segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Antidemocrático é o voto facultativo - Paulo Vinícius (esboço)

A defesa do voto facultativo como algo democrático é um embuste de direita tristemente esposado pela nossa classezinha mérdia tradicional. Primeiro que o voto já é facultativo (pois ninguém é obrigado a votar em quem quer que seja, pode anular). Segundo, porque a liberdade de, em cada dois anos, não se dirigir a uma escola próxima de sua casa é uma liberdadezinha muito fuleira para ser alvo de uma reivindicação verdadeiramente "democrática". Terceiro, porque o que na verdade se oculta, indesculpável, ainda que indisfarçável, é a certeza da classe mérdia de que é a ela e à elite, "cultas" e "informadas", leitoras da Veja até, que deveria estar restrita a decisão sobre os rumos do país.

Dói-lhes imensamente as suas empregadas domésticas tendo o mesmo poder decisório que eles, e muito mais o fato de não poderem, já há tempos, influenciar-lhes o voto. SE o voto fosse aberto, aprovariam, e até marcariam para assegurar a sua "consciência". Mas não é assim, aí vem com essa mixórdia pseudo-democrática, quando na verdade o que propõem é a perca de peso relativa do povo trabalhador nas decisões nacionais e a perda da centralidade do processo político-eleitoral na vida do país, só assegurada por essa "obrigatoriedade" que é quase ateniense de tão importante, a de votar e participar das decisões nacionais.