sábado, 15 de outubro de 2011

A direita corrompe a luta conta a corrupção - Paulo Vinícius

Não é à toa que a agenda da direita é exclusivamente a corrupção. Sem outro projeto que não o entreguismo descarado, só lhes resta conspirar com o óbvio ululante, a existência da corrupção. Diga-se de passagem este mal abjeto existe no capitalismo e mesmo no socialismo, mas é preciso reconhecer que é a NORMA no capitalismo. Engana-se a boa fé da classe média ao esposar a tese de que tão somente apelos de natureza moral possam derrotá-la.

Tivemos avanços republicanos nos últimos anos que  tentam dificultar e punir a corrupção. Permitem ampla investigação, amparam as invectivas da oposição demo-tucana em seu mui recente afã ético, além de terem equipado as instituições públicas, recompondo o funcionalismo público e fortalecendo as instituições repressivas. Ainda assim, sem uma reforma política que impeça os superpoderes econômicos sobre a política, não é de se estranhar o surgimento periódico de denúncias. Nem é estranho que a direita se utilize do discurso "ético" para atormentar, desestabilizar e mesmo derrubar governos nacionalistas, a exemplo de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart e Lula.

Da pior corrupção não se pode falar

Mas outras formas de corrupção passam despercebidas, malgrado sejam contados em bilhões os resultados de tais negociatas. Quem especula com juro, câmbio, derivativos, quem sabe os critérios das definições dessas questões, com impactos imensos na vida de todos e que erigem fortunas da noite para o dia? Mas nesse caso, são as forças do "mercado", tá absolvido.

Quem ignora o jogo pesadíssimo da formação da opinião pública, a suprema liberdade de empresa que rege as comunicações brasileiras, a violação sistemática da verdadeira liberdade de imprensa, as negociatas com base no poder, nos espaços e nos patrocínios à grande imprensa monopolista? Quem ignora o roteiro da fundação das grandes redes de comunicação sob os auspícios da Ditadura? E os critérios éticos e republicanos da distribuição das concessões públicas? Quem desconhece o fato que, de concessões, passaram a sesmarias contemporâneas, intocáveis, sagradas como o deus mercado?

E quem ignora a pauta comum dos jornais impressos e televisivos? Quem não acompanha seus apelos sistemáticos há anos, tentando forjar movimentos de massas, a tentar denegrir ou seduzir movimento sociais, em especial a juventude, para que compartilhe a sua agenda udenista? E quem ignora a falta de pudor da dita "ultra-esquerda", que se alia sistematicamente a tais apelos, que pede, posa e sorri em qualquer espacinho que se lhes deem?

Quem não faz, leva

Num momento chave da História do Brasil e do mundo, há grande dificuldade e falta de convicção por parte da esquerda em pautar questões mais ousadas que signifiquem avanço mais duradouros. Vimos o Governo Dilma se debater por mais de seis meses, refém de uma agenda-alçapão: corrupção, austeridade ante a crise e inflação. O que se necessita é de uma agenda mais profunda, civilizatória, de desenvolvimento, soberana, que valorize os trabalhadores e que os considere parte da disputa política por um caminho mais avançado para o Brasil. Sem essa disputa de agenda, ficamos reféns do constante assédio da direita. E eles experimentam o tempo inteiro. É comovente ver os âncoras dos grandes jornais liderarem a campanha cívica em nome da ética, orientando, divulgando e celebrando cada passo que podem dar em tentar plasmar os eu próprio movimento social, incluindo-se aí esses imbecis que andam com seu pseudo-humor a celebrar a desigualdade, o cinismo e a discriminação.

Mais uma vez eles investem contra o PCdoB

Orlando Silva é uma pessoa de bem, e o pior, é um quadro político de primeira grandeza, capaz e competente. Seu talento motivará ainda muitos ataques, de toda sorte, depois do que fez pelo Esporte brasileiro, no caminho da Copa e das Olimpíadas. Causa urticária tanto a setores de direita quanto de esquerda o patamar das conquistas obtidas a partir das gestões dos comunistas nessa área. Muita campanha de difamação, muito dinheiro ainda rolará para cooptar quem possa denegrir a imagem de Orlando e do Ministério do Esporte, que graças ao trabalho do PCdoB é uma potência, apesar de tatas dificuldades, de tão baixo orçamento. E não se perdoa o ME, sob gestão comunista, por criado o Programa Segundo Tempo que, por seu caráter emancipador, pela potencialidade de mudanças no ensino fundamental, só pode atrair o ódio da direita. Quanto à Veja, nem precisa comentar.

Pelo que eu sei, o "acusador" tenta repassar os problemas que na verdade são seus, posto que foi objeto de denúncias do próprio Ministério, que foram levadas ao TCU. É artifício sabido o do batedor de carteiras que sai a gritar "pega ladrão". Orlando não se intimida, e confio na sua trajetória.

Recorrentes são os malogros das tentativas de vincular o PCdoB a qualquer esquema de corrupção, desde 2003. E é impressionante que quando se trata da esquerda jamais se avente a hipótese de um mal feito individual. As generalizações apenas descortinam a própria má-fé, o intento de linchar, uma oposição política descarada utilizando de concessões públicas, viperina e a espernear, na busca de manter um poder minguante.

Não podemos nos iludir nem subestimar a grita pseudo-ética. Há um dever de debater e lutar contra a corrupção. Não basta o exemplo ético que muitos comunistas tem dado e fácil de verificar com a impressionante sucessão de denúncias armadas e desmascaradas, como creio este factóide também será. Para se ter ideia, jamais um deputado federal ou um senador comunista foi alvo de CPI, cassado, ou condenado por corrupção. É a partir desse patrimônio que devem se posicionar os comunistas, sem temor ou defensiva alguma, muito menos diante de uma clara armação urdida pelo PIG e uma pessoa sob investigações originadas pelo próprio Ministério do Esporte.

Ao mesmo tempo, não podemos deixar as mãos sujas da direita se apoderarem da luta contra a corrupção, pois ela só terá consequência com a participação da esquerda e dos comunistas, conferindo-lhe conteúdo político avançado e democrático, em vez de cair na vala comum do oportunismo. Dói-me observar que enquanto nas ruas de todo o mundo avança a luta contra o capitalismo em crise, no Brasil, diante de um momento decisivo, a agenda de massas da direita ganhe todo esse espaço.

Ainda assim, a juventude aprovou seu Estatuto na Câmara dos Deputados, tem uma agenda séria e unitária para a educação brasileira, avança na compreensão da importância do trabalho e do desenvolvimento, bandeiras que merecem milhões nas ruas.