quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Emanoel da CTB: Caixa 100% pública é instrumento regulador do mercado - Portal Vermelho

Emanoel da CTB: Caixa 100% pública é instrumento regulador do mercado - Portal Vermelho

A
possibilidade aventada pela equipe econômica do governo de abertura do
capital da Caixa Econômica Federal é rechaçada pelo presidente da
Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe e dirigente da CTB (Central
dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Emanoel Souza, que também
considera um prejuízo para os bancários.



Da redação do Portal Vermelho, Dayane Santos






Emanoel Souza é presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe
Emanoel Souza é presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe


Com mais de 100 mil empregados em 3.362 agências espalhadas por
todo o Brasil, a Caixa Econômica Federal completa 154 anos. Um banco
100% público com um volume de ativos totais que ultrapassa R$ 1 trilhão.
De janeiro a setembro de 2014, o lucro líquido foi de R$ 5,3 bilhões e
as transações somaram R$ 1,72 bilhão.



Mas além desse peso comercial, a Caixa cumpre um importante papel no
desenvolvimento de políticas públicas de distribuição de renda e
inclusão, principalmente no que se refere ao acesso à moradia, com os
programas Minha Casa, Minha Vida e Minha Casa Melhor. Somente o Minha
Casa, Minha Vida beneficiou mais de 6 milhões de brasileiros desde a sua
criação, em 2009.



Estratégia acertada em 2008



“Nós tínhamos uma política que vinha sendo desenvolvida há 12 anos na
caixa econômica no sentindo de fortalecimento da instituição, não
somente no aspecto de banco público e social, mas também no
fortalecimento comercial de forma que ela pudesse atuar junto ao mercado
na defesa de um projeto de desenvolvimento”, enfatizou o líder
bancário.



Segundo ele, foi essa estratégia que garantiu que em 2008 e 2009, a
Caixa reduzisse o spread bancário, e com isso forçou os demais bancos a
fazerem o mesmo. “Foi uma importante medida anticíclica adotada naquele
momento”, salientou.



Lógica do mercado



O sindicalista também considera que a abertura seria prejudicial para os
trabalhadores, já que prevaleceria a lógica do mercado. “A abertura do
capital não passará porque assim como na década de 1990, em que fizemos a
sociedade perceber a importância dos bancos públicos, nesse momento
vamos para a sociedade mostrar a importância da manutenção da Caixa
Econômica 100% pública”, asseverou Emanoel Souza.



Neste sentido, a CTB, juntamente com a Federação Nacional das
Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), a
Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), e
as centrais sindicais CUT, Intersindical e CSP-Conlutas, protocolaram no
dia 23 de dezembro, ofício solicitando audiência com a presidenta Dilma
Rousseff, para discutir a questão.



Emanoel disse ainda que, diferentemente dos bancos privados, a Caixa tem
aumentado a contratação, mas reconhece que o número de trabalhadores
ainda é insuficiente para atender a demanda. Com a abertura, disse ele,
prevaleceria a lógica do mercado. “A luta do funcionalismo por melhores
condições de trabalho é permanente. Nos últimos acordos coletivos,
conquistamos a garantia de que até 31 de agosto de 2015 sejam
contratados mais 2 mil funcionários. E queremos nos próximos acordos
ampliar ainda mais esse número”, declarou.



Para Emanoel, a justificativa de abrir o capital da Caixa para reforçar
em R$ 20 bilhões o saldo para o superávit primário “é um contracenso”.



“Essa política é o inverso do ditado popular que diz: ‘dar os anéis para
não perder os dedos’. Abrir o capital a Caixa para pagar juros da
dívida é dar os dedos para preservar os anéis, que não passam de meras
bijuterias”, asseverou o sindicalista.



Estado não pode abrir mão



Para ele, a Caixa não é somente um banco público com importante papel
social, mas um banco com capacidade de intervir no mercado brasileiro.
“O Estado estaria abrindo mão de ter um instrumento que regulamente o
mercado financeiro. Um instrumento capaz de fazer o mercado, em
determinados momentos, se subordinar aos interesses maiores do país. Ao
contrário, a abertura de capital subordina o banco a lógica do mercado”.



Emanoel ressaltou que a defesa dos trabalhadores não significa que a
Caixa deva reduzir o seu papel como banco comercial. “Defendemos que a
caixa seja um banco de atuação múltipla, disputando espaço e mercado com
os bancos privados, pois temos produto para isso. Queremos uma caixa
que seja rentável, sustentável e que dê lucro”. 




Escute a entrevista na íntegra na Rádio Vermelho