segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025
segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
A luta continua - Paulo Vinícius da Silva
Porque no unirnos?
Y luchamos como hermanos
Por la patria que esta herida!
Nuestra patria la que amamos!
Alí Primera - Dispersos
Finda o ano de 2024, importante por nos abrir os olhos para a complexidade e a dureza da batalha pelo Brasil. A finitude de Lula se expôs aos olhos de todos, assim como a correlação de forças. Roberto Campos Neto, Arthur Lira e muitos mais, assumiram a ribalta para dizer não ao Povo Brasileiro. Lula pediu juros menores; e os juros subiram. Lula fez o emprego e a economia crescerem mais do que se esperava; e foi criticado por isso. Ele pediu que os ricos pagassem mais impostos; e eles disseram não. Só com Lula doente, o mercado celebrou, ficou na torcida contra sua saúde, mantendo a afiada faca no pescoço do governo. E exigiram no altar de Mamom o sacrifício dos mais pobres no Pacote, colocando o Arcabouço Fiscal como moldura a enquadrar a Frente Ampla.
Em economia, Bolsonaro fez o que quis, impunemente. Já o Presidente Lula é cercado, atacado, contido, sabotado. Presente de Natal é para bom menino, e ninguém é melhor menino que o Brasil - Haddad e Galípolo o provam - mas não apenas eles. Nosso pedido de ata de eleição à Venezuela, nossas ilusões com o Partido Democrata estadunidense, nossa crença numa política externa altiva sem soberania nacional e sem as FFAA, o pensamento positivo mágico da via institucional brasileira, nossa crença no judiciário brasileiro e no Xandão. Haja esperança no nosso Garrincha, para dar o drible da vaca em todos. Não basta ser bom menino, nem diversas vitórias no PIB, na indústria, na distribuição de renda, na redução da miséria e no emprego. Uniu-se o andar de cima para dizer “assim, não pode, assim não dá”, o presente é deles, a conta é para o povo. Não se trata, portanto, de ser um bom governo, mas ter força suficiente para o defender da fome canina dos especuladores financeiros, insaciáveis.
Ao líder comunista paraense João Amazonas se atribui afirmar ser necessário ao povo “fazer sua própria experiência”. Sempre comentamos isso sobre a importância de ver desfazerem-se ilusões, e assim entender os limites e buscar saídas. Contudo, se apenas quebrar convicções e afirmar princípios bastasse, o trotskismo teria dado certo… É preciso encontrar e trilhar caminhos, ou ver prevalecer o medo e a desconfiança, a antessala da derrota. O que aprendemos com esses dois anos? Qual a lição da história das mudanças no Brasil sem a organização popular? Bastam o líder e o acordo? As virtudes de D. Pedro II anularam a manutenção da escravidão por décadas?
Tempos interessantes são os que vivemos; uma de suas vantagens é quebrar as certezas do passado, tão fortes no presente, tão distantes do futuro. É aí que se afirma a capacidade de agir frente à História e, no Brasil, frente a si próprio, como Nação. O papel de Lula é muito maior que fazer seu governo “dar certo”. A política é muito mais que a sua institucionalidade. Líderes de sua estirpe falharam exatamente quando não foi possível manter o seu legado, não em em empresas, não em leis, mas em povo organizado. Getúlio caminhou muito desde uma inicial posição de direita - quando reprimiu o Partido Comunista - até escrever o apelo ao Povo Brasileiro, na Carta Testamento.
Ao relembrar tantas obras e direitos que marcam o Brasil ainda hoje, Getúlio afirma uma esperança: “meu nome será a vossa bandeira de luta”. Sua trajetória política foi em direção ao Povo Brasileiro e contra o imperialismo, e foi aí que reencontrou os comunistas, foi aí que o Lula o achou, na prisão em Curitiba. De fato, o nome de Getúlio segue vivo até hoje, mas faltou-lhe a organização, ele ficou sozinho, apesar do tanto que organizou os trabalhadores, as leis e a economia brasileira. Na hora final, nem os comunistas o apoiamos. Entre o líder e as massas havia um fosso, e por aí o imperialismo se impôs, para dividir e reinar. Num supremo gesto de sacrifício e palavra, Getúlio nos lembra que nem o melhor dos líderes basta, sozinho.
Lula deixará seu nome tanto mais cravado na História quanto mais abrir caminho à afirmação da Nação Brasileira, cuja defesa só pode ser feita pelo seu povo, pela classe trabalhadora. Nada está assegurado. Qual instrumento será capaz de continuar essa via de transformação? Reconhecer o gigantesco patrimônio do PT e da CUT para a esquerda brasileira e a sua classe trabalhadora deveria precisamente levar-nos a construir a solidariedade organizada entre quem cerre fileiras em defesa do Brasil, da classe trabalhadora e da democracia.
Parte dos problemas que enfrentamos repousa na crença dos poderes mágicos da democracia burguesa brasileira e do Presidente Lula, que se expressam na crença do Executivo rompedor de barreiras… Mas foi precisamente esse Executivo mutilado em seus poderes de transformação social, inclusive no orçamento público, na independência do Banco Central e na permanente ameaça de deposição pelo Congresso. Não fosse isso suficiente, vivemos uma época de ascensão do fascismo, com o protagonismo da extrema direita a serviço do capital rentista parasitário. É uma forma de imperialismo tão extrema quanto incapaz de sanar as chagas ambientais que comprometem o futuro. Só são capazes de se enriquecer, empobrecer-nos e enganar, mas são impotentes diante dos problemas urgentes, muito maiores que dinheiro e mentiras.
Diante da mudança do eixo da economia mundial para a Ásia, o imperialismo só conhece a resposta do fascismo e da Guerra, que se faz com armas jamais imaginadas, nucleares, cibernéticas, conceituais, econômicas. A perspectiva socialista é a única capaz de reunir pluralidade, diversidade e a ruptura com o consumismo suicida, capaz de unir a inteligência, a arte, a técnica, o trabalho nas novas tecnologias para que possamos sobreviver e caminhar rumo ao futuro da evolução humana. Há todavia muita treva, é preciso brilhar mais forte, é preciso desviar-se de armadilhas, de becos sem saída.
Não são idênticos o governo e o Líder. Em 2003, já era o governo em disputa, avalie agora. Lula tampouco se limita ao PT, nem está definido o seu futuro. Por isso mesmo, eles precisam impedir o Lula de dar resultados. Já em nosso campo, como ele mesmo disse, é preciso fazer com que Lula se torne o povo.
Precisamente nesse momento, há imensa confusão no debate entre a relação Líder-Massas e mesmo na relação Líder-Governo-Partido-Movimentos. Um dos limites da formação da Nação Brasileira repousa precisamente no papel repressor do Estado em relação à maioria do povo, a sua incapacidade de nuclear a Nação como um todo. Nesse sentido, é ardilosa a trilha fácil da crença ilimitada na via institucional, esperança do burocrata.
