O Sindicato convoca toda a categoria para a apresentação e deliberação da proposta de plano orçamentário para o exercício financeiro de 2010. Será na próxima quinta, dia 10, na sede do Sindicato, às18h30, em primeira convocação, e às 19h, em segunda e última convocação.
“A assembléia orçamentária é importante para a gestão democrática e transparente do Sindicato. Ela permite o conhecimento e a análise de como será aplicado o dinheiro da categoria em defesa dos interesses de todos os bancários”, frisou o secretário de Finanças da entidade, Raimundo Félix.
Artigo: Federação Sindical Mundial aposta alto na juventude - no sítio da CTB ou no Vermelho - Paulo Vinícius Intervenção Especial da CTB na I Conferência Internacional: Os objetivos de Luta da Juventude Sindicalista - Paulo Vinícius (em breve)
DECLARAÇÃO FINAL
1º CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DA JUVENTUDE SINDICALISTA
Lima - Peru, 18 a 20 de novembro 2009
Respondendo ao chamado da Federação Sindical Mundial (FSM) e da Confederação General de Trabalhadores do Peru (CGTP), realizou-se em Lima a 1.ª Conferência Internacional da Juventude Sindicalista, de 18 a 20 de Novembro de 2009, ano do 50º aniversario da Revolução Cubana. Com 32 organizações de 25 países, reunimo-nos mais de 250 sindicalistas da América, África, Europa, Oriente Médio e Ásia, e declaramos:
No começo do Século XXI o mundo segue vítima de uma ordem econômica e política injusta, excludente e espoliadora que conduz o planeta à sua própria autodestruição, ameaçado agora pelo aquecimento global que ocorre simultaneamente à maior crise da história do capitalismo.
Nesse contexto, os jovens trabalhadores somos as primeiras vítimas da desregulamentação trabalhista propiciada pela globalização imperialista. Os resultados são alarmantes: milhões de jovens desocupados, subempregados ou com trabalho em condições de semi-escravidão, sem acesso à saúde nem previdência social, persiste o trabalho infantil, os emigrantes são vítimas do desamparo e de perseguições. Em suma, toda uma geração de jovens trabalhadores em ruína material e espiritual, sem nenhum futuro promissor.
As leis e os valores ideológicos e culturais de um modo de vida que agiganta o individualismo e a violência são impostos em nossas sociedades. Não se trata apenas da injustiça de que uma minoria concentre uma proporção enorme da riqueza enquanto massas empobrecidas apenas podem sobreviver. É que o sistema hegemônico opera como uma máquina de extermínio social a que pouco importa o destino dos excluídos, muito menos seus valores e culturas, suas identidades e comunidades, submetidos ao imperativo do mercado.
Ante os transcendentais avanços tecnológicos do mundo de hoje, os jovens atuam em processos que mudaram a composição da classe trabalhadora. Os capitalistas demandam um “novo profissional”, que tenha iniciativa, consciência crítica e capacidade para melhorar o processo produtivo, que trabalhe em equipes e tenha compromisso com os resultados coletivos, domínio de idiomas, filosofia, constante capacitação etc. Mas apenas para servir melhor o mercado e não para contribuir com a mudança econômica, social e política que requerem nossos países.
Como aceitar tais exigências que significam apenas o aprofundamento da
alienação quando o sistema - que só atua em função dos interesses do capital – ao mesmo tempo em que exige mais de nós, destrói nossos sonhos de juventude, discrimina-nos e nos separa por nossa condição de migrantes, por nosso modo de vestir, falar e até por nossa opção sexual? É justo que acatemos tais exigências quando somos submetidos a humilhantes e injustas discriminações entre ricos e pobres, entre distintos grupos étnicos, entre homens e mulheres, entre zonas rurais e urbanas e até entre regiões relativamente prósperas e atrasadas dentro de uma mesma nação?
Expressamos nossa convicção de que a evolução da ciência e do conhecimento tecnológico devem estar ao nosso serviço assim como o exige a Federação Sindical Mundial (FSM). Essa histórica Federação que nunca se aliou às empresas transnacionais ou aos governos que encobrem políticas predatórias, que jamais se curvou aos reveses da história, e que apesar das dificuldades, manteve-se firme na luta, legando à nossa geração a autêntica solidariedade operária.
A FSM tem se fortalecido desde seu 15º Congresso Sindical Mundial, celebrado em 2005 em Havana, como foi demonstrado por este exitoso encontro. Conscientes da preparação do 16º Congresso, aspiramos a que ele seja um espaço fundamental para debater as conclusões dessa I Conferência. Acreditamos que impulsionará o movimento sindical juvenil, analisará e proporá políticas específicas para a juventude trabalhadora, contribuirá para atualizar nossas lutas e aumentará nossa integração ao movimento sindical, além de conscientizar a juventude das justas posições da FSM.
O apoio decidido dado à nossa Conferencia pela FSM tornará possível em seu 16º Congresso intensificar nossa ação, e que mais jovens trabalhadores compreendam o desenvolvimento social em termos classistas, relacionando nossos problemas individuais à luta coletiva e unitária.
Globalizemos a luta, globalizemos a esperança!
A América Latina, aonde se realiza esta I Conferência, vive uma mudança de época, com avanços democráticos e vitórias das forças progressistas que há que defender e aprofundar. A resposta dos retrógrados, incrustados no governo imperial estadunidense, com o apoio de seus aliados, é impedir a autodeterminação dos povos, inclusive pela força, mostrando que não mudam. Seu regime fracassado não tem mais nada a oferecer, só lhes restando a dominação, a coação, a opressão, a ameaça, a agressão, a imposição da guerra.
Em Honduras se luta heroicamente contra este modelo do império. A resistência desse povo é uma inspiração. Sim, é possível defender nossos direitos e soberania ante as hipócritas e traiçoeiras manobras do governo estadunidense e dos oligarcas para burlar a vontade popular e o desejo da comunidade internacional. Uma vez mais, como disse Che Guevara, dizemos : “no imperialismo não se pode confiar nem um tantinho assim”. Exigimos a imediata e incondicional restituição do governo legítimo de Manuel Zelaya !
Estão desmascaradas as tentativas de dar ao imperialismo estadunidense um rosto humano. Os fatos reafirmam a mesma agressividade e o caráter guerreirista e antipopular que tem caracterizado o governo estadunidense e seus aliados, inclusive com volta de privatizações, como no caso da eletricidade e energia da Cidade do México. As bases militares dos EUA na Colômbia e a volta da Quarta Frota - tão próximas da Venezuela - constituem, como disse o companheiro Fidel, “um punhal cravado no coração de Nossa América”. Por isso os trabalhadores e nossos povos ampliamos a resistência.
No Peru também se dão importantes batalhas em defensa dos direitos dos trabalhadores e contra a política de fome, entreguista e autoritária do governo de Alan García. A CGTP, histórica central fundada por José Carlos Mariátegui, que nos acolheu tão hospitaleiramente, tem sustentado com firmeza e maturidade, com organização e convicção, a batalha por reverter as políticas e leis antipopulares dos governos neoliberais. A 1º Conferência expressa sua solidariedade com os trabalhadores da agroindústria, portuários, de tecidos e confecções, mineiros, maestros e da construção civil etc., que lutam por seus justos direitos reivindicações.
A guerra, promovida com arrogância imperial, atinge com seu terrível impacto ao Iraque e Afeganistão. Pressiona-se o Paquistão, o Irã e o Sudão, persistem as provocações na península coreana, enquanto se protege Israel nos seus crimes contra o sofrido povo palestino, ao mesmo tempo em que se criminaliza sua legítima luta por um estado independente e soberano.
