sábado, 30 de março de 2013

EUA: deem uma chance à paz na península Coreana - Paulo Vinícius Silva

A cena internacional às vezes coloca temas complexos em debate, exigindo muitas vezes conclusões difíceis. É possível, no entanto, apesar da aparência, entender sob esse dilemas, oculta a movimentação de grandes atores que dão as cartas no jogo político, econômico, militar e bélico mundial.

Como é bem sabido, quando há guerra, a primeira vítima é a verdade. Isso também se verifica quando se vê a preparação sistemática, há tempos de uma retomada da guerra da Coreia. Como uma torquês, os EUA tem pressionado o país, que tem grande desenvolvimento tecnológico em áreas importantes, mas tem uma situação energética e agrícola muito frágil. desde a sua inclusão como parte do "eixo do mal" por George Bush, são sempre crescentes as ameaças ao país.

Sem esse preâmbulo, podiam ser desarrazoadas as preocupações da RPD da Coreia, que já esteve em guerra com os EUA. MacArthur aventou a possibilidade de envenenar com cobalto radiativo a fronteira para tornar eternamente separadas as duas coreias.

Vende-se o peixe que os coreanos são esquisitos, porque são maus, porque são bravos, numa tautologia informativa vergonhosa, que em nada ajuda a entender as verdadeiras questões expostas na crise na Península Coreana. Há, portanto, um bloqueio informativo da parte do "ocidente", entendido como o complexo de agências privadas que filtram e interpretam as notícias que recebemos em verdadeiras ondas. Só isso explica que se estranhe a reação da República da Coreia.

Por que temem os coreanos a chegada de um exercício militar com dezenas de milhares de soldados estadunidenses, armas nucleares, B52, destroiers, tudo mar coreano? Como compreender um embargo econômico em níveis insuportáveis, para matar de fome o povo coreano? Como compreender o que significa a imprensa oligopolista - igual a situações na Líbia, Síria, Iraque, Afeganistão - gritar em uníssono: "Queima, queima, queima!"? Que garantia tem a paz se os EUA se recusam a assinar um armistício desde os anos 50 e tomam diversas e sincronizadas medidas - concretas, com armas, aviões, grandes contingentes - para a guerra? É difícil mesmo entender a PPD da Coreia?

E porque os EUA e a Coreia do Sul não adiam o "exercício" e propõem uma mesa de armistício definitiva?

Essas reflexões são importantes à luz da defesa da humanidade e da paz, mas também sob o olhar da Nação. Há desdobramentos futuros. O que fazer, hipoteticamente, se o alvo dessas sucessivas violação da soberania, do direito internacional, belicismo, essa campanha midiática, essa força militar, tudo isso se volte, eventualmente, contra o Brasil, sob os argumentos da defesa da Amazônia,dos direitos de tais parcelas da população, da democracia segundo padrões liberais, ou do direito à propriedade? Ou contra um outro país latino-americano? É só uma hipótese, mas que considero relevante.

A hipótese que, com sucessivos episódios na mesma linha, é aceitável agredir países com os argumentos acima, e que isso é perigosos para o mundo E o Brasil. É necessário senso crítico para a análise mais ampla. Os coreanos tem o direito de existir e viver sua vida segundo sua visão de mundo. E quem se diz defensor dos interesses desse povo não pode aplicar a fome universal que o bloqueio pratica. A pressão militar, econômica, informativa, em especial o bloqueio, punem de modo genocida - toda a população é vítima. Então os que reclamam de falta de democracia deveriam ser coerentes, pois a punição coletiva do bloqueio é cruel: são também medicamentos, alimentos, pune-se a população.

Não se deve admitir que se imponham militarmente regimes políticos. Precedente gravíssimo. Não deve haver essa imensa pressão militar sobre a Coreia Popular. É preciso denunciar o caráter genocida dos cruéis bloqueios. O armistício tem de ser assinado: quem o impede? Por que os EUA não se abstém de manter uma permanente ameaça sobre esse país? Com que direito os EUA mantem um exército de mais de 30 mil soldados na Coreia do Sul, há décadas com ogivas nucleares apontando para a RPD da Coreia? Não se trata, portanto, da defesa do regime de Pionguiangue, mas da defesa da Paz!

E o imperialismo é a guerra, os EUA não o podem negar, e promovem uma ofensiva militar na região. Para lá se deslocam esses imensos contingentes militares dos EUA e da Coreia do Sul, e é contra isso que grita a RPD da Coreia. Por que não se detém esse exercício militar?

Já que os EUA são tão "responsáveis", por que não fazem um gesto de PAZ, e só tem movimentos de guerra? Movimentos feitos num tal crescente, que é difícil pedir que ignorem isso os coreanos, cercados, ameaçados diariamente, insultados ao paroxismo e bloqueados. Nessa hora, eu, observando o imperialismo e sua fúria, não posso me esquivar de dizer que é ilegítimo a guerra para alterar regimes políticos, como tem sido feito sistematicamente pelos EUA contra quem os incomoda ou em face de sua ganância.

A novidade é que os coreanos não estão nem desarmados, nem indefesos. Parece o pior crime do mundo. Não é, amigos, sinto muito, não é. A Coreia se defende num mundo em que o jogo é cada vez mais bruto. Defender-se não é crime, mas dever inescapável de qualquer patriota com o país sob ameaça. É o tipo de coisa inegociável.

A questão é se é possível defender-se.

 Crime é ter o Pré-Sal e a Amazônia, ter o nosso tamanho, estar na América, e não se alarmar com isso, sendo um patriota. Sim, porque precisamos tirar lições sobre como os EUA se arrogam tamanhos poderes, isso é perigosíssimo. Está o Brasil preparado para defender suas riquezas, seu território? Quantos minutos aguentaria o Brasil para se defender de tamanha agressividade? Isso sim é um crime, de lesa-pátria, e estamos cometendo-o diariamente. A continuação desse crime no campo político-diplomático, é ser conivente com essa agressão que perpetram os EUA, com movimentação de tropas contra países, como faz os EUA. Porque esse tipo de ação, além do risco nuclear gravíssimo, cria o precedente. Não podemos, portanto, inferiorizados belicamente, querer outra coisa que não a saída pacífica e política dos conflitos internacionais. Isso é o interesse do Brasil.

Diante dessa constatação incontornável, só podemos, como seres humanos, como latino-americanos, e como brasileiros e brasileiras defendamos a PAZ. Que cessem os exercícios militares dos EUA-Coreia do Sul contra a Coreia do Norte e que ela assim faça gestos de paz correspondentes. Que o tema volte para a política com a discussão objetiva de um armistício verdadeiro. A partir daí, a discussão poderá voltar a ter características políticas, e cabe sobretudo aos coreanos, sem interferência dos EUA.

É muito grave que os EUA apoiem tantos experimentos em que opõem em guerra civil nacionais contra nacionais. É muito preocupante que se legitime uma política descarada de guerra dos EUA contra a RPD... É preciso que cessem a pressão e as provocações contra a RPD da Coreia. É necessário que os EUA, a potência que bombardeou Hiroshima e Nagasaki tenha responsabilidade e dê uma chance à paz. 

Não podemos ser omissos, pusilânimes. Podemos pensar de distintos modos, ter críticas, isso nada tem a ver. Não podemos calar quando o imperialismo estadunidense promove tantas guerras ilegais com riscos para toda a Humanidade. Os EUA e a Coreia do Sul tem de parar a escalada militar e é preciso retomar o caminho de um sincero armistício, com o cesse de tamanhas hostilidades contra um país cercado e isolado.