SIGA O COLETIVIZANDO!

Mostrando postagens com marcador Luta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luta. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Sérvulo Esmeraldo - O Espaço do Infinito - Paulo Vinícius da SIlva

                      Femme Bateau - Obra na Ponte Metálica Crédito: Laart. Foto de Joca Meirelles

Domingo de manhã, fui pego de surpresa pelo documentário sobre o artista cearense universal: Sérvulo Esmeraldo - O Espaço do Infinito, que me levou às lágrimas... 

Está disponível no Youtube do SESI, assista!

Revi sua obra na paisagem alencarina, do alto de minha ignorância, e chorei de saudade de Fortaleza.

Comoveu-me seu exemplo do dever encarnado, de traços tão diáfanos e elegantes, comprometidos e firmados na terra como concreta mudança da própria realidade, até mesclar-se com a paisagem, com a vida do povo, e só depois ser reconhecido - que mérito, que elegância! 

Tocou-me, ele primeiro ter conquistado Paris para só depois regozijar-se com a conquista do Crato, sua cunha. A frase, "Eu estou trabalhando em algo lindo" é glorioso epitáfio, pretensão, utopia, que a Arte traz: querer superar a alienação do trabalho. E Les Feuilles Mortes... 

Conheçamos e celebremos o exemplo e a obra de Sérvulo Esmeraldo!



quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Juntos somos fortes! Chico Buarque

Uma gata, o que é que tem?
- As unhas
E a galinha, o que é que tem?
- O bico
Dito assim, parece até ridículo
Um bichinho se assanhar
E o jumento, o que é que tem?
- As patas
E o cachorro, o que é que tem?
- Os dentes
Ponha tudo junto e de repente vamos ver o que é que dá
Junte um bico com dez unhas
Quatro patas, trinta dentes
E o valente dos valentes
Ainda vai te respeitar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer
Uma gata, o que é que é?
- Esperta
E o jumento, o que é que é?
- Paciente
Não é grande coisa realmente
Prum bichinho se assanhar
E o cachorro, o que é que é?
- Leal
E a galinha, o que é que é?
- Teimosa
Não parece mesmo grande coisa
Vamos ver no que é que dá
Esperteza, Paciência
Lealdade, Teimosia
E mais dia menos dia
A lei da selva vai mudar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer
E no mundo dizem que são tantos
Saltimbancos como somos nós.

 

sexta-feira, 4 de junho de 2021

PLENÁRIA DAS ESTATAIS ATIVIDADE PRÉ-CONGRESSO DA CTB DF


PLENÁRIA DOS NÚCLEOS DAS ESTATAIS DO V CONGRESSO DA CTB DF E ENTORNO - CONGRESSO DA UNIÃO COM A CGTB


Querido(a) trabalhador(a) de Estatal


Faremos uma plenária com os núcleos dos Urbanitários (as) e dos Bancários(as) da CTB e da CGTB do DF e Entorno. Essa plenária é para esclarecer e organizar a luta em defesa das estatais, na semana decisiva para a manutenção da ELETROBRAS pública. Participe, ajude-nos nessa luta e do V Congresso da CTB-DF e Entorno, ajude-nos a salvar o Brasil, a democracia e as estatais do Genocídio de Bolsonaro.
 

PLENÁRIA DAS ESTATAIS DO V CONGRESSO DA CTB DF E ENTORNO - CONGRESSO DA UNIÃO COM A CGTB

 Reunião do(a) Zoom.

Segunda - 7 jun. 2021 19h00


Inscreva-se antecipadamente para esta reunião:
https://zoom.us/meeting/register/tJ0tcO6qpjwjG9CK5GgExbcHmFNJYohGCQWU

Após a inscrição, você receberá um e-mail de confirmação contendo informações sobre como entrar na reunião.
 
Defender as estatais é defender o Brasil!
Parem a privatização da ELETROBRAS!
 
 
 Saudações classistas
 
Victor Frota da Silva e Rosângela Rosa
Núcleo dos Urbanitários CTB-DF/CGTB/DF
 
Paulo Vinícius da Silva e Rafael Guimarães
Núcleo da CTB Bancári@s DF

domingo, 11 de abril de 2021

Mocidade e Morte - Castro Alves - Recita Paulo Vinícius da Silva no SoundCloud

 Minha homenagem às vítimas do Covid.

