terça-feira, 16 de setembro de 2014

Nivaldo Santana: São Paulo está na contramão das conquistas do Brasil - PCdoB. O Partido do socialismo.

Nivaldo Santana: São Paulo está na contramão das conquistas do Brasil - PCdoB. O Partido do socialismo.

Na última sexta-feira (12), o secretário
nacional Sindical do PCdoB e candidato a vice-governador de São Paulo,
Nivaldo Santana, concedeu entrevista ao Portal Vermelho. O
comunista toca em questões importantes a serem resolvidas no estado,
como a crise hídrica e a lentidão da expansão metroviária. Segue abaixo a
íntegra da entrevista.



Laís Gouveia, da redação do Vermelho
MuriloTomaz
Nivaldo
Nivaldo Santana colocou como prioridade em sua vida a luta em defesa dos trabalhadores.


Nivaldo Santana é paulistano, filho de pais baianos que
migraram para São Paulo no pau de arara, assim como tantos outros
brasileiros, buscado uma vida melhor. Jovem, trabalhando na Sabesp,
estudando na USP e militante político desde 1974, teve que deixar de
estudar e priorizar a política no período do regime militar. Foi
presidente distrital do extinto Movimento Democrático Brasileiro (MDB),
atuou no Movimento contra a Carestia e em lutas políticas e populares.



Em 1980 ingressou nas fileiras do ainda clandestino PCdoB e foi eleito
em 1988 presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio
Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema). Em 1988, ajudou na
construção e foi membro nacional da Corrente Sindical Classista. Já em
1992 foi eleito primeiro-secretário da CUT São Paulo. O líder sindical
foi eleito deputado estadual em 1994, exercendo três mandatos, sempre
dando prioridade à luta em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras.





Nivaldo Santana, na fundação do Sintaema.



Em 2007, com a fundação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do
Brasil (CTB), foi eleito vice-presidente da Central, cargo que ocupa até
hoje. É membro do Comitê Central do PCdoB há mais de vinte anos, foi
presidente do Partido na capital e no estado de São Paulo. Há três anos
ocupa a Secretaria Sindical Nacional. Nivaldo também integra a Escola
Nacional de Formação e o Conselho da Fundação Maurício Grabois.



Portal Vermelho: O Brasil avançou nesses últimos anos de governos
progressistas. Em sua opinião, o estado de São Paulo acompanhou esse
ciclo de mudanças?



Nivaldo Santana: temos no Brasil dois grandes projetos em disputa. Um
foi derrotado nas eleições de 2002, encerrando um ciclo neoliberal,
privatista, que promovia uma abertura desenfreada da economia,
encabeçada por Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República nos
anos 1990. Esse período não trouxe desenvolvimento econômico e muito
menos justiça social. Em contrapartida, o outro projeto de país, que tem
como marco a vitória de Lula há 13 anos, representa uma nova etapa
política da vida brasileira que prevê uma ação protagonista do Estado,
incrementando o desenvolvimento econômico, promovendo a justiça social,
garantindo as liberdades democráticas, promovendo a integração
latino-americana e a defesa da soberania do nosso país. Dentro desse
contexto de bipolarização política, a compreensão é que São Paulo ficou
na contramão da história. O estado tem um PIB que representa quase um
terço da economia do país. Assim São Paulo deveria ser líder para
alavancar o crescimento econômico brasileiro, desenvolver políticas de
distribuição de renda e valorização do trabalho. Mas em todas às áreas o
governo enfrenta dificuldades. O estado perdeu o dinamismo, o elo da
história, por isso o processo de renovação e de mudanças é a melhor
opção para a população.





Nivaldo Santana, em seu mandato de deputado estadual, discursa na Alesp.



O PSDB então priorizou interesses partidários e prejudicou a chegada de programas nacionais no estado?



O PSDB e as elites possuem uma visão autossuficiente e arrogante de que
São Paulo não precisa de parcerias nacionais. Essa postura excludente
dificultou o desenvolvimento de políticas de promoção social, a melhoria
dos transportes e construção de moradias populares. A parceria dos
municípios com a união é fundamental para reverter o estado de letargia
atual e fazer com que o estado acompanhe os rumos nas conquistas que o
país obteve nos últimos 12 anos e volte a se desenvolver.



Estamos passando por um sério problema com a questão da falta d’água
no estado. A origem dessa crise é a má gestão da Sabesp ou de “São
Pedro”?




A estiagem é um fator agravante, mas a causa dessa crise foi a falta de
planejamento e de investimento por parte do governo. Como exemplo, em
agosto de 2004 a Sabesp assinou um contrato com o Departamento de Água e
Esgoto, em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), para renovar
a outorga do Sistema Cantareira. Esse contrato, que completou 10 anos
recentemente, tem alguns pré-requisitos, como a diminuição da
dependência da Sabesp do Sistema Cantareira, a realização de obras para
aumentar a captação de água em conjunto com o desenvolvimento de
políticas do uso racional da água e o estímulo a uma cultura de não
desperdício, pois o sistema de abastecimento, pelo seu envelhecimento e
falta de manutenção, perde entre 35 a 40% de toda a água tratada, é
necessário adotar a política do reuso da água não potável para a limpeza
urbana, comercial e industrial. Ocorre que a estatal, sob a gestão do
PSDB, reduziu suas ações para grupos privados, metade das ações da
Sabesp é negociada na Bolsa de São Paulo e a outra na Bolsa de Nova
York. Essas instituições impõem ações draconianas de governança
corporativa, exigem lucros crescentes, distribuição de dividendos,
gerando um conflito de interesses entre a preocupação da garantia do
abastecimento de água para toda a população em prol do interesse da
obtenção de lucros crescentes privados. É adequado que uma empresa
estatal tenha um equilíbrio econômico financeiro, o que não é aceitável é
um lucro dessa magnitude em detrimento de investimentos imprescindíveis
para a regularidade no fornecimento de água.