Há 200 anos, alertou José Bonifácio, já na primeira Constituinte sobre os limites do Estado brasileiro em cumprir o papel de nuclear a Nação, e seu alerta dói até hoje, por ignorado que foi:
“não temais os urros do sórdido interesse ; cumpre progredir sem pavor na carreira da justiça e da regeneração politica ; mas todavia cumpre que sejamos precavidos e prudentes. Se o antigo despotismo foi insensivel a tudo, assim lhe convinha ser por utilidade propria ; queria que fossemos um povo mesclado e heterogeneo, sem nacionalidade, e sem irmandade,para melhor nos escravizar. Graças aos céos, e à nossa posição geographica, já somos um povo livre e independente. Mas como poderá haver uma constituição liberal e duradoura em um paiz continuamente habitado por uma multidão immensa de escravos brutaes e inimigos? Comecemos pois desde ja esta grande obra pela expiação de nossos crimes e peccados velhos. Sim, não se trata sómente de sermos justos, devemos tambem ser penitentes ; devemos mostrar à face de Deos e dos outros homens, que nos arrependemos de tudo o que nesta parte temos obrado ha seculos contra a justiça e contra a religião,que nos bradam accordes que não façamos aos outros o que queremos que não nos façam a nós.
Em vez do papel progressista, o Estado serviu para afirmar a divisão de cidadãos de primeira e segunda classes. O Estado aparece na favela com o caveirão, do mesmo modo como aparecia diante dos quilombos de outrora. Não dá para ter essa fé no Estado, no governo, em especial quando não se tem fé na capacidade de luta do povo brasileiro, nosso sujeito histórico. É ainda o projeto de José Bonifácio que Lula defende, mas seguem pulverizados os interesses maiores da Nação. O grande problema histórico do Brasil não é a construção de grandes acordos nacionais, mas que a maioria conservadora se volte contra e alije o povo de sua própria vitória. É preciso construir uma força popular de massas capaz de nuclear a luta em defesa do Brasil e, ainda é tempo, sob a liderança de Lula.
Gramsci aludiu ao Partido Comunista como o Príncipe Moderno, capaz de encarnar o protagonismo que Maquiavel reservava ao soberano, aquele que une as forças dispersas para a fundação do Estado Nacional italiano. Muita água passou sob essa ponte, desde então, e não enxergo como atual a crença no partido, seja qual for, que permitisse essa união. Na passagem do século XX para o XXI, a esquerda lartino-americana rompeu com essa segmentação e com a via da correia de transmissão entre partidos e movimentos. Foi no caldo de cultura dos grandes eventos e redes latinoamericanos que a luta social e política se transformou em frentes heterogêneas, progressistas e críticas ao neoliberalismo que ascenderam ao governo de nossos países. Por isso mesmo,a noção de Bloco Histórico, de Frente Ampla e Frente Popular são importantes para compreendermos o desafio de unificação que nos cumpre para a preservação do Brasil, sua afirmação como Nação.
Quando deixou de ser importante a realização dos fóruns sociais mundiais, dos congressos estudantis massivos, das grandes marchas e encontros de trabalhadores? O povo é o verdadeiro heroi da nacionalidade. É preciso ter lugar ao povo organizado na Frente Ampla. Permanecemos desconfiados uns dos outros, seguros por um fio de esperança que se chama Lula.
Diante de nós, ameaçadores, perfilados, estão a extrema direita, o “mercado”, a imprensa empresarial financeira, o centrão e os 1% mais ricos. Estamos como gestores de uma máquina que sempre foi deles, que faz nosso trabalho fluir da produção para a especulação, do pequeno para o grande, do pobre para o rico, da maioria para a minoria, pois para isso servem o capitalismo, a polícia, o “mercado”, as forças armadas e o judiciário. Para isso serve a separação de poderes articulada aos poderes ocultos de sempre. Quando foi que a via institucional, o Estado Burguês, ainda mais no Brasil, adquiriu poderes supremos em favor da classe trabalhadora em tempos de fascismo? É a teoria errada, na hora errada, com as ferramentas erradas. Nem se fosse monarquia absoluta. Falta povo nesse jogo em que o poder de veto é da burguesia rentista, parasitária e entreguista.
Hugo Chávez cortou o nó górdio que separava as vias da Reforma e da Revolução, pedra de toque da divisão no seio da esquerda mundial no século XX. Em vez de render-se ao Estado, cercá-lo. Erigir o espaço do povo na Constituição. Disputar o poder com o aval popular como recurso final, antes das armas, mas jamais confiar em exércitos mercenários para cuidar dos interesses do país. E o povo seguiu com capacidade de se defender do imperialismo, mesmo sem Chávez, em frente popular. Não é a forma, é a luta e aonde ela quer chegar. Poderá o Presidente Lula pactuar o Povo com o Estado e dar continuidade à construção da Nação Brasileira, a exemplo de Getúlio Vargas? Dependerá muito de Lula, mas lhe ultrapassa, depende também de nós.
Já estão ao nosso lado quem poderá salvar o Brasil. O século XX esmaece e forças novas pulsam, aflitas, diante de um mundo aferrado ao passado e ao abismo. Nosso papel e o de Lula são semelhantes. Precisamos de um degrau mais baixo, em que o povo possa subir, crescer em força e decisão, em defesa do Brasil. Os limites da Frente Ampla são claros, estão no Arcabouço Fiscal. As possibilidades de Lula, do Brasil, do legado da nossa geração, do futuro, dependem da Frente Popular e do “novo equilíbrio do universo”, para usar as palavras de Bolívar. São do tamanho das carências de nosso povo, imensas. Ensinou Glauber Rocha, “mais fortes são os poderes do povo”. Quem sabe quanto pode o nosso povo organizado?! Nós, que não impedimos o Golpe contra a Dilma, não devemos contar apenas com nossas forças para defender o futuro que é da nova geração. Nós elegemos Lula para trazer o povo e a juventude de volta ao orçamento, à política e ao poder. declaremos guerra à solidão, ao cupulismo. O povo organizado é o nosso céu, isolados do povo não somos nada.
