, que está praticando hoje as maiores violências, só comparáveis àquelas do período da ditadura e do tempo do Sr. Filinto Muller.

O Sr. Caires de Brito - Essa a razão por que sugerimos ao Sr. General Eurico Gaspar Dutra, a nomeação de uma Comissão Parlamentar, a fim de que todos fiquemos sabendo o que existe em verdade no Brasil, em face das medidas tomadas na noite de ontem, principalmente contra o fechamento do nosso partido e contra as próprias imunidades parlamentares que foram evidentemente feridas. As sedes do nosso partido estão ocupadas pela Polícia Militar.

O grupo fascista enquistado no governo está entravando a marcha da democracia, que é golpeada a cada instante. A suspensão da “Tribuna Popular” mereceu desta tribuna o protesto de todos os democratas. Mas não tomando conhecimento de tais protestos, esse mesmo grupo como que zombando dos democratas, desfere novos golpes contra a democracia.

Sabemos que a situação do nosso povo é muito séria. O ilustre deputado Sr. Café Filho teve ocasião de referir-se à miséria em que se debate o povo. Há sem dúvida um grande descontentamento popular e este só será resolvido com medidas que solucionem as causas da miséria e da fome que aflige a população.

No entanto, elementos provocadores, dirigidos por fascistas, estão mobilizando a mocidade estudiosa com a exploração do seu entusiasmo juvenil, principalmente do curso secundário, para realizar ataques à propriedade, depredando, sobretudo, o pequeno comércio, criando ambiente de intranquilidade e de insegurança, capaz de justificar atentados contra a democracia.

Tais movimentos, que estamos presenciando, são olhados, porem, como foi dito desta tribuna, com grande simpatia pelo povo. Não somos partidários desses movimentos. Sabemos que apedrejamentos de casas e violências outras não vão resolver o problema da fome do nosso povo.

O Sr. Plínio Barreto – Ao contrario, vão agravá-lo.

O SR. MAURÍCIO GRABOIS – Temos conhecimento de que tais movimentos são insuflados por elementos provocadores. São eles que estão desvirtuando um protesto de estudantes contra a carestia da vida, movimento que, em si, contava coma as simpatias populares.

Ontem, dois deputados ilustres a esta Assembleia, cujos nomes não desejo declinar, contaram que, narrando em casa o que acontecera na Cinelândia, a Senhora e os filhos de um desses colegas disseram “muito bem” e a senhora do outro lastimou não ter tal fato ocorrido na Urca.

Que significa isso? Significa que há um ambiente de intranqüilidade no país.

Deseja-se, entretanto, transferir a responsabilidade da agitação que ai está, para o Partido Comunista. O Sr. Pereira Lira procura apontar os comunistas como os responsáveis por essas perturbações a que estamos presenciando nos últimos dias.

Protestamos contra tais afirmações. Temos ciência de que o Chefe de Polícia está preparando um plano para atribuir ao nosso partido a responsabilidade de todos esses atos. As prisões em massa contra os membros do Partido Comunista estão se verificando agora, não só nas ruas, como nas residências – para, amanhã, pretender-se justificar que foram eles os promotores desses movimentos contra a propriedade.

Queremos desmascarar essas atividades policiais que não são unicamente dirigidas contra o Partido Comunista, mas contra a própria democracia.

A sede do nosso Comitê Nacional, na Rua da Glória, está ocupada militarmente, quando não há nenhuma resolução do Superior Tribunal Eleitoral a respeito. É indispensável que se respeite a justiça eleitoral. Como se ocupa militarmente a sede de um partido legalmente registrado, com representantes nesta Assembléia? Que quer isso dizer? O que significa a invasão de casas de representes do povo, como a do Sr. Carlos Marighela, onde a polícia entrou à força, prendendo quatro pessoas?

O Sr. Lino Machado – Isto é um atentado à Constituinte, não ao Partido Comunista.