É um genocídio, não precisavam ter morrido, foram vítimas da irresponsabilidade de um governo incompetente que tornou a vida dos Brasileiros.

Perdemos Júlio Sales, líder secundarista de minha geração, perdemos Sodré, perdemos Jocélio, filho de Josenias, jovens, que tragédia...

#ForaBolsonaro

#Vacinaparatodos

segunda-feira, 8 de março de 2021

Comitê das Bancárias(os) do PCdoB-DF reúne com a Presidenta da UBM, Laura Padilha ( veja o vídeo)

 www.mulher.pcdob.org.br - Entre no site da Conferência!

Viva o Dia Internacional da Mulher, Viva o 8 de Março, Vivas às mulheres! 

O Comitê das Bancárias(os) do PCdoB DF reúne hoje às 19h em videoconferência e debate nossa 3a. Conferência Nacional sobre a Emancipação da Mulher.

Nessa ocasião especial, fazemos uma reunião aberta para Bancários e Bancárias ouvirmos a Presidenta da UBM do DF, Laura Padilha, essa jovem liderança da cepa paraense, excelente, da raiz do Brasil e do Glorioso, herdeira de uma luta ancestral, Laura fala com esse brilho, essa força paraense e feminina que tão bem encarna.

Ao mesmo tempo, a reunIão foi pensada para ser a tribuna das mulheres, de seus sofrimentos, realizações e do vir-a-ser. Como é ser mulher bancária nos dias de hoje? Por que a Emancipação da Mulher é superior para a classe trabalhadora ao feminismo burguês? A evolução da luta das mulheres em tempos de pandemia, crise e de um governo machista e de extrema direita, muitos são os temas que exigem a voz das bancárias em defesa de suas vidas, de suas carreiras, em prol dos bancos públicos, em defesa do Brasil.

 Será uma bela maneira de homenagear a luta das mulheres e defender sua auto-organização, pois vivemos tempos muito tristes de ataques inadmíveis às mulheres, em especial no Brasil. 

Uma prévia para vocês:


terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Canção do Tamoio - Gonçalves Dias - recita Paulo Vinícius Silva


JORNAL DE POESIA (SITE ESPETACULAR)

Gonçalves Dias

Canção do Tamoio

(Natalícia)


I


Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.



II


Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.



III


O forte, o cobarde
Seus feitos inveja
De o ver na peleja
Garboso e feroz;
E os tímidos velhos
Nos graves concelhos,
Curvadas as frontes,
Escutam-lhe a voz!



IV


Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir.
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir!



V


E pois que és meu filho,
Meus brios reveste;
Tamoio nasceste,
Valente serás.
Sê duro guerreiro,
Robusto, fragueiro,
Brasão dos tamoios
Na guerra e na paz.



VI


Teu grito de guerra
Retumbe aos ouvidos
D'imigos transidos
Por vil comoção;
E tremam d'ouvi-lo
Pior que o sibilo
Das setas ligeiras,
Pior que o trovão.



VII


E a mão nessas tabas,
Querendo calados
Os filhos criados
Na lei do terror;
Teu nome lhes diga,
Que a gente inimiga
Talvez não escute
Sem pranto, sem dor!



VIII


Porém se a fortuna,
Traindo teus passos,
Te arroja nos laços
Do inimigo falaz!
Na última hora
Teus feitos memora,
Tranqüilo nos gestos,
Impávido, audaz.



IX


E cai como o tronco
Do raio tocado,
Partido, rojado
Por larga extensão;
Assim morre o forte!
No passo da morte
Triunfa, conquista
Mais alto brasão.



X


As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Arbeit macht Frei?! O trabalho liberta, colega?!

