quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

40 anos do massacre da Comissão Nacional de Organização do PCdoB - Portal Vermelho

40 anos do massacre da Comissão Nacional de Organização do PCdoB - Portal Vermelho



Entre o final de abril e início de maio de 1972, os militantes do PCdoB foram alertados de que a guerra popular havia começado e era preciso cuidar mais e melhor da segurança partidária, pois certamente a repressão se voltaria então para a eliminação da organização que promovia a guerrilha na região do Araguaia. De fato, a onda repressiva atingiu em cheio as fileiras do PCdoB.

Por Augusto Bounicore*



Em junho todo o setor secundarista do Rio de Janeiro caiu nas mãos da polícia. A maioria era composta de militantes da União da Juventude Patriótica (UJP), um dos seleiros de recrutamento para a luta armada. Em agosto foi preso Ronald Rocha, membro do Comitê Central e diretor da UNE. Quedas começaram a acontecer em vários outros estados. Em 16 de outubro foi preso e barbaramente torturado o veterano dirigente comunista José Duarte, principal dirigente do Partido na Bahia. Eram apenas os primeiros sinais do que ainda estava por vir.

O principal objetivo da ditadura, naquele momento, era destruir qualquer contato entre os que lutavam no campo e a estrutura do Partido nas cidades. Precisava isolar completamente a guerrilha. Assim, a destruição da Comissão Nacional de Organização do PCdoB, comandada por Carlos Danielli, passou a ser uma questão de honra para a repressão. Os guerrilheiros já haviam imposto uma derrota humilhante às Forças Armadas durante a primeira campanha militar, entre abril e junho de 1972.

Primeiro capítulo – Lincoln Cordeiro Oest

A chance de colocar as mãos nessa comissão surgiu a partir de uma série de prisões ocorridas no Espírito Santo em final de novembro daquele mesmo ano. No dia 30 caiu Foedes dos Santos, secretário político do Comitê Regional capixaba. Sob torturas, ele revelou o “ponto” onde se encontraria com o dirigente Lincoln Cordeiro Oest: na Rua Cupertino, bairro do Méier no Rio de Janeiro às 19 horas do dia 20 de dezembro. Os órgãos de repressão haviam pegado o fio da meada. Não se tem detalhes da prisão de Lincoln. A única coisa sabida é que foi preso juntamente com João Muniz de Araújo, militante e motorista responsável por conduzi-lo aos pontos.

A imprensa brasileira, devidamente instruída pelos órgãos de repressão, construiu uma vergonhosa farsa sobre as condições de sua prisão e morte. Lincoln teria revelado um encontro que teria com o seu camarada Luiz Guilhardini. Afirmava o texto policial: “Na hora marcada, Lincoln foi deixado sozinho, mas vigiado à distância. Uma vez livre, o terrorista tentou a fuga, penetrando em um pequeno bosque a fim de sair em uma rua paralela à Garcia Redondo. Os agentes abriram fogo, atingindo-o com vários disparos. Gustavo (Luiz Guilhardini), que vinha se aproximando, tratou de fugir, conseguindo seu objetivo, apesar da perseguição. Prestados os socorros a Lincoln, este não resistiu e acabou morrendo”. Um relatório policial diz que seu corpo foi encontrado num terreno baldio com vários “ferimentos perfuro-contusos, produzidos por projetos de armas de fogo”. O laudo afirma que levou cerca de nove tiros. Nove tiros para conter um fugitivo desarmado?

Como de praxe, os militares jamais se preocuparam em dar uma versão minimamente coerente e unificada sobre os assassinatos cometidos durante a ditadura. O relatório do Ministério da Marinha, por exemplo, diz que Lincoln “foi morto em intenso tiroteio com agentes de segurança, após escapar ao cerco à Rua Itapemirim, RJ”. Intenso tiroteio que não deixou nenhum policial ferido.

Contradizendo isso, existem relatos seguros de que Lincoln foi bastante torturado e morreu agonizando nos cárceres da ditadura. Por fim, deixamos a palavra ao general Oswaldo Pereira Gomes – relator do caso na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos: “todas as provas anexadas ao caso levam a crer que não houve tiroteio e Lincoln foi levado ao local que foi morto, sendo ali fuzilado”. O que não diz é que: se foi fuzilado, só pode ter sido depois de barbaramente seviciado num quartel do Rio de Janeiro. Lincoln morreu aos 65 anos de idade.