O SR. MAURÍCIO GRABOIS – É um atentado à democracia. Hoje mesmo o Sr. José Crispim foi visitar o deputado João Amazonas, sendo impedido de entrar na residência do nosso companheiro por dois beleguins da polícia, que ali estão para proibir a entrada de qualquer pessoa.

Onde estão Srs. Constituintes, as imunidades parlamentares?

O Sr. Gabriel Passos – E as garantias individuais?

O Sr. Lino Machado – E as próprias garantias individuais, diz muito bem o Sr. Gabriel Passos.

O SR. MAURÍCIO GRABOIS – É indispensável que a Assembleia compreenda o grave momento que atravessamos.

O Sr. Caires de Brito – O suplente de deputado, Capitão Trifino Corrêa, foi preso hoje, apesar de todas as suas imunidades.

O SR. MAURÍCIO GRABOIS – Não só o suplente Trifino Corrêa, mas a própria imprensa. Quase toda a redação da “Tribuna Popular” está detida. A conhecida jornalista Maria da Graça encontra-se encarcerada.

Todos esses atentados mostram a situação de anormalidades que estamos vivendo. E os auxiliares, do governo que cometem tais arbitrariedades, são, na pratica, seu maior inimigo, pois estão criando ambiente de intranqüilidade no país.

Por isso, pedimos à Casa a constituição de uma Comissão de Parlamentares, com representantes de todos os partidos, a fim de fazer sentir junto a S. Exa. o Sr. Presidente da República a necessidade de afastar tais elementos que dificultam e entravam a normalização constitucional em nossa terra.

Acreditamos no patriotismo do atual governo. Esperamos que, conforme suas declarações, seja ele, como pretende, o Presidente de todos os brasileiros.

Precisamos compreender que se desejamos uma Constituição democrática, o império da ordem e da lei em nosso país, é indispensável o entendimento entre todas as correntes políticas. Unidos, lutemos por este ambiente de ordem e tranquilidade, para o qual o nosso partido dá toda a sua colaboração.

Assim, Srs. Constituintes, encaminho à Mesa o requerimento da bancada do Partido Comunista.

Espero que a Assembleia Constituinte faça respeitar as imunidades parlamentares dos representantes do povo e envide todos os esforços no sentido de evacuar as tropas que ocupam militarmente a sede do Partido Comunista e impedem a entrada no seu recinto dos respectivos dirigentes. (Muito bem; muito bem. Palmas).