Faz escuro mas eu canto, porque a manhã vai chegar. Thiago de Mello

A entrada de Auschwitz

"Arbeit macht frei" é uma frase em alemão. De onde vem? Ela estava escrita na entrada de vários campos de concentração nazistas na Segunda Guerra Mundial, em especial, lembramos que estava sobre a entrada do Campo de Concentração de Auschwitz, o maior de todos, na Polônia, libertado em 27 de janeiro de 1945 pelo Exército Vermelho, sob o comando do General Soviético Ivan Konetz. A frase fora feita em metal por prisioneiros operários judeus com habilidades em metalurgia. Ela significa "O trabalho liberta". 

Era, assim, outra porta do não retorno - portas que os brancos pagaram e criaram para outros humanos, portas pelas quais após se passar, perdia-se qualquer esperança. Por isso, cruelmente, aquela mentira ardia (miragem, fogo-fátuo), ela estimulava a pensar que eles iam chegar lá, na liberdade, se fossem bons trabalhadores(as). Se resistissem aos piolhos, ao tifo, à tuberculose, à fome programada, ao abuso, às sevícias, aos experimentos, ao terror, ao assassinato, se escapassem a tudo, pelo trabalho, seriam libertados(as). Enquanto isso, todo dia, a fumaça subia, e as cinzas tristes que tornavam à terra, finas e fúnebres, ensombreciam o horizonte.

Nós somos chamados a refletir sobre esse momento da história que marca o 27 de janeiro, dia internacional em memória das vítimas do Holocausto. É oportuno lembrar disso para pensarmos sobre o que está acontecendo com nosso país, com o nosso trabalho, com a nossa alma, com a nossa democracia com os nossos amigos, com a nossa família, com a nossa dignidade, com a nossa vida, porque nós não estamos num contexto normal, as instituições não funcionam normalmente, exceto se considerarmos normal um contexto tão anômico e doentio como os campos de extermínio do nazifascismo.



O ciclo da alienação precisa ser quebrado pela reflexão sobre a nossa vida. Nós temos que perguntar a nós mesmos: para que serve tanta ordem, se a ordem serve ao caos?! É para ajudar a destruir o nosso trabalho que nós estamos trabalhando? É para ganhar menos que nós estamos nos dedicando? É para aplicar taxas de juros irracionais diante de um ambiente econômico de destruição generalizada que serve um banco público? O que é a escravidão hoje, senão a escravidão pela dívida? Cerca de dois terços da População Economicamente Ativa vivia de auxílio emergencial em setembro de 2020, é sobre si que recai mais duramente o chicote dos juros. É o patamar da taxa de juros em relação com a economia real que define se o bancário, a bancária, sairá de casa de manhã para semear oportunidades e trabalho, ou semear pobreza, concentração de renda. Se ajudamos as pessoas a realizarem sonhos, ou se somamos com o Grande Mamon, o capital financeiro especulativo que não tem pena, não tem limite, e cuja fome perversa é infinita, devorando bens, vidas, trabalho humano que e esterilizado na esfera financeira. É assim que a gente acha significado ou desalento no nosso trabalho. Talvez seja por isso que estejamos adoecendo tanto e por isso a vida esteja em uma crise tão profunda.

Seguiremos acriticamente a melodia da Flauta de Hamelin, limpando as cinzas que nos caem sobre o uniforme listrado até serem nossas próprias cinzas que flutuem até seu beijo triste na terra úmida? A despeito da melodia - que é feia, mas gruda n'alma - não podemos cegar diante da realidade, nem do cheiro de podre, crescente, ao redor. Essa consciência, a solidariedade e a luta, há caminhos, mas é preciso reter as lições de passado com ganas de futuro. É preciso romper a lógica da derrota e ousar lutar para vencer.

A Frente Ampla é o caminho. Mas a lição da História diz que é o povo o grande herói da nacionalidade, pois o patrão e o senhor não respeitam acordo, nem voto, nem alforria, se não pudermos resistir. Perguntou-me uma camarada, incômoda: onde estará a radicalidade na amplitude da Frente Ampla. Se não pudermos resistir, se não houver poder popular, que acordo se cumprirá?

Sem romper a lógica da indiferença e da obediência não será possível construir uma nova ordem.  O Estado é burguês, a institucionalizado, também, precisamos desconfiar do institucional e acreditar mais nos poderes do povo. 