Seja como for, Lincoln não falou nada para seus algozes que permitisse atingir a direção do PCdoB. Contudo, o motorista de Lincoln sabia do encontro que ele teria com dois outros importantes dirigentes, Carlos Danielli e Luiz Guilhardini, e, sob tortura, abriu os pontos. Para poder completar a caçada, a informação da morte de Lincoln Oest deveria ser mantida em completo sigilo até a missão de extermínio estar terminada.

Segundo capítulo – Carlos Danielli

Em 28 de dezembro, Carlos Danielli, num carro conduzido por César Telles, seguiu para o ponto marcado com Lincoln Oest. O encontro seria na Rua Loefgreen, bairro de Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Por segurança, pediu para que o motorista circulasse pelo local. Nada lhe pareceu anormal. A visão do camarada do Rio de Janeiro que sempre conduzia Lincoln, o tranquilizou. Então, desceu do carro e se dirigiu ao local programado. Ali mesmo foi preso, embora não existam testemunhos do ato de prisão.

Vinte minutos depois, César e sua esposa Maria Amélia voltaram para apanhá-lo e foram imediatamente presos. Seguiram todos para o DOI-CODI e no caminho os policiais comunicaram eufóricos ao comando da operação: “pegamos um peixe grande!”. Carlos e César entraram no quartel em meio a socos e coronhadas. Alguns dias depois, a presa política Criméia de Almeida conseguiu ver Danielli. Ele estava inchado e inerte, quase morto.

Durante três dias, ele foi muito torturado pelas equipes comandadas pelo então major Carlos Alberto Brilhante Ustra, pelo capitão Dalmo Lúcio Muniz Cirillo e o "Capitão Ubirajara", codinome do Delegado de Polícia Aparecido Laerte Calandra. Mesmo muito machucado, respondia provocativamente a seus inquisidores: "É disso que vocês querem saber? Pois é comigo mesmo, só que eu não vou dizer". Nas últimas horas do seu suplício, escreveu com o próprio sangue nas paredes da sua cela: “Este sangue será vingado”. No dia 31 de dezembro de 1972 o dirigente revolucionário deixava de respirar, sem dar nenhuma informação a seus algozes. Segundo o jornalista Osvaldo Bertolino, um dos próximos pontos de Danielli, logo no dia 30, seria com João Amazonas, o principal dirigente do PCdoB.

Mancomunada com a ditadura militar, a Folha da Tarde (mas não só ela) publicou um artigo dizendo: “Carlos Nicolau Danielli foi preso e revelou à polícia que teria um encontro com um companheiro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que ambos dirigiam. Ele foi levado ao local e lá tentou avisar os companheiros, iniciando-se um tiroteio, que culminou com a morte de Carlos e fuga de seus companheiros. No aparelho montado por Carlos, foram encontrados materiais subversivos, como livros, uniformes roubados da Polícia Militar, produtos químicos para confecção de explosivos, metralhadoras e equipamentos de impressão do jornal comunista A Classe Operária. Nesse aparelho também funcionava a ABN ou Agência Brasileira de Notícias, que passava, para o exterior, informações falsas do Brasil, como entrevistas com supostos guerrilheiros da selva amazônica, feitas por repórteres imaginários. Antes de ser preso, Carlos dedicava-se ao aliciamento de jovens para o PCdoB”.

O Globo também caprichou na versão da morte do líder comunista: “Na véspera do Ano Novo, Danielli foi conduzido em diligência à Avenida Engenheiro Armando Arruda Pereira nas proximidades da Rua Cedros, onde ele se encontraria com seus companheiros da direção do Partido. Na hora marcada, surgiu um Volks branco, chapa CN 1006, que passou vagarosamente e estacionou uns 10 metros adiante. Danielli deixou a viatura policial e correu em direção ao fusca, numa tentativa de fuga. Os ocupantes do Volks abriram fogo contra o carro dos agentes. No tiroteio que se seguiu, Danielli foi atingido por alguns disparos. Seus companheiros de subversão, ao vê-lo caído, fugiram do local.

Recolhido pelos agentes, Danielli morreu quando era levado para o hospital”. Ainda segundo o jornal: “sua principal função era aliciar elementos jovens – geralmente estudantes de escolas médias e superiores – que eram encaminhados às áreas de treinamento de técnicas de guerrilhas no interior do país (...). No Comitê Central do Partido, ele, como jornalista, orientava o Setor de Imprensa”. Carlos Danielli tinha 43 anos ao ser assassinado e seu corpo foi enterrado como indigente no Cemitério Municipal Dom Bosco, localizado no bairro do Perus, em São Paulo.