Maurício Grabois: uma vida de combates e ideias Por Osvaldo Bertolino

Fundação Maurício Grabois

O dia 2 de outubro de 2012 assinala a passagem dos cem anos de nascimento de Maurício Grabois, um dos principais pilares da história do Partido Comunista do Brasil. Nascido na cidade paulista de Campinas e acidentalmente registrado pela segunda vez em Salvador (BA), ele era filho de judeus vindos da Ucrânia fugindo das perseguições antissemitas e dos castigos da guerra do Império Russo com o Japão.
Em 1930, Maurício Grabois desembarcou no Rio de Janeiro para fazer o “Curso Anexo” da Escola Militar do Realengo, onde ingressou em 1931. Mandado para o 1º Regimento de Infantaria em 1932, neste mesmo ano integrou-se à Federação da Juventude Comunista e logo assumiu a direção nacional de comunicação da organização. Por esta porta, Maurício Grabois entrou para o Partido Comunista do Brasil, à época com a sigla PCB.
No levante da Aliança nacional Libertadora (ANL) de 1935, Maurício Grabois estava no olho do furacão. Em seguida, mergulhou fundo na clandestinidade para ajudar a manter o fio que sustentaria o mínimo de organização do Partido Comunista do Brasil — o jornal A Classe Operária. Mesmo nos tempos mais duros da repressão do Estado Novo, ele e mais alguns jovens intrépidos — entre eles, Amarílio Vasconcelos — mantiveram na ativa o órgão central do Partido.
Com a prisão de todo o Comitê Central, Maurício Grabois e Amarílio Vasconcelos começaram a articular a Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP), que seria integrada, mais tarde, por João Amazonas e Pedro Pomar, vindos do Pará; Diógenes Arruda Câmara, vindo da Bahia; e Luis Carlos Prestes, que estava na prisão. O objetivo era reorganizar o Partido Comunista do Brasil, meta alcançada com a realização da Conferência da Mantiqueira, em 1943.
A vitória da democracia na Segunda Guerra Mundial criou as condições para o fim da estrutura do Estado Novo. Maurício Grabois e seus camaradas organizaram um fantástico movimento de massas que conquistou a anistia aos presos políticos — entre eles, Prestes —, a convocação da Assembleia Nacional Constituinte e a realização de eleições em 2 de dezembro de 1945. Em 1º de fevereiro, ele e mais quatorze deputados, além do senador Luis Carlos Prestes, entraram no Palácio Tiradentes, no Distrito Federal — Rio de Janeiro, à época —, para tomar posse como constituintes eleitos. Quase oito meses depois, o país recebeu a Constituição que enterrou os entulhos do Estado Novo.
Imediatamente depois, Maurício Garbois assumiu a liderança da bancada comunista na Câmara dos Deputados, onde liderou uma batalha gigantesca contra o que ele chamava de “restos fascistas”.
Nesse período, escreveu intensamente para desmascarar as manobras anticomunistas. Além da Tribuna Popular, propôs o relançamento d’A Classe Operária, o que ocorreu em 9 de março de 1946.
Ao final da refrega iniciada logo nos primeiros dias de 1946, o Partido Comunista do Brasil perdeu seu registro legal no Tribunal Superior Eleitoral e todos os comunistas eleitos foram cassados. Em meados de 1955, Maurício Grabois chefiou o terceiro grupo, de 51 integrantes, que fez um curso de duração de mais de um ano em Moscou, ministrado pela Escola Superior do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética (PCUS).
Em 1960, no processo do V Congresso, ele iniciou a série de artigos de um grupo que recusou a revisão da linha revolucionária do Partido Comunista do Brasil, iniciada com a publicação da Declaração de Março, em 1958. Maurício Grabois foi o primeiro a escrever e deixou bem claro que havia no Partido “Duas Concepções, Duas Orientações Políticas” — título do seu artigo inicial.
Na “Tribuna de debates”, publicada no jornal Novos Rumos, cristalizaram-se duas posições antagônicas: de um lado ficaram, além de Maurício Grabois, entre outros, João Amazonas, Pedro Pomar, Carlos Nicolau Danielli e Ângelo Arroyo; de outro, estavam nomes como Luis Carlos Prestes, Mário Alves e Jacob Gorender. A polêmica evoluiu para a criação do Partido Comunista Brasileiro e a reorganização do Partido Comunista do Brasil — agora um PCB e outro PCdoB.
A chegada do golpe de Estado em 1964 fez com que o PCdoB optasse pelo caminho da luta armada. Maurício Grabois, João Amazonas, Ângelo Arroyo e Elza Monnerat foram para a selva do Araguaia, no Sul do estado do Pará, preparar a implantação de um núcleo do que seria a guerra popular. Além das tarefas práticas, Maurício Grabois e João Amazonas escreveram os estratégicos textos Atualidade do pensamento de Lênin e Cinquenta anos de Luta — o primeiro uma crítica à tese do “Pensamento de Mao Tse-tung” como “nova etapa do marxismo” e o segundo um retrospecto das atividades ininterruptas do Partido Comunista do Brasil.
Para João Amazonas, Maurício Grabois foi o grande amigo, o grande camarada. “O Maurício Grabois foi um dos maiores propagandistas que o Partido já teve, um homem de muitas ideias”, afirmou. Em sua sala, na velha sede nacional do PCdoB na Rua Major Diogo, em São Paulo, João Amazonas conservava um quadro com a foto de Maurício Grabois em posição mais destacada entre outras referências comunistas. Ele também lembrou da constituinte de 1946, “na qual Maurício Grabois teve uma presença de espírito muito grande”.
Nas entrevistas que fiz para o livro Maurício Grabois — uma vida de combates, a admiração por ele foi unânime. Segundo Renato Rabelo, atual presidente nacional do PCdoB, João Amazonas lembrava do Maurício Grabois em tudo. “Era, na opinião dele, talvez o maior dirigente que o Partido teve”, disse. “Eles deviam ter uma ligação de amizade muito forte”, afirmou.
Edíria Carneiro, a companheira de João Amazonas, ao buscar na memória lembranças de Maurício Grabois estampava no rosto um semblante de carinho e bom humor. “Ele era muito engraçado”, disse ela, com o pensamento longe. Armênio Guedes, que morou com ele nos tempos da revista Continental, lembrou: “Era de um temperamento afável no trato com as pessoas, um sujeito de muita compreensão com o lado humano do militante. O Grabois e o Amarílio eram educados, não eram mandonistas.”
Do mesmo modo, Jacob Gorender lembrou de Maurício Grabois com reverência. “Tenho dele as melhores recordações. Era afável, fácil de se conversar. Foi um grande camarada, isso é fora de dúvida”, disse. Na sala de sua residência repleta de livros, de pé na porta, com a entrevista já encerrada, Gorender disse: “Não esqueça de registrar minha grande admiração por Maurício Grabois. Foi uma pessoa distinta. Estivemos em campos diferentes, mas isso nada tem a ver com sua integridade, simpatia e camaradagem.”
Diógenes Arruda Câmara, em artigo publicado no jornal A Classe Operária de setembro/outubro de 1978, disse que “considerável foi sua atividade, tanto político-ideológica como prática, no trabalho de reorganização marxista-leninista do Partido de 1961 a 1962, contribuindo de forma destacada, juntamente com o camarada Amazonas, para o esclarecimento de importantes problemas da revolução brasileira e na elaboração do Programa do Partido, aprovado na Conferência Nacional Extraordinária de fevereiro de 1962”.
Sobre a atuação de Maurício Grabois na Guerrilha do Araguaia, Arruda afirmou: “Ali esteve desde os primeiros momentos, ali conviveu com as massas exploradas e oprimidas e sentiu sua grande revolta, ali atuou abnegadamente ombro a ombro com todos os camaradas, ali colaborou na elaboração de valiosos documentos políticos e militares, ali comandou as Forças Guerrilheiras do Araguaia, ali tombou como um bravo. Caiu com glória, caiu de arma na mão naquele campo de batalha da luta de classes, no Araguaia — ponto alto da referência da luta revolucionária e libertadora de nosso povo.”

