quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Viagem à Coréia do Norte: Dandong ou porto de Nova Iorque? - E Portal Vermelho - Elias Jabbour -

Viagem à Coréia do Norte: Dandong ou porto de Nova Iorque? - Portal Vermelho

Elias Jabbour *

Entrego ao público brasileiro a primeira de três partes de minhas impressões de viagem à República Democrática Popular da Coréia. Esta visita é resposta – e parte de viagem acadêmica que inclui outros 50 dias na China – de convite enviado pela Associação Coreana de Cientistas Sociais para uma estadia de 13 dias neste belo país.


Não poderia perder a oportunidade de ir além das impressões de um câmbio acadêmico. Logo, tratei de buscar sintetizar uma verdadeira pesquisa de caráter empírica/teórica/metodológica que nos municie de elementos à uma visão mais séria desta tortuosa realidade.

De antemão agradeço a cortesia da Embaixada da RDPC no Brasil e a Embaixada Brasileira em Pionguiangue. Como forma de gratidão não poderia me esquecer da indicação pela Secretaria de Relações Internacionais de meu partido, o PCdoB – camaradas José Reinaldo de Carvalho e Ronaldo Carmona –, do presidente da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima, do deputado federal Edmilson Valentim e, principalmente, de meu mestre Armen Mamigonian, aos meus genitores postiços “Claudião” e Dona Aurora, minha companheira de lutas e coração, Luciana Dias, de meus amigos diletos Graciana Vieira, Pedro Cross, Sérgio Barroso, Drica Madeira e Vasco Rodrigo, de meu “padrinho” José Messias Bastos, professor e ex-chefe do Depto. de Geociências do CFH-UFSC, de Carlos Espíndola, professor e ex-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geografia do CFH-UFSC e de minha “madrinha” Ana Pereira, técnica do Laboratório de Geografia Política e Planejamento Territorial do Depto. de Geografia da FFLCH-USP (LABOPLAN-DG-FFLCH-USP).

Por fim ao inestimado apoio e confiança às minhas pesquisas guardado pela Fundação Maurício Grabois – direcionado ao seu presidente Adalberto Monteiro – da qual guardo profundo orgulho de ser pesquisador. Fundação esta cujo nome que carrega me obriga a dar o melhor de minhas capacidades à sistematização de contribuições científicas de alto nível ao meu querido Partido Comunista e à sociedade brasileira. Quando se encerram as palavras que fale outras vozes internas...

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Não é comum encontrar brasileiros interessados em passar alguns dias por aqui. Aos estrangeiros afoitos por informações, nada ajuda. Desde o processo de busca de informações na Internet até o processo de retirada de visto. Pela internet podemos encontrar (des) informações que vão desde a noção de pobreza gritante que encontraremos ao longo da parte coreana da ferrovia (Pequim-Pionguiangue) até reclamações acerca da burocracia na fronteira chinesa. Tudo mete medo para quem não conhece.

O processo de retirada de visto não é dos mais tranquilos. Para entrar por aqui deve, ou, ser parte de um grupo turístico devidamente autorizado pelo governo local ou ser convidado de alguma associação estatal. No meu caso, após ter tipo primeiro contato com o embaixador norte-coreano no Brasil em 2005, demonstrei pleno interesse em tocar neste solo no mês de julho de 2009, por ocasião de uma viagem pré-programada à República Popular da China com vistas à fase final de minha pesquisa de doutorado.

Para não perder a oportunidade da comparação, parece até que o processo de aquisição de um visto de entrada nos Estados Unidos é algo dos mais retos e tranquilos. Ainda mais para quem carrega um sobrenome como o meu, Khalil Jabbour. Imaginem se eu receber, em território “democrático” e “livre”dos EUA, uns dois e-mails de meus parentes residentes em Connecticut. Seria uma carruagem de fogo não para Manhattan e sim para Guantánamo.