Terceiro capítulo – Luiz Guilhardini

Como nos casos anteriores, a ditadura montou uma grotesca farsa para encobrir as verdadeiras condições do assassinato de Luiz Guilhardini. Vejamos o que escreveu O Dia: “Os agentes chegaram então ao ‘aparelho’, este localizado na Rua Guararema, 62, em Turiaçu, que era chefiada por Luiz Guilhardini, o ‘Gustavo’, que se evadira anteriormente. Preso, afinal, apontou outra célula, situada na Rua Guapimirim, chefiada por Lincoln Bicalho Roque, o ‘Mário’ e prontificou-se a entrar no aparelho para facilitar a sua prisão. Quando o carro trafegava por Vila Valqueire, ‘Gustavo’ pediu para reduzir a velocidade, pois estava próximo do aparelho. Ao pedir para parar o carro e descer, agrediu o motorista e saltou, saindo correndo pela calçada. O carro desgovernou-se e chocou-se com o meio-fio da calçada. Os agentes usaram as armas. O terrorista morreu” (O Dia, 06-01-1973). Do Auto de Exame cadavérico consta que ele teria sido atingido por seis projéteis de arma de fogo. Morreu aos 53 anos de idade.

Na verdade, no dia 4 de janeiro, a casa onde morava com sua família foi invadida por 13 homens armados. Segundo a sua esposa, Orandina, ali mesmo começaram as torturas. Ela, Luiz e o filho de apenas 8 anos foram encapuzados e levados para o DOI-CODI. Até a criança foi submetida a interrogatório e escutou os gritos do pai sendo torturado. Num dos interrogatórios, Orandina ouviu de um dos policiais que a interrogavam: "Seu homem bancou o durão e foi pro inferno e você também está a caminho para lhe fazer companhia”. Ela ainda ficaria presa por três longos meses. Durante este período Guilhardini foi enterrado como indigente. Entre 1980 e 1981 seus restos mortais foram levados para uma vala clandestina localizada no cemitério de Ricardo Albuquerque.

Em entrevista recente Dynéas Aguiar nos disse o que Amazonas lhe teria contado sobre a queda dos dois revolucionários que então atuavam no Rio de Janeiro: “Guilhardini separou-se de Lincoln Oest próximo ao local do encontro que teria com o camarada do Espírito Santo e ficou de voltar para irem juntos ao aparelho do Partido. Como, na volta, não o encontrou, logo imaginou que algo de errado tinha ocorrido. Tomou um ônibus que passava na frente da casa e conseguiu ver que ela já havia sido ocupada pela polícia. Saiu rapidamente das proximidades e logo que pôde informou a direção do Partido.

O camarada João Amazonas recomendou-lhe que saísse imediatamente do Rio de Janeiro. Guilhardini respondeu que não havia perigo, pois ninguém sabia onde ele residia com sua família. Contudo, o motorista preso juntamente com Lincoln deu uma pista importante para encontrá-lo. Ele sabia que Guilhardini, sendo loiro e de olhos azuis, tinha um filho adotivo negro que estudava numa escola em determinada região. A polícia investigou e descobriu a escola e o garoto. Então, ficou esperando que ele fosse buscado, seguiu-os e descobriu a casa de Guilhardini. Ali ele, a mulher e o filho foram presos”.

Só a partir de 5 de janeiro – um dia depois do assassinato de Guilhardini – as mortes dos três revolucionários puderam ser finalmente (e falsamente) noticiadas pela imprensa. Quase todos os jornais repetiram – com as mesmas palavras – a versão policial: prisão, tentativa de fuga, tiroteio e morte de um terrorista perigoso.

Quarto capítulo – Lincoln Bicalho Roque

A última cena dessa operação de extermínio ocorreria alguns meses depois. A vítima dessa vez seria o líder juvenil Lincoln Bicalho Roque. Assim O Globo – novamente O Globo – noticiou sua morte: “Os órgãos de segurança informaram que num tiroteio com agentes policiais morreu o terrorista Lincoln Bicalho Roque (Mário) chefe da célula ‘Frente Estudantil’ do PCdoB, responsável pela execução de programa de agitação na área universitária do Rio (...). Ele foi encontrado em companhia de um militante não identificado, mas reagiu à prisão e, na tentativa de fugir, trocou tiros com agentes. Mário morreu no local e seu companheiro fugiu, mesmo ferido”. O corpo, segundo a polícia, foi encontrado no Campo de São Cristóvão, no Rio. Além dos sinais das torturas, tinha as marcas de 15 tiros. A mesma história se repete à exaustão. Mortes, ocasionadas pelas violentas torturas sofridas nos cárceres, encobertas com versões de fantasiosos tiroteios.

