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sábado, 16 de março de 2024

Especial, pevezando -> Frente Ampla e Unidade Popular para unir o Brasil e vencer o fascismo - Paulo Vinícius da Silva



8 de janeiro de 2023, Brasília, retomada simbólica do Planalto

Os três grandes: Stalin, Roosevelt e Churchill

George Dimitrov: líder histórico da luta contra o nazifascismo - Pedro Oliveira 

E a defesa de Dimitrov contra Goring e Goebbels (em inglês)- Portal Vermelho
George Dimitrov, herói dos trabalhadores e da luta contra o nazifascismo


Xi Jinping: Que o multilateralismo ilumine o caminho da humanidade - Discurso completo em Davos - Portal Vermelho




Conversa Afiada com o saudoso Paulo Henrique Amorim e João Vicente Goulart: Por que Jango não resistiu? Como Jango pôde aceitar a Frente Ampla com Lacerda?



Frente Ampla e Unidade Popular - Paulo Vinícius da Silva (1)


A unidade é a bandeira da esperança.
João Amazonas





Frente Ampla e Unidade Popular? Paulo Vinícius 'da Silva (2)

Si vis pacem, para bellum. Se quer paz, prepare-se para a guerra.
Provérbio latino


Coletivizando: Frente Ampla e Unidade Popular! Paulo Vinícius da Silva (3)
"O fascismo no Poder (...) é a ditadura terrorista descarada dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro." E ainda: "O fascismo é o Poder do próprio capital financeiro. (...) É preciso salientar de modo especial este caráter verdadeiro do fascismo porque a dissimulação da demagogia social deu ao fascismo, numa série de países, a possibilidade de arrastar consigo as massas da pequena burguesia desajustadas pela crise, e até alguns setores das camadas mais atrasadas do proletariado que jamais seguiriam o fascismo se tivessem compreendido seu verdadeiro caráter de classe, sua verdadeira natureza." (Dimitrov)



Aldo Arantes: Frente de esquerda ou Frente ampla? -PCdoB 


De fato aí reside a divergência central de nossas opiniões. Enquanto Altman nega as alianças feitas por Lula e Dilma considero que o erro não esteve nas alianças mas sim em não compreender seu caráter transitório. E, em função disto, não ter se preparado para quando elas não mais interessassem às partes.

Renato Rabelo: Luta ideológica numa nova ordem mundial de transição


O Brasil vai votar Lula Lá - versão de Fischia il vento e Katiusha, canções da resistência ao nazi-fascismo - Paulo Vinícius da Silva

João Amazonas e a política internacionalista do PCdoB - Ricardo Abreu (Alemão)

Amazonas observa que “é preciso estabelecer o limite da fronteira, no campo ideológico, para abordar a luta pela unidade do proletariado mundial”.

O oportunismo de direita, para Lênin, é a política reformista de conciliação de classes, a subordinação dos objtetivos maiores de emancipação dos trabalhadores aos objetivos menores e imediatos.

Logo a seguir, no texto que estamos analisando, Amazonas cita dois casos concretos de traição à classe operária e ao movimento comunista, “o Partido da ‘Sinistra’, da Itália [surgido da dissolução, pela maioria, do antigo Partido Comunista Italiano] e, no Brasil, do “Partido Popular Socialista [PPS], herdeiro do Partido Comunista Brasileiro [PCB], que renegou os símbolos, o marxismo-leninismo; e se tranformou em um partido de traição aberta ao comunismo”.


Lenin viveu, Lenin vive, Lenin viverá! Paulo Vinícius da Silva




Lamentavelmente, é um pensador pouco compreendido, diria até desconhecido, assim me parece, e isso a despeito do monumental esforço de popularização e compilação de sua obra feito por Stalin após a sua morte. Por isso, superficialmente, como estímulo ao seu estudo, e para sistematizar minhas próprias opiniões, cito o que penso aspectos essenciais no pensamento revolucionário de Lênin.

Da crítica e autocrítica para o Avante, camaradas! Paulo Vinícius da Silva
Crítica e autocrítica são coisas de comunista. Rogério Lustosa definiu como nos relacionamos com a crítica e autocrítica. Dizia: "nós devemos ser os mais severos críticos de nossos próprios erros". Longe de indesejável, esse processo é ápice, é o controle dos resultados pelo próprio coletivo, é quando operário(a) e jovem pode questionar de igual para igual dirigentes e líderes partidários. As direções todas, eleitas de baixo pra cima, também todas hão de ser avaliadas no processo normal do Centralismo Democrático, o funcionamento do PC.







Roda Viva | Marcelo Gleiser | 11/03/2024


O Roda Viva recebe o físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser. "O despertar do universo consciente: Um manifesto para o futuro da humanidade" é o título do novo livro de Gleiser, que une física, filosofia, biologia, química, religião e muito mais para questionar: como estamos nos relacionando com o planeta? O que é preciso fazer para salvar nossa civilização? O lançamento da obra está marcado para o dia 12 de março no Rio de Janeiro e dia 14 em São Paulo. Mas antes o autor estará no Roda Viva!



quinta-feira, 14 de abril de 2022

Vote Chapa 3 Previ para os Associados e Associadas de 18 a 29 de abril - Chapa e propostas- Bancários de SP



 

 

 

ELEIÇÕES PREVI 2022
Chapa 3: PREVI PARA OS ASSOCIADOS
Conselho Deliberativo
Titular: Antonio Sergio Riede
Suplente: Luciana Athaide Brandão Bagno
Conselho Fiscal
Titular: Getulio Mendes Maciel
Suplente: Wagner Fonseca de Lacerda Bernardes
Diretor de Administração
Márcio de Souza
Diretor de Planejamento
Paula Regina Goto
Conselho Consultivo do Plano de Benefícios 1
Titular: Carlos Guilherme Haeser
Suplente: Eleucipio Vera Barreto
Titular: José Carlos Vasconcelos
Suplente: Francisco dos Santos Filho
Conselho Consultivo do Plano de Benefícios PREVI Futuro
Titular: André Luiz Alves
Suplente: Elisa de Figueiredo Ferreira
Titular: Carlos Eduardo Bezerra Marques
Suplente: Cleiton dos Santos Silva



terça-feira, 12 de abril de 2022

CTB Bancári@s DF com a Chapa 1 nos Bancários DF: Unidade, Democracia e Luta - eleições de 2 a 6 de maio

A CTB Bancários DF é parte da Chapa 1 - Unidade, Democracia e Luta, presidida pelo companheiro Kleytton Morais
 

Site da Chapa 1 - Unidade, Democracia e Luta - http://chapa1bancariosdf.com.br/ 

Instagram da Chapa 1 - Unidade, Democracia e Luta - https://www.instagram.com/soubancariochapa1/

 Viemos para transformar! Queremos fazer o agora diferente para construir um depois feito por nós, para nós; onde a normalidade signifique ter emprego e renda, ter condições dignas de trabalho, trabalhar sem a pressão de atingir metas de produção inalcançáveis. E no final do dia, poder voltar para casa sem aquela sensação de peito apertado por medo do futuro.

Queremos que o normal seja um ambiente de trabalho sem assédio moral e sexual, com respeito, igualdade de oportunidades e solidariedade. Queremos que a normalidade tenha como princípio a saúde de cada bancário e de cada bancária, e não doenças como depressão, LER/DORT, Síndrome de Burnout e tantas outras provocadas pela pressão hierárquica, pelo estresse, pelo ritmo de trabalho acelerado e excessivo.

Com essa proposta, apontamos a necessidade de inovar e escantear de uma vez por todas a mesmice. Percebemos a necessidade de desacostumar, e entendemos que é fundamental dinamizar.

Nós da CHAPA 1 queremos cultivar a UNIDADE, a DEMOCRACIA e a LUTA para que possamos reagir às investidas de quem coloca interesses econômicos acima dos interesses da vida.

As eleições para a escolha da nova diretoria do Sindicato dos Bancários de Brasília será realizada de 2 a 6 de maio. Seu voto faz toda a diferença! ✊🏿


Sou Paulo Vinícius Santos da Silva, candidato a Secretário de Políticas Sindicais pela Chapa 1 – Unidade, Democracia e Luta.

📣Atuo no Banco do Brasil há 15 anos, e atualmente sou Assistente de Negócios. Grande parte da minha vida foi dedicada ao movimento sindical, sempre como representante da CTB. Escolhi ser dirigente sindical para defender o Brasil, a democracia e os direitos da classe trabalhadora. Vejo na defesa dos bancos públicos a alavanca do projeto nacional de desenvolvimento e emancipação do nosso país.

🗳️VOTE! Ajude a construir o futuro que você quer! Eleições de 2 a 6 de maio.