Do processo de obtenção do visto à Estação Ferroviária de Pequim

Posso dizer que após recomendação da Secretaria de Relações Internacionais do PCdoB e algumas trocas de e-mails com o consulado em Brasília, onde informações que vão desde um currículo vitae até o número do passaporte foram necessários, o processo encaminhou-se de forma satisfatória, sendo que um convite oficial da Associação Coreana de Ciêntistas Sociais (ACSC) acabou que sendo o atalho à realização da visita. Acordei com os camaradas da embaixada em Brasília que “pegaria” meu visto em Pequim.

Pois bem, em Pequim é muito interessante perceber que a embaixada coreana é de uma magnitude incrível, a segunda maior em tamanho ficando atrás somente da embaixada russa. Sobrevivência da antiga preferência chinesa em prover de melhores condições os diplomatas do antigo bloco socialista.

Minha primeira visita à embaixada em Pequim não foi das mais fáceis, pois ninguém por lá falava inglês. Não somente isso, como a Coréia Popular não é uma economia de mercado, fica claro que determinados tratamentos mais polidos, não são dispensados a estrangeiros. Porém, as coisas mudaram quando, com o auxílio de um chinês que se encontrava no momento, o responsável do setor consular soube que era eu era comunista. Tudo se acertou, um belo sorriso abriu-se no rosto do funcionário e em dez dias exatos pude terminar o processo com vistas à autorização de minha entrada no país.

Logo, no dia 24 de agosto não pude controlar minha ansiedade em chegar logo a hora do embarque na Estação Ferroviária de Pequim. O K27 no horário programado estava esperando a mim, outro norte-coreano que conheci no momento do embarque e cerca de uma centena de chineses com destino tanto à cidade fronteiriça de Dandong quanto à Pionguiangue. Seriam 26 horas de viagem.

Dandong ou porto de Nova Iorque? E uma ironia do destino...

Ao programar a viagem, busquei informações das mais variadas sobre a realidade que manteria primeiro contato em alguns dias. A maioria das informações coletadas pela internet continham as piores versões possíveis: desde uma pobreza “escancarada” ao longo da ferrovia até a truculência dos soldados do Exército Popular Coreano na fronteira. Outros, ainda desaconselhavam contatos com norte-coreanos no trem, sob o risco de prisão...

Além de conversas diárias com meu orientador, Armen Mamigonian; Pedro de Oliveira, membro de nosso CC, foi o que mais perto chegou da “verdade” em uma conversa particular que tive com ele alguns dias antes de minha partida. Além de observações cirúrgicas, bem ao seu estilo leftist & gentleman, mandou um “vá tranquilo...”.

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Passei o dia me enchendo de comida antes de meu embarque. Sinal de ansiedade. No trem acreditava que teria um serviço de bordo e coisas do tipo. Cinco horas de viagem (até a fronteira com a Coréia, dividi espaço no trem com um jovem australiano – aliás, o trem é de altíssima qualidade e conforto, podendo alcançar os 150km/h), oito horas de viagem, dez horas... comecei a sentir fome. O australiano do meu lado se enchendo de chocolate e nem se dava conta de que (eu) começava a morrer de fome. Acho melhor achar que ele não se dava conta...

Depois de umas doze horas de viagem chegamos a cidade chinesa de Dandong, margem norte do rio Yalu (histórico rio atravessado pelos cerca de um milhão de “Voluntários do Povo Chinês” no ano de 1951 ao combate corpo-a-corpo contra as trocas do general fascistoide norte-americano Mc Carthur). De repente sinto uma invasão de dezenas de norte-coreanos em nossa locomotiva. Todos, homens e mulheres, com bottons de Kim Il Sung ao peito. Um tal de risada para lá, risada para cá. Mais parecia os navios mercantes brasileiros que atracavam no porto de Nova Iorque com nossos negros comandando verdadeiras festas, muito bem descritas pelo nosso genial Gilberto Freyre.

Pensei comigo: “(...) Pô, o australiano até agora não dirigiu uma única palavra para mim, não me ofereceu nenhum pedaço de seu chocolate suíço Dove (falsificado, fabricado em algum muquifo na zona rural sudoeste de Pequim). Olha, que ele foi 'educado' em uma 'democracia' (sob os auspícios da Chefe de Estado, Rainha Elizabeth II – parece gozação), enquanto que esse monte de gente alegre e saltitante são produto de umas das mais implacáveis 'ditaduras' do mundo. Será que a banana passou a comer o macaco?!?!?!”

