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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Crise econômica global segue ladeira abaixo

http://www.vermelho.org.br

13 DE MAIO DE 2009 - 15h15

A economia global está perto de superar as dificuldades, à medida que alguns países já apresentam crescimento. Os bancos centrais devem ter estratégias de saída para evitar os riscos inflacionários. Foi o que disseram representantes de bancos centrais na recente reunião bimestral do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) na Basiléia, Suiça. A manifestação de otimismo não tem correspondência com a realidade — os sinais de que a crise econômica global ainda está descendo a ladeira são evidentes.

Por Osvaldo Bertolino



Os bancos centrais fazem um diagnóstico positivo do atual estágio da crise possivelmente para sinalizar aos czares da economia mundial que os alicerces da estrutura financeira não foram abalados. Eles mostram, com essas manifestações, que estão dispostos a se manterem firmemente instalados no leme da economia global, impedindo qualquer mudança de rota mais brusca. As avaliações sobre o resultado da reunião deixam isso absolutamente evidente.

A síntese dessa constatação foi expressada por Jean-Claude Trichet, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), ao recomendar que os bancos centrais devem permanecer em alerta enquanto a “correção dos desiquilíbrios globais” continua e a incerteza rodeia a economia mundial. Segundo ele, ''estamos ainda em águas não navegadas, numa situação absolutamente excepcional desde 9 de agosto de 2007''. Mas o porto seguro está à vista. ''A economia mundial está perto de um ponto de inflexão com algumas (economias ‘emergentes’) tendo superado o ponto de inflexão'', disse Trichet.

Sinais precisam das autoridades monetárias

O presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, disse que China e Brasil foram os ''pontos de otimismo, considerados os sinais de que o mundo pode estar de fato se aproximando do ponto de inflexão, como antecipador do movimento global''. Já o presidente do Banco Central da Arábia Saudita, Muhammed Al-Jasser, qualificou a reunião ''como a mais otimista em um ano entre os bancos centrais''. Mas encaixou a ressalva: a grande questão é se as ''faíscas'' de recuperação são sustentáveis ou não.

Os sinais dessas autoridades monetárias precisam ser lidos com lupa de precisão. O jornal Financial Times, por exemplo, registra que os “frágeis sinais de reviravolta” na economia mundial já levaram a uma alta de 40% no índice de ações globais desde março. Da mesma forma, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne as principais economias, disse que há sinais de ''pausa na desaceleração'' nas principais economias européias e na China.

Pacote de propostas para 2010

A causa desse respiro seria o fato de os bancos centrais em torno do mundo terem cortado as taxas de juros, aliado à injeção de centenas de bilhões de dólares em suas economias — principalmente nos sistemas financeiros — para frear a pior crise dos últimos 70 anos. O ponto é: só isso basta? Evidentemente que não. A grande interrogação está no epicentro da crise, os Estados Unidos. O país continua se contorcendo. A nova estratégia de saída envolve a retomada de compra de títulos públicos, a redução de juros e o reequilíbrio fiscal.

O governo do presidente Barack Obama planeja implementar um corte de impostos de pelo menos US$ 736 bilhões para famílias da “classe média” e de US$ 100 bilhões para negócios ao longo dos próximos dez anos. Esses cortes fazem parte do pacote de propostas do governo para o orçamento de 2010. ''Concedendo cortes de impostos aos pequenos negócios e a famílias de classe média, assim como a investimentos em inovação, estamos investindo diretamente em nossas comunidades, criando novos empregos e colocando nosso país no caminho da recuperação'', afirmou o secretário do Tesouro, Timothy Geithner.

Cresce déficits orçamentário e fiscal

Esses cortes podem ter conseqüências para a economia mundial. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informa que o déficit orçamentário de abril no país foi de US$ 20,91 bilhões. É o maior déficit orçamentário em abril em todos os tempos e o primeiro neste mês desde 1983. Os pagamentos de juros sobre a dívida federal somaram US$ 19,22 bilhões; os gastos militares ficaram em US$ 53,27 bilhões; os da Seguridade Social em US$ 56,65 bilhões; as despesas com benefícios do auxílio-desemprego somaram US$ 10,9 bilhões.