O imperialismo da União Européia e as decisões da Estratégia de Lisboa, Bolkenstein etc. reforçam os monopólios e as multinacionais contra os direitos dos trabalhadores e atua através da OTAN nas guerras contra os povos. Tentam criar antagonismos entre os trabalhadores, promovendo a discriminação contra os imigrantes, a xenofobia e o racismo. E ainda persiste a ocupação e a divisão de Chipre pelo imperialismo.
Ademais, seria razão de riso se não fosse pelo dramático da situação, que haja quem celebre os vinte anos da queda do Muro de Berlim, como se isso tivesse aberto una época mais feliz para a humanidade, enquanto se calam ante os muros de hoje na Palestina, no México, os muros da exploração do homem pelo homem.
Na Ásia, o povo nepalês luta pelo êxito do processo de paz e pelo estabelecimento de uma constituição que garanta o poder popular e a melhora da vida do povo.
A JUVENTUDE É O FUTURO DO SINDICALISMO DE LUTA COM PRINCÍPIOS DE CLASSE
Os participantes da I Conferência Internacional da Juventude Trabalhadora
consideramos que a atual ordem econômica e política nega os mais elevados valores concebidos ao longo da historia e submetem a juventude a uma alienação brutal. Eles querem uma humanidade indiferente, uniforme, sem aspirar a um futuro melhor.
Nós, jovens trabalhadores, resistimos a tais pretensões e lhes opomos nossas convicções e princípios que historicamente animaram as lutas dos trabalhadores. Levantaremos mais alto que nunca nossas idéias de quem busca uma sociedade superior, de justiça para o povo.
Por isso, lutamos:
Pela Paz, pois a humanidade é una. À hipocrisia da globalização da barbárie e à rapina capitalista oporemos a globalização da solidariedade. Não à guerra e ao imperialismo!
Pelo nosso planeta, enfrentaremos a contaminação gerada pelas empresas transnacionais que em sua busca cega de lucro nos conduzem à autodestruição.
Pelo direito ao emprego e pela redução da jornada de trabalho sem diminuição de salário. Pelo fim da precarização do emprego e dos contratos. Ninguém é ilegal.
Pelo direito da juventude à educação e ao trabalho com direitos e pelo direito à saúde.
Pela autonomia sindical que não é neutralidade, mas a afirmação dos interesses da classe. Pela liberdade de organização sindical com características juvenis. Pelo impulso à filiação sindical e a renovação geracional do nosso movimento.
A juventude trabalhadora diz como nos ensinou Mariátegui: “o proletariado não ingressa na história politicamente senão como classe social, no instante em que descobre sua missão de edificar uma ordem social superior”.
A JUVENTUDE ACREDITA NO FUTURO. OUTRO MUNDO, SOCIALISTA, É POSSÍVEL! CONQUISTÁ-LO, CONSTRUÍ-LO, PRESERVÁ-LO, É A BATALHA HISTÓRICA ANTE OS JOVENS TRABALHADORES!
Lima, Peru, 20 de novembro de 2009.
Assinam:
Argentina - Sindicato Judicial de la Província de Salta - Central de Trabajadores de la Argentina (CTA)
Argentina - Asociación de Empleados Judiciales de Buenos Aires - Central de Trabajadores de la Argentina (CTA)
Bolivia - Confederación Sindical de Trabajadores en Construcción de Bolivia (CSTCB)
Brasil - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - (CTB)
Brasil - Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB)
Brasil - Nova Central Sindical dos Trabalhadores - Minas Gerais
Brasil - Federação Democrática Internacional das Mulheres (FDIM)
Chipre - Pancyprian Federation of Labour (PEO)
Colombia - Sindicato de Trabajadores de la Empresa de Teléfonos de Bogotá (SINTRATELEFONOS)
Congo - C.T.P SYNDICAT
Cuba - Central de Trabajadores de Cuba (CTC)
Cuba – Federación Sindical Mundial - Región América
Equador - Federación Provincial de Trabajadores de Tungurahua (FPTT-CTE)
Egito - Egypetian Trade Union Federation (ETUF)
França - Fédération Nationale des Industries Chimiques de la Confédération Générale du Travail (FNIC-CGT)
França - Unión Internacional de Sindicatos de Trabajadores de la Agricultura, Alimentaciòn, Comercio, Textil e
Industrias Aliadas (UISTAACT)
Grécia - All Workers Militant Front (PAME)
Honduras - Federación Unitaria de Trabajadores de Honduras (FUTH)
Hungria - World Federation of Democratic Youth (WFDY)
Índia - Centre of Indian Trade Unions (CITU)
Marrocos - l’Organisation Démocratique du Travail (ODT)
México - Sindicato Único de Empleados de la Universidad Michoacana (SUEUM)
México - Frente de Trabajadores de la Energía (FTE)
Nepal - All Nepal Federation of Trade Unions (ANTUF)
Nicaragua - Movimiento Cumbre por la Paz
Nigeria - National Union of Air Transport Employees (NUATE)
Panamá - Central Nacional de Trabajadores de Panamá (CNTP)
Peru - Confederación General de Trabajadores del Perú (CGTP)
Portugal - Confederación General de Trabajadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP-IN)
África do Sul - Chemical, Energy, Paper, Printing, Wood and Allied Workers' Union (CEPPWAWU)
A principal manchete do jornal O Estado de São Paulo deste domingo acusa: “UNE é suspeita de fraudar convênios”. Em toda a página de abertura do caderno, o jornal julga: “a UNE fraudou convênios, forjou orçamentos”. Categoriza-nos de “aliados do governo” e afirma: “a organização estudantil toma dinheiro público, mas não diz nem quanto gastou nem como gastou”.
A afirmação “UNE é suspeita” não veio de nenhum órgão de polícia ou de controle de contas públicas, é uma afirmação de autoria e responsabilidade de O Estado de São Paulo. A principal acusação é de um orçamento de uma empresa não localizada, que aparece numa previsão orçamentária. De resto, outro orçamento de uma empresa que funciona num pequeno sobrado e especulação sobre convênios que ainda não tiveram suas contas aprovadas.
O fato é que a UNE nunca contratou nenhuma das duas empresas, apenas fez orçamentos, ao contrário do que a matéria, de modo ladino, faz crer. Sobre os convênios, o jornal preferiu ignorar as dezenas de convênios públicos executados pela UNE nos últimos anos – todos absolutamente regulares. Ignora também os pedidos de prorrogação de prazos feitos aos convênios citados, procedimento usual e que não tem nada de ilícito.
A diferença no peso dado a duas notícias na capa desta mesma edição evidencia mais ainda suas opções. Com muito menor destaque, denuncia os vídeos e gravações de um escândalo de compra de parlamentares, operadas pelo próprio governador do Distrito Federal. Apenas a penúltima página do caderno trata do escândalo, imperceptível sob a propaganda de um grande anunciante do jornal. Uma pequena fotografia mostra os R$100 mil que foram anexados ao inquérito divulgado pela Polícia Federal. A matéria, em tom jornalístico, não acusa. Pelo contrário, diz que os vídeos, “de acordo com a investigação”, revelam um suposto esquema de corrupção. Talvez o jornalista não tenha assistido às gravações...
Há pelo menos 17 anos este jornal não oferecia à União Nacional dos Estudantes uma manchete desta proporção. A última acontecera no Fora Collor. A hipocrisia da sua linha editorial precisa ser repudiada. Não apenas como esforço de defender a UNE das calúnias, mas para desmascarar os seus reais objetivos.
O principal deles é a desqualificação e criminalização dos movimentos sociais. O MST enfrenta um destes momentos de ataque, seja através da CPI recriada no Congresso pelos ruralistas, seja através da sistemática campanha que procura taxá-lo como “criminoso” para a opinião pública. As Centrais Sindicais sofrem a coerção econômica do patronato, policialesca do sistema judicial, e a injúria de parte da grande mídia. A UNE, que acaba de construir o congresso mais representativo dos seus 72 anos de vida, foi tratada como governista, vendida, aparelhada e desvirtuada de seus objetivos pela maioria das grandes rádios, jornais e revistas.