Candidato a vice-governador, Nivaldo Santana em campanha, dialoga com a população.



Como reverter à crise do abastecimento d’água?



Para reverter essa situação é preciso reorientar as prioridades,
realizar obras e serviços indispensáveis para o fornecimento de água
para o consumo humano e atividades econômicas. Aponta nessa direção o
programa “Água Dia e Noite”, que o nosso candidato, Alexandre Padilha,
apresentou.



O projeto consiste em um conjunto de obras e serviços que garantem o
abastecimento duradouro de água. São previstas obras emergenciais como a
ampliação do volume da represa Taiaçupeba, no Sistema Alto Tietê, que
beneficiará três milhões de moradores da Zona Leste de São Paulo, e a
transposição do Rio Pequeno para o Rio Grande, no sistema
Billings-Guarapiranga, que irá favorecer as cidades de Santo André, São
Bernado do Campo, São Caetano e Diadema (ABCD). Somam-se a isso obras
estruturantes que incluem a implantação do Sistema São Lourenço e
intervenções para a bacia do Piracicaba/Capivari/Jundiaí (PCJ).



Outros pontos do programa são: investir, no mínimo, o dobro do que
atualmente é empregado na redução de perdas de água nos sistemas de
distribuição; pagar por serviços ambientais e remunerar municípios
produtores de água; estimular as empresas para que adotem água de reuso e
de captação da chuva em seus processos de produção; agir junto com os
municípios para aumentar os índices de tratamento de esgoto; além da
adoção de uma política de bônus para quem reduzir o consumo.





Nivaldo Santana e Alexandre Padilha saem às ruas em caminhada.



Hoje o paulistano convive com um colapso do transporte em todos os
sentidos. Metrôs lotados, uma rede da CPTM sucateada e intermináveis
congestionamentos. Qual o projeto da coligação para a mobilidade urbana?




Nesse mês de setembro o metrô esta comemorando 40 anos de existência.
Dessas quatro décadas, quase metade foi sob a gestão do PSDB. Temos uma
malha metroviária em torno de 70 km, é visível que o crescimento das
linhas de metrô segue a passo de tartaruga e a demanda da população pelo
serviço aumenta a cada dia. Regiões extremamente populosas como a Vila
Brasilandia, Jardim Ângela, Taboão da Serra, ABC, precisam com urgência
de novas estações de metrô. O governo precisa ser comprometido com os
cidadãos e dar prioridade ao transporte sobre trilhos, pois é menos
poluente, mais rápido e mais prático. Além disso, é preciso reverter a
situação de sucateamento em que a CPTM se encontra.



Outra medida no sentido da mobilidade urbana é a criação do Bilhete
Único Metropolitano, que vai proporcionar 25% de desconto imediato para
quem utiliza trens urbanos intermunicipais na grande São Paulo e metrôs
da sua região metropolitana, reduzindo os gastos da população com
transporte público.



A Cidade do México iniciou a construção do seu metrô em um tempo
semelhante que São Paulo e hoje possui mais de 300 km de linhas
expandidas. Aqui na capital paulista atingimos cerca de 70 km. Esse
resultado lento na expansão metroviária é consequência da má gestão do
dinheiro público?




Ocorre a falta de investimento como fator prioritário e a causa da
lentidão da expansão do metrô foi a gestão temerária envolvendo a
questão do cartel e o desvio de dinheiro, situação que caminha sob
investigação. A não transparência no uso do dinheiro público demonstra
que os tucanos gostam muito de falar em moralidade administrativa, mas
quando os problemas atingem as suas gestões, ao invés de punir os
responsáveis, eles adotam a velha política de esconder a poeira debaixo
do tapete.



Vivemos uma situação caótica na área da saúde em São Paulo e o Alexandre
Padilha é ex-ministro da Saúde. O que o senhor e o candidato a
governador estão pensando a respeito de programas de políticas públicas
de saúde a serem implementadas no estado?



Nossa proposta é ampliar a capacidade de atendimento à população,
agilizar e humanizar as consultas, exames e todos os procedimentos
hospitalares. Para isso é necessário fortalecer o SUS e promover a maior
parceria dos municípios com a união. Além disso, o programa Mais Médicos
atende cerca de 10 milhões de pessoas que não possuem acesso ao
profissional especializado. Em um patamar superior, vamos criar o
programa Mais Médicos Especialidades, que consiste na valorização dos
médicos da rede estadual, parceria com hospitais e clínicas privadas
para ampliar vagas e o número de residências médicas para formar mais
especialistas. Além disso, vamos garantir o Samu em 100% dos municípios.
Quando ministro, Padilha aumentou a cobertura do Samu para 140 milhões
de brasileiros.







O PCdoB é o partido mais antigo do país, com uma longa trajetória de
lutas. Qual o diferencial que o militante comunista joga nesta campanha?



O PCdoB tem dado uma grande contribuição para a quarta vitória do povo e
no estado de São Paulo na coligação PT-PCdoB. Na condição de candidato a
vice-governador, considero que a indicação do Partido na chapa aumenta a
representatividade política e social do PCdoB, pois incorpora
trabalhadores, sindicalistas que dão uma dimensão social importante à
nossa chapa e serve de elemento de mobilização nas diferentes áreas de
atuação partidária. Todas as frentes estão em uma grande mobilização,
seja o movimento sindical, feminista, de juventude, comunitário, negro.
Todos estão nas ruas e nos comitês para a eleição dos nossos candidatos a
deputados estaduais, federais, para eleger Alexandre Padilha governador
e Dilma Rouseff presidenta do Brasil.