terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Missa de 1 ano sem Neide Castanha
Poesia: Jáder de Carvalho
Trouxe uma mala de livros do Ceará, inclusive literatura de minha terra. Jáder de Carvalho, Arthur Eduardo Benevides, Pereira Filgueiras e mais. Deixo-vos com esse lindo poema do mestre Jáder.
Vamos Rezar por Ela
Fui um menino cético. Talvez
herança forte do meu bom avô:
lusíada chegado ao Maranhão
numa casca de noz feita velero.
Não cria em Deus. Aos santos não rezava.
Se a dor, acaso, lhe batia à porta,
ele explicava tudo conformado:
"Tinha de ser. E foi. Tinha de ser".
Não sei rezar. Mas tremo à voz dos sinos.
E, hoje, que estás doente e já não pensam
senão na tua próxima partida,
esqueço o ateu e peço a quem não vejo:
"Oh, daime-fé!". E a meu avô: "Escute!
Juntos os dois, vamos rezar por ela!"
Jovens pautam políticas articuladas com o desenvolvimento - Portal Vermelho
O 4º Diálogo Nacional de Movimentos e Organizações Juvenis, que aconteceu nesta sexta-feira (21), no Rio de Janeiro, em conjunto com a 7ª Bienal de Arte e Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), promoveu um debate produtivo a respeito do tema e aprovou uma carta aberta à presidenta Dilma Rousseff.
O documento lista avanços na área educacional, entendida como política fundamental à juventude, e valoriza a realização da 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude. O chamamento da carta é pela unidade das organizações para lutar pela consolidaçã o das políticas públicas de juventude. Para tanto, apresenta três pautas, dentre as quais "a perspectiva de conferir 'status ministerial' à Secretaria Nacional de Juventude".
A Olimpíada e a Copa do Mundo são citados como momentos de oportunidade para a juventude, assim como as verbas provenientes da exploração do petróleo na camada pré-sal, que precisam ser aproveitados pelas políticas governamentais para dar um salto nos direitos da juventude, e a banda larga é também apresentada como bandeira.
Leia abaixo a íntegra do documento resultante do debate:
Da redação, Luana Bonone, com Secretaria Nacional de Juventude
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Curso Nacional de Formação CTB-CES - Portal Vermelho
Curso Nacional de Formação CTB-CES
Augusto César Petta *Todos os que trabalham com formação política e sindical sabem que não é nada fácil conseguir reunir sindicalistas de 21 Estados brasileiros. As dificuldades de ordem financeira, as distâncias enormes de um país de dimensões continentais dificultam o deslocamento.
Mas, em função de um trabalho bem articulado da Secretaria de Formação e Cultura da CTB dirigida pela Professora Celina Áreas, do Centro de Estudos Sindicais-CES dirigido por Gilda Almeida, e das CTBs estaduais, foi possível realizar o III Curso Nacional de Formação de Formadores e Formadoras, em Guarulhos, no período de 16 a 21 de janeiro , contando com a presença de 55 sindicalistas de 21 estados.Sãoeles:AC,PA,RR,AP,AM,MA,RN,PB,PE,AL,SE,BA,MT,GO,MG,ES,SP,RJ,PR,SC e RS.
Inicialmente, os participantes do curso assistiram, no SESC Belenzinho, a peça teatral Ópera dos Vivos, da Companhia do Latão, e que tem como diretor o Professor da USP Sergio de Carvalho e como uma das atrizes Ana Petta, minha filha. A peça trata de assuntos importantíssimos para a formação política e sindical: Ligas Camponesas, Golpe Militar de 64, relações de trabalho, música popular , televisão.
Coube ao Professor José Carlos Sabóia, ex-deputado federal constituinte(nota 10 do DIAP) desenvolver o tema Projeto Nacional de Desenvolvimento e Desafios do Movimento Sindical, ao historiador Augusto César Buonicore, Secretário Geral da Fundação Maurício Grabois, abordar os conceitos de Estado, Partido e Sindicato, a João Batista Lemos, diretor –adjunto de Relações Internacionais da CTB apresentar e debater o tema Sindicalismo Latino-Americano.
Seguiram-se apresentações dos temas relativos à Mulher Trabalhadora abordado por Liege Rocha, do Comitê de Direção da Federação Democrática Internacional da Mulher; à Juventude apresentado por Paulo Vinicius Santos da Silva, Secretário Nacional da Juventude Trabalhadora da CTB; ao Funcionalismo Público por Fátima dos Reis, Secretária Nacional de Serviços Públicos e Trabalhadores Públicos e à Questão Agrária abordado por Leomar Fernando, assessor da FETAG-RS.
Após a apresentação de todos estes temas, os 55 participantes foram divididos em grupos, e sob a orientação da Professora e Psicóloga Liliana Aparecida de Lima prepararam aulas sobre os respectivos temas e as apresentaram, de forma muito criativa, a todos os participantes do curso. Utilizaram músicas, vídeos,encenações teatrais, aulas expositivas com questões a serem debatidas. Essa orientação pedagógica e o conteúdo desenvolvido são essenciais num curso de formação de formadores e formadoras.
