quinta-feira, 4 de abril de 2013

Aonde estão nossos heróis e heroínas mortos e desaparecidos da Guerrilha do Araguaia?


Camaradas, o que podemos fazer para marcar lindamente esse ano, a 12 de abril, o 41º aniversário da Guerrilha do Araguaia?



Será que dava pra promover debates?
Será que as pessoas sabem o preço em vidas que o pequenino PCdoB pagou para a democracia brasileira existir? Qual o peso do PCdoB na lista de mortos(as) e desaparecidos(as) da Ditadura que esperam Verdade e Justiça?
Será que as pessoas sabem da história desses jovens, abnegados, dos melhores de sua geração, os únicos que conseguiram aguentar a barra de ir morar com o povo mais desvalido, vivendo anos na Amazônia, adaptando-se e sendo queridos pelos camponeses, fazendo um trabalho social, reconhecido pelo povo, gente querida, conhecida por sua honestidade, bom coração, que deram as suas vidas pela democracia e o Brasil?
Será que eles já ouviram falar do líder do PCdoB na Constituinte de 1946 que escolheu de livre vontade lutar e até tombar, mas jamais se entregar, como foi o caso de Maurício Grabois?
Será que eles ouviram falar do lendário Osvaldão, nosso Zumbi da luta contra a Ditadura?
Será que eles sabem da coragem das guerrilheiras, que botavam muito medo em "soldado cabra macho"? Quem foram Elza Monerat, Dina, Jana Moroni Barroso, Helenira Resende e outras tantas e combativas, e lindas, e guerreiras?

Alguém sabe a cifra para violão da lindíssima canção Canto de Xambioá? Alguém consegue tirar no violão, para que a militância de hoje aprenda os versos: "Xambioá, mata virgem escura foi lá..."
Será que as pessoas já ouviram falar do Zezinho do Araguaia, camponês que conseguiu tirar o Ângelo Arroyo pelos igarapés e trilhas do labirinto amazônico? Será que sabem que Ângelo tombou na Chacina da Lapa, e o Zezinho tá andando por aí, combativo, vermelho e com um sorrisão no rosto?
Será que as pessoas sabem por que, há quase trinta anos, o orgulho e a emoção nos tocam, quando na UJS dizemos que "Tarda, tarda, tarda mas não falha, aqui está presente a juventude do Araguaia?"


Será que as pessoas sabem que não foram os guerrilheiros a começar a luta, mas resistiram até o fim? E que por duas vezes o Exército foi derrotado, a despeito da desigualdade de forças, razão por porque até esbirros da Ditadura e os assassinos reconheceram a capacidade e o heroísmo dos que massacraram?

Será que as pessoas sabem que foi preciso 3 expedições militares com milhares e milhares de soldados para vencer aqueles e aquelas jovens e camponeses? Que o exemplo da mais importante confrontação armada com o regime militar foi alvo de criminosa tentativa de ocultar tantos crimes? Sabem que os jovens foram presos, torturados e mortos, sem prisioneiros, que brasileiros foram tratados pior do que prescreve a Convenção de Genebra para guerras entre países? Será que eles sabem que ocultaram os cadáveres, desenterraram-nos, queimaram seus restos, e sumiram com os corpos para que o Brasil não pudesse saber o que foi feito?




Será que eles sabem das famílias que ainda hoje não podem enterrar seus mortos, gente boa, do bem, querida, altruísta, que deu tudo pela democracia que respiramos hoje?

Aonde estão nossos heróis e heroínas mortos e desaparecidos da Guerrilha do Araguaia?

Leia o especial do Coletivizando sobre os 40 anos da Guerrilha do Araguaia (2012) 

Homenagem da UJS aos Guerrilheiros do Araguaia