A grande imprensa oscila entre atacar os movimentos sociais ou ignorá-los - como fez recentemente com a marcha de mais de 50 mil trabalhadores reunidos em Brasília reivindicando a redução da jornada de trabalho. Este jornal, por exemplo, não achou o fato importante a ponto de noticiá-lo.
As organizações populares e democráticas devem ter energia para reagir prontamente. É fundamental que o façam de maneira unificada, fortalecendo-se diante dos interesses poderosos que enfrentam. Que fique claro: o setor dominante tenta impedir as profundas transformações que estas organizações reivindicam e que são tão necessárias à emancipação do povo brasileiro e à conquista da real democracia no país.
A manchete do Estadão evidencia também a maneira como a grande mídia trata o problema da corrupção no Brasil: como instrumento de luta política por seus objetivos e com descarado cinismo. Seja pela insistente campanha para desconstruir no imaginário popular a crença na política e no Estado, ou pelas escolhas que faz ao divulgar com destaque desproporcional irregularidades que envolvem aliados ou adversários, criando ou abafando crises na opinião pública.
Na verdade, pouco fazem para enfrentar os verdadeiros problemas da apropriação privada daquilo que é público. A UNE, pelo contrário, sempre levantou a bandeira da democracia. Alguns de nossos mais valorosos dirigentes deram a vida lutando por ela. E afirmamos com veemência: a UNE trata com absoluta responsabilidade os recursos públicos que opera e os aplica para atividades de grande interesse da sociedade.
Às vésperas da primeira Conferência Nacional de Comunicação, o movimento social deve intensificar a luta pelos seus direitos. O enfrentamento à despótica posição da mídia brasileira é um dos grandes desafios que o país terá na construção da democracia que queremos.
O movimento social brasileiro vive um momento de grande unidade, que pode ser visto pela sólida relação entre as Centrais Sindicais e pelo fortalecimento da Coordenação dos Movimentos Sociais. Não à toa, a UNE foi mais uma vez atacada. “Saibam que estamos preparados para mais editoriais, artigos, comentários e tendenciosas ‘notícias’”, afirmei em artigo publicado no dia 24 de julho, apenas cinco dias após a realização do nosso 51º Congresso. Os meses que se passaram não tornaram a afirmação anacrônica. Pois que todos saibam que a UNE não transigirá um milímetro de suas convicções e disposição de luta por um Brasil desenvolvido e justo.
El presidente de Brasil, Luiz Inacio Lula da Silva, expresó en la XIX Cumbre Iberoamericana en Estoril, Portugal, que "no hay nada que repensar" en relación a Honduras y por lo tanto su gobierno no reconocerá las ilegítimas elecciones como "un intento de blanqueamiento" de un golpe de Estado.
El régimen de golpista de Honduras ha inflado los resultados de las elecciones ilegítimas celebradas el día domingo, los cuales posteriormente han sido anunciados por el Tribunal Supremo Electoral (TSE), según denunció la madrugada de este lunes el presidente constitucional de ese país centroamericano, Manuel Zelaya.
Vídeo mostra governador do DF recebendo dinheiro da Folha de S.Paulo, em Brasília
A Folha teve acesso neste sábado (28) a cinco DVDs, entre os quais um que mostra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), recebendo dinheiro. O vídeo foi feito pelo então presidente da Codeplan (empresa do DF), Durval Barbosa, que era, até sexta-feira, secretário de Relações Institucionais de Arruda.
O secretário de Ordem Pública do DF, Roberto Giffoni, nega que o dinheiro seja propina. Seria uma colaboração recebida, em 2005, pelo então deputado José Roberto Arruda para financiar ações sociais, entre as quais a compra de panetones e brinquedos, alega.
PT do DF deve apresentar pedido de CPI para investigar governo local Câmara DF só se manifesta após conhecer processo Alvos de investigação já foram denunciados por corrupção
No vídeo de 30 minutos e 31 segundos, Arruda recebe um maço de notas de Barbosa. "Deixa eu pegar um negócio antes que eu me esqueça", diz Barbosa para Arruda que logo em seguida aparece com o um maço de dinheiro. "Ah, ótimo. Me dá uma cesta, um negócio", diz o governador.
Em seguida, Barbosa aparece com um envelope pardo onde o maço é guardado. Depois entra na sala uma pessoa chamada de Rodrigo e pega a sacola. A Folha obteve informação que trata-se de Rodrigo Arantes, filho adotivo de Arruda. No vídeo, Arruda e Barbosa conversam sobre a campanha. Os outros vídeos mostram Barbosa manuseando dinheiro. O assessor de imprensa Omézio Pontes também aparece num outro vídeo recendo grande quantia de dinheiro. Arruda é o centro das investigações da operação Caixa de Pandora, deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira, quando foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão de equipamentos, dinheiro e documentos em Brasília, Goiânia e Belo Horizonte.
Diante das recentes denúncias de corrupção no GDF que, a partir de uma ação do Ministério Público, levaram a Polícia Federal a cumprir mandados de busca e apreensão em residências de membros do executivo e gabinetes da Câmara Legislativa,
a Ed. Venâncio V, entrada pelo estacionamento atrás do CONIC.
A intenção é socializarmos informações e discutirmos uma proposta de ação conjunta dos movimentos sociais.
A “Folha” levou 18 anos para publicar a história sobre o filho que FHC teve com uma jornalista da Globo, enquanto estava casado com Dona Ruth.
O Cesar Benjamim - ex-militante petista – levou 15 anos para “lembrar” de uma história que teria ouvido de Lula: em 1994, o então candidato a presidente pelo PT teria contado que ele (Lula) tentou molestar sexualmente um colega de cela quando esteve preso em 1980.
O que os dois fatos têm em comum?
Tudo a ver.
Esgoto escorre nas páginas do jornal de “Otavinho”; outro que usa diminutivo, “Cesinha”, ajudou a fazer o serviço
Por coincidência, o artigo em que “Cesinha” (agora compreendo o diminutivo que ele carrega há tanto tempo no nome) conta essa história sobre Lula foi publicado (advinhem?) justamente na “Folha”.
Levantei algumas hipóteses. A terceira era: 3) Fator denúncias contra o PT. Essa é a teoria já exposta no blog do Eduardo Guimarães - http://edu.guim.blog.uol.com.br/. A idéia é que a (ex) grande imprensa já teria na mão dossiês contra Dilma. Revelar, agora, o filho fora do casamento de FHC seria uma forma de mostrar “isenção”. Na hora que aparecesse denúncia contra Dilma, ninguém poderia acusar a mídia de perseguir o PT. A diferença é que Dilma é candidata em 2010, e FHC só teve o filho revelado 8 anos depois de sair do poder.
Errei num detalhe: o foco não era Dilma, mas Lula mesmo.
A história sobre o filho de FHC foi uma espécie de antídoto preventivo. Ao chamar Lula de “molestador sexual”, usando (corajosamente, característica dos Frias) um terceiro pra fazer o ataque, a “Folha” não pode ser acusada de “parcialidade”, afinal publicou também a informação sobre o tucano.
Hum…
Detalhe: o filho de FHC existe. Mora no exterior. A revista “Caros Amigos” contou há dez anos a história completa.
Já a história do “Cesinha” é só uma história. Onde está o rapaz que teria sido molestado por Lula em 1980? Vocês acham que esse rapaz (ou um rapaz qualquer que cumpra o papel) vai aparecer nas páginas da “Folha” ou da “Veja”? Ah, a campanha de 2010 será linda.
