terça-feira, 27 de maio de 2014

17º Congresso da UJS - Carta de Brasilia – Amar e Mudar as Coisas

Eu sou artista e operário(a), sou estudante, esportista, eu sou de luta, sou Brasil, sou União da Juventude Socialista! Nos quatro cantos do Brasil, em cada luta dessa gente a Juventude do Araguaia sempre estará presente. (Hino da UJS)

Três mil jovens viemos nos encontrar na cidade sonho que integrou o Brasil, com o gênio de Lúcio Costa e de Niemeyer, o entusiasmo de Juscelino e o heroísmo dos candangos/as que a construíram. Vivemos o abraço, a amizade, o reencontro, para comemorar 30 anos da União da Juventude Socialista, reafirmando seus compromissos de fundação: lutar pela juventude, o Brasil, e o socialismo com a nossa cara.

É hora de dar um passo adiante, depois de 12 anos de governos com Lula e Dilma. Como previmos em 2012, ao lançar a Jornada de Lutas da Juventude Brasileira, o ano de 2013 foi disputado nas ruas. Começamos as marchas no primeiro semestre, com protestos estudantis e pacíficos apoiados por organizações estudantis, dos trabalhadores/as, feministas, pastorais, ecumênicas, o movimento negro, LGBTT, hip hop, mais de 30 organizações.

Quando explodiram as mobilizações a partir de junho, continuamos nas ruas, e nossas bandeiras justas foram incorporadas pela multidão na defesa da Educação. Daí veio o apoio de Dilma à luta pelo Pré-Sal para a Educação, enfim aprovada. É uma lição, a base orçamentária para a Reforma da Educação veio da articulação entre luta de massas e tradução em vitórias institucionais, apesar do conservadorismo desse congresso das elites. Esse é o caminho mais efetivo da luta pelas reformas. Mas, para isso é imprescindível derrotar a direita, o neoliberalismo e o passado nas eleições de 2014. Viveremos meses decisivos para o Brasil, agora.

É clara a disputa da consciência da juventude. Precisamos reforçar e politizar o protagonismo POLÍTICO da juventude, uma necessidade objetiva de nossa geração, pois sem uma direção consequente o movimento fracassa. O Brasil precisa de uma nova geração de líderes, tem muita múmia da Arena e pouco jovem no Congresso Nacional. Somos a escola da luta pelo socialismo no Brasil, pela democracia e pelos direitos da juventude. Devemos nos apresentar à nossa geração.

Por isso a UJS é alvo dos ataques da revista líder em relações espúrias e no pensamento raivoso de direita. A imprensa da Ditadura disputa a consciência da juventude brasileira. É um escândalo. O PIG quis sequestrar o protagonismo de uma geração de milhões de jovens, mas não conseguiu. As mudanças tem de acelerar para atender aos direitos negados a jovens sem escola ou trabalho, encarcerados(as), vítimas da dependência química, mal pagos, precarizados em seu trabalho, com famílias constituídas e sem perspectiva de saída da pobreza.

As razões das manifestações são um problema objetivo da realidade brasileira, incorporar a juventude ao projeto nacional de desenvolvimento, continuar a ascensão de dezenas de milhões de pessoas que ingressam na classe trabalhadora. É decisivo retomar a indústria, avançar na educação e na qualificação com uma forte política de investimento no país. Isso não pode ser feito pelo esquema da banca financeira instituído por FHC, 44% do orçamento de 2014 pago à política de taxa SELIC, câmbio e superávit primário. São operações dos títulos da dívida pública que também aumentam todos os juros no crédito! Essa herança maldita de FHC impede o Brasil de crescer. A sangria arrisca a nossa juventude ficar de fora. É preciso investir no povo, e não no cassino.

Mesmo com taxas muito mais baixas (4,9%), o desemprego atinge com mais dureza os jovens, e a baixa remuneração é tão comum quanto a exploração e a negação de direitos. A pobreza, o tratamento do Estado com a juventude é marcado por negar oportunidades, pela exclusão e a violência que nega os direitos básicos à Vida, à Democracia e ao Desenvolvimento da Juventude Brasileira. Milhões de jovens precisam ter assegurados seus direitos sociais e condições para o exercício da autonomia e emancipação.

