sexta-feira, 8 de junho de 2012

Portal Vermelho entrevista Presidente da UJS, André Tokarski

A luta acontece nas ruas e nas redes, enfatiza presidente da UJS - Portal Vermelho


Começa nesta quinta-feira (7), o 16º Congresso Nacional da União da Juventude Socialista (UJS). A preparação para o encontro começou no início do ano. Em entrevista ao Vermelho, o presidente da entidade, André Tokarski, conta como foi mobilizar mais de 100 mil durante os mais de 800 congressos municipais, além dos estaduais, realizados em todos os 26 estados e no Distrito Federal. "Como diz o tema do nosso encontro: nas redes, nas ruas, estamos lutando pelo Brasil dos nossos sonhos", afirma.


Vermelho: Como se chegou ao tema do congresso: Nas Redes e Nas Ruas, Lutando pelo Brasil dos nossos sonhos?André Tokarski: Não poderíamos realizar nosso congresso sem levar em consideração a revolução comunicacional que está em curso, esta revolução tem a juventude como principal protagonista. As redes sociais são a brecha que a juventude encontra para expressar seus anseios, visto que no mundo o poder da mídia tradicional é muito forte. Esta movimentação nas redes tem ajudado a mobilização nas ruas, para nós estes dois instrumentos fazem esquina. A um slogan que sintetiza este pensamento, “redes e ruas, uma esquina revolucionária”. Sobre o “Brasil dos nossos sonhos”, acreditamos que direitos foram conquistados e valorizamos isto, mas nossa referência é o futuro que queremos construir e para tanto ainda falta muito, por isso, temos que continuar lutando.

Queremos construir uma agenda de lutas para avançarmos na construção de um novo projeto nacional de desenvolvimento através de reformas democráticas como a reforma política, a reforma universitária, a democratização da mídia, a redução da jornada de trabalho e ampliação de direitos para a juventude brasileira.

Vermelho: Como foi o processo nos estados? quantos congressos estaduais e quantos municipais? quantos jovens foram mobilizados durante o processo do congresso?

AT: Nossa jornada de mobilização se iniciou em fevereiro de 2012, após a realização da nossa plenária nacional. Ao todo, mais de 100 mil jovens participaram do processo do Congresso da UJS. Realizamos Congressos estaduais nos 26 estados e no Distrito Federal, além de congressos municipais em mais de 800 cidades.

Vermelho: Como foram divididas essas atividades?
AT: Foram realizadas inúmeras atividades como debates nas escolas e nas universidades, tuitaços, passeatas, festas, panfletagens, entre outros.

Vermelho: Como o tema do congresso (nas redes e nas ruas) foi trabalhado nos estados? Qual o nível dos debates?
AT: Foi trabalhado com criatividade e ousadia. Realizamos debates e mobilizações virtuais e nas ruas, o que mostra que a juventude está conectada, mas não abre mão da luta presencial, nas ruas, nas escolas e universidades.

Vermelho: Não é mais possível só mobilizar nas ruas? E só mobilizar na internet, dá certo? O que as redes e as ruas têm em comum?
AT: Tenho dito à nossa militância que sem tirar nenhum pé das ruas, devemos colocar as duas mãos nas redes. Nada substitui as mobilizações de rua, é lá que vamos cobrar efetivamente os nossos direitos e obter conquistas. Mas não podemos menosprezar o alcance a as possibilidades de interação, organização e mesmo mobilizações políticas que as redes sociais proporcionam. Mas não basta estar na rede, é preciso apresentar ideias que se conectem com as demandas concretas da juventude. As redes e as ruas são canais poderosos em que a juventude pode mandar o seu recado e ajudar a transformar a realidade.

Vermelho: Em que frentes a UJS atua hoje?
AT: Atuamos no movimento estudantil, na frente de jovens trabalhadores, de jovens mulheres, na luta LGBT, combate ao racismo, jovens cientistas, esportistas, na frente de cultura, de democratização da mídia, de defesa do meio ambiente, no movimento Hip-Hop e também na luta em defesa da moradia.

Vermelho: Como você avalia o governo Dilma para a juventude brasileira?
AT: O governo Dilma é a continuidade de um projeto iniciado no governo Lula e com o qual a ampla maioria da juventude se identifica. Agora, como a própria presidenta falou na sua campanha, precisamos avançar, avançar e avançar. E para nós da UJS, avançar é poder ir além, ousar, não fazer mais do mesmo. Temos como desafio fortalecer um projeto de desenvolvimento nacional com geração de empregos qualificados e distribuição de renda. A redução da jornada de trabalho é luta prioritária para que a juventude possa ter acesso ao trabalho e continuar estudando.

