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sábado, 25 de outubro de 2008

Debate mostra despreparo de Castelo e segurança de Flávio Dino

A satisfação de uma torcida com seu time pode ser medida pela presença no estádio durante o jogo. No caso do debate entre Flávio Dino (PCdoB) e João Castelo (PSDB) o termômetro da militância serviu para medir o desempenho dos candidatos. Já no terceiro bloco do debate da TV Mirante, na noite desta sexta-feira (24), a rua demarcada pela polícia para concentrar os partidários do tucano nas proximidades da emissora estava completamente vazia. Numa atuação que denotou a falta de projetos, Castelo deixou claro que não está preparado para assumir o cargo máximo da Ilha Rebelde.

29/09/2008 - A crise do capitalismo e a importância atual de Marx - Entrevista com Eric Hobsbawm

Em entrevista a Marcello Musto, o historiador Eric Hobsbawm analisa a atualidade da obra de Marx e o renovado interesse que vem despertando nos últimos anos, mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. E fala sobre a necessidade de voltar a ler o pensador alemão: “Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista”.

Marcello Musto - Sin Permiso

Em entrevista a Marcello Musto, o historiador Eric Hobsbawm analisa a atualidade da obra de Marx e o renovado interesse que vem despertando nos últimos anos, mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. E fala sobre a necessidade de voltar a ler o pensador alemão: “Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista”.

Eric Hobsbawm é considerado um dos maiores historiadores vivos. É presidente do Birbeck College (London University) e professor emérito da New School for Social Research (Nova Iorque). Entre suas muitas obras, encontra-se a trilogia acerca do “longo século XIX”: “A Era da Revolução: Europa 1789-1848” (1962); “A Era do Capital: 1848-1874” (1975); “A Era do Império: 1875-1914 (1987) e o livro “A Era dos Extremos: o breve século XX, 1914-1991 (1994), todos traduzidos em vários idiomas.

Entrevistamos o historiador por ocasião da publicação do livro “Karl Marx’s Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later” (Os Manuscritos de Karl Marx. Elementos fundamentais para a Crítica da Economia Política, 150 anos depois).

Nesta conversa, abordamos o renovado interesse que os escritos de Marx vêm despertando nos últimos anos e mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. Nosso colaborador Marcello Musto entrevistou Hobsbawm para Sin Permiso.

Marcello Musto: Professor Hobsbawm, duas décadas depois de 1989, quando foi apressadamente relegado ao esquecimento, Karl Marx regressou ao centro das atenções. Livre do papel de intrumentum regni que lhe foi atribuído na União Soviética e das ataduras do “marxismo-leninismo”, não só tem recebido atenção intelectual pela nova publicação de sua obra, como também tem sido objeto de crescente interesse. Em 2003, a revista francesa Nouvel Observateur dedicou um número especial a Marx, com um título provocador: “O pensador do terceiro milênio?”. Um ano depois, na Alemanha, em uma pesquisa organizada pela companhia de televisão ZDF para estabelecer quem eram os alemães mais importantes de todos os tempos, mais de 500 mil espectadores votaram em Karl Marx, que obteve o terceiro lugar na classificação geral e o primeiro na categoria de “relevância atual”.

Em 2005, o semanário alemão Der Spiegel publicou uma matéria especial que tinha como título “Ein Gespenst Kehrt zurük” (A volta de um espectro), enquanto os ouvintes do programa “In Our Time” da rádio 4, da BBC, votavam em Marx como o maior filósofo de todos os tempos. Em uma conversa com Jacques Attali, recentemente publicada, você disse que, paradoxalmente, “são os capitalistas, mais que outros, que estão redescobrindo Marx” e falou também de seu assombro ao ouvir da boca do homem de negócios e político liberal, George Soros, a seguinte frase: “Ando lendo Marx e há muitas coisas interessantes no que ele diz”. Ainda que seja débil e mesmo vago, quais são as razões para esse renascimento de Marx? É possível que sua obra seja considerada como de interesse só de especialistas e intelectuais, para ser apresentada em cursos universitários como um grande clássico do pensamento moderno que não deveria ser esquecido? Ou poderá surgir no futuro uma nova “demanda de Marx”, do ponto de vista político?

Eric Hobsbawm: Há um indiscutível renascimento do interesse público por Marx no mundo capitalista, com exceção, provavelmente, dos novos membros da União Européia, do leste europeu. Este renascimento foi provavelmente acelerado pelo fato de que o 150° aniversário da publicação do Manifesto Comunista coincidiu com uma crise econômica internacional particularmente dramática em um período de uma ultra-rápida globalização do livre-mercado.

Marx previu a natureza da economia mundial no início do século XXI, com base na análise da “sociedade burguesa”, cento e cinqüenta anos antes. Não é surpreendente que os capitalistas inteligentes, especialmente no setor financeiro globalizado, fiquem impressionados com Marx, já que eles são necessariamente mais conscientes que outros sobre a natureza e as instabilidades da economia capitalista na qual eles operam.

A maioria da esquerda intelectual já não sabe o que fazer com Marx. Ela foi desmoralizada pelo colapso do projeto social-democrata na maioria dos estados do Atlântico Norte, nos anos 1980, e pela conversão massiva dos governos nacionais à ideologia do livre mercado, assim como pelo colapso dos sistemas políticos e econômicos que afirmavam ser inspirados por Marx e Lênin. Os assim chamados “novos movimentos sociais”, como o feminismo, tampouco tiveram uma conexão lógica com o anti-capitalismpo (ainda que, individualmente, muitos de seus membros possam estar alinhados com ele) ou questionaram a crença no progresso sem fim do controle humano sobre a natureza que tanto o capitalismo como o socialismo tradicional compartilharam. Ao mesmo tempo, o “proletariado”, dividido e diminuído, deixou de ser crível como agente histórico da transformação social preconizada por Marx.

Devemos levar em conta também que, desde 1968, os mais proeminentes movimentos radicais preferiram a ação direta não necessariamente baseada em muitas leituras e análises teóricas. Claro, isso não significa que Marx tenha deixado de ser considerado como um grande clássico e pensador, ainda que, por razões políticas, especialmente em países como França e Itália, que já tiveram poderosos Partidos Comunistas, tenha havido uma apaixonada ofensiva intelectual contra Marx e as análises marxistas, que provavelmente atingiu seu ápice nos anos oitenta e noventa. Há sinais agora de que a água retomará seu nível.

Marcello Musto: Ao longo de sua vida, Marx foi um agudo e incansável investigador, que percebeu e analisou melhor do que ninguém em seu tempo o desenvolvimento do capitalismo em escala mundial. Ele entendeu que o nascimento de uma economia internacional globalizada era inerente ao modo capitalista de produção e previu que este processo geraria não somente o crescimento e prosperidade alardeados por políticos e teóricos liberais, mas também violentos conflitos, crises econômicas e injustiça social generalizada. Na última década, vimos a crise financeira do leste asiático, que começou no verão de 1997; a crise econômica Argentina de 1999-2002 e, sobretudo, a crise dos empréstimos hipotecários que começou nos Estados Unidos em 2006 e agora tornou-se a maior crise financeira do pós-guerra. É correto dizer, então, que o retorno do interesse pela obra de Marx está baseado na crise da sociedade capitalista e na capacidade dele ajudar a explicar as profundas contradições do mundo atual?

Eric Hobsbawm: Se a política da esquerda no futuro será inspirada uma vez mais nas análises de Marx, como ocorreu com os velhos movimentos socialistas e comunistas, isso dependerá do que vai acontecer no mundo capitalista. Isso se aplica não somente a Marx, mas à esquerda considerada como um projeto e uma ideologia política coerente. Posto que, como você diz corretamente, a recuperação do interesse por Marx está consideravelmente – eu diria, principalmente – baseado na atual crise da sociedade capitalista, a perspectiva é mais promissora do que foi nos anos noventa. A atual crise financeira mundial, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica nos EUA, dramatiza o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta.

As pressões políticas já estão debilitando o compromisso dos governos neoliberais em torno de uma globalização descontrolada, ilimitada e desregulada. Em alguns casos, como a China, as vastas desigualdades e injustiças causadas por uma transição geral a uma economia de livre mercado, já coloca problemas importantes para a estabilidade social e mesmo dúvidas nos altos escalões de governo. É claro que qualquer “retorno a Marx” será essencialmente um retorno à análise de Marx sobre o capitalismo e seu lugar na evolução histórica da humanidade – incluindo, sobretudo, suas análises sobre a instabilidade central do desenvolvimento capitalista que procede por meio de crises econômicas auto-geradas com dimensões políticas e sociais. Nenhum marxista poderia acreditar que, como argumentaram os ideólogos neoliberais em 1989, o capitalismo liberal havia triunfado para sempre, que a história tinha chegado ao fim ou que qualquer sistema de relações humanas possa ser definitivo para todo o sempre.

Marcello Musto: Você não acha que, se as forças políticas e intelectuais da esquerda internacional, que se questionam sobre o que poderia ser o socialismo do século XXI, renunciarem às idéias de Marx, estarão perdendo um guia fundamental para o exame e a transformação da realidade atual?

