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sábado, 15 de maio de 2021

Nova TV Grabois estreia dia 17 com diversidade e irreverência - Fundação Maurício Grabois



Quer saber mais sobre a China? Está procurando informações sobre América Latina e política internacional? E debates sobre cultura e comunicação? Que tal um bate papo sobre gênero, raça e classe. Isso e muito mais você vai encontrar na nova TV Grabois.


A partir do dia 17 de maio, o canal do Youtube da Fundação Maurício Grabois vai ter programação diária e inédita sobre temas importantes da atualidade. A FMG selecionou um time de primeira para falar sobre esses assuntos:

Às segundas-feiras Elias Jabbour vai comandar o “Meia noite em Shangai”, para falar sobre a China, um dos países que mais crescem no mundo. Elias é professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Autor de diversos livros e artigos sobre a China publicados dentro e fora do Brasil.

Ana Prestes trará análises e informações sobre política internacional e sobre a América Latina todas as terças-feiras no “Miramundo”. Ana é socióloga, mestre e doutora em Ciência Política. Analista Internacional, autora de livros infantis e pesquisadora da história das mulheres brasileiras na política.

"Cabeça Feita" será o programa das quartas-feiras com a primeira mulher negra deputada na Assembleia Legislativa da Bahia, Olívia Santana (PCdoB), que vai discutir gênero, raça e classe. Olívia é pedagoga e foi vereadora de Salvador por 10 anos.

Cultura e Comunicação de Massas serão os temas tratados por Fábio Palácio, no quadro "Cultura em Movimento". Fábio é jornalista, doutor em Ciências da Comunicação (ECA-USP) e professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Editor da revista Princípios.

Para encerrar a semana, o sextou da TV Grabois será com a Dani Balbi e a Manuela D’Ávila, que vão fazer comentários sobre os principais fatos da semana no “Sexta contragolpe”. Dani é doutora em Ciência da Literatura pela UFRJ, pesquisadora de dramaturgia, teatro e cinema, além de Professora de Roteiro da Escola de Comunicação Social da UFRJ. Manuela D’Ávila é jornalista, escritora e mestre em políticas públicas. É presidente do Instituto E Se Fosse Você?, de combate à Fake News. Foi a vereadora, deputada federal, deputada estadual, sendo a mais bem votada em todas as eleições, candidata à vice-presidência da República em 2018 e candidata à prefeita de Porto Alegre em 2020.

Acompanhe na próxima segunda-feira, 17/05, as lives de lançamento da TV Grabois, às 18 horas, simultaneamente pelos perfis dos nossos youtubers. A agitação continua na terça-feira, 18 horas, pelo Facebook e YouTube da Fundação.

Obrigado, camarada Haroldo Lima, exemplo a seguir, havemos de cobrar tantas vidas perdidas! #ForaBolsonaroGenocida

 

NAKBA: o povo palestino continuará resistindo. Por Sayid Marcos Tenório - Portal Desacato


Por Sayid Marcos Tenório, para Desacato.info.


Estamos assistindo estarrecidos a escalada de violência, bombardeios com destruição e mortes por parte de Israel nos territórios palestinos ocupados. As agressões do ocupante sionista que vêm ocorrendo neste mês maio de 2021 é parte da Nakba, palavra árabe que significa tragédia, para designar os eventos sinistros que se sucederam após a fundação do chamado estado judeu de Israel, em 15 de maio de 1949.

Nos dias que se seguiram ao anúncio da criação do “Estado judeu”, mais de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas, mais de 200 vilarejos foram ocupados, saqueados e destruídos e inúmeras cidades esvaziadas.

Quando a primeira Nakba foi concluída pelas forças sionistas, o novo estado de Israel compreendia 78% da Palestina histórica, restando apenas a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, que estavam sob o controle da Jordânia e do Egito, respectivamente. Na agressão de 1967, Israel avançou sobre os 22% restantes e a colonização começou logo em seguida e não parou mais e o seu objetivo final e? a completa desenraização e destruição da Palestina.