Você pode me dizer, é impossível. Assim como o povo soube evitar o bolsonarismo duro e deu uma mão à Frente Ampla, nós nos reconheceremos luta afora, companheiro, camarada. É preciso organizar essas boas gentes que atuam como Lula, para além de suas caixinhas, com solidariedade, generosidade, amor. É preciso reconhecer o poder da juventude e do povo. É preciso libertar o Brasil dos juros e do imperialismo. Essas convicções de amor e verdade são nossa força para construir uma Frente Popular, como expressão de um Bloco Histórico comprometido com a defesa da Nação Brasileira através de seu Povo. É preciso reunir as dores, juntar multidões, aprender e ensinar que o futuro é possível. Tem muito jogo pela frente, Lula está conosco, e a luta continua! Por um Feliz 2025 de vitórias!
sábado, 16 de março de 2024
Especial, pevezando -> Frente Ampla e Unidade Popular para unir o Brasil e vencer o fascismo - Paulo Vinícius da Silva
8 de janeiro de 2023, Brasília, retomada simbólica do Planalto
George Dimitrov: líder histórico da luta contra o nazifascismo - Pedro Oliveira
Xi Jinping: Que o multilateralismo ilumine o caminho da humanidade - Discurso completo em Davos - Portal Vermelho

Conversa Afiada com o saudoso Paulo Henrique Amorim e João Vicente Goulart: Por que Jango não resistiu? Como Jango pôde aceitar a Frente Ampla com Lacerda?
Frente Ampla e Unidade Popular - Paulo Vinícius da Silva (1)
A unidade é a bandeira da esperança.
João Amazonas

Frente Ampla e Unidade Popular? Paulo Vinícius 'da Silva (2)
Si vis pacem, para bellum. Se quer paz, prepare-se para a guerra.
Provérbio latino

Coletivizando: Frente Ampla e Unidade Popular! Paulo Vinícius da Silva (3)
"O fascismo no Poder (...) é a ditadura terrorista descarada dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro." E ainda: "O fascismo é o Poder do próprio capital financeiro. (...) É preciso salientar de modo especial este caráter verdadeiro do fascismo porque a dissimulação da demagogia social deu ao fascismo, numa série de países, a possibilidade de arrastar consigo as massas da pequena burguesia desajustadas pela crise, e até alguns setores das camadas mais atrasadas do proletariado que jamais seguiriam o fascismo se tivessem compreendido seu verdadeiro caráter de classe, sua verdadeira natureza." (Dimitrov)

Aldo Arantes: Frente de esquerda ou Frente ampla? -PCdoB
Renato Rabelo: Luta ideológica numa nova ordem mundial de transição
O Brasil vai votar Lula Lá - versão de Fischia il vento e Katiusha, canções da resistência ao nazi-fascismo - Paulo Vinícius da Silva
João Amazonas e a política internacionalista do PCdoB - Ricardo Abreu (Alemão)
Amazonas observa que “é preciso estabelecer o limite da fronteira, no campo ideológico, para abordar a luta pela unidade do proletariado mundial”.O oportunismo de direita, para Lênin, é a política reformista de conciliação de classes, a subordinação dos objtetivos maiores de emancipação dos trabalhadores aos objetivos menores e imediatos.
Logo a seguir, no texto que estamos analisando, Amazonas cita dois casos concretos de traição à classe operária e ao movimento comunista, “o Partido da ‘Sinistra’, da Itália [surgido da dissolução, pela maioria, do antigo Partido Comunista Italiano] e, no Brasil, do “Partido Popular Socialista [PPS], herdeiro do Partido Comunista Brasileiro [PCB], que renegou os símbolos, o marxismo-leninismo; e se tranformou em um partido de traição aberta ao comunismo”.
Lenin viveu, Lenin vive, Lenin viverá! Paulo Vinícius da Silva

Lamentavelmente, é um pensador pouco compreendido, diria até desconhecido, assim me parece, e isso a despeito do monumental esforço de popularização e compilação de sua obra feito por Stalin após a sua morte. Por isso, superficialmente, como estímulo ao seu estudo, e para sistematizar minhas próprias opiniões, cito o que penso aspectos essenciais no pensamento revolucionário de Lênin.
Da crítica e autocrítica para o Avante, camaradas! Paulo Vinícius da Silva
Roda Viva | Marcelo Gleiser | 11/03/2024
O Roda Viva recebe o físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser. "O despertar do universo consciente: Um manifesto para o futuro da humanidade" é o título do novo livro de Gleiser, que une física, filosofia, biologia, química, religião e muito mais para questionar: como estamos nos relacionando com o planeta? O que é preciso fazer para salvar nossa civilização? O lançamento da obra está marcado para o dia 12 de março no Rio de Janeiro e dia 14 em São Paulo. Mas antes o autor estará no Roda Viva!
terça-feira, 12 de maio de 2020
Manuela recebe indicação de Rosseto (PT) como seu vice em Porto Alegre - Portal Vermelho
Vermelho
O Partido dos Trabalhadores (PT) indicou Miguel Rossetto como vice-pré-candidato a prefeito na chapa encabeçada por Manuela do PCdoB para a prefeitura da capital gaúcha.
Manuela e Rossetto durante a campanha eleitoral de 2018, quando ela foi candidata a vice-presidenta na chapa de Haddad (PT). Foto: Joana Berwanger/Sul21A pré-candidata do PCdoB à prefeitura de Porto Alegre, Manuela d’Ávila recebeu mais um importante apoio ao movimento iniciado ainda no ano passado para construção de ampla aliança por Porto Alegre. O diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT), que reuniu mais de 70 pessoas virtualmente no último sábado (9), decidiu indicar Miguel Rossetto como pré-candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo PCdoB para a prefeitura da capital gaúcha.
Essa é a primeira vez que o PT não terá candidatura a prefeito em Porto Alegre, cidade que governou por 16 anos ininterruptamente e que desde 1982 nunca deixou de lançar candidaturas próprias.
Manuela d’Ávila participou do final da reunião, junto com lideranças do PCdoB, como do presidente da legenda comunista, Adalberto Frasson, que afirmou: “a unidade da esquerda é uma exigência do momento duro e difícil que vive o povo de Porto Alegre”.
Para oficializar o apoio, o PT emitiu nota em que destaca a necessidade de apoiar um nome que melhor represente “uma alternativa para Porto Alegre” e que a apresentação de um quadro petista para a composição da frente política fortalece o projeto, que tem como centro “a defesa da vida de todas e todos porto-alegrenses e a preparação de um projeto de futuro” para a cidade. No mesmo documento, o PT afirma necessidade de um pacto de apoio mútuo de todo o campo progressista e democrático no segundo turno “para derrotar o neoliberalismo e o fascismo”.
Por meio das redes sociais, Manuela d’Ávila comentou da “saudade de estar nas ruas” e ressaltou a aliança selada para o próximo período.
“Foi extraordinário ver Olívio [Dutra], Tarso [Genro] e Raul [Pont, três ex-prefeitos petistas de Porto Alegre] e centenas de militantes juntos. Receber a tarefa de representar a tradição democrática, ética e transformadora do PT de Porto Alegre me deixa cheia de responsabilidade. Contar com meu amigo Miguel Rosseto, companheiro trabalhador e muito preparado é motivo de orgulho”, destacou.