Eric Hobsbawm: Nenhum socialista pode renunciar às idéias de Marx, na medida que sua crença em que o capitalismo deve ser sucedido por outra forma de sociedade está baseada, não na esperança ou na vontade, mas sim em uma análise séria do desenvolvimento histórico, particularmente da era capitalista. Sua previsão de que o capitalismo seria substituído por um sistema administrado ou planejado socialmente parece razoável, ainda que certamente ele tenha subestimado os elementos de mercado que sobreviveriam em algum sistema pós-capitalista.

Considerando que Marx, deliberadamente, absteve-se de especular acerca do futuro, não pode ser responsabilizado pelas formas específicas em que as economias “socialistas” foram organizadas sob o chamado “socialismo realmente existente”. Quanto aos objetivos do socialismo, Marx não foi o único pensador que queria uma sociedade sem exploração e alienação, em que os seres humanos pudessem realizar plenamente suas potencialidades, mas foi o que expressou essa idéia com maior força e suas palavras mantêm seu poder de inspiração.

No entanto, Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, autoritariamente ou de outra maneira, nem como descrições de uma situação real do mundo capitalista de hoje, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista. Tampouco podemos ou devemos esquecer que ele não conseguiu realizar uma apresentação bem planejada, coerente e completa de suas idéias, apesar das tentativas de Engels e outros de construir, a partir dos manuscritos de Marx, um volume II e III de “O Capital”. Como mostram os “Grundrisse”, aliás. Inclusive, um Capital completo teria conformado apenas uma parte do próprio plano original de Marx, talvez excessivamente ambicioso.

Por outro lado, Marx não regressará à esquerda até que a tendência atual entre os ativistas radicais de converter o anti-capitalismo em anti-globalização seja abandonada. A globalização existe e, salvo um colapso da sociedade humana, é irreversível. Marx reconheceu isso como um fato e, como um internacionalista, deu as boas vindas, teoricamente. O que ele criticou e o que nós devemos criticar é o tipo de globalização produzida pelo capitalismo.

Marcello Musto: Um dos escritos de Marx que suscitaram o maior interesse entre os novos leitores e comentadores são os “Grundrisse”. Escritos entre 1857 e 1858, os “Grundrisse” são o primeiro rascunho da crítica da economia política de Marx e, portanto, também o trabalho inicial preparatório do Capital, contendo numerosas reflexões sobre temas que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte de sua criação inacabada. Por que, em sua opinião, estes manuscritos da obra de Marx, continuam provocando mais debate que qualquer outro texto, apesar do fato dele tê-los escrito somente para resumir os fundamentos de sua crítica da economia política? Qual é a razão de seu persistente interesse?

Eric Hobsbawm: Desde o meu ponto de vista, os "Grundrisse" provocaram um impacto internacional tão grande na cena marxista intelectual por duas razões relacionadas. Eles permaneceram virtualmente não publicados antes dos anos cinqüenta e, como você diz, contendo uma massa de reflexões sobre assuntos que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte. Não fizeram parte do largamente dogmatizado corpus do marxismo ortodoxo no mundo do socialismo soviético. Mas não podiam simplesmente ser descartados. Puderam, portanto, ser usados por marxistas que queriam criticar ortodoxamente ou ampliar o alcance da análise marxista mediante o apelo a um texto que não podia ser acusado de herético ou anti-marxista. Assim, as edições dos anos setenta e oitenta, antes da queda do Muro de Berlim, seguiram provocando debate, fundamentalmente porque nestes escritos Marx coloca problemas importantes que não foram considerados no “Capital”, como por exemplo as questões assinaladas em meu prefácio ao volume de ensaios que você organizou (Karl Marx's Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later, editado por M. Musto, Londres-Nueva York, Routledge, 2008).

Marcello Musto: No prefácio deste livro, escrito por vários especialistas internacionais para comemorar o 150° aniversário de sua composição, você escreveu: “Talvez este seja o momento correto para retornar ao estudo dos “Grundrisse”, menos constrangidos pelas considerações temporais das políticas de esquerda entre a denúncia de Stalin, feita por Nikita Khruschev, e a queda de Mikhail Gorbachev”. Além disso, para destacar o enorme valor deste texto, você diz que os “Grundrisse” “trazem análise e compreensão, por exemplo, da tecnologia, o que leva o tratamento de Marx do capitalismo para além do século XIX, para a era de uma sociedade onde a produção não requer já mão-de-obra massiva, para a era da automatização, do potencial de tempo livre e das transformações do fenômeno da alienação sob tais circunstâncias. Este é o único texto que vai, de alguma maneira, mais além dos próprios indícios do futuro comunista apontados por Marx na “Ideologia Alemã”. Em poucas palavras, esse texto tem sido descrito corretamente como o pensamento de Marx em toda sua riqueza. Assim, qual poderia ser o resultado da releitura dos “Grundrisse” hoje?

Eric Hobsbawm: Não há, provavelmente, mais do que um punhado de editores e tradutores que tenham tido um pleno conhecimento desta grande e notoriamente difícil massa de textos. Mas uma releitura ou leitura deles hoje pode ajudar-nos a repensar Marx: a distinguir o geral na análise do capitalismo de Marx daquilo que foi específico da situação da sociedade burguesa na metade do século XIX. Não podemos prever que conclusões podem surgir desta análise. Provavelmente, somente podemos dizer que certamente não levarão a acordos unânimes.

Marcello Musto: Para terminar, uma pergunta final. Por que é importante ler Marx hoje?

Eric Hobsbawm: Para qualquer interessado nas idéias, seja um estudante universitário ou não, é patentemente claro que Marx é e permanecerá sendo uma das grandes mentes filosóficas, um dos grandes analistas econômicos do século XIX e, em sua máxima expressão, um mestre de uma prosa apaixonada. Também é importante ler Marx porque o mundo no qual vivemos hoje não pode ser entendido sem levar em conta a influência que os escritos deste homem tiveram sobre o século XX. E, finalmente, deveria ser lido porque, como ele mesmo escreveu, o mundo não pode ser transformado de maneira efetiva se não for entendido. Marx permanece sendo um soberbo pensador para a compreensão do mundo e dos problemas que devemos enfrentar.

Tradução para Sin Permiso (inglês-espanhol): Gabriel Vargas Lozano
Tradução para Carta Maior (espanhol-português): Marco Aurélio Weissheimer

domingo, 12 de outubro de 2008

Para entender a crise capitalista




Para não ficarmos reféns da medíocre e parcial análise dos sócios da crise mundial, expressa sobretudo na mídia dominante, divido com vocês os seguintes textos, excelentes, que permitem entender a crise global para além de sua aparência. Basta clicar nos links dos títulos dos artigos e terá acesso aos textos integrais.


Breves comentários:

O texto do 11° Congresso do PC do B prognostica já em novembro de 2005 que:

" E é cada vez mais difícil a instauração de um novo ciclo de elevado crescimento econômico global (...) Tudo isso está relacionado com os desequilíbrios estruturais da economia norte-americana, que se caracterizam por gigantescos déficits externos e déficit fiscal; sobrevalorização dos ativos imobiliários; elevadíssimo endividamento;(...)


O texto de Beluzzo apresenta com incrível didática a história das crises, uma senhora aula sobre as teorias econômicas envolvidas, uma defesa das visões keynesianas. O texto é muito bom.


Walden Bello explica didaticamente as razões e a evolução da presente crise.


Bom proveito!



5 DE NOVEMBRO DE 2005



2 – Deterioração da situação econômica do sistema capitalista

As alterações no quadro político mundial e os conflitos a elas imanentes estão diretamente relacionados com a propensão à crise sistêmica e crônica do capitalismo. Nas últimas décadas do século XX, produziram-se importantes mudanças causadas principalmente pelas crises dos anos 1970. Estas mudanças acarretaram um conjunto de fenômenos recentes: novo patamar de internacionalização produtiva; reestruturação, com novas tecnologias e novas formas de gestão do trabalho; direcionamento do investimento externo direto em grandes volumes, configurando as corporações transnacionais globais; expansão de empresas de segmentação e subcontratação da produção; alianças tecnológicas delimitadas entre empresas; consolidação da forma de grupo empresarial com forte presença internacional; nova expansão da atividade financeira propriamente dita das empresas produtivas, com o surgimento de nova institucionalidade entre produção e finança e a predominância do capital financeiro; maior descolamento relativo entre as esferas da produção e da finança. E ampliaram-se as trocas internacionais, sobretudo nos marcos do comércio intrafirmas, que já atingiram cerca de 40% do comércio global. Entretanto, a taxa de crescimento dos mercados financeiros é muito superior a essa expansão comercial e ainda mais do que o incremento do setor produtivo.


8 DE OUTUBRO DE 2008 - 13h17
Luis Gonzaga Belluzzo: Os antecedentes da tormenta
O crescimento da última década foi celebrado como a expressão de um triunfo inexcedível da experiência capitalista dos Estados Unidos sobre o resto do mundo. Avaliações peremptórias não hesitaram em apontá-la como superior não só à experiência socialista, como também a de outros tipos de capitalismo, como o japonês e os modelos europeus de sociedade e de economia. (1)
Por Luiz Gonzaga Belluzzo*




A crise financeira que assola os Estados Unidos e o mundo capitalista abalou seriamente a fé neoliberal na suposta capacidade auto-reguladora das forças do mercado, mas despertou uma crença igualmente cega e falsa nos efeitos prodigiosos da intervenção redentora do Estado capitalista, que também não está sobrevivendo ao teste cruel da vida.
Por Umberto Martins*

Obs.: No texto, onde há 159 leia-se 159 mil.


