Eu acho que tem espaço sim para uma manifestação. Mas não é assim como a disputa de quem é mais radical, combativo....
Publicado por Paulo Vinícius em Domingo, 7 de junho de 2020
domingo, 7 de junho de 2020
Um dia de duelo, e a luta em defes do isolamento social - Paulo Vinícius Santos da Silva
sábado, 6 de junho de 2020
#DireitosJá - FHC, Rosdrigo Maia, Jobim, Camilo Santana (CE) e Flávio Dino (MA), hoje às 16h00
Lideranças debatem a democracia brasileira e os caminhos para protegê-la. Acompanhe e mande suas perguntas
Publicado por Direitos Já em Sábado, 6 de junho de 2020
HOJE, às 16h
Live do Direitos Já! Fórum pela Democracia
Fernando Henrique Cardoso
Ex-Presidente da República
Rodrigo Maia
Presidente da Câmara dos Deputados
Nelson Jobim
Ex-Presidente do STF
Camilo Santana
Governador do Ceará
Flávio Dino
Governador do Maranhão
Moderação:
Fernando Guimarães
Coordenador do Direitos Já!
https://www.facebook.com/direitosjaforumpelademocracia/

@direitosjaforumpelademocracia - No Facebook, hoje, às 16h00
Frente Ampla para unir, isolamento social para salvar vidas e derrotar o Bolsonarismo - Paulo Vinícius Silva
Afinal, o regime em que a vida e a personalidade da força de trabalho humanas são coisificados até o nível da sevícia e da morte deliberada, é o regime escravista, cuja tez deformada marca o capitalismo dependente brasileiro, que se desmoraliza, corrompe e esgarça. O capitalismo brasileiro não sabe o que está fazendo e estamos morrendo por isso. À destruição da economia, da democracia, da qualidade de vida, com o advento da pandemia da COVID 19, verificamos uma tragédia sem precedentes, que se agigantará, e cujo desenlace definirá nossas vidas e o futuro de nosso país. Nessa hora decisiva da Nação, está no poder a liderança mais despreparada e comprometida com a Casa Grande, mais inimiga do país e do seu povo.
O Presidente Lula, sem provas, foi condenado pela teoria do Domínio do Fato. A Presidenta Dilma foi deposta mesmo sem ter sido corrupta. E no entanto, vemos escandalizados à entronização da corrupção, das milícias, da mentira em escala industrial, do aparelhamento do estado, da clara implantação de um regime policial e ditatorial. O governo é o caos. As preocupações criminosas e o desprezo pela vida dos seres humanos é descarado. A cada dia da continuidade do governo Bolsonaro, mais gente morrerá, sem precisar.
Para Bolsonaro a lei não vale. Não há responsabilidade que o incrimine, mesmo com tantos crimes de responsabilidade cometidos diariamente. A tragédia governamental em todos os âmbitos se escancarou aquando da exposição do que é uma reunião desse ministério que é um inacreditável circo de horrores. Sua lógica necropolítica radicaliza a desigualdade social, o racismo, o machismo, o extermínio dos "indesejáveis", expondo deliberadamente as populações mais vulneráveis ao abandono, à incúria, e ao risco.
O maior de todos os crimes é a sabotagem ao combate à pandemia, um genocídio que já vitimou mais de 35 mil pessoas e que muitas mais vitimará, infelizmente. Em meio ao momento mais sombrio e perigoso, sem perspectiva de arrefecimento das curvas de contaminados e mortos, estamos perdendo a batalha em torno do Isolamento Social, única estratégia efetiva de modular a propagação acelerada e a escalada de vítimas. Essa derrota nos empurrará ainda mais fundo na tragédia que enluta já dezenas de milhares de lares de nosso país.
Mas nem tudo são trevas. A cada irmão e irmã brasileiros que tomba diante da irresponsabilidade e dos crimes do Governo, ampliou-se a força de uma ampla unidade nacional, o congraçamento daqueles que defendem a Vida, a Ciência, a Nação, a Democracia, e que tenhamos uma estratégia nacional que salve vidas e salve a nossa economia. A Frente Ampla se expressa de inúmeros modos. Primeiro, na defesa de medidas concretas contra o Coronavírus, que têm merecido o apoio independentemente de partidarismos. E nesse mesmo viés, a escalada autoritária, corrupta e genocida tem unificado amplos setores, que constroem as condições atuais de grande isolamento do Bolsonarismo e de viabilidade da Frente Ampla. Bolsonaro e o Coronavírus são uma desgraça só, nossa opinião ganha a maioria da Nação Brasileira. Nós furamos a bolha. E não devemos temer isso. É a hora da Frente Ampla.
Essa força e a euforia que a acompanha, impõem a necessidade de ações, de bandeiras, de movimentos concretos que passem ao próximo nível, em especial com a escalada autoritária do desespero da extrema direita em isolamento. E é enquanto isso se gesta que a extrema direita bolsonarista aposta todas as suas fichas no confronto e no golpe. Uma conjuntura explosiva, caótica, marcada pela morte de dezenas de milhares, é o que se trata de medir e o contexto em que agiremos.
A falta de uma maior coesão da esquerda em defesa da bandeira da Frente Ampla cobra altíssimo preço, pois a Frente Ampla é necessidade histórica. A resistência do PT, em defesa de sua primazia no campo da esquerda, apenas faz com que o Partido perca protagonismo político. Os apelos pelo isolamento do PT por Ciro Gomes só o apequenam. A polêmica entre Frente Ampla ou Frente de Esquerda polariza os setores progressistas e escancara os limites políticos do PT, limites de concepção política, que apequenam a sua força e lhe rendem precisamente o que intentaram evitar: perda e força e uma nova realidade marcada pelo pluralismo na oposição. Essa efetivação da Frente Ampla, apesar do PT, por sua parte, leva a uma radicalização do Partido. Na verdade, a marca do período é composta por tragédia sanitária, isolamento de Bolsonaro e viabilidade da Frente Ampla descortinar um futuro sem o fascista na Presidência.
É nesse cenário que se somam vários vetores reforçando a pior das alternativas, a ruptura do isolamento social. Ao tempo em que devemos saudar o engajamento heterogêneo de forças políticas, personalidades, movimentos os mais diversos, na denúncia do fascismo, da corrupção e na defesa da democracia, devemos entender não apenas a nossa fragilidade, mas a delicadeza do momento e o imperativo de manter o isolamento social como um direito básico à vida. Sobreviver é resistir.