Mas a “Folha” abriu hoje três páginas para falar (mal) do filme sobre Lula: “O Filho do Brasil” (FHC, parece, também ele é um especialista em “filhos do Brasil”).
Quem conhece um pouco como funciona o jornalismo sabe que o objetivo das três páginas era dar “peso” para a informação que apareceu ali pelo meio do artigo de “Cesinha”. Nada mais interessava aos Frias, só a informação sobre o Lula “molestador”.
Ora, uma informação dessas (se verdadeira) mereceria manchete, não acham? Por que foi publicada desse jeito, no meio de um artigo?
Porque uma manchete deixaria tudo muito explícito. O artigo na “Folha” é só parte do script, tenham certeza…
De outro lado, uma informação dessas, se falsa, deveria ir parar no lixo, no esgoto…
Bem, na verdade, foi o que aconteceu. Há algum tempo é esgoto jornalístico o que corre pelas páginas do jornal da família Frias. Nessa vala mal-cheirosa cabem: ficha falsa de ministra, editorial louvando a “ditabranda”, ataques descabidos a professores respeitáveis (Benevides e Comparato) que criticaram a “ditabrabanda” da “Folha”.
Último detalhe: na edição desta sexta-feira, a “Folha” simplesmente “escondeu” a notícia sobre denúncia do Ministério Público Federal. Os procuradores Weichert e Favero querem que Paulo Maluf, Romeu Tuma e outras autoridades da época da ditadura sejam responsabilizados pelo crime de ocultação de cadáver – http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=23189. A notícia (no jornal) apareceu “perdida” lá pela página 13, sem destaque nenhum, ao lado de um anúncio de turismo…
A “Folha” esquece os crimes da ditadura da qual foi parceira. Crimes concretos, abomináveis. Há mortos, desaparecidos. Há impunidade daqueles que foram sócios da “Folha” no apoio à ditadura.
Mas a “Folha” abre espaço para o “Cesinha” fazer o serviço sujo.
A “Folha” já abriu manchete para o sequestro (de Delfim) que não houve (o objetivo da matéria era atingir Dilma, lembram?). Agora, abre discretamente espaço para o “ataque sexual” que não houve.
Sobre os crimes de verdade, sobre os mortos e desaparecidos, sobre os torturadores, nenhum pio. Até porque a “Folha” teria que explicar porque os carros do jornal eram sempre vistos em frente à OBAN (centro de torturas em São Paulo).
Curiosamente, o “Cesinha” conta no tal artigo desta sexta-feira que escapou de ser abusado sexualmente por presos comuns quando esteve preso durante a ditadura. Ainda bem. O “Cesinha” foi vítima dos crimes abomináveis cometidos naquela época: ficou preso, incomunicável. Era um jovem de 16/17 anos…
Mas tantos anos depois, ”Cesinha”, você foi usado (e abusado) pela mesma elite que apoiou a ditadura. E, dessa vez, parece que você gostou.
===
P.S.:
PAULO DE TARSO DESMENTE “CESINHA”
Uma das pessoas que teriam “testemunhado”, em 1994, a tal conversa (em que Lula teria narrado o episódio do “abuso”) é Paulo de Tarso Venceslau. Ele foi militante do PT, rompeu com o partido, e tem críticas pesadíssimas ao setor que ainda hoje domina as principais instâncias partidárias. Veja aqui um exemplo das denúncias que Paulo de Tarso fez ao PT – http://www.terra.com.br/istoe/politica/144430.htm
Pois bem, a “Folha” não “lembrou” de ouvir o Paulo de Tarso sobre o caso do “abuso”.
Ele, que teria todos os motivos para “bater” no PT e em Lula, acaba de divulgar uma nota, em que repudia e desmente o artiguinho do “Cesinha”.
“Certa vez, quando estávamos na China em pleno inverno, um fio de lascar, 39º abaixo de zero, olhávamos pela janela e tudo lá fora estava completamente branco, coberto de neve. Foi aí que vi Diógenes à beira da janela com lágrimas escorrendo pelo rosto. Como poucas vezes o vi chorar, perguntei: O que foi meu nego? Ai ele me disse: - Tereza, será que está chovendo no sertão?” Depoimento de Tereza da Costa Rego, companheira de Arruda.
Retomando os laços perdidos
Após sair do Comitê Central no V Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCB), Diógenes Arruda começou a trabalhar num escritório de planejamento na cidade de São Paulo. Em 1963, voltou a Pernambuco para assessorar o governador Miguel Arraes e realizar alguns projetos junto a SUDENE.
Ainda existem dúvidas sobre quando ele reingressou no PC do Brasil. João Amazonas, numa entrevista, descreveu a retomada dos contatos com o velho amigo: “Arruda ainda não tinha conseguido compreender a reorganização do Partido. Então, eu e Maurício Grabóis, passado algum tempo (...) fomos a casa dele e tivemos uma longa conversa. E o Arruda de cara fechada com a gente. Então, eu disse: ‘Você tem importância para o Partido. (...) O teu lugar é aqui e não fora daqui’. O Arruda conversou, conversou e foi mudando sua fisionomia. Na hora que saímos, lá vem ele andando conosco; uma distância grande até que nós pegássemos o ônibus. Então, o Arruda tinha reencontrado o seu partido”.
Por outro lado, o líder do PC brasileiro, Gregório Bezerra, falou de um fato ocorrido no dia do golpe militar de 1964: “Fui até a redação da Folha do Povo, mas não encontrei nenhum camarada. (...). Quando vou saindo, dou de cara com o camarada Diógenes Arruda Câmara, que diz: ‘Vim apresentar-me para a luta. Cumprirei qualquer tarefa que o partido me confiar.
Disponham de mim para tudo’. Eu tinha um pé atrás com esse companheiro (...) mas, diante de sua atitude de homem de partido, passei a respeitá-lo como verdadeiro revolucionário comunista”. Contudo, não houve resistência popular à altura da necessidade. Arruda deve ter se perguntado: qual teria sido a razão daquela derrota?
Sendo uma figura de esquerda, odiada pelas forças conservadoras, Arruda teve que se esconder. Primeiro refugiou-se no litoral norte de Pernambuco; depois, no Mosteiro de São Bento em Olinda. O local foi conseguido por Tereza Costa Rego, uma amiga que logo se tornou sua companheira.
Eles se conheceram em 1962 e dizem que foi amor à primeira vista. O problema é que ela era casada e tinha duas filhas. Pertencia a uma tradicional família pernambucana. Isso fez cair sobre ela todos os preconceitos de uma sociedade patriarcal e conservadora. Foi deserdada e perdeu a guarda das filhas. Como o amor que sentiam era maior, mandaram tudo para os ares. Tiveram que atravessar a via crucis da incompreensão familiar e o terror ditatorial.
Arruda e Tereza se mudaram para São Paulo. Foi uma verdadeira revolução na vida dela. Afirmou ela: “fui morar com ele, saindo de uma casa com 11 empregados, para um apartamento que tinha 4 por 6 metros, uma mini-cozinha e um banheiro. O apartamento tinha um monte de livros até o teto, um colchão no chão e um ramo de rosas sobre ele”. Agora em situação legal, Arruda passou a trabalhar num escritório de planejamento urbano.
De novo com os estudantes
Muito provavelmente, ele já tivesse reatado os contactos com aqueles que reorganizaram o PCdoB, embora ainda não tivesse se decidido pela reintegração àquela organização. Isso explicaria o fato de ter procurado Gregório Bezerra e se colocado à disposição para resistir ao golpe militar em Recife.