É gritante a simetria dos acontecimentos de 1948 com o que estamos assistindo atualmente na cidade sagrada de Jerusalém, onde colonos judeus-sionistas de extrema-direita, apoiados pelas forças militares da ocupação estão atacando o Bairro Sheikh Jarrah, e praticando invasões, saques, incendiando terras agrícolas, violência e apropriações ilegais de propriedades.

Uma das cenas mais dantescas foi a dos colonos judeus-sionistas racistas atacando e jogando bombas no interior da sala de oração lotada de palestinos na Mesquita Al-Aqsa, um local sagrado para mais de 2 bilhões de muçulmanos em todo o mundo e em pleno período do sagrado mês do Ramadã.

Nesta situação de permanente agressões, o povo palestino não tem escolha a não ser resistir a? ocupação e as investidas opressivas contra a terra palestina, seu povo, recursos e lugares sagrados. Porém, esperança dos palestinos na vitória cresce a cada agressão. Já é possível notar que o equilíbrio de forças mudou. Houve um dia em que o jovem palestino se defendia atirando pedras. Hoje, responde ao inimigo lançando mísseis de precisão, como o Ayyash 250-K, desenvolvidos e fabricados pela resistência graças a assistência do chamado eixo da resistência, frente de luta anti-imperialista formado pelo Irã, Hezbollah libanês, Síria e forças da resistência iraquiana.

Apesar das diferenças de condições militares com a enorme superioridade israelense, o inimigo sionista fica mais fraco a cada ano. Hoje sabe-se que o exército que se apresentava como um “exército nunca derrotado”, não passa de um exército que não verá mais a cor de vitória. Sobretudo após as experiências da Guerra dos 33 Dias no Líbano e das guerras recentes com enfrentamentos diretos da resistência em Gaza.

Como é notório, os crimes de Israel são acobertados pelos Estados Unidos, que lhes fornecem apoio político, dinheiro e armas para matar palestinos. Nos Estados Unidos entra governo e sai governo e a política em relação a Israel é sempre a mesma. Após as recentes agressões o “democrata” Joe Biden, como fiel representante do lobby judaico das armas e bancos, apressou-se em declarar que Israel tem o direito de se defender. Certamente sugerindo que os palestinos não têm o mesmo direito, porque para o imperialismo os palestinos não têm direito algum.


No entanto, e apesar das constantes agressões e violações de Israel e mesmo sabendo que resistir ao imperialismo e ao sionismo tem um elevado custo do ponto de vista humano, social e econômico, o povo palestino continua resistindo bravamente para proteger suas terras e seus ancestrais. A luta por Jerusalém será até a vitória definitiva, que é a conquista da Palestina Livre, do Rio ao Mar.

O povo palestino tem o direito legítimo de existir e de resistir a ocupação sionista, ao apartheid e a? limpeza ética, com todas as medidas e métodos possíveis. É legítima a reação da resistência de Gaza, tendo à frente o Movimento de Resistência Islâmica – HAMAS e a Jihad Islâmica diante das agressões de Israel. Essa reação nada mais é do que a aplicação prática da Carta das Nações Unidas e do direito internacional que asseguram os povos oprimidos reagir por todos os meios. Assim foi no Vietnam, assim está sendo na Palestina, na Síria, no Iraque e no Iêmen.

O respeito a? justiça exige que se cumpra com o direito ao Estado palestino totalmente soberano e independente, com Jerusalém sua capital eterna e ecumênica. Só haverá paz quando estes preceitos forem atendidos, com o direito de regresso dos refugiados, a compensação e a permanência de todos na terra palestina, pondo fim a doença do sionismo que ceifou a vida, as terras, as casas e os sonhos de milhões de homens e mulheres na Palestina.

Seria louvável que as pessoas que se manifestaram estarrecidas nas redes sociais com os crimes de ódio racista nos Estados Unidos e as manifestações do

"Black Lives Matter"
(Vidas Negras Importam), e igualmente com a deplorável operação policial na Favela do Jacarezinho, que resultou no assassinato de 28 pessoas, observassem as muitas semelhanças entre o cotidiano das favelas do Rio de Janeiro com a Palestina, por exemplo, na forma dos assassinatos, nas escolas fechadas, no desemprego, no medo, nas invasões e demolições de casas, na negação do direito de ir e vir, além de tantos outros problemas.


