quinta-feira, 16 de maio de 2013

"Dia da Nakba" na Palestina é marcado com memória e confrontos - Portal Vermelho

"Dia da Nakba" na Palestina é marcado com memória e confrontos - Portal Vermelho

Milhares de palestinos reuniram-se nesta quarta-feira (15) na Praça Yasser Arafat, em Ramallah (centro administrativo da Autoridade Palestina) e outras cidades na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, para marcar os 65 anos desde que foram forçados a deixar as suas casas e terras, na Palestina histórica (território da Palestina mais os territórios ocupados na criação do Estado de Israel), um dia que foi denominado “Dia da Nakba”.


Wafa

Manifestante palestina é detida pelas forças israelenses em Jerusalém, durante protestos pelo "Dia da Nakba", ou catástrofe, nesta quarta-feira (15)A Nakba, ou catástrofe, refere-se ao dia em que grupos armados judeus declararam guerra contra os palestinos nativos, em 15 de maio de 1948, imediatamente depois de a Grã Bretanha anunciar o fim do seu mandato e ocupação da Palestina.

A guerra terminou em seguida, com os grupos judeus sionistas (de ideais colonialistas e racistas) ocupando a maior parte da Palestina e forçando mais da metade da sua população a abandonar as suas casas, tornando-se refugiada em seu próprio território ou em Estados árabes vizinhos.

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Desde então, os palestinos marcam o dia 15 de maio todos os anos, como o Dia da Nakba, e o lema das manifestações deste ano é: “O retorno é um direito e a vontade do povo”, em referência a uma das reivindicações fundamentais do povo palestino, o direito dos refugiados de voltar às suas terras.

Na Cisjordânia, o evento central ocorreu em Ramallah, na Praça Yasser Arafat (ex-presidente palestino considerado o líder da resistência). Os palestinos reuniram-se no mausoléu de Arafat, no complexo presidencial, desde onde marcharam, liderados por forças militares e batedores, até a Praça, no centro da cidade.

Refugiados levavam cartazes com os nomes das suas vilas e cidades, de onde foram expulsos em 1948. Também exibiam chaves-símbolo, das suas casas deixadas para trás, como um sinal da resistência e do empenho em “retornar”.

Ao meio-dia, os palestinos marcaram 65 segundos de silêncio, para os 65 anos desde a Nakba. Nas manifestações, grupos cantaram músicas nacionalistas.

Também houve notícias de palestinos manifestando-se pacificamente no posto de controle militar israelense Calândia, que leva a Jerusalém. Houve confrontos com as forças israelenses no local, de acordo com um correspondente da agência palestina de notícias Wafa.

As forças israelenses lançaram gás lacrimogênio e bombas acústicas, e dispararam balas revestidas de borracha contra os protestantes, o que levou a confrontos e ferimentos.

Como de costume, os palestinos responderam lançando pedras contra as forças israelenses, numa amostra evidente da assimetria entre os envolvidos.

Confrontos também foram relatados entre forças israelenses e protestantes palestinos no leste da cidade de al-Ram, no distrito de Jerusalém.

Com Wafa,
da redação do Vermelho