quarta-feira, 27 de junho de 2012

Estudantes ocupam a Esplanada e apontam caminho da vitória para a Educação Brasileira

Paulo Vinícius S. Silva

No dia 26 de junho de 2012 os estudantes  liderados pela UNE, a UBES e a ANPG, com o apoio do movimento sindical da educação e das forças que a defendem, lograram uma transcendente vitória: aprovaram por unanimidade na Comissão Especial que debate o Plano Nacional de Educação a aplicação crescente de 7% a 10% em uma década para a educação brasileira, um aumento inegável de recursos, atendendo um clamor nacional. O impacto dessa ampliação, que ainda carece de aprovação do Senado e da sanção da Presidenta Dilma, será visto nas nossas vidas e de nossos filhos.

Significará abrir uma nova etapa para a Educação brasileira, que tem sido vítima das políticas de ajuste e das crises que desde os anos 80 retiraram recursos da educação. A vitória de ontem, liderada pela UNE e pela UBES mostra que é possível sim aprovar os 10% do PIB e o projeto de lei do Senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) de 50% do fundo social do Pré-Sal para a educação, o que assegurará um financiamento robusto para alavancar o Projeto Nacional de Desenvolvimento.

Mais cedo, o prenúncio desse êxito se viu na Marcha dos Estudantes que saiu da Biblioteca Nacional pela Esplanada, que teve grande apoio dos estudantes do Distrito Federal, reunindo 4 mil manifestantes, apesar de a convocação ter sido feita em menos de uma semana. Ao fim da marcha, a UNE e os DCEs das federais, em audiência com o Ministro da Educação, Aluísio Mercadante, tiveram a sinalização de que em 15 dias haverá uma proposta consistente e emergencial para corrigir os problemas decorrentes da ampliação das vagas na universidade pública, ampliação ainda frágil em função da ausência de recursos e também dos problemas de administração das próprias universidades públicas, pois algumas reitorias aproveitaram insuficientemente a oportunidade que é o REUNI. São problemas que lastimam com razão os estudantes, e que se constituem a principal gasolina do ultra-esquerdismo que faz uma cínica aliança com a direita - logo eles, que são contra todas alianças.

A nossa é a triste época em que as forças ultra-esquerdistas - sem política e absolutamente minoritárias entre os estudantes - abraçam o discurso da direita e são contrárias à expansão da universidade pública para o povo... Reforçam o discurso da pequena burguesia enciumada dessa ruma de povo que tem entrado na universidade, e fazem um discurso apocalíptico como se a crise de expansão fosse um sinal de destruição da universidade. Ou seja, na verdade não querem resolver o problema, vivem dele, com base nele se projetam, mas não querem a vitória, pois se vitória houver perdem o discurso. Daí apelam e se somam aos que são contra a expansão da universidade pública e contra o REUNI.

Fez muito bem a UNE em não deixar os estudantes nas mãos de tais posições e de estar propondo um conjunto de medias realistas para melhorar a situação dos seus representados, que é o que pode vir, que se for conquistado, será graças á luta, marchas e articulação política competente com inegável papel da União Nacional dos Estudantes. Afinal, a greve é recente, mas as bandeiras que estão aí nas praças não são outras, senão as bandeiras da UNE, que em seu último congresso reuniu delegados de 97% das universidades brasileiras! Podem conferir nas resoluções do seu 52º Congresso, que elegeu essa direção que tem demonstrado grande unidade, sob a presidência de Daniel Iliescu.

Resta que o governo torne realidade os burburinhos de que avançará para uma proposta que contemple os professores e técnico-administrativos, favorecendo a carreira, abrindo caminhos para que toda uma nova geração de profissionais permaneça na universidade pública, valorizando o serviço público, sem o que a expansão da universidade pública será manca e incompleta.

Se tais vitórias forem alcançadas, 2012 marcará uma virada para o Brasil em termos de educação, criando condições concretas para sua reforma progressista. É uma luta de mais de 20 anos, anterior ao período em que, já universitário, lutava contra o fechamento dos bandejões e das residências universitárias à mingua quando se cortou a rubrica do orçamento que as mantinham, contra toda uma política que visava a apequenar a universidade pública e abrir amplas oportunidades de negócio para o ensino privado. Mais recentemente, lembro-me dos estudantes da UNE e da UBES em pleno dezembro de 2011, sob chuva e sol, no gramado da Esplanada, ocupando o Congresso, semeando a votação de ontem com uma luta contínua que remonta às gestões anteriores da UNE e da UBES, cujas bandeiras eles souberam manter erguidas. Pergunto-me, onde estavam os sectários àquela época? Com certeza nenhum no acampamento (e não por falta de barracas, mas por opção política).

Não é à toa o desespero que grassa entre as forças sectárias, ultra-esquerdistas, porta-vozes do apocalipse, arautos da divisão do povo, a quinta coluna que destila todo seu fel contra a esquerda... Daí a raiva espumante e os discursos neuróticos ante a realidade que segue imperiosa contra todas as pragas e muxoxos dos trotsquistas e dos anarcopowerrangers! Afinal, se tais acontecimentos positivos se confirmarem, perderão o seu discurso do juízo final da educação brasileira, e o povo se beneficiará enormemente, e a unidade das forças reais do movimento estudantil se fortalecerá. E o pior: eles não apenas não saíram na foto, não estavam no Congresso, mas toda a tática teve papel importante da UNE, da UBES e das forças consequientes do movimento sindical na Educação, buscando acumular forças de todos os lados, inclusive na greve, por uma vitória da educação. Mais fortes são os poderes do povo.

E os estudantes da UNE e da UBES mostraram como se faz a política grande: participam da greve buscando os interesses da maioria, reconhecem o movimento de base e buscam apoiá-lo e politizá-lo, dirigem a luta no sentido de atingir vitórias políticas reais, aproveitando todo o espaço democrático e as contradições no governo e no congresso, e seguem determinados a representar não apenas esta força política ou partido, mas o conjunto do movimento, lutam pelo interesse imediato pensando no interesse futuro dos estudantes e do povo brasileiro. A vitória é possível e segue fundamental somar mais forças, todos a favor da educação brasileira!