“Vivemos dias difíceis e é verdade que a pauta eleitoral não está na ordem do dia. Mas sabemos que juntos teremos mais condições de lutar pra garantir direitos aos mais vulneráveis e nossas iniciativas de solidariedade. Depois, quando tudo isso passar, vamos debater com nossa gente em qual cidade queremos voltar a viver. Obrigada, companheiras e companheiros. Tenho a exata dimensão de nossos desafios e de minha responsabilidade”, escreveu Manuela.
Pré-campanha
Em meio a uma pré-campanha movimentada pela necessária mobilização solidária em favor de famílias que precisam de apoio diante da pandemia do novo coronavírus, Manuela tem focado sua campanha na solidariedade.
Em Porto Alegre, por meio do Instituto E se Fosse Você?, Manuela tem trabalhado pela conscientização da população e também na arrecadação de alimentos e itens de higiene para ajudar as famílias mais vulneráveis, que mais sofrem com a inação dos governantes de turno. O Instituto já conseguiu arrecadar e distribuir mais de 37 toneladas de alimentos, além de produtos de limpeza e higiene e máscaras.
terça-feira, 7 de agosto de 2018
PCdoB: ousadia para vencer e mudar o Brasil e o DF! Paulo Vinícius Silva
É em meio às grandes batalhas da História que as forças consequentes e revolucionárias se agigantam. A aliança PT-PCdoB-PROS-PCO e o apoio de inúmeras lideranças do PSB à eleição do Presidente Lula tem as digitais do PCdoB, de sua grande atividade desenvolvida pela unidade, a fim de assegurar a vitória do povo em 2018.
Para o PCdoB, a maior vitória sempre foi unir as forças democráticas, patrióticas e populares para derrotar o Golpe. E Manuela assumiu lugar central ao defender a Frente Ampla, a liberdade de Lula e o direito dos Brasileiros(as) o elegerem. Reconhecida como liderança nacional, será a vice-presidenta com a vitória do Povo em 2018.
Essa linha política levou Manuela a brilhar, unindo a voz das mulheres, da juventude, de negros(as) e da população LGBT à defesa da democracia e do desenvolvimento nacional. Com grande capacidade, Manu desvelou o rosto atual da classe trabalhadora, levantou a pauta dos direitos, do desenvolvimento, da defesa do Brasil e da democracia, das revogações da Deforma trabalhista e do Teto de Gastos. Com a coragem da defesa da vida das mulheres e da juventude negra, Manu se especializou em falar para o povo e denunciar a babaquice perigosa da extrema direita, ganhando o respeito e a confiança de setores cada vez mais amplos. O ânimo da militância do PCdoB, das feministas, LGBT, de sindicalistas, jovens e estudantes garantiam a ela todas condições de seguir adiante como candidata. Confiança, no entanto, jamais foi soberba. Ser candidata não é o que preocupa Manu se estão em jogo o Brasil, a vida de seu povo. Quanto já perdemos!! É o nosso futuro em jogo!!
Foi Manuela quem disse: não podemos nos dar ao luxo de perder a eleição de 2018. Sua palavra vale. Manu e o PCdoB disseram que nunca foram óbice à unidade,. Provaram ser a voz da unidade, e assim asseguraram excepcionais espaços à ação de massas do PCdoB.
Fazemos a grande política e podemos ter a nossa voz nessa luta. Nossa decisão é viver o Centenário do PCdoB em 2022 num ambiente de vitória do Brasil e com Manuela na Vice-Presidência da República. Precisamos libertar o Brasil, precisamos libertar Lula, os comunistas, Manuela o prova, são fiadores da unidade.
A união é uma vitória urdida pelas mulheres. Preso político o maior líder do Brasil – #LulaLivre - , foram elas, Gleisi, no PT, e Luciana Santos e Manuela, no PCdoB, quem teceram esse acordo de palavra, fiado entre elas e o Presidente Lula, e que define o núcleo da frente de esquerda que precisa ser uma Frente Ampla em defesa do Brasil, da Democracia e dos direitos e empregos.
No Brasil do Golpe, a unidade inicia pela confiança entre a esquerda. Por um acordo de confiança, o PT pediu compreendesse o PCdoB a necessidade de ter Haddad pelo lawfare contra Lula. E disse, seja de Lula, seja Haddad, Manu é a vice. É o núcleo da unidade popular, a base a da Frente ampla, e digo-o pensando na importância do PSB que já está nessa luta - em muitas partes essa unidade já existe na prática. É um momento memorável, entrará para a História. Basta que pensemos no ciclo de mudanças na América Latina partir de 1998: em que país da América Latina, com governos de esquerda, o vice era do Partido Comunista? Qual a importância do Brasil e o significado de termos Manu como uma das faces da esperança de uma vida melhor?
Manuela tem chances reais de ser eleita Vice-Presidenta do Brasil, e isso tem um significado transcendente. Ela levará a voz do Partido mais antigo e mais jovem, partido das mulheres, da juventude, da classe trabalhadora.
O PCdoB foi quem mais vidas ofertou no altar da democracia e dos direitos do povo, foi quem sempre defendeu o PT nos momentos mais difíceis, quem propôs a Frente Brasil Popular em 1989. O PCdoB compor a chapa presidencial é um ato de ousadia e é um justo e suado reconhecimento por suas lealdade e capacidades de articulação política e luta social.
Uma frente ampla também do DF
Pensando nessa unidade e levando em conta o grave risco de retrocesso no DF e no Brasil, o PCdoB fez uma busca infatigável pela Frente Ampla no DF, e o conjunto dos movimentos locais e nacionais apontou para a reeleição do Governador Rodrigo Rollemberg (PSB) e a construção de uma frente de centro-esquerda: PSB-PV-PCdoB-Rede-PDT.
No centro da decisão está a recusa da volta de velhas e perigosas raposas da política candanga. O PCdoB quer unir o povo e manter a velharia corrupta mais quatros anos fora do GDF. Tem tambem uma pauta com críticas e sugestões. Propõe-se a pôr a mão na massa, falando, ouvindo, negociando a favor dos servidores públicos e da população do DF e do entorno. A capacidade de articulação e o compromisso com a base que o PCdoB encarna serão decisivos nessa aliança de centro-esquerda.
O PCdoB, mesmo sem ter sido oposição, por opção ficou fora do primeiro governo de Rollemberg. Chega numa hora de dificuldade, sabe que é preciso mudar o roteiro e politizar o debate. Queremos uma guinada em favor do diálogo e da melhoria dos serviços públicos para a população. É preciso avançar, melhorar, corrigir. Retroceder, jamais. E enxergou o partido o risco de a direita ganhar o Buriti. Com a fragmentação da direita, o Partido quer avançar unindo a esquerda com setores progressistas do DF.