Nos últimos doze anos começamos a reverter esse quadro, criando oportunidades educacionais para os mais pobres, com importantes vitórias: baixa dos juros do FIES, PROUNI, REUNI, novas escolas técnicas, PRONATEC, ampliação do número e da quantidade de bolsas de pós-graduação, Ciências Sem Fronteiras e o Bolsa Família, que garantiu a dezenas de milhões de crianças e adolescentes o apoio fundamental para seguir na escola e serem vacinadas.

Mesmo assim, os dados demonstram a urgência de salvar a juventude da pobreza, da escravidão da dependência e da morte. Desde a escravidão, jamais deixou de ter pena de morte para os negros e negras pobres de nosso país. Se contarmos os assassinatos das polícias por auto de resistência, eles superam todas as execuções por pena de morte no mundo!

Desse modo percebemos que o dinheiro que falta para atender as marchas de 2013 é o que sobra no bolso dos banqueiros. Por isso, temos de desenvolver o Brasil: incorporar quase 70 milhões de pessoas entre 15 e 35 anos na economia.

Para enfrentar o déficit de investimento na juventude temos de desenvolver o Brasil, integrar nosso território, valorizar nosso país latino-americano. Vivemos num mundo entre perigos e esperanças. Muda o mapa mundi, avança a China, Cuba e Venezuela seguem firmes, existe o BRICS, somos a sede da Copa do Mundo e das Olimpíadas. O Brasil pode avançar ainda mais, é possível. Para fechar, queremos sim, o Hexa.

Quem torce contra o Brasil não tem o nosso apoio, nunca. Muito menos se é contra a mobilidade urbana, a construção de estádios para que os brasileiros se reúnam para celebrar o esporte e a cultura. Quem é contra a construção de metrôs, VLT, obras de infraestrutura urbana pensa o Brasil pequeno, e esconde seu interesse em querer que o país pare. Isso é coisa de banqueiro. Queremos investimentos nas cidades, em especial nas periferias.

Muitos de nós já temos filhos, emprego, casa, responsabilidades de gente adulta. Somos a juventude adolescente e a descobrir a maioridade, somos estudantes universitários e trabalhadores, somos a juventude que já tem suas próprias famílias, e famílias com as características da nossa juventude, a convicção de que "qualquer maneira de AMOR vale a pena", como diria Milton Nascimento. Para que a maternidade não seja um obstáculo ao pleno desenvolvimento das jovens mulheres, precisamos universalizar as creches em todo Brasil.

É preciso respeitar a juventude, deixá-la viva, dar-lhe o estudo e o trabalho e a cultura que a incorpore como sujeito de plenos direitos para construir um país ainda melhor. Nós cresceremos com o Brasil, queremos que o país dê certo, como Renato Russo nos perguntamos: “o que você vai ser quando você crescer?” É a pergunta de uma geração, de mais de 50 milhões de pessoas.

A luta é árdua. Além da imprensa golpista, a agiotagem nas finanças chantageia o Brasil. E para blindar o esquema tem uma maioria política claramente baseada na força da grana. Monopólios da comunicação. Sistema financeiro. Maioria eleitoral conservadora fruto do financiamento empresarial nas eleições. Essas são as maiores ameaças ao Brasil. É essa turma que temos de derrotar nas eleições de 2014!

Vivemos o período de maior inclusão social desde Getúlio Vargas, quem em 1954 deu-se um tiro no peito, deixando em sua Carta Testamento, a denúncia do imperialismo articulado com a imprensa golpista e de setores conservadores que tem medo dos poderes do povo. Tem medo da democracia. Retomar as Reformas de Base de João Goulart com o ímpeto de desenvolvimento e com a solidariedade e a inclusão são o caminho para aprofundar as mudanças e resgatar a juventude.

Só há um caminho que ajude nesses grandiosos objetivos, e é com Dilma, jovem secundarista, que lutou contra a Ditadura, presa política, torturada, mãe, que na nossa opinião deve terminar o seu ciclo, pelas grandes realizações e pelo compromisso com a maioria da Nação que saberá reconhecer.
Precisamos eleger representantes comprometidos(as), identificados(as), defensores das bandeiras do Brasil e da Juventude. A UJS tem a grande chance de se dirigir para os protagonistas das marchas de junho na eleição de 2014, falar à juventude. Nossa geração está em plena idade de estudar e trabalhar e isso é avançar para o Brasil socialista.