O preço é altíssimo. Como não se escandalizar com a morte de uma pessoa por minuto, se não podemos dizer sequer quantos já morreram, porque o número cresce e se desatualiza... Na verdade, não podemos nem devemos romper o isolamento social por voluntarismo político. E devemos compreender a fragilidade que significa ir às ruas quando estamos divididos e sem bandeiras unificadoras, sob cerco e expostos à provocação, ao risco de contaminação, à provocação, à infiltração e à violência.
Temos de ter claro que as formas e os conteúdos das lutas são mutáveis, e não um valor em si mesmo. A Greve Geral não derruba o capital, é uma pena. Não é a forma que é radical ou atrasada, é a sua articulação com o tempo histórico, com os sujeitos e o seu resultado político efetivo. Nosso nível de organização e unidade é tão baixo, no momento, que não será possível evitar os perigos inscritos no engajar-se acriticamente em movimentos "espontâneos" que se articulam em grande velocidade, com impressionante unicidade, atingindo-nos como uma fortíssima onda de opinião, e que tem como uma das suas principais forças, a resistência mesma à ideia da Frente Ampla, e a ilusão de ultrapassar o momento presente pela esquerda e pelas ruas.
Na verdade, temos de intensificar a luta para derrotar Bolsonaro, senão não lograremos assegurar o isolamento social e a ação do Estado e da sociedade para erguer a economia no combate à pandemia. O fim da estratégia do isolamento social não é dependente apenas da vontade política, é um vírus. O pior vem agora, e não podemos aceitar a ida para o abatedouro, nem abrir mão das responsabilidades que só cabem à verdadeira vanguarda. Não somos, certamente, Maria vai com as outras. Somos outras Marias, "uma força que nos alerta", Maria que luta pela defesa dos seus filhos e filhas, a Mãe Pátria. Nossa ação política tem de ser coerente com a nossa estratégia geral de preservação das vidas e defesa da democracia. Poderá sim haver a necessidade DE arriscar a vida para a defesa da democracia. Será, no entanto, uma hora de unidade, de certeza, com um chamado claro.
Ir pelo espontaneísmo, pela paixão, pelo sectarismo político, é a subestimação dos riscos, dos inimigos e uma visão excessivamente otimista desse instrumento político que é a luta de rua, que na verdade depende da maior coesão política e de uma direção clara, senão não se afirma como alternativa política real e pode, ao contrário, virar arma nas mãos do inimigo. Há 30 anos luto no movimento social. Estourei o bucho de gritar, meus pés tortos caminharam milhares de quilômetros de passeatas, greves, protestos. Se creio não ser a hora, é a partir deste lugar de quem jamais sairá da luta. Mas a luta tem inúmeras formas. E ensinou o poeta que quando há caminhos traçados, voamos.
Enquanto isso, há muitos deveres de casa para fazer. A organização de um amplo diálogo político para efetivar uma frente ampla muito maior que os partidos. Um luto nacional junto ao #ForaBolsonaro, porque o momento agora é de luta e de luto. E infelizmente não vai parar. Mas também não parará a nossa luta. Há uma miríade de formas de unir o povo, de organizar a solidariedade e fazer a luta de modo a ampliar nossa capacidade de organização e unidade. Aí sim, será o momento. Não é hoje, mas pode ser sim, depois de amanhã. E seguimos na luta.
Frente Ampla para Unir. Isolamento social e isolamento do Bolsonaro para separar. Jogar com ginga o nosso jogo, e não o jogo dos outros. Construir o terreno sólido para a vitória verdadeira de unir o Brasil e reconquistar a democracia. Esse é o nosso momento. Como disse Drumond, vamos de mãos dadas.
PCdoB-DF orienta a não participação em ato no domingo 07/06
Somos um partido forjado nas lutas populares desde 1922 e lutamos para que a nossa Constituição desse amparo ao livre direito de manifestação, associação e reunião.
Para o PCdoB, Bolsonaro não tem mais condições de comandar o país. É um presidente que quando se agrava a pandemia do Coronavírus, radicaliza sua conduta irresponsável, que ameaça a um só tempo a vida dos brasileiros (as), a economia nacional e a própria democracia.
Mas, diante da grave pandemia que o país atravessa, com um aumento exponencial do número de atingidos pela COVID-19 aqui no DF e a infeliz marca de um óbito por minuto no Brasil, atingida nesta semana; e diante da anunciada ação da extrema-direita de infiltrar provocadores e justificar a incitação de Bolsonaro à violência policial neste domingo, contribuindo para a criação de um clima de caos político, orientamos nossos filiados a não participarem das manifestações.
Brasília, 05/06/2020
Comissão Executiva do PCdoB – DF
sexta-feira, 5 de junho de 2020
Emicida dá a real sobre romper a Quarentena sem preparo, unidade e clareza.
por quê eu não vou nos protestos de domingo! pic.twitter.com/Q35XoOEXAO
— emicida (@emicida) June 5, 2020
Câmara aprova ‘Lei Aldir Blanc’ de ajuda emergencial ao setor cultural - Portal Vermelho
Com relatoria da deputada Jandira Feghali, o texto identifica como fontes de financiamento para o socorro ao setor o orçamento e superávit do Fundo Nacional de Cultura
Publicado 26/05/2020 19:01 | Editado 26/05/2020 19:14
O plenário da Câmara aprovou nesta terça-feira (26), por unanimidade dos líderes, o Projeto de Lei 1075/20, que destina R$ 3,6 bilhões para ações emergenciais no setor cultural beneficiando artistas e trabalhadores da área afetados pelas restrições impostas pelo isolamento social necessário para conter o avanço da Covid-19.
A proposta, da deputada Benedita da Silva (PT-RJ), foi aprovada na forma do substitutivo da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que agregou diversas contribuições de outros quatro projetos, descentralizando os recursos a estados e municípios. O texto também concede a suspensão do pagamento de tributos federais incidentes sobre rendimentos de artistas e atividades culturais até o fim do estado de calamidade pública decorrente da pandemia do novo coronavírus.
Além disso, proíbe o corte de água, energia elétrica e serviços de telecomunicação, como internet, de empresas do setor cultural, durante o período de calamidade pública.
Segundo a relatora, o Estado precisa formular políticas públicas, fomentar, incentivar, definir prioridades e criar condições para o desenvolvimento das atividades artísticas de toda a sociedade e, neste momento de pandemia, socorrer o setor cultural. A parlamentar observou que um grande número de pessoas, que dependem ou se relacionam economicamente com a renda gerada na cultura, estão vivendo de ajuda de outros colegas, de cestas básicas, ou passando fome com suas famílias.
