quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ministro fala em público pela quarta vez: onde estão as provas? - Portal Vermelho

Ministro fala em público pela quarta vez: onde estão as provas? - Portal Vermelho

Exijo o dinheiro público desviado por essa entidade. O que fiz foi combater o mau feito. E qual foi a reação de quem cometeu o delito? Acusa o Ministro de Estado e não apresenta provas. Esses são os fatos”. Pela quarta vez, o ministro do Esporte, Orlando Silva, veio a publico esclarecer ataques a sua honra e ao trabalho do Ministério.



Agência Senado


“Já se foram cinco dias, onde estão as provas das falsidades que me acusam?”, indaga o ministro.
Ele falou desta vez aos senadores, nesta quarta-feira (19), na audiência conjunta pelas comissões de Educação, Cultura e Esporte (CE) e de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA). Ele diz que assim segue o roteiro, estabelecido por ele mesmo, na primeira hora do sábado quando tomou conhecimento da matéria publicada pela Revista Veja.

“Já se foram cinco dias, onde estão as provas das falsidades que me acusam?”, questionou o ministro mais uma vez, criticando aqueles que defendem a saída dele do ministério a partir da acusação. “Se pretende tirar o Ministro de Estado do governo no grito. Não importa se o acusador tenha que devolver recursos públicos. Não tenha provas. O processo tem que ser sumário, isso nos lembra do tempo de exceção, dos tempos de processos sumários”.

A exemplo do que ocorreu na audiência pública realizada ontem (18), na Câmara dos Deputados, o ministro recebeu mais palavras de apoios e solidariedade do que cobranças. Foram duas vozes da oposição contra o ministro, que incluíram palavras de elogios à postura de Orlando Silva.

O senador Mário Couto (PSDB-PA) disse que suspendeu o pronunciamento que faria no Plenário do Senado contra o ministro e que não faria perguntas sobre as denúncias porque considerava correta a atitude do ministro de procurar a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) para investigar.

E pediu, a exemplo do que fez um deputado na audiência de ontem, que ele apoiasse o pedido da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O ministro agradeceu o voto de confiança, insistiu na gravidade das acusações feita pela Revista Veja e, novamente disse que as investigações serão feitas pelos órgãos competentes.

Imprensa privatizada

O senador Roberto Requião (PMDB-PR), que presidiu a audiência pública, ao encerrar a reunião, disse que a imprensa no Brasil é privatizada e que as pessoas que comandam a imprensa não podem atacar a honra das pessoas sem dar a elas o direito de resposta.

Ele defendeu a aprovação do projeto de lei de sua autoria que garante o necessário direito de resposta, destacando que a proposta não questiona a liberdade de imprensa.

O ministro Orlando Silva já tinha se manifestado sobre o assunto em resposta à senadora Ana Amélia (PP-RS), que defendeu a liberdade de imprensa. Orlando disse que decidiu processar os caluniadores e não a Revista Veja e que tomou essa decisão para homenagear os bons profissionais de imprensa , de quem espera critério e apuração devida na cobertura dessa situação.

Ele disse que, embora não tenha hábito de se relacionar com a mídia, procurou diretor da revista (Veja) pedindo mesmo espaço para resposta. “Sigo aguardando resposta”, anunciou.

“Alimentar uma novela”

A novidade surgida na audiência ocorrida hoje no Senado é que a oposição, representada pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR), não questionou o ministro sobre as acusações feitas por João Dias, mas quis repercutir denúncias feitas pelos vários órgãos de imprensa.

O ministro disse que “vamos examinar toda a qualquer denúncia. Nós instauramos processos administrativos como fizemos, não nos esquivamos de responder sobre qualquer contrato. Minha obrigação é essa, prestar contas”.

A essa tentativa da oposição, o senador Inácio Arruda, líder do PCdoB no Senado, disse que as acusações não são apenas contra ele (o ministro), anunciando que “o PCdoB vai tomar providências para não permitir que a cada dia se traga uma história nova para alimentar uma novela”.

E afirmou que nenhuma ONG está impedida de fazer convênio com o governo porque é do PCdoB. E explicou que a ONG Pra Frente Brasil, da vereadora de Jaguariúna (SP), Karina Rodrigues (PCdoB) atende 18 municípios, sendo quatro deles administrados pelo PSDB e vários outros partidos e nenhuma do PCdoB.

“O partido vai às últimas consequências não só no apoio ao senhor, mas ao embate político, porque existem forças que acham que o Ministério do Esporte ficou grande demais para o PCdoB”, afirmou o senador, para quem “é difícil tentar pegar o acusador como base de sustentação para tirar o ministro porque sabe que estão com criminoso e chantagista”.

Inversão de valores

O ministro também avalia que surgem outras acusações porque não existem provas para as acusações de João Dias. E citou como exemplo as insinuações de que ele teria adquridio um terreno em área que poderia se valorizar com a passagem de um duto da Petrobrás.

E explicou que o terreno é o único bem que possui, não faz parte do condomínio como insinuaram e que a área será desvalorizada com a passagem do duto. O ministro disse ainda que a foto da casa estampada nos jornais é de longe para não mostrar que é modesta, de 110 metros quadrados.

O ministro lembrou que tem outro bem em nome de minha mulher, um carro Fox, e que “os meus bens contrastam com o patrimônio de quem me ataca, e um soldado deve ter remuneração inferior ao Ministro de Estado”, desafinado a imprensa a investigar os bens do policial João Dias.

“Existe uma completa inversão de valores. Se a moda pega, os bandidos todos vão atacar os gestores para criar cortina de fumaça em torno de si mesmo”, afirmou o ministro, acrescentando que como baiano é sempre mais tranquilo, mas é que a revolta é muito grande.

“Faço apelo aos amigos da imprensa que exijam as provas (de quem acusa), porque não se pode realizar linchamento público de um homem público a partir de palavra lançada ao léu por um homem de quem se exige a devolução de recursos públicos”, afirmou.

De Brasília
Márcia Xavier