🖱️Saiba mais sobre a nossa Chapa no link na bio
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#PraTodoMundoVer: webcard com foto de Paulo Vinícius Santos da Silva, candidato a Secretário de Políticas Sindicais pela Chapa 1
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#eleições #eleiçõesbancarios #namcariosdf #bancarios #transformação #sindicato #chapa1 #sindicatodosbancarios

Esse é Rafael Guimarães Campos Oliveira, candidato a diretor pela Chapa 1 – Unidade, Democracia e Luta. Espia só o perfil dele 👀:

📣Sou bancário do Banco do Brasil desde 2012. Já fui secretário de Assuntos Sindicais do Sindicato dos Bancários de Brasília e me candidato novamente para fazer a luta em defesa dos bancários e das bancárias.

V🗳️OTE! Ajude a construir o futuro que você quer! Eleições de 2 a 6 de maio.

🖱️Saiba mais sobre a nossa Chapa no link na bio
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#PraTodoMundoVer: webcard com foto de Rafael Guimarães Campos Oliveira, candidato a diretor pela Chapa 1
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#eleições #eleiçõesbancarios #namcariosdf #bancarios #transformação #sindicato #chapa1 #sindicatodosbancariosdf

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Juntos somos fortes! Chico Buarque

Uma gata, o que é que tem?
- As unhas
E a galinha, o que é que tem?
- O bico
Dito assim, parece até ridículo
Um bichinho se assanhar
E o jumento, o que é que tem?
- As patas
E o cachorro, o que é que tem?
- Os dentes
Ponha tudo junto e de repente vamos ver o que é que dá
Junte um bico com dez unhas
Quatro patas, trinta dentes
E o valente dos valentes
Ainda vai te respeitar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer
Uma gata, o que é que é?
- Esperta
E o jumento, o que é que é?
- Paciente
Não é grande coisa realmente
Prum bichinho se assanhar
E o cachorro, o que é que é?
- Leal
E a galinha, o que é que é?
- Teimosa
Não parece mesmo grande coisa
Vamos ver no que é que dá
Esperteza, Paciência
Lealdade, Teimosia
E mais dia menos dia
A lei da selva vai mudar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer
E no mundo dizem que são tantos
Saltimbancos como somos nós.

 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Frente Ampla e Unidade Popular - Paulo Vinícius da SIlva

A unidade é a bandeira da esperança. 
João Amazonas


¿Por qué no unirnos?
Y luchamos como hermanos
Por la Patria que está herida
Nuestra Patria la que amamos

Dispersos. Alí Primera

Desde menino, eu me encantei com essa riqueza dos comunistas, ainda quando pequenos, miram longe, e fazem sua política virar realidade, e com esse espírito devemos agir para salvar o Brasil. A pátria está em grave perigo. Essa é a régua para medir a discussão em torno da Frente Ampla ou de Esquerda como caminhos para tirar o Brasil da crise que vivemos, agônica sob Bolsonaro. De lá para cá, muitas foram as críticas à Frente Ampla, defendida pelo PCdoB, e o debate não cessa. A renitência decorre da justeza da posição, de sua efetividade.

No Genocídio, nas poucas vezes em que o povo ganhou, foi graças à Frente Ampla. Ganhamos quando a esquerda influenciou além de suas hostes, quando pôde articular mesmo seus adversários e teve o apoio da maioria do povo. Na eleição de Rodrigo Maia à Presidência da Câmara, na primeira vitória do Auxílio Emergencial, na Lei Aldir Blanc, na CPI da COVID, em todas essas situações, evidenciou-se a única tática vitoriosa sob a égide do Golpe, a de Frente Ampla. Por que? Porque fomos golpeados e somos minoria no sistema político deformado. Não adiantam apenas votos da esquerda. E não há quem possa salvar a política de quem não sabe sequer contar.

O impeachment de Dilma foi um Golpe, a Presidente afastada sem crime foi o símbolo da violação da Soberania Popular, sob cuja égide vige e sangra o Brasil. Temer jamais teria o voto dos brasileiros e brasileiras para presidente, foi eleito indireta e dolosamente por uma maioria do Congresso que estava a mando de Eduardo Cunha. Bolsonaro só foi eleito graças à manipulação e à fraude, além da conivência e omissão de agentes políticos, da imprensa golpista e do Supremo, que negou ao povo brasileiro o direito de ter Lula na disputa de 2018. Até no segundo turno, menosprezaram o perigo assassino que hoje nos mata. Portanto, o que houve aos últimos três mandatários do Brasil deixa claro que, nas eleições de 2022, até voto é possível que valha.

Mas, que Brasil sobrará para ser administrado? Quem escapará vivo?! Eles respeitarão o resultado e o governo? Teremos maioria? Tais perguntas importam porque esclarecem que a eleição leva apenas a uma parte do poder. Nessa teia, e com a CIA "mexendo os pauzinhos", foi graças ao julgamento "superior" do ápice da pirâmide de classes brasileira, que chegamos a essa hecatombe que varre o país em todos os campos. A Pátria sofre, sangra, morrem centenas de milhares de pessoas, as empresas quebram, a vida piora para todos, os museus incendeiam, e os ladrões, milicianos e fascistas cometem seus crimes à luz do dia, esfaqueando a Nação Brasileira, destruindo-lhe as riquezas, como um banquete de hienas.

É esse período aziago, em que o poder do voto popular foi "suspenso" em favor dos votos dos Deputados e Deputadas, Senadores e Senadoras, ou dos juízes em todos os níveis, eis o tempo em que lutamos. Não nos é dado escolher, muitas vezes, nem o campo de batalha, nem as armas que temos à mão, só nos resta o engenho e a determinação de lutar. Por isso, precisamos de mais política e força de massas, e menos de fanfarrões cujas frases não mudam a vida.

A Frente Ampla é uma tática justa em situações de extrema defensiva, mas não se resume a uma política defensiva, muito ao contrário. Não é uma tática nova, foi defendida e aplicada pelos comunistas, e seu êxito foi demonstrado historicamente em situações desesperadoras, a exemplo da luta contra o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial. Certamente, nunca foi uma tática unânime, mas objeto de acerba polêmica no seio da Terceira Internacional. Todavia, foi a partir destas alianças amplas e inclusive com setores burgueses (mas salvaguardadas pela força da URSS), que foi possível isolar e, por fim, bater o nazi-fascismo.
Churchill, Roosevelt e Stalin, os Três Grandes que enterraram o nazi-fascismo em estátua que os celebra na Crimeia.

Por que? A tática da Frente Ampla é a única que pode permitir dividir inclusive o campo adversário, no Brasil sequestrado pelo entreguismo, pelas milícias e pela corrupção. A Frente Ampla não privilegia os adversários do passado, mas os imprescindíveis aliados do presente, sem cujos votos, não será possível levar ao justo Impeachment o Presidente genocida, entreguista e inimigo da democracia.

Afora essa questão de matemática simples, mas que definirá se Bolsonaro segue a presidir impunemente o genocídio do povo brasileiro, até 31 de dezembro de 2022, existe uma questão bem mais profunda, que se refere ao bolsonarismo representar parte importante do campo politico brasileiro, fato infeliz e transcendente que deve nos levar à radical concepção democrática da Frente Ampla.

As monstruosidades que saem da boca de Bolsonaro chegam no nosso vizinho, estão nas nossas famílias e até em nossas casas. A conciliação de que devemos ser capazes é ainda mais ampla e profunda. A Frente Ampla é a própria possibilidade da reconciliação nacional, encontrarmos a saída desse delírio capitalista, o triste Brasil sob Jair Bolsonaro. Até esse dia, há muito o que fazer, muito que unir, pois a desunião foi semeada como um câncer.

O que o Brasil vive hoje, não foi um raio sob um céu azul, mas foi preparado meticulosamente, sendo o nosso país um dos palcos das chamadas Guerras Híbridas. Nelas, as fragilidades da construção da Nação, são exploradas como tensões no seio do povo. E chagas, como a escravidão, o racismo, a opressão da mulher e as desigualdades militam para destroçar a própria Nação Brasileira, que nos cumpre defender nessa hora de crise.

Com o advento da internet e das redes sociais e smartphones, uma crescente alienação se afirma diante de pessoas que passam a ter duas vidas, em paralelo: a vida real e aquilo que dizemos ser a nossa vida nas redes sociais. Afora isso, há todo um mundo para além de nós. O big data é o olho que tudo vê, que junta as pontas de tantas pistas digitais sobre nossas almas. É esse mapa consolidado e íntimo que passa a guiar a propaganda política e o marketing digital.