10 DE OUTUBRO DE 2008 - 14h11

Roubini teme que crise financeira torne-se depressão global
Muito antes do início da atual crise financeira, o economista turco Nouriel Roubini já alertava para a gravidade do cenário que estava por vir. Agora, em meio ao turbilhão, a Casa Branca já leva em consideração suas análises. No momento, ele acha que o mundo corre o risco de uma depressão.



10 DE OUTUBRO DE 2008 - 11h44

Kucinski: A derrocada dos bancos e seus efeitos no mundo
A queda dos gigantescos bancos hipotecários e de investimento americanos e alguns europeus acelera o declínio do dólar e põe em xeque a hegemonia americana. Na Ásia bancos só balançaram; nenhum caiu. No Brasil, os bancos jogaram os riscos para as empresas e algumas vão quebrar.
Por Bernardo Kucinski*




11 DE OUTUBRO DE 2008 - 14h33
Tudo o que você quer saber sobre a crise e teme não entender (1)
Economista e cientista político filipino, Walden Bello — um crítico agudo do conservadorismo neoliberal — explica, de popular forma de perguntas e respostas, as razões e os fundamentos da crise financeira iniciada em Wall Street. Este texto, por ser muito longo, vai ser publicado em três partes.
Por Walden Bello (*)



quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Lula sobre expulsão do embaixador: "O Evo está correto"


17 DE SETEMBRO DE 2008 - 17h02

Em entrevista exclusiva à TV Brasil, que vai ao ar na noite desta quarta-feira (17) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou com um ''nem pensar'' qualquer intromissão do Brasil nos assuntos internos da Bolívia. Mas destacou a ''decisão histórica'' da União Sul Americana de Nações na segunda-feira. E justificou a expulsão do embaixador dos Estados Unidos pelo presidente Evo Morales: ''Não é de hoje, é famosa a interferência das embaixadas americanas em vários momentos da história do continente''.
Para ler a matéria completa, clique no título desta postagem.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Mobilização mundial exige libertação dos Cinco



Realiza-se em Nova Iorque primeiro concerto público

• HAVANA — O primeiro concerto público de solidariedade aos Cinco cubanos presos políticos em cárceres norte-americanos, realizou-se em Nova Iorque, com a assistência de mais de 600 espectadores, que reclamaram a liberdade desses antiterroristas.

A membro do Comitê Internacional pela Libertação dos Cinco, Alice Jrapko, declarou à Agência de Informação Nacional que no espetáculo intitulado Cinco Estrelas e um canto se exigiu de Washington a liberdade de René González, Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero e Fernando González, presos desde 12 de setembro de 1998 em Miami por prevenirem Cuba de ações terroristas.
O cenário foi o Auditório do Centro Comunitário Hostos, donde foi lida a mensagem dos Heróis da


República de Cuba.
As performances de reconhecidas figuras, entre as quais, o porto-riquenho Danny Rivera, o dominicano Víctor Víctor, Las Estrellas Doradas del Jazz de Porto Rico, e a mensagem do ator norte-americano Danny Glover, foram aplaudidas pelo público.

MOBILIZAÇÃO INTERNACIONAL
A jornada pela libertação dos Cinco Heróis foi realizada em Dili, capital de Timor-Leste, com uma multidão no populoso parque de Dissidere.

Três representantes dos combativos manifestantes apresentaram-se na embaixada norte-americana em Dili e entregaram a declaração, antes aprovada, exigindo a libertação dos antiterroristas cubanos. Por outro lado, em 14 de setembro, as mais de 200 delegadas iniciaram, na sessão de encerramento do 3º Congresso da Organização das Mulheres de Timor-Leste, a assinatura de uma declaração onde fazem um apelo para as mães e esposas estadunidenses aderirem ao reclamo universal a fim de que Olga Salanueva e Adriana Pérez possam visitar seus esposos, René e Gerardo, respectivamente, e sejam libertados os Cinco.

Também em Sevilha, Espanha, convocou-se a uma vigília em solidariedade aos Cinco, e no Japão, com a participação dos principais meios de comunicação locais como Asahi, Kyodo News, NHK, NTV, representantes de diversos meios digitais e jornalistas independentes, teve lugar uma entrevista coletiva do embaixador de Cuba nesse país, José Fernández de Cossío, dando-se início com ela à 3ª Jornada pela Libertação dos Cinco. Os assistentes receberam uma nota de imprensa com detalhes sobre o caso.


Amigos de Cuba na Austrália exigiram a liberdade dos lutadores antiterroristas cubanos presos nos Estados Unidos. Uma manifestação teve lugar frente à legação estadunidense em Perth, estado de Western Australia, quando grupos da Associação de Amizade, organizações políticas e outros setores reclamaram justiça para os Cinco, soltando igual número de pombas.

domingo, 14 de setembro de 2008

Solidariedade à Bolívia







Agência Boliviana de Informação




Cobija, 14 set (ABI).

A más de 24 horas de la declaración de estado de sitio, la madrugada de este domingo sin necesidad de hacer uso de armas letales, las Fuerzas Armadas incursionaron en la ciudad de Cobija y luego se dirigieron a otras poblaciones para restablecer el orden y frenar la violencia criminal desatada por paramilitares y sicarios promovidos por el prefecto de Pando, Leopoldo Fernández.




O massacre de camponeses mais cruento da história democrática boliviana, executado por pistoleiros a serviço da Prefeitura de Pando, causando já 30 mortos e dezenas de feridos, graças a uma emboscada na localidade de Três Barracas, no município de Porvenir. Este saldo macabro colocou o prefeito Leopoldo Fernandez à margem da lei, como assegurou o governo na noite de sábado.

sábado, 13 de setembro de 2008

Solidariedade à Bolívia!










13 DE SETEMBRO DE 2008 - 16h40

Durou mais de oito horas e entrou pela madrugada deste sábado (13) o encontro governo-oposição visando superar a convulsão política na Bolívia. As partes foram lideradas pelo vice-presidente Álvaro García Linera, do lado do governo, e pelo governador de Tarija, Mario Cossío, pela oposição conservadora, agrupada no Conalde (Conselho Nacional Democrático). De concreto, saiu uma espécie de trégua, e um novo encontro, na tarde de domingo.

12 DE SETEMBRO DE 2008 - 18h10


Uma ponte situada a 7 km de Porvenir [e a 30 km da fronteira com o Brasil], por onde passava um milhar de camponeses em marcha rumo a Cobija, num protesto contra a violência deflagrada pelo governador de Pando, Leopoldo Fernández: foi este o cenário do massacre de 11 de setembro na Bolívia. Os paramilitares, treinados e financiados pelo cacique de Pando, dispararam contra gente indefesa.





EDITORIAL
A decisão do presidente Evo Morales, da Bolívia, de expulsar do país o embaixador estadunidense Philip Goldberg é um sinal da gravidade da crise provocada pela oposição de direita, que quer ''derrubar o índio'', como diz, para tudo voltar a ser como sempre foi. As raízes da crise estão na eleição do primeiro presidente indígena, cuja posse em janeiro de 2006 assinalou o início de um programa de reversão dos privilégios seculares da classe dominante boliviana e seus vínculos com o imperialismo dos EUA. (Continua)


Altamiro Borges
Mídia acoberta terroristas da Bolívia
É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na Bolívia. Os serviçais da TV Globo tratam os chefões golpistas como ''líderes cívicos'' e ''dirigentes regionais'.








O presidente boliviano fez o apelo lembrando que ''no diálogo mandam

as razões e não as imposições''. ''Estarei no palácio'', disse o governador.








Gobierno de Bolivia declaró estado de sitio en Pando por violencia desatada
El Gobierno de Bolivia declaró este viernes estado de sitio en el norteño departamento de Pando, al asegurar que los violentos hechos ocurridos en las últimas horas en la capital, Cobija, y otras localidades, incluido el asesinato de 14 campesinos, constituyen "genocidio" y "crímenes de lesa humanidad".
Unasur reafirma apoyo a Evo Morales y deplora violencia en Bolivia
La Unión de Naciones Suramericanas (Unasur) expresó este viernes su apoyo a la democracia en Bolivia a la vez que deploró la violencia registrada en la nación del altiplano, desatada en las regiones gobernadas por prefectos de la ultraderecha boliviana.




A POLÍTICA DOS EUA NA BOLÍVIA
Os movimentos de um embaixador especialista em conflitos separatistas
Deputados bolivianos divulgam documento denunciando as articulações promovidas pelo embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, Philip Goldberg, contra o governo de Evo Morales. Considerado um especialista em conflitos separatistas, Goldberg foi enviado a La Paz depois de chefiar a missão dos EUA no Kosovo, onde trabalhou para consolidar a separação e a independência dessa região, depois da Guerra dos Balcãs.

