quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Viagem à Coréia do Norte:  "dinastia revolucionária" - Portal Vermelho

Viagem à Coréia do Norte: "dinastia revolucionária" - Portal Vermelho
Setembro de 2009
Elias Jabbour *

Após lua-de-mel dos intelectuais europeus com as virtudes sintetizadas dos impérios nascidos ao longo dos vales do rio Yangtsé, Ganes e Nilo, “Despotismo oriental”, foi o termo predileto utilizado por Voltaire para (des) caracterizar, por exemplo, o “Império do Meio” chinês. Dessa forma o Iluminismo dava forma a um eurocentrismo que iria influenciar, inclusive, nosso Karl Marx.

Porém, Voltaire não fora o primeiro a utilizar este termo, alguma centenas de anos antes, Aristóteles em pleno centrismo helênico, classificou o Império Egípcio e seus similares orientais como variantes de “Despotismo oriental”. Aristóteles havia se esquecido que a “democracia grega” havia condenado Sócrates à morte, pelo simples fato de ao analisar a decadência do homem grego, o mesmo havia concluído que decadência humana grega era proporcional à decadência de uma democracia que nunca havia existido. O próprio Aristóteles depois de um tempo teve de se cuidar muito para não ser condenado à morte por esta mesma “democracia”.

Complexo de Aristóteles

Analogias históricas podem ser encontradas na atual decadência do homem ocidental. A mesma “democracia” que assassina Martin Luther King, sustenta um governo que manteve Mandela 28 anos preso e faz vista grossa à transformação de residências turcas em fogueiras em Berlim, é a mesma que quer condenar à morte por inanição a Coréia do Norte só pelo fato de o regime de Pionguiangue ter decidido ser um país onde “ninguém mete a colher” e que não se esconde atrás do biombo da correlação de forças. Correlação de forças, que de centro da tática para Lênin, se transforma em refúgio ante a covardia intelectual.

Esta conjuntura de plena decadência humana ocidental, cravou no pensamento acadêmico sua visão de mundo. Aliás, hegemônica visão de mundo, onde a objetividade histórica foi substituída pelo relativismo na base da teoria do conhecimento. O pós-modernismo positivista é expressão, em matéria de produção científica, da contra-revolução iniciada com o fim da URSS. Suas influências abarcam, de forma nada surpreendente, muitos intelectuais de “esquerda”, militantes e ativistas sociais.

Nove em cada dez pessoas de nosso campo ao se referir ao regime norte-coreano se assusta e dispara: “socialismo aquilo, com dinastia?” Surpreendente? Não sei.

Eurocentrismo atual reacionário mais preconceitos intelectuais (fruto de limitações conceituais e teóricas) acabam que redundando numa visão do regime de Pionguiangue que repete tragicamente a visão de Aristóteles com relação à “periferia oriental” grega. É a moral como visão de mundo em detrimento da consciência de classe.

O complexo de Aristóteles está aí em 90% das opiniões sobre o regime de Kim Jong Il.

Sobre o modo de produção asiático

A dinâmica da base econômica reflete-se diretamente na superestrutura. Desse modo Marx, fugindo da esfera da circulação (tão cara aos dependentistas – estruturalistas e muitos marxistas latinoamericanos – ultrabajulados de nosso tempo), se supera ao buscar a compreensão dos fenômenos sob a ótica do processo de produção. Sua capacidade de visão de conjunto e percepção da diferença das dinâmicas produtivas em diferentes partes do globo o levou a superar o generalismo da Economia Política burguesa, para quem as leis econômicas têm caráter universal e não pautadas historicamente. Em Engels (Anti-Düring), a Economia Política difere-se de país para país, de região para região. Daí nós, comunistas brasileiros, acertarmos em afirmar acerca da não-existência de “modelos prontos” de socialismo.

Desta forma, ao analisar as diferentes formas de produção no planeta (trabalho necessário e excedente) pode diferenciar no bojo de cada modo de produção, diferentes modos de produção de caráter complexo, frutos de combinações de antigas com novas formas de produção. Entre eles, o modo de produção asiático.

