quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

FHC não leu a planilha de Youssef - Patricia Faermann*, no Jornal GGN - Portal Vermelho

FHC não leu a planilha de Youssef - Portal Vermelho

Enquanto
documentos comprovam o leque de partidos e governos envolvidos no
esquema de corrupção, o ex-presidente insiste em acusar o PT.



Por Patricia Faermann*, no Jornal GGN





FHC não leu a planilha de Youssef.
FHC não leu a planilha de Youssef.


Há duas semanas, o Ministério Público Federal do Paraná emitiu um
parecer à Justiça, informando que o esquema criminoso investigado pela
Operação Lava Jato existe há pelo menos 15 anos na Petrobras. Alguns
dias antes (14), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que
sentia "vergonha" do que estava acontecendo na estatal. Nesta semana, a Carta Capital
divulgou o leque de partidos e governos envolvidos. Agora, na noite
desta terça-feira (2), FHC volta a partidarizar a investigação de
corrupção: "Agora a gente sabe de onde vem o dinheiro que financiou a
máquina petista" nesta eleição, acusou.



O discurso foi alinhado ao do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que na
última semana disparou ataques ao governo de Dilma Rousseff, afirmando
que não havia perdido para um partido político, mas para uma
"organização criminosa".



No dia 14 de novembro, durante um evento do PSDB em São Paulo, o
ex-presidente havia discursado: "A oposição é contra, mas não é contra o
Brasil. É contra os desmandos daqueles que estão governando o Brasil.
Eu não vou falar deles, tenho vergonha como brasileiro, tenho vergonha
de dizer o que está acontecendo na Petrobras".



Entretanto, o PSDB de Aécio Neves e de Fernando Henrique Cardoso
desconsidera que, junto com o vazamento seletivo à imprensa dos
depoimentos cedidos à Polícia Federal, um documento do MPF mostrou que
as investigações são muito mais amplas do que o envolvimento de um único
partido, o PT. Nele, o órgão indicava: "muito embora não seja possível
dimensionar o valor total do dano, é possível afirmar que o esquema
criminoso atuava há pelo menos 15 anos na Petrobras, pelo que a medida
proposta e ora intentada não se mostra excessiva".



Agora, outro vazamento da imprensa foi menos seletivo. A Carta Capital
publicou reportagem com base em uma planilha do doleiro Alberto
Youssef, em que são elencados 747 projetos vinculados a clientes diretos
de construtoras. A conclusão foi que a atuação do doleiro extrapolava
os limites da Petrobras, atingindo outras empresas estatais, órgãos
públicos estaduais, prefeituras e empresas privadas, um esquema que,
segundo a PF, "abrange uma estrutura criminosa que assola o país de
Norte a Sul”.



O atual desafio da Polícia, Ministério Público e Justiça Federal é
desvendar se houve o pagamento de propina a agentes públicos, como
ocorreu na Petrobras, nos projetos citados na planilha. A dimensão dessa
força-tarefa poderá, divulgou a revista, "desnudar o maior esquema de
desvio de dinheiro público da história".



A lista inclui como clientes diretos a Sabesp e Metrô de São Paulo, além
das obras no trecho Sul do Rodoanel, a Copasa de Minas Gerais e outras
estatais de saneamento em Alagoas, Ceará, Maranhão, Rio de Janeiro,
Goiás e Diadema. O empreendimento do governo de Pernambuco, Porto de
Suape, e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, no Nordeste,
ligado ao Ministério da Integração Nacional, também são citados. A Vale,
a Fiat e empresas de Eike Batista são algumas das empresas privadas na
lista.



Além das construtoras alvo da sétima fase da Operação Lava Jato, outras
são apontadas como clientes diretos: Delta Engenharia, Grupo Schahin,
IHS Engenharia, Potencial Engenharia e CR Almeida.



Com a planilha divulgada pela Carta Capital, é possível observar
que as negociações de Youssef iam além do PT e da Petrobras, abarcando
governos municipais e estaduais, além de empresas privadas.



"Caso estejam dispostas a mapear a ação do doleiro, o primeiro passo
sugerido às autoridades da Lava Jato é instaurar um inquérito para cada
obra citada na planilha. Quem sabe assim o país terá pela primeira vez
um panorama da corrupção e suas engrenagens em todas as esferas de
poder", concluiu a reportagem.



Enquanto isso, Fernando Henrique Cardoso diz que agora sabe de onde veio o dinheiro para financiar a máquina petista.



*Jornalista