Essa união é importante. Evidenciou-se que a derrota de Rollemberg seria apenas a volta da direita no DF. O PCdoB apostou conscientemente na unificação da centro-esquerda no DF e rejeita a tese de que seria indiferente ter uma força à direita à frente do GDF, e é nosso dever cortar tais possibilidades.
Rollemberg apoia Ciro Gomes para presidente. Lutamos há muito para que estejamos todos juntos no segundo turno, com o PT e o PDT, local e nacionalmente. O PCdoB gosta de crítica e auto-crítica, tem opinião e ação. Reúne corajosas e qualificadas lideranças no serviço público, em especial na Saúde e na Educação, e elas trarão críticas ao governo e as reivindicações. Defenderão um novo diálogo com a sociedade e os servidores, uma pactuação pela qualidade do serviço público no DF. O PCdoB quer falar da juventude e dos direitos da população das periferias do DF.
Assim como ajudou muito ao governo Agnelo, apoiando o PT local e nacionalmente, o PCdoB se prepara para recuperar as suas vagas nas CLDF e no Congresso. Para isso, busca unir mobilização social, diálogo político, e competência técnica para construir avanços no governo e isolar a direita. É preciso criticar, mas assumir também a responsabilidade de resolver, nacional e localmente, e por isso o PCdoB busca chances reais de vitória. É hora de entusiasmo, de esperança, podemos vencer no Distrito Federal e no Brasil e reconstruir o país a partir da unidade do povo.
Opinião - Secretário Sindical do PCdoB-DF
domingo, 22 de julho de 2018
sábado, 5 de novembro de 2016
Dimitrov - o arquiteto da frente popular - Augusto Buonicore
Artigo publicado no Portal Vermelho em 13 de outubro de 2004, retirado do Blog do Carlos Maia - http://blogdocarlosmaia.blogspot.com.br/2015/07/dimitrov-o-arquiteto-da-frente-popular.html?m=1
"A roda da história não pára (...) Essa roda, posta em movimento pelo proletariado, não poderá ser paralisada pelos extermínios, pelos assassinatos, nem pelas condenações capitais. Ela se move e se moverá até a vitória final do comunismo" Dimitrov
A defesa acusa
O tribunal estava lotado, composto, em sua grande maioria, por adeptos da cruz gamada, as legiões pardas e negras das SA e SS nazistas. Lentamente levantou-se o acusado, um homem magro, pálido, trazendo nas mãos e nas pernas as marcas das pesadas correntes que fora obrigado a carregar por cinco longos meses. Ali estava o dirigente da Internacional Comunista, o operário revolucionário búlgaro Jorge Dimitrov. Um homem aparentemente solitário. No entanto sobre ele estavam depositadas as esperanças de milhões de outros homens e mulheres que nas fábricas, nas escolas e nos bairros operários lutavam para barrar a onda nazi-fascista que se espalhava rapidamente pelo mundo.
O acusado recusou o defensor nomeado pelo Estado e preferiu realizar a sua própria defesa. No primeiro dia do seu julgamento diante da pergunta do juiz: "Por que razão o senhor imagina ter sido trazido até aqui?", ele respondeu sem pestanejar: "Para defender o comunismo e defender-me!". Estava decidido em transformar o banco dos réus em uma tribuna da qual pudesse lançar suas acusações contra os criminosos nazistas. Por sua postura altiva diante dos acusadores seria censurado pelo juiz e expulso por cinco vezes do Tribunal.
Diante da infundada acusação de ser ele um perigoso TERRORISTA, responsável pelo incêndio do Reichstag — o parlamento alemão —, Dimitrov afirmou: "sou um revolucionário socialista por convicção (...) Sou membro do Comitê Central do Partido Comunista Búlgaro e do Comitê Executivo da Internacional Comunista (...) Esta é a razão por que não posso ser considerado um simples aventureiro terrorista".
Durante o seu tumultuado julgamento duas das principais figuras do novo governo nazista vieram ao Tribunal para acusá-lo: Hermann Göring — ministro do interior e presidente do Reichstag; e Goebbels — ministro da Propaganda.
No seu depoimento Göring falou durante horas a fio. Esbravejou contra a conspiração judaico-bolchevista. Conclamou a destruição do comunismo, considerando-o uma "doutrina criminosa". A intervenção do ministro de Hitler não deixou dúvida de que se tratava de um processo inquisicional contra o movimento comunista em geral. Usando a prerrogativa que lhe cabia Dimitrov levantou-se e dirigiu-se ao superministro de Hitler e questionou-o: "Sabe o senhor ministro que o partido que se inspira nessa doutrina criminosa governa triunfalmente uma sexta parte do mundo? Sabe o senhor ministro que a Alemanha mantém relação comercial com este país e que por meio de suas encomendas a União Soviética proporciona trabalho e pão para centenas de milhares de operários alemães?". Göring perdeu completamente a compostura, ficou transtornado e ofegante. Calmamente Dimitrov encerrou o assunto.
Diante da acusação de fazer propaganda comunista no tribunal ele, ironicamente, afirmou: "Em se falando de propaganda, temos de reconhecer que muitas das intervenções feitas neste tribunal tem tido este caráter. Também as intervenções de Goebbels e de Göring exerceram uma ação indireta de propaganda a favor do comunismo, porém não podemos fazê-lo responsável por isso".
No dia 23 de dezembro de 1933 o Tribunal de Leipzig foi obrigado a inocentar os acusados por falta de provas. Dimitrov não aceitou passivamente o resultado, exigiu ser considerado oficialmente inocente, que os nazistas fossem acusados formalmente pelo incêndio ao Reichstag e, por fim, que os detidos fossem indenizados pelos meses de prisão, pelas privações e tormentos que sofreram. Diante da recusa do presidente do tribunal em aceitar os seus pedidos, Dimitrov afirmou: "Chegará o dia em que meus pedidos se cumprirão e em que um tribunal popular julgará os verdadeiros incendiários do Reichstag". O juiz-presidente enfurecido mandou tirá-lo da sala do tribunal. No entanto, antes que os guardas cumprissem a ordem, ele lançou a sua própria sentença: "A roda da história não pára (...) Essa roda, posta em movimento pelo proletariado, não poderá ser paralisada pelos extermínios, pelos assassinatos, nem pelas condenações capitais. Ela se move e se moverá até a vitória final do comunismo". Essas foram as suas últimas palavras no julgamento de Leipzig. Dimitrov saiu-se vencedor.
No entanto, mesmo depois de inocentados, permaneceram presos por quase dois meses. Por fim, a URSS concedeu asilo aos revolucionários búlgaros e ofereceu-lhes a cidadania soviética. Dimitrov e seus companheiros de infortúnio foram recebidos como heróis pelo povo.