Também podemos supor que a gravidade da derrota sofrida naquele primeiro de abril de 1964 – uma derrota sem luta - tenha o levado a se decidir pelo reingresso no PC do Brasil. Afinal, este havia sido o Partido que mais criticara as ilusões reformistas predominantes na esquerda brasileira. As teses em voga que apregoavam a transição e a coexistência pacíficas sofreram um forte desgaste. A chamada burguesia nacional, tida como aliada preferencial na primeira etapa da revolução, mostrou toda sua pusilanimidade. O esquema militar de Jango, que muitos se fiavam, demonstrou-se ilusório. A estratégia política defendida pelo PCB, aos olhos de vários setores de esquerda, havia fracassado.
Por isso, vários militantes abandonaram o PC Brasileiro e aderiram ao PC do Brasil. Comitês inteiros trocaram de Partido, como aconteceu no Ceará e Maranhão. Um pouco mais tarde ingressou o pessoal do Comitê Marítimo e a Maioria Revolucionária do Comitê Regional da Guanabara, ambos ligados ao PCB. O pequeno PCdoB começava a ganhar musculatura.
A entrada de Arruda, no entanto, seria o pivô de mais uma polêmica. O pessoal que estava formando a Ala Vermelha acusava a direção de querer mudar o estatuto na VI Conferência (1966) para permitir o ingresso de Arruda diretamente no Comitê Central, sem precisar ter militado em uma organização de base. As acusações não tinham fundamento: 1º Arruda era um veterano comunista, que teve uma ação importante nas bases partidárias; 2º Ele não passou compor a direção nacional logo após a conferência. Isso só viria acontecer muitos anos depois.
Portanto, o que sabemos é que Arruda já estava de volta em 1966 e colaborava com a direção regional de São Paulo. Ficou responsável por dar assistência às bases estudantis. Assumiu a nova tarefa num momento bastante difícil. A Ala Vermelha – que havia sido expulsa do PCdoB - tinha causado grande estrago ao levar consigo parte da militância nessa frente. Tratava-se, então, de reorganizar o trabalho. Era quase um recomeço para um homem que já tinha 54 anos dos quais 33 dedicados à construção do Partido Comunista.
Um jovem que conviveu com ele naqueles dias foi Dalmo Ribas. O Arruda, afirmou ele, “começou dar assistência ao movimento estudantil em 1967. Nessa ocasião nós estávamos bastante desgastados com o ‘racha’ (da Ala Vermelha). Minha lembrança mais antiga me reporta à reunião em que fomos apresentados pelo jornalista e dirigente regional Armando Gimenez. Nessa ocasião era totalmente vedado ao militante especular quem era quem. Se alguém ousasse perguntar, isso valeria uma admoestação: ‘curiosidade é coisa de policial’. Arruda trazia para as reuniões, muita história do Partido. Somente após sua prisão é que soubemos de quem se tratava”.
Prisão, tortura e resistência
Com a promulgação do AI-5, em dezembro de 1968, o regime se tornou ainda mais ditatorial. As prisões, torturas e assassinatos passaram a compor o cotidiano dos militantes de oposição. Fechava-se o cerco sobre as organizações de esquerda. O destino de Arruda começou a ser decidido quando um casal de militantes esqueceu uma pasta de documentos partidários dentro de um táxi. Através deles descobriu-se a casa na qual se reunia o pessoal do PCdoB. Os policiais ocuparam a residência, prenderam a moradora e montaram uma tocaia.
Em 11 de novembro, quando Arruda bateu na porta foi cercado por quase uma dezena de policiais fortemente armados. Eram agentes da temida Operação Bandeirantes (OBAN). Arruda foi barbaramente seviciado nos porões do DOPS e do CENIMAR. Durante as sessões de tortura teve duas paradas cardíacas, perdeu uma das vistas e seus dedos foram quebrados. Ficou tuberculoso e perdeu mais da metade de sua capacidade pulmonar. Mesmo assim não se rendeu. Não disse uma palavra que pudesse comprometer seus camaradas ou o Partido. Teve um comportamento exemplar e transformou-se num símbolo da resistência contra a ditadura.
Na sua defesa diante da auditoria militar declarou: “Sou dirigente comunista. Não presto contas senão ao meu partido e ao povo. Minhas idéias marxistas e minha honra têm maior valor que minha vida (...). Acredito que um dirigente comunista não se deixa abalar pelo suplício e tudo pode suportar por suas idéias, pois está plantando uma seara que irá frutificar (...) um mundo de pães e rosas”. Apesar de tudo que diziam dele, Arruda se tornou uma pessoa muito querida entre jovens de todas as correntes políticas. É consenso entre aqueles que o conheceram que, apesar do jeito às vezes grosseiro, tinha um grande coração.
Descrevo uma cena narrada por um de seus companheiros de cárcere. Numa noite muito fria, o jovem preso tentava dormir quando sentiu algo e, discretamente, abriu os olhos. Era Arruda que, silenciosamente, o tinha coberto com seu único cobertor. Nada de estranho se aquele garoto não fosse um militante da Ala Vermelha, um racha do PCdoB. O nome dele era Alípio Freire.
Arruda foi libertado em 21 de março de 1972. Diante do seu estado físico, foi solto na certeza que morreria em breve. Novamente, os esbirros da repressão erraram. Arruda sobreviveu e continuou o seu combate. Contudo, uma nova prisão lhe seria fatal. Então, a direção solicitou que ele deixasse o país e fosse ajudar no setor de relações internacionais, colaborando na divulgação da Guerrilha do Araguaia que havia se iniciado.
Santiago, Buenos Aires e Paris
Arruda, Tereza e filhos atravessaram a fronteira da Argentina como se fosse uma família abastada. Em seguida foram para o Chile, presidido pelo socialista Salvador Allende. O pessoal do PCdoB articulou com outros exilados a construção de um comitê de solidariedade à luta do povo brasileiro. Criaram o boletim “Jornadas da Luta Popular”, que se transformou num instrumento de divulgação da resistência armada no sul do Pará. Arruda e Dynéas Aguiar eram os principais animadores dessa iniciativa.
Quando houve o golpe militar no Chile, em 11 de setembro de 1973, Arruda se refugiou na embaixada da Argentina. Este era um dos únicos países democráticos ainda existentes no Cone Sul. Entre os refugiados brasileiros estava Amarilio Vasconcelos, reorganizador do Partido Comunista em 1943, e um jovem militante comunista chamado Raul Carrion. Eles teriam que esperar mais de um mês até que o asilo lhes fosse concedido.
Mesmo na Argentina a situação estava mudando para pior. Em julho de 1974, o presidente Perón morreu e em seu lugar assumiu Isabelita. Este foi um governo fraco que permitiu o crescimento das ações terroristas, promovidas por grupos paramilitares. A situação exigiu que Arruda fosse rapidamente retirado dali. Depois de muita negociação ele conseguiu novo asilo na França.
Houve, então, uma espécie de divisão das tarefas. Arruda cuidaria das relações com os países da Europa e Dynéas com os da América Latina. Nessa condição visitou a Albânia, Itália, Suécia e Portugal – e, também, a China. Nos países socialistas Arruda era tratado como verdadeiro chefe de Estado. Em Portugal deu grande contribuição na organização do Partido Comunista Português Reconstruído (PCP-R) e da União Democrática e Popular (UDP).
Brasil as coisas haviam ficado muito difíceis para o PCdoB. Entre 1972 e 1973 foi destroçada a comissão nacional de organização. Tombaram assassinados os dirigentes Carlos Danielli, Lincoln Oest, Luis Guilhardini e Lincoln Bicalho Roque. A ação repressiva tinha por objetivo cortar ligações entre o partido e os guerrilheiros no Araguaia. Foi nessa época que, visando preencher os vazios deixados na direção, Arruda ingressou no Comitê Central.