“A arte, parte forte, transformadora e constitutiva da nossa cultura, incide sobre os seres humanos desde que nascem, para não falar da gestação, até a possibilidade de melhora e até de cura das doenças da senilidade. É coirmã da educação e redutora de violência, construtora da civilização, mas, muitas vezes, não é vista como ofício, como trabalho. A cultura é parte importante do projeto nacional de desenvolvimento”, destacou.
Jandira Feghali assinalou que todos os decretos de isolamento social adotados pelas autoridades públicas tiveram como resultado imediato a paralisação dos espetáculos e outros eventos culturais. Ela advertiu ainda que, na retomada do curso habitual da convivência social, estas atividades serão as últimas a voltar à normalidade, por isso, o Parlamento brasileiro não poderia faltar à cultura neste momento tão difícil do País.
“Os trabalhadores e as trabalhadoras de todo o Brasil, agora, precisam sobreviver e nos fazer sobreviver também às angústias, temores, confinamento, dores e perdas. E é o que eles têm feito pelas redes, varandas, e demais linguagens, das mais tradicionais às mais inovadoras, de maneira, na maioria das vezes, voluntária”, frisou.
A deputada lembrou que o projeto foi apelidado inicialmente de Lei de Emergência Cultural. Porém, como muitos artistas faleceram neste período da pandemia – entre eles Dona Neném da Portela, Rubem Fonseca, Flávio Migliaccio e Moraes Moreira – um deles deveria dar nome à Lei pela obra que deixa ao Brasil e por ter sido vitimado pela Covid-19. “Por isto, quero propor que chamemos esta proposta de Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc”, enfatizou Jandira.
“Um povo sem cultura não se mantém de pé; ele se ajoelha”, afirmou a líder do PCdoB na Câmara, deputada Perpétua Almeida (AC), ao encaminhar o voto favorável à matéria. Ela saudou a unanimidade construída pela relatora ao texto aprovado, apontando que o legislativo dizia “sim” ao projeto de ajuda ao setor cultural “escutando as vozes dos milhões de brasileiros artistas, atores e produtores culturais” de todo o País.
Benedita da Silva, que preside a Comissão de Cultura da Câmara, enfatizou ainda que são as artes que amenizam o sofrimento e a solidão neste momento de pandemia. “Quero homenagear todos os artistas e todos os parlamentares que se uniram para aprovarmos essa proposta e, de forma especial, agradecer à relatora Jandira Feghali, que soube aperfeiçoar a proposta, agregando todos os projetos que tramitaram apensados à minha proposta. Foi uma vitória do povo brasileiro”, classificou.
O líder da Minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE), destacou as negociações em torno da aprovação da matéria.
“Artistas e espaços culturais estão entre os mais impactados pela crise do coronavírus. O acordo fechado a muitas mãos, hoje, ajuda a cultura, as artes e aqueles que nos fazem felizes em seus espetáculos, seus shows e demais atividades do setor. Viva a Lei Aldir Blanc!”, comemorou.
A deputada Lídice da Mata (PSB-BA) orientou a votação pelo seu partido. “Nós nunca sentimos tanto, o quanto é essencial a cultura em nosso país como neste isolamento. Estamos lendo, estamos assistindo filmes, estamos ouvindo musicais, estamos consumindo cultura, mas contraditoriamente aqueles que são os autores, os criadores, os que fazem e executam a cultura em nosso país estão vivendo a pandemia de uma forma dramática”, lembrou.
O líder do PDT na Câmara, Wolney Queiroz (PE), congratulou-se com a deputada Jandira Feghali pela aprovação do projeto Aldir Blanc.
“Vi a deputada Jandira falar neste assunto, pela primeira vez, em uma reunião virtual que tivemos no início dessa pandemia. A partir daí, ela tem sido quase monotemática na defesa desse tema. Então, eu quero fazer um registro de reconhecimento pela sua luta, tenacidade e persistência com relação a esse tema”, disse o parlamentar.
“Importante vitória! Acabamos de aprovar na Câmara a Lei Aldir Blanc, que vai garantir dignidade a milhões de artistas de todo o Brasil durante a pandemia. Mais de R$ 3 bilhões serão destinados ao socorro emergencial ao setor cultural”, comemorou a líder do PSOL na Câmara, Fernanda Melchionna (RS)
Aldir Blanc
Um dos maior compositores da música popular brasileira, Aldir Blanc morreu dia 4 de maio, no Rio de Janeiro, em decorrência de infecção generalizada provocada pelo novo coronavírus. Autor de “O Bêbado e o Equilibrista”, considerada o hino da anistia, imortalizada na voz de Elis Regina no final da década de 70, Blanc, de 73 anos, foi diagnosticado com Covid-19 no dia 23 de abril.
Impacto social
O
impacto social e econômico da pandemia no setor cultural brasileiro
será devastador. A Fundação Getúlio Vargas estima que a cadeia produtiva
da cultura, imensa e complexa, perderá receitas da ordem de R$ 46,5
bilhões apenas este ano, com uma diminuição de 24% em sua participação
no Produto Interno Bruto nacional, que hoje
corresponde a algo entre 4 e 5% do PIB total. As consequências deste impacto serão longas e difíceis no Brasil.
De acordo com a Pnad Contínua 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor cultural como um todo emprega 5,2 milhões de pessoas, ou 5,7% da força de trabalho ocupada no País, incluindo artistas, produtores, gestores, técnicos, equipes de segurança e apoio, entre muitas outras categorias.
A proposta seguirá para o Senado. O líder do governo, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), disse em plenário que há acordo para que o texto seja sancionado sem vetos pelo presidente Jair Bolsonaro.
“Vivo o racismo todos os dias, até na magistratura”, afirma juíza que atua em Paracuru, Ceará - Diário do Nordeste - Portal Vermelho
A juíza Bruna Rodrigues fala sobre discriminação que a atinge e defende que o poder público deve promover ações afirmativas para combater o racismo.
Publicado 04/06/2020 18:06 | Editado 04/06/2020 20:32
A ficha de que a sujeição à violência estava na própria pele só caiu para Bruna Rodrigues quando ela se tornou juíza de Direito. Natural de São Paulo e oriunda “de uma família humilde, com todas as dificuldades inerentes a quem teve que estudar em escola pública”, a magistrada é titular da Vara Única de Paracuru, na Região Metropolitana de Fortaleza, e confessa ter imaginado que a profissão blindaria os ataques racistas – mas segue vivenciando situações de violência.