É nesse novo contexto, que fenômenos antigos são reciclados, a exemplo da eficácia da propaganda nazi-fascista, que hoje é o próprio núcleo moral do que se popularizou como Fake News. Assim, não é à toa que essa parcela imensa (imagine, 20% ou mais) esposa ideias flagrantemente mentirosas, preconceituosas, que dialogam não apenas com os fatos, mas com aspectos recônditos e problemáticos de nossa psique num mundo em profunda crise. Chegam ao ponto absurdo de mentir contra as vacinas que podem lhes salvar.

É esse ambiente de ideias doentio e anômalo que é sustentado à força de vultosos recursos, que somente de relance vislumbramos. O capital financeiro é rentista e parasitário, e é ele que dirige a orgia, é ele que enche os bolsos enquanto as guerras se sucedem e o mundo afunda.

As ideias de extrema direita, as campanhas anti-vacina, o fundamentalismo religioso rasteiro e preconceituoso, o niilismo e o hedonismo, a ridicularizacão universal, o humor do ódio e do preconceito, o racismo, o consumismo ecocida, todo esse chorume é nutrido a partir de bilhões de dólares que escorrem para as redes sociais da mesa do capital financeiro, e a partir de uma clara lógica: dividir para reinar. Mais uma vez querem que a mentira, mil vezes, repetida vire uma verdade, mas não!

Assim, a relevância de Bolsonaro e da mentira é financiada, e a divisão nacional é o ferramental do imperialismo em seus propósitos desestabilizadores. No passado, face a uma nova fronteira tecnológica - a do rádio e da TV, das demonstrações de massas, dos jornais e do discurso - o nazi-fascismo pôde mesmerizar parte da opinião pública e levá-la até o cadafalso e à hecatombe. Essas ferramentas foram atualizadas, e é seu uso que vivenciamos no Brasil e alhures, nova forma de dividir as sociedades e causar-lhes a ruína. Quem ganha com isso?

Essa é a verdadeira guerra cultural, que venceu no Brasil, desde 2013, porque atingiu seu principal objetivo: dividir de modo inconciliável o nosso povo, porque esse é o objetivo central da Guerra Híbrida, impedir que as nações possam construir um novo sistema mundial multipolar, em meio à notável ascensão chinesa sob seu socialismo de mercado.

À pretensão de unipolaridade estadunidense, proclamada ao fim da URSS, vemos se sucederem tempos de mudança, naquilo que Bolívar chamava de "equilíbrio do universo", qual seja, o próprio Mapa do Mundo. Assim, seja contra a China, seja contra a Rússia, seja contra Cuba, seja contra o Brasil, o imperialismo estadunidense trabalha insone para dividir e pôr em guerra os irmãos, as famílias e os povos que lutam por sua independência e desenvolvimento. A essa imensa força dissolvente, é que somos chamados a afirmar o Brasil, a Democracia e o Desenvolvimento.

Por isso, a Frente Ampla é imprescindível, e não é manobra defensiva, muito ao contrário, é a única ofensiva que verdadeiramente importa para um povo sangrado como o nosso. Como é possível, hoje, termos mais de 554 mil mortos, a contar, e persistirmos divididos como estamos, em vez de nos unirmos para deter o genocídio?!

Vivemos todas as semanas sucessivas violações da democracia e ameaças reiteradas de Golpe, que visam às eleições de 2022, feitas por ninguém mais que o Presidente da República. Por todo o país, uma massa de manobra foi mobilizada a se armar, e infiltra-se nas forças policiais e nas próprias forças armadas, como vemos diariamente. Não há razão para otimismo quanto ao compromisso democrático de quem promoveu o genocídio Brasileiro. Toda a alegria com a liberdade e a devolução dos direitos políticos do Lula, com seu crescimento nas pesquisas, nada disso, por si só, pode nos tranquilizar. É preciso uma ampla retaguarda para resistir ao que se erigiu no Brasil, os maiores retrocessos e tragédia já vividos. Mas só isso também não bastará.

A necessidade de unidade é muito mais profunda. Por um lado, atinge a própria Nação Brasileira, vinculando-se à dimensão da Democracia e da Soberania, que é de unir a maioria absoluta dos brasileiros e brasileiras e isolar o bolsonarismo e a extrema direita. Mas, por outro, confunde-se com a nossa própria História de acordos pelo alto no Brasil. Do mesmo modo que eles golpearam Dilma, poderão golpear Lula ou qualquer outro(a). Que garantia teremos?!

Infelizmente, a vida não dá garantias. Mas, ensinou Guimarães Rosa, o que a vida pede de nós é coragem. Não podemos nos assombrar com o que teremos de fazer para isolar Bolsonaro. Sobretudo, deve nos incomodar profundamente a divisão da esquerda num momento de tão grande sofrimento do país, e em que o povo tem tanta clareza de que a saída passa por Lula, fato demonstrado em sucessivas pesquisas. Os caminhos tortuosos na História são a regra, e em vez de uma Frente Ampla sem o PT, ou de uma Frente de Esquerda sem os que votaram contra Dilma, a História nos leva para uma imprevista Frente Ampla com Lula, mas só se tudo der muito certo. Meu palpite é que Lula será o maior defensor da Frente Ampla

Diretas Já, PCdoB no Vale do Anhangabaú e as bandeiras encarnadas que os aliados tentaram proibir. 

Nós somos essa consciência avançada contra a burguesia, que age como uma pedra - lembro Drummond - no meio do caminho. A Frente Ampla é imprescindível. A unidade popular é imprescindível. Lula é imprescindível. E, historicamente, o papel do Príncipe Moderno, o Partido Comunista, tem sido exatamente esse, unir o líder, unir as massas, e saber aproveitar o momento histórico. Por isso, renitente, o PCdoB diz: Frente Ampla. E por isso, também, o PCdoB é a força mais consequente em defesa da unidade da esquerda. É preciso lembrar das lições do comunista Italiano Palmiro Togliatti contra o Fascismo:

Quando falamos de "adversários", não visamos as massas que estão inscritas nas organizações fascistas, social democratas, católicas, mas as massas que aderem a elas não são nossos adversários, são massas de trabalhadores que devemos fazer todos os esforços para conquistar.

A complexidade do tema da unidade é também observada em cada uma das vitórias da esquerda nas eleições latino-americanas, iniciando por Hugo Chávez, em 1998, eleito na Venezuela. Dizia Chávez liderar uma Revolução pacífica, mas armada. Não foram as guerrilhas urbanas ou rurais, não foi a tomada do Palácio de Inverno, foi uma mescla de eleição e poder popular, povo organizado e na luta. Verificamos em todas as experiências latino-americanas de governos progressistas o mesmo papel central da unidade das frentes político-sociais que chegaram ao governo, cuja prova de fogo foi o povo defender sua democracia nas ruas. E em todos os casos, demonstrou-se a falta que a amplitude e a unidade fazem, às vezes ao custo da derrota e do genocídio.

Assim, em vez de três caixinhas (luta de ideias, de massas, eleitoral), a experiência histórica recente mostra que é a sinergia dessas formas de luta, se atua em momento decisivos, que abre novos ciclos de acumulação política, e podem desbravar as veredas do desenvolvimento nacional. Ao veto dos golpes, das armas, da guerra híbrida, do impeachment sem crime, da desestabilização, é preciso opôr uma nova força de massas, uma nova institucionalidade e uma nova economia, sobre os escombros e mortos, vítimas do neoliberalismo bolsonarista. Carecemos de uma união que nasça, mas não cesse na esquerda.

Recordemos que nossa história recente é indelevelmente marcada pela Frente Brasil Popular, proposta pelos comunistas, ainda em 1989, e que foi decisiva na Encruzilhada Histórica vista por Amazonas. Foi uma ousadia, e abriu caminhos até hoje. E o nosso desafio é dirigir a ampla maioria do espectro político. Assim, não será Frente Ampla X Frente de Esquerda, de modo algum. Na verdade, sem a unidade da esquerda consequente, não lograremos a unidade ampla do povo brasileiro. Apenas a esquerda será insuficiente, mas sem sua unidade a derrota é certa. Será também necessário às forças de centro-direita purgarem o bolsonarismo, sob pena de serem a ele submetidos, como agora. Assim, não se trata apenas de ter votos em 2022, mas de garantir desde já o progressivo isolamento da extrema direita em defesa da democracia, o que só poderá ser feito articulando Frente Ampla e Unidade Popular.




segunda-feira, 11 de março de 2019

Pela UNIDADE dos Bancários(as), Juntos somos mais fortes! Veja a fala que fiz na Assembleia.