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Biografia de Maurício Grabois, centenário de um heroi brasileiro.

Do sítio TORTURA NUNCA MAIS-RJ 


Dirigente do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em Salvador, BA, no dia 2 de outubro de 1912, filho do comerciante Agostim Grabois e de Dora Grabois, ambos judeus de nacionalidade russa.

Maurício teve um casal de filhos: André Grabois, também militante do PC do B e morto no Araguaia, provavelmente em outubro de 1973, e Vitória Lavínia Grabois Olímpio.

Desaparecido aos 61 anos em 1973, no Araguaia.
Maurício Grabois Deputado e Aparício Torelli, o Barão de Itararé
Fez o curso primário em vários colégios devido às inúmeras viagens e mudanças de seu pai. Em 1920, quando sua família regressou a Salvador, concluiu a escola primária. Em 1925 ingressou no Ginásio da Bahia, passando a sentir interesse pela política por influência de seu diretor, Bernardino José de Sousa.

Também nessa época conheceu e tornou-se amigo de Carlos Marighella (morto em 1969), que freqüentava o mesmo colégio. Formou-se em 1929. No início do ano seguinte foi para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde passou a freqüentar o curso preparatório para a Escola Militar de Realengo, nela ingressando em 1931, mas não concluiu o curso por ter sido expulso em 1933.

Foi então para a Escola de Agronomia, onde cursou até o 2° ano, abandonando definitivamente os estudos para dedicar-se à vida política.