O desaparecimento de Lincoln foi constatado pelos amigos em 13 de março, quando começou a furar a todos os pontos marcados. Posteriormente sua prisão foi confirmada por um dos seus companheiros presos. O jovem militante comunista João Luis Quental, preso em 6 de março, depois de muito torturado e sob ameaças de morte, foi obrigado a conduzir os policiais até onde teria o encontro com Lincoln. Era uma Praça em São João do Meriti. Esperaram ali por algum tempo até que Lincoln chegou. Mas, sentindo que algo estava errado, passou reto pelo local. Os policiais o identificaram e saíram em sua perseguição. Quental ainda viu quando seu amigo (e dirigente) foi preso, sem esboçar resistência. Somente nove dias depois desta prisão é que foi anunciada sua morte. Isso dá para deduzir o martírio que ele passou naquele período em que esteve desaparecido.
Delzir Mathias, preso alguns anos depois, afirma que ouviu seus torturadores afirmarem que a sua resistência lembrava a de Lincoln e, por isso, eles iriam passar um filme mostrando em que estado ele havia ficado. Como nos casos anteriores, Lincoln Bicalho não forneceu nenhuma informação à repressão. Ninguém caiu depois de sua prisão. Morreu aos 27 anos.

Naqueles anos a grande imprensa, servilmente, reproduzia integralmente as versões transmitidas pelos órgãos de repressão. A maioria das vezes como se fosse material produzido pela própria redação. Os dirigentes e militantes do PCdoB eram acoimados de terroristas, mesmo sabendo que eles jamais utilizaram – e, pelo contrário, eram bastante críticos – essa forma de ação. Por isso mesmo não participavam de assaltos ou atentados. Defendiam a luta armada, mas através da guerra popular prolongada que buscasse envolver as massas urbanas e rurais. Justamente por razões de segurança, os militantes comunistas também não andavam nem compareciam aos pontos portando armas. Jamais reagiriam com tiros a uma abordagem policial.

Os títulos das matérias publicadas na época são emblemáticos dessa capitulação moral diante da ditadura. Vejamos alguns: “Desmantelada agência terrorista de difamação”, Folha da Tarde de 5 de janeiro; “Prisões eliminam focos terroristas”, Folha de S.Paulo de 5 de janeiro; "Terrorista reage à prisão e é morto a tiros na rua", O Globo de 22 de março; “Exército anuncia morte de terrorista”, O Estado de São Paulo de 22 de março. Esses são apenas alguns poucos exemplos.

Conclusão

No final de março de 1973, o jornal A Classe Operária publicou um comunicado no qual afirmava: “O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil inclina suas bandeiras de combate em homenagem aos camaradas assassinados pela reação. Carlos Danielli, Lincoln Oest, Luiz Guilhardini – membros do Comitê Central – e Lincoln Bicalho Roque, candidato a membro do Comitê Central, cumpriram com honra o seu dever de revolucionários. Deram suas vidas heroicamente em defesa da causa do proletariado e do povo. Foram batalhadores incansáveis em prol dos direitos e da emancipação dos explorados e oprimidos. São exemplos de dedicação ao Partido da classe operária, de militância resoluta para fortalecê-lo em todos os sentidos. Seus nomes jamais serão esquecidos”.

Esses assassinatos – e este era o seu objetivo – ocasionaram certa desorganização partidária. Mas, o principal efeito foi impossibilitar qualquer contato e reforço à guerrilha que se desenvolvia no sul do Pará. Mesmo o processo de divulgação mais ampla da sua existência foi prejudicado. As prisões e torturas de comunistas aumentaram. No início de 1973, por exemplo, caiu o Comitê Regional de São Paulo. A mesma coisa aconteceu no Ceará e Bahia, entre outros estados.

Pedro Pomar foi convocado para assumir o lugar de Carlos Danielli à frente da Secretaria Nacional de Organização. A partir de então se adotaria uma política de segurança ainda mais rígida, visando a preservar o Partido – e sua direção central – de novos ataques da repressão. A diretiva para os militantes passou a ser “fingir-se de morto”. Linha organizativa que durou, aproximadamente, até 1978.