Atravessando a fronteira, o trem parou para que os militares norte-coreanos pudessem verificar nossos passaportes. Após lembrar dos relatos lidos, pensei: “eles não podem ser piores que o BOPE carioca ou a ROTA paulista...”. Nesse ínterim, conheci um casal de chineses que passam a vida entre Dandong e Pionguiangue fazendo (advinha o quê?) comércio de importação e exportação. Parecia que a alma de ambos já entrava e saia do trem sozinhos... Como um pesquisador formado nas hostes da Escola de Florianópolis (sem falar do exigente Adalberto Monteiro na “minha bota”), acabei que puxando conversa. Mas, o papo não foi muito longe, pois confessei a eles que estava morrendo de fome.

Sem sacanagem, a mulher chinesa (parece que fez questão de me mostrar a diferença) chamou um soldado, para uma conversa ao pé de ouvido. Justamente, o soldado com a cara asiática mais irritada que já havia visto antes. Vi que ela falou algo para ele sobre mim. Passaram-se menos de dez minutos e este mesmo soldado com um sorriso estalado na cara me entregou uma porção de Iaquissoba.

Ironia do destino: um soldado de um nação onde, (segundo fontes tipo baixo nível, tipo “Mirian Porcão”), metade das pessoas não tem o que comer, pode matar a fome de um filho do país dono do mais poderoso complexo agroindustrial do mundo.

Enquanto isso na sala de justiça... Nada do súdito de Elizabeth II me oferecer algo para comer.

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Nada como fazer o exercício das chamadas relações em análises comparativas de diferentes formações sociais. Bem, a diferença entre este soldado que me serviu – e, de forma muito educada, revistou minha mala – sobre um correlato seu do BOPE ou da ROTA é a seguinte: enquanto este soldado carrega em sua farda uma vitória sobre o imperialismo mais sacana que se pode imaginar (Guerra da Coréia, 1951-1953), um militar destas forças especiais de combate ao crime urbano é educado à “caça de pobres”. Assim dão uma “forcinha” aos sociólogos interessados e colher estatísticas à análise do desastre neoliberal brasileiro.

E de quebra alimenta o “fascismo nosso de cada dia”...

“Dois socialismos”

O rio Yalu não é somente o berço da civilização coreana, tão antiga quanto a chinesa e de onde os mongóis nunca conseguiram passar do monte Paektu. Também o rio Yalu não pode servir para alimentar nossa subjetividade revolucionária lembrando os feitos do início da década de 1950.

Mais importante que isso, para nós que no Brasil buscamos nosso rumo, o rio Yalu é a fronteira entre os “dois tipos de socialismo”, vitoriosos, e concebidos no século passado. De um lado, ao norte, um pujante “socialismo de mercado”, alimentado por um grande país em plena concorrência comercial com o imperialismo; fazendo o Ocidente pagar cada centavo pelas infâmias imputadas entre 1839 e 1949. Um socialismo capaz de “laçar” a maior potência econômica e financeira com a centenas de bilhões de dólares da dívida pública norte-americana e a utilização de uma taxa de câmbio nada ortodoxa. Esse todo, na parte, pode ser visto sob a forma de centenas de prédios modernos que circundam a margem chinesa do rio Yalu.

Do outro lado, uma experiência que sobrevive estrangulada por todos lados. Estrangulada financeiramente com o bloqueio e o assédio moral do imperialismo sobre os bancos e países que fazem operações financeiras com esse pequeno país. Um país assolado por calamidades naturais, com um solo desgastado por décadas de extensividade, redundando numa baixa produtividade do trabalho na agricultura; com uma indústria pesada que já fora uma das mais modernas do mundo, hoje estar obrigada a trabalhar com capacidades ociosas que, segundo fontes fidedignas, chegam a 76% e com vários trens de carga parados ao longo da ferrovia pela qual passei.

O lado sul do rio Yalu, é uma expressão moderna das comunidades agrárias asiáticas, com pequenas habitações circundadas de arrozais e mulheres e crianças praticando uma pesca que nos lembra muito uma fase muito primária do desenvolvimento social: a era da economia natural.