Uma tarde de lazer e uma festa de confraternização contribuíram para que os participantes tivessem um entrosamento maior. A avaliação dos participantes é muito positiva, entendendo que o curso atingiu plenamente seus objetivos. No último dia do curso, foi realizada uma reunião que tratou a respeito dos próximos passos a serem dados nesse processo de formação. Vários participantes dispuseram-se a colaborar na condição de formadores em seus respectivos Estados. Foi elogiado o trabalho da equipe organizadora do curso composta por Silvio de Ameida Silva, Cristiane Batista de Oliveira, Márcia Viotto, André Lemos, Celina Áreas e Augusto César Petta.
Trata-se agora de continuar o processo de formação estabelecido no convênio CTB-CES, com a maior intensidade possível, realizando o curso básico de primeira e segunda etapas e a aplicação do Planejamento Estratégico Situacional, nas CTBs Estaduais.
* Professor, sociólogo, Coordenador Técnico do Centro de Estudos Sindicais (CES), membro da Comissão Sindical Nacional do PCdoB, ex- Presidente do SINPRO-Campinas e região, ex-Presidente da CONTE
sábado, 22 de janeiro de 2011
Gramsci nos Cadernos do Cárcere: Sobre o Partido - Portal Vermelho
Como dirigente teórico e prático do movimento operário e comunista italiano, Antonio Gramsci tinha a perfeita noção do papel do partido, dotado de ideologia, linha política, ampla rede de militância, ligações profundas com as massas e uma organização de quadros capazes de centralizar, disciplinar e dirigir a luta pelo socialismo. Confira no texto que o Vermelho publica abaixo.
Traduzido do italiano por José Reinaldo Carvalho
[...] Quando se quer escrever a história de um partido político, na realidade enfrenta-se toda
uma série de problemas, muito menos simples do que possa crer, por exemplo, Roberto Michels, que não obstante é considerado um especialista na matéria. O que será a história de um partido? Será a mera narração da vida interna de uma organização política? Como ela nasce, quais foram os primeiros grupos que a constituíram, quais as polêmicas ideológicas através das quais se forma o seu programa e a sua concepção do mundo e da vida? Tratar-se-ia, em tal caso, da história de restritos grupos intelectuais e talvez da biografia política de uma individualidade. A moldura do quadro deverá, porém, ser mais vasta e abrangente.Deverá fazer-se a história de uma determinada massa de homens que terá seguido os promotores, terá apoiado com a sua confiança, com a sua lealdade, com a sua disciplina ou os terá criticado de maneira “realista” dividindo-se ou permanecendo passiva diante de certas iniciativas. Mas essa massa será constituída apenas dos aderentes do partido? Será suficiente seguir os congressos, as votações etc., isto é, todo o conjunto das atividades e do modo de existência com que uma massa de partido manifesta a sua vontade?
Evidentemente será necessário ter em conta o grupo social de que determinado partido é expressão e sua parte mais avançada: isto significa que a história de um partido não poderá deixar de ser a história de um determinado grupo social. Mas esse grupo não é isolado: tem amigos, afins, adversários, inimigos. Somente do complexo quadro de todo o conjunto social e estatal (e freqüentemente até com interferências internacionais), resultará a história de um determinado partido, por isso se pode dizer que escrever a história de um partido significa nada mais que escrever a história geral de um país do ponto de vista monográfico, para pôr em relevo um aspecto característico.
Um partido terá tido maior ou menor significado e peso, na medida em que sua atividade particular tenha pesado mais ou menos na história de um país. Portanto, eis por que do modo de escrever a história de um partido resulta o conceito que se tenha sobre o que é e deva ser um partido.
O sectário se exaltará com as questões internas, que para ele terão um significado esotérico e o encherão de místico entusiasmo; o historiador, embora dando a todas as coisas a importância que têm no quadro geral, porá acento sobretudo na eficiência real do partido, na sua força determinante, positiva e negativa, no haver contribuído para criar um fato e também no haver impedido que outros ocorressem.
O ponto de saber quando um partido está formado, ou seja, quando tem uma tarefa precisa e permanente, dá lugar a muitas discussões e freqüentemente também, infelizmente, a uma forma de arrogância que não é menos ridícula e perigosa que a “arrogância da nação”, de que fala Vico. É verdade que se pode dizer que um partido não está jamais completo e formado, no sentido de que todo desenvolvimento cria novas tarefas e obrigações e no sentido de que para certos partidos é verdade o paradoxo de que estarão completos e formados quando já não existirem mais, isto é, quando a sua existência tiver se tornado historicamente inútil.
Assim, desde que todo partido não é senão uma nomenclatura de classe, é evidente que para o partido que se propõe anular a divisão em classes, a perfeição e a plenitude consistem no não existir mais porque não existirão mais classes e portanto suas expressões. Mas aqui se quer apontar para um momento particular desse processo de desenvolvimento ao momento sucessivo àquele em que um fato pode existir e ao mesmo tempo não existir, no sentido de que a necessidade da sua existência não se tornou ainda “peremptória”, mas depende em “grande parte” da existência de pessoas de extraordinário poder volitivo e de extraordinária vontade.