Sayid Marcos Tenório é historiador e Vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina (IBRASPAL). É autor do livro Palestina: do mito da terra prometida à terra da resistência (Anita Garibaldi/Ibraspal, 2019)



sábado, 8 de maio de 2021

Fala no Seminário da Fundação Maurício Grabois sobre o Projeto Nacional de Desenvolvimento - Paulo Vinícius da Silva

 

Parar o genocídio é uma tarefa política - In memorian de Leonardo Caverna e Júlio Salas - Paulo Vinícius da Silva

Perdemos mais um veterano da UJS para o genocídio. Outro dia, o Júlio Salas, grande líder secundarista do Amazonas da minha geração. Hoje, Leonardo Caverna. Quem será o(a) próximo(a). E é um problema político. A culpa é do Bolsonaro. 

Leonardo Caverna, lembro de você arrombando o portão do 7 de Setembro no dia da manifestação que reuniu 70 mil pessoas no Fora Collor, a maior de todas. Não sei se eu estava ao carro de som, 1992, e vejo ele, a barriguinha, de chinela havaiana, pendurado na marquise e as pernas como um aríete, de calça jeans e sem camisa. Pou! E a estudantada do 7 saiu às ruas (nunca saía). 

Leonardo caverna, sempre feliz e na luta. Segura a bandeira da CTB.

 

Ele era o mais animado dos estudantes das escolas privadas do Corredor da Av. Imperador. Sua energia e combatividade foram centrais para desenhar o mapa das passeatas de Fortaleza, ele e nossa galera  (Andrea, Zizia, Paulinha, Huston, Cristóvão, Pádua, Rogério, Aírton, Paulo Henrique, Flávio Arruda, Saulo, Johnson, etc) e todas as correntes do ME alencarino, nós desenhamos aquele mapa. E ele arrastava a Imperador, aonde era sua escola, o Anglo. Por três caminhos (Liceu do Ceará - Adauto Bezerra-ETFCE e Justiniano de Serpa) dirigiam-se milhares de estudantes ao Centro de Fortaleza. 

O cabelo grande e desalinhado, um cordão de osso no pescoço, nem sempre de camisa. Caverna foi consequência, como apelido - pra nós Caverninha. Depois, Leonardo Leite. Era um dos mais ensandecidos membros da terrível comissão de vacilos, até o Marcelo Nogueira, reitor da URBI -universidade regional dos brutos e ignorantes -tinha medo de levar uns sabacús, se vacilasse... Não era raro o Caverna surpreender a mim ou a outro amigo com- literalmente - uma mordida na bunda. Vinha ardiloso, com um sorriso moleque, vc tava em pé conversando, e, do nada, surgia o Caverna dando uma mordida de varar calça jeans! Como doía, mas, como não rir?! 


 

Era uma força da vida, meu amigo Leonardo Leite. Era combativo, teimoso, socialista do PSB de raiz desde o leite materno, militante da UJS que me ensinou na prática como levávamos a sério a UJS ser maior que o Partido, reunindo a juventude socialista. Era um cara que era povo. No meio dos secundaristas, dos trabalhadores, da massa, ele era peixe dentro d'água. Torcedor Tricolor (Fortaleza) fanático, puxador de palavra de ordem, lembro dos pulinhos dele, com os pés unidos, cantando as mais fuleiras palavras de ordem que eu já ouvira. Formiguinha, vovó, elefante, todo tipo de loucura e todo os gritos da TUF. Dirigente sindical da CTB Ceará, pai, meu amigo, mais um da minha geração que tomba diante de o Brasil ter se tornado uma ameaça à vida, à saúde pública global. 

Caverna não morreu só de COVID, ele não sobreviveu ao governo Bolsonaro. Você, que me lê, sabe se nós sobreviveremos?! 

Não é uma questão teórica, mas político-prática. Não foi individual. As pessoas morrem por falta de vacina, por projeto, por corrupção descarada, pelo culto à ignorância, à burrice, ao crime. Nós estamos perdendo pessoas, inteligências, amores e isso é um problema político. Nos EUA, lembrou-me um amigo, a saída foi pelas ruas e com a eleição, e é verdade. O PCUSA resumiu, à época: tem de votar no Biden e mudar a política. Não podia vacilar. E deu certo. 

