terça-feira, 7 de junho de 2016

Dilma: Governo interino é pequeno e mesquinho - Portal Vermelho

Dilma: Governo interino é pequeno e mesquinho - Portal Vermelho:



 
 


Na ocasião, a presidenta eleita criticou as limitações impostas por Temer a suas viagens e a tentativa de dificultar seu direito de defesa.



"Estão testando sistematicamente as características de um regime
democrático. Tentam proibir meu direito de defesa nas instâncias da
Câmara e do Senado. Tentam transformar o Palácio da Alvorada em uma
'prisão dourada' colocando uma barreira. Criam obstáculos para o meu
direito de ir e vir. Ainda apresentam toda sorte de armadilhas. Me
obrigam a responder se foi golpe ou não", afirmou.



O governo interino negou a Dilma estrutura para fazer uma viagem a Campinas, no interior de São Paulo. Nesta
terça, José Eduardo Cardozo, responsável pela defesa da presidenta,
protocolou um ofício no Planalto informando que Dilma fará viagens com
aviões de carreira
e que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) será responsável pela segurança da presidenta.



No encontro com os historiadores, Dilma voltou a defender a recriação da
Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Para ela,
é preciso aumentar a arrecadação do governo, para que a população mais
carente não pague a conta da crise econômica.



"Numa crise, se acirra o conflito distributivo. Os mais ricos não vão
querer pagar uma parte da conta. Daí esse horror [dos ricos] com a
CPMF", condenou. Segundo ela, tal tributo é positivo, pois "quem faz
mais transações financeiras paga mais".



Afastando-se da visão do governo Temer, que prega o corte de gastos sociais,
Dilma defendeu a manutenção dos investimentos em Saúde e Educação. "Em
todos os países, diante da crise, se discute quem paga a conta. Se você
coloca a conta toda para cima da população, você tem um retrocesso
inimaginável. Daí que você tem que necessariamente aumentar a receita.
Se não aumentar a receita, a conta é paga pelos mais pobres", declarou.



A presidenta criticou as primeiras medidas da gestão interina, que
extinguiu ministérios e sinaliza para cortes em várias áreas. Segundo
ela, o presidente promove um desmantelamento do aparato institucional.



"A lei que rege o impeachment é absolutamente arcaica. É estarrecedor
que, sem nenhum voto, um governo provisório e interino assuma a condução
do país e desmantele o seu aparato institucional", avaliou.



Ela criticou ainda a política externa implementada pelo chanceler José Serra, que, para ela, significa "despreparo" . De acordo com Dilma, o ministro não percebe a importância de manter relações com regiões como a África e a própria América Latina. "Isso
é pensar que o mundo é unilateral, só com os Estados Unidos e com a
Europa. Temos que ter relações boas com Estados Unidos e Europa, mas não
únicas e exclusivas", completou.



Para a presidenta, os historiadores devem ficar atentos ao presente para
passar à sociedade um panorama do futuro. “É muito importante debater a
história enquanto ela está em curso. Apesar dos pontos negativos,
acredito que algumas coisas podem ser positivas. Especialmente que as
pessoas estão participando. Mulheres, jovens... Vejo um despertar para a
questão do risco que vivemos”, acrescentou.



Dilma reafirmou sua defesa do modelo presidencialista. “Tenho clareza
que no Brasil é imprescindível que se mantenha o presidencialismo.
Acredito que, desde a República Velha (1889-1930), há a questão das
oligarquias regionais, que sempre foram extremamente conservadoras e
antipopulares”, afirmou, acrescentando: “As propostas de parlamentarismo
sempre foram no país o que são. Coroações de períodos golpistas”,
acrescentou.



Para ela, há uma onda de rupturas das oligarquias tradicionais. “Cada
vez temos mais governadores progressistas que fogem do parâmetro
regional conservador. É interessante que isso ocorreu no Nordeste”,
disse. Um dos principais exemplos foi a queda dos governos tradicionais
no Maranhão. No pleito de 2014, Flávio Dino (PCdoB) rompeu com a
hegemonia de famílias como Lobão e Sarney.



Dilma novamente argumentou que processo de impeachment em curso não tem
bases legais. “Fui questionada se o governo provisório poderia remontar
todas as estruturas. Decidem sobre tudo, sobre o pré-sal, e isso é ditar
o futuro. Argumentam que impeachment não é golpe porque está na
Constituição. Mas não dizem o resto, que tem que haver crime de
responsabilidade. Não dizem que no presidencialismo não se pode tirar o
chefe de Estado e de Governo por impopularidade. Até porque existe um
contraponto no parlamentarismo: o chefe de Governo pode destituir o
Parlamento e vice-versa”, afirmou.



A presidenta reafirmou que mais que a batalha contra o impeachment, está
em jogo defender a democracia. "Ninguém é ingênuo para não saber que a
grande briga é no Senado. Temos que ter os 28 votos no Senado, mas a
briga é ganha porque os senhores senadores fazem parte da sociedade, mas
é ganha por todos que acreditamos na democracia", disse Dilma.



Assista ao pronunciamento:













 Do Portal Vermelho, com agências