O modo de produção asiático é algo típico de regiões onde a economia de mercado surgiu de forma precoce, consequências de relações homem x natureza propícia ao rápido desenvolvimento das forças produtivas. Sendo a economia de mercado resultado da produção de excedentes agrícolas, logo – condição objetiva – condicionando o surgimento de uma diferenciação social, a necessidade de um Estado, capaz de mediar a diferenciação social e – concomitante – ser dinâmico à arrecadação de impostos e retorno à sua base camponesa sob forma de grandes obras hidráulicas, torna-se algo de grande necessidade. Esse complexo mecanismo de mediação pode ser analisado no fato de há pelo 1.500 anos, na China, o instituto do concurso público já ser método de seleção de quadros ao serviço estatal, mandarinato.

Abrindo parêntese, a complexidade do modo de produção asiático é perceptível no fato de, diferente da escravidão greco-romana cuja propriedade privada da terra era o centro, a propriedade da terra era estatal e a escravidão se resumia a trabalhos penosos como o das minas. Numa sociedade desse tipo, com possibilidade de ascensão social, o caráter da superestrutura torna-se fluida, dependendo da capacidade do imperador ou rei em atender ou não as demandas camponesas por obras de contenção de desastres naturais. Logo, encontra-se sentido na famosa frase de Confúcio, para quem, “o poder emana dos céus, porém é revogável pelo povo”.

Marx e Engels elaboraram um grande “esquema ideal” do funcionamento das diversas sociedades de forma que tornam-se inteligíveis suas possíveis evoluções. Representações de esquemas podem-se tornar modelos que nos capacitem a ter uma visão apurada de diferentes processos históricos. Porém, além de histórico, o materialismo também é dialético. Logo, os chamados esquemas não devem ser levados ao pé da letra como vem ocorrendo em cada vez maiores exigências de periodizações e trabalhos acadêmicos. A periodização é o oposto da visão de processo histórico.

Em matéria de ciências sociais devemos estar preparados para tudo. Menos para a negação do movimento. Assim, devemos estar preparados, municiados metodológica e teoricamente ao desafio de analisar o estancamento de fluidez no âmbito das superestruturas e sua relação com outras determinações formadoras do concreto. Apesar de a superestrutura parecer estanque, tudo está em movimento. Inclusive a busca por soluções de caráter nacional ante determinadas imposições da conjuntura. Afinal, a própria governança por “laços de sangue” são parte deste tipo de solução de problemas conjunturais.

Mil anos de “Estado de Excessão” e problema do socialismo

O “complexo de Aristóteles” impede que se perceba o fenômeno presente coreano como problema histórico. Esta forma a-histórica de observar o fenômeno fora denunciada por Lukács como algo burguês. Não “burguês” no sentido esquerdista do termo. E sim, burguês, no sentido metodológico, para quem as coisas devem ser observadas como uma “fotografia”. De forma positivista, pós-moderna. Estática, parada, sem história...

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Assim como a China, a Coréia é uma nação com uma história corrida de 5.000 anos. Formada às marges dos rios Yalu e Daetong, a posição geográfica do país foi fator essencial para que os coreanos nunca tivessem uma vida tranquila, até hoje. Fronteira com Império Chinês, proximidade com a Rússia, a Mongólia e o Japão. O caráter guerreiro e até militarista deste povo se explica no fato de nunca Genghis Khan ter passado do monte Paektu, muito pelo contrário. Os coreanos adentraram o território, então mongol, da Manchúria e conquistaram-no. Assim puderam formar um cordão protetor sanitário por muito tempo

Por volta do ano 1.000 d.C. é formado o reino da Coréia e em 1.300, o confucionismo, expressão da crescente influência chinesa, é absorvido neste país. Pressões japonesas desde o primeiro dia de funcionamento do Reino de Koryo, foram uma constante. Este reino até seus estertores teve de “armar até os dentes”. No século XIX sucumbiu diante da dupla pressão norte-americana (pressão pela abertura dos portos do país) e japonesa. Uma combinação geopolítica levou os japoneses a entrarem num acordo com os EUA: “não mexemos em seus interesses nas Filipinas e, em contrapartida, vocês não se metem e nossos negócios na Coréia”. Era o Congresso de Viena bipartite para o saqueio da Coréia e das Filipinas.