Amigos e amigas, Peço-lhes que acompanhem a fala que fiz na assembleia do Sindicato dos Bancários que elegeu com amplíssima unidade uma comissão eleitoral representativa de todos os bancários e bancárias. Reflito sobre o momento difícil que vivemos, sobre a responsabilidade da esquerda e da categoria como todo em se unir para vencer as ameaças contra nossos direitos e as empresas em que trabalhamos. defenda uma frente Ampla dos Bancários para derrotar quem quer vender as estatais destruir a Previdência e enterrar a democracia. Juntos somos mais fortes!

https://youtu.be/Pc6hqQ-0YGQ



Agradecemos as imagens obtidas pela Comunicação do Sindicato dos companheiros da CUT, que registraram a assembleia.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Vitória do funcionalismo BB: Paula Goto toma posse na Diretora de Planejamento da PREVI.


Neste dia 15 de agosto de 2018 assumo o mandato de Diretora de Planejamento,  cargo  que me foi conferido pelos Associados da Previ e para o qual fui eleita na chapa Previ para os Associados.
 Na minha história profissional tenho a experiência como Administradora do BB e, tendo atuado na rede de agências, unidades táticas e estratégicas nas regiões sul, sudeste, centro-oeste, norte e nordeste do Brasil, levarei a experiência das múltiplas vivências e o olhar do associado para  a gestão na Previ.
 Pós-graduada em Administração, com MBA em Finanças, Especialização em Agronegócios, Certificação em Investimentos pelo Instituto de Certificação de Profissionais de Seguridade Social (ICSS) e pela Anbima (CPA20), tivemos o nosso nome e currículo referendado pela Previc para o exercício do cargo, tendo a mesma emitido e ratificado o devido Atestado de Habilitação de Dirigente.
 Com 114 anos de existência, a Previ é a história viva do espírito de previdência e de associativismo dos funcionários do Banco do Brasil e de seus familiares. Inicialmente Caixa Montepio, foram 52 bravos guerreiros que fundaram juntos o hoje maior fundo de pensão da América Latina, legado que se perpetua através da experiência e da renovação. 
 A Previ possui robustez em sua governança corporativa, que garante a blindagem a interesses alheios aos seus fins, tanto de governos quanto de agentes do mercado. Com um modelo de paridade na gestão entre patrocinador e associados temos sempre o "olhar do dono" perpassando todos os atos da entidade.
 O Plano 1, de Benefício Definido, maduro e com a maioria dos seus associados  já aposentados tem uma carteira com expressivo volume de renda variável. Conjugando participação em empresas de mercado e participação em blocos de controle através de acordos de acionistas, a estratégia de planejamento deve considerar maior liquidez e menor exposição à volatilidade de seus ativos para fazer face ao pagamento dos benefícios.
 O Previ Futuro é um Plano de Contribuição Variável do qual fazem parte os funcionários pós-98. Por estar em fase de acumulação, exige maiores desafios no esforço contributivo, educação financeira e previdenciária para maior aderência ao perfil de investidor de cada associado e estudos para diversificação de seus ativos. Dentre as  funcionalidades do APP Previ temos o “Meu Benefício” que permite ao associado o planejamento de sua aposentadoria a partir do conceito de "ambição definida", que parte do objetivo de vida do trabalhador para a busca pela melhor forma de contribuição, horizonte temporal, montante, perfil de investimento e  rentabilidade necessária.
 Alguns desafios para o Previ Futuro são a implementação do resgate da parte patronal, a criação dos perfis ciclos de vida, a revisão dos perfis de investimento, a possibilidade de resgate da contribuição esporádica e a revisão da tabela de pontuação individual do participante - PIP, de modo a permitir uma maior contribuição do associado e patrocinador que, agregado a rentabilidade ao longo do tempo garantirão  um maior saldo de reserva.
 A nossa Carteira de Pecúlios, a Capec, possui espaço para proteger maior número de associados e ainda avançar para a proteção dos funcionários egressos dos Bancos Incorporados. Queremos criar o Capec Família, de forma similar ao Previ Família, abrangendo, desta forma, a possibilidade de participação de familiares nos planos, a exemplo do que vem fazendo de forma exitosa outras fundações.
 O nosso Plano de Gestão Administrativa, o PGA, possui o desafio de custear  nossas despesas ao longo do tempo. Reduzir despesas, incrementar receitas e buscar constante rentabilidade de seus ativos são tarefas da direção. Com essas ações podemos implantar a redução da taxa de carregamento do Plano Previ Futuro, consoante diretrizes estratégicas da Previ. Na busca de mais receitas temos a possibilidade de criar  Planos Instituídos, o “Previ Família” que traria mais sustentabilidade ao plano na curva do tempo.
 Em um cenário de mudanças disruptivas e aperfeiçoamento da governança nas entidades fechadas de previdência complementar, o Conselho Monetário Nacional  revoga a resolução CMN 3792 e publica a resolução CMN 4661, onde segrega as funções da gestão de riscos e da alocação, gestão e supervisão dos recursos garantidores, delimitando e diferenciando as funções do Administrador Estatutário Responsável pelo Risco e do Administrador Estatutário Tecnicamente Qualificado.
 A diretoria responsável pela gestão e condução dos estudos referentes a Riscos na Previ é a Diretoria de Planejamento, responsável, dentre outras atividades, pela construção da Matriz de Riscos Corporativos. Com uma gerência voltada aos estudos de Risco, identifica os indicadores-chave de risco e consubstancia os Mapas de Riscos identificados. É pioneira na adoção do modelo ALM - Asset Liability Managment, modelo de Risco  que verifica o casamento de ativos e de passivos em seus fluxos de caixa.
 A nova resolução aprofunda o conceito de Supervisão Baseada em Riscos e de segregação de funções entre as áreas de gestão dos recursos garantidores e de gestão de riscos, criando a figura do Administrador Estatutário Responsável pela Gestão de Riscos, na Previ, a Diretoria de Planejamento. Desta forma é que a Previc ratifica os entendimentos da resolução CMN 4661, sendo na Previ a Diretoria de Investimentos a responsável pela alocação dos recursos garantidores e pela gestão do Programa de Investimentos, dos processos de investimento e desinvestimento.
 A sustentabilidade se consubstancia pela garantia do direito das gerações atuais e futuras, pela participação no exercício da gestão de pré e pós-98, na integração ou nas especificidades de suas pautas, pelo olhar aos colegas do Banco do Brasil oriundos dos Bancos Incorporados, pelo desenvolvimento de novas soluções de serviços e produtos que contemplem os familiares e agreguem valor ao associado e receitas à Previ, na uniformidade do discurso e das ações pela garantia da razão de existência e missão da Previ, de pagar benefícios a todos nós, de forma eficiente, segura e sustentável.
 É com respeito à robustez desta governança, com o reconhecimento aos níveis de excelência de todo o corpo técnico da Previ,  com o meu agradecimento especial aos diretores Marcel Barros e Márcio de Souza, que, com sua generosidade compartilham a sua sabedoria e apoio nesta jornada, e com o meu muito obrigado a todos que depositaram o seu voto nas urnas na chapa Previ para os Associados  que  com honradez e gratidão assino nesta data a carta de posse como Diretora de Planejamento da Previ. 
 
 Paula Regina Goto
 Diretora de Planejamento

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Caminhos da Frente Ampla: a classe trabalhadora e a unidade de ação - Paulo Vinícius Silva

Pergunto, por que não nos unimos,
se assim só alegramos nossos inimigos?!
Juntemos nossas mãos,
a pátria nos reclama
a luta que nos levará à vitória final!
Ali Primera


