segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

João Batista Lemos: “Acabou o carnaval, agora é luta” - PCdoB. O Partido do socialismo.

João Batista Lemos: “Acabou o carnaval, agora é luta” - PCdoB. O Partido do socialismo.

O presidente estadual do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) no Rio de Janeiro, João Batista Lemos, concedeu entrevista e abordou os desafios e perspectivas para o Brasil e para o estado fluminense. Batista também salientou as prioridades do Partido neste momento político.
 
João Batista Lemos
“O samba corre
Nas veias dessa pátria-mãe gentil
É preciso atitude
De assumir a negritude
Pra ser muito mais Brasil
ÔÔÔÔ, ÔÔÔÔ, ÔÔÔÔ, BRASIL
(Samba-Enredo Viradouro)
 
O líder estadual dos comunistas fez questão de frisar a conjuntura desafiadora do novo mandato da presidenta Dilma, destacando que a classe trabalhadora não pode ser prejudicada e nem ter seus direitos reduzidos. "Acabou o carnaval, agora é luta".

"O segundo mandato de Dilma se dá num novo contexto histórico, hoje vivemos uma situação de crise em nível mundial, o capitalismo vive um crise sistêmica. Vivemos um período de crise de estagnação no âmbito global. Em nosso país, precisamos superar essa reprimarização da economia, é necessário desenvolver a indústria. É preciso fazer ajustes sim, mas com bastante atenção ao caráter destes ajustes".

"Os ajustes tem que ser feitos, mas não podem ir no rumo da austeridade fiscal (já temos provas que isso não deu certo). Os ricos, isto é, o capital financeiro, devem bancar a conta desses ajustes, não os trabalhadores; os ricos devem pagar a conta da crise, eles a criaram. É amplamente necessário taxarmos as grandes fortunas. Precisamos de uma reforma tributária progressiva que onere mais os grandes, e desonere o trabalho, a classe trabalhadora e os pequenos e médios empresários, pois é a base da pirâmide que paga mais impostos”.

"Mas é preciso criar a correlação de forças para isso acontecer e, só é possível dando sustentação ao governo Dilma no sentido das mudanças, ao contrário, poderá se jogar agua no moinho conservador e reacionário, o momento exige clareza de lado".

Batista continuou defendendo ações importantes para o país retomar o crescimento econômico, com desenvolvimento social, centralidade nacional ecom a valorização do trabalho, tendo o Estado como promotor e planificador do desenvolvimento.

“Precisamos promover a manutenção sobre controle da taxa de câmbio no patamar atual, pois induz exportações e inibe importações, fortalece a indústria e a geração de emprego. É necessário acabar com essa tendência de elevar a taxa de juros, isso só favorece o investimento especulativo, em detrimento da produção, é um remédio que mata o doente, paralisa o país, desestimula o consumo, inibe o investimento privado e aumenta o endividamento das famílias. É fundamental, também, a defesa do BNDES e o papel estratégico deste banco público, principalmente em períodos de crise. A redução do papel do BNDES é uma sentença de morte ao crédito de longo prazo e, consequentemente, do investimento. É muito importante que retomemos o crescimento econômico, mas esta retomada deve ser com distribuição de renda, com valorização do trabalho, defendendo o conteúdo e o patrimônio nacional. É necessário uma pauta concreta para enfrentarmos essa questão sem que isso caia nas costas do povo trabalhador, o PCdoB não vai aceitar redução dos direitos da classe trabalhadora”, ressaltou o presidente estadual do Partido.

João Batista Lemos também abordou a campanha golpista da grande mídia e do PSDB contra o governo Dilma, contra o Partido dos Trabalhadores e a esquerda como um todo. Bem como a articulação da direita para se beneficiar deste momento turbulento visando a criar agendas que atrasem o ciclo de mudanças iniciado em 2003.

Batista reforça que o ataque à Petrobras é uma tentativa da mídia burguesa e das forças conservadoras de enfraquecer a estatal e ganhar apoio da opinião pública para uma privatização da empresa mais importante do Brasil.