Um filho da classe operária Búlgara
Dimitrov nasceu na Bulgária em 18 de junho de 1882. Filho de operário, com apenas doze anos começou a trabalhar como aprendiz de tipógrafo e aos quinze já era um profissional. O jovem operário lia tudo o que lhe caía nas mãos e amava a sua profissão. Um dia afirmou: "Nosso ofício é o mais belo de todos, nós fabricamos livros".
Tornou-se, acima de tudo, um defensor intransigente de sua classe e por isso mesmo foi eleito diretor do sindicato. Tinha apenas 18 anos. Quatro anos depois, em 1904, participou da fundação da União Geral dos Sindicatos Operários da Bulgária da qual se tornou um dos principais dirigentes. O jovem líder sindical revolucionário ajudou a dirigir as mais importantes greves do proletariado de seu país.
Aos vinte anos Dimitrov ingressou no Partido Operário Social-Democrata Búlgaro, passando a atuar na sua ala esquerda. A exemplo do que ocorria na Rússia, o partido búlgaro se dividiu em duas correntes — uma reformista e outra revolucionária. A ruptura definitiva entre estas duas tendências ocorreu em 1903 e, em 1909, foi eleito para o Comitê Central desta nova organização.
Em 1913, Dimitrov elegeu-se deputado pela esquerda socialista. No ano seguinte eclodiu a Primeira Guerra Mundial e ele passou a COMBATER a guerra imperialista e a lutar pela neutralidade de seu país. As classes dominantes estavam por demais dependentes da burguesia alemã e acabaram levando a Bulgária a entrar no conflito ao lado do imperialismo alemão. Dimitrov, do alto da tribuna parlamentar, protestou e por isso foi condenado à prisão onde permaneceu por cerca de 11 meses. Eclodiram diversas manifestações em defesa dos presos políticos e o governo foi obrigado a libertá-los.
Mal saiu da prisão compareceu a um comício organizado pelos mineiros de Pernik e novamente discursou contra a guerra imperialista e por isso foi preso e em seguida libertado pelo povo quando desembarcou em Sofia. As prisões se sucederiam. A Revolução Russa de outubro de 1917 teve enorme influência sobre Dimitrov. Em 1919 foi fundado o Partido Comunista da Bulgária e ele foi enviado para a URSS onde manteve contato com o principal dirigente do Estado Soviético, Vladimir Lênin.
Em 1923 o ministério encabeçado pelo Partido Agrário — democrático — foi derrubado e substituído por uma coligação monárquico-reacionária. Concretizou-se um golpe de Estado fascista. Em setembro, diante da ofensiva conservadora, os comunistas em aliança com os agrários tentaram derrubar o governo através da luta armada. A insurreição foi derrotada e parte dos combatentes foi obrigada a se refugiar na vizinha Iugoslávia e depois a seguir para o exílio. Dimitrov foi condenado à morte em dois processos realizados sem a sua presença. No exílio passou a atuar junto ao Comitê Executivo da internacional Comunista em Moscou e Berlim.
Em janeiro de 1933 os nazistas tomaram o poder na Alemanha e um mês depois ocorreu o incêndio criminoso ao Reichstag. Este incidente foi amplamente utilizado pelos nazistas para ampliar a sua ofensiva contra os comunistas e social-democratas e impor definitivamente a sua ditadura TERRORISTA. Deste crime foram acusados, além do holandês Van der Lubbe, comprovadamente insano — e verdadeiro autor do incêndio —; um deputado comunista, Torgler; e três comunistas búlgaros, entre eles Dimitrov. Estava assim armada a farsa.
Os nazistas montaram um circo para se mostrarem ao mundo como os melhores e mais eficientes defensores da civilização ocidental, cristã e capitalista, contra as hordas comunistas. O tiro acabou saindo pela culatra. Após sua libertação, Dimitrov partiu para a URSS, onde se naturalizou como cidadão soviético e em 1937 foi eleito deputado do Conselho Supremo da União Soviética.
Dimitrov e a frente popular
Em 1935, Dimitrov foi destacado para apresentar o principal informe do VII Congresso da Internacional Comunista e acabou sendo eleito secretário-geral do Comitê Executivo da organização, cargo que manteve até a sua extinção em 1943.
Neste informe histórico Dimitrov enunciou a estratégia e a tática de luta contra o fascismo e a guerra imperialista que se aproximava. Ele representou uma "viragem" na política da Internacional Comunista e refletiu as mudanças na correlação de forças internacional com o avanço do nazi-fascismo. Nascia, assim, a política de frentes populares. O Congresso colocou no centro da ação do movimento comunista a luta contra o fascismo, especialmente o alemão.
O fascismo alemão, segundo o Informe, atuava como "tropa de choque da contra-revolução internacional, como incendiário principal da guerra imperialista, como instigador da cruzada contra a União Soviética". O documento desvendou também o caráter de classe do fascismo. Ele seria "a ditadura TERRORISTAaberta dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro".
Dimitrov combateu duramente o esquematismo das análises esquerdistas que não viam as diferenças existentes entre os regimes nazi-fascistas e os regimes democráticos burgueses, mesmo que autoritários. "A subida do fascismo ao poder, afirma ele, não é uma simples mudança de um governo burguês por outro, mas sim, a substituição de uma forma estatal de dominação de classe da burguesia — a democracia burguesa — por outra das suas formas, a ditadura terrorista declarada. Ignorar essa diferença seria um grave erro, que impediria o proletariado revolucionário de mobilizar as mais amplas camadas de trabalhadores da cidade e do campo para luta contra a ameaça de tomada do poder pelos fascistas, assim como também tirar proveito das condições existentes no seio da própria burguesia".
Dimitrov tirou importantes lições da derrota do movimento operário e socialista na Alemanha e Itália. "O fascismo chegou ao poder, antes de mais nada, porque a classe operária (...) achava-se dividida, desarmada política e organicamente". Portanto uma das condições para barrar o fascismo era a constituição da unidade da classe operária, ou seja, a construção da Frente Única proletária. Era preciso unificar o movimento sindical cindido entre social-democratas, comunistas, anarquistas e católicos. Esta era uma condição básica para a vitória sobre o fascismo e a guerra imperialista.
A Frente Única proletária deveria ser a base sobre a qual se erigiria "uma extensa frente popular antifascista". O êxito da luta contra o fascismo estava "intimamente ligado à criação da aliança do proletariado com o campesinato trabalhador e com as massas mais importantes da pequena burguesia urbana, que formam a maiorias da população."
Neste sentido os comunistas não deveriam colocar "nenhum tipo de condição para a unidade de ação com exceção de uma condição elementar, aceitável por todos os operários, ou seja, que a unidade de ação seja encaminhada contra o fascismo, contra a ofensiva do capital, contra a ameaça de guerra". No entanto, alerta Dimitrov, "neste trabalho de construção da Frente Única os comunistas não podem (...) renunciar, nem por um minuto, ao seu trabalho próprio e independente de educação comunista".