Quando um partido se torna “necessário” historicamente? Quando as condições do seu “triunfo”, da sua inevitabilidade estejam ao menos em vias de formação e permitam prever normalmente seu ulterior desenvolvimento. Mas quando se pode dizer, em tais condições, que um partido não pode ser destruído com meios normais? Para responder, é necessário desenvolver um raciocínio: para que exista um partido é necessário que confluam três elementos fundamentais (ou seja, três grupos de elementos)
1) Um elemento difuso, de homens comuns, médios, cuja participação é oferecida pela disciplina e a fidelidade, não pelo espírito criativo e altamente organizativo. Sem estes, o partido não existiria, é verdade, mas também é verdade que o partido tampouco existiria “somente” com estes. Estes são uma força somente porque há aqueles que centralizam, organizam e disciplinam o partido, mas na ausência desta força coesiva o partido se dispersaria e se anularia como algo insignificante e impotente. Não se nega que algum desses elementos possa tornar-se uma força coesiva, mas se fala destes precisamente no momento em que não são esta força coesiva e não estão em condições de ser e se são, isto ocorre num círculo restrito, politicamente ineficiente e sem consequência.
2) O elemento coesivo principal, que centraliza no campo nacional, que torna eficiente e potente um conjunto de forças que deixadas a si contariam zero ou umpouco mais; este elemento é dotado de força altamente coesiva, centralizadora, disciplinadora e também, aliás talvez por isso mesmo, de inventividade (se se entende “inventividade” em uma certa direção , segundo certa linha de força, certa perspectiva e ainda certa premissa): é também verdade que somente deste elemento não se formaria o partido, mas o formaria mais do que se não fosse considerado o primeiro elemento. Fala-se de capitães sem exército, mas na realidade é mais fácil formar um exército do que formar capitães. Tanto é verdade que um exército já existente será destruído se faltarem os capitães, enquanto que a existência de um grupo de capitães, bem formados, concordes entre si, com fins comuns, não tarda a formar um exército mesmo onde não existe.
3) Um elemento médio, que articule o primeiro com o segundo, que os ponha em contato, não só “físico”, mas moral e intelectual. Na realidade, para todo partido existem “proporções definidas” entre esses três elementos e se alcança o máximo de eficiência quando tais “proporções definidas” são realizadas.
Dadas estas considerações, pode-se dizer que um partido não pode ser destruído com meios normais quando, existindo necessariamente o segundo elemento, cujo surgimento está ligado à existência das condições materiais objetivas (e se este segundo elemento não existe, todo raciocínio é vazio), mesmo que seja no estado disperso e vagante, não possam deixar de formar-se os outros dois, ou seja, o primeiro que necessariamente forma o terceiro como sua continuação e meio de exprimir-se.
Ocorre que, para que isso advenha, deve ser formada a convicção férrea de que é necessária uma determinada solução dos problemas vitais. Sem esta convicção, não se formará o segundo elemento, cuja destruição é a mais fácil pelo seu escasso número, mas é necessário que este segundo elemento, se destruído, tenha deixado como herança um fermento a partir do qual regenerar-se.
E onde este fermento subsistirá melhor e poderá melhor formar-se senão no primeiro e no terceiro elemento que, evidentemente, são mais homogêneos com o segundo? A atividade do segundo elemento para constituir este elemento é assim fundamental: o critério de juízo deste segundo elemento será buscar: 1) no que realmente faz; 2) no que prepara, na hipótese de sua destruição. Entre os dois fatos é difícil dizer qual seja o mais importante. Como na luta se deve sempre prever a derrota, a preparação dos próprios sucessores é um elemento tão importante de tudo quanto se deve fazer para vencer.
O verdadeiro Gramsci: Revolucionário comunista - Portal Vermelho
Hoje, fala-se e escreve-se muito sobre Antonio Gramsci. Muito. É indubitavelmente algo positivo. Na segunda metade do século 20, Gramsci foi o político italiano de quem mais se falou e escreveu.
Por Maurizio Nocera*, em L´Educazione Gramsciana
Tradução: José Reinaldo Carvalho
Seguramente, não se fez tanto sobre o liberal Benedetto Croce ou sobre o fascista Giovanni Gentile, os dois filósofos políticos da burguesia dos quais os manuais se interessam como os pensadores máximos do século 20, nem se fez o mesmo sobre políticos como Alcide De Gasperi e o próprio Palmiro Togliatti, este último durante muitos anos secretário-geral do Partido Comunista Italiano e altíssima personalidade política do nosso país.Leia também:
- Veja aqui cronologia da vida de Gramsci
- Gramsci nos Cadernos do Cárcere: Sobre o Partido
- Gramsci: Sobre a base da organização do Partido
A quem interessaria hoje a filosofia do espírito de Croce, ou a especulação sobre o “pensamento pensante” de Gentile? Águas passadas sob a ponte, águas derramadas para sempre no grande mar da história de todos os tempos, útil talvez para rever de tempos em tempos, como cultura histórico-filosófica, jamais como algo inédito, de experimentável. É fato consumado, visto, discutido, superado.
Outra coisa, contudo, foram as ações políticas e o pensamento especulativo do grande sardo na primeira metade do século passado, pensamento e prática que não encontraram aplicação, porque esmagados no nascedouro, decepados pelo fascismo mussoliniano, que atuava como a versão mais obscura da burguesia italiana. O Gramsci comunista, que lutava pela conquista de uma nova sociedade, pela construção de uma sociedade socialista, devia ser parado, preso.