No Brasil, mudaram bastante as coisas nos últimos dois meses e Lula retoma um digno protagonismo.  A hora é de apostar na unidade, na ousadia, na esperança, na iniciativa política. Vislumbra o povo brasileiro retomar o governo? Sim, nós podemos. 

Que fazer? No curso da CPI, o que fazer? Qual a unidade, quais as ações que possam parar o genocídio? Responder é o nosso compromisso com cada um que perdemos, com o nosso futuro, com a vida, com o Brasil. 

Temos de lutar muito mais, unir muito mais, mudar o jogo! Retomar a vida, a democracia, o Brasil, cobrar tantos crimes contra o povo brasileiro, é nosso compromisso, é a saída, é como sobreviveremos! Leonardo Caverna, presente! Fora Bolsonaro Genocida!

NOTA DE PESAR - Leonardo Caverna, Presente, Hoje e Sempre - CTB-CE

E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar (...)
Apenas começamos.
Legião Urbana
 
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Ceará - CTB-CE chora lado a lado com o povo cearense, no cotidiano luto da Nação Brasileira, que sangra com a morte diária de milhares de seus filhos e filhas, nesta que é a maior tragédia da História do Brasil, o Genocídio durante a COVID pelo governo de Jair Bolsonaro. 

Hoje, dentre as milhares de vítimas que não podemos normalizar, perdemos o nosso querido Leonardo Andrade Leite, o Leonardo Caverna, dirigente estadual da CTB-CE, um jovem pai, e destacado militante do PSB, filho dos dirigentes sindicais cetebistas e históricos socialistas, Maria Andrade e Joacy Leite a quem estendemos nosso solidário abraço nessa hora de dor.


Leonardo foi um dos líderes do Fora Collor em Fortaleza, ainda no movimento estudantil secundarista e era o principal militante do PSB na UJS na década de 1990. Foi diretor do DCE Unifor, onde cursou Ciências Sociais. Desde sempre uma força de alegria, sinceridade. Leonardo Caverna jamais se retirou da luta.

Leonardo e cada um(a) que perdemos, nós, que estamos todos ameaçados, sabemos que se está a morrer por uma doença que tem vacina. Não é um problema individual de saúde que o Brasil tenha se tornado um lugar impossível de se sobreviver, uma ameaça sanitária global. É preciso deter o genocídio pois a morte é resultado direto da politica de Bolsonaro. É ele ou nós.


Leonardo, nosso amigo, nosso irmão, pai, filho, companheiro, essa pessoa e todas as centenas de milhares que perdemos, não sobreviveram ao governo Bolsonaro. Perdemos mais um brasileiro por conta da negligência deste governo negacionista irresponsável.

Transformaremos toda nossa dor e indignação em luta em defesa da vida do nosso povo:
Vacina, Pão, SUS e Educação!
Fora Bolsonaro!
Leonardo Caverna, Presente, Hoje e Sempre.
 

NOTA DE PESAR E nossa história não estará pelo avesso Assim, sem final feliz Teremos coisas bonitas pra contar...

Publicado por CTB Ceará em Sábado, 8 de maio de 2021

Colômbia 10 días del paro, decenas de mortos y desaparecidos y centenas de heridos - Russia Today - 07/05/2021

 

sexta-feira, 7 de maio de 2021

A Comuna de Paris e quatro verdades que soam - Paulo Vinícius da silva

Comuna de Paris - 1871
 

queridos, 

queridas, 

Dias tão tristes, tem hora que a gente soçobra...
haverá a hora inclusive que cairemos, tanto quanto o levante é inevitável, essa é a dialética na vida;
recebi de outrem, dou a alguém e seguimos esse fio de ariadne que os communards soltaram quando pela primeira vez na história os trabalhadores e trabalhadoras ousaram tomar o céu de assalto
e o céu era a terra, Paris, a força de trabalho, o fuzil, a liberdade, a propria vida.