Indiferença e obediências aprendemos há centenas de anos. É assim: corta-se a cabeça, salga-se o solo, separa-se as partes do corpo e não se permite a sepultura. Assim foram tratados Tiradentes, Zumbi, os Guerrilheiros do Araguaia, esse é o exemplo que queriam que aprendêssemos, mas nunca, jamais rezamos por essa cartilha. Morria-se de banzo, fazia-se quilombo, fugia-se, lutamos sempre. A História nos uniu sob o mesmo teto e destino, mostrando-nos que não é possível mais fugir, não há para onde fugir, e é preciso desarmar o feitor, o guarda do campo e reconhecer que todos somos seres humanos, vejam só que novidade. Fomos educados a ignorar o açoite, o linchamento, a tortura, o genocídio negro, indígena, ignorar o linchamento da travesti Dandara em Fortaleza, disciplinados a não ver que o outro é um(a) igual. Essa punição atroz e a indiferença inda mais cruel entraram e conspurcam, assombram e condenam a nossa alma até hoje, pariram essa tristeza e vileza universais que nos assustam. Em Aucshwitz, na escravidão, o que devemos aprender é que a liberdade, a nação e o direito só podem vir da rebelião. A luta é razão de esperança, de felicidade, ela empresta uma dignidade única a quem se liberta das cadeias que escravizam a alma. A ninguém é dado se omitir, todos podemos ajudar a mudar esse roteiro de horror que se tornou o Brasil.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI - Eduardo Alves da Costa



Professor PUC Goiás


NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSki



Assim como a criança humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.


Nos dias que correm
a ninguém é dado repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum com os senhores do mundo, por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces e eu fantasio um levante; mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência. A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.


Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo. Dizem-nos que de nós emana o poder mas sempre o temos contra nós. Dizem-nos que é preciso defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade, procurando, num sorriso, esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes, o coração grita – MENTIRA!

EDUARDO ALVES DA COSTA Niterói, RJ, 1936

Nota: Poema publicado no livro ‘Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século’, organizado por José Nêumanne Pinto, página 218.

Fonte: http://inquietudine.wordpress.com/2009/04/09/no-caminho-com-maiakovski/ Acesso em 23/05/2010

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Clipe oficial Mangueira 2019 - História para Ninar gente grande - Amor ao Brasil



Brasil, meu nego
Deixa eu te contar A história que a história não conta O avesso do mesmo lugar Na luta é que a gente se encontra Brasil, meu dengo A mangueira chegou Com versos que o livro apagou Desde 1500 Tem mais invasão do que descobrimento Tem sangue retinto pisado Atrás do herói emoldurado Mulheres, tamoios, mulatos Eu quero um país que não está no retrato Brasil, o teu nome é Dandara Tua cara é de cariri Não veio do céu Nem das mãos de Isabel A liberdade é um dragão no mar de Aracati Salve os caboclos de julho Quem foi de aço nos anos de chumbo Brasil, chegou a vez De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês Mangueira, tira a poeira dos porões Ô, abre alas pros teus heróis de barracões Dos Brasil que se faz um país de Lecis, jamelões São verde- e- rosa as multidões

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Sem razões para o não, SIM para a CASSI - Paulo Vinícius Silva


Sou favorável à aprovação do acordo da CASSI sob votação até o dia 21 de novembro.Nele se decide se damos um aporte temporário de 1℅ para preservar a CASSI - o BB daria 23 milhões -,  até dezembro de 2019, tempo para aperfeiçoar sua governança, o controle de contas e ter aí um novo momento de debate e decisão.

O não se legitima primeiramente pela postura do BB, com a pressa com que fez a consulta. Esse gesto - estranho -, dá vazão a desconfianças, umas legítimas, outras, não. Seleciono alguns argumentos para o escrutínio da crítica, sem demérito de legítimas diferenças.

I - Não resolve tudo, então prefiro que não resolva nada.
II - Vocês não solucionaram a crise da CASSI. Então, vamos aprofundar a crise na Cassi, quem sabe melhora...
III - O não vencedor potencializará um cataclismo que OBRIGARÁ o BB a negociar.

