sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Rabelo: “Garantia da democracia será questão central nestas eleições” - PCdoB. O Partido do socialismo.

Rabelo: “Garantia da democracia será questão central nestas eleições” - PCdoB. O Partido do socialismo.




Diante das incertezas em relação ao
impeachment da presidenta Dilma Roussef e do golpe em curso, a discussão
da democracia como um valor essencial ganha papel central nas eleições
municipais, diz o presidente da Fundação Maurício Grabois Renato Rabelo
na abertura do seminário “Cidades mais humanas – Construindo hoje a
realidade de amanhã”, realizado no Rio de Janeiro nesta quarta-feira
(03). O evento teve ainda a participação do diretor da Fundação Perseu
Abramo, Kjeld Jakobsen
Fotos: Vitor Vogel Cuca da UNE
Cidades mais Humanas renato
 Renato Rabelo falou em nome da Fundação Maurício Grabois


Equilibrar demandas locais com a conjuntura que aponta para
graves retrocessos econômicos, sociais e políticos no País é o principal
desafio que os setores progressistas enfrentam nestas eleições. Sendo
assim, propor soluções concretas para a vida nas cidades, considerando
as limitações financeiras dos municípios brasileiros, sem perder de
vista a visão estratégica é fundamental para as candidaturas do campo de
esquerda.



“Estamos em um momento de grande ataque à democracia, há um golpe em
curso que, diferente de outros que aconteceram no País, militares e com
uso da força, é um golpe institucional, com afrontas claras à
Constituição”, disse Renato Rabelo, presidente da Fundação Maurício
Grabois.



Neste contexto, segundo Rabelo, é essencial retomar a luta pela
democracia como um valor a ser defendido com unhas e dentes. “Não se
pode chegar a políticas justas para as cidades sem a participação do
povo, temos que criar espaços de debate, buscar formas dos cidadãos
serem efetivamente ouvidos, consultados”, diz.



Renato citou a proposta da pré-candidata à prefeita do Rio de Janeiro
Jandira Feghali de utilizar as escolas como espaços de discussão e
participação popular: são 1.493 escolas no Rio, em todos os bairros, que
podem ser utilizadas como um fórum de bairro, reunindo a associação de
moradores, o comércio, pais, alunos etc.



Além disso, a conjuntura nacional vai interferir nas eleições de uma
forma direta, com a proibição de doações de empresas e a não aprovação
do financiamento público de campanha.



E, somados aos diferentes temas e desafios colocados - como propostas e
soluções para questões de direitos humanos, mobilidade urbana, saúde,
educação, direitos civis, habitação etc, os candidatos precisarão lidar
com o descrédito da população com a política e os sistemáticos ataques
sofridos pela esquerda nos últimos anos.



“As mudanças no financiamento de campanha inclusive obrigarão os
candidatos a estar tête-à-tête com os eleitores, ouvir os cidadãos”,
disse Kjeld Jakobsen, diretor da Fundação Perseu Abramo. “Mas também
saber que há uma radicalização pela direita, vivo em São Paulo e vejo a
campanha midiática contra o atual prefeito, é impressionante. Isso
porque ele não está envolvido em nenhum escândalo, em nada. Mesmo assim,
fazem ataques diários”, contou.



Novo pacto federativo




Os debatedores mostraram preocupação quanto ao pacto federativo vigente
hoje no País. “Houve um processo de descentralização de políticas
públicas, que de fato estão mais próximas dos cidadãos, mas o aumento
das responsabilidades não estão sendo acompanhadas dos devidos
recursos”, alertou Kjeld.



Neste sentido, as soluções colocadas pel

 mercado passam pelas privatizações, parcerias público-privadas e
descentralização da gestão para organizações e consórcios – vide os
serviços públicos oferecidos na região portuária do Rio de Janeiro,
dentro do projeto do Porto Maravilha. Tudo sem ouvir ver
dadeiramente a população, valorizando espaços democráticos de discussão.



“É fundamental mostrar, neste debate, o direito dos cidadãos à cidade”,
salientou Rabelo. “Temos exemplos concretos em São Paulo, onde a lógica
da mobilidade urbana foi invertida: com corredores de ônibus, criação de
ciclovias, combate à ditadura do automóvel e espaços para pedestres.
Uma cidade pras pessoas, não pra carros”.



Além do debate “As eleições municipais de 2016 e o lugar das cidades no
debate político”, o seminário contou com a presença de personalidades e
organizações que compareceram à abertura para prestigiar e saudar o
evento.



Entre os presentes, a deputada estadual Enfermeira Rejane (PCdoB/RJ), o
presidente do Sindicato dos Comerciários Márcio Ayer, a representante da
União Brasileira de Mulheres Helena Piragibe, a presidenta da União da
Juventude Socialista do Rio de Janeiro Tayná Paolino, o representante da
UNA LGBT Rio Marcelo Max e o presidente da União Estadual dos
Estudantes do Rio de Janeiro, Leonardo Guimarães.



Todos fizeram uma intervenção ressaltando demandas e preocupações a
serem implementadas em programas de governo comprometidos com cidades
mais humanas e democráticas.













Fonte: Fundação Maurício Grabois