Um silêncio então ecoou,
e de dentro das casas-grandes sobre senzalas,
de cima das coroas e das repúblicas burguesas
do alto dos grandes oligopólios que apenas começavam
de dentro de cada família de banqueiro que financiou o colonialismo e o genocídio
do seio pútrido de toda a justificação do racismo e do extermínio, do saque, do estupro, da guerra, da partilha colonial...
de lá, ouviu-se não um grito, mas um serpentino sibilo:

Morte aos comunistas!


E juntaram-se os senhores do mundo, e aniquilaram a Paris Operária que apenas ousara o que será o futuro.

Milhares, muito milhares, incontáveis mortos, porque mortos operários, em Paris, no Jacarezinho do Rio de Janeiro, no Chile, no Haiti, em Cali, aonde for, são milhares que morrem, mas é como se não contassem
Porque no capitalismo o que conta não são as vidas humanas,
No capitalismo só conta o lucro,

E a morte dá lucro.


Mas, ainda assim, três verdades escaparam do extermínio da Comuna de Paris
Não houve banho de sangue, bombardeio, mentira, exconjuro, exorcismo que as calassem:


Somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo
Pertence a terra aos produtivos, ó, parasita, deixa o Mundo!


De pé, ó vitimas da fome!
De pé, famélicos(as) da terra!
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores(as)!
Se nada somos em tal mundo
Sejamos tudo, ó produtores(as)!
 

Bem unido façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A internacional.
 

Por isso segue perseguida a palavra que o capitalismo amaldiçoou com tanta violência e crueldade na Comuna de Paris
Por isso esse xingamento é ainda a insígnia mais nobre do futuro da fraternidade humana
Filha do pão e do aço, do suor e do sangue, feita toda de trabalho, feita de operários e operárias, mães e crianças, um monumento da esperança de uma nova vida
Uma visão utópica, sim, utopia numa época de tragédias


Somos seres humanos, todos, e assim devemos ser tratados, humanamente-


vede que perigo,
vede que louca esperança -


"os comunistas guardavam sonhos"
E seguimos.

A quarta verdade é nossa, e a apanhamos do chão,

aquela bandeira vermelha chamuscada, 

e nós a escrevemos até hoje.

É uma promessa, uma opção cotidiana, 

uma marca que reconhecemos e a entoamos olho no olho, ao dizer, simplesmente: 

camarada, 

a luta continua!

Caetano Veloso - Haiti - #Jacarezinho #massacre




Quando você for convidado pra subir ao adro
Da fundação Casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outro quase pretos
(e são quase todos pretos)
E aos quase brancos, pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos, quase pretos, de tão pobres, são tratados
E não importa se olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada: nem o traço do soldado
Nem a lente do Fantástico, nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for à festa do pelô
E se você não for

Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui o Haiti não é aqui

 
Na TV se você ver um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização do ensino
De primeiro grau
Se esse mesmo deputado defender a adoção de pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homen mijando na esquina da rua
Sobre um saco brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos ou
Quase pretos
Ou quase brancos, quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba

Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui o Haiti não é aqui


Chacina do Jacarezinho é responsabilidade do Governador Claudio Castro - CTB Rio de Janeiro - Nota Oficial

 Nota Oficial: Chacina do Jacarezinho é responsabilidade do Governador Claudio Castro

Nota Oficial: Chacina do Jacarezinho é responsabilidade do Governador Claudio Castro

Mais uma vez, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro vem a público para manifestar seu total repúdio com a política de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. Após o afastamento em definitivo de Witzel, Cláudio Castro apresenta seu cartão de visitas e deixa claro quem manda no Estado do Rio. A necropolítica de Bolsonaro agora tem seu representante direto no comando das polícias civil e militar, declara guerra aos pobres e, em especial, aos negros e negras que vivem nas comunidades do Rio de Janeiro.