APOIO A EVO MORALES
Manifesto repudia agressões fascistas na Bolívia

Grupo de intelectuais, ativistas e lideranças de movimentos sociais e políticos de vários países do continente e da Europa divulgaram um manifesto em defesa do presidente da Bolívia, Evo Morales, e em repúdio às agressões fascistas contra a democracia. Texto denuncia "atos de vandalismo organizados pela oligarquia e grupos fascistas de Santa Cruz".
Redação - Carta Maior


Cívicos independentistas de Tarija
“Queremos guerra civil”
La Epoca

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Ignácio Ramonet: Pela 1ª vez, mundo vê 3 crises ao mesmo tempo

http://www.vermelho.org.br/

19 DE AGOSTO DE 2008 - 14h35

Nunca havia acontecido antes. Pela primeira vez na história da economia moderna, três crises de grande amplitude – financeira, energética e alimentar – estão em conjunção, confluindo e combinando-se. Cada uma delas interage sobre as demais, agravando, de modo exponencial, a deterioração da economia real.
Por Ignacio Ramonet, do Le Monde Diplomatique


Por mais que as autoridades se esforcem em minimizar a gravidade do momento, o certo é que nos encontramos diante de um sismo econômico de magnitude inédita, cujos efeitos sociais, que mal começaram a se fazer sentir, explodirão nos próximos meses com toda a brutalidade. A numerologia não é uma ciência exata e o pior não costuma ser previsto, mas 2009 pode muito bem se parecer com o nefasto ano de 1929...

Como temíamos, a crise financeira continua aprofundando-se. Aos descalabros de prestigiosos bancos norte-americanos, como o Bear Stearns, o Merrill lynch e o gigante Citigroup, somou-se o recente desastre do lehman Brothers, quarto maior banco de negócios, que anunciou, em 9 de junho, um prejuízo trimestral de 2,8 bilhões de dólares. Como foi a primeira perda desde o lançamento de suas ações na Bolsa, em 1994, o resultado teve efeito de um terremoto financeiro, nos já violentamente traumatizados EUA.

A cada dia difundem-se notícias sobre novas quebras. Até agora, as entidades mais afetadas admitem prejuízos de quase 330 bilhões de dólares, e o Fundo Monetário Internacional estima que, para escapar da catástrofe, o sistema necessitará de cerca de 950 bilhões de dólares (o equivalente à metade do PIB do Brasil).

A crise começou nos Estados unidos, em agosto de 2007, com a desconfiança nas hipotecas de má qualidade (subprime) e propagou-se por todo o mundo. Sua capacidade de se transformar e se espraiar por meio da contaminação de complexos mecanismos financeiros faz com que se assemelhe a uma epidemia fulminante, impossível de controlar. As instituições bancárias já não emprestam dinheiro entre si. Todas desconfiam da saúde financeira de suas rivais.

Apesar das injeções maciças de liquidez efetuadas pelos grandes bancos centrais, nunca se vira uma seca tão severa de dinheiro nos mercados. E agora o maior temor de alguns é uma crise sistêmica — ou seja, que o conjunto do sistema econômico mundial entre em colapso.

Da esfera financeira, o problema passou para o conjunto da atividade econômica. De um momento para outro, as economias dos países desenvolvidos sofreram um desaquecimento. A Europa encontra-se em franca desaceleração e os Estados Unidos estão à beira da recessão.

O setor imobiliário é onde melhor aparece a dureza desse ajuste. Durante o primeiro trimestre de 2008, o número de vendas de moradias na Espanha caiu 29%! Cerca de dois milhões de apartamentos e casas estão sem compradores. O preço das propriedades continua a desmoronar.

O aumento dos juros hipotecários e os temores de uma recessão lançaram o setor numa espiral infernal, com ferozes efeitos em todas as frentes da imensa indústria da construção. Todas as empresas desses setores estão agora no olho do furacão. E assistem, impotentes, à destruição de dezenas de milhares de empregos.

Da crise financeira passamos à crise social. E políticas autoritárias voltaram a surgir. O Parlamento Europeu aprovou, em 18 de junho passado, a infame “diretiva de retorno”. Imediatamente, as autoridades espanholas declararam sua disposição em favorecer a saída da Espanha de um milhão de trabalhadores estrangeiros...

Em meio a essa situação de espanto, ocorre o terceiro choque do petróleo, com o preço do barril em torno de US$ 140. Um aumento irracional (há dez anos o barril custava menos de US$ 10) devido não apenas a uma demanda despropositada mas, especialmente, à ação de muitos especuladores, que apostam no aumento contínuo de um combustível em vias de extinção.

Retirando-se da bolha imobiliária, que desinfla, os investidores alocam somas colossais em contratos para entrega futura de petróleo, o que pode levar o preço do barril a algo em torno de US$ 200.

Ou seja: está ocorrendo uma “financeirizacão” do petróleo, com conseqüências como formidáveis aumentos de preços da gasolina, em muitos países, e a ira de pescadores, caminhoneiros, agricultores, taxistas e todos os profissionais mais afetados. Em muitos casos, eles exigem de seus governos ajudas, subsídios ou reduções dos impostos, com grandes manifestações e enfrentamentos.

Como se todo esse contexto não fosse bastante sombrio, a crise alimentar agravou-se repentinamente e chega para nos lembrar que o espectro da fome continua ameaçando quase um bilhão de pessoas. Em cerca de 40 países, a carência de alimentos provocou levantes e revoltas populares. A reunião de cúpula da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), foi incapaz, em 5 de junho, em Roma, de chegar a um consenso para retomar a produção de alimentos no mundo. Aqui também os especuladores, fugindo do desastre financeiro, têm parte de responsabilidade — porque apostam num preço elevado das futuras colheitas. Até mesmo a agricultura está se “financeirizando”.

Este é o saldo deplorável de 25 anos de neoliberalismo: três venenosas crises entrelaçadas. Já está na hora de os cidadãos gritarem: “Basta!”.

África do Sul: evento inédito propõe articulação progressista


Dois eventos realizados no último final de semana em Joanesburgo, África do Sul, marcaram a retomada da articulação de forças comunistas, aintiimperialistas, progressistas e de esquerda no continente. De 14 a 16 de agosto, teve lugar o seminário sobre democracia participativa, promovido pelo Partido Comunista da África do Sul e pelo Fórum Internacional da Esquerda da Suécia, ligado ao partido da esquerda do país nórdico. Participaram partidos, movimentos políticos e personalidades de 20 países africanos.





De outros continentes, além dos suecos, estiveram representados o Partido Comunista da Grécia, o Partido Comunista Cubano, o Partido Socialista Unido da Venezuela, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra - Via Campesina, do Brasil, e o Partido Comunista do Brasil, através do secretário de Relações Internacionais José Reinaldo Carvalho. No dia 17, domingo, desenvolveu-se uma reunião estritamente partidária com o sugestivo título ''Construindo uma rede de partidos progressistas, comunistas, de trabalhadores e de esquerda pela paz e o socialismo, contra o neocolonialismo e o imperialismo na África''.

O seminário sobre democracia participativa deu lugar a uma abrangente discussão sobre a situação internacional e a trágica realidade do continente africano. Blade Nzimande, secretário-geral do Partido Comunista da África do Sul, apresentou a intervenção de abertura, ressaltando o ineditismo da iniciativa no continente: ''Há numerosas razões pelas quais esta conferência é tão histórica e importante. Inicialmente porque é a primeira vez que se realiza uma conferência com esta natureza e que partidos progressistas e forças de esquerda de diferentes lugares se reúnem para discutir temas de interesse comum''.

O dirigente comunista sul-africano, em sintonia com a opinião corrente no movimento comunista internacional e compartilhada pelos comunistas brasileiros, destacou ''o fracasso do capitalismo em fazer face às necessidades da humanidade''. Nzimande afirmou que ''o sistema capitalista global encontra-se mergulhado numa profunda crise sistêmica, o que não quer dizer que o capitalismo se destruirá por si mesmo, ou que o futuro socialista chegará automaticamente. Significa – asseverou o dirigente sul-africano – que o capitalismo revela-se como um sistema bárbaro, sem respostas aos desafios de nossa época''.


Referindo-se à crise dos Estados Unidos, o líder do PC sul-africano apresentou uma opinião semelhante às conclusões do último congresso do PCdoB: ''Vivemos em um período, possivelmente longo, em que crescentemente os EUA perdem sua posição dominante no sistema capitalista mundial''. Sobre a posição política básica do PC da África do Sul e os problemas internacionais, Blade Nzimande declarou que o seu partido continua profundamente comprometido com a solidariedade internacional dos trabalhadores e com a construção de um forte movimento progressista mundial pela paz, oposto à guerra. Ele reafirmou também o engajamento do seu partido na construção no continente africano de um movimento progressista pela paz, a democracia e o socialismo.


Detendo-se especificamente na realidade da África, o dirigente do PC sul-africano enfatizou que a tarefa fundamental a enfrentar é levar adiante e completar a revolução nacional-democrática em todos os seus aspectos e dimensões. Nzimande relaciona a crise, a marginalização e o empobrecimento da África ao sistema imperialista global e à falência durante muitas décadas das elites locais baseadas numa agenda neocolonial, assim como à degeneração e em alguns casos o colapso de muitas revoluções nacional-democráticas levadas a cabo pelos anteriores movimentos de libertação.


Depois de ressaltar que a democracia representativa encontra-se em crise também na África e chamar a atenção para o correto equacionamento da luta democrática com a luta pelo desenvolvimento nacional e social, o dirigente do PC sul-africano destacou o papel central das massas populares e da luta de massas, assinalando que o objetivo estratégico é o futuro socialista, não apenas em tese, mas com visão prática. ''O socialismo é o futuro. Construamo-lo desde agora''.