Dois mil e quinhentos anos atrás, um pouco por fabulação, mas também um pouco com base naquilo que era a realidade concreta daquele tempo, Platão pensou um tipo de nova sociedade, um estado ideal perfeito, que chamou de República e que estruturou para as classes compostas por produtores, defensores e pensadores.
Já se disse que aquela ideia platônica não era senão utopia, fruto do pensamento humano. Isto é o que se pensava e se acreditava durante milênios. Mas se hoje olhamos para as repúblicas modernas nas quais vivemos, como são estruturadas? É de maneira diferente da que pensava Platão? Não me parece. Platão tinha pensado em uma sociedade impossível de realizar-se em seu tempo, mas não excluía a sua exeqüibilidade futura.
Que quero dizer com isso? Simplesmente que o estado idealizado pelo grande filósofo ateniense, embora com altos e baixos e ziguezagues, sucessivamente, ao longo dos séculos, torna-se realidade, que experimentou as diferentes formas de governo idealizadas: a timocracia (plutocracia), a aristocracia, a tirania, a democracia e outras formas intermediárias entre uma e outra.
No seu complexo, a humanidade viu e experimentou na própria pele estas diferentes formas de governo, pelo menos a partir da revolução burguesa de 1789: república presidencialista, república militarista, república democrática, república de conselhos, república totalitária. Nestes anos, que vão de 1945 até hoje, no centro do debate político italiano sempre tem havido momentos de luta institucional muito elevados: a defesa da Constituição republicana dos ataques por parte daqueles que jamais quiseram reconhecê-la e dos que, mesmo reconhecendo-a, nada fizeram para aplicá-la.
Se esta não aplicação é um ponto de referência, o que dizer agora de tudo quanto aconteceu
antes daquele histórico evento que viu os comunistas combaterem na primeira linha pela liberdade e a democracia em nome de Antonio Gramsci e Giuseppe Garibaldi? Simplesmente que aquela parte da história política do início do século passado, o que foi pensado, escrito e compreendido na luta política de Antonio Gramsci e dos comunistas nos anos precedentes ao advento do fascismo, não foi jamais aplicado porque esmagado no nascedouro.A internacional da burguesia, como também suas ramificações periféricas nacionais, sempre tiveram horror de que aquelas ideias políticas encontrassem o mínimo trânsito para sua completa realização, por isso sempre misturaram as coisas com o objetivo de apagar definitivamente a aspiração da classe operária e do povo italiano à conquista da nova sociedade, mais avançada socialmente, mais igualitária no plano dos direitos.
Hoje sabemos que a única sociedade experimentada pela humanidade a ter tais requisitos é a sociedade socialista. Isto ainda não aconteceu na Itália. Primeiro o impedimento foi o fascismo, braço armado executor direto da burguesia mais reacionária, depois sobreveio um longo período de inter-classismo democrata-cristão, no qual a política italiana não era orientada e dirigida pelos italianos mas pelos chefes do imperialismo estadunidense.
Alguém até hoje crê que isto durará eternamente e que as ideias de Antonio Gramsci sobre a nova sociedade já são águas passadas. Ilude-se, porque a história dos homens e mulheres que vivem em nosso planeta é como o vento que antes ou depois varre aquilo que se torna naturalmente obsoleto, seco, inadequado, fora do tempo.
Há mais de 70 anos, políticos, filósofos, historiadores, intelectuais geralmente entendidos, fazem conferências e escrevem sobre o fundador do Partido Comunista da Itália em 1921. Fazem-no sobre a base de diferentes exigências de tipo histórico-sociológico ou político.
Todos, entretanto, são obrigados a dar de Antonio Gramsci uma imagem de homem coerente, cuja vida foi caracterizada pelo empenho constante e luta política pela emancipação e o resgate do proletariado italiano e internacional. Todos têm liberdade para construir a imagem que quiser sobre Gramsci. Mas liberdade de pensamento, de ação e de organização política deve ter também quem pensa em ser comunista e, com isto, pensa no Gramsci fundador de um movimento e de um partido que lutam pela transformação da presente ordem das coisas.
Lendo tudo quanto se escreve hoje sobre o grande sardo, corre-se o risco de não compreender por que ele foi preso, por que o fascismo foi tão implacável contra este homem. Para alguns politiqueiros filósofos, o verdadeiro motivo pelo qual Gramsci acabou sua vida preso, deveria ser debitado aos seus próprios companheiros.
Algum outro se atreve mesmo a dizer que o culpado foi o próprio Stálin, ou pelo menos sua política de defesa da teoria da construção do socialismo em um só país. Credulidade. A verdadeira realidade é que sempre os revisionistas, quando não mentem despudoradamente, envergonham-se de afirmar que Gramsci foi perseguido, preso, encarcerado, recluso por 11 anos, quase sempre em solitária, simplesmente porque era comunista, simplesmente porque era defensor dos direitos da classe operária, simplesmente porque era defensor das melhores tradições e da história da luta pela emancipação do povo italiano.
Que paradoxo é a vida e que miséria é certa política! Quem, hoje, por motivo de trabalho, estudo ou luta política tenha que estudar a história recente de nosso país, não poderá deixar de encontrar em seu percurso de estudioso a história política do comunista Antonio Gramsci, o peso político e científico do seu pensamento marxista-leninista sobre a vida política e cultural italiana.