Pelo fim, a rejeição não obriga nada, só o pagamento de juros e a perpetuação/aumento do déficit. E mostrará a incapacidade de uma auto-gestao com dois patrocinadores - em paridade - resolver de modo negociado suas diferenças quanto à sustentabilidade da CASSI.

Seria duríssimo golpe na governança da Cassi. Esgotaram-se as reservas e a CASSI está no cheque especial, pagando juros ao Bb, acreditem. Então, se há cataclismo, é contra a CASSI, é contra cada um(a) usuário (a). Nós somos a CASSI. Tem de ter mais cuidado com a nossa CASSI e com soluções incendiárias quando adentram a perigosa seara da saúde. É preciso tomar tento com alguns delírios, pavores e com nossa própria auto-estima.

Há um longo caminho de luta sobre a CASSI, em qualquer cenário. Agonias apenas agoniam, não aconselham que preste.

Expressão das posturas "taca fogo ni tudo", "o mundo vai se acabar", "NADA NUNCA JAMAIS SEMPRE" é a negativa do que se avançou. Para diminuir-nos, elude, tergiversa, oculta nossas vitórias e méritos na negociação.

Há uma unidade em temas fundamentais que vão pelo ralo do sendo comum atual, nessa anomia politica, sob a fragmentação pós moderna e a negação da política, posições conservadoras. Esse bloqueio favorece que ignoremos temas complexos da gestão, da saúde do trabalhador, de concepções de saúde  e dos próprios agentes humanos no processo, que são os gestores, os funcionários da Cassi - gente que ama e vive a Cassi -, e os usuários. Nós estamos nessa conta.

É preciso apontar para os problemas a partir de nossas forças, com esses consensos que emanaram do movimento para as mesas, os pontos de unidade:
a) defesa da solidariedade com a unidade ativa e aposentados e pacto intergeracional;
b) não tem fundo de investimentos a desobrigar o bb scom seus aposentados e aposentadas;
c) não altera contribuição fixa.

O acordo Estabece uma contribuição provisória circunscrita à discussão, e haverá uma consultoria. A proposta se fortaleceu pela incorporação de um índice superior à inflação comum, o FIPE saúde, como fator de ajuste para o BB, acima da inflação geral.

Defendemos que a CASSI assegure a perenidade de seus princípios através do excelente atendimento a nós, usuários. Houve grande engenharia e há interesses e lacunas que são importantes pelo papel de ponte que o acordo assume.
Então, tivemos grandes vitórias nos temas gerais nessa etapa, e há outros que passam para outra fase de disputa, sem a faca no pescoço.

Central nessa fase é o processo de afirmação da Estratégia Saúde da Família como a via da superação do déficit. A medicina preventiva, integral, voltada à população bancária num período de recrudescimento do adoecimento psíquico, nossa qualidade de vida, são de tal monta os temas imbricados na Cassi. Daí a importância de os usuários e usuárias tomarem parte na decisão e no controle social da CASSI, imensa lacuna desse processo.

É pelo pertencimento e a participação que poderemos avançar nos temas da saúde do trabalhador e da trabalhadora. Há um longo caminho de luta pela frente e devemos agir como donos da Cassi e não como consumidores de um plano de saúde.

Há uma indústria da doença, máfias, há uma crise generalizada no setor. É preciso buscar a verdade do adoecimento como parte do trabalho e entender porque adoecemos tanto, e desse ou daquele jeito. A gestão precisa ser tema, por óbvio. E a luta se coloca para outra batalha mais adiante. Ou seja, a luta continua.