Naquela conjuntura as reivindicações democráticas adquiriram centralidade na estratégia comunista. "Nós somos partidários da democracia soviética, da democracia dos trabalhadores, a democracia mais conseqüente do mundo. Mas, defendemos e seguiremos defendendo, nos países capitalistas, palmo a palmo, as liberdades democrático-burguesas contra as quais atentam o fascismo e a reação burguesa, pois assim o exigem os interesses da luta de classe do proletariado". Esta mudança na política dos comunistas leva-os a apoiar e, até mesmo, participar de governos frentistas, não socialistas, que lutassem contra o perigo fascista "de modo efetivo não só em palavras, mas com fatos".
O documento de Dimitrov recolocou também, com força, a necessidade de se dedicar mais atenção ao chamado problema nacional. Era preciso tirar das mãos dos fascistas as bandeiras relativas a defesa da cultura e da identidade nacional. "Os comunistas que (...) não fazem nada (...) para esclarecer ante as massas trabalhadoras o passado do seu próprio povo (...) para ligar a luta atual com as tradições revolucionárias do passado, entregam voluntariamente aos falsificadores fascistas tudo o que há de valiosos no passado histórico da nação (...) Nós somos, em princípio, inimigos irreconciliáveis do nacionalismo burguês (...) Mas, quem pensa que isto nos permite, e inclusive nos obriga a cuspir na cara de todos os sentimentos nacionais das amplas massas dos trabalhadores, está muito longe do bolchevismo (...) Camaradas, o internacionalismo proletário deve 'aclimatar-se' (...) e em cada país e lançar raízes profundas no solo natal".
O Informe de Dimitrov teve uma poderosa influência na elaboração tática e estratégia de todo movimento comunista posterior a 1935. Por isso se transformou numa obra de consulta obrigatória para todos os militantes revolucionários.
O construtor da República Popular da Bulgária
Em 1939 eclodiu a Segunda Guerra Mundial e em 1941 as tropas nazistas invadiram o território soviético. A guerra contra a besta nazi-fascista adquiriu assim uma dramaticidade toda própria. A existência do primeiro Estado socialista estava em jogo e com ele o destino do movimento emancipacionista dos trabalhadores e dos povos coloniais.
A partir de 1941 o Partido Comunista da Bulgária adotou a linha da insurreição armada conta o governo fascista pró-alemão. Em 1942 foi formada a Frente da Pátria Búlgara, que seria o centro político aglutinador das forças revolucionárias antifascistas que poriam fim à dominação alemã na Bulgária em setembro de 1944. Dimitrov teve um papel de destaque nesta Frente e na derrota do fascismo nos Bálcãs. Por suas contribuições à causa de libertação dos povos o Soviete Supremo da URSS lhe concedeu a mais alta condecoração do país: a Ordem de Lênin. Em 6 de novembro de 1945 regressou triunfalmente a seu país libertado e foi eleito primeiro ministro da recém fundada República Popular da Bulgária.
Serão ainda necessários três longos anos para que fossem estabelecidas as bases que permitiriam a transição búlgara ao socialismo. Este seria um período rico de debates sobre as formas possíveis de transição ao socialismo — um debate que acabou sendo estancado com o desenvolvimento da guerra fria e o endurecimento do regime soviético. Num discurso realizado em 1946, na Conferência Regional do Partido em Sófia, Dimitrov chegou a afirmar: "Todos os povos passarão ao socialismo, não por um via idêntica, esteriotipada, não precisamente pela via soviética, mas pela sua própria via, de acordo com as suas condições históricas, nacionais, sociais, culturais e outras".
Em 2 de julho de 1949 o velho comunista, já bastante doente, morreria em território soviético, onde estava realizando tratamento de saúde. O proletariado do mundo perderia neste dia um dos seus maiores heróis e o marxismo-leninismo um dos seus grandes expoentes.
Augusto C. Buonicore é Historiador, membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil, Secretário Geral da Fundação Maurício Grabois e responsável pelo Centro de Documentação e Memória (CDM)
domingo, 15 de março de 2015
sábado, 14 de março de 2015
Em Brasília, manifestação ocupou rodoviária na área central - EBC
13/03/2015 21h32
Brasília
Marcelo Brandão e Michèlle Canes – Repórteres da Agência Brasil Edição: Luana Lourenço
Em Brasília, a manifestação convocada por centrais sindicais em defesa da Petrobras e da reforma política começou por volta das 17h, na Rodoviária do Plano Piloto, na área central da cidade. O ato, que integra o chamado de Dia Nacional de Luta, foi organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e outras entidades.
“Essa manifestação é em defesa da democracia, do Brasil, da Petrobras e dos direitos dos trabalhadores. Defendemos a permanência da presidenta eleita e dialogaremos com ela por todos os direitos dos trabalhadores”, disse o integrante da direção nacional da CTB, Paulo Vinícius.
Foto EBC
Foto: EBC
Foto: EBC
O protesto ocorreu no horário de pico, quando a rodoviária estava lotada de passageiros. Alguns apoiavam o movimento, e outros criticavam o governo de Dilma e a corrupção na Petrobras. As manifestações contrárias, no entanto, foram discretas e não houve registro de confusão durante o ato.
Às 17h, enquanto os manifestantes convocados pelas centrais sindicais se preparavam para o ato na rodoviária, um grupo se concentrava em um protesto de oposição a poucos quilômetros do local. Organizado por meio das redes sociais, o grupo saiu pela Esplanada dos Ministérios com bandeiras e faixas pedindo o impeachment de Dilma.
De acordo com a organizadora do ato, Cláudia Castro, o objetivo é chamar a atenção para os protestos marcados para o próximo domingo (15). “Nós realmente não aguentamos mais a coisa do jeito que está. Não somos filiados a nenhum partido, nenhum sindicato. Só queremos que o poder seja assumido por quem tem competência para fazê-lo.”
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
As eleições de 2014 e a Unidade Popular - Paulo Vinícius Silva
O Brasil e a CTB passaram por dura prova de fogo nas Eleições 2014. A mais jovem das centrais sindicais - surgida da união de comunistas, socialistas, marítimos e rurais – teve de fazer valer em situação excepcional a sua pluralidade e democracia interna, em busca de uma justa posição política da classe trabalhadora num momento de encruzilhada para o país. O já complexo quadro de divisão na esquerda, no início, e a posterior morte trágica de Eduardo Campos - ainda não explicada - tornaram o processo eleitoral imprevisível e animaram as forças neoliberais para a ofensiva, com claro e gravíssimo risco de retrocesso. Acompanhamos o combate leal e difícil travado pelos verdadeiros socialistas no interior do PSB. E a maioria da CTB, que apoiou Dilma, não cessou de buscar ampliar a unidade das forças de esquerda, democráticas e patrióticas, o que se tornou possível no segundo turno. Esse percurso acidentado teve de aliar engajamento na batalha eleitoral e respeito à pluralidade e a democracia dos trabalhadores(as).