“Pensei que, quando me tornasse juíza, não passaria mais por situações racistas, que isso era atrelado às condições sociais e financeiras. Foi uma ilusão. Mesmo hoje, estando na maior classe social e tendo um dos melhores salários do País, vivo o racismo todos os dias, inclusive no exercício da magistratura. É algo visual, é de cor, é a pele. A pessoa pode ser pobre ou rica: ela é negra”, sentencia Bruna.
Apesar da firmeza necessária para lidar com as discriminações diárias, a juíza reconhece que o cenário é cansativo. “O ser humano comporta vários papéis: a Bruna juíza, a mãe, a filha. Em todas o racismo dói do mesmo jeito, mas hoje sei como me portar. Num episódio no Fórum, um advogado chegou pra falar com a juíza: indicaram que era eu, e ele continuou perguntando pela juíza. Fiquei estarrecida, mas minha reação foi respondê-lo da forma mais técnica possível. Obrigo o racista a enxergar que eu estou na escala de poder. A visão dele é tão ofuscada pela cor da pele que só enxerga uma pessoa negra, e não a juíza a quem deve respeitar”, frisa Bruna.
Para ela, por outro lado, ocupar uma posição tão importante no Poder Judiciário é também uma forma de inspirar outros pretos e pretas e contribuir para a derrocada do racismo estrutural. “Estava no meu gabinete e chegou uma mulher com a filha negra de 8 anos, que sofreu bullying na escola. Disseram que ela não poderia ser nada por ser ‘escura’, e ela ficou o dia inteiro tomando banho e passando talco pra clarear a pele. Abri a porta e ela me olhou muito impactada, paralisada, não andava. Chamei ela, elogiei, e ela perguntou: ‘você que é a juíza?’ Quando confirmei, ela virou pra mãe e disse ‘olha, mãe, ela tem a cor igual à minha!’ Representatividade importa”, emociona-se a magistrada.
“Isso me tocou profundamente, porque me vi nela. Vi que a situação persiste, e ainda mais grave. Na minha época, tinha bullying, mas as crianças não reagiam como hoje. Fiquei pensando na seriedade disso. Negros precisam ver outros negros em outras escalas de poder”.
A mudança dessa chaga social que ainda subjuga, conforme avalia Bruna, é que se proporcione que negros e negras como ela alcancem altas escalas de poder. “É preciso buscarmos essa legitimidade, pra que isso passe a ser algo normal. E como isso vai ser feito? Por meio de uma ação estatal. O Estado precisa ter políticas, ações afirmativas”.
Outro fator fundamental é o reconhecimento dos privilégios por parte da classe branca. “O primeiro passo é a sociedade reconhecer: sim, nós somos racistas. Existe uma dificuldade no ser humano em ser sincero quanto a isso. Acredito que num futuro ainda distante isso vai mudar. As ações que tomamos hoje não terão frutos para nós, mas para as gerações futuras”, finaliza.
Fonte: Diário do Nordeste
Ir para as ruas, agora? João Guilherme Vargas Netto- Vermelho
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Publicado 03/06/2020 17:41
O movimento sindical através de seus dirigentes tem cumprido, desde o memorável 1º de Maio virtual, suas tarefas defendendo os trabalhadores, reafirmando a relevância do sindicalismo e propondo a união nacional contra a pandemia, contra o caos social e pela democracia.
Acossado pela doença, que não dá trégua, defende o isolamento social e estritos protocolos sanitários nas empresas essenciais em funcionamento. Exige também, com ênfase, o auxílio imediato ao povo trabalhador informal e às micros e pequenas empresas. Repudia a mal intencionada ajuda às empresas que estimula as demissões e defende a manutenção dos empregos.
No campo político e social mais amplo as centrais sindicais defendem a validade dos vários manifestos democráticos e trabalham para que seus apoiadores (que são milhares) se convençam da necessidade de um super-manifesto com a fusão de todos eles em um único preâmbulo que precede as assinaturas e no qual, sem discriminações, compareçam os trabalhadores e suas posições que são, sinteticamente, a luta contra a doença e o fortalecimento do SUS, a exigência do pagamento imediato de todos os auxílios emergenciais para os trabalhadores e as micros e pequenas empresas, a defesa dos direitos dos trabalhadores e dos direitos sindicais e a participação ativa do Estado no enfrentamento da crise sanitária, econômica e social.
Os dirigentes que têm cumprido unitariamente as tarefas específicas do movimento sindical não sentem a coceira das manifestações de rua, até mesmo porque já realizaram inúmeras assembleias presenciais quando necessário e tomando todas as precauções.
Ir às ruas hoje, mesmo com as melhores intenções, quebra o isolamento social que ainda é necessário e expõe (como comprovado com nossa experiência desde 2013) os manifestantes à sanha repressiva dos milicianos e às provocações de serviços mais ou menos secretos. Ainda não é nas ruas que a correlação de forças se modificará.
A hora é a do acúmulo de forças e da criação de um movimento forte de opinião pública contra a pandemia, contra o caos social e pela democracia, no qual se inscreve o movimento sindical e os trabalhadores.
A morte de Miguel e a invisibilidade das tantas Mirtes do Brasil - Vermelho - Ana Cristina Santos
Mirtes Renata seria só mais uma mulher preta, mãe solteira, se virando para sobreviver no dia a dia bruto desse mundo desigual, se não fossem os tristes acontecimentos daquela tarde. Em dia de protestos antirracistas, foi a tragédia que tirou a invisibilidade de Mirtes e Miguel.
Publicado 04/06/2020 16:07 | Editado 04/06/2020 16:14
Terça-feira, 2 de junho de 2020. O Brasil virtual atinge pico de postagens contra o racismo. Mirtes saiu cedo para pegar no batente. Ela é empregada doméstica, trabalha em um dos apartamentos do prédio Píer Maurício de Nassau, no bairro de São José, região central do Recife. As famosas “Torres Gêmeas”, ícone controverso do jeito de viver da elite pernambucana. Pela mão leva o filho Miguel, de cinco anos, através dos muitos quilômetros que separam a periferia do centro. Não há creche, estão fechadas por conta da pandemia da Covid-19 que há mais de três meses atinge o país.