E temos de reiterar sempre a crítica que o açodamento, a correria, não ajudou em nada o ambiente necessário a um acordo provisório que dá fôlego à Cassi, e segue o debate. Há quem queira fazer disso uma razão válida à rejeição. Não é, porque o tempo corre contra a Cassi. A luta não é em linha reta, é preciso unidade, luta e ginga para vencer as batalhas complexas, como é a da Cassi.
Não há varinha de condão, é preciso defender a CASSI. Por isso temos pé firme no que já conquistamos nessa caminhada. Queremos sim, tirá-la da crise aguda e disputar seus rumos. Quem quer a cassi em crise, anseia por mercantilizá-la, olho aberto.
Devemos defender a governança da cassi e aperfeicoá-la no sentido do acompanhamento personalizado, com a ESF e impulsionar uma vasta rede de conselhos como controle social efetivo pelos próprios usuários e nas Conferências de saúde.  Isso tudo é dizer sim à Cassi.

domingo, 6 de setembro de 2015

Fala de Adilson Araújo, presidente da CTB, no Diálogo dos Movimentos Sociais com Dilma - Portal CTB

www.portalctb.org.br


Brilhante fala de Adilson Araújo no Diálogo dos movimentos sociais com a Presidenta Dilma no Palácio do Planalto.

P.S.: chocante, num momento como o que vivemos, que militantes do campo progressista - mesmo uma voz isolada - não saibam valorizar a unidade do povo, dos trabalhadores. Importante exemplo de como a UNIDADE é valiosa, e só pode ser conquistada com um trabalho decidido,  correto na política e cheio de tenacidade.

sábado, 21 de março de 2015

A marcha da vergonha (você foi?). Paulo Vinícius Silva

A imprensa golpista, 
que sustentou a Ditadura, que escondeu torturas e assassinatos, que entregou jornalistas e artistas, sustentada pelas oligarquias carcomidas, 
sonegadora que vive do dinheiro público, 
foi ela quem convocou os “protestos do dia 15 de março de 2015 - mal Dilma assumira. 

A data era simbólica: posse de Costa e Silva, Geisel e Figueiredo, os generais presidentes da Ditadura. mas eles não podiam dizer isso. Então, mentirosamente, vestiram seu ato golpista com o sagrado verde amarelo e com a hipócrita defesa de uma ética que nunca praticaram. 

Ainda assim, não puderam esconder que aquele 15 de março era uma Marcha da Vergonha.
Marcha como aquela, que em 1964 saudou, pediu, implorou pela Ditadura.

E muitos foram, uns por convicção, outros por ilusão. 

Falemos dos primeiros.
Começaram seu "protesto"  uma semana antes.
Tinham palavras de ordem?
Não, tinham palavrões!
Foram entusiasmados, aqueles que gritaram à Presidenta, desde a Copa do Mundo:
- Vá tomar n(@%%##
- Vac$%%
- Vaga*&*&
Sim, os bocas sujas gritaram das varandas Gourmet!!
Bateram panelas caras e cheias e as devolvem à empregada.
Panelaço de panelas cheias, no Jardins, Higienópolis, Águas Claras, Alfavilles, Aldeota etc etc etc.
Panelaços que ofendem duplamente, como a revolta dos filhinhos de papai.
Estes foram todos, podia-se ouvi-los ao longe.

Seu ódio não era contra Dilma, mas contra a própria noção básica de humanidade:
"Todos e todas somos iguais, seres humanos, com direito à dignidade e à felicidade".

Por que não saíam às ruas quando a seca dizimava nordestinos, crianças que morriam?!
Cemitérios de anjinhos nunca os levaram às ruas.
Mas isso acabou. O Brasil saiu do mapa da fome! E, para eles, nunca o Brasil esteve pior.
Por isso, foram protestar, bem acompanhados:

Lá estavam

Exploradores da fé alheia,  malafrários,
os vendilhões do templo,
os fariseus,
Herodias, que pediu a cabeça de João Batista,
até Iscariotes deu o ar de sua desgraça, de braços dados com Silvério dos Reis.
Saíram os defensores da Ditadura Militar e até os torturadores mereceram aplauso,
sordidamente caquéticos e com as mãos sujas ainda de sangue inocente.

Burgueses. Sim, burgueses havia, até herdeira de banco se juntou ao ato “patriótico”.

Sobretudo muitos pequenos burgueses, esmoléus da Ilha da Fantasia do consumismo
(Mais que uma condição econômica, espiritualmente, todos os que se acham superiores.)

Aqueles(as) que não toleram o Bolsa Família, foram!

Os que lamentam muito haver direitos para empregadas domésticas, também.
Sonegadores contumazes, enrolões de direitos de empregados, com o olhar vítreo de fervor cívico!