O déficit comercial também aumentou. As exportações caíram 2,4% e as importações recuaram pelo oitavo mês seguido. O déficit comercial subiu para US$ 27,6 bilhões, frente ao dado revisado para cima de US$ 26,1 bilhões em fevereiro. Foi a primeira vez que o déficit comercial expandiu-se em oito meses. Sinalizando que a demanda continua fraca no primeiro trimestre, as importações do país de bens e serviços recuaram 1% em março para US$ 151,2 bilhões, menor nível desde setembro de 2004.

Governo dos EUA ataca em várias frentes

Outro dado que revela a gravidade da crise é a redução, mais uma vez, pela Administração de Informação de Energia (AIE), da estimativa para a demanda mundial de petróleo em 2009, cortando sua previsão anterior em 420 mil barris por dia (bpd), para 83,67 milhões de bpd, o menor nível desde 2004. De acordo com a AIE, a estimativa é de que a demanda mundial por petróleo caia 1,8 milhão de bpd neste ano em relação ao nível de 2008. Nos Estados Unidos, o maior consumidor, a AIE reduziu sua previsão para a demanda neste ano em 140 mil bpd, para 18,85 milhões de bpd.

O governo norte-americano procura atacar em várias frentes. A intenção de endurecer a regulamentação em matéria de concorrência, suprimindo uma disposição adotada pelo governo do ex-presidente George W. Bush que dificultava os processos na justiça contra os grupos em posição de monopólio, é mais um exemplo de tentativa de atingir os fundamentos da crise. Esta disposição, que começou a vigorar em setembro de 2008, ''prejudicava os esforços do governo para coibir as situações de monopólio'', explicou o departamento da Justiça em comunicado.

Governo dos EUA rema contra a maré

A disposição suprimida fora introduzida com base na crença fundamentalista dos neoliberais de que os “mercados” corrigem seus excessos sozinhos, mesmo nas situações de monopólio. ''Os acontecimentos recentes mostram que não podemos depender apenas do mercado para garantir a proteção da concorrência e dos consumidores'', declarou Christine Varney, do departamento da Justiça.

A rigor, pode-se dizer que o governo rema contra a maré. O gigante europeu do aço ArcelorMittal, por exemplo, acaba de anunciar que suspenderá as atividades em parte de sua fábrica de Indiana Harbor, na região de Chicago, afetando cerca de mil trabalhadores diretamente. Na última semana, o Departamento de Trabalho divulgou que os empregadores norte-americanos cortaram 539 mil postos de trabalho em abril. A taxa de desemprego subiu para 8,9%, a maior desde setembro de 1983.

Setores chaves mergulhados na crise

Os setores chaves da economia continuam mergulhados na crise. A GM está a caminho de pedir proteção judicial contra falência ou de fazer uma reestruturação que eliminará atuais acionistas ao inundar o mercado com novas ações para compensar credores. O grupo está avaliando transferir sua sede de Detroit, vender fábricas nos Estados Unidos e renegociar o plano de “reestruturação” com o principal sindicato da empresa, afirmou Fritz Henderson, presidente-executivo da montadora.

Uma eventual decisão da empresa em abandonar Detroit pode representar outro golpe para a economia de uma região já prejudicada pela recuperação judicial da Chrysler e pelo declínio acentuado na produção de automóveis. Sob o atual plano da montadora, apoiado pela força-tarefa do governo norte-americano para o setor, a GM vai cortar outros cerca de 21 mil empregos em fábricas no país. Além disso, a empresa pretende reduzir em 40% o número de suas concessionárias, atualmente cerca de 6.200 nos Estados Unidos, até o final do ano.

Mais sinais de crise no sistema financeiro

Essas decisões têm efeitos multiplicadores. Um deles é a piora dos sistemas de saúde pública e seguridade social. Um relatório divulgado pela Casa Branca revela que o aumento do desemprego fez o setor se aproximar da insolvência. Os administradores dos fundos de pensão informaram que o programa de seguridade social deve esgotar-se em 2037, quatro anos antes do previsto. O fundo de saúde pública se esgotará em 2017. Timothy Geithner afirmou em nota que as novas previsões ressaltam a necessidade de uma ação bipartidária para enfrentar o problema por meio do que chamou de ''mudanças difíceis, porém possíveis''.

