terça-feira, 11 de outubro de 2011

Cláudio Bastos, Presidente da FETAG-BA:"Temos casos na área rural da Bahia de trabalho escravo"

Cláudio Bastos:"Temos casos na área rural da Bahia de trabalho escravo"


de_Claudio_BastosCláudio Bastos, natural de Bom Jesus da Serra, sudoeste baiano, muito jovem começou a atuar no MSTTR juntamente com o seu pai, também dirigente sindical. Pela sua atuação junto ao MSTTR, alcançou grande destaque no cenário político-sindical assumindo a Secretaria de Formação e Organização Sindical da Fetag-BA em 2002 e em 2006 assumiu o cargo de vice-presidente e também após assumiu o cargo de secretário de Finanças e Administração.
Atualmente faz parte da Diretoria Plena da CTB-BA e ocupa o cargo de presidente da Fetag no mesmo estado, federação que completou 48 anos em setembro e que tem como principal proposta a luta dos trabalhadores rurais e dos agricultores familiar, atuando na defesa da reforma agrária no estado. Cláudio Bastou concedeu entrevista ao Portal CTB.
Portal CTB: Qual é a característica marcante da Fetag Bahia e suas grandes bandeiras de luta?
Cláudio Bastos:
A Fetag-BA tem hoje 404 sindicatos filiados à Federação, tem 18 regionais organizadas que fazem a ponte entre a federação e os sindicatos. A federação está estruturada em todo o interior do estado que busca incessantemente fortalecer a agricultura familiar, porque achamos que a agricultura familiar tem potencial muito importante na geração de empregos, porque a cada dez postos de trabalho gerados no campo hoje do Brasil, sete vêm da agricultura familiar, então para nós é fundamental a democratização do acesso à terra que está diretamente associada à realização de uma ampla e massiva reforma agrária.
Portal CTB: Em sua opinião quais medidas devem acompanhar a reforma agrária para que traga benefícios à produção de alimentos?
Cláudio Bastos:
A reforma agrária tem que acontecer na sua plenitude e tem que acontecer acompanhada de investimentos, com politicas públicas, politicas estruturantes que possa fazer que o agricultor se consolide e consequentemente trabalhador rural tenha acesso a politicas sociais, como saúde e educação.
A realização de obras importantes como programa “Luz para Todos”, que realmente o programa de “Habitação Rural” seja eficiente e abrangente para o homem do campo. Tudo isso é muito essencial para consolidar a agricultura familiar em nosso país e em nosso estado.
Portal CTB: Como você compara os incentivos do governo federal para a produção agrícola do trabalhador rural e agricultor familiar e o volume maior ao agronegócio?
Cláudio Bastos
: Em primeiro lugar quero destacar que a nossa grande bandeira é em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras rurais assalariados, como é chamado popularmente, operários do campo. Com a força do seu trabalho ajudam os grandes empresários do país a conseguir grandes produções agrícolas e pecuárias que são exportadas. O agronegócio tem atuação forte nas exportações e a agricultura familiar no processo de garantia da soberania alimentar, que hoje passa de 70% do alimento produzido no país que chaga à mesa do brasileiro.
Portal CTB: Como a Fetag-BA combate a precarização do trabalha no campo?
Cláudio Bastos:
Defendemos fundamentalmente a redução da jornada de trabalho no campo também, uma bandeira prioritária nossa e temos uma secretaria especifica que faz esse trabalho dos assalariados rurais e que está concentrado em pólos diferentes, como o vale do São Francisco na região do Juazeiro que é forte na produção de fruticultura e também da produção da cana. O polo da Chapada Diamantina que está concentrada no Sudoeste baiano a produção hortifruticultura e a produção de café, que tem muito assalariado rural, e no Sul e extremo sul do estado onde se concentra a grande agricultura com diversidade de produção que vai inclusive a produção de eucalipto, de madeira e celulose. E a região oeste que é grande área do agronegócio, principalmente com a produção de soja.
É permanente o nosso trabalho nessas regiões fazendo que a gente fortaleça a organização do trabalho, fazendo com que a gente fortaleça também as convenções coletivas, para garantir os melhores salários, a diminuição da jornada e condições de trabalho.
Portal CTB: Qual é o quadro do trabalhador rural que a Federação e as regionais encontram no campo?
Cláudio Bastos:
Temos enfrentado na Bahia, por exemplo, a precarização da condição de trabalho no campo é muito forte, temos combatido isso. Mas, nós temos casos nas áreas rurais na Bahia de escravidão realmente de fato, de trabalho escravo. Pressionamos o Ministério Público do Trabalho para fiscalizar este tipo de ação, mas ainda é realidade existência do trabalho escravo, principalmente na região oeste do estado onde se concentra o agronegócio, onde enfrentamos situações precárias de trabalho.
Celso Jardim - Portal CTB