quinta-feira, 8 de março de 2012

Para Ana Martins, empoderamento feminino é fundamental para a democracia do país

http://portalctb.org.br/site/entrevista-da-semana/16481-ana-martins-destaca-que-para
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Entrevista_ana_martins3O empoderamento feminino é fundamental para democracia do país. Com essa frase, a ex-deputada Ana Martins, hoje secretária da Mulher do PCdoB e coordenadora da União Brasileira de Mulheres (UBM), abriu sua participação no Seminário sobre “Reforma Política”.
O Seminário, realizado em São Paulo, foi organizado pelo Fórum das Mulheres das Centrais Sindicais e reuniu centenas de trabalhadoras para debater as ações para a ampliação da participação feminina nos espaços de poder e a criação de uma agenda positiva em prol da aprovação dos PLS da Igualdade no Congresso Nacional.
Última a falar, mas, não menos importante, Ana Martins alertou as mulheres para a relevância da participação nos espaços de poder. Em entrevista ao Portal CTB, a ex-deputada aponta que, acima de tudo, as mulheres precisarão de garra e vontade para disputar espaços e conseguir colocar na pauta do Congresso medidas que visem combater as históricas desigualdades existentes na sociedade, que tanto afetam a democracia do país.
Confira na íntegra a entrevista:
Portal CTB: Atualmente a bancada feminina representa menos de 10% do Congresso Nacional. Como você vê esse cenário?
Ana Martins:
Hoje a participação política da mulher, especialmente, nos poderes legislativos é uma sub-representação. Enquanto isso perdurar haverá um prejuízo à democracia, que não existe plenamente. Pois se as mulheres não tem uma participação em igualdade, sabemos que a democracia esta desequilibrada, não está efetivada. Não se direciona para a maioria dos segmentos da população e não resolve os problemas que a população tem que incluem a desigualdade de direitos, a falta de políticas públicas. Consequência dessa sub-representação. E para conquistarmos um projeto amplo de democratização, é preciso realizar as chamadas reformas urbana,  rural, da educação, da saúde, das comunicações e pela reforma tributária. Dentre todas essas, a mais importante é a reforma política. Tudo isso sinaliza o desafio que teremos que enfrentar. Desafio esse que precisamos compreender para depois conquistar.
Como reverter essa situação?
Só tem um caminho. Cada vez mais levar as mulheres à conscientização de suas qualidades e capacidades. Nós somos inteligentes e competentes. Tanto quanto os homens e podemos fazer avançar mais nossa participação, mas é preciso organizar mais as mulheres e investir na formação política para que esse quadro se reverta.
Existe uma discriminação dentro dos partidos e sindicatos ambientes predominantemente masculinos ainda?
Sim, eu acredito que essas instituições refletem o que existe na sociedade. Como a mulher é discriminada no mundo do trabalho e nas relações pessoais. Sofrendo a  dupla e tripla jornada. Enquanto isso não mudar ela ocupa um espaço menos sendo tratado como inferior. Há um avanço até para uma parcela importante da população, mais ela ainda não é suficiente paar uma transformação maior da sociedade.
Apesar das cotas, os números revelam que as mulheres têm dificuldade de entrar na disputa eleitoral. Como ampliar essa participação?
Quando o  fundo partidário designou 5% para as mulheres já foi um grande passo, mas ainda é pouco. Porque as mulheres têm tido mais espaço nos partidos menores e eles são os que recebem menos verba. Então, ainda há uma diferenciação muito grande entre os grandes e pequenos partidos. Enquanto os grandes recebem de 20 a 25 milhões do fundo partidário, os pequenos recebem de 200 a 300 mil. E como são os partidos menores que abrem espaço para as mulheres, porque são aqueles que superaram o conservadorismo, que se comprometem com um programa e com os problemas da população. Dessa forma, esse valor ainda é pequeno. Precisamos aumentar as verbas do fundo para os pequenos partidos, ampliar a participação da mulher e criar mecanismos para que esses partidos respeitem as cotas e se possível mais, já que alguns países até superaram a participação mínima da mulher. E acima disto, precisamos de vontade política das mulheres. Porque sem essa vontade não há como avançarmos.
Sobre a PL da Igualdade, temos uma maioria conservadora no Congresso. Como conseguir a aprovação dessa medida tão importante para as mulheres trabalhadoras?
Só com pressão popular. Precisamos pressionar e nos organizar. Fazer articulações da bancada federal em São Paulo. Precisamos fazer um trabalho de articulação e visitas para podermos conscientizá-los da importância da aprovação da medida. E uma pressão maior para atingir uma gama maior de deputados. Em suma, vai depender do empenho da mulher trabalhadora para aprovação da PL da Iguadade. A nossa luta só terá êxito quando entendermos o sentido pelo qual lutamos. Entender e debater o programa torna-se uma ação essencial para a construção de nossa soberania
Cinthia Ribas - Portal CTB