O seminário aprovou a ''Declaração de Joanesburgo'', que ressalta entre outros tópicos que o continente africano tem sido e continua sendo arruinado pelos efeitos do neocolonialismo, da burguesia associada e do imperialismo, devastado por enfermidades curáveis, entre elas a malária e a tuberculose, pelo subdesenvolvimento, pela pobreza abjeta e precárias condições de vida que afetam a maioria das populações. Isto, num continente que é um repositório de abundantes riquezas minerais, além da biodiversidade e de recursos hídricos e que o sistema capitalista e as forças imperialistas continuam enriquecendo e fortalecendo um punhado de capitalistas, ao passo que alguns governantes corruptos continuam oprimindo o povo.


O documento declara ainda o apoio à libertação dos povos da África, da classe operária, das comunidades rurais e camponesas e chama as forças progressistas do continente e de todo o mundo na construção de um mundo livre do imperialismo e do neocolonialismo, luta pelo socialismo. Defende ainda a luta pela total emancipação da mulher do patriarcado, contra o obscurantismo religioso e a opressão; a luta pela solução do problema da posse da terra; a promoção da democracia participativa; a solidariedade com todos os povos que na África e em outros continentes sofrem sob a vigência de regimes repressivos. Coloca também a solidariedade com os povos latino-americanos em luta para construir alternativas, o apoio à revolução cubana, a luta contra o bloqueio e pela libertação dos cinco patriotas presos nos Estados Unidos.


Nova articulação


Finalizado o seminário, os partidos de esquerda presentes em Joanesburgo reuniram-se para criar a rede de partidos progressistas, comunistas, de trabalhadores e de esquerda da África. Falaram sobre as realidades de seus países e os problemas regionais e internacionais os seguintes partidos: Partido Comunista da África do Sul, Frente Nacional de Botswana, Partido Comunista do Egito, Partido Social Democrático de Quênia, Partido Comunista de Lesoto, Partido Democrático Progressista de Malawi, Forças Democráticas Unificadas de Ruanda, Partido Comunista do Sudão, Movimento Democrático Popular Unificado da Suazilândia, Núcleo Socialista Campala de Uganda, Frente Polisário do Sahara Ocidental, Movimento Progressista de Zâmbia, além do Partido de Esquerda as Suécia e do Partido Comunista da Grécia, da Europa e do Partido Comunista de Cuba e do Partido Comunista do Brasil da América Latina.



A reunião decidiu criar o Centro Africano de Informação e Comunicação de Esquerda como um fórum de debates e um sítio de Internet e convocar uma Conferência anual das forças comunistas e progressistas para o debate de temas políticos e ideológicos.
PCdoB saúda a África


Para o dirigente do PCdoB, José Reinaldo Carvalho, ''o acerto da decisão dos camaradas sul-africanos ao realizarem estas atividades fica evidente quando observamos os principais traços da realidade internacional – aprofundamento da crise sistêmica do capitalismo; agravamento das contradições sociais, nacionais e interimperialistas; imposição de políticas neoliberais e neocolonialistas aos países dependentes, intensificação do militarismo e da política de guerra do imperialismo; violação do direito internacional e falência do sistema multilateral.


O dirigente do PCdoB, além de participar dos mencionados eventos, dedicou-se às reuniões bilaterais com os partidos presentes e visitou importantes marcos da luta democrática do povo sul-africano: o Museu do Apartheid e a Praça da Constituição. Retorna ao Brasil nesta segunda-feira,18, impactado pela marcante experiência de reunir-se com revolucionários no continente africano. ''Devo dizer que para os comunistas brasileiros foi um aprendizado escutar tão profundas e abrangentes discussões e intervenções, o que muito enriquece a nossa experiência.



Além do mais, estar na África revolve os nossos sentimentos. Na África estamos em nosso berço, no convívio com os africanos é como se voltássemos às nossas origens, pois aqui vive a mãe de nosso povo, a Mama África. Nos povos africanos encontramos parte importante dos fundamentos da civilização brasileira, pelo que somos e seremos eternamente gratos'', afirmou.



Da Redação do Vermelho (www.vermelho.org.br)




quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Presidente Lula anuncia reconstrução da sede da UNE e da Ubes







12 de agosto de 2008









Durante ato no terreno da UNE e da UBES, na Praia do Flamengo, 132, presidente Lula assinou Projeto de Lei que reconhece a responsabilidade do Estado brasileiro na demolição da sede das entidades e participou também do lançamento da Caravana da UNE: Saúde, Educação e Cultura
Nesta terça-feira (12), às 14 horas, o presidente Lula tornou-se o segundo presidente da República a visitar a sede da UNE e da UBES em seus 70 anos de história. O primeiro — e único até então — foi João Goulart, em 1962. Lula esteve no local para assinar uma mensagem que será enviada ao Congresso Nacional, com o Projeto de Lei propondo indenização à. UNE, por ter seu prédio incendiado em 1964, e posteriormente demolido, em 1980.





"A UNE, por tudo o que fez e por tudo o que significou, jamais deveria ter sido destruída, mas sim vangloriada", declarou Lula durante a cerimônia.




A presidente da UNE, Lúcia Stumpf, afirmou: "Não foi por acaso que a UNE foi atacada em 1964, mas sim por todo o simbolismo de resistência da juventude contra a ditadura militar. O dia de hoje vai entrar para a história. Vamos reconstruir aqui a nova casa do poder jovem."




O governador de São Paulo, José Serra, que era presidente da UNE em 1964, quando a sede da entidade foi incendiada, lembrou que "a UNE foi o principal foco do ataque no primeiro dia do golpe militar de 64. O gesto de Lula, hoje, revigora este símbolo histórico."




Sergio Cabral, governador do Rio de Janeiro, afirmou que "em 2007, apoiamos a reintegração de posse do terreno da UNE. Sem violência, conseguimos garantir a devolução do terreno à entidade."




Ismael Cardoso, presidente da UBES, declarou que "este momento ficará marcado pela reparação do Estado ao movimento estudantil e que só com a rebeldia conseqüente se constrói um Brasil soberano".




Além de Serra, também estiveram presentes os ex-presidentes da UNE Aldo Arantes (61/62), Jean Marc Van der Weid (69/70), Aldo Rebelo (80/81), Wadson Ribeiro (99/01 e atual ministro interino dos Esportes) e Gustavo Petta (03/06).




O evento contou ainda com as presenças dos ministros José Gomes Temporão (Saúde), Fernando Haddad (Educação) e Edson Santos (Igualdade Social); do vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão; do secretário-geral da Presidência da República, Luiz Carlos Dulci;; do presidente do Conselho Nacional de Juventude, Danilo Moreira; do secretário nacional de Juventude, Luís Roberto Cury; dos deputados federais Chico Lopes e Reginaldo Lopes; e dos senadores Inácio Arruda, Paulo Duque e Ideli Salvatti. Todos os presentes lembraram da importância do movimento estudantil para a história do País e a forma violenta como as entidades foram colocadas na clandestinidade após o incêndio criminoso de sua sede em 1964.



Praia do Flamengo, 132




O local é berço do movimento estudantil e da resistência à ditadura militar. Abrigou a sede da UNE e da UBES, de 1942 até o fatídico dia 1° de abril de 1964, quando o prédio foi incendiado como primeiro ato da ditadura militar. Em 1980, o que restava do edifício foi demolido por ordem do então presidente João Figueiredo. Catorze anos depois, em 1994, o então presidente Itamar Franco reafirmou a posse do terreno às entidades. Naquele momento, o terreno era ocupado de forma irregular por um posseiro que explorava no local um estacionamento clandestino. Apenas em 1º de fevereiro de 2007, a UNE recuperou a posse do tradicional endereço, quando, durante uma passeata, milhares de estudantes ocuparam o local onde funcionava um estacionamento ilegal e expulsaram de lá o posseiro.




A partir daí iniciou-se uma série de atos pela reconstrução da sede. A campanha Meu Apoio é Concreto, lançada pela UNE e pela UBES, tem o objetivo de angariar fundos para a reconstrução do prédio. O projeto recebeu o apoio de diversos políticos, personalidades de setores como cultura e educação e ex-lideranças estudantis.




Projeto Oscar Niemeyer




No dia 10 de agosto de 2007, data em que a presidente da UNE, Lucia Stumpf, tomou posse, e, em meio às comemorações dos 70 anos da entidade, o arquiteto Oscar Niemeyer presenteou a UNE e a UBES com uma versão atualizada do projeto, para a reconstrução da sede no terreno da Praia do Flamengo. Niemeyer idealizou um prédio com 13 andares, onde também haverá um teatro para abrigar as produções culturais estudantis e um museu de Memória do Movimento Estudantil, entre outros espaços.




Caravana da UNE: Saúde, Educação e Cultura




No mesmo dia 12, o ônibus da Caravana da UNE: Saúde, Educação e Cultura, uma parceria com o Ministério da Saúde, ligou o motor para dar início ao seu itinerário pelo Brasil. A abertura ocorreu após a cerimônia com o presidente Lula, na Praia do Flamengo.




A expedição, que terá duração de mais de três meses (até 27 de novembro), e percorrerá aproximadamente 32 mil km, visitará 41 universidades públicas e particulares dos 26 Estados, mais o Distrito Federal. Essa será a primeira vez que uma caravana da UNE passará por todos os Estados brasileiros. O ônibus da Caravana da UNE chegará nas instituições e sua equipe realizará um dia de mobilização, com eventos, debates, campanhas, como a de doação de sangue, e por fim, atividades culturais.




Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, "não existe democracia sem juventude. A Caravana vai discutir a saúde como um direito do cidadão e um dever do Estado".
Ao final do ato, toda a estrutura do evento seguiu até o Campus da Praia Vermelha, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ponto de partida oficial da Caravana. O grupo de teatro "Tá na Rua" fez uma apresentação encerrando o primeiro dia da Caravana da UNE: Saúde, Educação e Cultura.




Amanhã (14), a Caravana seguirá para a Universidade Estácio de Sá, promovendo dois debates e atividades culturais. O primeiro deles acontecerá pela manhã, com o tema "Drogas – Legalizar ou não?".




Dia 18, a Caravana da UNE pegará a estrada em direção ao Espírito Santo.



Da redação
Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência
As fotos de 1980 podem ser vistas em http://www.bricabrac.com.br/une1980/

domingo, 10 de agosto de 2008

Altamiro Borges: "Olimpíadas da China e lixo midiático"

9 DE AGOSTO DE 2008 - 19h02
www.vermelho.org.br

Num artigo corajoso e lúcido, o respeitado intelectual César Benjamin, que recentemente estreou uma coluna semanal na Folha de S.Paulo, desafinou o coro quase unânime da mídia burguesa na cobertura das Olimpíadas da China. “É deveras impressionante o lixo ideológico que a imprensa tem produzido ao cobrir as Olimpíadas. Em geral, os repórteres buscam sempre os ângulos mais negativos, mesmo à custa de adentrar o ridículo”, dispara logo no primeiro parágrafo, o que pode até custar o seu reduzido espaço na Folha, um jornal que se diz pluralista, mas que tem marcado a cobertura com a mais rancorosa manipulação anticomunista, típica dos tempos da “guerra fria”.

O artigo relata “coisas incríveis” transmitidas pela TV que incomodam até os críticos à esquerda da complexa experiência chinesa. “O locutor ressalta o caráter repressivo do regime, enquanto as imagens mostram, como prova disso, um grupo de guardas de trânsito e câmeras de televisão que monitoram avenidas. O locutor fala do controle do Partido Comunista sobre as pessoas, enquanto na tela aparecem torcedores que preparam uma coreografia. Manifestações com menos de cinco indivíduos são tratadas como acontecimentos épicos. Se houver um pouco maiores, é a prova de que o povo está contra o governo. Se não houver, é a prova de que a repressão é terrível”.

Já na mídia impressa, como a Folha, “repórteres monotemáticos escrevem todos os dias sobre a falta de liberdade de expressão, carregando nas tintas, para cumprir a pauta que receberam dos chefes. Se não cumprirem, serão demitidos. Defendem, pois, uma liberdade que eles mesmos não têm”. Ao final do artigo, César Benjamin apela ao bom jornalismo, mais informativo e menos deturpado. “Agora que os jogos começaram, torço para que o lixo ideológico se retraia, para que finalmente possamos prestar atenção nos atletas. A festa lhes pertence. Tomara que seja linda”.

A campanha prévia de sabotagem

O texto indignado e corajoso da César Benjamin expressa bem o sentimento das pessoas com um mínimo de senso crítico. É deplorável assistir nas telinhas o destaque dado ao discurso petulante do carniceiro George Bush, na abertura dos jogos, em defesa dos direitos humanos. Logo ele que é culpado por um milhão de mortos no Iraque invadido e dizimado; que incentiva abertamente as torturas nos campos de concentração de Guantánamo e Abu Ghraib; que banca a Patriot-Act, que restringe as liberdades democráticas nos EUA. É repugnante ouvir o italiano Silvio Berlusconi, o francês Nicolas Sarkozy e outros fascistas europeus condenando a falta de democracia na China, isto após aprovarem a abominável lei da “Diretiva do Retorno” contra os imigrantes.

Como já havia antecipado Michel Chossudovsky, professor da Universidade de Ottawa, a mídia mundial promoveu intensa campanha prévia visando sabotar a Olimpíada de Pequim. Sua última e desesperada cartada foi o vídeo do Partido Islâmico do Turkistão contendo ameaças de ataques terroristas na China. No mês de julho, dois atentados no interior foram assumidos por esta seita, “apoiada pelo Serviço de Inteligência do Paquistão, que atua em estreita colaboração com a CIA, a agência de espionagem dos EUA”. A campanha midiática contou também com as ameaças do Dalai Lama, o “pacifista” que apoiou a invasão do Iraque, e com outras manipulações grotescas. Apesar da ofensiva, a Olimpíada começou e, como diz César Benjamin, “tomara que seja linda”.

*Altamiro Borges é jornalista. Artigo publicado originalmente no Blog do Miro (
http://altamiroborges.blogspot.com/ )

Clique aqui para ler o artigo de Cesar Benjamin

domingo, 27 de julho de 2008

Juros altos: a ponta do iceberg

www.ctb.org.br


25/07/2008
João Batista Lemos




O combate ao ciclo de elevação da taxa básica de juros, a Selic, adotado pelo Banco Central (BC) e que tende a ser longo, é a tarefa mais importante para os trabalhadores nos dias atuais. Ao analisar as condições históricas, políticas e econômicas que se entrelaçam nesta questão, vemos que o Brasil vive atualmente uma situação de aberto confronto entre a elite e o povo — com fortes repercussões no mundo do trabalho.


No Brasil, apesar dos avanços democráticos ocorridos nestes anos de governo Lula, ainda vivemos uma situação que torna difícil a tarefa de fazer dos trabalhadores agentes sociais e políticos efetivos. Ou por outra: é difícil construir avanços sociais numa economia historicamente controlada com mão de ferro por uma minoria da sociedade insensível às necessidades da imensa maioria da população — o que se traduz num sistema econômico rapinesco pelo qual poucas leis fazem tanto sentido quanto a lei do mais forte.


Agora, com a inflação ameaçando sair do rígido controle da política monetária, voltam à tona velhas teses que atingem frontalmente os trabalhadores. É o caso da campanha de setores empresariais — e até de economistas com perfil progressista — que defende o corte de investimentos públicos como meio para domar a inflação. O fato é que tanto o aperto monetário do BC por meio dos juros elevados quanto o “ajuste fiscal” dos cortes em investimento atingem diretamente os trabalhadores.


Estas duas alternativas procuram descarregar nas costas dos assalariados o peso do combate à inflação. A primeira significa estancar o crescimento econômico e reprimir o consumo. Já o “ajuste fiscal” implica em cortar investimentos em estradas, ferrovias, escolas e hospitais de que o povo precisa para abastecer o superávit primário — que paga os juros e encargos da especulação financeira. Nenhuma dessas alternativas vai à raiz do problema. As duas trazem de volta, para os trabalhadores, o velho dilema: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.


Arquitetura social brasileira


Qual é a saída? O Brasil precisa de mais produção, de mais emprego e de mais renda para dinamizar a sua vida econômica e social e não ficar dependente do capital especulativo — principalmente o internacional. Aos trabalhadores cabe também a tarefa de exigir do governo mais investimento na produção agrícola para enfrentar a pressão externa da alta dos preços dos alimentos e estimular o mercado interno.


O consumo popular funciona como o estopim econômico de transformações sociais. Para o povo, ele é bem-vindo também por isso — a edificação de uma sociedade de consumo no Brasil trará muitos benefícios. Poderemos transformar muitos brasileiros em cidadãos, reintegrados pelo direito de exercer um poder de compra, mínimo que seja. O Estado precisa de um projeto de nação e gerenciar a produção, não a especulação.


Diagnósticos e prognósticos


Diante disso, duas questões surgem como essenciais: a geração de emprego e o estímulo ao consumo. O desemprego ainda alto precisa ser atacado com a retomada do desenvolvimento econômico e ao mesmo tempo com a valorização do trabalho. As alternativas de aperto monetário e “ajuste fiscal” ignoraram essa coisa simples de que fórmulas matemáticas não devem substituir o desenvolvimento de um povo que habita uma região cheia de riquezas naturais.


Hoje, o combate às sucessivas altas dos juros pelo BC, contrariando diferentes diagnósticos e prognósticos sobre seus males para o país, abarca diferentes setores da sociedade. Mas é preciso constatar que entre os que reprovam a política de juros altos estão os que propõem o “ajuste fiscal” — que também é nefasto para os trabalhadores. Não resta para nós outro caminho que não seja o de exigir com vigor uma mudança de rumo na condução da política macroeconômica e combater tanto o aperto monetário quanto o “ajuste fiscal”.


Assalariados pagam o pato


O desafio é transformar a indignação cada vez mais em energia para dar combate aos interesses que se beneficiam desta ciranda financeira. E uma das formas é mostrar, com consistência e profundidade, para os trabalhadores que seremos os primeiros — e os principais — a serem atingidos pela crise anunciada com a elevação dos juros. E mostrar que o “ajuste fiscal” vai na mesma direção. Se a mão pesada do BC não for detida já, em 2009 certamente haverá redução da atividade econômica, o que se desdobra em mais desemprego e achatamento salarial.Não resta dúvida: na crise, os primeiros a pagarem o pato são os assalariados.


No capitalismo, o consumo depende basicamente dos que vivem de salário e de lucro — para preservar o segundo, o primeiro precisa ser sacrificado. Trocando em miúdos: se o rico deixar de consumir caviar, muito antes vários trabalhadores perderão a condição obtida com a expansão do emprego e a elevação do salário por conta do crescimento econômico de comprar um quilo de carne.


