sábado, 13 de julho de 2013

Que massa, começou o XIII Congresso do PCdoB! Paulo Vinícius Silva

Que maravilha! Camaradas, iniciou-se o processo de debates do XIII Congresso do nosso glorioso e querido Partido. São momentos lindos, a construção, o modo como conversamos entre camaradas, e fazemos a democracia coletiva chegar a conclusões fundamentais para o próximo período, na grande complexidade que é a luta política no Brasil.

Entrei no Partido na época de um Congresso, o 8º Congresso. Recebi os documentos para debate, e fui lendo e vendo como as ideias do Partido batiam com as minhas visões. Na verdade, desvelavam todo um período de resistências e de acumulação de forças numa quadra difícil.

Eu tinha 14 anos. Era o auditório Castelo Branco, da Reitoria da Universidade Federal do Ceará. Nunca havia estado por ali. E estava lá, ao centro, uma mulher de incrível capacidade de comunicação, carismática e bonita, em uma mesa mais ampla de camaradas, refletindo sobre os acontecimentos daquele fatídico 1991. Era a camarada Gilse Cosenza, que então liderava o Partido no Ceará. Eram debates que o Partido nos propiciava, uma discussão de qualidade E eu falei já nessa primeira reunião, com um papel anotado, para organizar as ideias, tremendo um pouco. E fiquei impressionado como as pessoas se interessavam pelas opiniões das outras, num processo que fui entendendo, de elaboração coletiva. Achei muito democrático.

Anos depois, delegado ao 10º Congresso Nacional, no Rio, pelo meu saudoso Ceará, veio o Sérgio Miranda conversar comigo pela Comissão de Sistematização Nacional. Eu fiquei de cara. Ele debateu seriamente comigo a emenda que fizera, fazendo o diálogo e apontando aonde as ideias convergiam com o próprio texto. Foi o Congresso em que o Amazonas passou o bastão para o Renato Rabelo. Aquele senhor, quase nonagenário, com 67 anos de lutas, falou-nos em meio a um silêncio de transe, quase, um profundo respeito e carinhos. São momentos que mudam a gente.

É um processo organizado e permeável à sociedade. Com direitos e deveres e com graus de comprometimento diversos, com amplas possibilidades quanto às formas, mas num mesmo sentido. Uma sinergia que converge para centenas de emendas numa opinião e direções em todos os níveis que guiarão e levarão a cabo nossa ação num período decisivo. É um espaço que tem também divergências, e que tem uma ampla possibilidade de expressão individual e debate e decisão. Há polêmicas, inclusive.

Hoje ampliaram-se as facilidades de reunir, as teses estão publicáveis e são amplamente compartilháveis nas redes sociais. E mesmo a juventude tem ampla possibilidade de participação em espaços mais flexíveis.

Num momento chave da História do Brasil, a inteligência dos e das camaradas pode contribuir decisivamente para a unidade da esquerda e das forças progressistas, ao mesmo tempo que pode apontar caminhos para destravar a arrancada do crescimento, da inclusão social, da participação popular e democratização da sociedade brasileira. É o tal Projeto Nacional de Desenvolvimento com Valorização do Trabalho.

O próprio processo dos congressos é uma maneira de ensinar o que é a vida interna, rica e de grande fraternidade que marca as relações entre camaradas. E também de aprender como o povo encontra suas formas de organização e como elas podem ajudar na nossa luta. Organiza-se a nossa força, fazemos amigos, vivemos uma grande agitação que é aprendizado, formação, participação e decisão de todas as direções e organismos do Partido.

Só quem milita sabe o que é quando um camarada organiza um evento do Partido no Bairro, nas proximidades de onde estudamos, e a maneira acolhedora com que somos recebidos, e o respeito entre todos quando passamos ao debate. Quem tem de viajar e acompanhar várias bases vê isso mais claramente ainda, como o povo vai dando o seu colorido próprio nas nossas formas de organização, com amplíssima diversidade mas que flui para um mesmo objetivo comum, uma síntese do pensamento coletivo dos comunistas, graças a uma aplicação criadora e Brasileira do Centralismo Democrático, e em consonâncias com as virtudes e problemas de nossa organização. Eu boto fé. Já vi dar certo várias vezes. E agora é preciso dar certo. Crise capitalista, agressividade do imperialismo, necessidade de novos avanços, maior nitidez e crescimento. Há muito o que debater!

E num momento tão especialmente complexo e com tantos dilemas para uma ação, consequente e, sempre, revolucionária, como avançar ainda mais, aproximando as  bandeiras de luta do nosso Programa? Como unir a esquerda e reompor o fio que une a nossa luta diária, nossas tarefas na luta de ideias, de massas e na luta político-eleitoral à utopia e ao Projeto Socialista? Como enfrentar o peso conservador na política, o monopólio da mídia golpista e a chantagem do rentismo sobre a economia nacional? Como fortalecer a unidade do povo paraessa luta, avançando nas mudanças, apontando um caminho de mais avanços, e não de retyrocessos para o Brasil e a democracia? Qual o nosso papel enquanto camaradas, e de nosso Partido?

Todo(a) militante pode escrever seus artigos na Tribuna de Debates. Podemos opinar, comprometer-nos, fazer a nossa parte. Que massa, começou o XIII Congresso do PCdoB!

Direção do PCdoB lança teses para debates do 13º Congresso
A direção do PCdoB, reunida de 5 a 7 de julho, aprovou as teses para debate no 13º Congresso, que se realizará de 13 a15 de novembro. Em pauta, o balanço dos governos Lula e Dilma, a atualização da perspectiva para o Brasil, a construção do Partido nesta realidade inédita, e a realidade internacional, com foco na crise do capitalismo, nas transições no plano geopolítico e nas lutas dos trabalhadores e povos pelo socialismo.

Tribuna da militância organizada e consciente

Convocado o 13º Congresso do Partido Comunista do Brasil, tem início um período de intensa mobilização da militância comunista. Começa também discussão organizada, através da Tribuna de Debates, como já é tradição consolidada dos congressos do PCdoB, segundo o princípio estatutário do Centralismo Democrático. A partir do próximo dia 15, os militantes podem enviar seus artigos para publicação, de acordo com as normas aprovadas na última reunião do Comitê Central, realizada dias 5, 6 e 7 de julho.