Até mesmo os neofascistas, herdeiros políticos dos executores materiais da sua eliminação física, até eles são forçados a fazer, mesmo que seja de modo instrumental, considerações sobre Gramsci. Mas no que se refere aos revisionistas de todos os tipos, cuidam de apresentar uma imagem de Gramsci como se ele tivesse sido obrigado pelas circunstâncias a se tornar comunista, um Gramsci substancialmente distanciado da luta de classes, isolado na prisão, que tinha perdido contato com a realidade.A operação mais desajeitada é aquela que consiste em tentar dar crédito à imagem de um Gramsci de antes de 1926 (ano da sua prisão) e de um Gramsci depois da prisão até 1937. Os revisionistas apontam no sentido de separar verticalmente os dois períodos (já vimos fazerem isto com Marx, Lênin, a União Soviética, o campo socialista) na vã tentativa de fazer aceitar um Gramsci dividido: o primeiro, jovem e, como todo jovem, impetuoso e levado a se colocar em cena; este seria o Gramsci defensor da ocupação de fábricas pela classe operária organizada nos conselhos de fábrica e o Gramsci fundador do PCI e líder dos comunistas italianos. É evidente que para esses senhores, este Gramsci deve ser descartado, esquecido, obnubilado.
O segundo Gramsci, aquele dos “Cadernos do Cárcere”, pelo contrário, pode ser lido, pensado, meditado fora do contexto da luta de classes, na vã esperança de que não seja compreendido até o fim por aquilo que efetivamente ele foi e o quanto pesa ainda hoje o seu pensamento político. As suas mil e uma circunvoluções liquidacionistas tendem, como uma armadilha, a fazer Gramsci aparecer apenas como um pensador político asséptico, cuja ação se diluiu no próprio tempo da sua vida.
É uma lógica canhestra aquela em que me parece até mesmo Luciano Cânfora caiu com seu último livro “Sobre Gramsci” (Datanews/alcazar, maio 2007). Ele apresenta honestamente um Gramsci comunista, em linha com o pensamento leninista, mas também um pouco asséptico, sobre um fundo político em que a luta de classes deve ser apenas imaginada, porque o autor não faz o leitor enxergá-la; para ele, no fundo, Gramsci é um pensador político cujas teses, no plano da teoria, não são no momento criticáveis, mas as teses de um Gramsci que ele estuda e discute como um estudioso, em particular um estudioso do mundo antigo.
Mas aquilo que mais me surpreende do seu breve ensaio é ter reportado declarações referidas em algumas teses de conhecidos falsificadores da história como Isaac Deutscher e François Furet. A análise da leitura de Canfora sobre o pensamento marxista-leninista de Antonio Gramsci parte da crítica de diferentes revisionismos, mas ele foge da natureza perniciosa do revisionismo-pai de todos os demais, o revisionismo de tipo kruchoviano-gorbachoviano, que se encontra na base de não poucas catástrofes.
É por este motivo que se pergunta: por que e para quem Luciano Cânfora escreveu o seu ensaio “Sobre Gramsci” ? Estava lendo o texto de Canfora quando me veio à mente Luigi Russo, um não marxista, reitor da Universidade Normal de Pisa, que pronunciou o discurso “Descoberta de Antonio Gramsci” perante os estudantes na máxima universidade italiana em 27 de abril de 1947 (cf. “Belfagor”, ª XLIII, nº 2, 31 março de 1988, págs. 145-166).
Magistério sublime o que Luigi Russo escreveu: “Gramsci é um homem de um partido político que não é o meu [...], mas ele foi um grande militante desta fatigada democracia, à qual hoje todos os homens de boa vontade e de boa fé querem dar a sua contribuição e nesta aproximação e fraternidade dos ideais corre-se de fato com maior trepidação humana para aqueles que não conhecemos e cujas cartas percorremos com curiosidade febril, porque, para além da fé política de cada um, queremos advertir aquilo que foi o motivo comum da revolta ideal que nestes últimos vinte e cinco anos temos experimentado, desconhecidos um do outro, mas estranhamente íntimos e próximos um do outro, por uma Itália e uma Europa melhores”. (Pág. 147)
* Maurizio Nocera é escritor e membro do Centro Gramsci
Três mortos e 39 feridos na repressão contra protesto na Albânia - Portal Vermelho
Protesto do povo albanês reclama antecipação das eleições e é reprimido com truculência pela polícia do governo direitista.
Três pessoas morreram baleadas nesta sexta-feira (21) e 39 ficaram feridas na capital albanesa, Tirana, durante protesto da oposição, marcado por confrontos violentos entre manifestantes e forças da ordem, informou à AFP o chefe do setor de emergência do hospital militar da cidade, Sami Koceku.O hospital militar de Tirana tinha falado antes de dois mortos, retificando o número em seguida, e acrescentando que há também 17 polícias e militares feridos, entre os quais três em estado grave. Vinte e dois civis também estão feridos.
Revolta
Centenas de policiais estavam acantonados diante da sede do governo quando a multidão chegou para protestar. Os manifestantes, enfurecidos pela gestão de Berisha e inúmeros escândalos de corrupção, exigem a demissão do primeiro-ministro e eleições antecipadas.