A situação se agravaria ainda mais com a derrota da Guerrilha e o assassinato da maioria dos seus combatentes, inclusive do comandante Maurício Grabóis. Pouco tempo depois, em dezembro de 1976, caiu nas mãos da repressão uma reunião do Comitê Central. Foram assassinados três dirigentes - Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Batista Drummond – e quase uma dezena foi presa e torturada. A grande imprensa chegou anunciar o fim do PCdoB.
Como ocorreu no início da década de 1940, o Partido Comunista do Brasil deveria passar por um uma nova reorganização. Os dirigentes que estavam no exterior – Amazonas, Arruda, Dynéas e Renato Rabelo – começaram a restabelecer os contactos com os militantes e os comitês regionais que ainda resistiam no interior do país. Em pouco tempo esse trabalho estava, no fundamental, concluído. Para Arruda era preciso coroar esse esforço com a realização de uma conferência nacional. A 7ª Conferência reuniu-se na Albânia entre 1978 e 1979. O PC do Brasil, como a Fênix da mitologia parecia renascer das cinzas.
Após a Chacina da Lapa, Arruda escreveu uma série de artigos sobre os deveres da militância comunista. Esses artigos, posteriormente, foram publicados em “A educação revolucionária do comunista” e cumpriram um grande papel na formação ideológica dos comunistas nos estertores da ditadura militar. Uma de suas frases que ficou famosa era: “Primeiro o partido. Depois a vida, se possível!”. Consigna que os comunistas levaram muito a sério naqueles anos de chumbo.
Outra característica de Arruda era a sua grande preocupação com a formação teórica dos militantes comunistas. Sobre isso anos disse Amazonas: “Onde Arruda chegava já estava pensando em fazer algumas palestras sobre problemas teóricos e, em pouco tempo, organizava um curso (...) Foi o camarada Arruda que iniciou os cursos Stalin. (...) Eles jogaram um papel importante na formação dos quadros do nosso Partido (...). Depois, conseguiu que, na escola Superior do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, se realizassem cursos para os comunistas brasileiros. (...) Esse capital teórico que adquirimos foi fruto da atividade do camarada Arruda”. Muitas pessoas testemunharam que ele adorava organizar cursos e dar aulas para os jovens estudantes na década de 1960. Mesmo no breve período que esteve na embaixada da Argentina não deixou de dar suas palestras. Também deu aula de marxismo-leninismo no presídio Tiradentes. Loreta Valadares, no seu livro autobiográfico, comentou sobre os cursos que Arruda organizou em Buenos Aires e na Albânia, para os exilados na Europa.
A volta do guerreiro
O general Figueiredo, depois de resistir muito, anunciou uma anistia parcial que excluía os autores dos chamados “crimes de sangue”. O povo nas ruas protestou contra tal limitação e exigiu que ela fosse “ampla, geral e irrestrita”. Os exilados se esforçaram para repercutir ao máximo a campanha no exterior e isolar o regime. Arruda participou desse processo. Esteve presente e falou no Congresso Internacional pela Anistia Ampla Geral e Irrestrita, realizado em Roma em junho de 1979.
Em setembro daquele ano, logo após a decretação da anistia, retornou ao Brasil e envolveu-se numa pesada agenda política. Ele percorreu vários estados defendendo a ampliação da anistia e a unidade da oposição contra a ditadura militar. No II Encontro pela Anistia, realizado na Bahia, ocorreu um encontro simbólico. Na mesa de abertura reuniram-se, pela primeira vez desde a divisão do movimento comunista brasileiro, os camaradas Arruda, Prestes e Apolônio de Carvalho.
No dia 25 de novembro, Arruda estava muito ansioso, dormira mal a noite toda. Uma coisa o preocupa: o regresso do principal dirigente do PCdoB, João Amazonas. Nada poderia dar errado naquele dia. Chovia muito e uma multidão tomava conta do aeroporto de Congonhas. Arruda logo se colocou ao lado do amigo que acabava de chegar. Amazonas tinha uma aparência frágil e Arruda se preocupava muito com sua segurança. A emoção e a tensão eram grandes naquele local. As fotos tiradas naquele dia demonstram isso.
Ainda dentro do carro que o levaria ao ato público, começou a passar mal. O coração sertanejo marcado pelas torturas não resistiu e, pela primeira vez, entregou os pontos. Arruda não viveria para ver as bandeiras vermelhas tomarem as praças na memorável campanha das diretas, nem a derrota definitiva da ditadura militar, nem a conquista da legalidade de seu partido. Contudo, nenhuma dessas vitórias seria possível sem homens e mulheres como ele.
Teresa Costa Rego, A Partida (1981)
Quando estava preso redigiu uma declaração ao tribunal militar. Ela resumiria, de maneira exemplar, sua maneira revolucionária de encarar a vida: “Não me norteia a vida um viver tranqüilo e pacato, um viver de aconchegos e comodidades, encerrado no círculo estreito de interesses individuais. Meu caráter, meu temperamento, minhas idéias, meus critérios de valor, meu senso político, tudo me preserva da reflexão egoísta, do acomodamento circunstancial, do silêncio velhaco, do servilismo oportunista, da sonegação da verdade. É difícil viver com dignidade, mas somente assim vale a pena viver”. E, por esses critérios, viveu e morreu o sertanejo comunista Diógenes Arruda Câmara.
Arruda, Diógenes – A educação revolucionária do comunista, Ed. Anita Garibaldi, 1982
Bezerra, Gregório – Memórias (2ª parte) Ed. Civilização Brasileira, 1979.
Câmara, Cristina Arruda – Um comunista em família: biografia de Diógenes da Arruda Câmara, Monografia de conclusão de curso na faculdade de Comunicação da UFRJ, 1997.
Falcão, João – O Partido Comunista que eu conheci. Ed. Civilização Brasileira, 1988.
Bertolino, Osvaldo – Maurício Grabóis: uma vida de combates, Ed. Anita Garibaldi, 2004
Souza, Cícero M & Andrade, Antonio R. – “Comunismo a brasileira: a trajetória da utopia revolucionária de Diógenes Arruda Câmara” In Universidade & Sociedade, nº19, maio/agosto de 1999. UNB
Valadares, Loreta – Estilhaços, Sec. Cultura e Turismo de Salvador, 2005
Documento
Declaração de Diógenes de Arruda Câmara ao Conselho de Justiça da II Auditoria da II Circunscrição Jurídica Militar, s/d
Entrevistas
Diógenes Arruda – Entrevista realizada pelos jornalistas Albino Castro e Iza Freaza – Não chegou a ser publicada na época. Descoberta por Osvaldo Bertolino foi publicada no sítio Vermelho.
Tereza da Costa Rego – Entrevistas realizadas por Olívia Rangel (s/d) e por Olivia Rangel e Osvaldo Bertolino em 25/05/2005
João Amazonas – Entrevistas realizadas pela Comissão Especial sobre a história do PC do Brasil - 2001
Agradecemos também as informações prestadas por Dyneas Aguiar, Alípio Freire, Dalmo Ribas e Raul Carrion.
Era 25 de novembro de 1979, o aeroporto de Congonhas estava cheio de pessoas vindas de todas as partes do Estado de São Paulo. O clima era de festa. Dentro de alguns minutos desembarcaria ali o principal dirigente do PC do Brasil, João Amazonas, que acabava de voltar do exílio. À frente da comissão de recepção estavam duas históricas lideranças comunistas, José Duarte e Diógenes Arruda.
Contudo, a alegria logo se transformaria em tristeza. A emoção do reencontro com velhos amigos abalou o fraco coração do bravo guerreiro pernambucano. Ainda no carro que o levaria ao ato político em homenagem ao camarada João Amazonas, Arruda começou a passar mal e faleceu.