“A corrupção tem que ser combatida, o Partido Comunista não compactua com corrupção, defendemos uma gestão transparente, com recursos públicos para interesses públicos. Mas não se pode jogar para fora a agua suja junto com a criança, o que estão tentando fazer é atacar e desmoralizar empresas nacionais e a Petrobrás, o regime de partilha, o fundo social, e a sua presença como operadora estratégica nos campos de explorações do pré-sal, e a defesa dessa estatal imprescindível está na pauta do dia, é fundamental defendermos a Petrobrás do golpismo e da ameaça privatista. O ataque vindo ao governo Dilma tem interesses internos e externos, o Brasil joga um papel fundamental em nosso continente, por uma integração solidária e soberana, e no Brics – que fortalece uma alternativa aos países em desenvolvimento, o que contraria fortemente os interesses dos países desenvolvidos, sobretudo, os Estados Unidos. Esses países hegemônicos fazem de tudo para quebrar esse projeto nacional de integração com o nosso continente”, ressaltou.

Democratização da mídia
Batista lembra a ação golpista da grande imprensa em diversos momentos da história (inclusive na atual conjuntura) e sublinha a importância da democratização da mídia no Brasil. “Outro ponto fundamental para avançarmos no processo democrático de nosso país é a regulamentação da comunicação no Brasil. É imperativa a luta pela democratização da mídia, monopolizada por cerca de 6 famílias (que representam os interesses das elites nacionais e globais e estão comprometidas com o projeto exploratório do capital)".

"Em diversos momentos da nossa história presenciamos o golpismo da mídia, foi assim com Getúlio, com Juscelino, com João Goulart. E durante o ciclo de mudanças iniciado por Lula presenciamos vários episódios lamentáveis que evidenciaram o golpismo hegemônico da imprensa burguesa brasileira. E, neste início de mandato da presidenta Dilma, a grande mídia intensifica sua ação golpista e manipuladora, busca desestabilizar o governo e fortalecer as forças conservadoras", diz.

"Todos esses ataques ao governo federal não aconteciam quando os ocupantes do Planalto eram aliados às famílias que dominam a comunicação brasileira, não víamos a grande imprensa atacar as ações desastrosas do tucanato comandado por FHC. Mas agora vemos a mídia promover ataques diários ao governo Dilma, ao Partido dos Trabalhadores e à esquerda. Mesmo diante do fato de que em abril de 2014, por exemplo, chegamos a atingir a menor taxa de desemprego da história do Brasil (4,9%), do fato de mais de 20 milhões de empregos terem sido gerados nestes 12 anos, ou do fato de que a taxa de investimento no setor público dobrou nos governos do PT em relação aos de FHC, e de que a dívida líquida do setor público no governo FHC chegou a passar dos 60% do PIB, enquanto no governo Dilma chegamos perto dos 30%", completa.

"A mídia não lembra aos seus espectadores que a média de inflação nos 3 primeiros anos de governo de FHC foi de 12,4% e de Dilma chegou apenas a 6,07%; muito menos que o PIB em 2002 era de 3,3 trilhões de reais e em 2013 chegou 4,8 trilhões", diz o presidente do PCdoB-RJ.

"Como lembrou Marcos Coimbra num artigo na Carta Capital, no primeiro mês do segundo mandato de FHC a inflação anualizada saltou de 1,78% para 20%. A cotação do dólar saltou de 1,32 para 2,16. Coimbra também lembra que o mês de janeiro de 1999 teve tanta balbúrdia que o Banco Central chegou a ter 3 presidentes, um dos quais, preso pela Policia Federal. Mas FHC tinha a simpatia e o apoio da grande mídia”, relata.

Reforma política democrática
O presidente estadual do PCdoB também ressaltou a importância da luta por uma Reforma Política Democrática, e lembrou do crescimento das forças reacionárias no Rio de Janeiro, recordando a derrota e o prejuízo que significou a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara Federal. “É imperativo para os trabalhadores e o povo brasileiro lutar por uma reforma política democrática que amplie a participação popular nos processos de decisão, que impeça o financiamento privado de campanha, que permita ao eleitor escolher o projeto político e o voto em lista, de acordo com a proposta da Coalizão - CNBB, OAB, UNE, entre outras".

"A eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara significou uma grande derrota política. Cunha representa o que há de pior nas forças conservadoras. Com essa derrota, está em jogo até mesmo a democracia no processo eleitoral, pois fortalece um movimento no congresso que defende uma reforma política regressiva, com o voto chamado “distritão”, fim das coligações proporcionais e cláusula de barreira", comenta.