O alvo da Necropolítica, dessa vez, foi a Comunidade do Jacarezinho. Em desastrosa operação da Polícia Civil, 25 vidas foram ceifadas, em um novo bizarro recorde de mortes em operações policiais em nosso Estado. As mesmas polícias que há 20 anos atrás mostrava que era possível prender um chefe do Tráfico do Complexo do Alemão sem disparar um tiro; as mesmas polícias que apreenderam mais de 100 fuzis em condomínio de luxo na Barra da Tijuca sem disparar um tiro sequer, sobem o morro em pleno horário que trabalhadores e estudantes tomam as ruas para ir à suas escolas e locais de trabalho, e espalham um cenário de terror. Operações desse tipo jamais acontecerão em um bairro como Ipanema ou Barra da Tijuca em virtude da natureza do governo e da orientação da própria polícia, ambos consideram a classe trabalhadora e os moradores das favelas como inimigos e alvos a serem abatidos.

Até mesmo passageiros do Metrô, dessa vez, foram vitimados pela ação policial, totalmente ineficaz. É inadmissível que nossas comunidades virem praça de guerra e que trabalhadores tenham que arriscar a vida para chegar a seus locais de trabalho. Não podemos aceitar que famílias inteiras corram riscos dentro de suas casas e as tenham invadidas em atos bárbaros que relembram os piores momentos da Ditadura Militar. Mesmo com a decisão do STF de proibir operações policiais durante a pandemia, a Polícia de Cláudio Castro segue mostrando seu descompromisso com a democracia e com a ordem institucional, usando de pretextos diversos para levar o terror às comunidades do Rio de Janeiro.

É preciso dar um basta na necropolítica de Segurança Pública! Precisamos de mais inteligência, de uma polícia mais bem preparada equipada e com capacidade para lidar com o povo, que em sua maioria, dentro das comunidades, não tem qualquer ligação com o crime organizado.

Chega de Racismo Institucional! A ação policial merece ser chamada pelo seu nome de direito, mais uma chacina bárbara que acontece em nosso Estado. A CTB e sua base social acreditam numa lógica de segurança pública que privilegie a inteligência e a proteção à vida dos cidadãos e cidadãs de nosso Estado.

Total repúdio à Chacina do Jacarezinho! Total Repúdio à polícia de (in)segurança pública do Governador Cláudio Castro!

Rio de Janeiro, 06 de Maio de 2021

Paulo Sérgio Farias
Presidente da CTB-RJ

 

 

quinta-feira, 6 de maio de 2021

O que restou das manifestações da juventude de 2013 no Brasil? Paulo Vinícius da Silva

 O que restou das manifestações da juventude de 2013 no Brasil? 


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As marchas de 2013 foram um dos episódios da “Primavera da Guerra Híbrida”, que começou nos países árabes e se espalhou pelo mundo, aproveitando-se de um justo sentimento da juventude, que não encontrava espaço no nosso projeto de Brasil. 


Essa percepção ocorria a despeito dos avanços dos governos de Lula e Dilma. Problemas estruturais no ciclo mudancista latino-americano não deram conta de desafios econômicos centrais para a plena incorporação da juventude no projeto nacional de desenvolvimento, em articulação com a economia mundial e a partir das características da nossa América Latina. Foram eles, a mim me parece:


1) A desindustrialização associada ao extrativismo e à ditadura do capital especulativo-financeiro-rentístico;


2) As baixas taxas de crescimento e a involução das economias que se primarizam, ou ampliam sua dependência das commodities, com exponencial passivo ambiental, privatizações, grandes oligopólios financeiros a se apropriarem das empresas públicas em favor de interesses privados rentísticos e de curto prazo;


3) A Juventude teve ampliado seu acesso aos bens de consumo, à cultura digital, à internet e aos smartfones, mas persiste sendo desde então o maior percentual etário da população que acumula os mais graves indicadores sociais: Informalidade, precariedade, superexploração, evasão escolar, ausência de acesso à internet e aos equipamentos de informática, falta de aposentadoria, de casa própria, sem assistência à saúde e com falta de trabalho decente;


4) A Juventude também não teve acesso a uma nova política de Reforma Agrária, ampliando-se os efeitos da não consecução da sucessão rural na agricultura familiar, o que em perspectiva compromete a nossa soberania alimentar e nacional.


5) A notável ampliação do acesso à educação entre 2003 e 2014, inclusive no Ensino Superior para a população trabalhadora, com a ampliação do ensino técnico e da Pós-graduação. Mas não bastou, sem desenvolvimento.