Mirtes Renata seria só mais uma mulher preta, mãe solteira, se virando para sobreviver no dia a dia bruto desse mundo desigual, se não fosse a tragédia que aconteceu naquela tarde. Ela saiu para passear com os cachorros da sua patroa. Miguel ficou no apartamento, sob a responsabilidade de Sarí, a patroa, que fazia as unhas com manicure atendendo em domicílio. O menino chora para ir encontrar com a mãe, faz birra (um clássico da fase dos cinco anos. Quem tem filho sabe). Corre para o elevador. Sarí desiste de evitar. Aperta algum botão do elevador e deixa que o menino se vá. Ele sobe até o sétimo andar, depois até o nono e desembarca. No gradil do hall de máquinas se debruça, possivelmente procurando ver a mãe, e cai. Miguel foi socorrido, mas não chegou com vida ao hospital.
Sarí Gaspar Corte Real foi autuada em flagrante, por negligência, e saiu após pagar fiança de 20 mil reais. A partir desse momento, para a imprensa pernambucana ela seria apenas a patroa, a empregadora, a mulher que não teve sua identidade revelada. O vídeo com as evidências em um primeiro momento não foi divulgado, apesar de ser citado em detalhes, acompanhado de um elogio ao trabalho da perícia que refez o passo a passo do que aconteceu na hora que o elevador parte do quinto andar, com Miguel, sozinho ali dentro. Mas ele continua passando na minha cabeça desde que soube desse fato, se repetindo, e o rosto de Miguel é o rosto do meu menino preto, aos cinco anos de idade. É o sorriso do meu menino que vejo se esvaindo, por 35 metros, até o fatídico encontro com o chão.

Mirtes Renata Santana da Silva, a empregada, a mãe do menino que caiu. É fácil encontrar seu nome e perfil nas redes sociais. Não há um adjetivo para descrever a mãe que perde um filho, penso nisso enquanto escrevo este artigo. Talvez porque não haja como descrever o tipo de dor, mesmo que as mães da periferia a conheçam tão bem. Nas fotos ela, tão jovem, sempre sorri. E corre. E brinca carnaval. E agradece a Deus e às outras mulheres de sua vida a oportunidade de celebrar com festa os cinco anos do seu filhinho. E eu leio ali sororidade, resiliência, e a solidão que embala a vida das mulheres negras. E isso também me dói. Mirtes é a mulher jovem que emoldura sua foto do Facebook com um bem-humorado apelo para que as pessoas fiquem em casa. Ela não pode ficar porque para muitos, no nosso país de herança escravocrata, serviço doméstico é essencial e ela tem que escolher a melhor estratégia para sobreviver.
No Brasil 6,356 milhões de pessoas sobrevivem trabalhando nos serviços domésticos. 97% delas são mulheres, em sua maioria negras e com baixa escolaridade. Dessas, apenas 1,757 milhão atuavam com carteira assinada. Os dados são da última divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). A informalidade continua sendo traço principal no serviço doméstico, embora desde abril de 2013, esse trabalho seja regulamentado por lei. Um conjunto de normas para a profissão, incluindo obrigações de empregadores, foi sancionada em 2 de junho de 2015. O pior dia da vida de Mirtes aconteceu exatamente cinco anos depois da sanção da Lei que deveria garantir dignidade e segurança ao seu labor.
A resistência à regulamentação do serviço doméstico no Brasil vai além de questões econômicas, é um dos piores traços do racismo estrutural que nos adoece cotidianamente. É cunhada sob a mesma lente maldita que embrutece o olhar sobre corpos negros. Que naturaliza as balas perdidas dentro da van, dentro de casa, na camisa do uniforme da escola. Que relativiza os segundos que uma pessoa pode aguentar sem respirar. Que transforma pinho sol em arma química. Que faz algumas vidas importarem menos que outras. A mesma lente que embota os olhos de quem vê uma criancinha de cinco anos e por conta da cor da sua pele não pensa que como qualquer outra, ela só precisa de um colo, de uma distração ou de alguns minutos de atenção e cuidado.

Miguel Otávio Santana da Silva será mais um nome na nossa revolta, no nosso inconformismo e será só isso se não formos capazes de trazer ao mundo real desdobramento para as hashtags. Se não refletirmos sobre o racismo que está no nosso DNA como nação, como sociedade, mas também nos pequenos gestos do nosso cotidiano. Superar o racismo só será possível se tivermos condições de reconhecer privilégios, de rever atitudes costumazes, mas principalmente, depende da nossa capacidade de pensar conjuntamente questões como economia e raça, entendendo que classe tem cor e que essa é uma relação estrutural impossível de ser analisada a partir da fragmentação.
A história de Mirtes, para além da tragédia e do horror que pontuou sua Blackout Tuesday, continuará naturalizada e anônima enquanto insistirmos em olhar esse fato como a história de uma mulher e não de milhares de mulheres, como uma notícia extraordinária de jornal, enquanto pensarmos que punir uma pessoa, atendendo nosso justo e sazional desejo de justiça, resolverá essa dor lancinante que cala no peito do povo negro dia após dia, através dos séculos.
quarta-feira, 3 de junho de 2020
domingo, 24 de maio de 2020
Drauzio Varella: Bolsonaro tornará Brasil líder em mortes por Covid-19 - Porta Vermelho
Inexplicavelmente, o governo se exime até de reconhecer a gravidade do mal que aflige todos, especialmente os que perderam – e ainda perderão – familiares e pessoas queridas
por Drauzio Varella
Publicado 24/05/2020 12:18
Ilustração de Líbero para a coluna de Drauzio Varella na Folha Fui otimista quando ouvi falar da epidemia que se espalhava na região de Wuhan, na China. Em dezembro do ano passado, as notícias eram de que surgira um novo coronavírus, causador de infecção assintomática ou sintomas gripais de curta duração na maioria das pessoas infectadas. A mortalidade ficaria restrita aos mais velhos: chegaria a 14,8% naqueles com mais de 80 anos. Abaixo dos 40 anos morreriam duas pessoas em cada mil infectadas. Era esse o panorama acessível a quem estava do outro lado do mundo.
Há muito sabemos que os coronavírus são agentes causadores de resfriados comuns. Apenas dois deles estão associados a doenças mais graves, como a Sars e a Mers, epidemias que emergiram na China em 2003, e na Arábia Saudita em 2012, respectivamente, para desaparecer misteriosamente depois de atingir alguns países.