É preciso revolucionar a educação brasileira, conquistamos muito no último período, mas a evasão no Ensino Médio chega a quase 50%, apesar de termos conquistado 1 milhão de Prounistas, de ter dobrado o número de vagas nas universidades federais, e da construção de centenas de Ifets [Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia], menos de 15% dos jovens entre 18 e 24 anos têm acesso ao ensino superior. A superação da violência contra a juventude também é um desafio enorme. Dados do próprio Ministério da Justiça atestam que cerca de 90% das mortes por causas violentas são de jovens entre 15 e 29 anos, a grande maioria de negros e pobres. As dificuldades do transporte público nas grandes cidades têm segregado a juventude e restringido o seu direito de circular e usufruir dos aparelhos públicos de educação, cultura, esporte e lazer.

Vermelho: Como é ser um jovem socialista no Brasil atual?

AT: É sonhar e lutar pela construção de um país mais justo. É defender o direito à educação de qualidade, de um trabalho decente, de poder viver a vida em paz. De ter direito à livre comunicação, acesso à cultura e ao esporte. Mas principalmente de olhar para a crise do capitalismo na Europa e nos Estados Unidos, que tem gerado milhões de desempregados, alastrado a pobreza, a miséria e a desesperança, e reafirmar a convicção de que é possível e necessário derrotar o capitalismo e dar os primeiros passos na construção de um país socialista, onde os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras, da juventude e de todo o povo estejam em primeiro lugar.



Vermelho: Como você vê as mobilizações do Ocupe Wall Street, Indignados – os jovens que ousaram chamar a atenção do mundo para sua realidade (com desemprego, perda do poder aquisitivo, etc.)?

AT: São mobilizações muito importantes, que denunciam as mazelas do capitalismo e têm reunido milhares de pessoas, principalmente jovens. Elas ocorrem por que o capitalismo europeu e estadunidense está em crise aguda. Sempre que ocorrem esses tipos de crises é a juventude e o povo em geral que pagam a conta, e não os verdadeiros responsáveis, que são os especuladores financeiros.

Vermelho: Por que no Brasil não houve eco dessas manifestações?
AT: A crise atual do capitalismo tem atingido principalmente os países mais ricos. Na Espanha, 50,2% dos jovens estão desempregados; em Portugal, o governo tem estimulado a juventude a assim que concluir seus estudos vir procurar emprego no Brasil. Milhares de jovens que buscavam alternativas nos Estados Unidos hoje voltam para trabalhar aqui. No Brasil a realidade é inversa, estamos ampliando a conquista de direitos, se lá a luta é pela sobrevivência, aqui é por ampliação de direitos.

Vermelho: Como foi a atuação internacional da UJS durante a sua gestão?AT: Nós representamos a Federação Mundial das Juventudes Democráticas na América Latina e Caribe e temos participado ativamente dos espaços de juventude do Foro de São Paulo, reunião dos maiores partidos de esquerda da América Latina. A solidariedade internacional é uma prioridade para a UJS. Vamos receber no nosso Congresso uma delegação estrangeira de mais de 15 países, que vieram participar e trocar experiências conosco.


Com a presidenta do Conselho Mundial da Paz e do Cebrapaz, Socorro Gomes

Vermelho: Você fez uma viagem recentemente para a Síria, integrando uma comitiva de organizações, como a Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD). Como foi a experiência? O que vocês viram?AT: A UJS integrou a missão de paz formada pela Federação Mundial da Juventude (WFDY na sigla em inglês), pelo Conselho Mundial da Paz (CMP) e representantes de estudantes e organizações juvenis. Lá, testemunhamos o contraste entre os feridos e mortos em um hospital sírio e a normalidade da vida em Damasco, com lojas abertas, universidades funcionando, ruas cheias e movimentadas, deixa evidente que o conflito na Síria é uma ação orquestrada por grupos mercenários armados, incentivados por minorias ultrasectárias islâmicas que, de forma oportunista e vergonhosa, contam com o apoio da União Europeia e dos EUA. Em Damasco, onde estivemos, não houve e não há nenhum tipo de confronto. A capital da Síria tem sido vitimada por covardes atentados terroristas com carros-bomba, que levaram dezenas de civis à morte.

De São Paulo,
Deborah Moreira