Em plena 4ª Revolução Tecnológica, o Brasil se desindustrializa numa escala jamais vista, submetido a um governo títere dos Estados Unidos, ilegítimo, fruto podre de um golpe de estado urdido para a destruição dos fundamentos de qualquer projeto de desenvolvimento brasileiro. Em vez de saltar adiante para as novas possibilidades da tecnologia, a junta golpista (banqueiros, oligarcas da política, da imprensa monopolista e dos altos escalões do judiciário) dá o grande salto atrás, ampliando nosso atraso relativo, com o conhecido e brutal colonialismo que visa a eternizar uma estrutura social de cidadãos de primeira classe e uma segunda classe de subcidadãos.
Nosso país passa por uma expedição punitiva e Temer é um boneco de uma ocupação estrangeira, protegida pelo judiciário e pela imprensa golpista. Pune-se o Brasil por ter ousado assumir maior protagonismo internacional, com a América Latina e os BRICS, por ter se fortalecido como nação. Episódios como a dita Primavera Árabe, os protestos no Brasil, em 2013 e a desestabilização e guerra econômica contra a Venezuela mostram a influência do imperialismo se vestir de mobilização de massas, estimuladas por TVs, jornais e pela internet com fins de desestabilização, e buscando a chancela do parlamento e do judiciário, como se viu desde os casos de Honduras, com Zelaya, e do Paraguai, com Lugo. Vimos o cerco financeiro, a manipulação dos preços internacionais promovida pelos EUA e a Arábia Saudita, o bloqueio político e midiático ao governo e à Petrobras, a partidarização de setores policiais, judiciais e mesmo de milícias, com a progressiva imposição da violência, que já abateu a mais de uma centena de militantes da luta do povo desde a ascensão do golpista Temer.
Tal realidade obriga à esquerda a avaliar, retrospectivamente, o erro de menosprezar a questão nacional e, presentemente, a capacidade de organizar o povo, de segurança e de ação direta. Acima de tudo, deve a esquerda, especialmente a classe trabalhadora, ser o esteio da unidade de ação contra a ditadura em curso. Não podemos ignorar a violência nem danos irreparáveis à soberania e ao futuro do Brasil. É preciso impedir a dilapidação do patrimônio nacional.
É o Brasil do ferro gusa e da soja, depois da hecatombe que vitimou setores econômicos fundamentais sob a demagogia do combate a corrupção, ele próprio corrompido pela partidarização e pelo ativismo político do judiciário. Ativismo para libertar o criminoso prender o inocente, como ocorre com de Lula, cuja prisão é apenas outra forma de calar o direito de o Brasil decidir. Aqui, destroem-se setores industriais inteiros, desempregando pais e mães de famílias, com o choro de suas crianças e a volta da fome, a destroçar lares que se desfazem, ampliando a população de rua. O Brasil não ficou mais ético, ficou apenas mais desigual e covarde o contra o trabalhador, e ainda mais contra trabalhadora. Aqui, mata-se o povo de fome para enriquecer uma casta de financistas, especuladores, que subtraem a máxima parte da riqueza nacional.
É para vender e ajoelhar o país, para tanger o povo para as senzalas da exclusão, que servem o ódio e a violência fascistas. É preciso relembrar a definição clássica: O fascismo é uma ditadura terrorista aberta dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e agressivos do capital financeiro como um regime reacionário de massas. A relação da clássica definição do fascismo dos anos 1930 com a composição e prática do golpismo, impressiona: banqueiros, mídia monopolista, a direita mais corrupta e atrasada, sob o comando do imperialismo. É sob a violência e o desrespeito ao direito internacional que se gesta a destruição da democracia na América Latina. Precisamos vencer e reverter esse cenário desolador com a vitória dos setores democráticos, nacionalistas e populares – com ênfase na classe trabalhadora.
Precisamos assegurar a existência e a lisura e vencer a batalha de 2018, afirmando a democracia como palco da resolução dos conflitos. 2018 decidirá o ressurgir ou o sepultar da democracia brasileira e há que preparar-se para tudo. Por isso a unidade avulta, é decisiva. É dever que vai muito além dos partidos. Apesar do Fórum das Centrais, das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, das frentes parlamentares em defesa das conquistas, prevalece a dispersão, as iniciativas parciais que não chegam ainda a inúmeras formas de organização popular que não atingimos. A necessidade obriga superar o atual cenário de derrotas seguidas após o golpe. Talvez um caminho seja resolver uma situação aparentemente paradoxal: há várias candidaturas de esquerda à Presidência, diferentes frentes nacionais e, ainda assim, unidade programática em torno de decisivas bandeiras nacionalistas, democráticas e dos direitos dos trabalhadores(as) e do povo.
Há, portanto, duas tendências cuja importância nos acontecimentos havemos de definir com nossa praxis: unidade versus fragmentação. Para chegar à unidade é complexo, só condições favoráveis não bastam. Unidade é fruto de esforço consciente, paciência, respeito. Para fortalecer as tendências à coesão é preciso avançar na unidade, como sinalizaram as fundações partidárias, num pacto a unir as candidaturas que defendem o Brasil, a Democracia e os Direitos do Povo.
Mas não basta esse compromisso na cúpula sem uma nova dinâmica de trabalho, de unificação de uma rede amplíssima de movimentos e formas de participação contemporâneas, com novas geração e tecnologia. Mas a base deve ser a unidade dos(as) trabalhadores(as) para responder o ataque à estrutura sindical, aos direitos da classe trabalhadora. O rasgar da CLT não foi respondido à altura e envolve muita gente que viverá sob o látego. Há oportunidades para a unidade. É possível responder à ofensiva antinacional a partir de plataformas sindicais unitárias e amplas campanhas e jornadas de lutas. A luta nas redes e nas ruas, um renovar do trabalho de base para:
1) a defesa das ESTATAIS – PETROBRAS, Correios, ELETROBRAS, CEF, BB, BNDES, EMBRAPA, bancos regionais, CEDAE, Metrôs, Itaipu, Portos;
2) a defesa do SUS; defesa dos usuários de planos de saúde; defesa da regulação da saúde privada; Todos os sindicatos e confederações ligados à saúde;
3) a defesa da Universidade Pública e da Pesquisa do Brasil – unir ANDIFES, SBPC, CONTEE, ANDES, UNE, DCEs, Cas, ANPG, APGs, FASUBRA, PROIFES, Institutos Federais, Seções sindicais, pesquisadores, artistas, personalidades da Ciência, Tecnologia, Ciências Sociais e Artes;
4) a defesa da Educação pública nos níveis Básico e Técnico – sindicatos das professoras(es) públicos e privados, Auxiliares e Profissionais da Educação Pública e Privada (regulação do ensino privado), federações e confederações;
Há uma sinergia evidente nessas plataformas que envolvem entidades importantíssimas, nacionalmente e nos maiores municípios. O ataque às estatais possibilita a imediata unificação das entidades que representam dos seus trabalhadores(as) para preservar: o caráter público, as condições de trabalho, a assistência à saúde e as autogestões, a participação eletiva nas empresas e a defesa de suas previdências privadas. Não há como vencer isoladamente. O sentido corporativo, nacional, trabalhista permite envolver amplos setores nessa luta decisiva. As confederações, federações e sindicatos das estatais ainda possuem força imensa, mas vivem o brutal ataque à sua estrutura, ao papel social e aos direitos da classe.
A unidade da luta na saúde, na educação e nas estatais pode nos ajudar a construir a unidade nacional e o enraizamento nas 27 unidades da federação, em especial nas cidades com mais de 100 mil habitantes, somando aos esforços dos Congressos do Povo. Num primeiro momento propomos quatro plataformas unitárias, face aos ataques que exigem naturalmente unidade gremial e compreensão classista, democrática e nacionalista. Mas devemos avançar para uma a unidade de ação dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, com iniciativas voltadas ao setor privado - Indústria, da Agricultura e dos Serviços -, à organização dos desempregados e excluídos.
A capacidade de reunir e debater com amplas massas, de repercutir nas redes, de as construir, obrigam a uma nova abordagem da luta sindical, inclusive atualizar o modelo de greve, incorporar novos atores profissionais terceirizados, quarteirizados, 4G, que advém descaracterização de categorias e da constituição de novas. É preciso um primeiro passo de unidade, nas estatais, na educação e na saúde para avançar e unir a classe trabalhadora.
Unificação e investimento no trabalho de basem deve ser consequência prática de um balanço autocrítico sobre a luta institucional, notadamente no Congresso que, a partir de Eduardo Cunha, tornou-se mero balcão de negócios espúrios e instância impenetrável que, não obstante, deseja a legitimação do movimento sindical e social. O excessivo institucionalismo na ação sindical e a redução dos espaços democráticos exige articular amplitude e radicalidade. A mudança de qualidade regressiva na democracia exige uma nova ação junto ao Congresso, mas sobretudo junto ao povo que elegerá o próximo. Disputar as agendas do Brasil é disputa de hegemonia e defesa da democracia. Sem unidade clara contra o retrocesso não poderemos avançar para a um maior espaço no Senado e na Câmara, eleger deputados e senadores que defendam os trabalhadores(as). O movimento sindical deve apresentar suas lideranças para retomar todos os nossos direitos.
No Golpe do impeachment fraudulento, na votação da Lei da Terceirização e da Reforma Trabalhista, nossa ação sindical não consegui articular seus dois polos: as direções nacionais e seus quadros, que circulam semanalmente no Congresso e Ministérios e a multidão dos envolvidos nas greves e paralisações gerais, na marcha de 200 mil a Brasília. Falta o protagonismo desse decisivo elo na corrente, sindicatos-âncora nos municípios acima de 100 mil habitantes. Uma rede dessas, se falasse para suas bases teria um impacto imenso. Já o comprovou. Essa parcela realizou a greve geral do dia 28, a 2a. CONCLAT e os Congressos das Centrais Sindicais e da CONTAG.
Mas a Pirâmide Invertida – com a hipertrofia das direções e a falta de apoio da base - leva a um envelhecimento geracional e à dificuldade crescente de mobilizar as categorias, ao burocratismo sindical, ao sindicalismo de resultados, afastando as categorias e impedindo a incorporação de mulheres e de jovens. Esse cupulismo amortece uma enorme rede que ainda não foi totalmente mobilizada e que deve ser buscar formas de pautar 2018. A luta pela relevância política é central para o movimento sindical.
A frente só se efetivará ao falar às entidades e à base popular. O momento exige ampla unidade em defesa das estatais e do Brasil. Esse movimento, se vitorioso, unindo centrais e frentes diversas, poderá apontar para a unificação nacional e para o enraizamento. E, a partir das estatais, quiçá sinalize para outras unificações, a defesa da Educação Básica e Técnica, do SUS, da Universidade e da C&T Brasileiras.
A unidade não é uma cadeira, uma mesa, é mais como um caminho. Mas, que fazer se os caminhos são desconhecidos, se levam a encruzilhadas? Ensina o poema de António Machado:
Caminhante, são tuas pegadas o caminho, e nada mais.
Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao andar.
E ao voltar o olhar atrás, vê-se a senda
a que não se voltará jamais.
Caminhante, caminho não há,
só as estrelas no mar.
Não há fórmula, receita para a unidade. Mas a Classe Trabalhadora aprendeu há 170 anos, com os jovens Engels e Marx (este a celebrar o seu bicentenário): “A burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros”. Cada golpe que atinge o povo levará a uma incessante resistência. Somos felizmente obrigados a perseverar. Ao oprimido(a) só resta a esperança de lutar.
As condições objetivas e subjetivas para a unidade precisam ser sintonizadas numa estratégia democrática, nacional e popular. Como outros processos políticos latino-americanos evidenciaram: é necessária uma unidade superior do povo. E o Brasil construiu um imenso movimento sindical que precisa lutar, se defender e vencer essa guerra. A necessidade grita, e a CTB deve unir os trabalhadores e trabalhadoras, fortalecer a frente ampla, construir seu enraizamento, retomar a iniciativa política e defender as empresas públicas e o Brasil.
Toda semana afluem a Brasília centenas de lideranças sindicais para atividades que muitas vezes apenas legitimam uma agenda conservadora. É hora de mudar o esquema. Aproveitar e organizar essa presença em Brasília, construir espaços de diálogo e unificação, seminários nacionais, colóquios, debates públicos, manifestos para ecoar uma única voz de defesa da Nação, contra os vendilhões da pátria e escravizadores do povo. É preciso retomar os grandes espaços de diálogo e convergência como os Fóruns Sociais Mundiais, as Marchas da Classe Trabalhadora e a 2ª CONCLAT. Nossas formas de lutas para se demonstrarem verdadeiramente radicais, devem enfrentar as raízes dos problemas, e a raiz é o apoio do povo, retomar o laço de confiança numa nova ascensão da luta social. Nossas formas de luta devem reunir muita gente e repercutir nas redes, articulando uma base própria, a nossa representatividade.
PRIVATIZAR FAZ MAL AO BRASIL: É possível representar esse sentimento do povo, retomar a iniciativa, pautar 2018 e eleger trabalhadores(a) em defesa de nossos direitos roubados. Exatamente pela possibilidade de fragmentação eleitoral, fortaleçamos as trincheiras do povo unido. Unidade, bandeira da esperança. O povo, unido, jamais será vencido.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Toda noite tem aurora - Paulo Vinícius Silva