Fui entender a gravidade da Covid-19 nos primeiros dias de fevereiro, quando colegas italianos começaram a enviar vídeos que mostravam o inferno instalado nas unidades de terapia intensiva daquele país. Cientistas de renome e especialistas em saúde pública se enganaram como eu, entre os quais recipientes do Nobel de Medicina e o doutor Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, o Niaid, dos Estados Unidos, cuja carreira acompanho desde o início da epidemia de Aids.
Na verdade, o mundo não foi capaz de avaliar o perigo que vinha da Ásia. A Europa foi pega de surpresa. Os italianos levaram semanas para entender o que se passava, os britânicos também, os suecos mantiveram a população nas ruas, os espanhóis autorizaram uma passeata para comemorar o Dia Internacional da Mulher, que aglomerou 200 mil pessoas no centro de Madri, justo no dia em que a Itália decretava o isolamento social nas cidades do norte.
Os Estados Unidos – que investem em saúde perto de 20% do maior PIB do mundo – assistiram à chegada do coronavírus em Nova York, com hospitais sem leitos suficientes nem máscaras cirúrgicas para atender à demanda dos profissionais de saúde. Para disfarçar a incompetência em adotar medidas antecipatórias, hoje o presidente americano joga a culpa na Organização Mundial da Saúde.
Aqui, logo que o primeiro brasileiro caiu doente, no último dia de fevereiro, ficou claro que o vírus já andava longe demais para ser contido. A julgar pelo que acontecera em outros países, era esperado que centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, se tornassem epicentros da epidemia, mas que a doença chegasse ao mesmo tempo a Manaus, Macapá, Fortaleza e Recife, separadas por milhares de quilômetros, foi surpreendente.
Embora pelo menos 80% dos infectados tenham evolução benigna, aqueles com apresentações mais agressivas que exigem internação em leitos hospitalares e UTIs, provocaram um estresse no sistema, que nem o SUS nem os planos de saúde estavam preparados para suportar. O drama dos hospitais superlotados no Norte do país, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife será repetido em outras capitais e em cidades menores à medida que a epidemia se interioriza. Se o vírus viajou da China para cá em três meses, há alguma razão para ficar aprisionado nas cidades grandes?
Décadas de descaso com a saúde inviabilizaram a agilidade das respostas, para enfrentar o desafio de impedir que o Brasil assuma a humilhante liderança mundial na contagem do número de óbitos, tragédia considerada possível, e até provável, por epidemiologistas respeitados.
No auge da maior crise sanitária dos últimos cem anos, assistimos à inacreditável negação da realidade por parte das autoridades federais, a quem caberia a responsabilidade inalienável de coordenar e dar sentido ao esforço nacional. Inexplicavelmente, o governo se exime até de reconhecer a gravidade do mal que aflige todos, especialmente os que perderam – e ainda perderão – familiares e pessoas queridas.
O Brasil caiu numa armadilha sinistra. Duas trocas de ministros numa fase crucial da disseminação da epidemia mantêm o Ministério da Saúde de mãos atadas há mais de um mês, enquanto o presidente faz o diabo para acabar com o isolamento social e impor um medicamento inútil, com efeitos colaterais eventualmente graves. Por que essa obstinação? Para dar a ilusão de que existe cura para quem contrair a doença nas ruas?
A situação em que estamos não poderia ser imaginada nem sequer no mais terrível pesadelo.
Publicado originalmente na Folha de S.Paulo
Tags Coronavírus, Covid-19, Drauzio Varella, governo Bolsonaro, negacionismo
Autor
Drauzio Varella
Médico cancerologista, autor de Estação Carandiru
terça-feira, 19 de maio de 2020
sábado, 16 de maio de 2020
Freixo defende a Frente AMpla e em gesto generoso, abre mão da candidatura para construir a união na cidade do Rio de Janeiro
"Depois das duas catástrofes que se abateram sobre o Brasil, Bolsonaro e a pandemia, não podemos pensar como pensávamos antes, nem agir como agíamos antes. Pela unidade em defesa da democracia e dos direitos do povo brasileiro!
1. Estamos enfrentando um dos maiores ataques da nossa história à democracia e à vida dos brasileiros. Bolsonaro se comporta como um aspirante a ditador que usa ilegalmente o cargo mais importante do País para alimentar uma guerra à democracia.
2. Seu projeto de poder autoritário está retirando direitos e destruindo a dignidade do povo brasileiro com uma voracidade inédita.
3. Diante destes ataques, agravados pela ação genocida do presidente em meio à pandemia, a urgência da luta em defesa da vida e da democracia se impõe como um dever ante a realização dos nossos projetos pessoais.
4. Por isso, decido sacrificar o meu desejo de disputar novamente a prefeitura do Rio de Janeiro para dedicar todos os meus esforços à construção de uma frente ampla que una nacionalmente o campo democrático no enfrentamento ao fascismo.
5. Não é fácil abrir mão da minha candidatura, tanto do ponto de vista pessoal quanto político.
6. Mas é necessário para que eu possa trabalhar pela formação dessa aliança nas eleições municipais deste ano, tanto no Rio de Janeiro, cidade tão desigual e assolada pelo crime organizado e pela associação entre milícias e política, quanto em outras capitais do país.
7. Assumo esse compromisso porque entendo que o pleito de 2020 será um passo decisivo para criarmos pontes, acumularmos forças, amadurecermos um novo projeto de Brasil e derrotarmos o bolsonarismo em 2022.
8. Além de me dedicar a essa articulação nacional em prol da unidade do campo democrático antifascista, seguirei enfrentando as duras, porém necessárias, batalhas que estamos travando no Congresso Nacional, onde obtivemos vitórias relevantes.
9. Nós aprovamos a renda básica emergencial, garantindo R$ 600 para socorrer os brasileiros na crise quando o governo queria pagar apenas R$ 200; barramos a destruição da legislação que impede o acesso indiscriminado de armas e munições e derrotamos a excludente de ilicitude.
10. Foram conquistas importantes, porém insuficientes, na Câmara dos Deputados contra a agenda autoritária e violenta do governo Bolsonaro.
11. Diante disso, é fundamental a minha permanência nesta trincheira de lutas que se torna ainda mais necessária diante das consequências da aliança entre o centrão e o governo, que passará a ter uma tropa de choque para seu projeto autoritário e genocida.
12. Não estamos diante de uma eleição como as outras. O desafio diante de nós é a própria sobrevivência das pessoas e da democracia.