O sistema financeiro também emite sinais de que a crise no setor continua forte. Geithner disse que em breve irá propor uma lei para criar um fundo que seja suportado por grandes instituições e possa cobrir os prejuízos dessas companhias se elas falirem. ''Nosso julgamento é que precisa ser uma solução separada onde a responsabilidade do financiamento é assumida pelas grandes instituições em um nível proporcional a seus tamanhos'', disse ele em uma reunião com banqueiros.

O dólar como moeda de reserva mundial

Segundo Geithner, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos planeja reabrir o fundo de resgate de US$ 700 bilhões a bancos pequenos, uma vez que os maiores pagaram de volta ao governo parte do dinheiro recebido. Vários bancos empreenderam esforços para levantar capital, na expectativa de agradar ao governo — que exige um “colchão” mais forte contra uma recessão profunda, ou de provar que são saudáveis o suficiente.

Os Estados Unidos também agem no front externo. O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Ben Bernanke, disse que o dólar será mantido como moeda de reserva mundial e que um “sólido” crescimento da economia norte-americana garantirá o valor da moeda. ''Acho que a questão é se o dólar vai ou não manter o seu valor, e eu acho que vai'', disse Bernanke. Ele sinaliza, com essa declaração, que os Estados Unidos não aceitarão a proposta de um novo sistema de reservas que elimine o dólar.

Ritmo do resto da economia mundial

Essa é uma das recomendações que a comissão nomeada pelas Nações Unidas, e liderada por Joseph Stiglitz, apresentou para ser discutida na reunião de alto nível da ONU para debater a crise financeira, que ocorrerá no início de junho. A discussão sobre o tema interessa principalmente à China, que detém muitos milhões de dólares em reservas. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a China possui as maiores reservas do mundo, seguida de Japão, Rússia, Índia e Taiwan.

O resultado das medidas norte-americanas certamente ditará o ritmo do resto da economia mundial, que também emite sinais desanimadores. Segundo o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, só a China pode surpreender positivamente. A economia chinesa, de fato, tem emitido sinais muito positivos. As vendas no varejo avançaram 14,8% em abril frente a igual mês de 2008. Nos quatro primeiros meses do ano, a produção acumulou expansão de 5,5% na comparação com um ano antes.

China mostra vigor da economia em abril

A China importou um recorde histórico de 57 milhões de toneladas de minério de ferro em abril, alta de 9% em relação há um mês e de 33% ante abril do ano passado, informou a Administração Geral de Alfândegas. Os dados também mostram que a China importou quase 900 mil toneladas de aço bruto, marcando o segundo mês seguido em que a entrada superou a saída no país, que é um exportador de aço desde 2005.

Zoellick ressaltou que grande parte do gasto na China tem vindo do Estado e que a dúvida agora é se o setor privado acompanhará o movimento. Um dado que merece atenção é o fato de as exportações chinesas caíram 22,6% em abril em ritmo anual, recuando pelo sexto mês consecutivo. Já as importações recuaram 23%. O superávit comercial do mês foi de US$ 12,9 bilhões, comparado a US$ 18,56 bilhões em março e a US$ 4,84 bilhões em fevereiro — mostrando o vigor interno do país.

A Europa na geografia mundial da crise

Trata-se de um movimento observado de perto pelos Estados Unidos, que têm interesses em uma abertura comercial ampla a fim de ajudar na resolução de seus problemas internos. O representante comercial norte-americano Ron Kirk disse que os grandes países “emergentes” — como China, Índia, Brasil e África do Sul — devem se empenhar mais na abertura de seus mercados para garantir um novo acordo comercial global, após dois dias de intensas negociações com seus interlocutores na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A Europa é outro ponto que precisa ser acompanhado de perto na geografia da crise econômica global. O FMI acaba de recomendar que os bancos europeus realizem “testes de estresse” similares aos feitos nos Estados Unidos. Os “testes” deverão ser realizados por supervisores nacionais, de acordo com diretrizes e metodologia padrão do comitê dos supervisores bancários europeus (CEBS, na sigla em inglês).