O enterro acabou se transformando na primeira manifestação pública realizada pelo PCdoB. O caixão foi coberto por uma bandeira vermelha estampada com a foice e o martelo. Na beira do túmulo, Elza Monnerat – recém libertada da prisão – falou em nome dos comunistas brasileiros. “Juntamente com as flores da nossa saudade, declarou ela, deixamos o nosso adeus de despedida. Mas um adeus que é também um compromisso de honra. O compromisso de que, quaisquer que sejam as vicissitudes, levaremos adiante a bandeira que ele sempre defendeu. A bandeira do Partido, a bandeira do socialismo”.
Pernambuco, Bahia
Diógenes Alves de Arruda Câmara nasceu em 23 de dezembro de 1914 no pequeno município de Afogados de Ingazeira, sertão de Pernambuco. Um lugar marcado pela pobreza e pela violência. Era neto de um dos coronéis da região e os primeiros presentes que lembrava ter ganhado do seu pai eram um revolver e um punhal. Com eles deveria defender sua vida e a honra da família. Afirmou Arruda: “Eu vivia na minha infância aquelas histórias de cangaceiros, aquelas lutas no sertão. E, assim, eu me criei sem ter medo de polícia, sem ter medo da luta”. O comunista Arruda Câmara continuou sendo a vida toda aquele menino sertanejo, com suas virtudes e vicissitudes.
Em 1930 mudou-se para Recife e ingressou no curso de Engenharia. Um primo, que estudava medicina, o introduziu na literatura socialista. Leu, entre outras coisas, “Um engenheiro Brasileiro na Rússia” e se tornou simpatizante do comunismo. Alguns anos mais tarde, em 1934, ingressou no Partido Comunista do Brasil (PCB).
No final desse mesmo ano mudou-se para a Bahia. Em Salvador matriculou-se no curso de Engenharia Agronômica. Entre 1936 e 1938 foi um atuante líder estudantil, participando do Diretório Acadêmico da Faculdade de Engenharia e da União dos Estudantes da Bahia (UEB).
Teve um papel destacado na campanha em defesa da siderurgia nacional. Segundo João Falcão, ele “foi a mola mestra da semana (em defesa da siderurgia nacional), coordenando os trabalhos das diversas comissões selecionando os oradores. Arruda mobilizou o diretório da Escola de Agronomia, da qual era aluno, para se colocar à frente da organização do evento”. Esse foi “o maior trabalho de massa realizado até então pela frente legal”.
Quando o mesmo João Falcão teve a idéia de criar uma revista político-cultural, Arruda foi um dos seus principais incentivadores. Foi ele quem sugeriu que ela se chamasse Seiva. A publicação expressaria o pensamento da corrente democrática e antifascista da Bahia. Para burlar a censura, deveria ser dirigida por pessoas que não fossem identificadas com o Partido. Mas, atrás dos panos, Arruda ajudava na coleta e seleção dos artigos. Seiva foi a primeira revista legal dirigida pelos comunistas durante o Estado Novo e ajudou divulgar suas idéias entre setores mais amplos da sociedade. Transformou-se num importante instrumento na luta contra o fascismo.
Logo após o golpe do Estado Novo, ocorrido em novembro de 1937, Arruda foi preso. Ficou cerca de três meses na cadeia e não prestou nenhuma informação aos seus algozes. Assim, a polícia não conseguiu nenhuma prova de suas ligações com o Partido Comunista. Devido a sua combatividade e grande capacidade de organização, passou a compor o secretariado regional do PCB, chegando a ser indicado para sua secretaria-geral. Nessa época se enamorou – e, depois, casou - com a estudante de direito Aldeir (Déa) Paraguassú.
Sob a direção enérgica de Arruda, os comunistas da Bahia se tornaram os mais organizados do país. Nas vésperas do Primeiro de Maio de 1940, eles inundaram Salvador com faixas vermelhas dizendo “Abaixo o Estado Novo!”, “Abaixo a guerra e o fascismo!” e “Liberdade para Prestes!”. A ousadia daqueles jovens, que embaraçou o interventor e o chefe da polícia, custaria bastante caro. Poucos dias depois Arruda foi preso novamente.
Desta vez as coisas foram mais complicadas. Ele foi torturado por dois longos meses e passou mais oito meses incomunicável. Muitos temeram por sua vida. Graças ao seu comportamento exemplar, não houve nenhuma queda importante no estado. O partido praticamente se manteve intacto.
Após sair da prisão, seguindo orientação da direção nacional, transferiu-se para São Paulo. O objetivo era ajudar na reorganização do Partido que fora desbaratado pela polícia. Naquele momento Domingos Brás era o único membro do Comitê Central em liberdade. Mesmo ele seria preso pouco tempo depois. O fascista Felinto Miller gabava-se de ter eliminado o Partido Comunista do Brasil. Os últimos acontecimentos pareciam dar-lhes razão. Mas ...
Reconstruindo o Partido Comunista
Como podemos suspeitar, a tarefa de Arruda não seria nada fácil. “Eu era um pau-de-arara, afirmou Arruda, vinha com uma roupazinha de brim, no mês de abril, um frio que até minhas rótulas tremiam”. Continuou ele: “nós comíamos chuchu de manhã, chuchu à noite, chuchu a semana inteira, chuchu o mês inteiro. Não tínhamos outra coisa para comer senão chuchu com arroz e sal”. Além do mais, ele não tinha contatos com os comunistas paulistas. O clima era de muita desconfiança diante de tantas prisões inexplicáveis. Suspeitava-se que havia infiltração policial no interior do Partido.
Numa entrevista, dada poucos meses antes de morrer, Arruda contou como foi o início da reorganização partidária em São Paulo: “Depois de 1935, todo Comitê Regional caiu. Parece que o inimigo cortava a cabeça do Partido (...) e deixava algumas pontas para que eles pudessem acompanhar e golpear o Comitê Regional. Era assim todo ano – 1936, 37, 38, 39, 40, 41. Que fazer? Eu tracei um plano: botar de lado o velho partido, que a polícia tinha indicação, e fazer um Partido novo. Não tinha outra maneira. Então, tive que me apoiar nos baianos. Fui chamando baianos para São Paulo”.
Já na viagem havia trazido consigo o amigo Armênio Guedes. Depois chamou um camarada ligado ao trabalho junto à comunidade judaica visando estabelecer contatos nessa frente. Arruda tinha constatado que nessa colônia as quedas haviam sido pequenas. Uma prova que não havia infiltração policial. A mesma coisa acontecia com os imigrantes lituanos, compostos basicamente de operários. Justamente por ali deveria começar o trabalho. Outro baiano que viria para São Paulo era o médico Milton Caires de Brito, que mais tarde comporia o secretariado do Comitê Central.
No início de 1942, junto com João Falcão, viajou à Argentina para restabelecer contatos com o Secretariado Sul-Americano da Internacional Comunista (IC). Em Buenos Aires se encontraram com Rodolfo Ghioldi e Victório Codovilla. Várias reuniões ocorreram entre os dirigentes da Internacional e os comunistas brasileiros. Quando estavam ali receberam a notícia que o governo brasileiro tinha rompido relações diplomáticas com a Alemanha nazista e havia se iniciado uma grande campanha popular exigindo a declaração imediata de guerra às potências do Eixo.
A linha política aprovada em Buenos Aires era a de construir uma União Nacional, ao lado do governo Vargas, contra as potências nazi-fascistas e seus aliados internos (quinta-coluna). Arruda, rapidamente, voltou ao país com essa diretiva e a tarefa de apressar a reorganização do PC do Brasil. Como membro da direção paulista, procurou contatar com um ativo grupo de comunistas cariocas, comandado por Maurício Grabóis e Amarilio Vasconcelos. A relação foi estabelecida com a ajuda de Leôncio Basbaum.