13. Não faz nenhum sentido, nesse momento dramático, pensar apenas em nossos projetos pessoais, em nossos partidos, valorizando nossas divergências. Quem for anti-fascista, hoje, é meu irmão, minha irmã.
14. Chegou a hora de termos grandeza: ou demonstramos desprendimento e capacidade de diálogo, já, ou mereceremos o pior julgamento da história, por não nos unirmos para impedir a destruição da democracia e da vida do povo brasileiro."
NAKBA: a pandemia sionista que dura 72 anos na Palestina - Por Sayid Ahmed (Marcos Tenório)
Por Sayid Marcos Tenório
O mundo está passando por um momento crucial de enfrentamento da pandemia da Covid-19, que afeta indistintamente todos os países do planeta, provocando milhares de mortes todos os dias. Neste 15 de maio queremos nos referir a uma pandemia sionista que afeta a Nação e o povo palestino há 72 anos, desde que a Organização das Nações Unidas decidiu adotar um Plano de Partilha em 1947, que dividiu a Palestina em dois Estados, dando origem ao vírus Covid-1948, também conhecido como o estado judeu de Israel.
Após a partilha ilegal e injusta ser aprovada pela ONU, o estado judeu ficou com aproximadamente 55% das melhores terras da Palestina, embora os sionistas possuíssem apenas 7% da terra privada na Palestina. E mais: os judeus azkenazes representassem apenas cerca de 33% da população, sendo uma grande porcentagem deles imigrante transferidos em levas da Europa. Com a fundação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948, o povo palestino foi atingido pela Nakba, palavra árabe que significa catástrofe, através da destruição de mais de 400 aldeias e a expulsão deliberada de cerca de 800 mil palestinos – mais do que toda população judaica existente naquela época – que perderam suas casas e seus bens e tornaram-se refugiados dentro do seu próprio território e nos países vizinhos, que hoje somam uma população de cerca de cinco milhões de pessoas.
Os vilarejos palestinos foram ocupados, destruídos e saqueados e seus moradores expulsos ou mortos antes que um único soldado das forças regulares dos países árabes entrasse na Palestina em socorro do seu povo, o que põe por terra a falácia israelense de que os palestinos “fugiram” assim que a invasão dos árabes começou. Quando, finalmente, os países árabes decidiram enviar suas tropas, os vilarejos já haviam sido destruídos e seus moradores expulsos ou mortos.
Diante daquele episódio catastrófico, a maioria dos governantes árabes postergaram tanto quanto puderam a inevitável intervenção militar sionista, e então preferiram encerrá-la prematuramente: eles sabiam que não apenas os palestinos já estavam derrotados, mas também que seus exércitos não teriam chance diante das forças judaicas, muito bem armadas depois de um acordo realizado entre o representante sionista em Nova Iorque, Moshe Sherlak, e o chanceler soviético Andrei Gromyko, que permitiu o envio de moderno armamento, que foi entregue às milícias sionistas pela Checoslováquia, que estava sob ocupação do exército soviético.
Quando, enfim, os países da Liga Árabe resolveram enviar suas tropas em socorro dos palestinos, no final de abril de 1948, mais de 250 mil palestinos já haviam sido expulsos, mais de 200 vilarejos destruídos e inúmeras cidades esvaziadas. Todos os países receberam o pedido do Conselho da Liga Árabe para enviar armas e voluntários, mas nem todos atenderam ao pedido. A inanição dos governos árabes mereceu o protesto de milhares de jovens, em vários dos países da região que se dispuseram a sacrificar suas vidas nos combates pelos palestinos. A luta anticolonial na Palestina, valente e feroz, fez incendiar o fervor nacionalista da juventude árabe por todo o Oriente Médio. No entanto, tudo o que as forças estrangeiras e locais tentaram, mas não conseguiram, foi proteger a população local palestina contra a agressão sionista.
Mesmo com o elevado número de palestinos expulsos e mortos, cerca de 100 mil conseguiram permanecer no território ao longo da guerra de 1948 e cerca de 40 mil voltaram para suas terras e casas durante a implementação do acordo de paz. Porém, da noite para o dia, aqueles palestinos se tornaram minoria em seu próprio país, recebendo a cidadania israelense conforme definido na partilha das Nações Unidas, e condenados a viver sob um regime militar até o final de 1966.
Os palestinos que conseguiram permanecer nos seus territórios foram isolados em uma zona de assentamento da qual só era permitido que saíssem após receber autorização dos militares. Seus movimentos foram restringidos, e as chances de encontrar emprego longe de casa tornaram-se ínfimas. Esse estado de coisas, somado à legislação israelense, que proíbe especificamente casamentos civis entre pessoas classificadas como judias e não judias, permitiu ao Estado sionista sua bem-sucedida implantação da política de colonização ‘étnica’ pura.
Os líderes sionistas que ocuparam postos de destaque no poder israelense sempre trataram os donos da terra com arrogância e desprezo. A ucraniana Golda Mabovitch Meir, que migrou para a Palestina na onda sionista de ocupação na década de 1920, e que mais tarde se tornaria primeira-ministra de Israel, disse, em 1969, que não existiam palestinos; Yitzhak Rabin, o quinto primeiro-ministro de Israel, no cargo entre 1974 e 1977, sempre se referia a eles como os “chamados palestinos”; e o imigrante da Bielorrússia, Menachem Begin, que foi primeiro-ministro entre 1977 e 1983, referia-se aos palestinos como os “negros” de Israel.
Inúmeros episódios abomináveis da limpeza étnica levada a cabo pelo Estado judaico ocorreram por meio de atos terroristas das milícias sionistas que tomaram a forma de massacres, como o de Deir Yassin, ocorrido na manhã de 9 de abril de 1948. Deir Yassin era um vilarejo nas cercanias de Jerusalém habitado por cerca de 700 pessoas. Os moradores haviam conseguido um pacto de não agressão com a Haganah , a principal milícia clandestina sionista na Palestina, que tinha como objetivo garantir e expandir as fronteiras de Israel e forçar a total e sistemática expulsão dos palestinos, por meio da limpeza étnica, destruição das aldeias, cidades e urbanizações, a fim de alcançar uma maioria judaica no novo Estado de Israel, com o máximo da terra palestina e o mínimo possível de palestinos vivendo nela.
Centenas de corpos de palestinos mortos pelas milícias sionistas foram estendidos pelo chão, como resultado do covarde massacre de Deir Yassin, praticado pelos terroristas israelenses entre 9 e 11 de abril de 1948.