Passos no presente


Um cenário menos sombrio para os trabalhadores depende dos nossos passos no presente, da defesa com ações concretas de um projeto de desenvolvimento com valorização do trabalho e com vocação soberana. Esta é a resposta que deve ser dada ao padrão conservador da macroeconomia brasileira. Ou seja: pensar o país estrategicamente. Esse é, sem dúvida, o fio da meada para se compreender a complexa equação econômica que define a atual situação brasileira. O pano de fundo é o papel do Estado, que dever ter um projeto de nação e agir como indutor da economia.


Para que este projeto se concretize, é preciso lutar com unidade e determinação. O Brasil não pode retroceder aos tempos em que prevalecia a política de o Estado atacar direitos dos trabalhadores, de enfraquecer o trabalho para fortalecer o capital. Ações políticas de massa Administrar o país tendo em perspectiva um novo rumo significa aferir perdas e ganhos de cada medida adotada, considerando sua escala de contextos. A busca do caminho mais curto — como é o caso desta escalada de alta dos juros para supostamente combater a inflação causada basicamente pela alta dos alimentos e das commodities, além da queda do dólar — não é a saída para melhorar as coisas.


O momento histórico do Brasil é muito rico e, por isso, propício para uma definição de rumo. Os passos que damos é que vão inventando o caminho, como no provérbio. Lógico que estamos diante de um cenário complexo. Mas, principalmente por isso, precisamos de mais ações políticas de massa. O país está completamente imerso nos fluxos internacionais de capitais especulativos e está deixando a política econômica ser determinada pelos "investidores". E isso leva o país a orientar as prioridades econômicas para o setor financeiro.


Raiz dos problemas


O país precisa de uma mudança contínua na política macroeconômica. É preciso taxar efetivamente a remessa de lucros e controlar a movimentação do capital especulativo. A liberdade total do dinheiro que entra e sai do país para se banquetear nas altas taxas de juros estipuladas pelo BC favorece somente os grandes especuladores nacionais — e, principalmente, internacionais. Há quase que um consenso de que o Brasil não pode mais dar-se ao luxo de continuar passivo diante da crise mundial, que tende a tragar para o centro do furacão as economias com pés de barro.


A hora de o Brasil enfrentar a raiz de seus problemas é agora. É um passo que, se não for dado já, mais tarde o preço a pagar será muito mais alto. Todos os sinais apontam para a exaustão do país diante de uma economia asfixiada por um prolongado e autoritário controle monetário, que continua gerando vulnerabilidade externa e mazelas sociais.


Tarefa monumental
É preciso olhar números, debater e discutir soluções. O Brasil tem, aproximadamente, 54 milhões de pobres, ou 34% dos habitantes do país. Isso corresponde a uma Itália. Desses 54 milhões, cerca de 30 milhões vivem abaixo da linha de indigência. Isso corresponde a uma Venezuela. Os 10% mais ricos da população ficam com quase metade de tudo o que é produzido no país. A metade mais pobre ganha menos do que o 1% mais rico. Virar esse jogo é uma tarefa monumental, que pode até ser dolorosa, é verdade. É, sem dúvida, uma engenharia de grande envergadura, que exige flexibilidade para fazer os objetivos encadear sempre na perspectiva da solução preconizada pelos trabalhadores, acompanhando a vida e suas nuances.


Para tanto, todos os nossos esforços devem estar a serviço da superação completa do neoliberalismo, que fez os ricos ficarem mais ricos, os pobres mais pobres, e os miseráveis excluídos até da discussão sobre a exclusão social.


Batista Lemos é Secretário adjunto de relações internacionais da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)
www.ctb.org.br
Assista o vídeo contra a alta de juros realizado pelas Centrais Sindicais no dia da última alta decretada pelo BC no endereço abaixo:

sábado, 26 de julho de 2008

Presidiários solidários a homem que roubou queijo


www.vermelho.org.br

25 DE JULHO DE 2008 - 12h19

O desempregado Wandevergue Rosas Paiva, um pernambucano de 41 anos, foi preso na quinta-feira (17) no Recife, por furtar duas latas de queijo de um supermercado. Foi libertado na noite da última quarta-feira (23) e foi dormir na casa onde vive com a companheira Andrea e os sete filhos, no bairro de Casa Amarela, na zona norte do Recife.

"É uma emoção muito grande estar ao lado dos meus filhos. Eu não esperava nem tão cedo", disse, emocionado. "Todo mundo me ajudou. Eu queria que todos vocês do Cotel (Centro de Triagem dos detentos de Recife) voltassem para suas casas", acrescentou.

O flanelinha disse ter ficado preso em uma cela com dez homens, que, conhecendo o caso, ofereceram para ele cama e roupas. A família também foi surpreendida nesses seis dias por inúmeras doações de alimentos, roupas, fraldas e eletrodomésticos, entre outros objetos.

Um dia antes de ser solto, Wandevergue sonhou com a liberdade. "Sonhei que uma águia branca me pegava e me deixava do outro lado do muro."

Disse que estava arrependido do que fez. Garantiu que, ao chegar em casa, iria pedir perdão aos filhos. O Jornal do Commercio, do Recife, entrevistou o desempregado, que ocupa seu tempo como flanelinha nas ruas da capital pernambucana.

Leia abaixo a entrevista, publicada na edição desta sexta-feira do Jornal do Commercio.

JC – O que passou pela sua cabeça antes de entrar naquele supermercado?

Wandevergue Paiva – Passou pela minha cabeça que minhas crianças estavam sempre com fome em casa. Eu estava agoniado, aperreado. Não podia chegar em casa com as mão vazias. Estava sem trabalho, sem nada. Precisava fazer alguma coisa.

JC – Mas você entrou no supermercado pensando em roubar?

Wandevergue – Não. Eu não tinha pensamento para fazer nada disso. Entrei para pedir alguma coisa. Pedi na frente do supermercado, mas ninguém me deu nada. Tinha bebido, aí decidi fazer isso. Errei. Sei que o que fiz estava errado, mas fiz no impulso.

JC – Você se arrepende do que fez?

Wandevergue – Me arrependo muito. Mas na hora a pessoa não pensa. Quem tem filho sente. Sei que errei, mas o erro da fome é maior. Sei que Jesus viu na hora que eu ia fazer aquilo. Mas era para comida.

JC – O que você ia fazer com os dois potes de queijo?

Wandevergue – Eu ia vender. Ia oferecer paras as pessoas. Não sabia nem o valor. Ia vender por qualquer preço. Queria qualquer coisa para comprar comida para os meus filhos.

JC – Muitas pessoas fizeram doações para você e sua família...

Wandevergue – Eu só tenho a agradecer a essas pessoas. Que Deus ilumine todas essas pessoas.

JC – Como foram esses dias dentro do presídio?

Wandevergue – O pessoal me tratou muito bem. Sabiam o que tinha acontecido comigo. Fiquei em uma cela com mais uns dez presos. Eles me deram colchão para eu dormir e até roupa. Agradeci muito a todos eles. Me ajudaram muito lá dentro.

JC – E agora que você está livre de novo, o que pretende fazer?

Wandevergue – Eu quero trabalhar. Preciso que alguém me dê uma força, me dê um emprego, uma carroça, qualquer coisa para eu negociar.

Da redação, com agências

quarta-feira, 23 de julho de 2008

90 anos da revolta de Córdoba e a nova hora americana



Dois mil e oito marca os 40 anos do Maio de 1968, mas não apenas. Celebramos também o aniversário de 90 anos da Revolta estudantil de Córdoba, episódio que alçou a Reforma Universitária à condição de uma das mais importantes bandeiras do movimento estudantil latino-americano.


O que foi a Rebelião de Córdoba


Naquele junho de 1918, a Europa saía da Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa dava seus primeiros passos que modificariam em profundidade o planeta. Desde o fim do século 19 e o princípio do Século 20 os estudantes já tinham peso como a parcela mais ativa da juventude quanto às questões políticas (1). No Uruguai, Chile e na Argentina, iniciavam-se as movimentações pela organização gremial e em Montevidéu já em 1908 reúne-se um “Primeiro Congresso de Estudantes Americanos. Na Argentina, a efervescência estudantil se dava em meio a um momento de renovação política com a ascensão ao governo nacional da União Cívica Radical, sob a presidência de Hipólito Yrigoyen (2). Naquela quadra é que se levantaram os estudantes da Universidade de Córdoba, província dominada pela

“ 'antiga classe letrada que junto ao clero instruído e com os funcionários públicos exercia o domínio espiritual na província'. Em um país cujas universidades eram os centros de discussão, crítica, elaboração e reprodução do discurso da modernidade, a Universidade de Córdoba, se exilava dos impulsos do mundo moderno. (...) fundada em 1613 pelos jesuítas, ademais de ostentar o prestígio de ser a primeira universidade estabelecida na Argentina, mantinha em sua estrutura de poder e na organização dos estudos e conteúdos os princípios de sua fundação, apesar de desde 1858 ter passado a depender administrativamente do governo nacional”. (3)

É contra esta tríplice aliança que se levantam os estudantes cordobeses. Seu Manifesto, belo e contundente ainda cala fundo e do qual reproduzimos alguns trechos:
“As universidades têm sido até aqui (...) o lugar aonde todas as formas de tiranizar e de insensibilizar acharam a cátedra que as ditasse (...) chegando a ser assim o fiel reflexo destas sociedades decadentes que se empenham em oferecer o triste espetáculo de uma imobilidade senil. Por isso a ciência frente a estas casas mudas e fechadas, passa silenciosa ou entra mutilada e grotesca para o serviço burocrático”.