Constituiu-se, a partir de então, a Comissão Nacional de Organização do Partido (CNOP). A ela se agregaram dois jovens comunistas, fugitivos das prisões paraenses, João Amazonas e Pedro Pomar. Estava formado o núcleo principal de dirigentes que reorganizaria e, ao lado de Prestes, dirigiria o Partido até meados da década de 1950.
A principal tarefa dessa comissão era a organizar da 3ª Conferência Nacional do PC do Brasil, que foi realizada clandestinamente em 1943. Arruda foi eleito secretário nacional de organização, tornando-se, nesse período, o primeiro homem da hierarquia partidária. Sinal da importância que tinha tido naquele difícil processo.
Com a conquista da anistia e o fim do Estado Novo, o Partido Comunista emergiu como uma poderosa força política nacional, conquistando cerca de 10% dos votos nas eleições de 1945. Elegeu um senador e mais 14 deputados federais. Arruda candidatou-se pela Bahia e não conseguiu eleger-se. Contudo, nas eleições complementares de 1947, ele e Pedro Pomar elegeram-se deputados federais por São Paulo. Os dois foram candidatos pela legenda do Partido Social Progressista (PSP) de Ademar de Barros. Nessa época, o Partido Comunista já estava ameaçado de perder o seu registro.
Após a cassação dos seus parlamentares, os comunistas foram obrigados a entrar na clandestinidade. Arruda e Pomar, embora tolhidos em sua ação, continuaram exercendo seus mandatos até o final de 1950.
O impacto das medidas repressivas do governo Dutra e o desencantamento com a tática de viés reformista adotada anteriormente - que teria conduzido a uma séria derrota -, levou os comunistas a adotar uma linha política esquerdista. A principal expressão disso foi o “Manifesto de Agosto” de 1950. Nele Prestes defendia que a única alternativa para o povo era a constituição de uma Frente Democrática de Libertação Nacional e o desencadeamento imediato da luta armada contra o governo de plantão, Dutra e depois Vargas. A estratégia era, nitidamente, inspirada no processo da revolução chinesa que acabava de ser vitoriosa.
Arruda esteve ainda à frente da organização do 4º Congresso do PCB em 1954. Foi ele que apresentou o informe mais importante que tratava do novo programa – o primeiro desde a sua fundação. Até 1943 o programa dos Partidos Comunistas era o da Internacional Comunista. Só com a dissolução deste órgão foi que começaram a surgir os programas nacionais.
As concepções voluntaristas e esquerdistas, especialmente entre 1949 e 1954, conduziram a posições sectárias e métodos autoritários no relacionamento com as outras forças políticas, inclusive às do campo democrático, nacional e popular. Os trabalhistas e socialistas independentes foram tratados como agentes do imperialismo norte-americanos e como forças a serem combatidas.
Diante da ausência de Prestes, recolhido à clandestinidade e fora da direção cotidiana, coube a Arruda impor essa linha ao conjunto do Partido. Por isso mesmo, acabou se transformando na “bete noir” do comunismo brasileiro. Exemplo do autoritarismo no tratamento das divergências internas e mesmo na condução do trabalho de direção. Foi denominado, pejorativamente, de “Stalin brasileiro” ou “pequeno Stalin”.
Anos terríveis
Podemos dizer que, no início da década de 1950, Arruda vivia o auge do seu prestígio enquanto dirigente nacional do Partido Comunista. O escritor Jorge Amado dedicou-lhe “Subterrâneos da Liberdade”, trilogia na qual ele era um dos personagens mais significativos, o camarada André. Contudo, as coisas estavam prestes a mudar drasticamente para ele e o Partido que ajudara a organizar. As origens dessa reviravolta estariam no próprio interior do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), considerado a vanguarda da revolução mundial.
O 20º Congresso do PCUS, realizado em fevereiro de 1956, teve muita importância para o movimento comunista internacional e brasileiro. Ele mudou a linha política predominante até então, passando advogar a transição pacífica ao socialismo e apostar num longo período de coexistência e competição pacífica entre o bloco socialista, capitaneado pela URSS, e o imperialismo estadunidense.
Numa sessão secreta daquele Congresso, o secretário-geral Nikita Krushov apresentou um polêmico relatório no qual denunciava os erros e os crimes cometidos por Stalin. Estranhamente, o conteúdo que era para ser sigiloso vazou para as agências noticiosas internacionais e a informação chegou antes mesmo que os delegados estrangeiros pudessem voltar aos seus países e comunicar Para suas direções o que havia ocorrido.
No caso brasileiro as coisas foram ainda mais graves. Arruda – que era o representante brasileiro naquele congresso – acabou viajando para China antes de retornar ao Brasil. A viagem, que durou vários meses, fazia parte de uma programação oficial. Contudo, a gravidade do momento exigia sua volta imediata. Quando, finalmente, ele chegou os jornais burgueses já haviam publicado o relatório “secreto” e a direção do PCB negado categoricamente sua autenticidade. Abriu-se então uma grande crise no interior do movimento comunista brasileiro, a maior de sua história.
O núcleo dirigente - composto por Prestes, Arruda, Grabóis, Amazonas e Marighella – foi duramente criticado em artigos publicados na própria imprensa partidária e nas primeiras reuniões do Comitê Central convocadas para tratar do 20º Congresso. O principal alvo dos ataques foi o secretário nacional de organização.
Em 1957 Arruda, Grabóis e Amazonas foram destituídos da Comissão Executiva, acusados de resistirem à nova linha expressa na resolução do 20º congresso e se recusarem a fazer autocrítica de sua atuação à frente do Partido. No entanto, não era correta essa idéia que Arruda tenha se recusado aderir às novas teses soviéticas e reconhecer os erros cometidos. Pelo contrário, num artigo publicado na Voz Operária, ele fez uma humilhante autocrítica de todas suas atitudes anteriores. Escreveu: “é muito grande e grave a minha responsabilidade pessoal nas violações dos princípios do marxismo-leninismo de organização e de direção, nas debilidades e falhas ideológicas do Presidium e do secretariado, na condução do Partido, nos erros de direção e nos reveses do Partido, de 1942 até hoje. Lutei, cometi erros e revelei debilidades e, por isso, devo ser criticado e preciso autocriticar-me. Estou disposto a me livrar das idéias incorretas e dos maus hábitos, a transformar-me e renovar-me, pois será assim – e somente assim – poderei servir bem ao Partido”.
Por isso, num primeiro momento, não deu seu apoio ao grupo, encabeçado por Amazonas e Grabóis, que denunciava a nova política partidária, acusando-a de reformista. Ainda, durante os debates do 5º Congresso do PCB, realizado em 1960, somou-se à maioria do Comitê Central na defesa das teses oficiais e na condenação aos seus críticos. Escreveu na Tribuna de Debates um duro artigo intitulado “Estertores e mimetismo de tradição sectária”. Nele criticava as posições defendidas por Grabóis, Amazonas e Pomar, embora não citasse os nomes dos seus velhos camaradas. Sem dúvida, isso lhe causava profundo desconforto.
A dura autocrítica e o alinhamento político com Prestes, que ele admirava muito, não garantiram sua recondução ao Comitê Central. E mais: Arruda não foi eleito para nenhum outro posto de direção – nem regional nem municipal - e se tornou um simples militante de base. Mesmo quando, entre 1961 e 1962, a crise interna agravou-se e ocorreu a cisão dando origem a dois partidos comunistas, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB), Arruda manteve-se eqüidistante daquele conflito. Essa neutralidade, no entanto, não duraria muito tempo.
Ladeada por Zé Duarte e Haroldo Lima, Elza Moneratt discursa no na semeadura de Diógenes Arruda (Genoino ao fundo)