quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Luciano Coutinho: País precisa concretizar ajustes e virar a página - Portal Vermelho

Luciano Coutinho: País precisa concretizar ajustes e virar a página - Portal Vermelho

O presidente do
BNDES, Luciano Coutinho, disse nesta terça-feira (15) que é preciso
implantar os ajustes para voltar a pensar a economia do país no curto e
médio prazos. “Acredito que para serem suplantadas [instabilidade
política e as dificuldades fiscais] é preciso concretizar os ajustes e
virar a página, voltar a pensar na economia brasileira no médio e curto
prazos e retomar a ideia do crescimento.”





Luciano Coutinho, presidente do BNDES
Luciano Coutinho, presidente do BNDES


Ele participou, no Rio, da sessão especial do Fórum Nacional, na
sede do banco, que tem como tema O Brasil que Queremos – Nova grande
concepção: sair da crise e enfrentar os desafios do alto crescimento,
integrando-se à Nova Revolução Industrial para aproveitar a magia das
grandes oportunidades.



Pacote de medidas



Coutinho destacou que para o Brasil crescer e atingir taxa de 4,5% ao
ano, é preciso elevar a produtividade, que precisaria aumentar pelo
menos 3,9% ao ano. Para ele, entre os próximos desafios do país estão a
melhoria da qualidade dos serviços, com mais educação e qualificação do
trabalho. “Isso significa e exige mais qualificação e preparação do
trabalho para tecnologias avançadas de automação e de sofisticação
especialmente na prestação de serviços.”



“Essa seria uma taxa alta de crescimento que permitiria enriquecer a
sociedade em termos de qualidade de vida e de renda, antes de a
população envelhecer de forma mais irreversível, porque as transições
demográficas depois tendem a se estabilizar.”



“Ajuste fiscal ajuda a sociedade a buscar soluções”



As medidas de ajuste fiscal, anunciadas pelo governo, além de apontar
uma saída para crise econômica enfrentada pelo país, ajudam a sociedade
brasileira a considerar “suas responsabilidades” na busca de soluções,
disse Coutinho. Ele acrescentou que as medidas ajudam a sociedade
brasileira a considerar, como necessária, a implantação de reformas de
médio e longo prazo para que o país possa buscar o desenvolvimento
sustentado.



Segundo o presidente do BNDES, a alíquota de 0,2% para o retorno da
Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), proposta
pelo governo, é moderada e minimiza um pouco os efeitos da
contribuição. “Ao mesmo tempo assegura uma receita importante”,
completou.



Infraestrutura



Luciano Coutinho reconheceu que é preciso investir mais em
infraestrutura. Segundo ele, o crescimento do país, entre 2004 e 2012,
não se traduziu no aumento ideal dos investimentos no setor. Para ele, o
maior resultado do crescimento econômico do país foi a inclusão social,
a distribuição de renda e o acesso e pressão sobre os serviços
públicos. Já o agronegócio continua sendo um vetor de crescimento para a
economia, apesar da piora dos preços internacionais.



“O investimento em infraestrutura aumentou, mas não o suficiente. O
investimento total sobre o PIB [Produto Interno Bruto] aumentou, mas não
tanto quanto gostaríamos. A taxa agregada de investimentos era de cerca
de 16% do PIB e ultrapassou os 20%. Ficamos neste patamar até
recentemente”, disse. “Acelerar os investimentos em infraestrutura é uma
fronteira em várias áreas, com possibilidade de desenvolver cadeias de
suprimentos de equipamentos, de engenharia, de bens de capital e de
serviços”, acrescentou.





Fonte: Agência Brasil