segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Mudança na UnB: Ivan Camargo, reitorável de oposição, o mais votado no 1º turno, esclarece compromisso com a paridade e a jornada de 6 horas na UnB

Em entrevista concedida ao seu comitê de campanha, Ivan Camargo fala sobre os assuntos dos quais sofreu forte acusação durante o processo eleitoral. Entenda questões como o seu posicionamento frente à paridade e a realidade sobre os serviços que prestou no serviço público além da Universidade de Brasília.

1 – Como o senhor avalia a sua participação no segundo turno da consulta?

Ivan Camargo - De maneira super positiva. Desde o início da nossa campanha uma das palavras chave da nossa proposta era união e conseguimos isso no segundo turno. Com o apoio incondicional da Professora Denise Bomtempo e do Professor Noraí Rocco (Chapa 84), do Professor Volnei Garrafa e do Professor Bermudez (Chapa 89), da Professora Maria Luiza Ortiz (Chapa 81) conseguimos demonstrar que esse movimento foi bem sucedido. Vamos usar essa união para a gestão nos próximos 4 anos, pois a nossa intenção é ser reitor de todos, de toda a comunidade universitária. Acreditamos que essa participação deverá consolidar a nossa vitória também no segundo turno.

2 – Ainda é uma dúvida para muitos como o senhor enxerga a paridade. O senhor é contrário a esse sistema?

Ivan Camargo - Considero que a discussão sobre a paridade na escolha de reitor e vice na UnB já foi superada pela decisão do Conselho Universitário (CONSUNI) a este respeito. Assumimos integralmente esse fato sem qualquer dor ou pesar ao nos inscrevermos para participar do processo. Não serei eu, enquanto reitor, que mudarei esse sistema. É importante dizer que a Professora Sônia, candidata a vice-reitora em nossa Chapa, participa de um processo paritário de escolha pela segunda vez. Isso, portanto, não nos assusta e nem traz qualquer sentimento negativo. Afinal, essa é a decisão democraticamente estabelecida pela comunidade acadêmica da UnB. Ao longo da nossa campanha confirmamos que qualquer administração da universidade, para ser bem sucedida, tem que contar com a participação de todos os segmentos. Isso assegura a governança da Instituição. Mas, queremos fazer mais: vamos fazer, de fato, e não apenas no discurso, como fez a última administração. Vamos ter em nossa administração, por exemplo, os estudantes como protagonistas da definição das estratégias da assistência estudantil. Temos um quadro de servidores técnicos-administrativos super capaz, muito qualificado e profundamente conhecedor dos problemas da UnB. Não há razão para termos professores em muitas funções da administração. Estas funções serão muito melhor exercidas por funcionários experientes e qualificados do nosso quadro. Para nós, a paridade será um exercício do dia a dia e, em hipótese alguma, vamos preferir chamar gente de fora para fazer o que nosso pessoal pode e sabe fazer melhor.

3- Professor, é verdade que na época em que o senhor foi decano os alunos tiveram que pagar taxas para colar grau?

Ivan Camargo - A Universidade de Brasília não cobra taxa, e não cobraremos! À época em que era Decano de Graduação da UnB todas as cerimônias de formatura eram feitas individualmente, por cada um dos estudantes. Essas formaturas eram caríssimas e, portanto, segregatórias: os alunos carentes não podiam participar. Para viabilizar a formatura, a universidade firmou um convênio com a Associação de ex-alunos da UnB que havia sido criada na gestão do Prof. Cristovam Buarque. Isso porque o MPU e o TCU deixaram muito claro que não poderíamos gastar dinheiro público para essa cerimônia. A associação passou a recolher uma contribuição dos formandos, que dava direito à primeira anuidade de filiação a essa entidade, e era voluntária! Quem não quisesse ou pudesse teria seu diploma de qualquer forma. Com essa estratégia, conseguimos que todos os estudantes participassem da cerimônia de entrega de diploma. Às vezes perdemos a dimensão da importância deste rito de passagem, que é importantíssimo para os alunos e principalmente para as famílias. Quando fui vice-diretor da FT tive essa certeza, pois ao entregar o diploma para um estudante que estava colando grau em separado, vi seu pai chorar de emoção em meu gabinete. Isso me fez ver o quanto deveríamos valorizar essa cerimônia.

4 – Qual a sua posição sobre a flexibilização da jornada de trabalho dos servidores técnicos-administrativos?

Ivan Camargo - Vamos implementar a flexibilização para todos, acreditamos que trará maior qualidade aos serviços prestados e trará vantagens para os técnicos- administrativos. Implementaremos de acordo com o que foi aprovado no Conselho de administração (CAD). Nós sempre respeitamos e respeitaremos as decisões dos Conselhos superiores.