Déficit orçamentário da Alemanha

Enquanto não sai os “testes de estresse”, a economia da região mergulha cada vez mais fundo na crise. O governo alemão acaba de aprovar um plano para ''bancos ruins'' a fim de diminuir os ativos podres, alargando o déficit orçamentário. O déficit do país, tido por muito tempo como a “locomotiva” da economia européia, deve saltar para cerca de 6% do PIB no próximo ano e resultar em uma ação “disciplinatória” por parte da Comissão Européia.

A relação dívida/PIB deverá aumentar para cerca de 80% nos próximos dois anos, em resultado de uma menor receita e de um gasto maior no combate à crise global. ''Veremos um aumento do déficit nos próximos anos. Ele ficará na faixa dos 6% (do PIB) em 2010. E em 2009, ficaremos significativamente acima do nível de 3% (exigido pelo Tratado de Maastricht, a base teórica da economia da zona do euro)'', disse o Bundesbank, o banco central alemão. O governo alemão prevê um défitit de 3,9% do PIB neste ano e a Comissão Europeia estima um saldo negativo de 5,9% no próximo.

Brasil certamente será duramente atingido

Na economia real, as notícias também são péssimas. A produção industrial da zona do euro caiu 2% em março sobre fevereiro e despencou 20,2% ante igual mês de 2008, novo recorde de baixa, informou a agência de estatísticas Eurostat. A economia da Letônia desabou assustadores quase 30% no 1º trimestre. E o PIB da Islândia, um dos países mais atingidos pela crise mundial, sofrerá contração de impressionantes 10,6% em 2009.

Esses números dão razão aos prêmios nobéis de Economia Edward Prescott e Joseph Stiglitz, que previram uma “década perdida” mundial. E o Brasil certamente será duramente atingido — principalmente devido à reversão do curso do capital e à retração do comércio mundial, segundo Stiglitz. ''Mesmo assim, o Brasil está em uma posição de vantagem'', ponderou. Ele cita a melhor regulação do sistema bancário do país e as políticas monetárias de controle da inflação como fatores de resistência da economia brasileira.

Dúvidas sobre a política macroeconômica

Além disso, o fato de o país ser menos dependente do comércio mundial, já que ainda tem pequena participação no mercado global, também pode colaborar para a retomada do crescimento. ''O Brasil acertou, pois hoje tem espaço para cortar as taxas de juros e avançar'', completou Stiglitz. Edward Prescott concordou com o diagnóstico ao dizer que os “fundamentos macroeconômicos” são “sólidos”.

Resta saber se a política macroeconômica brasileira se ajustará às necessidades da economia real. Na reunião dos bancos centrais, Meirelles disse que a estratégia de saída da crise passará por acabar com os empréstimos pelas reservas, acabar com as isenções fiscais que foram dadas na crise atual e voltar já em 2010 ao superávit primário de 3,8%, comparado aos 2,5% atualmente.

Empresários tentam tirar proveito da crise

É, por assim dizer, a contradição fundamental que o Brasil terá de enfrentar. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, o país já está em recessão técnica, com dois trimestres consecutivos de queda do PIB. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse o problema do primeiro trimestre se deve a alguns empresários que tentam tirar proveito da crise.

Ele explicou que o país tinha 300 mil automóveis estocados, mas as empresas optaram em parar a produção e vender o estoque. “Quando fizemos a isenção do IPI, a indústria voltou a produzir e o brasileiro teve que entrar na fila para comprar um carro. Em vez de produzir, fizeram a opção de desovar o estoque, e assim vale para várias cadeias produtivas no país. Por isso tivemos um primeiro trimestre muito delicado'', disse.

Final da Copa do Mundo de 1958

O presidente afirmou também que tem chamado a atenção dos empresários para prestarem atenção em uma coisa: “É uma crise em que temos que provar quem é ousado e vai fazer as coisas na hora certa. Não é para ficar lamentando. Em qualquer atividade tem momentos de pico para cima e para baixo. Quando acabar a crise, não podemos começar do zero a fazer as coisas.''

Lula lembrou da final da Copa do Mundo de 1958, quando Didi colocou a bola debaixo do braço e andou calmamente até o centro do campo logo após o gol da Suécia, que abriu o placar. ''O Brasil tem que fazer isso, a lição de casa. Não vamos falhar'', disse o presidente, depois de lembrar que a seleção virou o jogo e venceu por 5 a 2. Em bom futebolês, resta perguntar: combinamos com os russos?

Com agências internacionais

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