No início da década de 30, Grabois foi um dos primeiros organizadores do PCB nas Forças Armadas, quando aluno da Escola Militar. Logo após sua entrada para o PCB, passou também a atuar na Juventude Comunista e, em 1934, foi encarregado do setor nacional de agitação e propaganda da Federação da Juventude Comunista do Brasil. Em 1935, Maurício Grabois integrou-se nas ações desenvolvidas pela Aliança Nacional Libertadora (ANL).

Durante o período do Estado Novo (1937-1945), foi condenado à revelia, em 1940, num processo em Minas Gerais. No início de 1941, Grabois foi preso no Rio de Janeiro. Libertado no início de 1942, formou no Rio, ao lado de Amarílio Vasconcelos, a Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP).
Trabalhou na empresa de aviação Panair do Brasil e participou da fundação e da direção da editora Horizonte, do PCB, com sede no Rio de Janeiro. Em maio de 1945 dirigiu o jornal "A Classe Operária", função que manteria até 1949, quando o jornal foi fechado.

Nas eleições de 2 de dezembro de 1945 para a Assembléia Nacional Constituinte, o PCB elegeu um senador e 14 deputados, entre os quais Grabois, pelo antigo Distrito Federal. Assumindo seu mandato em fevereiro de 1946, foi designado líder da bancada comunista. O período da legalidade do PCB chegou ao fim em 7 de maio de 1947, quando o TSE cancelou o seu registro e Grabois teve o seu mandato cassado.

Devido à repressão policial aos comunistas, a partir de 1948 Grabois passou a atuar na clandestinidade.
Em agosto de 1957 rejeitou a política soviética de coexistência pacífica, explicitando suas divergências com a orientação do PCB. Em fevereiro de 1962, juntamente com João Amazonas, Pedro Pomar, Carlos Danielli e outros, reorganizou o Partido Comunista do Brasil (PC do B), relançando o antigo nome e preservando o projeto político-partidário anterior ao XX Congresso do PCUS. Em março de 1962 foi relançado o jornal A Classe Operária, órgão central do PC do B, dirigido por Grabois e Pomar.

Após o golpe militar de 1° de abril de 1964, voltou a viver na clandestinidade. Por força do AI-2 (27/10/1965), teve seus direitos políticos cassados. Foi condenado pela 2ª Auditoria do Exército - 1ª CJM nos Processos n° 7512, a 2 anos de reclusão, e 7478, a 10 anos de reclusão. Também foi condenado pela 1ª Auditoria a 5 anos de reclusão e pela 2ª Auditoria a 2 anos de reclusão.
Grabois e Pedro Pomar

Em 1967, iniciou os preparativos de um movimento de guerrilha na região do Araguaia, no sul do Pará, onde passou a viver, estabelecendo-se na localidade de Faveira. Em 1972, o Exército descobriu o núcleo guerrilheiro no Araguaia. As tropas enviadas à região, estimadas em 20 mil homens, eliminaram 59 guerrilheiros do PC do B, entre os quais Maurício Grabois.

O jornal "O Estado de São Paulo", do dia 10/10/82, diz que Maurício morreu com um tiro de FAL na cabeça que arrancou-lhe o cérebro e outro na perna que provocou fratura exposta. A revista "Isto É", de 04/09/85, em entrevista com um paraquedista que não quis identificar-se diz que a foto publicada em 10/10/82 pelo Jornal "O Estado de São Paulo" não é de Maurício Grabois porque não mostra sinais de destruição da caixa craniana, os mortos estão descalços e o grupo que foi morto em combate, no dia 25/12/73, estava calçado. Diz também que os 4 mortos da foto estão com as pernas amarradas, sinal de que foram presos e torturados e que Maurício e mais outros quatro, foram mortos em combate, não tendo sido presos. Reconhece, no entanto, que se trata de fotos de guerrilheiros.