A juventude quer levar a alfabetização, a educação básica, seus conhecimentos, o seu trabalho, quer a dignidade de ser reconhecida como profissional, construir um Brasil melhor. Defendemos um novo e massivo programa que una as ideias do Mais Médicos e do Projeto Rondon, que conte com a parceria das prefeituras, do SUS, do MEC, mas também do MTE, da Caixa Econômica e do Banco do Brasil e as Forças Armadas numa inciativa comum que permita aos universitários e universitárias das universidades públicas, bolsistas do PROUNI e do FIES, iniciar um trabalho generoso, fixar por todo o país profissionais jovens para ajudar a nossa Nação a se desenvolver. Queremos ser chamados às grandes missões para fazer avançar a Nação Brasileira. Prestes na Coluna, Dinah e Osvaldão no Araguaia, podemos construir os sonhos que a ditadura calou e também os nossos sonhos de hoje. Somos ponte da geração de 1968 e a luta pelo desenvolvimento do Brasil.

Os(As) adolescentes e jovens infratores nas FEBEM e no sistema carcerário, precisam de uma chance, que a maioria jamais teve. Toda uma geração sofre os impactos devastadores da dependência química, em especial pelo crack vinculada à exclusão pela política de guerra às drogas. Não podemos encher prisões de usuários, de dependentes químicos, destruir a vida de uma pessoa porque consumiu maconha… A guerra às drogas provou sua inutilidade, seu gravíssimo erro de não apostar na recuperação das pessoas, estimular o mercado do tráfico e o crime organizado, abandonar a juventude quando ela precisa de mais apoio, por promover o extermínio pela estrutura judiciária e de repressão do Estado. É preciso um outro modo para enfrentar o tráfico e a dependência química das drogas legais e ilegais, e não pode ser na porrada. PAREM O EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE NEGRA E POBRE. Queremos vida, oportunidade, uma ousada política de inclusão da juventude mais vulnerável.

Precisamos impedir a homofobia de seguir a negar não só o direito de se amar livremente, mas empurrar gays, lésbicas, transsexuais, transgêneros e travestis para a miséria, para o achincalhe público, para fora de suas famílias, para a discriminação, a perseguição e mesmo a morte violenta, e cruel. É preciso defender uma geração que sofre imensamente por ter negado o seu direito de amar e de ser quem são. AMAR E MUDAR AS COISAS NOS INTERESSA MAIS, já dizia Belchior.

É preciso fazer a Reforma Agrária com assistência técnica, serviços básicos e apoio do estado para evitar o esvaziamento do campo, impulsionando a complementariedade de distintas formas de propriedade, apoiar a fixação em todo o território nacional e a continuidade do Minha Casa Minha Vida para atingir a juventude. E os povos amazônidas tem direito ao desenvolvimento e o desafio de defender nossa Amazônia e o próprio bioma.

Lutamos, direito por direito, para construir um Brasil melhor. Unir democracia, soberania plena, desenvolvimento econômico e social, o fim da miséria, o fim do analfabetismo, a efetivação plena dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, à cultura e ao esporte. Valorizar o trabalho, que constrói a riqueza desse país, junto com o conhecimento. E precisamos estar prontos a defender-nos de qualquer poder usurpador e imperialista, defender o Pré-Sal e a Amazônia.

Por tudo isso precisamos derrotar a força da grana, a maioria conservadora e a imprensa golpista. A UJS toma para si o desafio de ser força determinante para o diálogo com a juventude para dobrar a aposta no Brasil. Dobrar com Dilma e as Novas Reformas de Base e integrar a juventude no novo projeto de desenvolvimento.

Há poucos dias chegaremos a junho novamente. Toda uma geração que foi às ruas no ano passado espera ter suas esperanças renovadas. Setores conservadores, vocalizados principalmente pelos meios de comunicação, querem instrumentalizar os anseios de avanços da juventude. Entretanto, estes representam apenas o retrocesso. É nosso dever estarmos mobilizados para apresentar um caminho de pautas avançadas que sejam capazes de contribuir para a construção do Brasil que sonhamos. Nos organizaremos em Comitês, Ocupações, Brigadas e passeatas, com a marca aguerrida da militância da UJS, em conjunto com os setores avançados, recolhendo meio milhão de assinaturas para os projetos de lei de inciativa popular da Democratização dos Meios de Comunicação e da Reforma Política Democrática. Pois somente a partir dessas reformas, novas perspectivas irão se apresentar para o povo brasileiro.

Toda Noite tem aurora, raios, toda a escuridão. Moços(as), creiamos, Não tarda a aurora da redenção. (Castro Alves)