sexta-feira, 20 de julho de 2012

CTB defende políticas públicas para continuidade da escolarização da juventude trabalhadora, durante seminário na Bahia

CTB defende políticas públicas para continuidade da escolarização da juventude trabalhadora, durante seminário na Bahia
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Na última quarta-feira (18) a Secretaria do Trabalho da Bahia promoveu o seminário “Juventude e o Mundo do Trabalho”, no auditório do Ministério Público do Trabalho (MPT), em Salvador.
A abertura contou com a presença do secretário estadual do Trabalho e Esporte, Nilton Vasconcelos, do procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT) na Bahia, Pacífico Rocha, da Socióloga Laís Abramo, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de representante do Conselho Estadual da Juventude e de Paulo Vinícius Silva, da Juventude da CTB e do Conselho Nacional de Juventude e da FSM.
PV
O evento que teve a participação de sindicalistas, associações empresariais, estudantes e pesquisadores, por iniciativa da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) como parte das atividades que a Secretaria tem realizado debatendo juventude, trabalho decente e emprego juvenil, ao lado de vários estudos da realidade baiana.
O secretário Nilton Vasconcelos acompanhou todo o evento, abrindo-o com a observação de ser um desafio para o poder público enfrentar as dificuldades da juventude em face do mundo do trabalho, apontando para a relevância da educação para o tema.
Pela CTB, Paulo Vinícius Silva destacou a necessidade de políticas públicas que favoreçam a continuidade da escolarização à juventude trabalhadora, que precisa manter seu trajeto formativo a partir do ingresso no mercado de trabalho, dificuldade que afeta sobretudo os mais pobres. Citando a concomitância do estudo e do trabalho como um dos pontos fundamentais da Agenda Juvenil do Trabalho Decente, apontou para o desafio de vincular o investimento na juventude, maioria da população economicamente ativa, como peça central do projeto nacional de desenvolvimento. E questionou se a polêmica tese de que a juventude não deveria trabalhar não abandona a juventude trabalhadora real, mais pobre, ante as mazelas do capital, negando ademais a dimensão do trabalho como conquista da autonomia.
Em sua exposição, a economista Ana Georgina Dias (Dieese Bahia), apresentou dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) que destaca, apesar de avanços recentes, o desafio de superar os quase 20% dos jovens que não trabalham nem estudam, além de observar a necessidade de persistir na política de recuperação do salário mínimo que passoou por décadas de depreciação.
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Augusto Vasconcelos, jovem vice-presidente do Sindicato dos Bancários, abordou a “Crise econômica e o contexto dos jovens trabalhadores”, observando que a despeito da importância inegável do investimento na educação, há variáveis macroeconômicas que definem muito do ambiente empresarial e das possibilidades concretas de incorporar a juventude no mercado de trabalho, sendo fundamental persistir no rumo da redução dos jurios e diminuir o superávit primário para que haja recursos para investimentos na economia brasileira.
A professora Ângela Borges, da Universidade Católica de Salvador, ao abordar “Desenvolvimento, trabalho e as novas gerações”, observou que as tendências de mercado, que na educação favorecem profissões em moda, não necessariamente se convertem em postos efetivos de trabalho. Por outro lado, carreiras muitas vezes subestimadas são fundamentais para a vida e a economia reais.
A diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo, lembrou que a conciliação do trabalho e da educação como partes concomitantes não só é fundamental, mas também tem a dimensão da vida familiar, o que tem peso ainda maior para as jovens mães. Observou que a juventude brasileira pelos dados atuais é uma juventude trabalhadora e reafirmou a observação da CTB de que o trabalho é parte do desejo da juventude por sua autonomia, atentando que a Lei de Aprendizagem tem uma abrangência limitada no mercado de trabalho onde ainda se veem mascaradas as piores formas de trabalho infantil e adolescente.
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Já Flávia Rodrigues, economista do Observatório do Trabalho da Bahia destacou que há muito a fazer para superar a maior fragilidade da juventude face ao mercado de trabalho.
A coordenadora da Agenda Bahia do Trabalho Decente, Patrícia Lima, observou a riqueza do seminário, cuja discussão constitui uma base, mas não o esgota, apontando para a necessidade de um novo momento que possa abordar de modo ainda mais específico o acesso ao emprego juvenil na Bahia diante do seu contexto econômico.
Fonte: Assessoria de Comunicação da SETRE e Juventude da CTB
Fotos: Marcelo Reis