quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Após longa jornada pelo registro, PPL é o 29º partido do Brasil - Portal Vermelho

Após longa jornada pelo registro, PPL é o 29º partido do Brasil - Portal Vermelho

Mais um partido poderá disputar as eleições municipais de 2012: o PPL (Partido Pátria Livre). Entretanto, além da disputa eleitoral, a agremiação prima pela luta política e disputa ideológica, posicionando-se ao lado dos setores progressistas, afinal, o grupo político que organizou o novo partido é herdeiro do antigo Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).

Nesta terça-feira (4), os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deferiram, por unanimidade, o registro da legenda, que utilizará o número 54. Por se tornar o 29º partido com registro na Justiça Eleitoral, o presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski fez um comentário crítico sobre o sistema político-partidário brasileiro. "Estamos indo além do pluripartidarismo, estamos ingressando no hiperpartidarismo. É uma novidade que criamos no Brasil", disse Lewandowski.

Como o partido cumpriu as exigências legais para obtenção do registro e não houve nenhum pedido de impugnação, a relatora Cármen Lúcia Antunes Rocha foi favorável à criação da nova sigla. Segundo a relatora, o PPL coletou 492.811 assinaturas certificadas pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de 11 Estados.

O pedido do PPL foi deferido a três dias do fim do prazo para criação de siglas que queiram disputar a sucessão municipal no próximo ano. O prazo termina sexta-feira (7), a um ano do pleito.

Garantia democrática

A defesa feita por um dos dirigentes do novo partido explicita a importância da garantia de espaços e instituições cada vez mais democráticas no país, para que a diversidade de opiniões presentes na sociedade possam ser representadas: "pelo que a gente conhece do Brasil, nosso país sempre conseguiu se desenvolver quando se abriram crises internacionais. Foi nessas fases que o projeto de nação possibilitou que o país se desenvolvesse. Hoje, com a profunda crise internacional do capitalismo, nós sentimos que é o momento de se abrir uma possibilidade de se desenvolver. Achamos que era necessário criar um partido que fosse mais definido nessa questão", afirmou o presidente regional do partido no Rio de Janeiro, Irapuan Santos, que entrou no MR-8 em 1977.

Quanto à crítica do Ministro Lewandowski, Irapuan responde que o fato de o PPL ter colhido um milhão e 200 mil assinaturas - das quais 492.811 foram certificadas por TREs - significa que o país quer um novo partido. Ele ressalta que a lei permite novos partido e que, por mais que existam tantos, somente alguns vão se firmar e continuar existindo no futuro.

"O número de assinatura para nós desmistifica duas questões: a de que existem partidos demais e a de que as pessoas não querem saber da política. Se essas coisas fossem verdade, não teríamos colhido tantas assinaturas", opina.

Identidade histórica

O MR-8 vinha funcionando como um núcleo informal do PMDB desde a década de 1970. Irapuan, junto com outros integrantes do grupo político, saiu do partido há dois anos, quando começou a trabalhar na criação do PPL. Ele explica que, embora a maioria das pessoas filiadas ao partido venha do movimento, muitos tinham outras filiações, como o PSB, ou nunca tinham participado da política partidária de forma orgânica.

O nome "Pátria Livre" vem da intenção do grupo de "libertar a nação dos interesses do capital financeiro internacional", que consideram ser o principal entrave para acabar com a miséria no Brasil. Para o PPL, a libertação começou com Tiradentes, morto por participar da Inconfidência Mineira em 1789, como diz o seu programa.

Além de Ernesto Che Guevara - que morreu no dia 8 de outubro de 1967, na Bolívia, dando nome ao grupo brasileiro -, principal referência do MR-8 na década de 1960, hoje, figuras como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart também são valorizadas pela sigla, devido à contribuição que deram ao desenvolvimento do país. "O Pátria Livre é um partido de linha nacionalista, inspirado principalmente na experiência de Getúlio Vargas", explica Irapuan.

Prioridades

No último congresso nacional do PPL, foram firmadas cinco prioridades nesse sentido: ampliar o mercado interno, criando mais emprego e aumentando o salário; reduzir os juros; incentivar empresas "genuinamente nacionais", tanto privadas quanto públicas, com recursos do Estado; desenvolver os setores de tecnologia de ponta; e lutar por educação e saúde gratuitas e de qualidade para todos.

O partido critica principalmente a concentração de recursos públicos para o pagamento da dívida externa. No seu site oficial, a seguinte frase vem ao lado do nome do partido: "Os bancos receberam da União, em oito anos, R$ 1.858.679.200.827,38 (1 trilhão, 858 bilhões, 679 milhões, 200 mil, 827 reais e 38 centavos), sem incluir o refinanciamento da dívida (“rolagem”)".

Segundo Irapuan, o PPL ainda não tem candidatos certos para as eleições municipais de 2012. Contudo, se o partido ainda engatinha nas suas decisões políticas, a Juventude Pátria Livre (JPL) está a mil. Conforme explica Irapuan, a JPL já surge com dois dirigentes na União Nacional dos Estudantes (UNE), além de já estar na disputa pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ, junto com outros partidos.

Da redação, Luana Bonone, com informações do Valor Econômico e Agência O Globo