sexta-feira, 8 de junho de 2012

CTB participa do debate sobre Juventude e mundo do Trabalho no 16º Congresso da UJS, no Rio

Debate Juventude, Empreendedorismo e o Mundo do Trabalho no 16º Congresso da UJS. Fala de Paulo Vinícius

O Secretário Nacional de Juventude Trabalhadora da CTB, Paulo Vinícius e a doutoranda em sociologia do trabalho, Luísa Barbosa participaram nesta quinta, 07 de junho da mesa de debate "Juventude, empreendendorismo e mundo do trabalho", que teve lugar no 16º Congresso Nacional da UJS. O objetivo da mesa foi reforçar a identidade da UJS com a luta dos trabalhadores e trabalhadoras e contribuir com o debate que fazem acerca de sua política de quadros.






Luísa Barbosa fez um relato sobre a afirmação do conceito de juventude no Brasil e a evolução das políticas públicas de juventude nas últimas duas décadas. Elencou as dificuldades na incorporação da juventude ao mercado de trabalho, em especial no que se refere a incluir a juventude mais pobre, e entrou na polêmica sobre a possibilidade e a desejabilidade de concomitância entre estudo e trabalho. Também ponderou que os debates inscritos na Rio + 20 precisam de maior politização e de um olhar soberano por parte do Brasil, haja vista a influência da agenda ecocapitalista impulsionada a partir da Europa e EUA. Apontou para a contradição de essa agenda não levar em conta o contexto de desigualdades que se expressa na falta de saneamento básico que vitima nosso litoral urbano, como é exemplo a própria Praia do Flamengo, em que ocorrerá o evento, um tema muito pouco discutido.
Luísa Barbosa e Osvaldo Lemos da DN-UJS

A intervenção da CTB seguiu o seguinte roteiro, que compartilhamos com os leitores de Coletivizando:


  • O Trabalho como categoria ontológica e sua importância para o socialismo e a UJS. Criador de toda a riqueza, formador da humanidade como tal. A centralidade da classe trabalhadora, o proletariado, os que vivem de salário e do seu trabalho, a maioria, a classe fundamental da construção do socialismo;
  • O Brasil e a crise de 20 anos do projeto de desenvolvimento e a ascensão do neoliberalismo, o desemprego e seus impactos para a juventude;
  • O bônus demográfico e a importância da juventude na PEA. A Juventude e seu papel no novo Projeto Nacional de Desenvolvimento.

Para a militância da UJS: "O QUE VOCÊ VAI SER QUANDO VOCÊ CRESCER?" - Renato Russo

  • Militar por toda vida e a importância da independência financeira e de um plano pessoal que integre educação e trabalho, permitindo a autonomia material que assegure a liberdade de pensar e lutar. O Contrasenso de querer mudar o mundo sem ter como coordenar a própria vida pessoal num sentido exitoso. O legado do pensamento de Che Guevara de que a juventude comunista deve lutar para ser a vanguarda, e o desafio da liderança coletiva e do exemplo individual. A importância da UJS como escola formadora de lideranças combativas que vem do povo, dos trabalhadores, e seu papel em possibilitar à militância uma visão mais ampla de como manter a militância na e para além da juventude.
  • O cubano Hanói Sanchez, Secretário Geral da FMJD e o Secretário Executivo da OCLAE, Matheus Florentini: Como o Che dizia: "juventude é vanguarda"
    Ronaldo Leite, Secretário Geral da CTB-RJ e do SINTECT-RJ, veterano da UJS. Ao fundo, delegados internacionais.
  • A Educação e o Trabalho como ponto de encontro de todas as tribos e principal palco da luta contra as discriminações e os preconceitos. Se vamos bem no campo educacional, temos de avançar para o mundo do trabalho;
   
    Cláudia Petuba, da UJS-AL

  • A mudança geracional em curso no trabalho e no movimento sindical, possibilidades e dificuldades;
  • A juventude filha do neoliberalismo e de 20 anos de crise econômica e o papel da UJS em sua politização e na promoção de quadros;
  • O surgimento da CTB, sua pluralidade e a importância da presença do Sindicalismo Socialista Brasileiro, dos rurais, dos marítimos, dos independentes e comunista, com cuja unidade se constrói uma central crescentemente influente. Nosso compromisso com essa pluralidade e com a construção da Central classista;
  • A importância das mulheres para o trabalho, para o Brasil, para o movimento sindical e para a CTB. A força das jovens mulheres e a imensa contribuição para a luta sindical;
  • A militância juvenil consoante com o ingresso na vida adulta é inseparável do enfrentamento dos dilemas relacionados ao ingresso no mundo do trabalho. As oportunidades que o país vive, fruto da mudança que estamos construindo, permite a ampliação da presença do povo nas universidades, nas escolas técnicas e profissionais, através de conquistas como o PROUNI, o REUNI, a expansão das federais, os novos IFETs e o PRONATEC. O momento de fortalecimento do Estado, da formalização do trabalho e as nossas opções pessoais para que a nossa luta não se dê num campo meramente sentimental, mas se lastreie na vinculação progressiva com a classe trabalhadora. A UJS e seu papel de formar quadros para a classe trabalhadora;
  • O limites da luta estudantil e a luta de classes no trabalho como parte da formação dos revolucionários;
  • As opressões próprias da juventude trabalhadora:
- Maiores taxas de desemprego;
- Menores salários;
- Precarização, subemprego, diferenciação salaria pela idade;
- Assédio moral, sexual, práticas antissindicais;
- A alta rotatividade;
- A cooptação da juventude com as mentiras que eufemizam a exploração capitalista.

O Vice-Presidente da Federação Sindical Mundial e Secretário Adjunto de RRII da CTB, Batista Lemos, prestigiou o debate.

  • A importância da disputa ideológica dessa juventude só poderá ocorrer se a juventude socialista se inserir no mercado de trabalho e puder com ela dialogar;
  • Disciplina pessoal, independência financeira, convicção revolucionária, planejamento e método;
  • O papel das direções estaduais e das maiores cidades no trato das questões da juventude trabalhadora.
Sob a coordenação  de Osvaldo Lemos, da DN da UJS, cerca de 100 participantes acompanharam o debate. Além da boa presença, chamou a atenção a presença de mais de 10 Estados, além de delegados internacionais de Cuba, Síria, Portugal, Colômbia e Sudão, da coordenadora de movimento estudantil da UJS  Anne Cabral e do presidente da UJS, André Tokarski e do Vice-Presidente da FSM e Secretário Adjunto de RRII da CTB, Batista Lemos. Intervieram mais de 20 delegadas e delegados, pontuando temas como a importância da luta pela Reforma Agrária, a luta dos estagiários(as), as dificuldades de o movimento sindical incorporar a juventude e as mulheres.


Por Paulo Vinícius S. Silva