"No Rio, sai fortalecido o setor mais conservador do PMDB. Mas dentro deste partido, existem forças democráticas que podem somar a uma aliança pelo Brasil por mais democracia, direitos e soberania nacional, o que demandam crescimento econômico e reformas democráticas. Se faz necessário construir um bloco de partidos e de legisladores da base aliada de Dilma no Congresso, é preciso atuar de forma mais articulada com esses partidos da base de sustentação da presidenta aqui no Rio de Janeiro", observa Batista.

"Mas só isto não basta para alterar a correlação de forças, para torná-la mais favorável ao povo trabalhador é necessário construir um movimento político e social de massas em nosso estado. Com três instâncias: coordenação, Plenárias de entidades de bases, e movimentos de rua. Vamos defendermos os interesses nacionais e lutar para sanar os problemas urbanos do povo fluminense”, aponta.

Segundo João Batista, a unidade, a resistência e luta serão imprescindíveis nessa grande batalha contra o golpismo e o conservadorismo. “A unidade e luta são fundamentais. Precisamos construir uma frente político-social em nível nacional com repercussão nos estados, com uma plataforma bastante definida, que tenha como eixo o desenvolvimento econômico e as bandeiras da Reforma Política e da Democratização da Mídia. É necessário coesionar as iniciativas políticas e somar forças nessa conjuntura, a nossa dispersão só favorecerá às forças conservadoras. A solução é unir forças para barrar essa ofensiva reacionária e a ameaça golpista”.

Desafios e prioridades do Partido no momento político
Segundo Batista, “o PCdoB precisa se fortalecer nos municípios, ter mais protagonismo político nas cidades, defendendo os interesses imediatos da população. O Partido precisa avaliar suas orientações nas administrações que hoje estamos presentes e tirar lições, para que sejam mais democráticas, transparentes e mais voltadas aos interesses populares".

"Avaliar os mandatos de vereadores e ver quais serviram ao projeto político do Partido Comunista. Temos que fortalecer as direções municipais, e no caso da Capital também fortalecer os distritais, reestruturar o Partido entre os trabalhadores e trabalhadoras, para que nossa experiência no movimento sindical aqui no estado seja um caminho para forjar líderes na luta política de classes", informa.

"No movimento de juventude devemos ampliar nossa ação, além da organização nas escolas e universidades, temos que ir aos bairros para organizar a juventude popular. Nossa juventude precisa se rebelar contra tanta violência nas periferias, contra tantos assassinatos de jovens, na maioria das vezes negros, que infelizmente são frequentes no Rio de Janeiro. Temos que dar um liga política aos diversos movimentos em que o partido está inserido, mulheres, movimento comunitário, luta anti-racista, de orientação sexual, e da cultura e mídia, é necessário coesionar-se em torno da aliança pelo Brasil, traduzindo isso aqui no Rio de Janeiro. As lideranças e o nosso projeto político para as eleições de 2016 também serão fruto deste processo, que já devem ser projetadas pelas direções municipais desde agora”, finalizou o líder comunista, que fez questão de salientar que a luta continuou até mesmo durante o Carnaval, com as diversas manifestações da cultura popular brasileira por todo país.

“Vamos louvar o canto da massa
Unindo as raças pelo respeito
Vamos à luta pelos direitos
Uma “banana ”para o preconceito!
(Samba- Enredo Imperatriz)


Agenda de lutas
Várias iniciativas já estão sendo tomadas e uma agenda já pautada, os (as) comunistas estão convocados para participar com muita combatividade e criatividade:

Dia 24 fevereiro na ABI (RJ) às 18 horas: Ato de lançamento de Manifesto em Defesa da Petrobras

Dia 5 de Março-ato do dia internacional das mulheres

Dia 6 de março plenária de mobilização da militância do PCdoB e amigos – Resistir e Lutar

Dia 8 de março – dia internacional de luta pela emancipação das mulheres

Dia 13 de março- dia de luta convocado pelas centrais sindicais “Direitos se ampliam e não se reduzem! Não às MPs 664 (muda as regras das pensões) e 665 (muda as regras de seguro-desemprego)

Dia 1º de Maio – dia internacional de luta do trabalho e dos trabalhadores(as).

Do Portal Vermelho, no Rio de Janeiro