“Nosso regime universitário - mesmo o más recente é anacrônico. Está fundado sobre uma espécie de direito divino; o direito divino do professorado universitário. Cria-se a si mesmo. Nele nasce e nele morre, mantendo um distanciamento olímpico”;

“A Federação Universitária de Córdoba se levanta para lutar contra esse regime (...). Reivindica um governo estritamente democrático e sustenta que na comunidade universitária, a soberania, o direito de dar-se governo próprio radica principalmente nos estudantes. O conceito de autoridade que corresponde e acompanha um diretor ou um professor em um lar de estudantes universitários não pode apoiar-se na força de disciplinas estranhas à substância mesma dos estudos. A autoridade, em um lar de estudantes, não se exercita mandando, mas sugerindo e amando: ensinando”.

“Se não existe uma vinculação espiritual entre o que ensina e o que aprende, todo ensino é hostil e por conseguinte infecundo. Toda a educação é uma longa obra de amor aos que aprendem. Fundar a garantia de uma paz fecunda no artigo combinatório de um regulamento ou de um estatuto é, em todo caso, amparar um regime de quartel, mas não um trabalho de ciência”.

“Nos acusam agora de insurretos em nome de uma ordem que não discutimos, mas que nada tem conosco. Se é assim, se em nome da ordem querem continuar nos enganando e embrutecendo, proclamamos bem alto o direito da insurreição”.

“A juventude (...) não se equivoca nunca na eleição de seus próprios mestres. Ante os jovens não se faz mérito adulando ou comprando. É preciso deixar que eles mesmos elejam seus professores e diretores, seguros de que o acerto vai coroar suas determinações. Doravante, só poderão ser professores na república universitária os verdadeiros construtores de almas, os criadores de verdade, de beleza e de bem”.

“Na Universidade Nacional de Córdoba e nesta cidade não foram presenciadas desordens; se contemplou e se contempla o nascimento de uma verdadeira revolução que há de agrupar bem rápido sob sua bandeira a todos os homens livres do continente”.

“A juventude universitária de Córdoba afirma que jamais fez questão de nomes nem de empregos. Se levantou contra um regime administrativo, contra um método docente, contra um conceito de autoridade. As funções públicas se exercitavam em benefício de determinadas camarilhas”.

“A juventude já não pede. Exige que se reconheça o direito de exteriorizar esse pensamento próprio nos corpos universitários por meio de seus representantes”.

O Manifesto e a Rebelião dos Estudantes levaram à ocupação da Universidade e ao convite à população para assistir as aulas. A Revolta impulsionou a estruturação da Federação Universitária dos Estudantes que realizou seu primeiro congresso aquela cidade no mesmo ano. A intervenção do governo nacional respaldou as reivindicações estudantis e levou a uma Reforma Universitária que rompeu em grande medida a dominação clerical e o alijamento dos estudantes das questões acadêmicas. Estes êxitos motivam até hoje a luta pela Reforma Universitária na América Latina.


Razões da longevidade do espírito de Córdoba


A longevidade impressionante desta rebelião deve-se à afirmação política da juventude estudantil e à defesa do seu direito a participar das decisões nas universidades, na definição da educação que recebemos e ao questionamento de seu conteúdo, exigindo sua vinculação com as aspirações mais amplas de nosso povo,exigindo que a universidade seja parte das mudanças mais profundas necessárias em nossos países. Como Hugo Cancino esclarece:

“Definitivamente, o projeto desta nova geração, foi, em termos gramscianos, a criação a partir da Universidade reformada de um tipo de intelectual moderno que substituísse os sacerdotes e aos intelectuais tradicionais articulados com a oligarquia. Estes novos intelectuais deveriam criar a nova hegemonia espiritual, cultural e ética que permitisse às camadas médias e subalternas realizar a modernização das sociedades da América Latina”. (4)

Como disseram, “as batidas do coração nos advertem: estamos pisando sobre uma revolução, estamos vivendo uma hora americana”. Cumpre inquirir-nos se neste alba do século 21 se o espectro de Córdoba não deve novamente percorrer as salas de aula da América Latina na execução plena desta titânica tarefa histórica, antevista pelos heróicos estudantes de Córdoba, mas inconclusa ainda.

Uma nova hora americana


Nosso destino comum latino-americano impõe-nos tirar as devidas lições, do nosso passado, imprescindíveis ao escrever a inédita história que se descortina graças a nossas ações e lutas. Revisitar as memoráveis páginas da Revolta dos estudantes da Universidade Córdoba, inscreve-se entre as responsabilidades intelectuais de nossa geração, desafiada a intervir como nunca nas mudanças porque passa a América Latina com o advento de novas forças sociais e políticas que ascendem aos governos centrais de Brasil, Argentina, Venezuela, Uruguai, Equador, Bolívia, Paraguai, Panamá e Nicarágua, que se somaram a Cuba Socialista.


Conhecer o ideário e as repercussões deste evento transcendente surgido no país vizinho é afirmar uma contribuição original, latino americana, à concepção da universidade, plenamente vigente e necessária. Afinal, as mudanças políticas que vivemos na América Latina acenam para novas conquistas . É possível implementar mudanças de profundidade no ensino superior em nossos países, e a reforma universitária reafirma-se como bandeira de dimensão continental, vinculada à busca de projetos nacionais de desenvolvimento próprios, baseados em nossa própria história e sociedades. A integração latino-americana é o que pode dar a cada projeto nacional a sua viabilidade geopolítica e econômica, e são imensas as possibilidades de que a unidade dos estudantes num contexto favorável impulsione à construção de uma universidade mais popular e democrática, com medidas que já ocorrem no Brasil e na Venezuela, por exemplo, mas que exigem uma sistematização e um sentido unitário, como o do Manifesto de 1918.


A integração educacional dá passos largos com a construção de instituições latino-americanas, como a Universidade Pan Amazônica e a Unila (Universidade Latino Americana), que se somam à Escola Latino Americana de Medicina, em Cuba. O intercâmbio estudantil ganha um novo sentido e imensas possibilidades. A luta por Reformas estruturantes é fundamental, e entre elas e entre elas a Reforma Universitária. E a História do movimento estudantil latino-americano é clara. Aqueles que na Venezuela se opõem às universidades experimentais em defesa dos privilégios de uma universidade elitista, e os que no Brasil não percebem a importância de medidas como o Prouni, o Reuni, as cotas e a reserva de vagas, situam-se ao lado dos conservadores de todos os tempos, por medo de construir uma ampla unidade em defesa do co-governo, da ampliação do financiamento e da popularização das universidades. Mas a mudança já está em curso.

Há um espectro que ronda a América Latina, o espectro da Revolta Estudantil de Córdoba, o espectro da luta pela Reforma Universitária, que influenciou todas as gerações nos últimos 90 anos, especialmente a visão dos revolucionários sobre o que deve ser a universidade, como Che, ícone de 1968, a dizer-nos, como só ele sabia, de tão bonito e verdadeiro:

“que tenho a dizer à Universidade como artigo primeiro, como função essencial de sua vida nesta Cuba nova? Tenho a dizer-lhe que se pinte de negro, que se pinte de mulato, não só entre los alunos, mas também entre os professores; que se pinte de operário e de camponês, que se pinte de povo, porque a Universidade não é patrimônio de ninguém e pertence ao povo (...) e o povo, que tem triunfado, está até malcriado no triunfo, pois conhece sua força e sabe se perfilar, está hoje às portas da Universidade, e a Universidade deve ser flexível, pintar-se de negro, de mulato, de operário, e camponês, ou ficar sem portas, e o povo as romperá e pintará a Universidade com as cores que desejar” (5).

Leia também:

O co-governo na educação: elemento central para uma educação de qualidade


Notas:

1 - No Brasil, os versos abolicionistas de Castro Alves, estudante da Faculdade de de Direito Recife, a ousadia de Euclides da Cunha, estudante da Escola Militar do Rio de Janeiro que atira aos pés do Ministro da Guerra do Império seu sabre de estudante em protesto contra o Império são expressões da importância do protagonismo da juventude estudantil já em fins do século 19.

2 - CANCINO, Hugo. El movimiento de reforma universitaria en Córdoba, Argentina, 1918. Para una relectura de su discurso ideológico.
Disponível aqui

“Nuevos grupos sociales, las capas medias y sectores populares irrumpían en el escenario social poniendo en tela de juicio el viejo sistemas de alianzas y exigiendo la participación en el Estado y en el sistema político. Ello exigía naturalmente una reforma del sistema político, que hiciera posible la participación electoral de los sectores marginados. La Unión Civica Radical canalizó los movimientos de protesta anti olígarquíca de los nuevos grupos sociales, proyectándose como el partido de la reforma política y de la modernización”.

3 – Ibidem.

4 - CANCINO, Hugo. Ibidem.

5 - GUEVARA, Che. Discurso al recibir el doctorado honoris causa de la Universidad Central de las Villas(28 de diciembre de 1959). Disponível aqui

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