Vencemos a mais dura batalha eleitoral desde 1989, barrando o retrocesso neoliberal em um momento decisivo para a afirmação de um projeto soberano, democrático e popular. Todavia, exatamente por isso, abriu-se cruenta disputa em torno do conteúdo do um novo ciclo, que – como corretamente analisa Tarso Genro - encerra o iniciado com a Carta aos Brasileiros. Para mim, para além da economia, ela ilustrou outros “limites” da mudança iniciada com a eleição de Lula.
São os acordos:
– com o mercado financeiro e a sua política macroeconômica neoliberal (Juros SELIC altíssimos a remunerar os títulos da dívida pública e onerar o crédito; superávit primário a abocanhar recursos dos serviços públicos, também para a dívida pública; o regime de metas de inflação sob visão monetarista, com a retirada de recursos da economia real, passados à esfera especulativa);
– da democracia sem participação popular, com eleições empresarialmente financiadas, personalizadas e tuteladas pela imprensa;
- do poder dos veículos de comunicação atuais, num mercado monopolizado, construído pela Ditadura e reforçado na Nova República e nos anos neoliberais, à base de concessões clientelistas a políticos e negócios espúrios e nada transparentes com o Estado.
O resultado da batalha adveio em grande parte do corajoso discurso da Presidenta Dilma e da resposta que recebeu do povo e da militância, que se expressou concretamente numa corrente, majoritária, que se identifica com a mudança. Deve-se valorizar como a Presidenta denunciou as manipulações midiáticas, a "ética" seletiva da oposição, envolvida ela própria em inúmeros escândalos ontem, hoje e sempre. Dilma investiu contra a ganância dos banqueiros, fez o elogio da mobilização e da participação popular e pugnou pela defesa dos direitos, empregos e salários da classe trabalhadora e da educação, pela vida e o emprego para a juventude. Essa conjunto de respostas ganha importância porque consciente. Poderia a Presidenta eleger a conciliação como saída, e não o fez.
Diante dos graves episódios de corrupção na Petrobrás, reforçou-se a mobilização de todos os recursos do sistema político e econômico dominante, que recrudesceu sua mobilização, passando a assumir-se como uma camada da sociedade civil, de direita, com discurso raivoso que bebe na história de outras mobilizações golpistas, marcadas pelo conservadorismo, o ódio e pela apropriação hipócrita da legítima bandeira da luta contra a corrupção. Ora, quem é responsável pela estruturação do financiamento eleitoral empresarial tenta passar-se por ético, ao mesmo tempo que defende a manutenção das bases da corrupção!
A direita assume-se e há balões de ensaio para fazer que sua expressão ainda difusa, cristalize-se, como vemos nos fundamentalistas, no discurso do ódio, no “humor” covarde e antipopular, no discurso da imprensa das oligarquias e suas expressões eleitorais. Essa parcela aspira por protagonismo político, estreou como parte das mobilizações de junho de 2013, e segue um percurso formativo sob a batuta da imprensa golpista e do imperialismo, que assumem a sua condução.
Isto se relaciona a uma característica histórica e etária da geração de novos trabalhadores e estudantes, parcela majoritária da população economicamente ativa. Não vivenciaram a construção de momentos decisivos da história recente, não tiveram chance se organizar com uma perspectiva humanista, foram nutridos com as mentiras incessantemente propagadas pela imprensa golpista e sua tentacular propriedade cruzada, que também divide a intenet. O grande refluxo havido com o fim do socialismo europeu, o neoliberalismo (com ditadura ou democracia liberal) se expressou na subjetividade do individualismo, a imensa solidão em meio ao mundo hostil sob o capitalismo. Não se pode cobrar saberem lições que não lhes ensinamos. Disputar ideologicamente essa geração é inescapável: trabalhadores(as) e jovens, nossa base social, os maiores interessados no avanço do Projeto Nacional de Desenvolvimento com valorização do trabalho.
O terceiro turno em curso se ressente da disparidade de meios, da tibieza no seio da esquerda e da ausência de uma maior unidade e mobilização, fatores que foram enfrentados no quadro das condições da eleição, com protagonismo da Presidenta que, reeleita, tem sua própria missão, compor um governo viável, num quadro de crise econômica, maioria mambembe no Congresso e sob o fogo cruzado em torno dos acontecimentos da Petrobrás. O bombardeio midiático, a tentativa de mobilizar as bases eleitorais em torno das posições de direita, o golpismo descarado expõem a importância da unidade dos trabalhadores(as) para dar efetivo combate às posições de extrema direita, fascistas, homofóbicas, machistas, racistas, antipopulares, sem o que os setores que flutuam acabam por se vincular à onda conservadora que se quer gestar, com claro sentido golpista. É preciso expor as entranhas pútridas dessa direita golpista, sabuja e gringa, dar-lhe combate, e unir as forças do povo, da democracia e da defesa do Brasil. E o povo continua tendo lado, em apoio à Presidenta Dilma.Não podemos ser ingênuos quando a imprensa golpista explora as fragilidades na composição do governo e diante do cenário econômico para dividir o campo popular. Não é hora de vacilações, mas de reforço da liderança da Presidenta Dilma.
Foi maiúscula a vitória da reeleição da Presidenta Dilma. É preciso aquilatar corretamente a importância do protagonismo da CTB e da CUT para o período em curso, e já, para a batalha inaugural da posse no dia 1º de janeiro, em Brasília. Será o primeiro reencontro da imensa onda que a reelegeu, e também o palco da sanha desestabilizadora. É um confronto com data marcada. Trabalhadores, trabalhadoras, a juventude são chamados a um gesto de profundo impacto, a defesa das mudanças, da democracia e da vitória, e a preparação de uma Unidade Popular superior, para garantir a retomada da iniciativa política, dar combate à direita e avançar para a agenda de reformas que aprofundarão as mudanças no Brasil, colocando respostas concretas aos postulados que relacionamos acima, e que compõem os limites objetivos à mudança no Brasil. Só a Unidade Popular pode defender o mandato da Presidenta, responder à direita e unificar o povo para um novo ciclo de mudanças que desmonte as estruturas do rentismo, do monopólio da mídia e do sistema político, obstáculos poderosíssimos e ainda intocados nos primeiros 12 anos de mudança, alvos para a agenda reformista que una o povo contra esses terríveis inimigos do Brasil e de seu povo.
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