Assim como na Europa oriental do final do século XIX e início do de XX, tentativas de restaurações modernizadoras de tipo burguesa foram afogadas e revertidas em refeudalizações sangrentas, como a ocorrida na Hungria. Lênin, afirmou na época que: “o imperialismo japonês com toda sua brutalidade asiática fincava sua faca no coração da nação coreana.”

Assim, se contarmos todo esse tempo passado, mais a contemporânea existência da RDPC, contabilizaremos mais de 1000 anos de Estado de exceção.

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Neste momento é importante cotizarmos esta questão mais ligada a história da Coréia com a própria história do socialismo. Independente do que pensam os assolados pela doença burguesa do “complexo de Aristóteles”, a opção que esse povo fez, e faz, cotidianamente é a da construção do socialismo. E estão pagando um preço muito caro por isso. Sublinhemos: caro demais.

A história das transições anteriores demonstra que a decadência de um modo de produção era acompanhada tanto pela incapacidade de as forças produtivas sociais darem conta das constantes necessidades materiais da população, quanto da ascensão econômica de um determinado setor da sociedade. Uma classe que aspirasse o poder necessitava de deter o poder econômico e como consequência, o poder político tornava-se a cristalização deste processo.

Pois bem, neste caso dois problemas à transição capitalismo x socialismo são postas: 1) o proletariado não aspira o poder político como demanda de acúmulo de forças no cerne de concentração de riqueza material. Ao contrário, para se tornar classe dominante economicamente, faz-se necessária a tomada do poder político, seguida pela instalação de uma ditadura (ao contrário das ditaduras burguesas, trata-se de uma ditadura da maioria sob a minoria: a ditadura do proletariado) que lhe permita concentrar, pouco a pouco, os meios de produção a seu controle e 2) Também diferentemente de outros processos de transição, a estratégia socialista é a primeira que enceta a abolição da exploração do homem pelo próprio homem.

Numa tendência histórica dada, fica a necessidade de refletirmos sobre como este tipo de abstração se aplica à RDPC com suas características moldadas pela história. Assim, creio eu com meus botões e limitações, que sobra muito pouco espaço para melodramas de tipo, “construção de canais sucessórios democráticos”, aplicação do modelo geracional chinês. A realidade é esta: país pobre, com recursos naturais escassos, uma geografia complicada... Nenhum país do mundo passou por uma campanha de difamação internacional tão grande quanto a Coréia do Norte. A União Soviética passou por algo semelhante? Sim, mas venceu a 2º Guerra Mundial, em seu território contavam com 97% dos recursos naturais necessários para a manutenção autóctone de uma nação e o mais significativo do ponto de vista político: contava com milhares de amigos e simpatizantes pelo mundo. Stálin não somente era um “deus” dentro da URSS, mas também uma figura divina nos quatro cantos do mundo onde houvesse um militante comunista e antiimperialista. Afinal, Stálin com todos os seus limites, em seu tempo, foi declaradamente o inimigo número 1 do capitalismo internacional.

Além do já exposto, o agravante da Coréia Popular reside, também, em outras determinações: além de ser o país mais cercado, estrangulado e sancionado do mundo, para muitos potenciais amigos, esta experiência não pode ser levada a sério. É pouco?

Evidente que uma nação em constante estado de excepcionalidade, pronta para ser estuprada e degustada pelos mais sedentos abutres da história humana, somente o que lhe resta é a busca de soluções nacionais para seus problemas. E é isto que reside a característica central da necessidade e imperiosidade da instalação de uma dinastia de caráter revolucionária.

Algumas questões para o debate (desculpem o mal jeito): se a URSS não suportou 70 anos de uma condição excepcional de cerco e aniquilamento imperialista (D. Losurdo), o que dizermos da Coréia Popular, um pequeno país montanhoso e com escassos recursos naturais? Pautaremos o problema partindo de pressupostos morais ou analisaremos a realidade da forma como ela é, e não de acordo com nossas brilhantes e incompreendidas mentes, capazes de ditar a velocidade do movimento de rotação do planeta Terra?