Acatando ordens do governo, a polícia respondeu ao protesto com invulgar truculência, jogando potentes jatos de água e gás lacrimogêneo. Os manifestantes atiraram pedras e pelo menos um agente da polícia teria sofrido ferimentos na cabeça, segundo constatou a EFE. Do lado em que estava o povo três pessoas tombaram, assassinadas a tiro.
Crise política
A Albânia vive uma profunda crise política, marcada pelo enfrentamento entre a coalizão conservadora de Berisha e o Partido Social-Democrata, que acusa o primeiro-ministro de corrupção. A restauração do capitalismo no país tem sido acompanhada de instabilidade e crises recorrentes.
As mais recentes tensões surgiram após a demissão do vice-primeiro-ministro, Ilir Meta, na semana passada, que foi obrigado a abandonar o cargo após a transmissão de um vídeo gravado com uma câmera escondida no qual tenta manipular uma licitação pública.
Com agências
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Blog Nivaldo Santana - Organização sindical dos metalúrgicos do ABC
Organização sindical dos metalúrgicos do ABC
Dirigentes da CTB receberam nesta quarta-feira o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre (foto abaixo). Ele estava acompanhado dos diretores Teonílio Monteiro (Barba) e José Lopes Feijóo, também vice-presidente nacional da CUT, além de Célia Rocha de Lima, assessora Jurídica.Volta de Baby Doc tumultua ainda mais cenário político no Haiti - Portal Vermelho
Dois dias após retornar ao Haiti alegando querer ajudar as vítimas do terremoto do ano passado, o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, foi detido nesta terça (18) pela polícia, e acusado formalmente por corrupção, roubo, apropriação indébita de fundos e outros delitos cometidos no seu governo, entre 1971 e 1986. O reaparecimento do político torna ainda mais conturbado o cenário em um Haiti já tão massacrado.
Levado por policiais fortemente armados, Baby Doc deixou o luxuoso Hotel Karibe, onde estava desde que retornou abruptamente após 25 anos de exílio na França, e entrou num carro da polícia, acenando a simpatizantes que o chamavam de presidente. O caso será agora analisado por um juiz, que determinará se há provas suficientes para levá-lo a julgamento. À noite, o ex-ditador foi reconduzido a seu hotel e impedido de deixar o país.Ainda que ele não seja condenado, a notícia surpreendeu os haitianos, num país acostumado à impunidade de seus governantes. Apesar de ser uma oportunidade de esclarecer crimes cometidos durante seu governo - como desvio de cerca de US$600 milhões -, o retorno abrupto de Baby Doc contribui para aprofundar a crise política no país, num momento em que o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais vem sendo contestado.
A tensão era ainda maior diante das declarações do advogado de Jean-Bertrand Aristide, derrubado em 2004, de que o ex-presidente também teria intenções de retornar ao Haiti de seu exílio na África do Sul. Apoiadores do ex-presidente o consideram o primeiro líder democraticamente eleito do Haiti. Sua imagem de “amigo dos pobres” também é presente nos relatos que demonstram descontentamento com os muitos anos de tutela do território haitiano por outras nações.
Polarização
A Anistia Internacional, que havia pedido uma ação do governo haitiano contra Baby Doc, elogiou a detenção do político, sublinhando que é apenas um começo.
"Se a verdadeira justiça for feita no Haiti, as autoridades haitianas precisam abrir uma investigação criminal sobre a responsabilidade de Duvalier pelos inúmeros abusos de direitos humanos que foram cometidos no seu governo, incluindo tortura, prisões arbitrárias, estupro, desaparições e execuções extrajudiciais", disse a organização.
Tentando impedir que Baby Doc fosse levado pela polícia, grupos de partidários levantaram barricadas e queimaram pneus nas ruas diante do comboio policial.
Do lado de fora do tribunal, centenas de simpatizantes do político protestavam, queimando pneus e pedindo a prisão do presidente René Préval. Um dos manifestantes, Chal Christen, de 56 anos, balançava uma bandeira do partido de Baby Doc, que ele havia guardado desde que o "presidente vitalício" foi deposto numa rebelião popular, e forçado a se exilar.
O cenário era apenas uma amostra da crescente polarização da população desde o retorno de Baby Doc. Enquanto ontem algumas pessoas exaltavam o seu governo, outros lembravam os 15 anos de sua gestão como um dos períodos mais sombrios da História do país, uma sequência do regime sanguinário de seu pai, François Papa Doc.
Bobby Duval, um antigo astro do futebol, afirmou que foi torturado durante os 17 meses em que ficou preso arbitrariamente pelo regime de Baby Doc. "Ele é um ladrão assassino. Um país que não tem memória está condenado a repetir os mesmos erros", disse.
O retorno de Baby Doc levou também a mídia haitiana a especular sobre a possibilidade da volta de Aristide, no exílio desde 2004, mas que ainda desfruta de um forte apoio no país. Rádios locais noticiam boatos de que Aristide está a caminho de Porto Príncipe, mas as informações não são confirmadas. O advogado do ex-presidente, Ira Kurzban, porém, disse que Aristide quer voltar à terra natal.
A volta do ditador Baby Doc a Porto Príncipe ainda é cercada de dúvidas e ocorre em um momento de instabilidade política devido às suspeitas de fraudes nas eleições. No último dia 13, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, entregou às autoridades haitianas um relatório com "recomendações" sobre o processo eleitoral.
