sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Manifestação reúne 15 mil pessoas em defesa da Reforma Política - Portal Vermelho

Manifestação reúne 15 mil pessoas em defesa da Reforma Política - Portal Vermelho

Os movimentos
sociais e os partidos de esquerda “pintaram de vermelho” a Avenida
Paulista novamente. Apesar da chuva que dificultou o percurso em
diversas regiões da cidade, mais de 15 mil pessoas participaram de uma
manifestação em defesa da Reforma Política democrática na tarde desta
quinta-feira (13) na capital paulista.




Mariana Serafini
Mais de 15 mil pessoas se reuniram na Avenida Paulista
Mais de 15 mil pessoas se reuniram na Avenida Paulista


Mas não só a luta pela Reforma Política agitou os movimentos
sociais, que também foram para a rua mostrar aos setores conservadores a
força do povo brasileiro. “Estamos na rua por mais direitos e contra a
direita”, disse um dirigente do MTST. Isso porque, há poucos dias uma
parcela ultra conservadora da sociedade se reuniu no mesmo lugar, no vão
livre do Masp, para exigir um impeachment e um golpe militar. Em
resposta o povo tomou as ruas para consolidar a vitória nas urnas.



No percurso da Avenida Paulista, os mais de 15 mil manifestantes foram
embalados pelo som alto do carro de som.. A música Da ponte pra cá, dos
Racionais, fez muitos cantarem juntos, afinal na periferia a banda toca
diferente, e esse recado também foi dado. “Não adianta querer ser tem
que ter para trocar, o mundo é diferente da ponte pra cá”, diz o refrão.




Mas diferente das manifestações que tradicionalmente percorrem apenas a
Avenida Paulista, desta vez os manifestantes decidiram mudar o percurso e
passar por uma das regiões mais ricas da capital, conhecida como
Jardins, onde o candidato Aécio Neves teve cerca de 80% dos votos. O
objetivo foi, literalmente “dançar na cara da elite”. Ao som de Asa
Branca os manifestantes dançaram na rua Jaú, em frente a um hotel de
luxo. “Estamos aqui nesta região rica para mostrar para essa elite
branca que São Paulo é uma das cidades mais nordestinas do país”.



Um misto de desprezo e simpatia tomou conta das ruas nobres de São
Paulo. Enquanto alguns moradores olhavam assustados do alto dos prédios
luxuosos, porteiros, manobristas e outros funcionários sorriam e
acenavam, alguns até aproveitaram para registrar a grande manifestação
com seus smartphones.

Para o dirigente José Bitelli, da CTB, essa manifestação foi uma
“intervenção do povo”, ao contrário da direita que pede uma intervenção
militar. Ele ressaltou a importância de os setores progressistas tomarem
as ruas para garantir os direitos já conquistados e seguir com novas
vitórias populares.



A CUT também defendeu a participação popular para garantir direitos e,
principalmente, para fortalecer a luta pela Reforma Política e outras
reformas estruturantes, entre elas as reformas urbanas e agrárias.



Os movimentos que lutam por moradia, entre eles o MTST e o FLM
compareceram em peso na manifestação, milhares de pessoas das mais
distantes ocupações fizeram questão de marcar participar da luta pela
Reforma Política. Entre as comunidades presentes estavam a Nova
Palestina e a Faixa de Gaza, reconhecidas pela resistência popular em
defesa do direito à moradia digna.

A UJS também fez questão de participar e levou sua bandeira, a reforma
da mídia. Desde a manifestação realizada em frente a Editora Abril
contra a revista Veja, a entidade vem engrossando o coro da
democratização dos meios de comunicação por acreditar que este setor é
importante no processo de conscientizar a população em defesa das demais
reformas necessárias.



O presidente municipal do PCdoB da capital paulista, Jamil Murad,
afirmou que para garantir mais mudanças e fortalecer o governo da
presidenta Dilma, os movimentos sociais devem estar nas ruas, ele vê
este momento como um “fator novo na vida politica nacional para
impulsionar as reformas estruturais democráticas”.



Ao contrário da direita que defende intervenção militar, e outros
regimes antidemocráticos, “os trabalhadores, os estudantes, as mulheres,
os partidos políticos de esquerda, os movimentos sociais, e os
patriotas que lutam por um país melhor, estão na rua pela democracia”,
explicou Jamil.



De acordo com Jamil, a direita “não sabe perder”, porque apesar da
derrota, querem impor medias governamentais como escolher o ministro da
Fazenda, e o diretor do Banco Central, além de impor o corte de gastos
com programas sociais. “Eles perderam, mas querem que a Dilma aplique a
política deles, isso é uma coisa esquizofrênica”, diz.

Já o presidente do PCdoB em Pirituba, Donizetti Cunha, classificou o
local escolhido para a manifestação como “um bom recorte, iniciar a
manifestação do vão do Mas, no mesmo lugar onde a turma do Aécio, essa
elite branca, provou que não sabe perder”. Segundo ele, o povo não está
disposto a voltar ao passado, e por isso elegeu pela quarta vez um
presidente progressista.



A manifestação contou com a participação de diversos movimentos sociais,
entre eles UJS, CUT, CTB, Ubes, UEE-SP, MTST, FLM, Coletivo Fora do
Eixo, Coletivo Rua, Levante Popular da Juventude e outros. Os
manifestantes deram o recado, uma vaia ao preconceito, à polarização do
Brasil e às medias reacionárias que os setores conservadores querem
impor.





Do Portal Vermelho,

Mariana Serafini