quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Obama pede fim do bloqueio e Cuba e EUA iniciam diálogo 'respeitoso' - Portal Vermelho

Obama pede fim do bloqueio e Cuba e EUA iniciam diálogo 'respeitoso' - Portal Vermelho

Cuba
e Estados Unidos iniciam nesta quarta-feira (21), em Havana, os
diálogos para o restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois
países. Na noite desta terça (20), o presidente norte-americano, Barack
Obama, pediu ao Congresso que comece a trabalhar para colocar um ponto
final ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto à ilha há
mais de meio século.




Reprodução
Raúl Castro e Obama apertam as mãos durante funeral de homenagem a Nelson Mandela.
Raúl Castro e Obama apertam as mãos durante funeral de homenagem a Nelson Mandela.


Cinco semanas após a histórica reconciliação anunciada por Raúl
Castro e Obama, os dois países debaterão complexos temas migratórios e
os passos para retornar as relações interrompidas em 1961. Segundo
informações publicadas pela Prensa Latina, um porta-voz do
Ministério de Relações Exteriores cubano afirmou que há “vontade de
sustentar um diálogo respeitoso, baseado na igualdade soberana e na
reciprocidade, sem abrir mao da independência nacional e da
autodeterminação do povo”.



Por sua vez, um funcionário de alto escalão do Departamento do Estado em
Washington declarou à imprensa na última segunda-feira (19) que "o
compromisso com os direitos humanos e a democracia será mantido no
centro de nossa política", ao referir-se às expectativas sobre a
negociação.



O encontro deve durar dois dias e “a normalização de relações é um
processo muito mais longo e complexo, no qual se devem abordar temas de
interesse para ambas as partes”, precisou o diplomata cubano. Para ele,
“as medidas tomadas pelo presidente Obama vão em uma direção positiva,
mas ainda há muito o que avançar”.



A expectativa é que as partes se concentrem inicialmente nas questões
urgentes que garantam a retomada da diplomacia, para depois avançar a
alguns dos temas centrais, dentre eles a suspensão do bloqueio à ilha e a
situação da base militar de Guantánamo.



A delegação norte-americana será liderada pela subsecretária de Estado
para o Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson, e sua contraparte será a
diretora dos Estados Unidos da Chancelaria cubana, Josefina Vidal. As
reuniões serão realizadas no Palácio de Convenções de Havana, que também
é sede das negociações de paz entre o governo da Colômbia e a guerrilha
das Farc desde novembro de 2012.



Obama pede fim do bloqueio ao Congresso



O presidente estadunidense se pronunciou na noite desta terça-feira (20)
diante do Congresso e pediu concentração de esforços para que, ainda
este ano, o bloqueio a Cuba seja suspenso. “Estamos colocando fim a uma
política que deveria haver terminado faz tempo”, disse. Segundo Obama,
“quando alguém faz algo que não funciona durante 50 anos é hora de
tentar algo novo”.



O mandatário referiu-se também à necessidade de fechar a prisão de
Guantánamo. “Desde que fui eleito presidente, temos trabalhado com
responsabilidade para reduzir a população de Guantánamo pela metade.
Agora é o momento de terminar o trabalho. E não cessarei em minha
determinação de fechá-la”, prometeu.



Contudo, apesar de afirmar que defende o princípio de que “as nações
grandes não podem intimidar as pequenas”, Obama reiterou que seu país
reserva o “direito” de atuar unilateralmente, com o objetivo de
“eliminar os terroristas” que representem uma “ameaça direta para os
Estado Unidos e seus aliados”.



Um novo capítulo



Segundo informações publicadas pelo jornal Granma, durante esta
quarta-feira (21), os representantes de Cuba e dos Estados Unidos devem
abordar o cumprimento dos acordos migratórios. Cuba oferecerá
informações à delegação norte-americana sobre o encaminhamento das
medidas tomadas em janeiro de 2013, para atualizar a política migratória
cubana e seu impacto no fluxo de pessoas entre os países.



A parte cubana também deve expressar seu rechaço à política estabelecida
em 2006, pelo ex-presidente George W. Bush, de outorgar residência
norte-americana aos profissionais e técnicos de saúde cubanos que
abandonassem suas missões em outros países. Da mesma forma, irá expor o
problema da emigração ilegal e das leis que lhe servem de estímulo.



Na quinta-feira (22), pela manhã, se efetuará o encontro dedicado à
reabertura das embaixadas e os princípios que sustentarão esses nexos.
Fontes diplomáticas de Cuba afirmaram a necessidade do cumprimento da
Carta das Nações Unidas e das Convenções de Viena sobre relações
diplomáticas e consulares.



Ainda na quinta-feira, as partes devem revisar as distintas áreas de cooperação bilateral em setores de interesse mútuo.



Théa Rodrigues, da redação do Portal Vermelho,

Com informações do jornal Granma, CubaDebate, Prensa Latina e da AFP