quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Milícias que ajudaram a derrubar Kadafi estão 'fora de controle' - Portal Vermelho

Milícias que ajudaram a derrubar Kadafi estão 'fora de controle' - Portal Vermelho

A organização não governamental (ONG) de direitos humanos Anistia Internacional informou nesta quinta-feira (16) que milícias da Líbia, que ajudaram a derrubar o governo do ex-presidente Muammar Kadafi, espalham uma onda de violência e medo no país.


De acordo com a ONG, os grupos armados ameaçam a estabilidade política da Líbia, que está sob o governo interino liderado pelo Conselho Nacional de Transição (CNT). Segundo os integrantes da organização, as milícias promovem julgamentos sumários, cometendo torturas, e matam antigos colaboradores de Kadafi.

Pelos dados da ONG, os alvos são os imigrantes de alguns países da África, principalmente o Níger – para onde a família de Kadafi fugiu quando os embates se intensificaram na Líbia. A Anistia Internacional informou que o governo interino tem responsabilidade nos ataques ao não agir para preveni-los nem para contê-los.

Em um relatório sobre a situação na Líbia um ano depois do começo da chamada "Primavera Árabe", a AI assinala que estas milícias atuam com impunidade e criam insegurança e problemas para a reconstrução das instituições do Estado.

Segundo a organização de defesa dos direitos humanos, com sede em Londres, há detenções ilegais e torturas que, em alguns casos, causam a morte. Os imigrantes e os refugiados africanos também foram alvo dos abusos, enquanto as autoridades não fizeram esforços para investigar e processar os responsáveis, acrescenta.

"Há um ano, os líbios arriscaram a vida para exigir justiça. Hoje, suas esperanças se veem prejudicadas por milícias armadas ilegais que pisoteiam os direitos humanos com impunidade", assinala o relatório divulgado hoje.

A AI informa que, em janeiro e no início de fevereiro de 2012, uma delegação do organismo visitou 11 instalações de detenção no centro e no oeste da Líbia utilizada por várias milícias. Os detentos afirmaram ter sido torturados e maltratados no local e mostraram à AI os ferimentos sofridos. Pelo menos 12 pessoas detidas pelas milícias morreram desde setembro após sofrer torturas.

Segundo a AI, não foi iniciada investigação alguma sobre esses casos. A organização chama a atenção para a necessidade de as autoridades líbias demonstrarem seu compromisso de virar a página de décadas de violações sistemáticas dos direitos humanos e averiguar os abusos perpetrados no passado e no presente.


Informaçõe da EFE e da BBC Brasil