O socialismo Juche

Somente os ventos de uma revolução, executada por duas centenas de revolucionários bem organizados, capaz de derrubar uma das monarquias mais consolidadas do mundo, poderia lançar luz à novas formas de revitalização da nação coreana. A Revolução Russa, abriu as portas à organização consequente de revoltas camponesas que sangrassem até a morte a dominação japonesa na Ásia. Assim, surgem gênios políticos e militares da estatura de Mao Tsétung, Zhu De, Ho Chi Minh, Nguye Von Giag e Kim Il Sung.

Kim Il Sung nascido em 1912, filho e neto de líderes revolucionários, aos 14 anos de idade já era reconhecido como uma das principais lideranças antijaponesas do país. Sua produção intelectual, somente é comparada, quantitativamente, com a produção conjunta de Marx, Engels e Lênin. Para termos uma noção, suas Obras Completas são compostas por 82 volumes e suas Memórias em outros oito. Nada desprezível, tanto sua obra teórica quanto suas façanhas políticas. Ante o comando deste gigante, os EUA tiveram de assinar pela primeira vez na história uma declaração (quase) final de uma guerra em que eles não saíram vitoriosos. Saibamos, que desde sua independência (1776) os norte-americanos nunca ficaram pelo menos dez anos sem se meter em uma guerra fora de seus domínios territoriais.

Os 1.000 anos de Estado de exceção pela qual passa a Coréia produziu uma variante própria de teoria revolucionária. O que se chama de Idéia Juche, não se trata como eu acreditava, de um marxismo com características coreanas. Produzida por Kim Il Sung, a Idéia Zuche, aos coreanos, é uma transcendência do marxismo, sua superação, a solução dos limites das filosofias anteriores, entre elas o próprio marxismo. Particularmente classifico, a Idéia Juche, um mix de leninismo soviético (organização), mais herança confuciana (autoridade, ordem e a noção da nação como uma família chefiada por um chefe leal) mais igualitarismo típico das antigas sociedades agrárias (pequena produção mercantil) mais ultranacionalismo progressista asiático. Pode ser que esteja sendo superficial, mas em primeira vista é disto que me parece se tratar.

Em colóquios para exposição da Idéia Juche para mim organizadas pela Associação Coreana de Cientistas Sociais, os camaradas coreanos não escondiam suas desconfianças da dialética materialista. A diferença entre o marxismo e a Idéia Juche reside justamente nesta relação dialética entre homem e natureza. Aos “jucheanos”, o homem é a variável independente do processo. Capaz de moldar a natureza à sua imagem e semelhança.

Daí os inúmeros pontos de inflexão levantados por mim os debates, sendo o principal a defesa, de minha parte, da fator natureza como o (dialeticamente) limite e o potencializador da ação humana. Coloquei, por exemplo, aos camaradas coreanos que uma justa noção do funcionamento das leis da natureza é nodal à práticas racionais de política econômica. Como consequência desta visão de mundo, aos coreanos, a centralidade não se encontra no desenvolvimento das forças produtivas e sim no desenvolvimento de um ser-humano com firme caráter e formação ideológica. Disse a eles, fraternal e camaradamente, que desta forma umas de suas consequências poderá residir em práticas amplamente subjetivistas de planos de desenvolvimento, semelhantes às estudadas por muitos como o Grande Salto Adiante, levado a cabo por Mao Tsétung na China em fins dos anos de 1950.

O mais importante neste momento é evitarmos o subjetivismo e o “complexo de Aristóteles” no sentido de melhor compreender o surgimento desta forma Juche de enxergar as coisas. A principal delas, seria buscar analisar sucessivos processos históricos que vão desde a formação da nação coreana, até o processo de sua libertação nacional e a atual resistência ao cerco imperialista.

A filosofia e, consequentemente, a ideologia são produto de causa/consequencia das relações entre o homem e o meio que ele modifica e convive e essa relação não se restringe a isso, mas também – na mesma grandeza – com as relações sociais produzidas pelo homo sapiens, entre elas a sua exterioridade social; o noção que guardam de diferentes formas de os homens enxergarem a seus congêneres frutos de diferentes processos históricos.

Assim sendo não podemos desprezar a capacidade deste povo de enfrentar processos de ameaças, invasões e resistência ante inimigos nocivos e prontos para por fim a qualquer rastro de história da nação coreana. Os coreanos enfrentaram todos os seus desafios impostos externamente com um sucesso no mínimo surpreendente. Construíram uma nação industrializada quase que do nada. Infelizmente, a realidade como ela é se mostra suficiente para muitos simplesmente - e covardemente – não enfrentá-la.

