sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Mídia deflagra campanha contra PT para tirar Dilma do páreo nas urnas - Portal Vermelho

Mídia deflagra campanha contra PT para tirar Dilma do páreo nas urnas - Portal Vermelho



Nesta
quinta-feira (9) a grande mídia deflagrou uma campanha de ataques
diretos contra o PT após a divulgação dos áudios dos depoimentos do
ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto
Youssef, detalhando o esquema de corrupção na estatal. O objetivo
escancarado é afetar o resultado do segundo turno da eleição
presidencial.



Por Dayane Santos, da redação do Portal Vermelho




Reprodução
Delação sem provas foi manchete dos jornais nesta sexta-feira (10)
Delação sem provas foi manchete dos jornais nesta sexta-feira (10)


Nas semanas que antecederam o primeiro turno, realizado dia 5 de
outubro, rumores davam conta de que uma notícia bombástica afetaria o
primeiro turno das eleições, o que levou a um sobe e desce das bolsas
nesses últimos dias a índices recordes.



A notícia chegou na mesma embalagem que as anteriores, isto é,
insinuações, denúncias sem provas ou fatos que possam levar à
comprovação das afirmações de dois réus confessos e presos, que
resolveram contar uma história para minimizar a pena de seus crimes.



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante plenária com a
militância também na quinta (9), disse estar de “saco cheio” dessa
estratégia eleitoral. “Toda eleição é a mesma história. Eles começam a
levantar denúncias e, com denúncias, não precisam provar nada, só
insinuar e ganha destaque na imprensa. Acusação de corrupção não pode
abaixar cabeça de petista”, pontuou o ex-presidente.



Depoimento vago



Com base num acordo de delação premiada, Costa e Youssef dizem que
“grandes empresas” eram contratadas pela Petrobras com sobrepreço de, em
média, 3 por cento, e que esses recursos eram repassados a integrantes
do PT, PP e PMDB. O doleiro e o ex-diretor também ficariam com parte dos
recursos. No áudio, Costa faz acusações vagas como “esse era o
comentário que pautava dentro da companhia” ou “tinha uma outra pessoa
que operava a área de serviço [da Petrobrás] que se eu não me engano
era...”.



O que causa estranheza é o fato de que até agora, não apareceu uma prova
que dê fundamento a essas declarações, já que na delação os réus
precisam apresentar provas das suas acusações. A pergunta é: quem
deliberadamente vaza os depoimentos e não as provas? Qual o objetivo?



A grande imprensa, neste caso a Rede Globo, teve acesso ao depoimento,
que corre em segredo de Justiça, noticiou como se fosse um fato
investigado e comprovado. Isso tudo acontecendo a 15 dias das eleições
em que temos dois projetos distintos de governo; um de continuidade dos
avanços sociais e econômicos e outro atrelado ao sistema financeiro
internacional e de corte de conquistas.



Outras eleições



Como apontou o ex-presidente Lula, essa é uma pratica recorrente e os
fatos provam isso. Na eleição de 1989, por exemplo, às vésperas do
segundo turno presidencial e com o Lula diminuindo a vantagem para o
então candidato Fernando Collor de Mello (PRN) nas pesquisas, a mídia
lançou suspeita de envolvimento do PT no sequestro do empresário Abílio
Diniz, executivo do grupo Pão de Açúcar. As fontes seriam policiais que
participavam das investigações, mas após a eleição com a vitória de
Collor, as acusações foram desmascaradas.



Dilma também foi alvo dessa estratégia nas eleições de 2010, quando
foram lançadas acusações de tráfico de influência contra a candidata,
após deixar a Casa Civil, em março daquele ano, e sua sucessora Erenice
Guerra. Posteriormente as acusações foram arquivadas porque todas eram
inverídicas.



Factoide



Agora, a espetacularização desses áudios revela novamente que o
interesse da grande mídia, como nos casos anteriores, não é trazer luz
aos fatos, mas criar um factoide. O que vai restar de verdade das atuais
acusações apresentadas desta vez, não podemos prever. Mas é preciso se
perguntar por que essa mesma sagacidade e voracidade ou indústria de
vazamentos de áudios, não se manifestam na imprensa quando tratam de
casos como a votação da reeleição no governo FHC ou no mais recente
trensalão tucano nos governos Covas, Alckmin e Serra? Ou ao pagamento de
propina em Minas Gerais? A resposta é simples: porque seus interesses
estão atrelados a essas campanhas e a esses candidatados.



Esse jogo eleitoral da mídia vem mascarado de notícia, informação e
fato, mas com o objeto cristalino de interromper o avanço das forças
progressistas. O jornalista Breno Altman, em artigo publicado no
Vermelho, faz uma boa definição do momento atual. “Todos os dias
mentiras e manipulações são difundidas por setores da imprensa, pelas
redes sociais e pelas organizações de direita, na tentativa de
encurralar e intimidar a campanha petista. Não é novidade na história do
país”, afirma Altman.



Vale-tudo da mídia



O jornalista foi acusado pela contadora do doleiro Alberto Youssef,
Meire Poza, na CPI da Petrobras, de ter recebido dinheiro para pagar as
multas de Enivaldo Quadrado na Ação Penal 470. “Notícias falsas,
evidências plantadas, gravações forjadas, informações adulteradas: essas
são armas tradicionais do alforje conservador”, disse o jornalista.



Ele completa: “Valia tudo para derrotar Getúlio Vargas em 1954 ou
derrubar Jango dez anos depois. Vale tudo para interromper o processo
iniciado com a posse do presidente Lula em 2003, particularmente na
atual contenda eleitoral. Mentiras e meias-verdades são ferramentas na
estratégia da direita”.