Toda noite — tem aurora,
Raios — toda a escuridão.
Moços, creiamos, não tarda
A aurora da redenção.
Castro Alves



Meus heróis não morreram de overdose. Foram perseguidos, caluniados, presos, torturados, crucificados, cortaram-se-lhes em partes, penduraram-nos para que o povo visse e aprendesse, salgaram o solo de suas casas, roubaram-lhes os corpos para que nem os prantear se pudesse. Meus heróis e heroínas foram assassinados pelos poderosos. E os que viveram sofreram a demonização que - vã ilusão - visava a nos afastar de seu exemplo.

Em meio às mobilizações em solidariedade a Lula e em defesa da Democracia em Porto Alegre, estive no Memorial de Prestes, do Niemeyer, e vi muito da trajetória dolorosa e gloriosa do Cavaleiro da Esperança. E eu me comovi. Lembrei de Prestes, de Getúlio, de Tiradentes, de Grabois, Amazonas, Arruda Câmara, Pomar, Elza, Helenira, Marighella, Osvaldão, pensei em Brizola, Jango e Darcy. E me confortei, tão bem acompanhado ao lado dos "derrotados".

Todo cambia, tudo muda, e sem ater-nos ao sentido do movimento, perdemo-nos. Em horas difíceis, nem medo, nem desespero iluminam, mas apenas a solidariedade e a reflexão fria e certeira. O inesquecível Hugo Chávez, preso, em derrota, ensinou-nos esse sentido de movimento, usando apenas duas palavras para qualificar aquele momento: "por ahora". Ou seja, tem muito jogo, ainda. Com isso, lembrou-nos que a luta continua, sempre e nos apontou novos caminhos, como a defesa da democracia sob a perspectiva da luta pela hegemonia, sem ilusões de classe. E nos lembrou de nossa força e que o imperialismo deve ser derrotado. Os inimigos definem-nos tanto quanto os amigos. É alvissareiro o desvelar das ilusões.

E, sempre, os verdugos, Judas Iscariotes, os Silvérios dos Reis, os Auros de Moura Andrade comemoraram por pouco tempo. Não puderam jamais com o amor do povo e dos lutadores e lutadoras, que resgataram do opróbio e da mentira, da dor e do tormento maior - a injustiça -, elevando-os, como bandeira, estandarte, canção, poema, prece, esperança, porque, como dizia Neruda, a Primavera é inexorável. E não é que devamos esperá-la, mas - o querido Marx ensinou há muito, resgatando a dialética - porque o capitalismo cria a partir de suas entranhas mesmas seu próprio coveiro. Não  tem essa de ser oprimido e ficar assim. Não. Estamos, felizmente, condenados a perseverar. E se a direita odeia o país e o povo, não temos outro caminho senão acreditar no Brasil e em nosso povo, sabendo que as grandes mudanças são obras coletivas de milhões, ter a confiança histórica de que havemos de lutar, de ousar e de vencer, fazendo por onde.

Vã ilusão das elites essa de tanger-nos à senzala, à prisão e ao silêncio, enquanto vendem nosso país, escravizam nosso povo e destroem nosso futuro. Não tem ideia de como alimentam a chama que não mais questionará apenas a forma, mas o conteúdo para a retomada do país. Não tem arrego, mas tem aprendizado, do inimigo, de nós, e da flexibilidade necessária, a ginga que teremos de ter, para virar o jogo.

As elites brasileiras jogaram a democracia no lixo, desmoralizaram a justiça, querem destruir o país e vender o povo no mercado de escravos. Assim, explicitaram a natureza de classe do Estado, expondo a toda a esquerda a indissolúvel ligação da democracia, da soberania e da vida do povo à perspectiva socialista. Como Lula, tão magnânimo, deve estar a aprender, e quanto jogo há para jogar, ainda.

Como os países submetidos ao colonialismo tem demonstrado ao longo da História (e disse-o Stalin em 1952), as bandeiras da Paz, da Democracia e da Soberania foram atiradas ao solo pela burguesia. São nossas. Hoje, mais que isso, a própria sobrevivência da vida na Terra depende de pormos fim à barbárie capitalista, que opõe 99% da humanidade a 1% de "semideuses".

Não se trata de sectarismo. Não se pula da defensiva e da derrota para a radicalização, um erro tático primário, estimulado por ilusões e por indução do inimigo de classe, que nos quer isolados, desmoralizados, mortos. Não. Mas trata-se de observar o estilhaçar de tantas ilusões reformistas, tanta esperança no institucional, tanta bobagem de um suposto republicanismo que favoreceu o sequestro da soberania popular por entreguistas, espiões, canalhas e herdeiros das casas grandes de sempre.

Esse aprendizado, o trauma, a expressão odiosa dessa elite apátrida se mostram aos olhos da Nação, e hão de estimular uma profunda reflexão sobre a centralidade da soberania nacional, a ocupação estrangeira sob mãos entreguistas, o desprezo da casa grande pela democracia, pelo voto popular e a necessidade de ir além do que já conquistamos, formando a unidade ampla e, ao mesmo tempo, ampliando o horizonte de transformação e rupturas, que tanto se evitou, na ilusão de um caminho menos árido, pedregoso...

Ao mesmo tempo, vemos as mesmas lições na América Latina, um avanço na consciência necessário para uma região que, necessariamente, terá de lidar com a potência imperialista mais perigosa de todos os tempos.