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Não me surpreenderia, caso alguns não estivessem estranhando minhas posições expostas. Com relação a esta experiência nunca pensei diferente. Que o diga meu amigo Pedro Cross. Nesse assunto (Coréia do Norte e outros), apenas dava – e me dou o direito de colocar – a cara a bater a meu mestre Mamigonian, e, invariavelmente... às vezes bato a “cara na parede”. É da exposição à contradição que se desenvolve a capacidade humana de avançar intelectualmente. Quem me conhece sabe que nem mil homilias, proferidas pelos mais “brilhantes” intelectuais “da moda”, são capazes de me convencer. A única forma de me convencer de tal ou qual assunto é a prova da história. Fora disso, não existe muita escolha, a não ser manifestações de insegurança intelectual, tentativa – sob os mais variados pretextos – de isolamento e de desqualificações de tipo fascista. Paciência.

O governo Songun

Vejamos e sejamos justos: Kim Jong Il é um estadista brilhante, não um arremedo de “enrolador social” - porém nacionalista – bem ao estilo de um certo personagem (João Grilo) criado por um nada “enrolador” Ariano Suassuna. Retornando, em meio ao “quiprocó” dos testes nucleares e o isolamento internacional, nossos irmãos coreanos ainda tiveram forças para enviar (sem parcerias com ninguém,muito pelo contrário) um satélite de observação ao espaço (2009), enquanto que a Coréia do Sul, humilhante e recentemente, falhou no lançamento de um similar com parceria russa. Como pode?

Mais impressionante, foi a recente visita de Bill Clinton ao país. Sob o pretexto de “ação humanitária”, Clinton veio em missão de resgate de duas jornalistas norte-americanas, justamente, presas pelo regime norte-coreano. Na verdade, Bill Clinton, chegou ao país em missão dada pelo atual presidente norte-americano Barack Obama, certamente com uma carta de intenções. Mas, ao observador mais arguto, uma imagem vale por mil coisas: nas fotografias espalhadas por agências do mundo inteiro,é muito clara a diferença de postura, pois enquanto Kim Jong Il parecia tranquilo, sorridente, vencedor, Clinton teve de sustentar uma verdadeira cara de intranquilidade, típica de um imperador que não está diante de um súdito tipo FHC. O objetivo, máximo do regime, de reconhecimento político e diplomático por parte dos EUA e o Japão, pode estar menos distante.

Retornando, acerca da “cara de tacho” de Clinton, na verdade, mais parecia um imperador romano pensando numa forma de se defender das armadilhas armadas, ao seu decadente escravismo, tanto por revoltas escravistas (Espártaco) quanto pelo dinamismo do modo de produção germânico.

Lá e aqui, “bárbaros” vencedores pregam peças, a seu modo, a impérios decadentes e em franco processo de busca por soluções que ao menos tornem mais soft seu pouso.

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Qual a expressão superestrutural resultante da visão Juche de mundo?

Além de arremates históricos, das proezas da guerrilha antijaponesa, a expulsão dos invasores norte-americanos, recrudescimento da cruzada norte-americana pela Ásia e os estilhaços da Crise dos Mísseis envolvendo URSS, Estados Unidos e Cuba, tornaram-se condições objetivas à implementação de um chamado governo Songun, na segunda metade de agosto de 1962.

A governança Songun é a institucionalização e o pleno reconhecimento de um Estado de exceção que se recrudesceu com o fim da URSS, a primeira agressão, pelos EUA, ao Iraque em 1991 e à resposta norte-americana à sua lenta decadência econômica. Se o Iraque fora uma vítima, qual o motivo de não pensar o mesmo de um país que, repito, imputou – aos Estados Unidos – sua primeira derrota militar em quase 180 anos de busca de seu espaço vital pelo mundo?

Trata-se da primazia o militar sobre o civil, do soldado em relação ao proletário.

Fator de juízos de moral? Pode ser.

De minha parte comemorei o sucesso dos recentes testes nucleares executados pelo país e seu, consequente, poder de dissuasão ante ameaças externas.