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Num relato de viagem que li recentemente, como forma de “esculhambar” com o regime norte-coreano, dizia-se que o comboio andava numa velocidade insuportavelmente baixa, segundo ele, dada às péssimas condições da ferrovia no lado norte-coreano. Não perdi a oportunidade de ir atrás de um mapa de três dimensões para concluir que a parte norte da península coreana é muito montanhosa, logo – no concreto – percebi que a baixa velocidade se dava pelo relevo da região. Aliás, um trem que anda a 30 km/h é prato cheio à um pesquisador de alto nível de curiosidade.

Neste mesmo relato, as “sombras da fome” ao longo da ferrovia eram amenizadas pela tentativa de maquiagem (até minha mãe, que para burra não servia daria um jeito de mudar o aspecto da frente de nossa casa dada movimentação de “estrangeiros”).Afirmo no alto de minhas, socializadas, características e independência (porém compromissada), atividade intelectual: TUDO MENTIRA. Percebe-se, sim, flashes de um país em grandes dificuldades: fábricas paradas, escolas e prédios públicos com problemas de manutenção e estações ferroviárias muito precárias.

Interessante, do ponto de vista histórico e sociológico, é a resistência da cultura do matriarcado (modo de produção asiático). As mulheres dominam os arrozais. Sem falar que a chefe militar do posto de fronteira norte-coreano era uma mulher a frente de pelo menos uns 100 subordinados

Agricultura e o papel estratégico do Brasil
A agricultura de arroz e milho é praticada em toda a extensão da ferrovia. Pode-se alegar que tais plantações são parte da “maquiagem”. Apelo para que saiamos da superfície para, no conjunto, raciocinemos que nesta região do país, milenarmente, dadas as facilidades provenientes do rio Yalu e seus afluentes, a atividade agrícola ocorre – talvez – de melhor forma que em outras regiões. Apesar de que, com uma recém-inaugurada planta hidrelétrica no sul do país, as condições naturais melhoraram bastante (por conta das antigas enchentes) em outros pontos do território da Coréia Popular.

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Qual o melhor caminho no rumo de um processo de acumulação capaz de prover à parte norte da província saltos qualitativos?

A primeira impressão pode nos levar a crer que a Coréia deveria seguir os passos da China pós-1978 e conceder terras para os camponeses produzirem com vistas ao mercado. Ok, esta percepção tem base histórica no fato de desde os tempos do modo de produção asiático a propriedade privada da terra não existira, sendo propriedade do Estado (Império) que, por seu turno, concedia lotes a famílias camponesas. Pois bem, este dado histórico foi nodal às reformas de Deng Xiaoping na China, logo compreender o socialismo asiático passa por uma grande compreensão das características inerentes ao modo de produção asiático.

Mas nem sempre a abstração resolve nossos problemas. Pelo contrário.

Veja bem, pelo que conversei até aqui, os coreanos estão fazendo pequenas experiências neste sentido. Por outro lado, pelo que vi (pela janela do trem) e cotizando com outras observações coletadas, o problema da agricultura norte-coreana não é como o cubano, de terras ociosas. Por aqui não existem terras ociosas. A ociosidade de terras é o lado da dialética que se relaciona com o estrangulamento do abastecimento alimentar, cuja síntese só pode estar nos marcos de uma liberalização comercial do processo agrícola.

Neste caso, o problema da geração de renda pode passar por um lento e gradual processo de incorporação ao território econômico da Coréia do Sul, como se tem visto com a instalação de uma grande fábrica da Hyundai na fronteira entre os dois países empregando cerca de 50.000 trabalhadores.

O problema da agricultura da Coreia do Norte não passa, necessariamente, pelo mercado e sim pela indigenização de tecnologia capaz de elevar substancialmente a produtividade do trabalho e transformar o país – no futuro – em exportador de alimentos, e não importador como atualmente. Essa política de mecanização, por aqui, contaria com uma vantagem: o fato de a Coréia Popular não ter, como a China, 700 milhões de camponeses.