Eleições complicadas
Nesta quarta (19), a OEA tornou público o documento, no qual considera o cantor e candidato Michel Martelly o segundo colocado do primeiro turno, em detrimento do governista Jude Celestin, apontando que teria havido fraude. O texto indica que, na recontagem dos votos, Martelly teve 227.467 votos (7.150 menos que na contagem inicial), contra 224.242 votos de Celestin (menos 17.220).
Martelly, um cantor popular no país, disputaria, então, o segundo turno com a ex-primeira-dama Mirlande Manigat, que perdeu 13.830 votos na recontagem, segundo a OEA, passando a somar 323.048. Mas funcionários do Conselho Eleitoral do Haiti disseram que não se veem obrigados a cumprir as recomendações da OEA e eliminar o candidato governista do segundo turno da disputa.
Em declaração difundida ainda na noite da terça, o órgão rejeitou o relatório. O Conselho Eleitoral disse que o documento é apenas mais um elemento entre as tantas apelações contra os resultados anunciados. O segundo turno deveria ter sido realizado no final de semana passado, mas a indefinição levou ao adiamento. A volta de Jean-Claude Duvalier terminou por desviar a atenção da disputa eleitoral.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Truculência em SP: polícia atacou estudantes já na dispersão - Portal Vermelho
Quinta-feira, às 17 horas, Praça dos Ciclistas (esquina das avenidas Consolação com Paulista): o segundo ato público contra o aumento da tarifa de ônibus na cidade de São Paulo, que passou R$ 2,70 para R$ 3.
Por Conceição Lemes, no blog Viomundo
O primeiro, na última quinta-feira, reuniu cerca de mil manifestantes e acabou reprimido pelo Polícia Militar. Trinta e uma pessoas foram detidas e, pelo menos, dez ficaram feridas.“Os detidos já foram liberados”, informa ao Viomundo a estudante de Direito Nina Cappello, do Movimento Passe Livre. “Por enquanto nenhum foi indiciado, não teve nenhuma acusação específica, foi só para averiguação. Quanto aos feridos, dois fizeram boletim de ocorrência e um realizou exame de corpo de delito.”
Nina é estudante de Direito, pertence ao Movimento Passe Livre e foi a responsável pela negociação com a Polícia Militar durante a manifestação.
Viomundo: As imagens iniciais mostram um ambiente tranqüilo. O que aconteceu?
Nina Cappello: Inicialmente a manifestação estava indo bem, mesmo. Trocaram três vezes o comandante militar da operação. Na terceira, quando assumiu o tenente Siqueira, o diálogo diminuiu bastante. Os policiais queriam que a gente liberasse uma faixa de trânsito. Mas, como tinha muita gente, foi difícil conter o pessoal. Uma pessoa foi detida e o problema começou. Acho, no mínimo, irônico, que uma manifestação pela melhoria do transporte público deva priorizar respeitar o espaço dos carros.
Viomundo: O que você fez na hora em que houve a primeira prisão?
Nina Cappello: Tentei conversar com os policiais que estavam com o manifestante detido. Eles foram logo me dizendo: “Acabou o diálogo, olha o tipo de pessoa que vocês trazem pra manifestação”. Aí, um policial jogou spray de pimenta no rosto de um manifestante que estava questionando a detenção.
O que a gente viu em seguida foi uma ação quase que irracional — aliás, muito racional para dispersar a manifestação — de todos os policiais, que passaram a atirar bombas e balas de borracha no meio da manifestação. Engraçado que o discurso deles era de que a gente precisava liberar uma faixa de trânsito, porque eles estavam ali para nos proteger e não queriam que fôssemos agredidos pelos carros. Só que os próprios PMs nos agrediram.
Viomundo: O que te impressionou mais?
Nina Cappello: A perseguição aos manifestantes que começou no centro da cidade após a dispersão, ou seja, o ato público já havia acabado . Em alta velocidade, carros de polícia passaram a percorrer o trajeto da manifestação – Praça da República – Câmara Municipal – Teatro Municipal –, em busca de pessoas que viram no ato.
Viomundo: A manifestação já não havia acabado?
Nina Cappello: Tinha. Mas dois grandes enquadros absolutamente casuais foram feitos após o final da manifestação.
Viomundo: O que é um enquadro?
Nina Cappello: A polícia para a pessoa para revistar. A manifestação já tinha acabado e a PM parou, aleatoriamente, dois grupos de manifestantes para revistar. Aí, 30 foram detidos. Nós chegamos a nos concentrar novamente na Xavier de Toledo, para prosseguir até a Câmara dos Vereadores, que era o local definido como final do ato, mas voltamos para tentar impedir um enquadro.
Infelizmente o resultado foi outro. Mesmo com pontos de ônibus lotados, mais bombas e balas de borracha foram lançadas, além de agressão física direta àqueles aqueles que entravam nos locais próximos para se proteger. Todos os detidos foram levados para o 3º Distrito Policial para averiguação. O despreparo da Polícia Militar nas detenções e na recusa de diálogo ficou evidente.
Viomundo: Mas vocês derrubaram um “posto de observação” da PM e quebraram vidros da loja de uma galeria?