Toda solidariedade a Lula, que se eleva ainda mais para o papel histórico formidável que há de cumprir. A hora exige reflexão acurada, avançar na unidade do povo, dos democratas, patriotas e da esquerda, jogar o jogo sem cedência, agonia ou ingenuidade, com ginga, acumular forças num trabalho de base à altura da gigantesca tarefa de libertar o Brasil e seu povo, é essa a radicalidade de que carecemos. Diógenes Arruda Câmara Ferreira cunhou a lição de Lênin sobre a diferença entre radicalidade e burrice: "Ampliar, radicalizando e radicalizar, ampliando". Ser radical, hoje, é construir a Frente Ampla para defender a democracia, o Brasil,os direitos do povo e Lula. Nós apenas começamos.

domingo, 13 de novembro de 2016

PCdoB se prepara para enfrentar o novo ciclo político - Comissao Política Nacional

A Comissão Política Nacional do PCdoB esteve reunida na capital paulista, nesta sexta feira (11), para discutir o cenário político. Na ocasião, a presidenta nacional do Partido, deputada Luciana Santos fez uma análise sobre a conjuntura política mundial e nacional, tratou do conservadorismo crescente, da luta contra ameaças aos direitos dos trabalhadores, da retomada da democracia e soberania no Brasil e ressaltou a necessidade de enfrentamento deste "novo ciclo político".

Foto: Clécio Almeida

 

Abaixo, a íntegra:

O processo das disputas municipais neste ano foi a primeira grande batalha política após o golpe que o povo brasileiro e as forças progressistas sofreram com o impeachment de Dilma Rousseff em 31 de agosto último.

Ingressamos, assim, em um novo ciclo político marcado por uma ordem conservadora que procura implantar um Estado mínimo para o povo e um Estado máximo para o rentismo e as oligarquias financeiras. Para isso, o consorcio golpista, lança mão de um grande arsenal de medidas de restrição à democracia, conquistada a duras penas na Constituinte de 1988. 

São inúmeras as batalhas que temos de travar de modo simultâneo: a luta em defesa de direitos elementares como os recursos para a saúde e a educação, ameaçados pela PEC 241 já aprovada na Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado Federal através da PEC 55; a luta contra a reforma política antidemocrática; a luta pela restauração da democracia e contra as ameaças ao Estado Democrático de Direito; e a defesa do patrimônio nacional, que está sob pesado ataque. 

O que as forças reacionárias pretendem, na verdade, é a constituição de um Estado de exceção corroendo por dentro o Estado de direito. As forças progressistas e democráticas, por seu turno, devem atuar buscando influenciar os rumos dos acontecimentos para garantir os interesses dos trabalhadores e da Nação.

O agravamento da crise econômica do capitalismo e a ofensiva conservadora 

A compreensão do contexto mundial é imprescindível para analisar a quadra em que nos encontramos. Neste sentido, dois fatores merecem nossa consideração. O primeiro é a centralidade da crise internacional do capitalismo que, mesmo passados oito anos desde o seu início, não apresenta uma saída à vista. Muito pelo contrário, o que se projeta é uma nova fase de turbulência global. 

No cômputo geral, os prognósticos convergem para um crescimento “medíocre” da economia mundial. As projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) são de que a economia global tenha uma expansão de 3,1% em 2016; enquanto, para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ela deve crescer 2,9%, em 2016; e em 2017 pode chegar a 3,2% – números muito abaixo das médias históricas do Produto Interno Bruto (PIB) global. Nesta perspectiva, o comércio mundial terá taxas de crescimento de 1,5% em 2016 e 2017, muito abaixo da média de 7% dos períodos anteriores a 2008.

Este quadro, decorrente do processo de globalização financeira e das políticas neoliberais, características predominantes do capitalismo contemporâneo, tem gerado inúmeras consequências políticas, econômicas e sociais. Fenômenos como a emergência de grupos de extrema-direita na Europa, crise migratória e a própria saída da Grã-Bretanha da União Europeia, com a vitória do Brexit.

Outro fenômeno que pode ser visto dentro desta chave é o resultado das eleições nos EUA. A vitória de Donald Trump, em grande medida, se deu pelos votos de trabalhadores brancos, desempregados, ou em empregos precários, que estão preocupados com a exportação de empregos para o exterior e com a presença de imigrantes. O núcleo das propostas de Trump buscou dialogar com esse público. Ele teceu críticas aos acordos de livre comércio e a projetos como o Tratado Transpacífico (TTP); levantou, também, questionamentos aos gastos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em decorrência da manutenção da segurança de aliados; além de referências a um certo diálogo com a Rússia. 

O candidato Trump criou um personagem asqueroso, preconceituoso e ultraconservador. Resta saber como será o presidente Trump.

Frente às profundas consequências das políticas neoliberais e das medidas de austeridade, e na ausência de alternativas, se observa uma migração dos votos da socialdemocracia em direção à extrema-direita na Europa.

Na dimensão geopolítica, a questão central no plano mundial é o longo período de disputas por uma reconfiguração do sistema internacional. Cercear e conter a emergência de novos polos de poder continua a ser um dos objetivos estratégicos das velhas potências imperialistas, em especial os EUA. 

Sob este ângulo que se pode analisar o cerco do imperialismo aos países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), principal expressão deste fenômeno, e entre eles o Brasil, principal pivô da integração na América Latina. 

Eleições 2016, a primeira grande batalha de um novo ciclo político 

Estamos diante de um novo quadro político, um cenário resultante de um golpe de Estado, no qual as forças que tomaram o poder visam a instaurar uma ordem política e econômica conservadora e retrógrada. A primeira batalha deste novo ciclo foram as eleições municipais. 

As eleições municipais de 2016 tiveram como traços gerais o fortalecimento das forças conservadoras, um forte sentimento antipolítica e uma pulverização partidária. Também indicaram que os impactos da forte crise econômica, que afetam tanto a população como os estados e municípios; a operação Lava Jato que funcionou como uma espécie de cabo eleitoral; as novas regras eleitorais que tornaram as campanhas mais curtas, e a proibição do financiamento privado. 

Entre as forças conservadoras, quem sai fortalecido é o PSDB que venceu em um número expressivo de cidades e capitais. Irá governar 806 cidades, sendo sete capitais, com 34,6 milhões de eleitores, e terá em mãos um orçamento conjunto de R$ 160,5 bilhões – um número 140% vezes superior ao que era administrado pelos tucanos em 2012.

Na disputa interna dentro do PSDB, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin é o grande vitorioso. Com a vitória de João Dória, este outsider na política, no primeiro turno, o governador vem pavimentando sua luta sobre seus adversários, Aécio Neves e José Serra.

O PT saiu de 638 prefeituras, em 2012, para 254, em 2016. Os petistas administravam um orçamento conjunto de R$ 122,3 bilhões passarão a comandar somente R$ 13,7 bilhões. A única capital que o partido irá governar é Rio Branco (241 mil eleitores) no Acre. As demais cidades são Araraquara (SP) e São Leopoldo (RS), ambas com aproximadamente 160 mil eleitores. 

O Partido dos Trabalhadores vive o momento mais difícil de sua existência, que o leva a um debate sobre projeto e orientação política. O PT possui um papel importante no cenário político brasileiro, e é de interesse das forças progressistas que ele consiga recuperar suas forças. 

O PMDB, partido de Temer, apesar de ter tido um crescimento vegetativo em número de cidades administradas, sofreu duas importantes derrotas, entre elas o Rio de Janeiro onde governava e em São Paulo.

Outro fator político foi a pulverização eleitoral, na qual siglas pequenas ascenderam à condução de importantes capitais: Rio de Janeiro (Marcelo Crivella, do PRB), Belo Horizonte (Kalil, do PHS) e Curitiba (Rafael Grecca, do PNM), alguns deles nem mesmo possuem representação da Câmara de Deputados. A chamada pulverização não é por completo um elemento negativo, é expressão da pluralidade política e incomoda as grandes legendas. 

O fenômeno da abstenção política e os votos brancos e nulos atingiram índices nunca vistos, somando 41,24% do eleitorado no segundo turno. Em cidades como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o não voto superou os votos recebidos pelo candidato vitorioso. Em Aracaju, capital onde o PCdoB elegeu Edvaldo Nogueira, no segundo turno, o índice de abstenção caiu de 20,9% para 12,8%. 

O PCdoB obtém resultado expressivo entre as forças de esquerda

O PCdoB obteve um resultado positivo, pequeno diante das necessidades, mas significativo quando analisado dentro do cenário atual. Nossas maiores vitórias foram no Maranhão, em Sergipe e na Bahia.