5 – Qual a sua posição sobre o afastamento dos servidores (técnicos e docentes) para ocuparem cargos no serviço público?
Ivan Camargo - Muito se fala sobre a Universidade ligada às demandas da sociedade. Isso se faz de diversas maneiras. Uma delas é exatamente quando a sociedade chama um de nós para ajudar a resolver seus problemas. Neste caso, temos que atender o chamado e dar a contribuição esperada. Isso representa, de um lado, o reconhecimento da sociedade à competência técnico-científica da Universidade. Do outro lado, nos dá a oportunidade de trazer para dentro da própria Universidade, as demandas da sociedade. Nos mais de trinta anos que tenho na UnB, desde que ingressei como estudante e depois como professor, em duas oportunidades fui chamado, por governos de posições políticas diferentes, a contribuir com meu conhecimento e experiência à solução de questões importantes para o país. Como servidor público, sou servidor do Estado brasileiro, servidor do País e não deste ou daquele governo. Atendi o chamado e dei minha contribuição a estes governos e ao país. Não parei de dar aulas nem de orientar e continuei sendo homenageado pelos estudantes mesmo durante o tempo em que estive ligado a outros órgãos da administração pública. Essa experiência fez com que minhas aulas fossem mais completas, passando minha vivência para os meus estudantes. Ganha a sociedade e ganha a Universidade. Essa é uma das funções da Universidade e é também por esta razão que o Estado investe tanto recurso nela. Em todo o mundo desenvolvido é assim. Mas eles só chamam os melhores!

6 – Como será a transição do HUB para a EBSERH?

Ivan Camargo - A contratação da Empresa foi aprovada pelo Conselho Universitário com o apoio de muitos de nós, inclusive da Professora Sonia Báo. Agora, estamos no momento de discussão do contrato que regerá sua atuação no HUB. A minha maior atenção enquanto reitor será garantir que o HUB continue sendo o espaço de ensino, pesquisa e extensão ligado aos cursos da saúde da UnB. A atuação dos professores e estudantes deve ser garantida, e com plenas condições de funcionamento. Terei uma atuação especial nessa transição com os servidores técnico-administrativos, para que não haja perda de direitos nesse processo. É bom que fique claro que o servidor não será obrigado a optar pela cessão para a EBSERH, e se não o fizer, a UnB deve acompanhar caso a caso a sua realocação no trabalho.

7 – O senhor tem falado que a universidade se encontra dividida. Em que sentido isso está acontecendo?

Ivan Camargo - A Universidade de Brasília viveu uma grande crise e a eleição do Prof. José Geraldo emergiu como uma resposta da comunidade, cheia de esperança e expectativa de superação da crise. Entretanto, a gestão que se sucedeu, ao invés de agregar todas as forças que poderiam ajudar a UnB a sair da crise, fez a opção de administrar a universidade de forma partida, apenas com e para o seu grupo de apoio. Talvez o exemplo mais claro e lamentável disso tenha sido o convite e a efetiva participação de pessoas estranhas à comunidade acadêmica da UnB na sua administração, incluindo a Administração Superior da Universidade. Isso representa um imenso desprestígio ao nosso quadro de funcionários. Temos gente muito competente e experiente nos nossos quadros funcionais, mas a atual reitoria preferiu trabalhar apenas com seu grupo, em detrimento da própria Instituição. A consequência imediata foi a excessiva centralização que causou o engessamento e progressivo distanciamento da Administração Superior dos interesses e anseios da comunidade, frustrando a todos. O resultado final do processo se expressa nas 10 chapas concorrentes ao primeiro turno da eleição para a reitoria. Quatro dessas chapas saíram da própria Administração Superior! Agora a palavra de ordem é UNIR!! Unir toda a UnB. A crise já é o passado. Vamos mirar o futuro e recuperar a posição de primeira entre as melhores universidades do País! A excelência acadêmica é a melhor resposta que podemos dar ao imenso volume de recursos investido em nós.

8 – As pessoas têm dito que a sua candidatura significará o retorno de pessoas que participaram da crise de 2008 para a administração da UnB. Como o senhor se posiciona sobre isso?

Ivan Camargo - Não participei da gestão da crise, mas sim da Gestão do Prof. Lauro Morhy. Temos dito que somos oposição à atual administração e isso significa que, caso assumamos a reitoria, faremos uma renovação, mas não teremos caça às bruxas. Toda escolha da equipe será feita baseada no mérito, representatividade e legalidade. Priorizaremos a grande massa crítica, técnica e capaz que temos, contaremos inclusive com os novos quadros de técnicos e docentes. Até o momento só temos dois cargos preenchidos: reitor e vice-reitora.