Nina Cappello: A repressão teve início antes desses incidentes. Eles ocorreram quando o pessoal estava fugindo das bombas. Evidentemente não defendemos tais atitudes, mas elas foram reflexo da revolta com a repressão após a manifestação. É bom ressaltar que as armas utilizadas pelos policiais são absolutamente inapropriadas. Por exemplo, o gás pimenta é proibido contra civis pela Convenção de Genebra. Mas, aqui no Brasil, é largamente utilizado em manifestações públicas. As bombas de efeito moral, que deveriam ser lançadas, no mínimo, a 30 metros das pessoas, foram jogadas no meio da manifestação.
Viomundo: Olhando as fotos, vi policiais sem identificação. Isso é normal?
Nina Cappello: Policiais não podem andar sem identificação. Pela nossa experiência, quando os vemos tirando a identificação ou sem ela, já sabemos que provavelmente haverá repressão. Ficar sem identificação é o primeiro passo. Isso dificulta as nossas denúncias, pois a Corregedoria da PM não toma nenhuma atitude se não identificarmos os policiais agressores. Aliás, a maioria dos policiais que agrediram estava sem identificação.
Isso sem falar que várias pessoas que estavam fotografando a manifestação foram obrigadas, pelos policiais, a apagar as imagens. Um dos detidos teve seu cartão de memória esvaziado. É uma pena tanta disposição para reprimir uma manifestação cuja causa diz respeito a todos nós.
A volta de Baby Doc | Brasilianas.Org
Enviado por luisnassif, seg, 17/01/2011 - 08:33
Para perplexidade geral, "Baby Doc" Duvalier, ex-ditador do Haiti e filho do infame "Papa Doc", retornou ao Haiti neste domingo:
http://www.reuters.com/article/idUSN1620227420110116
Sabe-se lá que tipo de "democracia" os EUA estão cozinhando para o Haiti...
Por Nilson Fernandes
Ex-ditador "Baby Doc" retorna ao Haiti, após 25 anos de exílio na França
Centrais sindicais discutem reajuste do salário mínimo paulista com governo estadual
Representantes das centrais sindicais CTB, CUT, CGTB, FS, NCST, UGT e Conlutas participaram nesta quinta-feira (13), de um café da manhã com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e o secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho, Davi Zaia, que teve como tema principal o reajuste do salário mínimo regional.

Alckmin evitou detalhar o valor para as três faixas do piso regional, que hoje são de R$ 560, R$ 570 e R$ 580. "O piso vai ser discutido e será superior ao processo inflacionário", esquivou-se Alckmin. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que o projeto de lei de reajuste do salário mínimo regional será enviado, "no máximo", à Assembleia Legislativa de São Paulo "no começo de março" e levará em conta a inflação acumulada de 2010.
Para os sindicalistas é importante que ele seja aprovado o mais breve possível e que, a cada ano, esse período seja antecipado até chegar em janeiro (mesma data do reajuste nacional).
Na opinião de Pascoal Carneiro, secretário-geral da CTB Nacional, que participou do encontro e viu a iniciativa com “bons” olhos, é importante que o salário seja reajustado acima da inflação. “Se ele for reajustado acima da inflação do período certamente ficaria acima dos R$ 600,00”, destacou Carneiro.
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) foi de 6,47% em 2010. Desde o início dessa semana, as centrais sindicais fazem esforço concentrado para pressionar para um reajuste dos vencimentos regionais em encontros com governadores. A estratégia é também pressionar o governo federal a elevar o mínimo, que foi fixado em R$ 540 desde o dia 1.º de janeiro, para R$ 580.
Durante a reunião, o governador de São Paulo apresentou as diretrizes de governo e prometeu manter um canal de diálogo - nunca antes aberto -, com o movimento sindical. Garantiu que irá discutir perdas salariais e tirar do papel um projeto que cria um Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, espaço de discussões entre empresários, trabalhadores e representantes do terceiro setor. Seguindo o exemplo do governo federal.
Presente no evento, Salaciel Vilela, secretário-geral adjunto da CTB, acredita que a mudança de postura do governo estadual é resultado da derrota nas últimas eleições presidenciáveis. “Eles nunca tiveram um canal de interlocução com o movimento sindical. É uma iniciativa positiva, já que vamos discutir entre outros temas a profissionalização dos trabalhadores no Estado, a agricultura familiar, além do piso regional”, afirmou Vilela.
Agora as centrais e o secretário Davi Zaia, que já foi sindicalista, voltam a se reunir no máximo até o início do mês de fevereiro para negociar o índice de reajuste do mínimo. O objetivo é enviá-lo para Alesp o mais breve possível.
Portal CTB (Foto: Alessandro Rodrigues - assessoria CGTB)quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Missas de 30° dia de falecimento de José Freire da Silva - Louro - Deda - 16 de janeiro
Ceará


Distrito Federal
Brasília - Santuário de S. Francisco – às 20h00
Sobradinho - Capela Nossa Senhora das Graças – Grande Colorado às 19h00
Minas Gerais
Belo Horizonte - Capela de São Francisco Xavier – às 17h00
Tocantins
Araguaína – Paroquia de São Pedro de Alcântara - às 19h00
A família agradece o apoio, as orações recebidas e a presença de todos os amigos e familiares.
Silêncio na Vila Olímpica Elzir Cabral* - Paulo Vinícius
José Freire da Silva - Seu Louro - 1939 - 2010 - Galeria de imagens
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