quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Novo presidente dos Metalúrgicos de Camaçari reforça caráter de unidade da CTB

Novo presidente dos Metalúrgicos de Camaçari reforça caráter de unidade da CTB

julioNo dia 07 de fevereiro, a Chapa 1 - "Garra Metalúrgica", apoiada pela CTB e encabeçada pelo metalúrgico Júlio Bonfim, venceu com 55% dos votos o processo eleitoral do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, localizado no interior baiano.

Formada por integrantes da CTB e da CSP-Conlutas, a Chapa 1 obteve nas urnas 1.561 votos, contra os 1.255 da Chapa 2. Ao todo, foram 2.876 votantes.

Para o recém-eleito presidente da entidade, Júlio Bonfim, esse resultado representou o reconhecimento da categoria nas urnas, pelo trabalho realizado na última gestão.

O baiano Julio Bonfim, tem 38 anos, é ex-funcionário da GM e hoje trabalha no Complexo Ford, como técnico de qualidade. O dirignete cumpre o terceiro mandato no sindicato, antes como tesoureiro.

Confira abaixo a entrevista concedida ao Portal CTB, na qual o sindicalistas fala sobre o processo eleitoral:

Sabemos que o processo eleitoral não foi fácil, devido às manobras da chapa de oposição. Comente um pouco essa situação.

Em minha opinião não disputados contra chapa 2, mas, sim contra o governo do estado e município. Houve toda uma estrutura da oposição, que infelizmente só utilizou argumentos baixos no chão das fábricas, utilizando um nível rasteiro de discussão. Não soube levar propostas para os trabalhadores. E isso tudo refletiu no voto do trabalhador, que escolheu a chapa 1.

Quais os motivos que levaram o trabalhador a reeleger a chapa da CTB?

A Chapa 01 conseguiu mostrar nos últimos três anos o seu trabalho e sua conduta classista e de luta. Conquistamos melhores condições de trabalho, redução na jornada de trabalho, PRL (Participação nos Resultados e Lucros) igual para todos. Cabe ressaltar que só no setor de autopeças são mais de 5 mil trabalhadores. Só na Ford são mais de 3 mil e todos recebem a mesma PRL. E isso foi uma vitória para os trabalhadores do setor automotivo como um todo. O acordo fechado no ano passado foi uma dos melhores do Brasil, com R$ 11 mil de PRL e R$ 3,3 mil de bônus, 180 dias de licença-maternidade e um reajuste acima de 10% (INPC do período e 3% de aumento real).

O resultado das urnas representou então o reconhecimento do trabalhador pela luta desenvolvida pelo sindicato?

Com certeza, na realidade a luta da gente foi difícil. A vitória não foi dos dirigentes, mas, sim do trabalhador, pois refletiu o trabalho que vem sendo feito dentro da fábrica. A chapa de oposição era formada por um grupo de pessoas que não são nem funcionários, que estão afastados, alegando que o sindicato não está ao lado desses trabalhadores. Sendo que através de um trabalho muito forte da CTB na região, criamos o núcleo de Saúde do trabalhador. E não é um problema localizado de Camaçari. Assola os trabalhadores de todo o mundo. É uma questão de saúde pública. Um problema que afeta tanto os trabalhadores da Bahia, como de São Paulo ou outras regiões. Eles utilizaram essa argumentação baixa de que o sindicato não tem compromisso com os lesionados, sendo que fazemos essa discussão há mais de 08 anos.

Quais as perspectivas a partir de agora?

Agora nosso próximo passo é terminar a construção do nosso Clube de Campo. Já compramos o terreno e teremos um ano para construir nossa sede campestre. Outra medida vai ser a negociação de um novo Plano de Cargos e Salários. Queremos que os trabalhadores continuem avançando nas conquistas econômicas, mas sempre com responsabilidade. Também temos o projeto de criar uma mesa de discussão com a Ford, sobre a questão das mulheres. Estão deixando de contratar a mão de obra feminina. Precisamos fazer essa discussão.

Qual o papel da CTB nesse processo?

A CTB e a FitMetal foram parceiras em todo esse processo. E apesar de compormos chapa com a Conlutas, estamos abertos para todo movimento sindical, para as outras centrais. Porque a CTB tem esse caráter de unidade. E agora nosso papel é consolidar o setor automotivo aqui. E deixar muito claro o potencial da Bahia, e, especificamente, de Camaçari. E pressionar o governo para que outros investimentos sejam feitos, aquecendo ainda mais o setor na região.