6) A persistência de chagas de nossa formação que vem ainda do escravismo, mas se renovam, como o racismo, e a violência contra as mulheres e contra as pessoas LGBTQ.


O que houve depois foi  esse apocalipse golpista-bolsonarista-guerra híbrida-entreguista-misógino-transfóbico-covid-fundamentalista-negacionista e genocida . Ou seja, o que tava muito ruim lá em 2013, piorou em proporções brasileiras.


 A destruição da economia em seus setores mais dinâmicos pela Lava-jato a mando dos EUA, o monopólio nas comunicações em mão oligárquicas e do setor financeiro, o desmonte das intituições nacionais, MEC, Universidades, Pesquisa CeT e a Pandemia/Bolsonaro, causando uma verdadeira tragédia na nossa geração, que a gente ainda não mediu, mas dá pra ver em cada Uber, em cada entrega, em cada jovem sem emprego, sem escola, sem perspectiva. E nossos filhos e filhas perpetuarão esse desalento. 


Assim, precisamos reagir e assumir um lugar de protagonismo e de responsabilidade na condução desse enredo que se mostra macabro. Era inimaginável que chegaríamos tão no fundo do poço. E a nossa derrota em conduzir aquele processo social nos trouxe até aqui. Não podemos ter soberba. Não foi uma atuação exemplar. Quem é derrotado, se não souber o por quê disso ter acontecido, vencerá?


Para a juventude brasileira, retomar o projeto nacional de desenvolvimento é uma opção entre a vida e a morte. Diante do que houve nos últimos 9 anos, estamos arriscados a ter a perda de uma geração. É a mesma crise do meio ambiente, da violência, das desilusões do consumo e do capitalismo, é o desperdício da nossa vida, da nossa juventude.


Esse fenômeno ocorreu em paralelo à destruição do movimento sindical e da CLT, da crise econômica mais assustadora desde os anos 80. Desse modo, galera, as soluções do passado parece que não deram certo, não. A impressão que eu tenho é de um grande envelhecimento geracional, infelizmente, e de um grande empobrecimento e desespero da juventude brasileira que não vê futuro no Brasil nem tem esperanças.


Isso, gente, é PROJETO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO. O projeto da direita, do neoliberalismo, do rentismo, da direita é esse que estamos vivendo. Eles conseguiram em 2013 polarizar um movimento que poderia ter ajudado a mudar o país, mas como a Lava a Jato, foi manipulado para destruir o nosso próprio país.


E agora, é a nossa juventude que ocupa as UTIs do Brasil, que se tornou uma ameaça à vida e à saúde, foi isso que a direita e os rentistas, junto com os EUA, fizeram ao Brasil. Morreram de capitalismo centenas de milhares, e até quado?


Sem lugar para juventude no Projeto nacional, no movimento sindical e na política será impossível salvar o nosso Brasil. 


 Um sindicalismo de base com a juventude é mais necessário que nunca, que chegue aos precarizados, que se abra democraticamente à base, fugindo do isolamento das bases quando se impõe o distanciamento social. Mais do que nunca precisamos do diálogo com as bases, a juventude e os estudantes para construir o Brasil em que a juventude tenha futuro, em vez de ser abandonada, assassinada, discriminada e violentada todos os dias. Não podemos concordar com o Brasil do ferro gusa, da soja e do desmatamento…


A juventude e os adultos de hoje podem alavancar o desenvolvimento, ou será a nossa vida o perpetuar da tragédia, doravante. A juventude é a saída para reesperançar o Brasil. Falar às bases, reorganizar o povo, reocupar os espaços da democracia, unir o povo, tudo isso precisa da nossa juventude como protagonista do seu próprio futuro. A UJS não pode ser só estudante. A CTB não pode ser só a direção do Sindicato. Estudantes, jovens e trabalhadores(as), com a cara do nosso povo, esse deve ser o presente do nosso movimento se quisermos que ele tenha futuro. E por saber que o capitalismo não pode nos dar nem a democracia, nem a soberania nem o futuro que sonhamos, sei que o futuro brilhante para o Brasil e sua Juventude, é o Socialismo.








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