sexta-feira, 24 de junho de 2016

Fim da guerra: Governo e Farc anunciam cessar fogo definitivo - Portal Vermelho

Fim da guerra: Governo e Farc anunciam cessar fogo definitivo - Portal Vermelho:





Presidência da Colômbia
Juan Manuel Santos e Timoleón Jiménez firmam cessar fogo bilateral e definitivo, principal passo para o acordo final do conflito que deve ser anunciado em julho
Juan
Manuel Santos e Timoleón Jiménez firmam cessar fogo bilateral e
definitivo, principal passo para o acordo final do conflito que deve ser
anunciado em julho



O acordo de cessar fogo ainda não é o último passo do processo de
paz colombiano, mas é o mais importante porque as Farc se comprometem em
baixar as armas e converter-se em movimento político.



“Chegou a hora de viver sem guerra! A hora de ser um país normal! Um
país em paz! A paz se fez, por fim, possível e é de todos os
colombianos, sem exceção. O pesadelo da guerra se distancia para
sempre”, afirmou o presidente Juan Manuel Santos depois de firmar o
acordo de paz com o representante das Farc, Timoleón Jiménez.



O porta-voz de Cuba, Rodolfo Benítez, leu o comunicado conjunto número
76 com os pontos em que se chegou a um acordo: cessar fogo e baixar
armas; acordos sobre garantias de segurança e luta contra as
organizações criminais incluindo as denominadas sucessoras do
paramilitarismo e suas redes de apoio; acordo sobre referendo.



O documento estabelece que a partir do primeiro dia vigente do acordo a
“Força Pública reorganizará seus esquemas para que as Farc possam
retornar e reorganizar-se em 23 áreas do país”.



A partir do 5º dia “serão desalojadas as zonas seguindo as rotas estabelecidas pelo acordo”.

Serão 23 áreas transitórias de normalização que têm como objetivo o
baixar armas e a reincorporação da vida civil dos guerrilheiros. Serão
oito acampamentos, disse o porta-voz.



As Farc também vão designar 60 integrantes – homens e mulheres – para se
movimentarem por diferentes regiões do país a fim de cumprir o acordo.
Serão como “fiscais” responsáveis por ajudar na consolidação do
processo.


Serão instaladas 23 zonas monitoradas pela ONU para reintegrar os guerrilheiros à vida civil



Outras dez pessoas serão designadas e poderão mover-se dentro dos
municípios cumprindo tarefas relacionadas ao acordo de paz. Medidas de
segurança serão garantidas a todos os guerrilheiros.



“Ao redor de cada área haverá outra de segurança onde só haverá
equipamentos de monitoramento. Esta faixa terá sempre em torno de 1km”,
explicou Benitez.



As delegações, no acordo, pediram ao secretário geral da ONU, Ban
Ki-Moon, para agilizar a missão técnica que será encarregada de
verificar o baixar armas.



Sobre o baixar armas, o acordo anunciado deixa claro que existirá só um
“ponto de armazenamento onde estarão os containers para guardar as
armas. Estes serão resguardados por mecanismos de monitoramento da ONU”.




Ao firmar o cessar fogo, as duas partes se comprometeram em contribuir
com o surgimento de uma nova cultura que incentiva o uso de armas apenas
pela polícia. Além disso, assumem trabalhar para conquistar um consenso
nacional em que todos os setores apostem no exercício da política a fim
de garantir os valores da democracia e do debate civilizado. Desta
forma, não haverá mais espaço para intolerância e a perseguição por
razões políticas.



Foi estabelecida uma rota para que em no máximo 180 dias depois de
firmado o acordo final, se encerro o processo de baixar armas. O
objetivo do acordo firmado hoje é caminhar rumo ao fim definitivo das
ações ofensivas entre o governo e os guerrilheiros.



Serão criadas as condições para implementar o acordo final e preparar a
institucionalidade e o país para a reincorporação dos guerrilheiros na
vida civil.



O mecanismo de monitoramento e verificação será tripartite, integrado
por um representante do governo colombiano, a força pública, as Farc e
um componente internacional constituído pela Missão Política de
observadores não armados da ONU, integrada principalmente por
observadores dos países membros da Celac (Comunidade dos Estados
Latino-americanos e Caribenhos).


Uma nova Colômbia pode nascer depois de mais de 50 anos de guerra



Esta Missão Política presidirá em todas as instâncias o monitoramento e
será encarregada de administrar pequenos focos de discordância que
possam surgir, apresentar recomendações e gerar relatórios sobre os
avanços.



Imediatamente no dia seguinte após o acordo final, a força pública vai
reorganizar as tropas para facilitar o desmonte das estruturas das Farc
rumo às zonas demarcadas para cumprir o acordo de cessar fogo.



A saída dos combatentes das Farc dos acampamentos da guerrilha no meio
da floresta será feita sem armas e com vestimentas civis. Neste ponto as
duas partes concordaram com o compromisso de que não pode haver nenhuma
limitação para o desenvolvimento normal da vida em comunidade.



Números da guerra



Em 2012 o Centro Nacional de Memória Histórica publicou um informe
intitulado “Basta já! Colômbia: memórias da guerra e dignidade”, onde
expuseram o alcance e o dano social causado pelo conflito, considerado o
mais duradouro do mundo moderno.



Desde 1958 até 2012 a guerra na Colômbia deixou mais de 218 mil mortos e
25 mil desaparecidos, além de 9 mil presos políticos. As forças
paramilitares de extrema direita fizeram mais de 173 mil vítimas.



As desocupações violentas atingiram, desde 1985 até 2012 mais de 10
milhões de colombianos. Enquanto massacres deixaram mais de 156 mil
pessoas mortas.



Fim da guerra



Desde 2012 acontece em Havana, Cuba, os Diálogos de Paz, cujo objetivo
máximo foi atingido hoje: cessar fogo e firmar pontos de acordo para o
fim do conflito. Deste anúncio histórico, realizado na capital cubana,
participaram o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos e o comandante
das Farc, Timoleón Jiménez; além dos presidentes de Cuba, Chile,
Venezuela, República Dominicana e San Salvador.



Estiveram presentes ainda o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon,
diplomatas dos Estados Unidos e da União Europeia, além de representas
de organismos de integração continental.






Do Portal Vermelho, Mariana Serafini, com agências