Contudo, nem tudo foi espinho. O início da Guerrilha do Araguaia e os assassinatos dos dirigentes comunistas levaram que a maioria da direção da Ação Popular Marxista-Leninista resolvesse apressar os passos de sua integração ao PCdoB. A nota dessa organização, publicada em março, é bastante clara nesse sentido: “A sanha terrorista desencadeada pela ditadura Médici contra o PC do Brasil e o sangue derramado por quatro dos seus destacados dirigentes tornam mais imbatível a nossa firme convicção de que a todos os marxista-leninistas do Brasil cabe buscar fortalecer, prontamente, o PC do Brasil. Conduzir a Ação Popular a este objetivo tornou-se, para nós, mais justo e urgente”. Dois meses depois, em maio, saía o documento Incorporemo-nos ao PC do Brasil. Assim, centenas de quadros jovens vieram honrosamente preencher os lugares deixados pelos que tombaram nas cidades e nas selvas do Araguaia defendendo a liberdade e o socialismo.

Breves notas biográficas

Lincoln Cordeiro Oest nasceu no Rio de Janeiro em 1907. Ingressou no Partido Comunista do Brasil na década de 1930. Participou ativamente da Aliança Nacional Libertadora (ANL) em 1935. Elegeu-se deputado estadual pelo Rio de Janeiro na legenda do Partido Comunista do Brasil (PCB) no ano de 1946. Teve seu mandato cassado com os demais membros da bancada em janeiro de 1948. Esteve à frente do processo de reorganização do PC do Brasil e elegeu-se membro do Comitê Central e da sua Comissão Executiva na Conferência Extraordinária de fevereiro de 1962. Após o golpe militar de 1964 entrou na clandestinidade. Passou a dirigir o Partido em São Paulo, mas em agosto de 1968 ficou preso por 18 dias, sendo bastante torturado. No Comitê Central compunha a Comissão de Organização e dava assistência a vários estados, como o Espírito Santo.

Luiz Guilhardini nasceu em 1920 na cidade portuária de Santos. Era operário naval e ingressou no Partido Comunista do Brasil em 1945. Mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1953, tornou-se membro do Comitê Metropolitano e do Comitê Regional dos Marítimos, importante base operária do PCB. Em 1962 ficou com o PC Brasileiro e, após o golpe militar, ao lado de José Maria Cavalcante, comandou o processo de integração do Comitê Regional dos Marítimos ao PC do Brasil. Na 6ª Conferência elegeu-se membro titular do Comitê Central e logo passou a compor a Comissão Executiva e a Comissão de Organização.

Carlos Nicolau Danielli nasceu em 1929 na cidade de Niterói. Era filho de militantes comunistas. Muito jovem passou a trabalhar nos estaleiros de construção naval de São Gonçalo. Ingressou na União da Juventude Comunista (UJC) em 1946 e, em seguida, no PC do Brasil (PCB). Foi preso em 1949 transportando documento do partido e novamente em 1956. No IV Congresso (1954) elegeu-se membro do Comitê Central. Foi um dos líderes do processo de reorganização do PC do Brasil em 1962, reelegendo-se para o Comitê Central – e compor a Comissão Executiva na qual passou a responder pelo trabalho de organização e a publicação do jornal A Classe Operária.

Lincoln Bicalho Roque nasceu na cidade de São José do Calçado no Espírito Santo em 1945. Estudou sociologia na antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ). Era uma das principais lideranças estudantis do PC Brasileiro. Depois de formado, em 1967, tornou-se professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, mas foi compulsoriamente aposentado aos 23 anos de idade. Em 1966 participou da dissidência que deu origem ao PCBR. Experiência curta, pois logo passou a integrar o PC do Brasil e a compor sua direção regional na Guanabara. Em 1970 tornou-se secretário político da União da Juventude Patriótica (UJP), entidade juvenil de massas ligada ao PCdoB. Era candidato a membro do Comitê Central.

Bibliografia

BERTOLINO, Osvaldo. Testamento de luta – A vida de Carlos Danielli. São Paulo: Anita Garibaldi, 2002.
COMISSÃO DE familiares de mortos e desaparecidos políticos. Dossiê Ditadura – Mortos e desaparecidos políticos no Brasil (1964-1985). São Paulo: Imprensa Oficial e IEVE, 2009.
MIRANDA, Nilmário e TIBÚRCIO, Carlos. Dos filhos deste solo – mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar: a responsabilidade do Estado. São Paulo: Boitempo e Fundação Perseu Abramo, 1999.
MOMESSO, Luiz. Um maquinista da história. São Paulo: Oito de Março, 1988.

* Augusto Buonicore é historiador, secretário-geral da Fundação Maurício Grabois. E autor dos livros Marxismo, história e revolução burguesa: encontros e desencontros e Meu verbo é lutar: a vida e o pensamento de João Amazonas, ambos pela Editora Anita Garibaldi.

Fonte: Fundação Maurício Grabois