No Maranhão, além de o PCdoB ter conquistado 46 prefeituras, os Partidos aliados também tiveram um crescimento importante, dando uma mostra concreta de que não fazemos política com hegemonismos. Em Sergipe, vencemos em Aracaju, que possui 397 mil eleitores e em Nossa Senhora do Socorro, com outros 100 mil eleitores. Ambas representam 1/3 dos eleitores desse estado, que é de aproximadamente 1,5 milhão, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Mesmo onde não obtivemos vitórias, a disputa eleitoral atraiu novos simpatizantes, posicionou o partido no debate político e fortaleceu as lideranças que se candidataram. Tivemos um crescimento de 40% no número de prefeituras e elegemos 1001 vereadores por todo o Brasil. Este quadro nos possibilita afirmar que obtivemos um dos melhores resultados entre as forças de esquerda, e contribuirá para as batalhas de 2018. É claro que tivemos reveses relevantes, como em Contagem e Olinda, além de um recuo considerável em termos de votos e eleitos nas regiões Sudeste e Sul.

O cenário nacional tem a marca da instabilidade e da adoção de uma agenda neoliberal 
As forças golpistas tentam afirmar que o resultado eleitoral legitima sua agenda e governo. No entanto, a instabilidade política e econômica é grande. O governo Temer, apesar da ampla base parlamentar que possui, tem tido certas dificuldades para gerir as diferenças existentes entre as forças golpistas, e mesmo para entregar a dita estabilidade e a retomada do crescimento. 
A Operação Lava Jato continua sendo o fator de desestabilização política e econômica do país e a atuação política dos procuradores tem sido cada vez mais constante. Seu novo capítulo será a delação premiada do pessoal da Construtora Odebrecht, que pode atingir até 300 políticos é uma fonte real de preocupação para o governo Temer, bem como para todo o sistema político. Merece registro as operações que a Polícia Federal realizou nas instalações do Senado, rompendo com a autonomia dos poderes, ampliando as tensões e agravando a crise institucional. 

Neste cenário, devemos saber explorar as contradições existentes entre essas forças, visando a romper o isolamento e defender o Estado Democrático de Direito, e demais interesses e objetivos do PCdoB e das forças progressistas. Como já dito, devemos atuar em múltiplos tabuleiros ao mesmo tempo. 

A economia não dá sinais de recuperação

Por outro lado, o cenário econômico tem se demonstrado bastante adverso. Apesar de a mídia fazer uma campanha afirmando que com Temer a situação seria de retomada imediata, os indicadores mostram outra realidade. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego alcançou 11,8% da População Economicamente Ativa (PEA), e o poder de compra das famílias brasileiras, que vinha crescendo de 2003 até 2014, caiu 2,8% em 2015 e deve encolher 7% em 2016, ou seja, quase 10% em dois anos. 

A retração da economia deve atingir -3,4% em 2016. Em decorrência disso a arrecadação está em queda livre, e diminuiu 8,27%, em setembro, em comparação relativamente a 2015. 

O Brasil vive um rápido processo de desnacionalização de sua economia, e a única entrada de ativos em nossa economia tem sido aquisições e fusões com empresas estrangeiras. Em setores como o de energia, investidores chineses têm comprado usinas hidrelétricas e distribuidoras, ativos da Petrobras têm sido adquiridos por companhias como a norueguesa Statoil e a australiana Karoon e a Odebrecht Ambiental que atuava em projetos de saneamento foi arrematada por canadenses. 

Avança a reforma política conservadora

Outro tema de grande importância para o país é o da Reforma Política que está em pleno curso, e devemos ter plena consciência do que está em jogo: as forças progressistas mais avançadas podem, arbitrariamente, terem sua representação eliminada do Parlamento brasileiro, ou ficarem restritas a uma condição de semilegalidade. O debate deveria ter sido iniciado na Câmara de Deputados, por se tratar de um tema que influencia as eleições proporcionais, e não no Senado, que é eleito por eleições majoritárias. A votação foi fatiada, limitando-se a determinados aspectos, não entrando por exemplo no debate sobre financiamento das campanhas eleitorais. 

Em um debate tão relevante como este, que impacta todo o sistema político brasileiro, a Reforma Política não é possível de ser realizada a toque de caixa. As propostas aprovadas no Senado (aprovação da cláusula de barreira e do fim das coligações proporcionais) ainda irão passar pela Câmara e lá deveremos atuar para que esse retrocesso não se imponha e para que se preserve o pluralismo político.

Sobre a questão do financiamento de campanhas defendemos que seja de caráter público, com vistas a financiar a democracia brasileira a partir da constituição de um fundo. O teor do texto aprovado no Senado é conservador e limita a participação popular na vida política.

A batalha do Teto Fiscal

Ainda no plano das iniciativas institucionais, teremos que enfrentar a batalha que está sendo travada no Congresso Nacional contra a PEC do Teto fiscal, aprovada em dois turnos na Câmara e em tramitação no Senado, como já foi dito acima. O texto foi aprovado no último dia 9/11 na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, com a apresentação de um voto em separado, que exigia a realização de uma consulta popular para a implementação da medida, como uma forma de debater amplamente na sociedade os impactos e significados da adoção desse teto.

Concretamente esse novo regime fiscal do país irá favorecer a especulação financeira. É uma tentativa de instituir na Constituição os privilégios aos rentistas e perpetuá-los através da fixação de um teto para os gastos públicos, com a eliminação da obrigatoriedade constitucional do emprego de recursos públicos em áreas sociais como saúde e educação. E irá restringir a capacidade do Estado de atuar no estímulo ao desenvolvimento do país. 

Sinais de um Estado de Exceção no Brasil

Os sinais de uma onda ultraconservadora pairam no cenário brasileiro. O que temos visto é a ocorrência de fatos que que comprovam a existência de um Estado de Exceção seletivo em suas ações. As ações como a invasão na Escola Florestan Fernandes do MST e a repressão às ocupações das escolas por estudantes pelo Brasil afora são fatos que não podem passar desapercebidos. No caso da Escola do MST, as dez viaturas da Polícia Civil chegaram ao local, sem a presença de um oficial de Justiça, para cumprir o mandado de prisão de uma mulher do Paraná. Parece um mero pretexto para entrar na escola sem autorização judicial. Trata-se de uma iniciativa a mais de intimidação e repressão que o governo do estado adota em relação ao movimento social. 

Contra estas e outras atitudes antidemocráticas foi lançada no dia 10/11, na Casa de Portugal, em São Paulo, a campanha em defesa da democracia, do Estado de Direito e em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o slogan Por um Brasil justo para todos e para Lula. Lá estivemos presente com várias outras lideranças do PCdoB.

Intensificam as lutas em defesa do Brasil, da democracia e dos direitos 

Diante deste cenário, é prioridade política fortalecer as lutas em torno das bandeiras da defesa dos direitos, na luta pela retomada da democracia e a defesa do Brasil e seu patrimônio. 

Entre as ações que estão em curso merecem destaque as ocupações dos estudantes secundaristas contra a reforma do Ensino Médio que, ao completarem um mês desde seu início, já contam com mais de mil escolas sob o comando dos estudantes.

De igual modo, neste 11 de novembro, sindicatos e movimentos sociais articulados pela Frente Brasil Popular e Povo sem Medo organizaram a Jornada Nacional de Lutas contra o pacote de medidas que ferem os direitos dos trabalhadores e do povo em geral. 

Unir o povo em defesa da democracia, dos direitos e da nação

Estamos diante de um cenário complexo e adverso. Este novo ciclo que se inicia, resultado de um golpe que busca implementar uma agenda ultra neoliberal e conservadora, não é um fenômeno isolado. Este fato possui correlatos em outras partes do mundo e é, em última instância, decorrência da grave crise do sistema capitalismo.

Estamos há quinze dias do final do segundo turno. Existem muitos acontecimentos em curso e a realidade é marcada pela imprevisibilidade política e certa instabilidade do governo Temer. Temos que acompanhar a evolução dos acontecimentos, adotando encaminhamentos concretos que a luta política demanda.

Temos daqui por diante um conjunto expressivo de tarefas que teremos de realizar de modo simultâneo. Iniciaremos no próximo mês de dezembro, na reunião do Comitê Central, um balanço das experiências que nos oferece este ciclo político que terminou, bem como um debate sobre a atualização de nossa tática diante do atual cenário político. Este debate continuará por 2017, onde em março realizaremos nova reunião ampliada da Direção Nacional para aprofundar a nossa elaboração da nova tática da esquerda condizente aos desafios do Brasil pós-golpe, culminando com a realização do 14º Congresso do PCdoB.

Simultaneamente a isto, atuaremos na batalha da reforma política, contra as medidas que retiram direitos dos trabalhadores, e na articulação de um largo movimento, ampla frente política, que se agregue em torno de um programa que una o povo em defesa da democracia dos direitos e da nação.

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