Aqueles que descobriram o racismo apenas quando a juventude negra teve assegurado o direito de cursar as carreiras que sempre foram monopólio de brancos, esses fizeram questão de ir.

Também aqueles que dizem ser positiva uma taxa maior de desemprego (assim o povo ficará no seu lugar!)

Os que abominam a diversidade como um pecado e querem regular o amor de dentro de seus soturnos armários jamais poderiam perder um baile de hipocrisia dessa magnitude.

Os que querem fatiar e vender a PETROBRAS, aderiram.
A turma que acha absurdo o Brasil produzir 30% do equipamentos do Pré-sal se somou.
Todos os que dizem querer limpar, mas querem na verdade vender a PETROBRAS foram – ou pagaram para que outros fossem.

Os que ameaçam se mudar para Miami tiveram ali o seu dia de glória.

Os defensores do livre mercado ao preço do desemprego, da fome, da soberania, da democracia, da dignidade, os malthusianos estavam lá!

Aqueles que não suportam Dilma ser mulher, a Presidenta, também estavam lá.
Não podiam se omitir, afinal, querem interromper pela força do Golpe a primeira mulher Presidenta da República, contra o voto dos brasileiros e brasileiras.
Quem é contra a democracia estava lá. Até o sigma integralista se viu, garboso e sem vergonha entre analfabetos de História e solidariedade.

Os inimigos de Paulo Freire fizeram questão de marcar presença, com faixa e tudo.

Verde amarelo na roupa e faixas em inglês pedindo a intervenção dos Estados Unidos foram comuns.

Elogios a Ditaduras, o anticomunismo, a defesa dos privilégios de classe que sempre vigeram, tudo estava ali.

Lacerda foi visto como um encosto a repetir, sem ameaça de exorcismo, como disse de Getúlio:
"Não pode se candidatar. Se candidato não pode ganhar. Se eleito não pode assumir.
Se assumir não pode governar e devemos derrubá-la".

(Nós já vimos essa campanha de ódio, força e acusações terríveis - "mar de lama" - a escorrer pelos jornais, levarem Getúlio Vargas ao suicídio, em 24 de agosto de 1954, data sagrada da Carta Testamento.)

Saíram às ruas os que querem acabar com a CLT e que querem a terceirização total.
Saíram também os envolvidos em corrupção, mas protegidos pela imprensa golpista. Corruptos reconhecidos desde sempre e que falam contra a corrupção impunemente.

Saíram às ruas os maiores inimigos do fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais.

Saíram os que param o transporte de carga e sabotam o Brasil, que param pela força os caminhoneiros(as) que só tem o caminhão e as prestações, os que esmagam os pequenos e paralisam as vias até até a sua carga apodrecer.

Também os deputados que criam a despesa, mas não a receita, mas querem as suas emendas para seus currais, e fornecedores. Os achadores se esconderam, mas era possível ver seu nauseabundo rastro e até a presença de vários.

Os pelegos foram!

Todos os que se somam ao problema, e não apoiam as soluções e lucram com a maior Crise do Capitalismo desde 1929, todos os que jogam com a crise, que lucram se a crise crescer, todos foram, ou pagaram quem fosse.

Eram muitos, sim, mas a maioria ainda não foi às ruas.
Acordou a oligarquia. E sua face apareceu despudoramente à luz do dia.
E você, você foi? Mesmo sem nada a ver com eles, você foi?
Você não reparou nesses todos que estavam lá?
Você acreditou na imprensa golpista? 

Eles ameaçam parar o Brasil, mas há uma dificuldade.

Afinal, a oligarquia não produz nada.
A oligarquia - oligarcas de merda - vive de quem trabalha.
A oligarquia não pode parar o Brasil.

Quero te contar um segredo:

O gigante ainda não acordou.

Quem move o Brasil
Quem constrói o Brasil
Quem pôs Lula Lá - duas vezes
Quem pôs Dilma Lá - duas vezes

São os trabalhadores e as trabalhadoras

E a luta, e o poema, continuam.

Coletivizando no Youtube