O massacre de Deir Yassin teve um elevado número de vítimas, numa ação que a direção judaica orgulhosamente anunciou como o epicentro da catástrofe e serviria como aviso para todos os palestinos de que se se recusassem a abandonar seus lares e fugir, teriam destino semelhante. A carnificina foi friamente perpetrada por uma milícia de 120 judeus sionistas e custou a vida de 254 árabes, entre anciões, e crianças degoladas (30 bebês estavam entre os chacinados), mulheres grávidas estripadas por armas branca, com vários casos documentados de estupro, mutilação e humilhação, em que as vítimas eram, principalmente, mulheres palestinas cujos corpos depois foram queimados e jogados num poço.
Quando essa etapa da Nakba foi concluída pelas forças sionistas, o novo estado de Israel compreendia 78% da Palestina histórica, restando apenas a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, que estavam sob o controle da Jordânia e do Egito, respectivamente. Na guerra de 1967, Israel ocupou os 22% restantes e a colonização começou logo em seguida e não parou mais.
A pandemia da Nakba não terminou em 1948 e nem com o massacre perpetrado durante a chamada Guerra dos Seis Dias, a agressão terrorista das forças israelenses ocorrida entre 5 e 10 de junho de 1967, que ocupou a Faixa de Gaza, o Sinal (Egito) e as Colinas de Golã (Síria). Mas continua até hoje, com os sionistas se apressando em executar o processo de judaização completa da Palestina. Esse processo se dá em todos os campos, como o militar, administrativo, legislativo (como a Lei do Estado-Nação aprovada pelo Knesset em 2018), demográfico, religioso, histórico e cultural. O objetivo final é a completa desenraização e destruição da Palestina, que adquire novos contornos com o anúncio por parte do presidente Donald Trump de um unilateral “Acordo do Século”, que beneficia exclusivamente os sionistas, visando reconhecer o Estado de Israel no território da Palestina histórica, sem fronteiras definidas e em permanente expansão, tornando o que sobrar da Palestina em pequenas ilhas de terra como se fosse um mini Estado, pulverizado, cercado e sufocado pelo ocupante por todos os lados.
A pandemia da #Covid1948 continua na forma do roubo contínuo de terras palestinas para a criação de assentamentos e comunidades judaicas nos territórios ocupados. Também não cessou a destruição de casas e terras agrícolas palestinas, a revogação do direito de residência, deportações, brutais ataques militares periódicos, causando baixas civis em massa, como a que ocorreu em Gaza no verão de 2014, quando Israel assassinou 1.890 palestinos, sendo 550 crianças e 87 homens e mulheres com idades acima de 60 anos e deixando cerca de 100 mil residentes desabrigados, segundo o relatório “Vidas Fragmentadas” do Gabinete para a Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA, da sigla em inglês).
O povo palestino tem o direito legítimo de existir e de resistir à pandemia da ocupação sionista, ao apartheid e à limpeza ética, com todas as medidas e métodos. É um ato de autodefesa e uma expressão do direito natural de todos os povos à autodeterminação. A libertação da Palestina é o tema que tem a maior dimensão internacional, humanitária e civilizacional em nossos dias. É uma necessidade da afirmação e do cumprimento do Direito Internacional, da verdade e justiça.
O respeito à justiça exige que se cumpra com o direito ao Estado palestino totalmente soberano e independente, com Jerusalém sua capital eterna e ecumênica. Os palestinos lutam para que seus direitos sejam assegurados em concordância com a democracia, com o Direito Internacional e a justiça. Que seja respeitado o direito de regresso dos refugiados, a compensação e a permanência de todos na terra palestina, pondo fim à pandemia da #Covid1948 e a doença do sionismo que ceifou a vida, as terras, as casas e os sonhos de milhões de homens e mulheres na Palestina.
Sayid Marcos Tenório é historiador e Secretário-Geral do Instituto Brasil-Palestina (IBRASPAL). É autor do livro Palestina: do mito da terra prometida à terra da resistência.
1 Askenaze ou asquenazim são os judeus provenientes da Europa Central e Europa Oriental. O termo provém do termo do hebraico medieval para a Alemanha, chamado Ashkenaz.
2 O Haganah foi uma organização paramilitar judaica de caráter sionista, atuante no território do que era então o Mandato Britânico da Palestina, entre 1920 e 1948. Lutou contra a população de etnia árabe. Viria a se constituir na base do exército israelense, as Forças de Defesa de Israel - IDF, da sigla em inglês.
3 Ocha: “2014 foi arrasador para palestinos nos territórios ocupados” - Disponível em https://news.un.org/pt/story/2015/03/1506391-ocha-2014-foi-arrasador-para-palestinos-nos-territorios-ocupados.
terça-feira, 12 de maio de 2020
EUA falsificam a História para minimizar papel soviético na 2ª Guerra
País perdeu 27 milhões de pessoas e libertou os judeus do campo de concentração Auschwitz
Vermelho

O governo da Rússia acusou os Estados Unidos de falsificarem a História e relativizarem o papel da União Soviética no desfecho da 2ª Guerra Mundial (1939-1945). Em comunicado publicado neste domingo (10), o ministério russo das Relações Exteriores afirmou que as autoridades estão “extremamente indignadas com as tentativas de distorcer a transcendência da contribuição decisiva de nosso país”
Segundo o documento, os Estados Unidos tentam minimizar e “distorcer” o papel da União Soviética na vitória contra a Alemanha nazista. A Casa Branca havia emitido uma nota no Facebook apenas mencionando os EUA e a Grã-Bretanha como vencedores na terrível guerra. Após isso, a Rússia exigiu uma “conversa séria” sobre o assunto com representantes do governo Donald Trump.
“Os funcionários americanos não tiveram a coragem nem a vontade de homenagear o papel inegável e a quantidade colossal de vítimas que o Exército Vermelho e o povo soviético sofreram em nome de toda a humanidade”, destacou Moscou no texto. Além dos EUA, a Rússia acusa também Europa, Ucrânia e Polônia por menosprezar o papel exercido pela União Soviética.
É inegável a épica participação dos soviéticos no conflito – sempre objeto de admiração do presidente Vladimir Putin e dos cidadãos russos. O país perdeu cerca de 27 milhões de pessoas e foi o responsável pela libertação do campo de concentração Auschwitz, além da destruição do bunker no qual Hitler cometeu suicídio, em 1945.
Com informações do site Aventura na História
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