Desembarcando no empírico, relatório que li recentemente da FAO (United Nations Food Program: 8,7 Milllion North Coreans Need Food Assistance, December 10, 2008) demonstra que o total de toneladas de cereais produzidos em território norte-coreano previstos para 2009 poderá chegar a 4,21 milhões. Nesse ritmo de (baixíssima) produtividade, o país este ano poderá estar importado algo em torno de 500 mil toneladas de grãos, e recebendo externamente (por políticas gerenciadas pela United Nations World Food Program), sob forma de auxílio, cerca de 840 mil toneladas.

Ora, vaticino e especulo que, pela quantidade de terras em condições de plantio na parte setentrional da península, um nada grande aporte tecnológico poderia e alguns aos ao menos duplicar essa produção interna, de forma que o excedente poderá se tornar aporte financeiro ao aprofundamento do processo de industrialização. Sonho...

Miremos estrategicamente. O Brasil recentemente abriu nossa embaixada por aqui. Temos a EMBRAPA, uma empresa modelo que nenhum país do mundo conseguiu alcançar. Aliás, após longa conversa com o diplomatas ocupados no problema norte-coreano, acabei que descobrindo que alguns projetos estão elaborados e prontos para serem executados; estado, logo, sob a mercê de processos políticos internos nada rápidos.

Mas, podemos ir além. No Hotel em que me encontro bebe-se café solúvel alemão, come-se frutas européias. É muito o caso de nossa diplomacia pesquisar item por item da pauta de importações da Coréia do Norte. Em seguida, demonstrar a eles em quais itens o Brasil poderia vender mais barato ou simplesmente trocar esses produtos por produtos nativos que nos interessem. Por exemplo, a Coréia do Norte tem abundância em magnesita. Não sei, sinceramente, se temos este minério em nosso subsolo, caso contrário os coreanos poderiam nos fornecer tal.

Mas o jogo do planejamento de nosso comércio exterior como forma de fincar nossa bandeira na Ásia não se encerra com este tipo de boas intenções. A Coréia do Norte simplesmente não tem dinheiro nem acesso a linhas externas de crédito. Portanto, nossas exportações deverão ser financiadas, e se possível a fundo perdido, como os chineses fazem com Cuba. Devemos mostrar a eles, um governo muito cioso de sua suada condição nacional conquistada, de mercadores que chegam com produtos on sale. Devemos e podemos ir adiante, não entabular negociações que, todos sabem, não dão em nada. O negócio é chegar com o “pacote pronto”: assistência técnica da Embrapa, produtos mais baratos que os atualmente importados e, o principal, financiamento das exportações.

Outra observação: o sistema público de transportes de Pionguiangue, apesar de contar com uma linha de metrô, tem no sistema de ônibus uma de suas vértebras. Pelo que soube, eles não contam com uma frota de mais de 30 ônibus, para atender uma população de 2,2 milhões. Os ônibus, são velhos e em péssimo estado e vivem, durante todo o dia, lotados. Ora, pergunto: qual o custo de financiar (a custo perdido) a exportação de 50 ônibus novos, com maior capacidade de lotação e muito confortáveis? Será que é difícil termos uma visão minimamente estratégica neste ponto?

Por outro lado, existe um problema interno brasileiro de correlação de forças que pode frear esse processo de aproximação. Imaginem só o “prato cheio” para essa “mídia de aluguel bandida” o fato de estarmos os relacionando com – declarado – inimigo número 1 do imperialismo no mundo. Para isso, mudar a correlação de forças, é que existe o jogo da “grande política”. Neste sentido, o argumento deve residir no interesse nacional e não nos concentrarmos em argumentar tendo a Coréia do Norte como centro e sim os interesses brasileiros na Ásia.

Enfim, será que não poderíamos fincar nosso pé na Ásia, sem grandes esforços, nem aportes financeiros capazes de comprometer o (famigerado) superávit primário?

Ao ajudarmos esta gloriosa nação a tocar adiante a mecanização da agricultura, estaremos auxiliando-os à plena utilização de sua capacidade produtiva já instalada com a fabricação de tratores e arados mecânicos, por exemplo.

O Brasil pode ser um parceiro ideal na viabilização do surgimento de um novo Tigre Vermelho...

(continua)