Em comentário do colunista Castello Branco do "Jornal do Brasil", de 17/10/82, o General Hugo de Abreu lhe dissera que na Serra das Andorinhas estava enterrado Maurício Grabois. Segundo o "Jornal do Brasil", de 23 e 24/03/92, no dia 25/12/73 foram mortos Paulo Mendes Rodrigues, Guilherme Lund e Gilberto Olímpio junto com Grabois e que a operação militar contra o grupo foi comandada pelo Major Curió.

O último contato com sua mulher, Alzira da Costa Reis, foi em janeiro de 1972 e, de acordo com informações de sobreviventes da guerrilha, sua morte ocorreu em dezembro de 1973. Até hoje, entretanto, Grabois não foi dado oficialmente como morto, sendo considerado desaparecido.

O Relatório do Ministério da Exército faz referências à reportagem de "O Estado de São Paulo", de 10/10/82, concluindo que não há "dados que confirmem essa versão", mostrando clara a intenção de manter oculta a morte de Maurício à família e à sociedade, visto que para "uso interno" dos serviços de informação sua morte já era conhecida pelo ´inf. 965/82 do II Exército´, encontrado nos arquivos do DOPS/SP. No Relatório do Ministério da Marinha consta que Maurício foi morto em 25 de dezembro de 1973, em Xambioá.

Histórico militante comunista, Dynéas Aguiar fala sobre Maurício Grabois



Histórico militante comunista, Dynéas Aguiar fala sobre Maurício Grabois, que completaria 100 anos. Grabois, foi líder do Partido Comunista do Brasil na Câmara dos Deputados na Constituinte de 1946. Um dos mais destacados marxistas-leninistas do Brasil, editor da Classe Operária, tombou na Guerriha do Araguaia. A Câmara o homenageará no dia 9 de novembro, pela cassação insjusta do mandato que lhe foi dado pelo povo. Participe!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Câmara homenageia Grabois e Amazonas em seus centenários  - Portal Vermelho

Câmara homenageia Grabois e Amazonas em seus centenários  - Portal Vermelho


Arte: Antonio Rubens
 Câmara homenageia Grabois e Amazonas em seus centenários
Na ocasião serão lançadas as biografias dos dois dirigentes comunistas.  

Câmara homenageia Grabois e Amazonas em seus centenários

João Amazonas e Maurício Grabois serão homenageados em sessão solene na Câmara no próximo dia 9 em comemoração ao centenário de nascimento dos dois dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). A sessão solene, solicitada pela líder do Partido na Casa, deputada Luciana Santos (PE), também faz parte dos 90 anos de fundação do PCdoB. Após a sessão, serão lançadas as biografias dos dois líderes comunistas.
Maurício Grabois foi líder da bancada comunista na Assembleia Constituinte de 1946, da qual participaram João Amazonas e mais 14 comunistas, todos cassados em janeiro de 1948.


Leia também:
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Jandira Feghali propõe anular a cassação dos comunistas em 1948
O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, e o secretário de Organização, Walter Sorrentino, destacam, no convite enviado a todas as lideranças políticas, sociais e culturais do mundo democrático e progressista do país e em todos os estados, que “cultivar a memória de lutas de João Amazonas e Maurício Grabois é a reiteração de compromisso com o Brasil, os brasileiros e o socialismo”.

Segundo eles ainda, “é modo também de elevar bem alto o esforço pela construção de um forte PCdoB, temperado na luta, firme nos princípios e sólidos nos seus fundamentos militantes”.

Os dirigentes comunistas também destacam o vitorioso protagonismo do PCdoB nas recentes eleições municipais. “O PCdoB, orgulhoso do feito de João Amazonas e Maurício Grabois como próceres políticos do país e liderando a trajetória do Partido Comunista do Brasil desde a luta contra o Estado Novo, e ciente das imensas contribuições deles à luta social em nosso país, quer honrar o legado deles perante a nação”, ressaltam no texto do convite.

O texto diz ainda que “a homenagem presta tanto tributo à memória desses elevados combatentes, quanto educa a consciência dos que mantêm elevada a consciência por transformações avançadas em nosso país, no rumo socialista”.

Da Redação em Brasília