quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Adalberto Monteiro: O Programa posto à prova - PCdoB. O Partido do socialismo.



Adalberto Monteiro: O Programa posto à prova - PCdoB. O Partido do socialismo.

Aprovado no 12º Congresso (2009), o Programa Socialista, documento definidor da essência do PCdoB, foi testado, desde então, em quatro anos de combates. O rumo para o Brasil saltar avante na sua construção civilizacional é o socialismo; o caminho para alcançá-lo é a luta por um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento.
Por Adalberto Monteiro*



Os dez de governos Lula e Dilma foram marcados por intensas lutas por mudanças e constante e contundente ataque político das forças conservadoras para bloquear os avanços e as reformas. De qualquer modo, emerge um novo tipo de desenvolvimento em substituição ao neoliberalismo que todavia ainda persiste. Daí o apoio e o empenho dos comunistas pelo êxito desses governos neste empreendimento.

O Programa difundiu no âmbito do campo político e social avançado a necessidade e a viabilidade da alternativa revolucionária do socialismo. Sem este rumo, a autêntica esquerda seria domesticada e condenada a ser um braço a mais da ordem do Capital. Assim, para os comunistas, as realizações do governo não são um fim em si mesmo, mas ensaios ou passos concretos nas trilhas do caminho brasileiro para o socialismo.

Objetivamente se constata, decorrente de uma correlação de forças ainda desfavorável ao campo político revolucionário, que no universo das forças progressistas não são muitas as que sustentam a alternativa do socialismo. Todavia, o PCdoB persevera. Alimenta-se de uma trajetória revolucionária de 90 anos e de um Programa que, pelo teste da vida, se revela factível e capaz de inserir o Partido no pulsar da luta de classes, da luta política, social e de ideais do país.

Na atualidade, a grande crise global do capitalismo desnuda aos olhos de milhões a incapacidade desse sistema de dar respostas aos anseios da humanidade. Fato que, se aproveitado pelas forças de esquerda, pode progressivamente recolocar o socialismo no horizonte dos que buscam saídas aos infortúnios e as mazelas que sufocam a aspiração a uma vida digna. Mesmo no Brasil, as pelejas travadas neste último decênio demonstram pela prática o que está grafado no Programa do PCdoB: “Somente o socialismo é capaz de sustentar a soberania da Nação e a valorização do trabalho (...) Por sua vez, o socialismo não triunfa sem absorver a causa da soberania e afirmação da soberania.”

E esta sustentação da alternativa não se deu por pregações doutrinárias ou discursos descolados da realidade. O caminho, o Novo Projeto Nacional, deu concretude ao rumo. A transição ao socialismo entra no horizonte, deixa de ser um ente idílico do futuro longínquo. As forças avançadas são chamadas a desbravá-lo nas adversidades do presente. As refregas, os embates, os grandes confrontos pela realização das reformas estruturais democráticas é o modo e meio de fortalecermos a Nação e assegurarmos que parcelas cada vez maiores da riqueza sejam canalizadas para elevar a qualidade de vida dos trabalhadores e do povo.

Confirmou-se a justeza do conteúdo do Programa: anti-imperialista, antilatifundiário e antioligarquia financeira. O Partido se destacou no combate e na tarefa de se arregimentar amplas forças para enfrentar o rentismo e a oligarquia financeira, alvo principal fixado.

A cada alteração positiva da correlação de forças, o PCdoB atuou para impulsionar o governo a empreender as mudanças. Foi pioneiro em defender as alianças amplas, mas, simultaneamente, sempre ressaltou que elas deveriam ser lideradas pela esquerda. Desde a primeira hora, o Partido ressaltou o papel da luta social como força motriz das mudanças e para tal os movimentos e as centrais dos trabalhadores deveriam preservar sua autonomia, buscar a unidade em torno de plataformas representativas dos anseios das massas e realizar mobilizações de envergadura.

Por uns tempos, é verdade, a defesa que o PCdoB fazia das reformas se assemelhou à pregação no deserto. As três vitórias consecutivas (2002, 2006, 2010) pareciam dar razão às forças políticas que menosprezavam o anseio reformista. Contudo, os efeitos da crise capitalista, o crescente ataque do sistema de oposição, o alerta disparado pelas grandes manifestações de junho e a “guerra política” que se anuncia em torno da sucessão de 2014, ressaltam o caráter imperativo da realização das reformas democráticas.

PCdoB tem “chão” para crescer

Dez anos de intervenção política orientada pelas diretrizes da 9ª Conferência (2003) e pelo Programa Socialista proporcionaram a expansão e fortalecimento do PCdoB. Expandiu-se cultivando sua identidade comunista. Em razão de sua coerência revolucionária e de seu papel nos governos Lula e Dilma se tornou alvo do ataque que o sistema de oposição desfere contra a esquerda. Ataques que o Partido unido e coeso tem repelido.

Os êxitos alcançados na esfera de sua construção orgânica, ideológica e política, todavia não “embriagam” a militância comunista. Temos justificado orgulho de nossas realizações, mas também plena consciência das deficiências, das lacunas, dos problemas,-- parte deles derivado da própria expansão auferida. Há também as pressões ideológicas cujas origens estão apontadas nas Teses e que atuam “para amolecer os ossos” do Partido, isto é, para empurrá-lo à vala comum das legendas do status quo. Pressões que foram ressaltadas pela vigilância do coletivo militante que se manifestou de modo vivo nos debates do 13º Congresso

Mas, tudo isso não assusta. O Partido está seguro, pois que está apetrechado, com o pensamento revolucionário original que nos orienta ( Estatutos, Programa Socialista, Política de Quadros). Está seguro, também, pelo resultado concreto, configurado no Partido real que chega ao 13º Congresso, em expansão e cultivando sua identidade comunista.

O patamar a que chegou o Partido, as condições políticas favoráveis, as janelas de oportunidade que surgem da grande crise global do capitalismo e o lugar e o papel que o PCdoB ocupa no país, esse conjunto de fatores nos indicam que a legenda comunista tem chão para adquirir um ritmo ainda maior de crescimento.

Não há como e nem porque recuar. Sem idealismo, nem voluntarismo, é pertinente com base no legado do pensamento revolucionário que nos orientou na última década (sempre atualizando-o, é claro), ambicionar uma expansão ainda maior.

*Adalberto Monteiro é Membro do Comitê Central.